Twitter causa revolta em reunião com ministério da Justiça para tratar do combate à violência nas escolas

O ministro da Justiça, Flávio Dino, convocou uma reunião nesta segunda (10) com as principais plataformas digitais atuantes no país a fim de tratar das manifestações explícitas que precedem e estimulam atentados a escolas, como a tragédia ocorrida em Blumenau (SC) em 5/4.

(Instalou-se um clima de caos em grupos de WhatsApp e outros espaços semi-privados em escolas — ameaças com datas marcadas, impossível de dizer se reais ou apenas blefes.)

Após a reunião, que contou com a presença de todas as principais plataformas, Dino deu uma entrevista coletiva e foi bastante duro, segundo o Jota.

O ministro acusou as plataformas de “monetizar a violência” e fazer uso da “liberdade de expressão como escudo”. O que está em jogo, ainda de acordo com o ministro, é o modelo de negócio das plataformas.

Em termos práticos, o ministério vai notificar as plataformas para que sejam mais ágeis na identificação e remoção de perfis que fazem apologia ao crime, sob pena de serem responsabilizadas judicialmente.

Chamou a atenção, segundo relato de Julia Duailibi, no G1, a postura da advogada representante do Twitter. De lá:

Uma advogada da empresa [Twitter] chegou a dizer que um perfil com foto de assassinos de crianças (perpetradores dos massacres em escolas) não violava os termos de uso da rede e que não se tratava de apologia ao crime.

A posição da advogada gerou revolta no ministro Flávio Dino e em Estela Aranha, assessora responsável pelo tema no ministério, e estranheza nos representantes das demais plataformas.

Infelizmente, a advogada parece alinhada à ideologia do atual dono do Twitter, Elon Musk, que desde que assumiu o negócio, em outubro de 2022, fez um desmonte da estrutura de moderação e dizimou a operação brasileira.

Na reunião, Dino revelou que foram identificados 511 perfis em que há apologia à violência ou ameaças em apenas uma das plataformas. Não é preciso dizer de qual ele estava falando. Via Jota, G1 (2).

Adolescentes e a tecnologia no ambiente escolar, com Maria Catarina Bozio

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Rodrigo Ghedin e Jacque aprenderam na época escolar a mexer em um computador e alguns conceitos básicos, como o que é um arquivo e uma pasta/diretório. Isso foi há muito algum tempo. E hoje, como as crianças e adolescentes em formação lidam com a tecnologia. Trouxemos a Maria Catarina Bozio, coordenadora pedagógica de um colégio particular, para nos ajudar a entender como a nova geração lida com computadores, celulares e tudo mais.

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Nas última semana, o Manual ganhou dois novos apoiadores: Matheus Bonela, João Del Valle, Daniel Camboim e Lucas Pereira. Obrigado!

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Indicações culturais

  • Cata: Os filmes Ela [Star+], de Spike Jonze.
  • Ghedin: O filme Thelma e Louise [Prime Video], de Ridley Scott.
  • Jacque: O livro Como falar dos livros que não lemos, de Pierre Bayard, publicado pela Objetiva.

Este podcast é editado pelo estúdio Tumpats.

Aplicativos e sites usados para ensino à distância no Brasil violam ou colocam em risco a privacidade de crianças, aponta Human Rights Watch

A Human Rights Watch (HRW) analisou 164 produtos das chamadas “edtechs”, startups/empresas de educação com foco em tecnologia, adotados por 49 países (entre eles, o Brasil) para proporcionar educação à distância a crianças e adolescentes durante a pandemia de covid-19. Desse total, 146 (89%) apresentaram práticas que colocam em risco ou infringem os direitos dos menores de idade.

No Brasil, nove edtechs foram avaliadas. Oito violavam a privacidade das crianças e um a colocava em risco. Da Folha de S.Paulo:

São eles: Estude em Casa, da Secretaria de Estado da Educação de Minas Gerais; Centro de Mídias da Educação de São Paulo, da Secretaria de Estado da Educação de São Paulo; Descomplica, Dragon Learn, Escola Mais, Explicaê, Manga High, Stoodi e Revista Enem — este último sendo o único que apenas coloca em risco os dados dos estudantes.

Via Human Rights Watch, Folha de S.Paulo.

O ChromeOS como… porta de entrada para o Linux?

Praticamente todo ChromeOS atual tem suporte ao container Crostini; basta ligar e começar a usar. A história oficial é que o container Linux é para poder desenvolver em um Chromebook — o grande objetivo do Crostini sempre foi rodar o Android Studio em uma plataforma Google —, no entanto, é um distribuição Linux dentro de um container, o que significa que você pode usar o Crostini para… aprender Linux.

Usar o ChromeOS para aprender Linux faz todo sentido: o container Crostini é simples, leve, está bem integrado com o ChromeOS, roda apps gráficos sem grandes problemas, roda os apps de terminal que todo mundo gosta/usa/precisa e… bom, se você cometer alguma bobagem, basta destruir o container e recomeçar, sem precisar partir para medidas drásticas como a reinstalação da máquina.

