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O delírio dos NFTs nos levará ao fim do mundo

Fosse vivo hoje, Walter Benjamin teria muito o que pensar e escrever a respeito da digitalização da cultura, de serviços como os de streaming e dos vários modelos de negócio que gravitam a arte, como os NFTs. Na ausência do pensador alemão do século XX ou de alguém mais capacitado, você terá que se contentar […]

Após anos de estudo, acredito que criptomoedas são uma tecnologia inerentemente de direita, hiper-capitalista, construída principalmente para ampliar a riqueza de seus proponentes através de uma combinação de evasão fiscal, relaxamento da supervisão regulatória e escassez imposta artificialmente.

— Jackson Palmer, cofundador da Dogecoin. No Twitter, Jackson escreveu uma respostas aos constantes questionamentos a respeito do seu retorno ao mundo das criptomoedas. “Um ‘não’ do fundo do coração”, escreveu antes de detalhar os motivos.

Nós meio que destruímos a cadeia de suprimentos [de HDs e SSDs] a curto prazo.

— Gene Hoffman, presidente da Chia Network. A confissão acima é do presidente da Chia Network, uma criptomoeda criada por Bram Cohen (que criou o BitTorrent) que promete ser mais “verde” que o bitcoin por trocar o sistema “proof-of-work” (PoW), que depende de cálculos computacionais complexos (e sem outra utilidade) para validar transações, por um […]

Implantação de moeda digital aumentaria potência da política monetária, diz BC

O Banco Central (BC) anunciou que estuda a criação de uma moeda digital para o Brasil. Diferentemente do bitcoin e outras do tipo, ela seria emitida pelo próprio BC, teria paridade com o real (ou seja, não se valorizaria livremente) e seu uso seria mediado pelos bancos.

Fabio Araujo, que coordena esse trabalho, disse que se trata de um “novo mecanismo de provisão de liquidez”, mas estou tendo alguma dificuldade para entender o que essa moeda digital traria de novidade prática à mesa. Para muita gente, o real já é, de certa forma, digitalizado, não? Via Valor Investe.

Nova versão do Ethereum consumirá 99,95% menos energia

O Ethereum, blockchain aberta mais popular do mundo, mudará nos próximos meses o seu método de validação, do Proof-of-Work (PoW) para o Proof-of-Stake (PoS). Na prática, isso significa que a nova versão do Ethereum consumirá, segundo estimativas grosseiras, 99,95% menos energia que no modelo atual — em vez de consumir a energia equivalente a de um país médio, o consumo energético será o de uma cidadezinha com 2,1 mil casas. Via Fundação Ethereum (em inglês).

No PoW, a validação das transações é feita com força bruta computacional. Na PoS, a validação feita pelos nós depende da posse de uma quantidade de moedas — para um deles fraudar a blockchain, precisaria possuir mais moedas do que ganharia com a fraude. A Wikipédia em português traz uma boa explicação.

Dinheiro por nada

O recente falatório sobre NFTs produziu, em grande medida, muita confusão. Em quase todos os artigos, NFTs são enquadrados como um fenômeno tecnológico incrivelmente complicado que exige uma explicação cuidadosa, em vez de uma blablablá entediante que nos impede de focar. Essa dissonância gera dúvidas. Você pode dizer a si mesmo(a): “Ok, o que entendi […]

Tesla para de aceitar bitcoins na venda de carros; Elon Musk cita preocupações ambientais como motivo

A Tesla parou de aceitar bitcoins na venda dos seus carros elétricos menos de dois meses após anunciar o novo meio de pagamento. No Twitter, o CEO Elon Musk disse estar “preocupado com o rápido aumento no uso de combustíveis fósseis para minerar e transacionar bitcoins”, como se isso fosse novidade ou alguma grande revelação. Via @elonmusk/Twitter (em inglês).

A cotação do bitcoin cai 11% nas últimas 24 horas, segundo o CoinMarketCap.

Signal testa transferências de dinheiro usando criptomoeda

O Signal começou a testar um recurso de transferência de dinheiro usando a MobileCoin, uma “privacy coin”, ou criptomoeda que se esforça para preservar o anonimato dos usuários e das transações (ao contrário do bitcoin, esses dados não ficam expostos numa blockchain pública). Por ora, as transferências só estão disponíveis no Reino Unido, pelos apps para Android e iOS.

A notícia preocupa. Em entrevista à Wired, Moxie Marlinspike, criador do Signal e CEO da fundação responsável pelo aplicativo, argumenta que o objetivo é dar às transações financeiras o mesmo tratamento privado existente para a comunicação, o que parece uma premissa falha — existem numerosos cenários que justificam conversas privadas; já para transações financeiras, só consigo imaginar cenários ilegais, como lavagem de dinheiro. Ao misturar as duas coisas, periga enfraquecer o argumento da privacidade nas comunicações em vez de fortalecer o da privacidade como um todo.

A novidade também borra o foco do Signal, que sempre foi um app de mensagens, e com certeza atrairá um escrutínio pesado de governos e órgãos reguladores. Moxie dá a entender que a oferta de transferências financeiras seja um imperativo competitivo, como se o destino de todos os apps de mensagens fosse virar os super apps chineses. Não precisa ser assim.

