Pessoa de sexo não identificado, com cabelo roxo e pele azul, segurando uma xícara de café com vários ícones em alusão ao Manual do Usuário na fumaça e um celular na outra mão. Embaixo, o texto: “Apoie o Manual pelo preço de um cafezinho”.

“Stablecoin” TerraUSD (UST) derrete após perder paridade com o dólar

A “stablecoin” TerraUSD (ou UST), que supostamente acompanhava o valor do dólar e estava condicionada à criptomoeda Luna, derreteu e não vale mais nada. Na quinta (12), por volta das 23h (horário de Brasília), a blockchain da UST parou de funcionar pela segunda vez em menos de 24 horas.

A ideia de uma stablecoin, ou moeda estável, é manter a paridade com o dólar. No caso da UST, isso era garantido por um “smart contract” na blockchain que ajustava automaticamente o valor da moeda de acordo com as negociações entre ela e a Luna, a outra moeda do mesmo grupo empresarial, Terraform Labs, fundado e controlado pelo sul-coreano Do Kwon. O valor da Luna flutuava, mas o da UST era sempre mantido em US$ 1.

A coisa saiu de controle dentro das regras da blockchain. Faltou combinar com os investidores. Resumidamente, acabou a confiança da maior parte deles, o que levou a UST a entrar em uma “espiral da morte”, um círculo vicioso financeiro que a transformou em pó digital. Matt Levine, colunista da Bloomberg, explica didaticamente (em inglês).

Na Coreia do Sul, Kwon pediu proteção da polícia depois que investidores frustrados com o prejuízo começaram a rondar sua casa.

Agora pela manhã (13), a Terraform Labs informou que a blockchain voltou a operar com algumas mudanças para tentar a UST.

Outras “stablecoins” sentiram o baque e também perderam a paridade com o dólar, à exceção das duas maiores, tether e USDC. Até quando? Ninguém sabe. Via @terra_money/Twitter (2), Bloomberg, Coindesk (todos em inglês); mt.co.kr (em coreano).

Salvadorenhos já abandonaram suas carteiras de bitcoins

Quando El Salvador adotou o bitcoin como moeda oficial, em setembro de 2021, ofereceu aos cidadãos uma carteira digital chamada Chivo para que eles transacionassem usando a criptomoeda.

Um estudo publicado recentemente pelo Birô Nacional de Pesquisa Econômica, grupo de Massachusetts, EUA, descobriu que a Chivo é um fiasco. Nas 1.800 residências consultadas, praticamente metade havia baixado o aplicativo, mas, desses, 61% já o abandonou. Quem manteve o app tem usado ele para transacionar dólares. Segundo o próprio Banco Central salvadorenho, em fevereiro, apenas 1,6% das transações no Chivo envolveram bitcoins. Via Rest of World (em inglês).

Wikimedia Foundation, da Wikipédia, deixa de aceitar doações em criptomoedas

Após três meses de debate, a Wikimedia Foundation, que cuida da Wikipédia, decidiu interromper o recebimento de doações em criptomoedas. A fundação usava o serviço Bitpay e recebia doações em bitcoin, bitcoin cash e ether. A votação foi vencida com folga — 71,17% votaram a favor da proposta feita por Molly White, do (ótimo) Web3 os going great.

Na decisão, a Wikimedia Foundation deixou aberta a possibilidade de voltar ao assunto no futuro. Em janeiro, a Fundação Mozilla parou de receber doações do tipo. Leia-a na íntegra:

A Wikimedia Foundation decidiu descontinuar a aceitação direta de criptomoedas como meio de doação. Começamos a aceitar criptomoedas em 2014 a partir de pedidos dos nossos voluntários e comunidades de doadores. Estamos tomando esta decisão com base no recente feedback dessas mesmas comunidades. Especificamente, encerraremos a nossa conta no Bitpay, o que eliminará a nossa capacidade de receber diretamente crioptomoedas como método de doação.

Continuaremos monitorando esta questão, e agradecemos o feedback e a consideração destinada a este assunto em evolução por pessoas de todo o movimento Wikimedia. Manteremo-nos flexíveis e receptivos às necessidades dos voluntários e doadores. Mais uma vez, obrigado a todos os que deram contribuições valiosas a este tema cada vez mais complexo e mutável.

Via Coindesk, Wikimedia Foundation (ambos em inglês).

NFT de post no Twitter de Jack Dorsey volta a ser negociada por valor 99,99% que o da compra anterior

Lembra do NFT do primeiro post de Jack Dorsey no Twitter, vendido por US$ 2,9 milhões em março de 2021?

Seu dono, o empreendedor iraniano de criptoativos Sina Estavi, resolveu colocá-lo à venda em um leilão na OpenSea. Ele esperava arrecadar US$ 48 milhões com a revenda.

