Você pode reclamar de redes sociais no Consumidor.gov.br — mas não crie expectativas com o Facebook

Em setembro, o Facebook finalmente criou seu perfil no Consumidor.gov.br, a plataforma digital de solução de conflitos relacionados a consumo. Segundo o Sistema Nacional de Defesa do Consumidor (Sindec), que reúne as reclamações de 600 Procons espalhados pelo Brasil, entre janeiro e junho de 2021 houve um aumento de 285% em reclamações contra o Facebook.

“As reclamações giram em torno do compartilhamento não autorizado de dados e posterior envio e cobrança por produtos e serviços não solicitados, vazamento de dados para a criação de perfis falsos e queixas questionando os novos Termos de Uso e Privacidade do Instagram”, segundo a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon). Via Senacon.

A portaria 12/2021 da Senacon, publicada em abril, determinou que plataformas de redes sociais que atendam a critérios objetivos ingressem obrigatoriamente no Consumidor.gov.br.

Fiz uma rápida consulta aos nomes das principais empresas do setor atuantes no Brasil na plataforma Consumidor.gov.br:

  • Twitter, WhatsApp e Telegram não estão cadastrados.
  • Facebook/Instagram e Google (dono do YouTube, mas que também engloba seus serviços de nuvem e software corporativo), sim.

Em 2021, o Google conseguiu solucionar 76,6% das 1.091 reclamações, tendo um índice de satisfação de 3 (numa escala de 0 a 5).

Já o Facebook/Instagram solucionou apenas 38,9% das 247 reclamações recebidas desde setembro, quando estreou na plataforma. Seu índice de satisfação é de apenas 1,7 (numa escala de 0 a 5).

De acordo com Lilian Brandão, diretora do Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor, em média 80% das reclamações enviadas ao Consumidor.gov.br são resolvidas. Via Agência Brasil.

Google e YouTube cortarão receita de conteúdos e anunciantes que negam a emergência climática

O Google anunciou uma nova regra, válida para seu braço publicitário e para o YouTube, que corta o dinheiro de conteúdos que negam a mudança/emergência climática. “Isso inclui conteúdo que se refere às mudanças climáticas como uma farsa ou fraude, alegações que negam que as tendências de longo prazo mostram que o clima global está esquentando e alegações que negam que as emissões de gases de efeito estufa ou a atividade humana contribuem para as mudanças climáticas”, disse a empresa em comunicado.

De acordo com o Google, a nova regra, que passa a valer em novembro, foi criada a pedido de anunciantes e de criadores de conteúdo que não querem se ver associados a discursos negacionistas. Ela é uma via de mão dupla: proíbe criadores de conteúdo (que recebem dinheiro) e também os anunciantes (que pagam) de negarem a emergência climática.

O Google afirmou que usará uma combinação de ferramentas automatizadas e revisores humanos para aplicar a nova regra e que é capaz de diferenciar discursos negacionistas de debates acerca desses discursos: “Ao avaliar o conteúdo em relação a esta nova política, examinaremos cuidadosamente o contexto em que as reivindicações são feitas, diferenciando entre o conteúdo que faz uma afirmação falsa como fato e o conteúdo que relata ou discute essa afirmação.”

Será um desafio e tanto, dado o volume gigantesco de vídeos e anúncios que o Google processa e considerando o histórico, longe de ser perfeito, da empresa no combate a fraudes e a infrações às suas próprias regras.Via Axios (em inglês), YouTube.

Bugs do AMP no iOS 15 e da barra de tarefas do Windows 10 no Windows 11

No iOS 15, links AMP do Google estão abrindo como se fossem links normais. Danny Sullivan, espécie de rosto público do buscador do Google, confirmou que se trata de uma falha que será corrigida o quanto antes. Via Search Engine Land (em inglês), @dannysullivan/Twitter (em inglês).

No Windows 11, alguns usuários estão se deparando com a velha barra de tarefas do Windows 10. Ainda não há uma correção e a Microsoft não se manifestou sobre os casos. As gambiarras para consertar o problema vão de desfazer as últimas atualizações até criar um novo perfil no sistema. Via Bleeping Computer (em inglês).

Considerando a desgraça que é o AMP para a web e a perda de recursos da nova barra de tarefas do Windows 11, daria para considerarmos esses bugs como… bugs bem-vindos?

Dane-se o SEO

No dia 27 de agosto, eliminei o plugin de SEO no WordPress do Manual do Usuário. Se você sabe o que são “SEO”, “plugin” e “WordPress”, deve ter ficado curioso(a) em saber os resultados desse experimento. Se não sabe, daria para resumir este relato em algo como “o dia em que parei de trabalhar de […]

Chrome 94 permite que sites observem ociosidade do usuário

O Chrome 94, lançado nesta terça (21), trouxe suporte a uma API de detecção de ociosidade. Segundo um site do Google, essa API “notifica os desenvolvedores quando um usuário está ocioso, indicando coisas como falta de interação com o teclado, mouse, tela ativação de um protetor de tela, bloqueio da tela ou alternância para uma tela diferente”. Via The Register (em inglês).

