Os óculos de realidade aumentada da Xiaomi

Homem branco, de cabelo curto e camiseta bege, usando um par de óculos enorme, com bordas prata e preta, enquanto segura um celular branco em frente ao rosto.
Foto: XDA-Developers/Reprodução.

Este é o Xiaomi Wireless AR Smart Glass Explorer Edition, protótipo de óculos de realidade aumentada (RA) da fabricante chinesa. Ele foi exibido Ben Sin (e somente a ele), do site XDA-Developers, no MWC 2023, em Barcelona.

Feio que dói, os óculos de RA da Xiaomi não têm previsão de serem comercializados. Sin especula que isso se deve à bateria (dura ~30 minutos), mas talvez um Google Glass mais desengonçado, ainda que tecnicamente melhor, não tenha muito apelo junto ao grande público?

Há quem argumente que estamos vivendo a fase “celulares Nokia/Motorola pré-iPhone” desses óculos, e que, se a história se repete, nos próximos meses ou anos a Apple lançará um modelo super legal, que validará o segmento e será copiado por empresas como a própria Xiaomi. É uma aposta, mas hoje não temos sequer um óculos equivalente ao “Nokia/Motorola pré-iPhone” da analogia com celulares. Via XDA-Developers (em inglês, com várias fotos).

Para quem são as placas de vídeo de nova geração da Nvidia (RTX 40)?.

A Nvidia anunciou sua nova geração de chips gráficos, a linha GeForce RTX 40. O topo de linha, RTX 4090, é de duas a quatro vezes mais potente que o RTX 3090 TI. No Brasil, a placa de vídeo custará R$ 15 mil. (A versão mais simples, RTX 4080 de 12 GB, sairá por R$ 8,2 mil.) Elas começam a ser vendidas já no próximo dia 12 de outubro.

Um detalhe curioso é o consumo energético dessas placas. (É um assunto tão fora do meu dia a dia que sempre me impressiono quando topo com esses números.) O chip RTX 4090 consumirá 450 W para rodar. É… bastante coisa. Para colocar o gasto em perspectiva, o notebook em que escrevo estas palavras consome 10 W em média, com picos de 20 W.

A desvalorização das criptomoedas gerou um excedente de placas de vídeo no mercado após um longo período de escassez e preços elevados. Com placas sobrando e os preços de referência das novas placas nas alturas (lá fora também; a GTX 4090 custará insanos US$ 1,6 mil nos EUA), tem gente se perguntando para quem são essas placas. Algum palpite? Via Nvidia (em inglês), Tecmundo.

Apple pagará US$ 50 milhões a consumidores norte-americanos por causa do teclado borboleta.

Um dos últimos vestígios dos problemáticos teclados borboleta que a Apple usou em seus notebooks entre 2015 e 2019, o processo judicial que consumidores norte-americanos moveram contra a empresa, chegou ao fim.

A Apple concordou em pagar US$ 50 milhões, a serem distribuídos aos consumidores de acordo com o nível de chateação experimentado (até US$ 395, para quem teve que trocar o teclado várias vezes).

O teclado borboleta equipou modelos de MacBook, MacBook Air e MacBook Pro e era mais suscetível a falhas que o normal. Algumas teclas davam problema quando pequenos corpos estranhos minúsculos, como farelo e poeira, entravam no mecanismo, e a única solução para o problema era trocar todo o teclado e, por consequência, toda a carcaça do notebook.

A Apple, apesar do acordo e de ter abolido o teclado borboleta de todos os seus notebooks a partir de 2019, segue sustentando que não havia nada errado com ele. Via Reuters (em inglês).

A PINE64 entra de cabeça no RISC-V

Um SBC (computador em uma placa) da PINE64, da arquitetura RISC-V.
Imagem: PINE64/Divulgação.

RISC-V é “A Arquitetura do Futuro”, isso é ponto pacífico. Também é ponto pacífico que, para ser “A Arquitetura do Futuro”, precisa de um SBC [computador de placa única, sigla em inglês] de baixo custo, porque, afinal, foi assim lá em 2012, quando esta posição era da ARM; a Raspberry Pi transformou a ARM na “Arquitetura do Presente”.

A PINE64 já usa o RISC-V, no Pinecil (o ferro de solda inteligente). No entanto, viu que havia uma bola quicando — o SBC de baixo custo para colocar o RISC-V na mão da massa — e foi chutar essa bola.