Foi um fiasco. Até esta quarta (13), quando a CoinDesk, uma publicação especializada em criptomoedas, noticiou o leilão, o maior lance havia sido de US$ 280, um prejuízo de 99,99%.

Após a publicação, alguns lances maiores foram feitos. No momento em que escrevo esta nota, o maior é de US$ 6,8 mil, o que ainda representa uma queda de 99,76% em relação ao preço original.

Paris Marx, no Twitter:

Quer dizer que aqueles grandes negócios como a venda do Beeple de US$ 69 milhões e o post no Twitter de Jack de US$ 2,9 milhões foram projetados para ganhar manchetes de modo a incentivar as pessoas a despejar dinheiro em bens especulativos onde a maior parte dos ganhos seria capturada por um pequeno número de baleias?

Surpreendente.

É assim que pirâmides começam a desmoronar? Via CoinDesk.

Musk, Thiel, Andreessen e a “current thing”

Musk, Thiel, Andreessen e a “current thing” (em inglês), por Brad Stone na Bloomberg:

Quinta-feira passada, em uma conferência de criptomoedas em Miami, Peter Thiel disparou contra os inimigos percebidos do bitcoin. Em um discurso sinuoso, chamou Warren Buffett de “vovô sociopata de Omaha” e apelidou os CEOs do JPMorgan Chase, Jamie Dimon, e da BlackRock, Larry Fink, de “gerontocracia financeira” que reprime a ascensão de jovens cripto-inflamados. Ele também se opôs ao ESG — a lógica de investir com base em critérios socialmente conscientes como impacto ambiental, justiça social e boa governança.

[…]

Nas últimas duas semanas, [Marc Andreessen,] o co-fundador da Netscape e da empresa de capital de risco Andreessen Horowitz, postou surpreendentes 350 vezes ou mais no Twitter. Os posts são enquadrados principalmente em termos elípticos, mas condenatórios, que se referem à “the current thing”, um meme popular entre os membros da direita extremamente virtual.

[…]

O que se passa? Aqui estão três tecnólogos de alto nível, exorbitantemente ricos, que parecem buscar uma satisfação da meia-idade no shitposting — o ato de escrever “comentários deliberadamente provocativos ou fora do assunto nas redes sociais, geralmente para perturbar os demais ou divergir do debate principal”, segundo o dicionário Oxford.

Hackers roubam R$ 3 bilhões em criptomoedas de joguinho; empresa leva seis dias para notar o rombo

Uma falha na blockchain Ronin, usada pelo jogo Axie Infinity (ambos da empresa Sky Mavis), permitiu que alguém roubasse o equivalente a US$ 600 milhões (~R$ 3 bilhões) em criptomoedas de usuários do jogo.

O mais maluco: a Sky Mavis demorou seis dias para descobrir o rombo, e só se deu conta depois que um usuário/jogador tentou converter seu dinheirinho virtual em dinheiro de verdade e não conseguiu.

O hack envolve validadores e outros termos bem técnicos (o blog da Molly White traz uma boa explicação), mas o que importa é que esse caso evidencia que: 1) não existe sistema infalível, por mais que os entusiastas de blockchains pintem eles assim; e 2) a natureza da blockchain, onde as transações são imutáveis, impede que as transferências indevidas sejam revertidas.

A parte (mais ou menos) triste é que, ao contrário de outros criptoativos, Axie Infinity é uma espécie de trabalho em países periféricos, como Indonésia e Brasil. (Aqui no Manual tem um relato da Paula Gomes de como o jogo/trabalho funciona.) Ou seja, uma parte desse dinheiro era/seria gasta com despesas do dia a dia. Via Ronin, Molly White, Kotaku (todos em inglês).

O que muda com a regulação de criptoativos no Brasil

O crescimento vertiginoso em valor de mercado do bitcoin, a partir de 2017, e uma profusão de novos negócios baseadas na tecnologia blockchain, incluindo aí os ilícitos, chamaram a atenção dos poucos brasileiros ainda com dinheiro para investir. Agora, na esteira do “boom” dos criptoativos — e dos golpes envolvendo esse tipo de bem digital […]

União Europeia rejeita limitação a criptoativos que desperdiçam energia

Uma proposta para limitar criptoativos baseados na validação do tipo proof-of-work (PoW), que consome quantidades enormes de energia elétrica, foi rejeitada no Parlamento Europeu nesta segunda (14). A derrota foi de 30 votos contra 23. A proposta é parte do framework Markets in Crypto-Assets (MiCA), que busca regular o mercado de criptoativos nos 27 países do bloco.

