Facebook e Instagram derrubam live em que Bolsonaro associou Aids a vacina da Covid

O Facebook derrubou a live do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) da última quinta-feira (21) das plataformas Facebook e Instagram. Na transmissão, Bolsonaro dizia que vacinados contra a COVID-19 estariam contraindo AIDS. É quase ridículo ter que explicar isto, porém: é mentira. À Folha de S.Paulo, um porta-voz do Facebook justificou que “nossas políticas não permitem alegações de que as vacinas de Covid-19 matam ou podem causar danos graves às pessoas”.

Apesar de distorcer, desinformar e mentir praticamente em todas as suas lives semanais, esta é a primeira live e apenas o segundo vídeo de Bolsonaro que Facebook/Instagram derruba. O primeiro derrubado foi um de março de 2020, em que Bolsonaro alardeava o uso da cloroquina no combate à COVID-19. Via Folha de S.Paulo.

Vale notar que o YouTube ainda não tirou o vídeo (com +200 mil views) do ar até as 9h desta segunda-feira (25), apesar de ter mudado suas regras recentemente para ser mais duro com desinformação sobre vacina.

Nova rede de Trump viola licença do Mastodon e já está sendo bloqueada no Fediverso

Há um detalhe na Truth, nova rede social de Donald Trump, que ele e sua equipe não revelam: ela foi criada com base no Mastodon, sistema de código aberto e livre para a criação de redes sociais federadas. Em lugar algum há menção ou crédito ao Mastodon, o que é uma violação grave da licença do projeto (AGPL v3).

Entre instâncias (servidores) do Mastodon, já rola uma movimentação para banir a rede de Trump proativamente, caso um dia ela venha a se federar, ou seja, tente se comunicar com outras instâncias públicas. No Fediverso, o ambiente público em que servidores distintos de redes sociais descentralizadas se comunicam, é comum que administradores troquem informações (com a hashtag #Fediblock) de instâncias com conteúdo extremista ou ilegal e as bloqueiem. Via @feditips@mstdn.social (em inglês).

O Mastodon é uma rede social que lembra o Twitter, porém é descentralizada e de código aberto. Para entendê-la melhor, leia esta reportagem.

Xiaomi condena 100 milhões de usuários a verem conteúdo apelativo da Taboola em seus celulares

Xiaomi e Taboola anunciaram uma “parceria estratégica de longo prazo” nesta quarta (13). Sem especificar uma data, as duas empresas avisaram (ameaçaram?) que conteúdos do Taboola News serão exibidos na tela de bloqueio de mais de 100 milhões de celulares da Xiaomi em 60 países. O comunicado à imprensa não menciona países específicos, mas foi enviado a veículos no Brasil, logo…

Para quem não ligou o nome à empresa, a Taboola é responsável por gerar carrosséis de “nãotícias” no rodapé de notícias de verdade. Suas chamadas são para conteúdo no mínimo questionável; boa parte é de sensacionalismo barato, mas, não raro, aparecem mentiras deslavadas e coisas que beiram o criminoso. Apesar disso, seu produto está em uma infinidade de sites noticiosos, incluindo alguns renomados como Folha de S.Paulo e O Globo, os principais jornais do Brasil.

A única explicação para a onipresença do Taboola (e do Outbrain, rede rival no segmento de publicidade apelativa) é pagar muito bem. Bom para a Xiaomi, não tão bom para os usuários de Xiaomi que agora se depararão com pérolas como “Pílula natural para homens restaura sua virilidade e vigor” e “Médico Alerta: Pressão alta é um fator de risco. Se você toma Losartana, tente isso” — esses e outros exemplos estão nesta coluna do The Intercept Brasil.

A Taboola é uma das melhores justificativas para se instalar bloqueadores de anúncios em dispositivos que acessam a web. Não sabe como fazer? Siga por aqui.

Google e YouTube cortarão receita de conteúdos e anunciantes que negam a emergência climática

O Google anunciou uma nova regra, válida para seu braço publicitário e para o YouTube, que corta o dinheiro de conteúdos que negam a mudança/emergência climática. “Isso inclui conteúdo que se refere às mudanças climáticas como uma farsa ou fraude, alegações que negam que as tendências de longo prazo mostram que o clima global está esquentando e alegações que negam que as emissões de gases de efeito estufa ou a atividade humana contribuem para as mudanças climáticas”, disse a empresa em comunicado.

De acordo com o Google, a nova regra, que passa a valer em novembro, foi criada a pedido de anunciantes e de criadores de conteúdo que não querem se ver associados a discursos negacionistas. Ela é uma via de mão dupla: proíbe criadores de conteúdo (que recebem dinheiro) e também os anunciantes (que pagam) de negarem a emergência climática.

