Com Birdwatch, Twitter joga o problema da desinformação aos usuários

O Twitter anunciou uma nova iniciativa de combate à desinformação em sua plataforma. Chamada Birdwatch, ela joga para a comunidade a tarefa de contextualizar tuítes incorretos via anotações e votações feitas pelos usuários. Por ora, o Birdwatch só funciona nos Estados Unidos e não tem efeito prático, ou seja, as anotações não aparecem no app do Twitter para todos os demais usuários. O objetivo, neste momento, é entender como isso pode funcionar.

O Birdwatch pode vir a suprir uma lacuna da ferramenta de denúncia do Twitter, que não contempla desinformação. Embora essa ausência por vezes seja alvo de críticas, ela está alinhada à postura do Twitter na moderação de conteúdo: suas regras não proíbem a publicação de mentiras e, portanto, a empresa nunca age em conteúdos falsos por si só, exceto quando a mentira desemboca em uma das proibições previstas, como risco à saúde pública durante a pandemia de COVID-19, por exemplo — o que levou às rotulações do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e do Ministério da Saúde.

Visto de outro modo, o Birdwatch permite que qualquer um seja um verificador de fatos e tenta fazer com que a “comunidade” (termo estranho para se referir às muitas bolhas do Twitter) se autorregule. O guia do serviço traz algumas explicações importantes, como requisitos para se candidatar (dificultam o uso de robôs para melar as anotações) e tutoriais ilustrados com prints.

Ainda é muito cedo para dizer qualquer coisa, salvo que o Twitter finalmente está tentando alguma coisa nessa frente. Entre isso e não fazer nada, já é um progresso. Via Birdwatch Guide (em inglês), @TwitterSupport/Twitter (em inglês).

Telegram e desinformação

Apesar da multiplicidade de alternativas disponíveis, o êxodo do WhatsApp tem beneficiado dois aplicativos em especial: Signal e Telegram. Por priorizar privacidade e segurança, o Signal come poeira do WhatsApp em experiência de usuário (UX). O Telegram, por outro lado, é muito mais do que o WhatsApp poderia ser. E isso pode virar um problemão […]

Post do Ministério da Saúde é rotulado pelo Twitter por conter desinformação

Print do post do Ministério da Saúde, no Twitter, com o rótulo que oculta seu conteúdo e informa o motivo (desinformação relacionada à COVID-19).
Imagem: Twitter/Reprodução.

Um post de 12 de janeiro publicado pelo perfil oficial do Ministério da Saúde foi rotulado e ocultado pelo Twitter por conter informações enganosas e potencialmente prejudiciais relacionadas à COVID-19. O post estimulava pacientes da doença a solicitarem aos médicos o famigerado “tratamento precoce”.

Então, é isso: estamos por conta própria e com o governo federal jogando contra, a favor do coronavírus e da morte. Cuide de si e dos seus, cobre a vacina e segure as pontas até lá. Via @obrunofonseca/Twitter.

Twitter rotula e oculta post de Bolsonaro promovendo “tratamento precoce” à COVID-19

Print do post de Bolsonaro, com um aviso do Twitter informando que ele viola regras da plataforma sobre desinformação relacionada à COVID-19.
Imagem: Twitter/Reprodução.

O Twitter rotulou um post do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), publicado nesta sexta (15), por violar as regras sobre a publicação de informações enganosas e potencialmente prejudiciais relacionadas à COVID-19. No post, que ainda pode ser visto, um vídeo de Alexandre Garcia e um link para um site estranho, ambos defendendo o “tratamento precoce” que, informa o próprio Twitter, não tem eficácia cientificamente comprovada.

  • Alexandre Garcia, bom lembrar, negacionista de marca maior e colunista da Gazeta do Povo, entre outros jornais e rádios Brasil afora.
  • No Facebook, o mesmo post segue no ar sem qualquer aviso, com 72 mil curtidas e 25 mil compartilhamentos.

Olavo de Carvalho é banido do PagSeguro

Depois do PayPal, agora foi a vez do PagSeguro banir Olavo de Carvalho da sua plataforma de pagamentos. A ação é creditada ao Sleeping Giants, que organizou um abaixo assinado que disparava um e-mail à CPP Investments, acionista do PagSeguro, a cada assinatura feita. Foram mais de meio milhão de assinaturas. Via Época.

