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Apple altera emoji da seringa no iOS 14.5 para vacinação contra a COVID-19

Comparativo antes e depois do emoji da seringa/injeção no iOS 14.5.
Antes e depois. Imagem: Emojipedia/Reprodução.

O iOS 14.5, que deve ser lançado logo mais (já está em testes), trará um novo conjunto de emojis e atualizações ao sistema móvel da Apple. O destaque fica por conta do novo visual do emoji da seringa/injeção: sai a seringa cheia de sangue, entra uma vazia. A Emojipedia argumenta que a mudança deve “tornar [o emoji] mais flexível para uma variedade maior de usos”, incluindo aquele que parece ter motivado a mudança — a vacinação contra a COVID-19. A história do emoji da seringa/injeção é longa e curiosa.

O iOS 14.5 incorpora novidades da especificação 13.1 do Emoji, do final de 2020. Há três novas carinhas amarelas, corações remendado e pegando fogo e melhorias na consistência de gêneros — agora é possível ter mulheres com barba, por exemplo. E, Apple sendo Apple, o emoji de headphones foi alterado e agora lembra os AirPods Max, o modelo de R$ 7 mil da marca. Via Emojipedia (em inglês).

TrateCov, do Ministério da Saúde, só indica remédios ineficazes contra a COVID-19

Não sem surpresa, o TrateCov, aplicativo do Ministério da Saúde para auxiliar médicos e enfermeiros na pandemia de COVID-19, só recomenda remédios comprovadamente ineficazes no trato da doença, como ivermectina, cloroquina, hidroxicloroquina e dois antibióticos (azitromicina e doxiciclina).

Nesta quarta (20), uma força-tarefa informal esmiuçou o código-fonte do ambiente de simulação do TrateCov, publicado no site do Ministério da Saúde. O jornalista Rodrigo Menegat extraiu o código-fonte e o hospedou no GitHub. O sistema, um grande formulário que pede dados e sintomas do paciente, um “teste do BuzzFeed de mau gosto”, como definiu o Gizmodo, devolve ao profissional de saúde uma pontuação do paciente analisado. O “tratamento precoce” é indicado àqueles com 6 ou mais pontos e, ao que parece, os remédios comprovadamente ineficazes sempre são sempre indicados, como observou Joselito Júnior no Twitter, mesmo em cenários surreais, como bebês com sintomas gripais. Após a repercussão, o Ministério da Saúde tirou o formulário do ar. Via @RodrigoMenegat/Twitter, @breakzplatform/Twitter, Gizmodo Brasil, Medscape.

Na segunda (18), o ministro Eduardo Pazuello mentiu em coletiva ao afirmar que nunca havia indicado remédios ineficazes contra a COVID-19. O TrateCov, anunciado na semana anterior pelo próprio, durante sua passagem por Manaus (AM), é mais uma prova do modo trágico, potencialmente criminoso, com que o governo federal tem enfrentado (ou ajudado?) a pandemia. Via Uol.

Relógios inteligentes podem detectar COVID-19 no período pré-sintomático

Pesquisas independentes descobriram que relógios inteligentes, como o Apple Watch, conseguem detectar a COVID-19 no período pré-sintomático, ou seja, antes do infectado apresentar sintomas. A variabilidade da frequência cardíaca é o que aponta a infecção: variações muito elevadas coincidem com o dia da infecção. Não confundir com frequência cardíaca acelerada; são duas métricas distintas. Nos aplicativos, a variabilidade da frequência cardíaca costuma ser indicada pela sigla HRV. Via CBS News (em inglês).

Post do Ministério da Saúde é rotulado pelo Twitter por conter desinformação

Print do post do Ministério da Saúde, no Twitter, com o rótulo que oculta seu conteúdo e informa o motivo (desinformação relacionada à COVID-19).
Imagem: Twitter/Reprodução.

Um post de 12 de janeiro publicado pelo perfil oficial do Ministério da Saúde foi rotulado e ocultado pelo Twitter por conter informações enganosas e potencialmente prejudiciais relacionadas à COVID-19. O post estimulava pacientes da doença a solicitarem aos médicos o famigerado “tratamento precoce”.

Então, é isso: estamos por conta própria e com o governo federal jogando contra, a favor do coronavírus e da morte. Cuide de si e dos seus, cobre a vacina e segure as pontas até lá. Via @obrunofonseca/Twitter.

Twitter rotula e oculta post de Bolsonaro promovendo “tratamento precoce” à COVID-19

Print do post de Bolsonaro, com um aviso do Twitter informando que ele viola regras da plataforma sobre desinformação relacionada à COVID-19.
Imagem: Twitter/Reprodução.

O Twitter rotulou um post do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), publicado nesta sexta (15), por violar as regras sobre a publicação de informações enganosas e potencialmente prejudiciais relacionadas à COVID-19. No post, que ainda pode ser visto, um vídeo de Alexandre Garcia e um link para um site estranho, ambos defendendo o “tratamento precoce” que, informa o próprio Twitter, não tem eficácia cientificamente comprovada.

  • Alexandre Garcia, bom lembrar, negacionista de marca maior e colunista da Gazeta do Povo, entre outros jornais e rádios Brasil afora.
  • No Facebook, o mesmo post segue no ar sem qualquer aviso, com 72 mil curtidas e 25 mil compartilhamentos.

