Cade investiga Google no Brasil por exibir pedaços de notícias na busca

À luz da polêmica recente na Austrália, o Uol Tilt recuperou o processo movido pelo Cade contra o Google, aqui no Brasil, relacionado aos “snippets”, trechos de notícias que são exibidos no Google Notícias. As partes envolvidas — Google, Associação Nacional dos Jornais (ANJ) e veículos jornalísticos — foram ouvidas até dezembro. Ainda não há previsão para o órgão decidir o caso.

Muitos membros da ANJ estão naquele programa de “Destaques” do Google, que distribui migalhas, digo, remunera jornais parceiros. A ANJ diz que o dinheiro recebido por ali “tem valor meramente simbólico”. Pode ser, mas é uma arma poderosa que o Google dispõe para se defender nesse caso. Se é “simbólico”, por que aceitá-lo? Pesa a favor do Google, ainda, o fato de que a adesão ao Google Notícias não é compulsória, ao contrário do buscador web. Um jornal ou site precisa realizar tomar a iniciativa e se submeter à aprovação para aparecer no Notícias — e é um processo complexo; o Google faz uma série de exigências.

Em 2014, jornais da Espanha se revoltaram contra o Google Notícias. Queriam, a exemplo dos jornais brasileiros, que o Google pagasse para veicular links e “snippets” no serviço. O Google fechou o Notícias no país e nunca mais voltou.

Google, privacidade e mais do mesmo

“A publicidade é essencial para manter a web aberta para todos, mas o ecossistema web corre riscos se as práticas de privacidade não acompanharem as mudanças de expectativas”. Esta é a frase inicial de uma atualização recente do Google do seu projeto de substituir os cookies de terceiros nos navegadores — que nos rastreiam individualmente […]

Novo Google Pay repete os mesmos erros do Google Allo

A bagunça em produtos do Google não está restrita aos apps de mensagens. Além da migração do Google Play Music para o YouTube Music, a empresa resolveu agora migrar a base do Google Pay para para uma nova versão que mantém o nome, mas exige um recadastro vinculado ao número do celular e passa a cobrar por transferências a partir do cartão de débito.

Por ora, o novo app só vale para Índia, onde foi gestado e estreou com o nome Tez em 2017, e Estados Unidos, onde chegou em novembro passado e passará a ser obrigatório para transferências a partir de 5 de abril (o recurso sumirá da versão web/desktop). Via Ars Technica (em inglês).

Bônus: a nova versão traz um serviço de troca de mensagens (!) embutido.

Google anuncia que não rastreará mais usuários em sites de terceiros

Com 20 anos de atraso, o Google reconheceu que monitorar os usuários por toda a web é uma prática abusiva e anunciou, com um texto pra lá de confuso, que a abandonará. Ou algo parecido com isso.

A parte que importa do comunicado é esta:

Hoje deixamos claro que, com a desativação gradual dos cookies de terceiros, não vamos criar identificadores alternativos para rastrear pessoas que navegam pela internet — e tampouco usaremos esse tipo de identificador em nossos produtos.

Cookies de terceiros são uma maneira antiga e muito difundida de rastrear usuários em sites diversos. O Firefox da Mozilla e o Safari da Apple bloqueiam essa prática desde setembro de 2019. O Chrome do Google ainda vai bani-lo até o início do ano que vem. A novidade é que, ao contrário de outras empresas de publicidade, o Google não pretende criar um substituto para os cookies de terceiros.

Note que o anúncio só se refere a sites da web. O Wall Street Journal pontua que ele não contempla as ferramentas de anúncios e identificadores únicos usados em apps de celulares. E, talvez mais importante, que a medida não atinge os “first-party data”, ou seja, dados coletados pelo Google em suas propriedades. Não deve ser coincidência que, desde o ano passado, mais da metade das pesquisas do Google terminam na página de resultados.

Talvez o Google não precise mais disso pela hegemonia que alcançou em duas décadas de abusos? Ou consiga os dados de outras maneiras que não via sites de terceiros? Afinal, além do buscador mais usado do planeta, o Google também tem o navegador mais popular de todos.

“Ninguém deve ser obrigado a aceitar ser rastreado enquanto navega em troca do benefício de ver anúncios relevantes para o seu perfil”, diz o comunicado em outro trecho. Só rindo.

Ainda quero ler mais opiniões e análises desta mudança. Há quem diga que ela é paradigmática, que pode afetar todo o ecossistema de publicidade digital, em especial as empresas menores. A conferir. Via Google, Wall Street Journal (em inglês, com paywall).

Nubank libera pagamentos com Google Pay

O Nubank, apesar de ser todo moderninho, até hoje resistia à integração com carteiras digitais de celulares, como Apple Pay e Google Pay. Parece que isso mudou. Nesta terça (23), a fintech liberou a integração dos seus cartões de crédito ou débito ao Google Pay, o que permite que usuários de celulares Android elegíveis façam pagamentos com o cartão apenas aproximando o celular das maquininhas. Via Nubank.