O maior impacto, porém, é na confiança. Para muita gente — e eu me incluo nesse grupo —, é forte a associação entre criptomoedas e atividades suspeitas e ideias malucas. O Signal sempre teve um foco cirúrgico em manter conversas privadas. Agora, não mais. O clima no tópico de discussão da novidade está péssimo. Via Signal (em inglês), Wired (em inglês).

Agência Lupa vende checagens de boatos como NFT

A Agência Lupa está vendendo algumas das suas checagens como NFT. Já venderam duas, por 0,05 ETH cada, cerca de R$ 390 no momento em que publico esta notinha. Há outras seis checagens disponíveis para compra.

Este talvez seja o melhor uso até agora de NFT. A Lupa encontrou uma forma de financiar o trabalho sério que fazem em cima da “arte” criada por gente mal-intencionada, por vezes criminosa. Via Agência Lupa, @agencialupa/Twitter.

Com “quebras silenciosas”, NFTs desvalorizam 70% em um mês

Parece que o nascente mercado de NFTs, ou tokens não-fungíveis, já mergulhou em uma queda aguda. De acordo com a NonFungible.com, site que monitora diversos marketplaces de NFTs, o preço médio dos NFTs despencou 70% do pico de fevereiro. Devido à falta de liquidez dos NFTs, há quem esteja chamando essa queda generalizada de “quebra silenciosa”: em vez de correções diárias e graduais dos preços, NFTs são reajustados vez ou outra, da noite para o dia, em percentuais elevadíssimos. Ouça o nosso podcast sobre o tema. Via Bloomberg (em inglês), Cointelegraph (em inglês).

O que alguém efetivamente recebe ao comprar um NFT?

Uma dúvida legítima em torno do NFT (ouça o nosso podcast) é o que as pessoas efetivamente recebem ao comprarem um? Jonty Wareing fez uma breve pesquisa e descobriu que, de duas, uma:

O token NFT que você compra aponta para uma URL na internet ou para um hash IPFS. Na maioria dos casos, ele faz referência a um gateway IPFS na internet, mantido pela startup de quem você comprou o NFT. Ah, e aquela URL não é o arquivo de mídia. Aquela URL é um arquivo de meta dados no formato JSON.

Aqui está o arquivo JSON de uma arte do Beeple, arrematada por US$ 66,6 mil em novembro de 2020.

Em outras palavras, você adquire um arquivo de poucas linhas de texto ligado ao site da startup que criou e vendeu o NFT, o que significa que se essa startup fechar ou o site sair do ar, seu certificado meio que se torna um arquivo inútil — lembre-se que ele está numa blockchain e, por isso, não pode ser alterado. Via @jonty/Twitter (em inglês).

Detalhes questionáveis da venda do NFT do Beeple por “US$ 69 milhões”

Na última quinta-feira (11), uma arte digital na forma de uma NFT (token não-fungível) do artista Beeple foi vendida em um leilão organizado pela Christie’s por US$ 69,3 milhões, sendo US$ 60 milhões pagos da obra e US$ 9,3 milhões em taxas à casa de leilões. Muito se repercutiu sobre a venda, como se ela fosse um atestado da validade e viabilidade das NFTs, mas a história tem bases bastante questionáveis.

A jornalista independente Amy Castor descobriu a identidade do comprador e revelou as relações espúrias entre ele, Beeple e criptomoedas em geral. A compra, incluindo a comissão à Christie’s, foi paga na criptomoeda ETH. A Metapurse, uma empresa de investimentos em NFTs, é propriedade de Metakovan, pseudônimo que Amy acredita ser de Vignesh Sundaresan, que atualmente vive em Singapura. (A Bloomberg confirmou a ligação entre Metakovan e Metapurse.) A empresa oferece um fundo de NFTs de artes do Beeple, acessível mediante a compra da sua própria criptomoeda, a B20, da qual detém 59% do total. Beeple tem uma reserva de 2% da B20.

A B20 se valorizou quase 6.300% entre 23 de janeiro, quando foi lançada (US$ 0,36), até o pico (US$ 23). Eu não entendo muito de contabilidade e finanças, mas a impressão é de que fizeram todo esse circo para vender uma arte por US$ 69 milhões, porém pagos com dinheiro de Banco Imobiliário a fim de levantar alguns milhões em dólares. Sem entrar no mérito artístico (veja a obra, intitulada “The First 5000 Days”), todo esse esquema tem cara, cheiro e forma de picaretagem. Será que é? Via Amy Castor (em inglês), Bloomberg (em inglês).

PayPal permitirá uso de criptomoedas em sua rede

O PayPal anunciou que vai trabalhar com criptomoedas. No começo de 2021, os usuários norte-americanos do serviço poderão comprar, guardar e gastar bitcoin nos mais de 26 milhões de estabelecimentos que adotam o PayPal — esses não receberão bitcoins; a criptomoeda será convertida em moeda fiduciária em tempo real. A empresa se junta a outras norte-americanas do setor financeiro que, nos últimos tempos, abraçaram o bitcoin, como a Square (espécie de PagSeguro do Jack Dorsey, CEO do Twitter) e Robinhood (home broker gratuito e, eventualmente, indutor de suicídios). Via Reuters (em inglês).

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