Governo federal lança aplicativo que prescreve medicamentos inúteis contra a COVID-19

Não satisfeito com um app que poderia fazer a diferença na luta contra a COVID-19, mas não fez (por falta de adesão), agora o governo federal resolveu lançar um app inútil já na largada. Chamado TrateCOV e anunciado pelo ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, o app diagnostica o paciente em um sistema de pontuação baseado nos sintomas apresentados e, em caso positivo, prescreve o famigerado “tratamento precoce” composto por medicamentos comprovadamente ineficazes no combate à COVID-19: hidroxicloroquina, cloroquina, ivermectina, azitromicina e doxiciclina. Via Uol.

Pazuello fez o anúncio do TrateCOV em Manaus (AM). A capital amazonense passa pelo pior momento da pandemia, com os sistemas de saúde público e privado colapsados. “Acabou o oxigênio e os hospitais viraram câmaras de asfixia”, disse o pesquisador Jesem Orellana. “Os pacientes que conseguirem sobreviver, além de tudo, devem ficar com sequelas cerebrais permanentes.” Via Folha.

Project Hazel, a máscara N95 gamer (sim, com LEDs) da Razer

Mulher de cabelos compridos usando uma máscara N95 gamer da Razer com o ventilador iluminado em azul e roxo.
Foto: Razer/Divulgação.

Uma máscara N95 “gamer”, criada por uma empresa de equipamentos de games, com ventiladores que expelem CO2, amplificadores para projetar a voz do usuário e, claro, LEDs coloridos, é a coisa mais 2020 que você verá em 2021. Ainda é só um conceito, ou seja, sem certificação de órgãos sanitários, preço nem data de lançamento — e talvez nem seja lançada. Via Razer.

5,05% dos brasileiros baixaram o app que avisa quem teve contato com infectados pelo coronavírus

No início da pandemia, Apple e Google se uniram para criar um sistema de rastreamento de contatos (depois, rebatizado para notificação de exposição) em celulares a fim de ajudar a identificar e isolar pessoas que tiveram contato com infectados pelo SARS-CoV-2, o novo coronavírus. Apesar do esforço, quase um ano depois a sensação geral, aqui e lá fora, é de que a solução “prometeu muito e não entregou” (em inglês).

Parte dessa promessa não cumprida tem a ver com a baixa adesão dos usuários. Estudos apontam que, para ser eficaz no controle da pandemia, pelo menos 60% dos habitantes de um país precisam baixar e usar o app oficial compatível com o sistema da Apple/Google, mas que mesmo adesões mais modestas, na casa dos 20%, ainda têm impacto positivo na luta contra a COVID-19. O problema é que nem mesmo essas porcentagens menores foram alcançadas na maior parte do mundo.

No final de dezembro, pedi ao Ministério da Saúde os números da notificação de exposição no Brasil. (Por aqui, cabe sempre lembrar, o recurso está embutido no app Coronavírus SUS.) Segundo a pasta, até 21 de dezembro o app teve 1,99 milhões de downloads no iOS e 8,7 milhões de downloads no Android, ou seja, 10,69 milhões de downloads (que não é o mesmo que usuários ativos), ou 5,05% da população brasileira.

Questionei, ainda, se havia números relacionados à notificação de exposição no país, como o de alertas emitidos. Em resposta, o Ministério da Saúde informou que “as notificações de exposição aos usuários são realizadas uma vez ao dia”, e que “para manter os usuários seguros, a apreciação do quantitativo de notificações ainda não estão sendo divulgadas.”

Esta é uma daquelas situações que explicitam as limitações da tecnologia ao lidar com problemas complexos de ordem social, neste caso potencializadas pela divulgação tímida do app, talvez fruto do descaso do governo federal no enfrentamento da pandemia. Para piorar, a notificação de exposição tem um impacto severo na autonomia dos celulares — no meu, um iPhone 8 com três anos de uso, ele devora ~17% da bateria.

Facebook notificará usuários que interagiram com desinformação da COVID-19

O Facebook avisará os usuários, via notificações, de posts equivocados a respeito da COVID-19 que eles tenham curtido, comentado ou compartilhado. No texto da notificação, lê-se: “Removemos um post que você curtiu com informações falsas e potencialmente danosas a respeito da COVID-19.” Ao tocar nela, o usuário é levado a uma tela que aponta onde o post foi publicado (um grupo ou página, por exemplo) e dá a opção de deixar de seguir a fonte da desinformação. Para não constranger os usuários, o Facebook não recupera detalhes do post falso, nem explica o que havia de errado com ele. Medida tardia e incompleta, para variar. Via FastCompany (em inglês).

O último de 2020

Apoie o Manual: https://manualdousuario.net/apoie/ Acesse a edição 20#46: https://manualdousuario.net/20-46/ O último Guia Prático de 2020 foi gravado ao vivo, durante uma live no YouTube (se preferir, assista a ela). Rodrigo Ghedin, Jacqueline Lafloufa e Guilherme Felitti conversam sobre tecnologia, pandemia e Manual do Usuário. Os podcasts da casa retornam em meados de janeiro de 2021. […]

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