Em 2021, brasileiro passou 5,4h por dia grudado em apps de celular — um recorde mundial

A App Annie, consultoria especializada no mercado de aplicativos, divulgou um relatório que apontou o Brasil como o país que mais usa apps do mundo. Em 2021, passamos em média 5,4 horas por dia grudados na tela do celular. O número é 12,5% maior que a média global do período (4,8h) e representa um salto de 31,7% em relação à nossa média em 2019 (4,1h), salto que provavelmente se explica pela pandemia — dos 17 países que lideram o ranking, apenas em dois o tempo gasto em apps diminuiu de 2020 para 2021 (Argentina e China).

O levantamento da App Annie traz outros dados curiosos e números enormes para 2021 (dados globais):

  • Baixamos 230 bilhões de aplicativos;
  • Gastamos US$ 170 bilhões com eles;
  • Dispensamos 3,8 trilhões de horas somadas.

Há ainda dados e insights separados por categorias — e o Brasil se destaca em várias delas, como finanças e games. Via App Annie (em inglês).

Agora eu só uso reações no Telegram 👍❤️💩

Enquanto o mundo contava os minutos para a virada de ano, o Telegram liberou a 12ª e última grande atualização de 2021, que trouxe como destaque elas: as reações. Em um ano cheio de novidades, as reações talvez tenham sido a mais legal.

O Telegram explica que as reações servem para “compartilhar sentimentos e feedback — sem a necessidade de escrever novas mensagens”. Desde que o recurso foi disponibilizado, passei a usá-lo todo dia e o ativei no canal do Manual e no grupo de apoiadores. As reações, de fato, cumprem bem essa função.

Aquelas mensagens curtas de concordância — “ok”, “blz”, “tá bom” — e de reações — “amei”, “que horrível” — podem ser substituídas pelos emojis. Já estava acostumado às reações no Signal, onde existem desde fevereiro de 2020, então não chegou a ser uma novidade, no sentido estrito do termo. Mas foi uma bem-vinda. Algumas estatísticas iniciais do Telegram evidenciam a popularidade das reações, a saber:

  • São 11 reações possíveis: 👍 👎 ❤️ 🔥 🎉 🤩 😱 😁 😢 💩 🤮.
  • Em sete dias (30/12–5/1), +33 mil canais ganharam reações e +25 milhões de reações foram deixadas por leitores.
  • Canal com mais reações é o do blogueiro Nekoglai (@nekogla1). Algumas de suas postagens têm +60 mil reações.

Ao contrário do Signal, que permite escolher qualquer emoji como reação, no Telegram eles são limitados a 11, todos animados. Cabe aos administradores de canais e grupos ativarem o recurso e escolherem quais podem ser usados.

O joinha (👍) tem um apelo extra por ser ativável com dois toques rápidos na mensagem, mas o usuário pode alterar a sua reação rápida nas configurações do app.

E o WhatsApp? Desde agosto o Facebook/Meta vem testando reações no WhatsApp. (A ironia é que o Facebook foi quem popularizou as reações ao lançá-las na rede social homônima, em 2016.) A julgar pelo sucesso que fazem no Telegram, deve ser questão de tempo até as reações estarem em todos os lugares. Via @DicasTelegram/Telegram.

Sua atenção não colapsou. Ela foi roubada

Sua atenção não colapsou. Ela foi roubada (em inglês), por Johann Hari no The Guardian:

Em Moscou, o ex-engenheiro do Google James Williams — que se tornou o mais importante filósofo da atenção do Ocidente — me disse que eu havia cometido um erro crucial. A abstinência individual “não é a solução, pela mesma razão que usar uma máscara de gás durante dois dias por semana fora de casa não é a resposta para a poluição. Ela pode, por um curto período de tempo, evitar certos efeitos, mas não é sustentável e não aborda os problemas sistêmicos”. Ele disse que nossa atenção está sendo profundamente alterada por enormes forças invasivas na sociedade como um todo. Dizer que a solução é apenas corrigir seus próprios hábitos — prometer não usar tanto o celular, por exemplo — é apenas “empurrá-la de volta ao indivíduo”, disse, quando “são mudanças ambientais que realmente farão a diferença”.

