Fundo azul, com uma chamada para um PlayStation 5 no centro. À esquerda, a frase “Ofertas de verdade, lojas seguras e os melhores preços da internet.” À direita, “Baixe o app do Promobit”.

Amazon apresenta tecnologia da Alexa que recria vozes de pessoas mortas

A Amazon apresentou um novo recurso da Alexa, sua assistente de inteligência artificial, que imita vozes de outras pessoas. O objetivo é reavivar vozes de parentes falecidos.

A tecnologia não é nova, foi usada para “ressuscitar” Anthony Bourdain e José Antunes Coimbra, pai do Zico, em documentários e filmes, e para dar voz novamente a Val Kilmer na ponta que ele faz em Top Gun: Maverick.

A diferença é a escala. A Amazon diz que só precisa de um minuto de áudio para recriar a voz de alguém.

Fora a controvérsia natural de algo assim, outros usos podem ser igualmente problemáticos. E se alguém quiser ouvir uma história de ninar com a voz do Galvão Bueno, sem a autorização do próprio Galvão? Pode isso, Arnaldo?

Não há data, nem certeza, para esse recurso ser lançado. Via Reuters, AWS Events/YouTube (ambos em inglês).

Brasil rural avança em conexão à internet, mostra TIC Domicílios 2021

O Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) lançou, nesta terça (21), a edição 2021 da pesquisa TIC Domicílios, um raio-x de como o brasileiro usa a internet.

O destaque desta edição é o salto no acesso à internet em áreas rurais. Em 2019, 53% dos indivíduos nesses locais tinham acesso à internet; em 2021, o percentual saltou para 73%. O mesmo crescimento — de 20 pontos percentuais entre 2019 e 2021 – foi detectado na presença de internet nos domicílios rurais, subindo de 51% para 71%.

Ao todo, 81% da população brasileira (~148 milhões de pessoas) acessou a internet nos últimos três meses.

A edição 2021 incluiu 23.950 domicílios e 21.011 indivíduos de 10 anos ou mais, em entrevistas presenciais realizadas entre outubro de 2021 e março de 2022.

Veja aqui uma apresentação (PDF) com gráficos dos destaques da pequisa. E nesta página, acesso a microdados e outros materiais de apoio a pesquisadores, imprensa e curiosos em geral. Via NIC.br.

Como a internet nos transformou em máquinas de conteúdo

Como a internet nos transformou em máquinas de conteúdo (em inglês), por Kyle Chayka na New Yorker:

A dinâmica que [Kate] Eichhorn descreve é familiar a qualquer pessoa que use redes sociais com qualquer regularidade. Ela não rompe com a nossa compreensão da internet tanto quanto esclarece, em termos eloquentemente diretos, como ela criou uma corrida brutal ao fundo do poço. Sabemos que o que publicamos e consumimos nos meios de comunicação social parece cada vez mais vazio, e mesmo assim somos impotentes para interromper isso. Talvez se tivéssemos uma linguagem melhor para o problema, seria mais fácil resolvê-lo. “Conteúdo gera conteúdo”, escreve Eichhorn. Tal como com o ovo do Instagram, a melhor maneira de obter mais capital de conteúdo é já tê-lo.

Roteiro da Boca Rosa para o dia a dia no Instagram

Recorte de um story, mostrando uma mulher de costas (aparece somente parte da cabeça) olhando para uma TV com um slide sendo exibido, título “Conteúdo Stories”, seguido de uma lista de situações cotidianas que serão transformados em stories. A TV é segurada por uma mão estranha que parece sair da parede.
Imagem: @centralreality/Twitter.

Há muito o que analisar neste roteiro de dia a dia no Instagram da influenciadora Bianca “Boca Rosa” Andrade.

Em primeiro lugar, é a síntese da capitalização da vida. Nada é espontâneo, mesmo aquilo que parece ser e é apresentado como espontâneo. Nem o “nenein” escapa da espetacularização que a “mamain” promove da própria vida.

Nesse sentido, é praticamente uma demolição da quarta parede: vemos, desnudado, que aquilo a que milhões de pessoas aspiram é uma ilusão, é um produto meticulosamente fabricado. Não que isso seja surpresa ou novidade, mas encarar o “script básico do dia a dia” é similar a assistir aos vídeos do Mister M.

O mais perturbador da cena, porém, é aquela mãozinha assustadora saindo da parede para segurar a TV. O que é aquilo? (E por que ela exibe esse roteiro numa TV? Quem tem uma TV para isso?) Via @centralreality/Twitter.

Filtros de selfie que afinam nariz e rosto incentivam racismo e cirurgias plásticas entre jovens

Filtros de selfie que afinam nariz e rosto incentivam racismo e cirurgias plásticas entre jovens, por Fabiana Moraes no The Intercept Brasil:

O uso hard dos filtros que promovem uma espécie de “harmonização facial” (outro fenômeno nacional relacionado às redes sociais) foi barrado pelo Instagram/Facebook em 2019: ali, a empresa divulgou um comunicado informando que iria retirar do Spark AR os filtros associados à cirurgia plástica e, a partir de uma nova política de responsabilidade, novos filtros do gênero iriam passar por uma revisão mais apurada até serem aprovados. Isso porque os relatos sobre a relação entre redes sociais e dismorfia corporal (também casos de suicídios) aumentaram consideravelmente – e isso já antes da pandemia, quando olhar para nós mesmas nas telas se tornou mais comum.

