Versão chinesa do TikTok limita uso por crianças a 40 minutos diários

Na China, a ByteDance, dona do TikTok, estabeleceu limites severos de tempo de uso para usuários com menos de 14 anos do Douyin, versão chinesa do TikTok. As crianças de lá só poderão usar a rede social 40 minutos por dia, entre 6h e 22h.

A China está em uma cruzada contra o vício infantil em celulares e internet. Desde 2019, uma diretriz governamental limita o tempo diário que menores de 18 anos podem passar jogando video game.

Em agosto de 2021, a janela de permissão foi revista e agora os chineses menores de idade só podem jogar entre as 20h e 21h das sextas-feiras, fins de semana e feriados.

O problema, com video games e com o Douyin, é como garantir a aplicabilidade das restrições. Se para nós, adultos, não é difícil imaginar formas de burlá-las, imagine para os inventivos adolescentes? Via South China Morning Post (em inglês).

GearBest some da internet

A GearBest, loja de eletrônicos chinesa que exportava para o mundo inteiro e mantinha acordos com youtubers brasileiros, sumiu. O site está inacessível e há indícios de que a empresa dona da marca/loja, a Global Top E-Commerce, está tentando uma recuperação judicial. Via Xataka (em espanhol).

Há poucos anos, a GearBest era popular entre consumidores brasileiros dispostos a importar celulares de marcas chinesas, como Xiaomi e Huawei, devido aos preços baixos provenientes do não pagamento de impostos. A empresa foi pivô do escândalo de youtubers brasileiros que recomendavam esses aparelhos sem mencionar que recebiam dinheiro — da própria GearBest — pelo endosso.

AliExpress traz AliPay e braço logístico ao Brasil

A disputa pelo varejo brasileiro ficará mais acirrada com as últimas novidades do AliExpress. Há poucos dias, o gigante chinês passou a aceitar o Pix como forma de pagamento e abriu seu marketplace para vendedores brasileiros (com foco em pequenas e médias empresas). Agora, o AliExpress anunciou que trará ao país a carteira digital AliPay, em parceria com a Stone e o BTG Pactual, e a Cainiao, seu braço logístico, usando os serviços da Intelipost e dos Correios. Via Mobile Time, LABS News.

Big Tech chinesa entra na mira do governo chinês

No final de 2020, Jack Ma, fundador do Alibaba, desapareceu durante três meses depois que o governo chinês melou os planos de IPO do Ant Group, seu mais recente empreendimento. Dias antes, ele havia feito duras críticas à maneira como o país lida com inovação tecnológica. Via BBC Brasil.

No início de julho deste ano, foi a vez da China promover uma “revisão de segurança” e tirar das lojas de aplicativos os da Didi, a “Uber chinesa”, alegando que a empresa estava coletando dados pessoais dos usuários ilegalmente. Dias antes, a Didi havia aberto capital nos Estados Unidos e levantado US$ 4 bilhões. Após a devassa, o valor dos papéis despencou abaixo do do IPO.  Via Wall Street Journal (em inglês, com paywall).

Nesta segunda (26), as plataformas de delivery entraram na mira do Partido Comunista Chinês, que passou a exigir que elas ofereçam aos entregadores um salário mínimo, seguro e prazos de entrega mais flexíveis, o que fez sumir em dois dias US$ 60 bilhões do valor de mercado do Meituan, o “iFood chinês”. Via Reuters (em inglês), Bloomberg (em inglês).

A exemplo do que acontece no Ocidente, a China também parece preocupada e agindo para conter o poder da sua Big Tech. Enquanto nos Estados Unidos e Europa essas coisas se arrastam por anos e costumam terminar em multa irrisórias, na China a máquina antitruste é mais eficiente. Em pouco mais de seis meses, o governo local colocou rédeas em quase todas as gigantes de tecnologia do país e em outras várias upstarts. É o equivalente regulatório daqueles vídeos acelerados que mostram pontes ou prédios construídos em poucos dias — não por coincidência, também na China.

Huawei lança oficialmente o HarmonyOS, seu novo sistema operacional

A Huawei anunciou nesta quarta (2) o HarmonyOS, seu novo sistema operacional para celulares, tablets e outros dispositivos conectados. Gestado desde 2016, o projeto ganhou uma importância maior depois que a empresa foi proibida de fazer negócios com parceiros norte-americanos em maio de 2019. A medida unilateral do governo dos Estados Unidos impede até hoje que a Huawei use o Android do Google, o que freou o movimento de expansão global da marca. Via Bloomberg (em inglês, com paywall).

Veja os destaques da apresentação da Huawei (em inglês).

O HarmonyOS chega primeiro no tablet Mate Pad Pro e no relógio inteligente Watch 3, ambos anunciados junto ao sistema. Cerca de 100 dispositivos já lançados serão atualizados para o HarmonyOS. A previsão da Huawei é de que o sistema esteja em 200 milhões de aparelhos até o final de 2022.

