Prédio baseado no logo do Manual do Usuário, em perspectiva isométrica, com um recorte na lateral e várias pessoinhas nos andares e terraço. À esquerda: “Manual de dentro para fora”.

Manual do Usuário entra para a Associação de Jornalismo Digital (Ajor)

O Manual do Usuário é uma das 11 novas publicações da Associação de Jornalismo Digital (Ajor). As atividades da Ajor se estruturam em três eixos: profissionalização e fortalecimento das associadas, defesa do jornalismo e da democracia e foco na diversidade. Lá, em boa companhia, espero que possamos contribuir e aprender para sempre melhorar o Manual e o jornalismo digital feito no Brasil. Via Ajor.

Folha volta a publicar conteúdo no Facebook

Em um texto meloso, a Folha de S.Paulo anunciou seu retorno ao Facebook, três anos depois de interromper a publicação de conteúdo na rede social. Segundo o texto, o retorno ocorre porque “[a] plataforma mudou postura e tem agido para valorizar jornalismo profissional e restringir a circulação de notícias falsas”.

Os esforços do Facebook para valorizar o jornalismo, listados em tom laudatório pela Folha, são insuficientes, para dizer o mínimo. Umas contas falsas apagadas aqui, uns trocados doados para projetos jornalísticos.

Decepcionante. Pelo menos essa notícia trouxe algo de bom: lembrou-me de excluir a já abandonada página do Manual do Usuário do Facebook. Feito. Obrigado, Folha?

Print da tela de confirmação, no Firefox desktop, da exclusão da página do Manual do Usuário no Facebook.

Atualização (13h56): Na redação original, havia feito uma provocação acusando o jornal de ter usado linguagem típica de publieditoriais para elogiar os feitos do Facebook. A fim de evitar confusões, esta parte foi alterada.

Twitter compra Scroll; Nuzzel será encerrado

O Twitter anunciou a compra do Scroll nesta terça (4). O serviço, lançado ano passado, é uma espécie de “Netflix de jornais/sites”: o usuário paga uma mensalidade de US$ 5 que é repartido entre os sites participantes que ele visita. Por sua vez, o usuário deixa de ver anúncios nesses sites — mas passa a ser monitorado pelo próprio Scroll, que precisa conhecer seus hábitos de leitura para fazer o rateio.

É a segunda aquisição de startups focadas em “leituras de fôlego” que o Twitter faz em 2021. Em janeiro, foi a vez do Revue, um serviço de newsletters similar ao Substack. De imediato, o Scroll não aceita mais usuários e segundo Tony Haile, fundador do serviço, ele deverá ser integrado ao Twitter em uma assinatura paga, que deve ser lançada até o final do ano.

Nessa, o que importa para (parte de) nós é que o Nuzzel, um agregador de redes sociais que envia uma newsletter automatizada diária com os links mais populares, será encerrado dia 6 de maio. Pena. Via Scroll (em inglês), Axios (em inglês), @arctictony/Twitter (em inglês).

Agência Lupa vende checagens de boatos como NFT

A Agência Lupa está vendendo algumas das suas checagens como NFT. Já venderam duas, por 0,05 ETH cada, cerca de R$ 390 no momento em que publico esta notinha. Há outras seis checagens disponíveis para compra.

Este talvez seja o melhor uso até agora de NFT. A Lupa encontrou uma forma de financiar o trabalho sério que fazem em cima da “arte” criada por gente mal-intencionada, por vezes criminosa. Via Agência Lupa, @agencialupa/Twitter.

Medium oferece programa de demissão voluntária a jornalistas após minar tentativa de sindicalização

Ev Williams anunciou um “pivot” no Medium. A empresa dará menos ênfase às suas nove publicações próprias e os jornalistas que trabalham nelas, e passará a dar apoio a “vozes independentes da plataforma” com “acordos, suporte, edição e feedback”. Em outras palavras, tentará emular o Substack.

A guinada deixará estragos e vítimas, como sempre acontece quando Ev acorda indisposto e decide mudar tudo no Medium, algo um tanto frequente. Siobhan O’Connor, VP responsável pelo editorial do Medium, se desligou da empresa, e o Medium está oferecendo uma espécie de programa de demissão voluntária aos funcionários do editorial, ou seja, convidando jornalistas a se demitirem.

