Banner anúncio do Revelo UP, com o logo do programa e o texto 'Financiamento de curso em tecnologia' à esquerda, a frase 'Investir no seu futuro começa agora' no meio e, à direita, a palavra 'UP' vazada, com uma mulher pensativa no 'U' e um homem fazendo anotações no 'P'.

Twitter compra Scroll; Nuzzel será encerrado

O Twitter anunciou a compra do Scroll nesta terça (4). O serviço, lançado ano passado, é uma espécie de “Netflix de jornais/sites”: o usuário paga uma mensalidade de US$ 5 que é repartido entre os sites participantes que ele visita. Por sua vez, o usuário deixa de ver anúncios nesses sites — mas passa a ser monitorado pelo próprio Scroll, que precisa conhecer seus hábitos de leitura para fazer o rateio.

É a segunda aquisição de startups focadas em “leituras de fôlego” que o Twitter faz em 2021. Em janeiro, foi a vez do Revue, um serviço de newsletters similar ao Substack. De imediato, o Scroll não aceita mais usuários e segundo Tony Haile, fundador do serviço, ele deverá ser integrado ao Twitter em uma assinatura paga, que deve ser lançada até o final do ano.

Nessa, o que importa para (parte de) nós é que o Nuzzel, um agregador de redes sociais que envia uma newsletter automatizada diária com os links mais populares, será encerrado dia 6 de maio. Pena. Via Scroll (em inglês), Axios (em inglês), @arctictony/Twitter (em inglês).

Agência Lupa vende checagens de boatos como NFT

A Agência Lupa está vendendo algumas das suas checagens como NFT. Já venderam duas, por 0,05 ETH cada, cerca de R$ 390 no momento em que publico esta notinha. Há outras seis checagens disponíveis para compra.

Este talvez seja o melhor uso até agora de NFT. A Lupa encontrou uma forma de financiar o trabalho sério que fazem em cima da “arte” criada por gente mal-intencionada, por vezes criminosa. Via Agência Lupa, @agencialupa/Twitter.

Medium oferece programa de demissão voluntária a jornalistas após minar tentativa de sindicalização

Ev Williams anunciou um “pivot” no Medium. A empresa dará menos ênfase às suas nove publicações próprias e os jornalistas que trabalham nelas, e passará a dar apoio a “vozes independentes da plataforma” com “acordos, suporte, edição e feedback”. Em outras palavras, tentará emular o Substack.

A guinada deixará estragos e vítimas, como sempre acontece quando Ev acorda indisposto e decide mudar tudo no Medium, algo um tanto frequente. Siobhan O’Connor, VP responsável pelo editorial do Medium, se desligou da empresa, e o Medium está oferecendo uma espécie de programa de demissão voluntária aos funcionários do editorial, ou seja, convidando jornalistas a se demitirem.

Segundo a Vice, suspeita-se que o desmantelamento da unidade editorial do Medium seja uma retaliação à tentativa dos funcionários (todos eles) de se sindicalizarem. A direção do Medium, incluindo Ev, trabalhou ativamente para minar o processo, e conseguiu: a tentativa foi malfadada por apenas um voto de diferença. Via Vice (em inglês).

Cade investiga Google no Brasil por exibir pedaços de notícias na busca

À luz da polêmica recente na Austrália, o Uol Tilt recuperou o processo movido pelo Cade contra o Google, aqui no Brasil, relacionado aos “snippets”, trechos de notícias que são exibidos no Google Notícias. As partes envolvidas — Google, Associação Nacional dos Jornais (ANJ) e veículos jornalísticos — foram ouvidas até dezembro. Ainda não há previsão para o órgão decidir o caso.

Muitos membros da ANJ estão naquele programa de “Destaques” do Google, que distribui migalhas, digo, remunera jornais parceiros. A ANJ diz que o dinheiro recebido por ali “tem valor meramente simbólico”. Pode ser, mas é uma arma poderosa que o Google dispõe para se defender nesse caso. Se é “simbólico”, por que aceitá-lo? Pesa a favor do Google, ainda, o fato de que a adesão ao Google Notícias não é compulsória, ao contrário do buscador web. Um jornal ou site precisa realizar tomar a iniciativa e se submeter à aprovação para aparecer no Notícias — e é um processo complexo; o Google faz uma série de exigências.

Em 2014, jornais da Espanha se revoltaram contra o Google Notícias. Queriam, a exemplo dos jornais brasileiros, que o Google pagasse para veicular links e “snippets” no serviço. O Google fechou o Notícias no país e nunca mais voltou.

Austrália emenda projeto de lei e Facebook promete restaurar notícias em sua plataforma

Não durou uma semana o bloqueio a notícias na Austrália promovido pelo Facebook, medida imposta na última quarta (17) em retaliação a um projeto de lei que obriga as plataformas de tecnologia a pagarem publicações jornalísticas pelo seu conteúdo e links. O governo australiano emendou a lei e o Facebook, satisfeito com as mudanças, disse que as notícias serão restauradas “nos próximos dias”. Via Folha, Governo da Austrália (em inglês).

[Extra] As Big Techs não são amigas do jornalismo

Todo fim de ano, a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e a Farol Jornalismo, startup de conteúdo do Rio Grande do Sul, convidam um grupo de pessoas que analisarão os desafios que o jornalismo enfrentará no ano que começa. Em 2020, eu fui um dos convidados para escrever sobre o impacto dos monopólios digitais […]

Vale a pena comprá-lo?

Ainda pensando em análises de produtos depois daquela boa notícia do The Guardian, outro critério que acho que deveria mudar é o da recomendação ou não de compra que geralmente aparece na conclusão das análises. Em vez de uma resposta genérica, seria melhor fazê-la à luz de um valor médio que represente a renda do leitor indeciso.

Por exemplo, ao analisar o iPhone 12 (R$ 8 mil), a pergunta derradeira do repórter não deveria ser “vale a pena comprá-lo?”, mas sim “eu, com meu salário de R$ 2.699,58 (piso para 5h no estado de São Paulo, fora a capital), compraria este celular de R$ 8 mil, equivalente a quase três meses de trabalho?” Ou então usar outro critério mais abrangente, como a renda média do brasileiro (R$ 2.398, segundo o último dado do IBGE). É fácil dizer que um celular de R$ 8 mil é bom (estranho seria se não fosse), mas a quem essa informação é útil? Para quem estamos reportando?

The Guardian muda critérios de sustentabilidade na análise de produtos

O jornal inglês The Guardian mudou os critérios na atribuição de pontos de sustentabilidade na análise de produtos de tecnologia, como celulares e fones de ouvido. Em vez de dar pontos extras àqueles exemplares (que usam materiais reciclados, são fáceis de serem consertados etc.), passará a tirar pontos dos que dão mau exemplo ou que não fornecem informações do tipo. É uma mudança importante e bem-vinda, que, se adotada por toda a indústria, pode forçar as empresas a serem mais transparentes e a reforçarem medidas pró-meio ambiente em seus planejamentos e linhas de produção. The Guardian (em inglês) via @manifesteiro/Twitter.

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