Intuit compra Mailchimp por US$ 12 bilhões

A Intuit comprou o Mailchimp por US$ 12 bilhões. Em 20 anos de história, o Mailchimp jamais levantou capital externo nem distribuiu participação entre funcionários — hoje, 1,2 mil pessoas trabalham na empresa. Segundo o comunicado à imprensa, o Mailchimp tem 13 milhões de usuários, 2,4 milhões deles ativos, e 800 mil pagantes.

Pouco conhecida fora dos Estados Unidos, a Intuit é bastante presente na vida dos norte-americanos. Estão sob seu guarda-chuva o QuickBooks, uma referência em software contábil para pequenas e médias empresas, e o TurboTax, principal aplicativo para declaração do imposto de renda. A Intuit também é famosa por seu lobby agressivo e táticas no mínimo questionáveis para ocultar dos norte-americanos alternativas gratuitas ao TurboTax. Bom para os donos do Mailchimp, não muito para os funcionários (sem participação, eles dividirão um bônus de US$ 300 milhões, ou 2,5% do valor do negócio, cerca de US$ 250 mil cada) e algo inquietante para os usuários do serviço. Via BusinessWire (em inglês).

Você não acredita realmente no lance de urinar em garrafas, né? Se isso fosse verdade, ninguém trabalharia para nós.

— @AmazonNews, perfil oficial da Amazon no Twitter, em resposta a um congressista do Wisconsin. Exceto que fazer xixi em garrafas é, sim, uma prática (e bem documentada) comum entre entregadores que trabalham para a Amazon nos Estados Unidos. A Vice reuniu alguns relatos.

O mega vazamento de dados no Brasil / GameStop e r/WallStreetBets: um novo desafio às plataformas

Apoie o Manual do Usuário: https://manualdousuario.net/apoie/ Manual do Usuário em vídeo: https://www.youtube.com/c/manualusuariobr Nesta semana, Rodrigo Ghedin e Jacqueline Lafloufa destrincham dois assuntos espinhosos. No primeiro bloco, o mega vazamento de dados ocorrido no Brasil e que afeta praticamente todas as pessoas do país (e mais um tanto que já morreu). De quem é a culpa? […]

Cautela com o r/WallStreetBets e as ações da GameStop

Enche o coração ver rico se dar mal, mas a história do r/WallStreetBets manipulando o valor de mercado da GameStop para lucrar em cima das vendas a descoberto (um “short squeeze”) de fundos hedge é mais complexa que isso. A história em si já é complexa; refiro-me ao contexto do evento.

As pessoas do r/WallStreetBets que organizaram o “hack” são niilistas com tendências antissistêmicas. Lembram sabe quem? Trumpistas/golpistas do Capitólio. Proto-terroristas do #Gamersgate. Jornadas de Junho/bolsonaristas ferrenhos. Tudo parece muito bonito, inspirador, até que a essência da coisa é subvertida (ou revelada) e nos deparamos com algo grotesco.

Não me entenda mal: o mercado de capitais é grotesco. Da ideia original de popularizar riscos e lucros, hoje ele é um fim em si mesmo. E é disso que decorre muitas das suas irracionalidades e injustiças, que o transforma em um cassino. (Não há maneira melhor de explicar a venda a descoberto do que sendo uma grande aposta.) O que o r/WallStreetBets fez foi instrumentalizar, na força bruta, algumas dessas irracionalidades para prejudicar os donos da banca e (importante dizer) enriquecer no processo. Há muito mais ressentimento e oportunismo do que senso de justiça norteando as ações deles.

Estamos (ou deveríamos estar) vacinados com o papo de “pior que tá, não fica”, e… bem, não precisa ir muito longe para sacar o ethos dos caras: a descrição do r/WallStreetBets é “Like 4chan found a bloomberg terminal illness.”

Facebook é acusado formalmente de monopólio

Nesta quarta (9), quase ao mesmo tempo, a FTC e um grupo bipartidário de procuradores gerais de 46 estados e 2 distritos norte-americanos acusaram formalmente o Facebook de monopólio. Ambas as acusações pedem que as compras do Instagram (US$ 1 bilhão em 2012) e WhatsApp (US$ 19 bi em 2014) sejam desfeitas, e que haja maior escrutínio a futuras aquisições pelo Facebook. O principal argumento é de que o Facebook abusou do seu poder para comprar rivais em potencial e prejudicar os que não conseguiu, como quando bloqueou o acesso do Vine, do Twitter, à sua API. Em sua defesa, o Facebook diz que a investida é “revisionismo histórico”, pois as aquisições já foram validadas no passado. Os litígios devem se estender por um bom tempo. Via New York Times (2), The Verge, Facebook (em inglês).

Além da ideologia: Operadoras defendem participação da Huawei no 5G brasileiro

As operadoras de telefonia brasileiras estavam tranquilas com a guerra ideológica quixotesca do governo federal contra a participação da Huawei no 5G do Brasil. Cometeram o mesmo erro de muitos: o de acreditar que a loucura cessaria quando a conta ficasse cara. Mas aí não seria loucura, certo?

Acendeu-se o alerta nas operadoras após a famigerada reunião entre diretores da Anatel e membros do Ministério da Comunicação com o presidente Jair Bolsonaro, na última terça (24), aquela que antecedeu o disparate de Eduardo Bolsonaro no Twitter que gerou uma crise diplomática com a China. Agora, o governo prepara um decreto com base em normas recentes do Gabinete de Segurança Institucional que exclua a Huawei sem citá-la, um esquema manjado em fraudes de licitações.

Com a realidade batendo à porta, as operadoras se manifestaram publicamente em defesa da Huawei. E não sem justificativa: algumas estimativas calculam em US$ 200 bilhões o custo de trocar toda a infraestrutura da Huawei em uso no Brasil por equipamentos de outras empresas, sem falar que exclui-la do 5G encareceria e atrasaria ainda mais a chegada da tecnologia. E ninguém, com exceção da ala ideológica do governo federal, quer isso.

Dia desses, por coincidência, li uma bela definição de ideologia escrita por Judith Williamson no livro Decoding Advertisements, de 1978 (tradução livre):

Só é ideologia enquanto não a percebemos como tal. E como ela se torna “invisível”, o que a mantém oculta de nós? O fato de que estamos ativos nela, de que não a recebemos de cima: nós constantemente a recriamos. Ela opera através de nós, não em nós. Não somos enganados por alguém “enfiando” falsas ideias: a ideologia funciona de maneira mais sutil. Ela é baseada em falsas suposições.

Isso ajuda a entender o raciocínio do atual governo, aquele que se elegeu prometendo governar “sem ideologia”.

Os Estados Unidos, a quem o governo federal do Brasil tenta agradar com a oposição à China e outros movimentos de vassalagem, não mede esforços para prejudicar a Huawei sob a alegação — ainda não provada — de espionagem. Que os mesmos Estados Unidos espionavam a presidente do Brasil há menos de uma década, ninguém diz nada. Via Telesíntese (2).

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