Algumas pesquisas evidenciam esse fenômeno: um estudo realizado entre cirurgiões da Academia Americana de Plástica Facial e Cirurgia Reconstrutiva (AAFPRS, na sigla em inglês) mostrou que, em 2019, 72% deles foram procurados por pacientes que queriam realizar procedimentos para ter uma melhor aparência em selfies, um aumento de 15% em relação à pesquisa feita em 2018. Para se ter ideia da explosão, apenas 13% das pessoas apresentaram a mesma motivação em 2013.

Mas a retirada dos filtros de cirurgia plástica não mudou tanta coisa lá pelos Stories da vida: é possível encontrar diversos vídeos com dicas sobre como driblar os impedimentos do Instagram, como vemos no vídeo do canal de Larissa Rodrigues “como criar filtro de plástica (deformações) QUE APROVA pra instagram story Spark Ar”. Alguns destes criadores possuem enorme relevância na criação de realidades aumentadas, a exemplo de Jeferson Araujo, com 954 mil seguidores no Instagram e que, no ano passado, desenvolveu o filtro Cruella. O trabalho foi um sucesso e chamou atenção da Disney, que comprou o filtro na ocasião do lançamento do filme homônimo. Hoje dedicando-se mais aos filtros artísticos e/ou de humor (como o ótimo Rampage, que tatua o corpo e rosto de quem o usa), Jeferson também produzia tutoriais de cirurgia plástica: em um divulgado em 2019, ele segue a cartilha padrão e ensina os usuários a afinar o nariz. Durante a pandemia, a rinoplastia superou a lipoaspiração entre os procedimentos mais procurados. Em um país de maioria negra, no qual um fenótipo (características observáveis) muito comum é o de pessoas com narizes arredondados ou chatos, esse fenômeno é bastante revelador. Me parece que passa não somente por questões da dismorfia, mas da própria autonegação.

Como Juliette chegou ao 1º lugar no iTunes em 63 países graças a plano de fãs e doações via Pix

Como Juliette chegou ao 1º lugar no iTunes em 63 países graças a plano de fãs e doações via Pix, por Braulio Lorentz no G1:

O G1 conversou com a equipe do Juliette Charts, o principal perfil responsável pelas ações que levam músicas da cantora ao topo do iTunes.

No Twitter e no Instagram, eles pedem doações por Pix e fãs da cantora enviam entre R$ 1 e R$ 10. Toda quantia arrecada, cerca de R$ 3 mil para cada música escolhida, é transferida para pessoas que vivem fora do Brasil, membros de fã-clubes parceiros ou fãs da própria Juliette.

Fascinante.

Diz a Lei de Goodhart: “Quando uma medida torna-se uma meta, ela deixa de ser uma boa medida.”

A cultura pop virou um oligopólio

A cultura pop virou um oligopólio [em inglês], por Adam Mastroianni na newsletter Experimental History:

Sou inerentemente cético em relação a grandes alegações a respeito de mudanças históricas. Publiquei recentemente um artigo mostrando que as pessoas superestimam o quanto a opinião pública mudou nos últimos 50 anos, por isso, naturalmente, estou atento a vieses similares aqui. Mas esta mudança não é ilusória. É grande, está acontecendo há décadas e em todos os lugares que se olha. Portanto, vamos ao fundo da questão.

[…]

O problema não é que a média tenha diminuído. O problema é que a diversidade diminuiu. Filmes, TV, música, livros e video games deveriam expandir a nossa consciência, levar a nossa imaginação a dar saltos e nos introduzir a novos mundos, histórias e sentimentos. Deveriam nos alienar às vezes, ou nos irritar, ou nos fazer pensar. Mas não são capazes de nada disso se apenas nos alimentam de sequências e “spinoffs”. É como comer miojo toda noites, para sempre: pode ser confortável, mas uma hora ou outra você ficará desnutrido(a).

Dark kitchens, delivery e plataformas digitais

Matéria produzida em parceria com a fogo baixo, uma newsletter independente sobre alimentação, culinária e gastronomia. Toda produção em escala requer simplificação — otimizar processos, reduzir custos, diminuir variáveis, testar fluxos e tornar o processo mais ágil. Mas entre os pontos extremos do modo de produção — o artesanal e o industrial —, existem tantas […]

No varejo brasileiro, vendas via internet já superam as vendas de rua

O varejo brasileiro é digital. Levantamento feito pela repórter Daniele Madureira, da Folha de S.Paulo, a partir dos balanços financeiros de grandes varejistas nacionais, constatou que elas já vendem mais pela internet do que nas lojas físicas:

  • Via (Casas Bahia e Ponto): 59% das vendas no digital;
  • Magazine Luiza: 71%; e
  • Lojas Americanas: 76%.