Segundo a Vice, suspeita-se que o desmantelamento da unidade editorial do Medium seja uma retaliação à tentativa dos funcionários (todos eles) de se sindicalizarem. A direção do Medium, incluindo Ev, trabalhou ativamente para minar o processo, e conseguiu: a tentativa foi malfadada por apenas um voto de diferença. Via Vice (em inglês).

Cade investiga Google no Brasil por exibir pedaços de notícias na busca

À luz da polêmica recente na Austrália, o Uol Tilt recuperou o processo movido pelo Cade contra o Google, aqui no Brasil, relacionado aos “snippets”, trechos de notícias que são exibidos no Google Notícias. As partes envolvidas — Google, Associação Nacional dos Jornais (ANJ) e veículos jornalísticos — foram ouvidas até dezembro. Ainda não há previsão para o órgão decidir o caso.

Muitos membros da ANJ estão naquele programa de “Destaques” do Google, que distribui migalhas, digo, remunera jornais parceiros. A ANJ diz que o dinheiro recebido por ali “tem valor meramente simbólico”. Pode ser, mas é uma arma poderosa que o Google dispõe para se defender nesse caso. Se é “simbólico”, por que aceitá-lo? Pesa a favor do Google, ainda, o fato de que a adesão ao Google Notícias não é compulsória, ao contrário do buscador web. Um jornal ou site precisa realizar tomar a iniciativa e se submeter à aprovação para aparecer no Notícias — e é um processo complexo; o Google faz uma série de exigências.

Em 2014, jornais da Espanha se revoltaram contra o Google Notícias. Queriam, a exemplo dos jornais brasileiros, que o Google pagasse para veicular links e “snippets” no serviço. O Google fechou o Notícias no país e nunca mais voltou.

Austrália emenda projeto de lei e Facebook promete restaurar notícias em sua plataforma

Não durou uma semana o bloqueio a notícias na Austrália promovido pelo Facebook, medida imposta na última quarta (17) em retaliação a um projeto de lei que obriga as plataformas de tecnologia a pagarem publicações jornalísticas pelo seu conteúdo e links. O governo australiano emendou a lei e o Facebook, satisfeito com as mudanças, disse que as notícias serão restauradas “nos próximos dias”. Via Folha, Governo da Austrália (em inglês).

[Extra] As Big Techs não são amigas do jornalismo

Todo fim de ano, a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e a Farol Jornalismo, startup de conteúdo do Rio Grande do Sul, convidam um grupo de pessoas que analisarão os desafios que o jornalismo enfrentará no ano que começa. Em 2020, eu fui um dos convidados para escrever sobre o impacto dos monopólios digitais […]

Vale a pena comprá-lo?

Ainda pensando em análises de produtos depois daquela boa notícia do The Guardian, outro critério que acho que deveria mudar é o da recomendação ou não de compra que geralmente aparece na conclusão das análises. Em vez de uma resposta genérica, seria melhor fazê-la à luz de um valor médio que represente a renda do leitor indeciso.

Por exemplo, ao analisar o iPhone 12 (R$ 8 mil), a pergunta derradeira do repórter não deveria ser “vale a pena comprá-lo?”, mas sim “eu, com meu salário de R$ 2.699,58 (piso para 5h no estado de São Paulo, fora a capital), compraria este celular de R$ 8 mil, equivalente a quase três meses de trabalho?” Ou então usar outro critério mais abrangente, como a renda média do brasileiro (R$ 2.398, segundo o último dado do IBGE). É fácil dizer que um celular de R$ 8 mil é bom (estranho seria se não fosse), mas a quem essa informação é útil? Para quem estamos reportando?

The Guardian muda critérios de sustentabilidade na análise de produtos

O jornal inglês The Guardian mudou os critérios na atribuição de pontos de sustentabilidade na análise de produtos de tecnologia, como celulares e fones de ouvido. Em vez de dar pontos extras àqueles exemplares (que usam materiais reciclados, são fáceis de serem consertados etc.), passará a tirar pontos dos que dão mau exemplo ou que não fornecem informações do tipo. É uma mudança importante e bem-vinda, que, se adotada por toda a indústria, pode forçar as empresas a serem mais transparentes e a reforçarem medidas pró-meio ambiente em seus planejamentos e linhas de produção. The Guardian (em inglês) via @manifesteiro/Twitter.

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