Atualização (17h40): A assessoria do PagSeguro entrou em contato para dizer que não baniu Olavo de Carvalho, ou seja, Carvalho deixou de usar o PagSeguro por iniciativa própria. A nota do Guilherme Amado, na Época, também foi atualizada. Abaixo, a íntegra da que o PagSeguro enviou ao Manual do Usuário:

O PagSeguro reitera que é instituição de pagamento sujeita à Lei 12.865 de 2013, garantindo o atendimento não discriminatório aos usuários finais, bem como liberdade de escolha, segurança e proteção a seus interesses econômicos. O PagSeguro não faz juízo com relação às transações realizadas entre os milhões de compradores e vendedores por seu intermédio todos os dias. Conteúdos comunicacionais vendidos / adquiridos utilizando o PagSeguro como meio de pagamento são sujeitos ao Marco Civil da Internet, e somente conteúdos apontados como infringentes mediante o recebimento de ordem judicial específica são tornados indisponíveis. Isso não ocorreu até o momento, e notícias veiculadas sobre o tema são falsas.

Google e Apple banem app do Parler das suas lojas; Amazon poderá banir o site da AWS

Google e Apple removeram o aplicativo do Parler, uma rede social alternativa adotada por trumpistas, das suas respectivas lojas de apps. Ambas as empresas alegam que o Parler viola os termos de uso ao não coibir conteúdo ilegal e de incitação à violência. Via AxiosMacRumors (em inglês).

A Amazon, onde o Parler está hospedado, deu um ultimato à empresa. Se não adequarem seus termos de uso até a meia noite deste domingo, o site será banido da Amazon Web Services (AWS). John Matze, CEO do Parler, já admite que o site poderá ficar inacessível por vários dias até ser restaurado em outra hospedagem. Via Buzzfeed (em inglês).

Do nosso arquivo, de 2015, um passeio pelo Gab, outra rede social alternativa adotada por extremistas. O Gab nunca emplacou fora dos círculos próximo a Trump. Hoje, funciona como uma instância do Mastodon, mas quem acessa o Mastodon em outras instâncias bem administradas não corre o risco de topar com seu conteúdo — a maioria das instâncias e até mesmo apps do Mastodon bloqueiam a do Gab.

Twitter bane @realDonaldTrump permanentemente

O Twitter seguiu os passos do Facebook e, na noite desta sexta-feira (8), estendeu a suspensão de 12 horas de Donald Trump na plataforma para um banimento permanente. Segundo o comunicado da empresa, devido ao “risco de mais incitação à violência.”

No texto, o Twitter lembra que dá uma espécie de passe livre para líderes eleitos de burlarem as regras, mas que “essas contas não estão totalmente acima das nossas regras e não podem usar o Twitter para incitar violência, entre outras coisas.” Trump ainda é presidente dos Estados Unidos, mas não por muito tempo — a posse de Joe Biden acontece no próximo dia 20. Antes tarde do que nunca, mas como demorou… via Twitter (em inglês).

[Extra] As Big Techs não são amigas do jornalismo

Todo fim de ano, a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e a Farol Jornalismo, startup de conteúdo do Rio Grande do Sul, convidam um grupo de pessoas que analisarão os desafios que o jornalismo enfrentará no ano que começa. Em 2020, eu fui um dos convidados para escrever sobre o impacto dos monopólios digitais […]

Contas automatizadas (robôs) serão identificadas no Twitter

No anúncio da retomada da verificação de perfis, o Twitter disse também que pretende identificar robôs, ou bots, perfis que postam automaticamente. Desde o ano passado, também segundo o anúncio, desenvolvedores têm que identificar contas do tipo; em 2021, o Twitter explorará “um novo tipo de conta opcional que tornará mais fácil para os donos desses perfis divulgarem essas informações.” Aparentemente, a identificação não será compulsória, mas dependerá da boa vontade dos criadores dos robôs, o que deve limitar a identificação àqueles criados de boa-fé. O ideal, como sugerido aqui há dois anos, seria uma identificação automática baseada em padrões de uso e postagem. Via Twitter.

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