A fórmula da Quantum para conquistar o consumidor brasileiro

Dois dias antes de completar um ano de operação, em 31 de agosto de 2016, a curitibana Quantum convidou a imprensa para apresentar o seu novo smartphone, o Quantum Fly. Quem abriu o evento, realizado em São Paulo, não foi um executivo nem uma celebridade, mas um fã da marca, alguém que consome os produtos e é um dos administradores do grupo oficial no Facebook. A escolha ratificou um dos pilares da sua estratégia: estar próxima e ouvir o cliente. O Manual do Usuário teve a oportunidade de conhecer a empresa melhor, no evento e por uma entrevista exclusiva com Vinícius Grein, cofundador da Quantum, no dia seguinte. Continue lendo “A fórmula da Quantum para conquistar o consumidor brasileiro”

Um papo com Gracy Kelly, a Mulher Maçã, maior fã de Steve Jobs

Em outubro de 2011, em meio à comoção que a morte de Steve Jobs causou, uma cantora brasileira chamou a atenção. Era Gracy Kelly, mais conhecida como Mulher Maçã, que num comunicado à imprensa (onde errou a grafia do ídolo, “Esteve”), manifestou seu luto pela partida do co-fundador da Apple.

Desde então, Gracy passou a ser uma espécie de referência popular para assuntos relacionados à Apple, além de lembrar, recorrentemente, a memória de Jobs — o BuzzFeed fez um belo apanhado desses quase quatro anos de devoção póstuma. Não sei se por descuido dos colegas ou desgaste da relação, ainda não tinha lido a opinião dela sobre o primeiro trailer de Steve Jobs, novo filme de Danny Boyle que estreia em outubro. Era a minha deixa. Continue lendo “Um papo com Gracy Kelly, a Mulher Maçã, maior fã de Steve Jobs”

O curioso blog que publica reviews de máquinas de lavar roupa

Sites de reviews de produtos não são difíceis de encontrar hoje. Do Manual do Usuário aos especializados de fora, como Cnet e Wirecutter, eles existem aos montes e prestam um serviço importante de auxílio à tomada de decisões na hora de comprar alguma coisa. A expertise de quem entende do assunto, somada ao contato com diversos produtos de uma categoria credenciam alguns desses a dar opiniões influentes.

Aqui, eu testo smartphones, tablets, relógios… gadgets em geral. Por ser uma categoria relativamente nova e, até pouco tempo atrás, um tanto complexa, a demanda por esse tipo de análise é grande. Mas há outras, de mesmo tamanho ou até maiores, negligenciadas pela mídia e mesmo por entusiastas — porque, afinal, testar e escrever sobre um produto dá trabalho. Onde estão os reviews de geladeiras? E os de… sei lá, fogões? Máquinas de lavar roupa? Quando me mudei e “montei” o apartamento, senti falta de uma publicação voltada à linha branca.

Recentemente falamos no Guia Prático, em tom de brincadeira, sobre essa lacuna no mercado editorial brasileiro. Uma lacuna, como descobrimos mais tarde, que não está exatamente vazia. Nos comentários daquele episódio do nosso podcast o leitor YagoG indicou o Roupa suja se lava na máquina, um blog de máquinas de lavar roupa. Existe um blog brasileiro de máquinas de lavar roupa. Até agora, ele estava fora do meu radar. Lógico que, ao saber dele, fui atrás de mais informações a respeito. Continue lendo “O curioso blog que publica reviews de máquinas de lavar roupa”

IrfanView, o melhor app para ver imagens no Windows

IrfanView.

Minha barra de tarefas no notebook tem três ícones fixos: Windows Explorer, navegador padrão e um que, reza a lenda, é um gato vermelho atropelado na estrada. Esse último é o indefectível ícone do IrfanView, um simpático visualizador de imagens para Windows.

Não lembro quando exatamente descobri o IrfanView, só me recordo vivamente de ter simpatizado com o app logo de cara. Sua função, pelo menos superficialmente, é simples e limitada: abrir imagens. Fosse só isso ele já seria sensacional: é difícil surgir um formato que o IrfanView seja incapaz de lidar e, mesmo nesses casos, geralmente um plugin resolve a incompatibilidade.

Só que ele faz muito mais que isso.

Fruto do trabalho de um homem só, o bósnio Irfan Skiljan, o IrfanView (daí o nome) expandiu sua área de atuação ao longo de quase duas décadas de desenvolvimento ativo. Hoje, em meio a interfaces animadas e softwares cada vez mais pesados, segue fiel às premissas iniciais. É um app rápido, confiável e que faz muito mais além de abrir imagens. Um exemplo que, com este post, homenageio e agradeço os anos de companhia e bons serviços prestados. E aproveito para apresentá-lo a quem, por acaso, ainda não o conheça.

Quem precisa de Photoshop quando se tem o IrfanView?

Um monte de ícones do IrfanView.

Ainda que não tenha a pretensão de ser um editor de imagens completo, o IrfanView oferece, através de menus e dezenas de teclas de atalho no teclado, recursos simples do tipo.

Para quem apenas arranha a superfície do Photoshop, talvez esses recursos limitados do IrfanView bastem. Para mim, em grande parte das situações, eles são suficientes.