Metáfora do corpo e da presença

Nossas relações sociais, emoções, experiências e percepções sobre o mundo são constantemente remodeladas por bilionários. Estes delimitam novos espaços a serem habitados, assim como ampliam o repertório do que entendemos como “presença”. Nossos modos de existir, seja em gravidade zero ou a partir da ausência de carne e osso, são atualizados por quem detém recursos […]

YouTube esconderá contador de “não curti” para conter campanhas de assédio

Botões do tipo “não curti” são raros na internet. O YouTube, um dos poucos lugares onde é possível manifestar o desapreço por um conteúdo apertando um desses, anunciou mudanças para desestimular campanhas coordenadas de assédio a canais pequenos e, segundo o YouTube, criar “um ambiente inclusivo e respeitoso” para os criadores.

O botão com o polegar para baixo continua existindo, mas perdeu o contador público. Apenas o(a) dono(a) do canal continuará vendo dados de uso do botão, no YouTube Studio. A novidade foi anunciada após um período de testes, iniciado em março. Segundo o YouTube, a remoção do contador desestimulou abusos.

Não é a primeira grande rede social que detecta problemas decorrentes dos inúmeros contadores de popularidade (e desprezo, no caso) em suas interfaces. Em julho de 2019, o Facebook fez um teste no Brasil e escondeu o contador de curtidas no Instagram. A versão final da ferramenta, lançada em maio deste ano, ficou bem aquém do que era esperado, porém. Via YouTube.

Os estudos do Facebook com feed cronológico e “reação” de raiva

Em 2018, um pesquisador do Facebook desativou o algoritmo que monta o feed de notícias para 0,05% da base de usuários. Os sujeitos do estudo aumentaram em 50% a quantidade de posts ocultados e, com isso, a quantidade de posts de grupos, uma das poucas áreas ainda bem ativas no Facebook, aumentou no topo do feed. As Interações Sociais Significativas (MSI, na sigla em inglês) despencaram 20%. Há anos as MSI são a principal métrica que do Facebook usa para tomar decisões que afetam engajamento e o feed de notícias.

O pequeno grupo também passou mais tempo rolando o feed, o que poderia ser uma boa notícia ao Facebook — mais rolagem significa mais anúncios que significam mais dinheiro —, mas visto que todos os outros indicadores caíram, esse tempo extra não era do tipo que interessa à empresa. “As coisas estão piorando”, escreveu o pesquisador durante o experimento.

A ideia foi descartada, e não é muito difícil encontrar problemas na execução do estudo. O principal, creio, é que embora a organização fosse diferente, essa fatia minúscula da base de usuários recebeu um feed de notícias criado pelos outros 99,95% que continuaram usando o Facebook sob os mesmos incentivos perniciosos. Talvez sejam necessários mais estudos para mensurar direito os impactos de um feed cronológico no Facebook ou em qualquer rede social. Via Big Technology (em inglês).

Outros documentos do vazamento mostram como as reações, que se somaram ao botão “Curtir” em 2016, foram instrumentalizadas pelo Facebook para manipular as emoções dos usuários e, com isso, aumentar o engajamento na plataforma. Em 2017, os emojis de reações eram cinco vezes mais potentes que o “Curtir” para rankear conteúdos no feed de notícias.

Em 2019, cientistas de dados do Facebook confirmaram que posts com muitas reações de “raiva” eram desproporcionalmente mais suscetíveis a conter desinformação, conteúdo tóxico e notícias de baixa qualidade.

A matéria do Washington Post revela todo o caminho das reações — hoje, elas não têm peso algum no rankeamento de posts — e outros artifícios que o Facebook emprega no algoritmo do feed para manter os usuários engajados, mesmo que — literalmente — pela força do ódio.

