Mark Zuckerberg provavelmente não cumprirá seu desafio pessoal de 2018

4/1/18, 16h52

4/1/18 5 comentários

Desde 2009, Mark Zuckerberg, CEO do Facebook, se propõe um desafio anual. Ele já aprendeu mandarim, leu 25 livros, correu 365 milhas, criou um assistente virtual e comeu apenas os animais que ele próprio abateu. Em 2018, corre o risco de, pela primeira vez, não cumprir o objetivo estabelecido, pois dificílimo. Do seu anúncio:

O mundo parece ansioso e dividido e o Facebook tem muito trabalho a fazer — seja protegendo a nossa comunidade de abusos e do ódio, defendendo-a contra interferências de países ou garantindo que o tempo gasto no Facebook seja um tempo bem gasto.

Meu desafio pessoal para 2018 é focar em corrigir essas importantes questões.

Boa sorte.

Mais abaixo, ele diz:

Com a ascensão de um pequeno número de grandes empresas de tecnologia — e governos usando tecnologia para vigiar seus cidadãos —, muitas pessoas acreditam que a tecnologia apenas centraliza o poder em vez de descentralizá-lo.

“Muitas pessoas acreditam”. Ele não?

Mark Zuckerberg admite problema com notícias falsas no Facebook e anuncia medidas para contê-las

19/11/16, 11h26

19/11/16 5 comentários

O resultado das eleições para a presidência norte-americana expôs um problema fundamental do Facebook: a falha em conter a disseminação de notícias flagrantemente falsas na plataforma. Após um breve período de negação, Mark Zuckerberg admitiu que algo precisa ser consertado e apresentou algumas medidas nesse sentido.

A admissão não veio facilmente. Antes, ele tentou relativizar o problema das notícias falsas no Facebook algumas vezes. Em 13 de novembro, escreveu em seu perfil:

De todo o conteúdo no Facebook, mais de 99% do que as pessoas veem é autêntico. Apenas uma pequena quantidade é de notícias falsas e boatos. Os boatos que existem não são limitados a visões partidárias ou mesmo à política. No geral, isso torna extremamente improvável que boatos tenham alterado o resultado dessas eleições em uma direção ou outra.

Mas evidências apontam o contrário. O conteúdo desse tipo pode até ser pouco, mas faz barulho e se espalha incrivelmente bem.

É de bom tom esclarecer que a crítica não é no sentido de que o Facebook determinou o resultado da eleição, mas sim que envenenou o debate ao reforçar posicionamentos com base em notícias flagrantemente falsas. Em alguns casos, deliberadamente falsas, notícias fabricadas apenas pelo potencial de viralização e lucratividade. E, independentemente das eleições, o sucesso dessa abordagem aponta que há um problema endêmico ali.

Em uma publicação na noite de ontem (18/11), Zuckerberg reconheceu o problema:

Esses problemas aqui são complexos, tanto técnica como filosoficamente. Acreditamos em dar voz às pessoas, o que significa errar para o lado de deixar as pessoas compartilharem o que elas quiserem sempre que possível. Precisamos ser cuidadosos para não desencorajar o compartilhamento de opiniões ou, equivocadamente, restringir conteúdo preciso. Não queremos ser árbitros da verdade, mas em vez disso, confiar em nossa comunidade e em terceiros confiáveis.

Embora a porcentagem de desinformação seja relativamente pequena, temos muito trabalho pela frente em nosso cronograma. Normalmente, não compartilhamos especificidades sobre os nossos projetos em curso, mas dada a importância dessas questões e o tanto de interesse [que há] no assunto, quero delinear alguns dos projetos que já começamos:

  • Detecção mais forte. A coisa mais importante que podemos fazer é melhorar a nossa habilidade de classificar a desinformação. Isso significa melhores sistemas técnicos para detectar o que a pessoas sinalizam como falso antes mesmo que elas façam isso.
  • Facilitar denúncias. Tornar muito mais fácil para as pessoas denunciarem histórias como falsas nos ajudará a capturar desinformações mais rapidamente.
  • Verificação por terceiros. Existem muitas organizações respeitáveis de fact checking e, embora nós já tenhamos entrado em contato com algumas, planejamos aprender com muitas outras mais.
  • Alertas. Estamos explorando [a ideia de] etiquetas em histórias que foram sinalizadas como falsas por terceiros ou pela nossa comunidade e exibir alertas quando as pessoas leem ou compartilham elas.
  • Artigos relacionados de qualidade. Estamos elevando o nível das histórias que aparecem nos artigos relacionados abaixo dos links do feed.
  • Acabar com a economia das notícias falsas. Muito da desinformação é direcionado pelo spam financeiramente motivado. Estamos tentando acabar com essa economia com políticas de anúncios como a anunciada no início da semana e melhorando a detecção de fazendas de anúncios.
  • Ouvir. Continuaremos trabalhando com jornalistas e outros da imprensa para receber suas opniões, em especial para entender melhor seus sistemas de checagem de fatos e aprender com eles.

São ações promissoras que se somam à exclusão de sites de notícias falsas do programa de publicidade do Facebook, medida anunciada segunda-feira (14/11) e que foi adotada também pelo Google.