Google volta a atualizar apps para iOS, começando pelo YouTube

Mais de dois meses depois das últimas atualizações para seus principais apps no iOS, o Google voltou à ativa na plataforma da Apple. O primeiro foi o YouTube. No histórico de atualizações, a mais recente, 15.49.6 de 13 de fevereiro, se limita a dizer que “Corrigimos bugs, melhoramos o desempenho e tomamos muito café”. Pouco antes, o Google havia incluído o “rótulo nutricional” de privacidade do YouTube na App Store. Como era de se esperar, a lista é looonga…

Outros apps populares do Google, como o homônimo (de pesquisa), Gmail, Google Maps e Chrome, seguem sem atualização e sem os rótulos de privacidade. A última atualização do Chrome foi em 23 de novembro de 2020 e o app, na versão 87 no iOS, já está atrasado em relação às demais plataformas. Via 9to5Mac (em inglês).

App com +10 milhões de download é removido da Play Store por conter malware

O Google removeu o app Barcode Scanner da Play Store. Com mais de 10 milhões de downloads, ele servia para ler QR codes. Aparentemente, o app foi vendido em 2020 a uma empresa chamada LavaBird, que achou que seria uma boa ideia incluir no app, em novembro, um código que passava a abrir anúncios no celular do usuário. Via Malwarebytes (em inglês), Android Police (em inglês).

» O Google não excluiu o aplicativo dos celulares de quem já o baixou. Se você tem o Barcode Scanner instalado, é uma boa ideia removê-lo.

» É bem provável que o app da câmera nativo do seu aparelho consiga ler QR codes. Verifique. Se sim, é um app a menos para ocupar espaço e gerar esse tipo de brecha no seu celular.

Google desativa e bane extensão The Great Suspender para Chrome

Em junho de 2020, o criador da The Great Suspender, uma extensão que gerencia abas no Chrome, vendeu seu projeto a uma empresa misteriosa. Desde então, o repositório se encheu de tópicos como este questionando se o novo dono estaria injetando código malicioso na extensão. Nesta sexta (5), o Google acabou com a brincadeira e excluiu a The Great Suspender da Chrome Web Store e a desabilitou para quem já a tinha instalada no Chrome. Via The Verge (em inglês).

Alphabet encerra Loon, iniciativa que fornecia internet via balões

A Alphabet, holding do Google, anunciou nesta quinta (21) que encerrará o Loon, uma das “grandes apostas” (“moonshots”) do conglomerado que tinha por objetivo prover conexão à internet via enormes balões. Segundo o comunicado da empresa, “o caminho para a viabilidade comercial se provou muito maior e mais arriscado do que esperávamos.” Via Alphabet (em inglês).

O Loon foi testado e usado em alguns países. No momento, fornece internet ao Quênia. O Brasil foi palco de testes em 2014.

Google resiste a informar “rótulos nutricionais” de seus apps para iOS

Os principais aplicativos do Google para iOS não são atualizados desde 7 de dezembro de 2020. Coincidência ou não, desde 8 de dezembro todos os novos apps e atualizações dos existentes submetidos à App Store precisam trazer o “rótulo nutricional” de dados que coletam. No início de janeiro, um porta-voz do Google garantiu ao TechCrunch que os apps da empresa seriam atualizados “nos próximos dias.” Duas semanas se passaram e… nada. Todos esperam que a lista de dados coletados dos apps do Google rivalize com a dos apps do Facebook, que escandalizou muita gente. Via MacMagazine.

Google e Apple banem app do Parler das suas lojas; Amazon poderá banir o site da AWS

Google e Apple removeram o aplicativo do Parler, uma rede social alternativa adotada por trumpistas, das suas respectivas lojas de apps. Ambas as empresas alegam que o Parler viola os termos de uso ao não coibir conteúdo ilegal e de incitação à violência. Via AxiosMacRumors (em inglês).

A Amazon, onde o Parler está hospedado, deu um ultimato à empresa. Se não adequarem seus termos de uso até a meia noite deste domingo, o site será banido da Amazon Web Services (AWS). John Matze, CEO do Parler, já admite que o site poderá ficar inacessível por vários dias até ser restaurado em outra hospedagem. Via Buzzfeed (em inglês).

Do nosso arquivo, de 2015, um passeio pelo Gab, outra rede social alternativa adotada por extremistas. O Gab nunca emplacou fora dos círculos próximo a Trump. Hoje, funciona como uma instância do Mastodon, mas quem acessa o Mastodon em outras instâncias bem administradas não corre o risco de topar com seu conteúdo — a maioria das instâncias e até mesmo apps do Mastodon bloqueiam a do Gab.

[Extra] As Big Techs não são amigas do jornalismo

Todo fim de ano, a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e a Farol Jornalismo, startup de conteúdo do Rio Grande do Sul, convidam um grupo de pessoas que analisarão os desafios que o jornalismo enfrentará no ano que começa. Em 2020, eu fui um dos convidados para escrever sobre o impacto dos monopólios digitais […]

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