As duas maiores criptomoedas do mundo, bitcoin e ether, usam blockchains baseadas em PoW. Estima-se que só o bitcoin consuma o mesmo tanto de energia que a Noruega — se o bitcoin fosse um país, seria o 27º mais gastão do mundo. Via Coindesk, The Verge (ambos em inglês).

Imposto de Renda 2022 exige declaração de NFTs, bitcoin e outras criptos

Em 2021, a Receita Federal passou a exigir a declaração de criptomoedas, com o bitcoin, no imposto de renda. Neste ano, a exigência foi estendida a outros criptoativos, como NFTs e stablecoins. Os ganhos obtidos com a valorização desses criptoativos são sujeitos à tributação, num esquema parecido com o de ações, ou seja, ganhou auferido na venda dos ativos. Via Bloomberg Línea.

O prazo para a declaração do IR começou nesta segunda (7) e vai até 29 de abril. Os aplicativos podem ser baixados no site da Receita Federal.

olav.ooo tem um minerador de criptomoedas escondido

O site olav.ooo, uma piada macabra envolvendo a morte do charlatão bolsonarista Olavo de Carvalho e o joguinho de palavras Wordle/Termo, ainda hoje aparece em redes sociais. Ele não é, afinal, um joguinho inocente. Ao abrir o site, um minerador de criptomoedas dispara imediatamente. O alerta foi dado por Eduardo Henrique e confirmado pelo Manual do Usuário.

O olav.ooo carrega um script XMRig, uma solução de código aberto que usa o poder computacional dos dispositivos que acessam sites com seu código para minerar a criptomoeda Monero (XMR). Por padrão, bloqueadores de anúncios como 1Blocker e uBlock Origin não bloqueiam o script, nem as configurações mais rigorosas do Firefox e Safari.

Ao abrir o olav.ooo, o disparo no consumo de processamento é imediato:

Print do terminal com o htop aberto, filtrando processos do Firefox.
Repare no consumo de processamento pelo Firefox enquanto o site olav.ooo está aberto. Imagem: Manual do Usuário.

Ao bloquear o carregamento do script f.xmrminingproxy.com, a mineração não acontece.

O problema de acessar um site com um minerador de criptomoedas é que ele sobrecarrega o processador, deixando outras abas e aplicativos lentos e, no caso de dispositivos movidos à bateria, como celulares e notebooks, descarregando-a mais rapidamente.

Co-fundador do Basecamp se diz convertido às criptomoedas por protesto de caminhoneiros canadenses

Depois do desastre de comunicação interna que destruiu 1/3 da força de trabalho do Basecamp ano passado, agora um dos fundadores da empresa se diz convertido à necessidade de criptomoedas devido aos protestos antivacina de caminhoneiros protofascistas no Canadá. Via DHH/Hey World (em inglês).

Olha, a gente usa e eu gosto muito do Basecamp, mas parece que os fundadores estão se esforçando um bocado para viraram os véios da Havan da gringa. Dica do Vinícius Ribeiro no nosso grupo de apoiadores.

Na Web3, o rei está nu

Dos mesmos especuladores que garantem que as crioptomoedas nos libertarão (do quê?) e que NFTs salvarão a arte (de quem?), vem aí a Web3, um novo ambiente digital que revolucionará a internet e o modo de fazer negócios em rede. Ou assim estão nos prometendo.

Mineração de bitcoins está sendo banida em países do mundo todo — e ameaçando o futuro das criptomoedas

Mineração de bitcoins está sendo banida em países do mundo todo — e ameaçando o futuro das criptomoedas (em inglês), por Shawn Tully na Fortune:

A repressão da China à mineração de bitcoin no ano passado, que culminou com uma proibição total em setembro, desencadeou uma diáspora de produtores em busca de novos lares. Muitos correram para as fontes renováveis dos países nórdicos, enquanto outros foram atrás do carvão e gás natural do Cazaquistão, Irã, Kosovo e da pequena Abcásia. No outono passado, mais de um quarto de todas as assinaturas de criptomoedas estavam sendo cunhadas no Cazaquistão e no Irã.

Mas, nos últimos meses, aqueles locais antes acolhedores começaram a expulsar mineradores em massa. Os recém-chegados estão consumindo quantidades gigantescas de eletricidade, criando déficits que estão espalhando apagões de Teerã a Almati. A tendência é especialmente ruim para os entusiastas que preveem que a indústria de bitcoin resolverá em breve seu problema de poluição pela operação majoritária com energias renováveis. Em uma nova reviravolta, os países escandinavos afirmam que não poderão atingir as metas de energia limpa se as criptomoedas estiverem ocupando uma parte enorme e crescente de seus recursos eólicos, energéticos e geotérmicos.

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