O Google afirmou que usará uma combinação de ferramentas automatizadas e revisores humanos para aplicar a nova regra e que é capaz de diferenciar discursos negacionistas de debates acerca desses discursos: “Ao avaliar o conteúdo em relação a esta nova política, examinaremos cuidadosamente o contexto em que as reivindicações são feitas, diferenciando entre o conteúdo que faz uma afirmação falsa como fato e o conteúdo que relata ou discute essa afirmação.”

Será um desafio e tanto, dado o volume gigantesco de vídeos e anúncios que o Google processa e considerando o histórico, longe de ser perfeito, da empresa no combate a fraudes e a infrações às suas próprias regras.Via Axios (em inglês), YouTube.

Ex-funcionária do Facebook que vazou dados internos revela sua identidade

No 60 Minutes, programa dominical da rede de TV norte-americana CBS, Frances Haugen revelou-se ao mundo. Ex-funcionária do Facebook, foi ela quem vazou o farto material interno da empresa que serviu de base para a série de reportagens The Facebook Files, do Wall Street Journal, que revelou o descaso da empresa com a saúde mental de meninas adolescentes, falhas sistêmicas no combate a crimes diversos cometidos em suas plataformas e outras barbaridades.

Na entrevista, Frances disse que ingressou no Facebook em 2019 motivada pela perda de um amigo para teorias da conspirações na internet. Ela era gerente de produtos da equipe de integridade cívica da plataforma.

O ponto de virada para ela foi após as eleições presidenciais dos Estados Unidos, em novembro de 2020, quando a área onde ela estava alocada foi dissolvida, como se o objetivo dele fosse sobreviver ao pleito sem que o Facebook caísse em polêmicas.

“Quando vivemos num ambiente informacional cheio de conteúdo raivoso, odioso e polarizador que desgasta a nossa confiança cívica, desgasta a nossa fé uns nos outros, desgasta a nossa capacidade de querer cuidar uns dos outros. A versão do Facebook que existe hoje está destruindo as nossas sociedades e causando violência étnica em todo o mundo.”

Nesta semana, Frances Haugen prestará depoimento ao Congresso norte-americano. Ela espera que uma forte regulação coloque a empresa nos trilhos. Via CBS News (em inglês).

YouTube amplia políticas contra vídeos anti-vacina

O YouTube expandiu suas regras contra desinformação médica na plataforma. A partir de agora, serão removidos vídeos “com alegações falsas de que vacinas aprovadas são perigosas, causam danos crônicos à saúde e não reduzem as chances de transmitir/contrair doenças ou conteúdo com desinformação sobre as substâncias contidas nesses imunizantes”. As novas diretrizes se aplicam a todas as vacinas aprovadas e consideradas seguras pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Elas são retroativas, ou seja, atingem vídeos antigos, mas deve levar algum tempo para que surtam efeito em toda a plataforma. Via YouTube.

Congresso e STF barram MP das fake news de Bolsonaro

Quase ao mesmo tempo, na noite desta terça (14), Judiciário e Legislativo barraram a medida provisória nº 1.068, a chamada “MP das fake news” ou “MP do Marco Civil”, que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) publicou na véspera do 7 de setembro para regular a maneira como as redes sociais moderam conteúdo e penalizam perfis. (Ouça o Guia Prático do assunto.) O presidente do Congresso, senador Rodrigo Pacheco (DEM-MG), devolveu a MP, e a ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu a MP atendendo a pedidos feitos à corte. Via Uol.

“Bons robôs” poderão ser identificados como tais no Twitter

Não é de hoje que muita gente pede ao Twitter para que identifique robôs na plataforma a fim de melhorar o nível do debate. Infelizmente, existem fortes incentivos para que o Twitter não faça isso. Explicitar que grande parte da sua base de usuários é, na realidade, formada por robôs, não cairia bem junto aos anunciantes — pelo menos enquanto robôs não puderem consumir.

Ainda assim, nesta quinta (9) o Twitter deu mais um pequeno passo nessa direção. Cumprindo uma promessa feita em dezembro de 2020, robôs identificados como tais exibirão um selo público em seus perfis. É “opt-in”, ou seja, identifica o robô e coloca o rótulo quem quiser. O Twitter alega que a medida visa identificar os “bons robôs”, seja lá o que isso signifique.

Na prática, a novidade não atinge aquele tipo de robô que realmente precisa ser exposto: o que se passa por humano para tentar legitimar pautas e pontos de vista por vezes absurdos ou impopulares entre os usuários de carne e osso. Via @TwitterSupport/Twitter (em inglês).

Twitter testa ferramenta de denúncias de desinformação relacionada à COVID-19

Um ponto cego muito comum no debate da moderação em plataformas digitais é que, regra geral, não é proibido mentir nelas. Twitter, YouTube, Facebook e afins não preveem, em seus termos de uso, proibições amplas para a disseminação de mentiras. Essas redes proíbem apenas mentiras que possam ter consequências graves, como danos físicos a terceiros. Sim, tem muita mentira que indigna, mas talvez não seja do nosso interesse que essas empresas se tornem árbitras da verdade.