Como resumiu Frances Haugen, ex-funcionária que vazou os documentos internos do Facebook Papers, falando ao parlamento britânico nesta segunda (25.out), “Raiva e ódio é a maneira mais fácil de crescer no Facebook”. Via Washington Post (em inglês).

O metaverso original

O Facebook acena que o metaverso será a próxima parada para os seus mais de dois bilhões de usuários. No jogo Fortnite, milhões de adolescentes se reúnem todos os dias e, entre um tiroteio e outro, ficam à toa e assistem a shows de artistas como Ariana Grande e Lil Nas X. No Axie Infinity, […]

Curtidas e compartilhamentos ensinam as pessoas a manifestarem mais indignação na internet

O que era apenas uma impressão tem, agora, respaldo científico: curtidas e compartilhamentos em redes sociais condicionam seres humanos a demonstrarem mais indignação na internet.

Pesquisadores da Universidade de Yale desenvolveram um software que analisou 12,7 milhões de postagens no Twitter de 7.331 usuários. Aqueles que receberam mais curtidas e retuítes quando expressaram indignação apresentaram uma tendência maior a repetir tal comportamento em postagens futuras. “É a primeira evidência de que algumas pessoas aprendem a expressar mais indignação com o tempo porque elas são recompensadas pelo desenho básico das redes sociais”, disse William Brady, doutor e pesquisador do departamento de Psicologia de Yale e um dos líderes da pesquisa.

Uma conclusão curiosa é que pessoas moderadas seriam mais suscetíveis à influência algorítmica. “Nossos estudos descobriram que pessoas com amigos e seguidores politicamente moderados são mais sensíveis ao feedback social que reforça suas manifestações de indignação. Isto sugere um mecanismo para como grupos moderados podem se tornar politicamente radicais com o tempo — as recompensas das redes sociais criam um ciclo de feedbacks positivos que exacerba a indignação”, disse Molly Crockett, professora associada de Psicologia e outra líder da pesquisa.

O estudo não visa fazer juízo moral, ou seja, dizer se essa indignação gerada pelas redes é boa ou ruim, mas Molly afirma que ele pode ter implicações para líderes que usam essas plataformas e legisladores que estejam considerando regular as empresas do setor. Via YaleNews (em inglês).

Caminhando para um mundo pós-Facebook

Um(a) anônimo(a) deixou este comentário na última newsletter, a respeito do suicídio de Lucas Santos após ele receber comentários homofóbicos no TikTok (leia a coluna). Achei a reflexão pertinente o bastante para trazê-la para cá. Ah, autor(a) anônimo(a), se quiser o crédito, me mande um e-mail. O texto é de autoria do Thiago Sant’Anna:

“‘(…) cabe ao menos considerar que este talvez seja um problema sem solução.’ No alvo. Enquanto isso não for entendido de verdade, não poderemos caminhar para um mundo pós-Facebook — pelo contrário, vamos mergulhar no mundo do Facebook, o tal metaverso. Principalmente porque a solução ‘saudável’ no contexto atual é parar de se importar com a opinião dos outros, e isso é desastroso para uma sociedade.

Se é importante não deixar a opinião alheia nos dominar, é ainda mais importante valorizar como impactamos o outro, entender como o outro nos impacta, trabalhar as relações humanas, porque isso faz parte de uma vida rica de significado. Só que ser assim num contexto facebookiano, em que podemos ser bombardeados de ódio, é potencialmente fatal.”

Os últimos minutos de tempo livre

Dia desses um leitor perguntou: “alguém aqui, além de mim, está com FOMO1 de podcast?” A massificação do formato nos últimos dois anos foi balizada pelo surgimento de muitos bons programas. Com efeito, ouvir tudo que nos parece interessante tornou-se um desafio por si só e, para muitos de nós, mais uma fonte de desconforto, […]

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