Aliás, é possível usar o container Linux do ChromeOS não apenas para aprender Linux, mas também diversas outras habilidades computacionais que podem ajudar no campo de estudo ou trabalho — programação, operação de sistemas, operação de provedores de cloud (AWS, GCP, Azure) etc.

Pois é. Não tinha pensado nisso, mas fica aí a dica.


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Anatel e universidades públicas convertem receptores de TV piratas em computadores para escolas públicas

Bacana esta iniciativa da Anatel em parceria com universidades públicas. Em dezembro, 745 receptores de TV piratas foram convertidos em minicomputadores e doados a escolas públicas. Teclados e mouses vieram de apreensões da Receita Federal. Via Anatel.

O projeto Além do Horizonte, idealizado pela Receita Federal de Minas Gerais em parceria com a Universidade Federal de Lavras (UFLA) e outras instituições de ensino superior, tem como objetivo dar destinação sustentável a receptores de sinais TV BOX apreendidos pelas ações de fiscalização realizadas pela Anatel, Receita Federal do Brasil e Agência Nacional do Cinema (Ancine).

Governo federal tira do ar microdados do Inep usando LGPD como pretexto

O governo federal tirou do ar toda a área de microdados do Inep, denuncia o Lagom Data, um estúdio de inteligência de dados. Em nota, o Inep afirmou que a remoção dos dados teria sido necessária para adequar a atuação do órgão à LGPD, a fim de “suprimir a possibilidade de identificação de pessoas” — entendimento equivocado da lei de proteção de dados pessoais, de acordo com especialistas.

A indisponibilidade dos microdados do Inep impede estudos e análises diversas com base no Censo Escolar. “Foi excluído todo o detalhamento que permitia analisar o quanto as disparidades socioeconômicas impactam na educação. Só o mais importante”, exemplificou o Lagom Data. Via @DataLagom/Twitter, Brasil de Fato.

Windows 11 SE para estudantes

A Microsoft anunciou o Windows 11 SE, uma versão feita para estudantes até 14 anos com algumas diferenças em relação ao Windows 11 convencional. Uma das principais é de distribuição: ele não será vendido no varejo. Em vez disso, o sistema será embarcado em notebooks novos, montados por parceiros de hardware. Entre os listados pela Microsoft está a brasileira Positivo, além de outras marcas que operam aqui, como Acer, Asus e Dell. O Windows 11 SE é uma resposta da Microsoft à enorme popularidade do Chrome OS do Google nas escolas. Via Microsoft (em inglês), The Verge (em inglês).

O que muda no WhatsApp / Google nas universidades e a armadilha do grátis

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No programa de hoje, Rodrigo Ghedin e Jacqueline Lafloufa comentam a nova política de privacidade do WhatsApp, que passa a valer neste sábado (15). O que muda para você? É possível ignorá-la? Até onde vai a responsabilidade individual em decisões desse tipo?

No segundo bloco, debatemos a notícia, dada pelo Tecmundo, de que o Google vai mudar os termos das parcerias que tem com as universidades públicas brasileiras. No lugar do espaço ilimitado, o Google vai impor um limite no espaço que os acadêmicos podem guardar na nuvem. A estratégia é comum — aconteceu com o Gmail e com o Google Fotos também. Apesar disso, ela pegou reitores e gestores de surpresa e viraram um problemão num momento de sucateamento dessas instituições.

Nas indicações, Jacque indicou o filme Radioactive [Netflix], de Marjane Satrapi, e Ghedin, o livro A era da iconofagia [Amazon, Americanas, Magalu, editora]1, de Norval Baitello Junior.

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Google impõe limite de espaço na nuvem a universidades brasileiras

Em meados da década passada, universidades públicas brasileiras adotaram o Google Workspace for Education para oferecerem e-mail e serviços na nuvem a docentes e discentes. Era de graça, era do Google, por que não?

Nas últimas semanas, o Google começou a notificar essas universidades de uma mudança importante a partir de 2022: o serviço não terá mais espaço ilimitado. Em vez disso, cada instituição terá um “pool” de 100 TB, ou seja, todo esse espaço para dividir entre os usuários, independentemente de quantos eles sejam. Na mensagem, que o Tecmundo obteve, o Google explica que a nova restrição será implementada “por causa do uso indevido dos serviços Google Workspace for Education (antigo G Suite) no armazenamento de filmes, séries e livros”. A Universidade de São Paulo (USP), que tem 95 mil usuários, afirmou à reportagem que já está buscando uma alternativa. Via Tecmundo.

Os vários caminhos que cursos de pós-graduação em tecnologia abrem

A tecnologia conta com grandes histórias protagonizadas por pessoas únicas. Embora muitos avanços sejam creditados a visionários específicos, e entre esses haver até certa celebração daqueles que abandonaram o estudo formal para se dedicarem às suas ideias, grande parte da inovação, incluindo a fundação que sustenta essa indústria até hoje, veio de trabalhos de pesquisa na academia. Continue lendo “Os vários caminhos que cursos de pós-graduação em tecnologia abrem”