O Twitter cruzou essa linha nesta terça (17). Em testes, a rede social está permitindo que usuários da Austrália, Coreia do Sul e Estados Unidos denunciem “conteúdo enganoso”. Há duas categorias disponíveis, “Política” e “Saúde”, e dentro da última, uma subdivisão entre COVID-19 e outros assuntos.

Todas as grandes redes sociais, Twitter entre elas, já proibiam desinformação relacionada à COVID-19 com base na política de danos a terceiros. A diferença é que, agora, esse tipo de abuso tem previsão oficial no fluxo de denúncias da plataforma. Ainda bem que foram rápidos — não é como se a pandemia tivesse começado a… sei lá, um ano e meio?

O Twitter não promete muita coisa, porém. “Estamos avaliando se essa abordagem é efetiva, por isso estamos começando em pequena escala”, informou no perfil @TwitterSafety. “Podemos não tomar medidas e não podemos responder a cada denúncia neste experimento, mas as contribuições de vocês nos ajudarão a identificar tendências para que possamos melhorar a velocidade e a escala do nosso trabalho mais amplo em desinformação.” Via @TwitterSafety (em inglês), @Sci_Phile (em inglês).

Facebook libera conteúdo que sugere que o coronavírus foi criado pelo homem

O Facebook removeu a proibição de postar conteúdo sugerindo que o SARS-CoV-2, o coronavírus causador da COVID-19, tenha sido criado pelo homem. (O tópico ainda consta na versão em português do Brasil, porém; veja um comparativo.) Em nota enviada ao site Politico, um porta-voz da empresa justificou a mudança “à luz das investigações em andamento da origem da COVID-19 e em consulta a especialistas em saúde pública”. Via Politico (em inglês).

De fato, nesta quinta (26), o presidente norte-americano Joe Biden pediu à inteligência do país para que “redobre os esforços” a fim de determinar a origem do coronavírus. Só que, ao contrário do que a regra agora derrubada do Facebook sugere, nenhuma das hipóteses consideradas é a de que o vírus foi criado pelo homem. A nova suspeita é de que ele teria vazado de um laboratório chinês, e não pulado de um animal selvagem para os seres humanos, teoria mais aceita até o momento. O New York Times tem um bom “explainer” (em inglês).

Conforme explica o Politico, “estudos genéticos do vírus encontraram falhas na proteína que ele usa para se conectar a células humanas”, característica que certamente seria evitada por alguém que estivesse criando uma arma biológica.

A vasta lista de tópicos proibidos sobre a pandemia, o vai-e-vem das regras e, agora, este erro conceitual grave do Facebook, demonstram a complexidade que existe na moderação de conteúdo pelas grandes plataformas. Lá vem (mais) uma onda de teorias da conspiração.

Parem de usar meu vídeo sobre urnas eletrônicas

Um vídeo de 2017 do Ronaldo Lemos, editado e tirado de contexto, está circulando em grupos de WhatsApp como argumento contra a urna eletrônica brasileira. Em uma coluna, Ronaldo pede para que parem de usá-lo e explica que “essa tentativa de propaganda com a minha fala é enganosa e absurda”. Fala-se muito dos perigos de deepfakes, mas um simples Movie Maker nas mãos de alguém mal intencionado já é capaz de causar muitos estragos. Via Folha de S.Paulo (com paywall).

Bolsonaro prepara decreto, considerado ilegal, para limitar retirada de posts e perfis das redes sociais

A ameaça de Jair Bolsonaro (sem partido) avançou da retórica para um esboço de decreto que proíbe as empresas donas de redes sociais de excluírem conteúdo com base em seus termos de uso. Com algumas exceções, a única via para excluir um conteúdo seria a judicial.

Especialistas consultados pela Folha afirmaram que o texto é ilegal e inconstitucional, além de trazer riscos ao debate na esfera pública — conteúdos que desinformam não poderia ser removidos sem a judicialização, e o Judiciário poderia ser soterrado com ações triviais. Para eles, uma regra do tipo deveria passar pelo Congresso, e não ser criada via decreto da Presidência.

Para Bolsonaro, que já teve conteúdos excluídos por todas as grandes plataformas — Facebook, Twitter e YouTube —, essas redes cerceiam a interação direta entre ele e seus seguidores, e o decreto daria “liberdade e punições para quem porventura não respeite isso”. Via Folha de S.Paulo.

O site recebe uma comissão quando você clica nos links abaixo antes de fazer suas compras. Você não paga nada a mais por isso.

Nossas indicações literárias »

Manual do Usuário