Apesar disso, as lojas físicas ainda são importantes pela logística, como ponto de apoio e até para emanar confiança aos consumidores. Tanto que, nesse mesmo período, as varejista continuaram abrindo novas lojas físicas.

Esse caldeirão do novo varejo brasileiro ainda tem outros ingredientes importantes, como o WhatsApp, os marketplaces e a pandemia. Via Folha de S.Paulo.

Estava ouvindo os companheiros falarem e fiquei impressionado com a quantidade de gente no celular. Parece que a reunião aqui não estava acontecendo. […] A Gleisi estava falando [em outro evento] e tinha 27 pessoas no celular. Eu sinceramente fico muito puto.

— Luis Inácio Lula da Silva, em reunião na Federação Única dos Petroleiros (FUP), no Rio de Janeiro. E quem não fica? Via Bernardo Mello Franco/O Globo.

Em 2021, brasileiro passou 5,4h por dia grudado em apps de celular — um recorde mundial

A App Annie, consultoria especializada no mercado de aplicativos, divulgou um relatório que apontou o Brasil como o país que mais usa apps do mundo. Em 2021, passamos em média 5,4 horas por dia grudados na tela do celular. O número é 12,5% maior que a média global do período (4,8h) e representa um salto de 31,7% em relação à nossa média em 2019 (4,1h), salto que provavelmente se explica pela pandemia — dos 17 países que lideram o ranking, apenas em dois o tempo gasto em apps diminuiu de 2020 para 2021 (Argentina e China).

O levantamento da App Annie traz outros dados curiosos e números enormes para 2021 (dados globais):

  • Baixamos 230 bilhões de aplicativos;
  • Gastamos US$ 170 bilhões com eles;
  • Dispensamos 3,8 trilhões de horas somadas.

Há ainda dados e insights separados por categorias — e o Brasil se destaca em várias delas, como finanças e games. Via App Annie (em inglês).

Agora eu só uso reações no Telegram 👍❤️💩

Enquanto o mundo contava os minutos para a virada de ano, o Telegram liberou a 12ª e última grande atualização de 2021, que trouxe como destaque elas: as reações. Em um ano cheio de novidades, as reações talvez tenham sido a mais legal.

O Telegram explica que as reações servem para “compartilhar sentimentos e feedback — sem a necessidade de escrever novas mensagens”. Desde que o recurso foi disponibilizado, passei a usá-lo todo dia e o ativei no canal do Manual e no grupo de apoiadores. As reações, de fato, cumprem bem essa função.

Aquelas mensagens curtas de concordância — “ok”, “blz”, “tá bom” — e de reações — “amei”, “que horrível” — podem ser substituídas pelos emojis. Já estava acostumado às reações no Signal, onde existem desde fevereiro de 2020, então não chegou a ser uma novidade, no sentido estrito do termo. Mas foi uma bem-vinda. Algumas estatísticas iniciais do Telegram evidenciam a popularidade das reações, a saber:

  • São 11 reações possíveis: 👍 👎 ❤️ 🔥 🎉 🤩 😱 😁 😢 💩 🤮.
  • Em sete dias (30/12–5/1), +33 mil canais ganharam reações e +25 milhões de reações foram deixadas por leitores.
  • Canal com mais reações é o do blogueiro Nekoglai (@nekogla1). Algumas de suas postagens têm +60 mil reações.

Ao contrário do Signal, que permite escolher qualquer emoji como reação, no Telegram eles são limitados a 11, todos animados. Cabe aos administradores de canais e grupos ativarem o recurso e escolherem quais podem ser usados.

O joinha (👍) tem um apelo extra por ser ativável com dois toques rápidos na mensagem, mas o usuário pode alterar a sua reação rápida nas configurações do app.

E o WhatsApp? Desde agosto o Facebook/Meta vem testando reações no WhatsApp. (A ironia é que o Facebook foi quem popularizou as reações ao lançá-las na rede social homônima, em 2016.) A julgar pelo sucesso que fazem no Telegram, deve ser questão de tempo até as reações estarem em todos os lugares. Via @DicasTelegram/Telegram.

Sua atenção não colapsou. Ela foi roubada

Sua atenção não colapsou. Ela foi roubada (em inglês), por Johann Hari no The Guardian:

Em Moscou, o ex-engenheiro do Google James Williams — que se tornou o mais importante filósofo da atenção do Ocidente — me disse que eu havia cometido um erro crucial. A abstinência individual “não é a solução, pela mesma razão que usar uma máscara de gás durante dois dias por semana fora de casa não é a resposta para a poluição. Ela pode, por um curto período de tempo, evitar certos efeitos, mas não é sustentável e não aborda os problemas sistêmicos”. Ele disse que nossa atenção está sendo profundamente alterada por enormes forças invasivas na sociedade como um todo. Dizer que a solução é apenas corrigir seus próprios hábitos — prometer não usar tanto o celular, por exemplo — é apenas “empurrá-la de volta ao indivíduo”, disse, quando “são mudanças ambientais que realmente farão a diferença”.

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