O que pode dar errado?

Apple e Mozilla rejeitaram formalmente adotarem a API de detecção de ociosidade. Em julho, Tantek Çelik, líder de padrões web da Mozilla, explicou a decisão da dona do Firefox: “Da maneira como especificada atualmente, consider a API de detecção de ociosidade muito tentadora enquanto uma oportunidade para sites motivados pelo capitalismo de vigilância para invadir um aspecto da privacidade física do usuário.”

Twitter e Google: ordens de Moraes contra bolsonaristas são desproporcionais e podem ser censura prévia

Às vésperas do 7 de setembro, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (SFT), ordenou que Facebook, Instagram, Twitter e YouTube removessem perfis de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) envolvidos na organização das manifestações de teor golpista do feriado. As plataformas atenderam ao pedido, mas na terça (21) Twitter e Google (YouTube) manifestaram desconforto junto ao STF.

A decisão de Moraes estaria em desacordo com o que prevê o Marco Civil da Internet, “podendo configurar-se inclusive como exemplo de censura prévia”, segundo o Twitter.

O Google apontou dois problemas: a ausência do apontamento dos conteúdos ilegais, e a falta de apreciação prévia das ilicitudes pelo Judiciário. Via Folha de S.Paulo.

Apple e Google removem app de oposicionista russo após pressão de Putin

Na sexta-feira (17), Apple e Google cederam à pressão do governo da Rússia e removeram das suas lojas oficiais o aplicativo do oposicionista Alexei Navalny. O app, chamado Smart Voting, informava aos eleitores quais candidatos tinham mais chances de derrotar os apoiados pelo governo de Vladimir Putin nas eleições legislativas do último fim de semana. Alexei lidera a oposição a Putin e está cumprindo pena de 2,5 anos de prisão. Via Associated Press (em inglês).

Em agosto, a Apple garantiu que seu sistema de varredura de celulares por fotos de abusos infantis não poderia, de maneira alguma, ser instrumentalizado por pressão de algum governo autoritário. Como se vê, na prática essa garantia não vale muita coisa.

Simplify devolve interfaces simples ao Gmail

Print de uma das interfaces do Simplify, com a lista de e-mails centralizada e um campo de busca no topo.
Imagem: Simplify/Divulgação.

Àqueles que realmente não simpatizam com o novo direcionamento do Gmail, mas precisam ou preferem continuar no e-mail do Google, o Simplify é uma interface mais calma, focada em e-mail, que lembra o que o Gmail já foi um dia — com algumas opções de layout à disposição.

O Simplify foi criado pelo ex-googler Michael Leggett. Ele liderou a equipe de design do Gmail de 2008 a 2012 e cofundou e liderou o design do Google Inbox, uma interface alternativa e inteligente para o Gmail, descontinuada pelo Google em 2019. São credenciais de peso. Vale dizer, o Simplify não tem qualquer ligação com o Google.

O Simplify é pago, custa US$ 2/mês (no plano anual). Uma conta comporta até 10 contas do Gmail. E é isso: não há anúncios, rastreadores, cookies ou qualquer outra interferência. É apenas uma “casca” mais agradável para acessar o Gmail. Para alguns, soa estranho pagar para acessar um serviço que é, em essência, gratuito; para mim, é a mesma lógica de pagar pelo Tweetbot ou qualquer app alternativo do Twitter: a experiência de usuário interfere muito no modo como usamos (e somos usados) por serviços digitais e, sendo assim, não me importo em pagar uns trocados para usufruir de uma mais saudável. Dica do Pedro Venturini.

Google usa o Gmail como base para solução de produtividade em nuvem

Print de uma tela do Gmail/Workspace, com um “espaço” selecionado e duas colunas de conversas em destaque.
Imagem: Google/Divulgação.

O Google liberou os “espaços” no Workspace nesta quarta (8) e algumas outras novidades para a sua suíte de produtividade, como chamadas de voz a partir do app do Gmail. Não sem razão, tem muita gente dizendo por aí que o Gmail está ficando parecido com o Outlook da Microsoft.

O que chama a atenção nessa investida (por vezes confusa) do Google é que ela está sendo toda feita em cima do Gmail, talvez o (único?) produto de comunicação mais bem sucedido do Google. Há uma demanda real, motivada primeiro pela pandemia, agora e ao menos no futuro próximo por arranjos de trabalho híbrido, por soluções mais robustas de produtividade em ambiente corporativo, mas vale questionar se essa investida não alienará a fatia de usuários que só quer ver seu e-mail — e qual o tamanho dela. Via Google (em inglês).

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