Esse novo SBC é o destaque absoluto do update de junho do projeto. Não que não tenha nada — tem muita coisa sobre PinePhone (estão de volta à venda!) e PineNote (quase usável) —, mas o anúncio do computador, que vai ser, grosso modo, um Quartz64 model-A com RISC-V, é a estrela da companhia. E, sendo um SBC baseado no Quartz64, o board RISC-V da PINE64 vai ter 4 ou 8 GB de RAM, USB 3.0, slot PCIe e pelo menos uma Gigabit Ethernet (certamente vai ter slot microSD e a possibilidade de slot eMMC).

Agora, preços: o Quartz64 Model A com 4GB de RAM custa US$ 59,99 e com 8GB custa US$ 79,99. Se a PINE64 colocar os preços do SBC nessa mesma faixa… talvez seja o que o RISC-V esteja precisando para sair do “agora vai” e chegar no “agora foi”.


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Um monitor e-ink rodando a 60 quadros por segundo

Modos Paper Monitor Demo #1

Muito interessante o monitor protótipo da Modos, uma startup norte-americana que almeja lançar notebooks e monitores com a tecnologia e-ink, a mesma usada na tela do Kindle.

Em um post, a equipe detalha as dificuldades para alcançar uma taxa de atualização decente com o e-ink. (Quem já usou um Kindle deve se lembrar da lentidão na transição de páginas.)

A Modos já consegue fazer o e-ink funcionar a 60 quadros por segundo, mas somente em preto e branco (veja o vídeo acima), o que não deixa de ser impressionante e promissor. Acrescentar uma escala de cinza é um desafio à parte. Via Modos (em inglês).

Quando um computador se torna obsoleto?

Em junho de 2021, a Microsoft deu um banho de água fria em muita gente no anúncio do Windows 11: a nova versão só seria compatível com computadores que têm o Trusted Platform Module (TPM) 2.0, um módulo de segurança que só se popularizou em processadores e placas-mãe comerciais a partir de 2017.

Um ano depois, na última segunda (6), durante a abertura da WWDC, foi a vez da Apple promover ruptura similar, porém sem especificar o motivo. A próxima versão do seu sistema para computadores, o macOS Ventura, é incompatível com qualquer Mac lançado antes de 2017 — e com alguns lançados em 2017, como o MacBook Air.

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O brasileiro quer celular com processador rápido / Como desconectar nas férias

Na volta do podcast, gravado ao vivo para todo mundo — parte da nossa campanha Manual de dentro para fora —, começamos falando de processadores de celular. Inusitado? A gente também acha, mas segundo uma pesquisa do Mobile Time/Opinion Box, este é o critério mais importante do brasileiro que vai às compras atrás de um celular.

No segundo bloco, o assunto foi férias. A Jacque tirou mini-férias e trouxe a sugestão de pauta em seu retorno. Hoje é meio irreal associar férias à desconexão da internet, mas é possível traçar algumas estratégias e boas práticas para que o momento de descanso não se transforme em “trabalho não-remunerado”, ou seja, que fiquemos enroscados em redes sociais e na internet.

Nas indicações culturais, Jacque trouxe a série documental Como se tornar um tirano [Netflix], e Ghedin, o podcast Primeiro Contato, de Henrique Sampaio do Overloadr.

Desmonte do notebook da Framework: nota 10 em reparabilidade

Framework Laptop Teardown: 10/10, But is it Perfect?

O Framework foi lançado (lá fora) e é tudo o que se esperava dele. O iFixit, publicação/loja que analisa a reparabilidade de eletrônicos comerciais, deu nota 10 ao notebook, algo raro. O mais legal é que ter tais características não fazem o Framework ser feio, grosso ou pesado, argumento comumente usado pela indústria para encher o interior desses produtos de cola e componentes soldados. É só falta de vontade e de priorizar o que realmente importa. Via iFixit/YouTube.

Uma combinação maravilhosa seria o notebook da Framework e o celular da Fairphone. Infelizmente, nenhum dos dois é vendido ou sequer enviado ao Brasil.

Servidor do CNPq “queima” e deixa serviços fora do ar [Atualizada].

Vários serviços do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), agência federal de fomento à pesquisa, estão indisponíveis desde o último sábado (24). Uma falha em um servidor interrompeu as atividades do órgão e, para piorar, há suspeitas de que não exista backup ou de que a restauração seja complexa. Via Revista Fórum.