Mesmo usando-o há anos, eu ainda não me aventurei por todos os cantos do IrfanView. Alguns comandos, porém, são sempre usados por aqui e já foram incorporados no meu dia a dia.

Os favoritos da casa:

  • Com um Shift + G abro uma caixa de diálogo para fazer ajustes no brilho, contraste, saturação e correção gama.
  • Uma foto levemente borrada pode ser salva com um Shift + S (sharpen).
  • Rotacionar imagens é bem simples, basta usar as teclas R (à direita) e L (à esquerda).
  • O mesmo vale para o redimensionamento, acessível via Ctrl + R.
  • Com o mouse, posso selecionar partes da imagem e fazer recortes simples.
  • As teclas “mais” e “menos” dão/tiram zoom e com um Shift + O volto ela à proporção 1:1.
  • A tecla S salva uma nova imagem; Ctrl + S salva a mesma imagem com o mesmo nome.

Existem outros comandos, outras funções que dependendo do seu estilo de trabalho podem ser úteis — inserção de marca d’água, espelhamento, correção de cores, filtros de imagem e até ferramentas de desenho (F12). Atalhos comuns a aplicativos Windows, como Ctrl + Z/Y para desfazer/refazer e Ctrl + X/C/V para recortar/copiar/colar também funcionam. Os menus são bem organizamos e quase toda ação que afeta a imagem tem uma combinação de teclas correspondente. Dominá-las significa trabalhar com mais agilidade.

Em paralelo ao app principal, o IrfanView vem com um editor de imagens em lote. Selecione a pasta ou as imagens, aperte B para abrir a tela de configurações, defina os parâmetros que quer alterar em massa (tamanho, formato, nome dos arquivos), selecione as imagens e deixe o computador trabalhando. Economiza muito tempo.

Apreço pela eficiência

Irfan Skiljan.
Foto: Arquivo pessoal.

O monte de coisas que o IrfanView faz, e não é pouco, consome poucos recursos do computador e mesmo em configurações modestas não toma tanto tempo. Irfan, o criador e mantenedor do IrfanView, é um aficionado por eficiência.

Em um papo que tivemos por email, perguntei a ele como o IrfanView consegue ser tão ágil e, ao mesmo tempo, ganhar novos recursos versão após versão. Sua resposta:

“Tenho a minha própria filosofia sobre como um software deve ser… Também gosto de programas pequenos e estáveis. A ideia é não adicionar todos os recursos possíveis. (…) E quando novos recursos são acrescentados, eles devem ser compactos e o código, otimizado. A maioria dos desenvolvedores e empresas não se preocupa mais com coisas do tipo, é triste.”

Irfan trabalha exclusivamente no IrfanView, eventualmente dividindo sua atenção com alguns projetos em outras empresas. Ele vive na Áustria desde 1992, para onde foi refugiado da Guerra da Bósnia, e estudou computação na Universidade de Tecnologia de Viena.

Foi durante a graduação, três anos depois de mudar de país, que a necessidade de um pequeno visualizador de imagens em JPG o levou a criar o embrião do IrfanView. Seus colegas gostaram e deles veio o incentivo para aperfeiçoá-lo. Dali em diante o app cresceu — apenas em fartura de recursos, já que até hoje ele continua enxuto, com um instalador de menos de 2 MB.

Janela de 'Sobre' do IrfanView.

Mesmo após todos esses anos, o IrfanView continua recebendo atualizações regulares. Durante a trajetória do seu app, Irfan teve que lidar com copiadores, um grande problema nos primeiros anos — segundo ele, o IrfanView e o ACDSee eram “inspirações” para muitos clones pagos que lucravam às custas do seu trabalho — e acompanhar a evolução do Windows. Era uma época diferente, em que o sistema da Microsoft era a coisa mais popular da tecnologia de consumo. Com o tempo os clones sumiram.

Nesse ponto perguntei a ele se um IrfanView moderno, para o Windows 8, estava nos planos:

“Um novo design? Talvez algum dia, nunca fui muito fã de hypes ou interfaces ‘descoladas’… Um programa precisa ser pequeno, rápido, confiável e fácil de usar, ‘visual legal’ não é importante para mim. O que conta mais é o que está dentro, da mesma forma que para pessoas.”

Ele prefere a usabilidade do Windows XP e não acha o “visual m(r)etro” (rá!) do Windows 8 muito moderno.

O IrfanView é gratuito e uma prova de que a negligenciada arte da otimização é capaz de produzir bons frutos — disputar as primeiras posições de listas de apps mais baixados da semana, como a da CNET, e figurar a de apps para Windows imprescindíveis em 2013 no The Verge são alguns reconhecimentos desse empenho.

Hoje vemos apps para celular, antes focados e otimizados por limitações das plataformas móveis, crescerem não no melhor sentido da palavra, virando bloatwares. Fazendo um contraponto a essa cultura quase cíclica, este pequeno visualizador de imagens, feio e com um ícone esquisito, segue pequeno e ágil. Acho que dá para tirar algumas boas lições disso.

Do NOT follow this link or you will be banned from the site!