O visual do HarmonyOS é bastante familiar — lembra o Android, mas com elementos visuais do iOS. Embora a Huawei afirme que se trata de um sistema totalmente novo, análises independentes apontam que o HarmonyOS é baseado no Android. Via Ars Technica (em inglês).

Realme estreia no Brasil com descontos e venda exclusiva pela B2W

Cumprindo a promessa, a Realme começou oficialmente a vender seus produtos no Brasil nesta quinta (7). São dois celulares, Realme 7 (R$ 2,5 mil) e Realme 7 Pro (R$ 3 mil), o relógio inteligente Realme Watch S (R$ 899) e os fones de ouvido sem fios Realme Buds Q (R$ 279). Por ora, os produtos estão sendo vendidos exclusivamente na Americanas e Submarino, com descontos especiais de lançamento e cashback. Via Uol.

Por que a China se voltou contra Jack Ma?

Jack Ma, fundador do Alibaba (dona do AliExpress) e pessoa mais rica da China, entrou na mira das autoridades regulatórias do seu país. Os meios provavelmente divergem (críticas ferrenhas a Pequim pesam no caso de Ma), mas vemos aqui um raro cenário em que norte-americanos e chineses, ou “capitalistas e comunistas”, concordam: o de que empresas monopolistas são ruins e fomentam a desigualdade social. Via Estadão (com paywall).

O preço dos produtos Xiaomi no Brasil é alto demais para seu desempenho. Traremos produtos melhores com preços melhores. Nosso objetivo no Brasil é desafiar a Motorola como fizemos em outros mercados. Já ultrapassamos a Motorola e LG em muitos mercados e em outros já ultrapassamos a Samsung.

— Crystal Gong, diretora de marketing da Realme Brasil A fala acima foi dada a uma matéria que escrevi no LABS News sobre a ascensão das marcas chinesas de celulares na América Latina. Leia-a na íntegra aqui.

Além da ideologia: Operadoras defendem participação da Huawei no 5G brasileiro

As operadoras de telefonia brasileiras estavam tranquilas com a guerra ideológica quixotesca do governo federal contra a participação da Huawei no 5G do Brasil. Cometeram o mesmo erro de muitos: o de acreditar que a loucura cessaria quando a conta ficasse cara. Mas aí não seria loucura, certo?

Acendeu-se o alerta nas operadoras após a famigerada reunião entre diretores da Anatel e membros do Ministério da Comunicação com o presidente Jair Bolsonaro, na última terça (24), aquela que antecedeu o disparate de Eduardo Bolsonaro no Twitter que gerou uma crise diplomática com a China. Agora, o governo prepara um decreto com base em normas recentes do Gabinete de Segurança Institucional que exclua a Huawei sem citá-la, um esquema manjado em fraudes de licitações.

Com a realidade batendo à porta, as operadoras se manifestaram publicamente em defesa da Huawei. E não sem justificativa: algumas estimativas calculam em US$ 200 bilhões o custo de trocar toda a infraestrutura da Huawei em uso no Brasil por equipamentos de outras empresas, sem falar que exclui-la do 5G encareceria e atrasaria ainda mais a chegada da tecnologia. E ninguém, com exceção da ala ideológica do governo federal, quer isso.

Dia desses, por coincidência, li uma bela definição de ideologia escrita por Judith Williamson no livro Decoding Advertisements, de 1978 (tradução livre):

Só é ideologia enquanto não a percebemos como tal. E como ela se torna “invisível”, o que a mantém oculta de nós? O fato de que estamos ativos nela, de que não a recebemos de cima: nós constantemente a recriamos. Ela opera através de nós, não em nós. Não somos enganados por alguém “enfiando” falsas ideias: a ideologia funciona de maneira mais sutil. Ela é baseada em falsas suposições.

Isso ajuda a entender o raciocínio do atual governo, aquele que se elegeu prometendo governar “sem ideologia”.

Os Estados Unidos, a quem o governo federal do Brasil tenta agradar com a oposição à China e outros movimentos de vassalagem, não mede esforços para prejudicar a Huawei sob a alegação — ainda não provada — de espionagem. Que os mesmos Estados Unidos espionavam a presidente do Brasil há menos de uma década, ninguém diz nada. Via Telesíntese (2).

Realme, fabricante chinesa de celulares, prepara-se para estrear no Brasil

A Realme é uma fabricante chinesa de celulares derivada da Oppo, uma das marcas do conglomerado BBK. (É difícil acompanhar a profusão de marcas chinesas na área.) Alguns modelos já passaram na Anatel e no LinkedIn há vagas abertas para o Brasil. Segundo o Valor, a Realme deve estrear por aqui no primeiro semestre de 2021. Apesar dos fã-clubes e da força global (Ásia e Europa), até agora nenhuma marca chinesa conseguiu desvendar o segredo do mercado brasileiro e abalar o domínio que Samsung e Motorola mantêm aqui há anos. Não é por falta de tentativa. Via Valor.

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