Em grupos de WhatsApp, circula o print de um e-mail  (veja) desta segunda (26), supostamente enviado por alguém do CNPq e endereçado à Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), pedindo ajuda para restabelecer o equipamento avariado, um servidor de armazenamento EMC VNX 8000, da Dell. A mensagem informa que “o equipamento encontra-se fora de garantia e não possui contrato de manutenção corrente que permita um reparo imediato”.

Uma mensagem publicada diretamente no WhatsApp, também supostamente de alguém do CNPq, explica que “desde sábado [estamos] tratando de resolver com a Dell um apagão no controlador do sistema de TI. Não se trata de uma placa. Infelizmente, a recuperação da infraestrutura da instituição não tem como ser feita da noite para o dia. Há um ano estamos trabalhando focados na organização institucional, com recursos financeiros administrativos adequados. Obviamente, a pandemia com o trabalho remoto tem atrapalhado”.

Também em grupos do app de mensagens, circula o áudio (ouça abaixo) de uma suposta servidora do CNPq afirmando que diversos serviços da agência, como a plataforma Lattes, e-mail e até a folha de pagamento, estão indisponíveis devido à falha. É nesse áudio que a pessoa fala que “a placa do servidor do CNPq ‘queimou’ e não tinha backup” e que não sabe precisar, em relação ao backup existente, o que se perdeu, “se segundos, alguns minutos, horas, dias…”

Pelas redes sociais, o CNPq informou que está trabalhando junto ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações para restabelecer seus sistemas após “evento que causou a indisponibilidade das plataformas”, que a prioridade é restabelecer o acesso à plataforma Lattes e que prazos estão suspensos e serão prorrogados. O posicionamento oficial omite dificuldades ou problemas com o backup de dados.

Nota relacionada: Em 2021, CNPq tem o menor orçamento do século XXI. Via Poder360.

Atualização (14h45): Em nova manifestação nas redes sociais, publicada às 14h21, o CNPq informou que “o problema que causou a indisponibilidade dos sistemas já foi diagnosticado em parceria com empresas contratadas e os procedimentos para sua reparação foram iniciados” e que “já dispõe de novos equipamentos de TI e a migração dos dados foi iniciada antes do ocorrido. Independentemente dessa migração, existem backups cujos conteúdos estão apoiando o restabelecimento dos sistemas. Portanto, não há perda de dados da Plataforma Lattes.” Disse, ainda, que o pagamento de bolsas não será afetado e reforçou a suspensão e prorrogação de prazos.

Uma rachadura no legado do Windows

Na Microsoft, “para sempre” dura cerca de seis anos. Em 2015, a empresa lançou o Windows 10 como a versão derradeira do seu popular e longevo sistema operacional. Ele seria atualizado constantemente, como se fosse um serviço. Semana passada, apareceu o Windows 11 e geral fez a egípcia para aquela conversa de “última versão do Windows”. A próxima é real, sai ainda em 2021 e trará muitas novidades, mas nem todo computador poderá usufruir delas.

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Nós meio que destruímos a cadeia de suprimentos [de HDs e SSDs] a curto prazo.

— Gene Hoffman, presidente da Chia Network.

A confissão acima é do presidente da Chia Network, uma criptomoeda criada por Bram Cohen (que criou o BitTorrent) que promete ser mais “verde” que o bitcoin por trocar o sistema “proof-of-work” (PoW), que depende de cálculos computacionais complexos (e sem outra utilidade) para validar transações, por um de “proof-of-space”, que usa o espaço ocioso em disco de computadores para o mesmo fim — quanto mais espaço disponível, maiores as chances de ser recompensado com moedas.

A Chia causou uma corrida por HDs e SSDs. Estima-se que 12 milhões de terabytes estejam sendo usados apenas para isso, o que tem esgotado estoques e elevado os preços, um fenômeno similar ao que as criptomoedas de PoW têm causado no mercado de placas de vídeo. Via New Scientist (em inglês).

Os primeiros reviews do chip M1, da Apple.

O embargo caiu e várias publicações soltaram suas análises dos novos computadores da Apple com o chip M1, também da Apple. A primeira impressão é ótima: desempenho superior ou equivalente ao do dos chips topos de linha da Intel e AMD e baixo consumo energético (leia-se: maior duração da bateria e, mesmo nos modelos com ventoinha, silêncio).

Para quem quer números e tabelas, indico a análise do Mac mini feita pelo Anandtech. Para tarefas mais mundanas com ênfase no (não) barulho das ventoinhas, este vídeo dos novos MacBook Air e Pro do Wall Street Journal. Ambos em inglês.