Pessoa de sexo não identificado, com cabelo roxo e pele azul, segurando uma xícara de café com vários ícones em alusão ao Manual do Usuário na fumaça e um celular na outra mão. Embaixo, o texto: “Apoie o Manual pelo preço de um cafezinho”.

Brasil fez bonito no segundo r/Place do Reddit

Painel brasileiro do segundo r/Place, com a bandeira e vários elementos da cultura popular brasileira desenhados em pixel art.
Imagem: r/Place/Reprodução.

Na última sexta (1º), o Reddit abriu a segunda edição do r/Place, um experimento social de desenho coletivo: cada usuário só pode postar um pixel a cada cinco minutos e todos precisam trabalhar juntos, pixel por pixel, para criar imagens em uma tela em branco gigantesca.

Teve de tudo: bandeiras, memes, referência a um video game obscuro de 2007. Até a noite de domingo (3), 6 milhões de usuários já haviam desenhado mais de 6 milhões de pixels, formando um enorme mural de pixel art.

Um cantinho do r/Place foi adotado pelos brasileiros do r/Brasil, um dos maiores subreddits do país. (Veja a imagem do topo.) Nele, desenharam a nossa bandeira e vários elementos da nossa cultura: vira-lata caramelo, turma da Mônica, a taça da Copa do Mundo de futebol, o 14-Bis, um capoeirista e o Cristo Redentor usando um chapéu de cangaceiro.

Também rolou uma parceria com a Irlanda, com o Irmão do Jorel e o que parece ser uma garrafa de refrigerante de gengibirra representando o lado brasileiro — ou talvez sejam só as minhas raízes paranaenses se manifestando:

Bandeiras da Irlanda e do Brasil misturadas, com alguns personagens e elementos nacionais ao redor.
Imagem: r/Place/Reprodução.

O trabalho do r/Brasil e de outros subreddits envolveu o uso de scripts e robôs, segundo o Tet, usuário do Reddit e leitor do Manual, que ajudou a coordenar os esforços do subreddit brasileiro pelo Discord.

A coisa engrenou mesmo quando eles descobriram um sistema de código-aberto holandês chamado Commando, que automatizava a inserção de pixels seguindo uma imagem enviada previamente pelos coordenadores. Vários artistas e programadores ajudaram no esforço coletivo.

O r/Place durou apenas quatro dias. No final, o Reddit restringiu a inserção de novos pixels apenas à cor branca, e gradualmente a tela voltou ao estado original. No final, a tela ficou assim.

O primeiro r/Place aconteceu em 2017 e foi idealizado por um tal de Josh Wardle, que você talvez conheça do joguinho-sensação Wordle, vendido ao New York Times e que inspirou clones diversos, como os brasileiros Termo e Letreco.

Quando será o próximo? Ninguém sabe. Via Reddit, Washington Post (ambos em inglês).

O ecossistema de NFTs é um completo desastre

Para quem lê este Manual do Usuário não há nada novo no artigo de Edward Ongweso Jr., na Vice, a respeito do “completo desastre” que é o ecossistema de NFTs, mas vale pescar alguns eventos recentes que explicitam esse desastre. Dois trechos de lá me chamaram a atenção:

Tomemos a OpenSea, o marketplace de NFTs mais popular. Semana passada, a OpenSea limitou o número de vezes que os usuários poderiam cunhar NFTs gratuitamente em sua plataforma, porque mais de 80% dos que foram criados com a ferramenta “eram obras plagiadas, colecções falsas e spam”. Ela reverteu a decisão em 24 horas, porém, graças à choradeira de criadores de projetos NFT.

Do outro lado do balcão, artistas têm sofrido com a apropriação indevida e ilegal de seus trabalhos para a criação de coleções de NFTs:

Para os artistas do DeviantArt, que hospeda mais de 500 milhões de peças de arte digital, o problema ficou tão grave que a plataforma implementou um sistema de alerta de fraudes que procura por NFTs de cópias de obras na blockchain Ethereum. O DeviantArt emitiu 80 mil alertas desde agosto de 2021, duplicou esse número entre outubro e novembro, e viu um novo aumento de 300% entre novembro e meados de dezembro.

O delírio dos NFTs nos levará ao fim do mundo

Fosse vivo hoje, Walter Benjamin teria muito o que pensar e escrever a respeito da digitalização da cultura, de serviços como os de streaming e dos vários modelos de negócio que gravitam a arte, como os NFTs. Na ausência do pensador alemão do século XX ou de alguém mais capacitado, você terá que se contentar […]

Dinheiro por nada

O recente falatório sobre NFTs produziu, em grande medida, muita confusão. Em quase todos os artigos, NFTs são enquadrados como um fenômeno tecnológico incrivelmente complicado que exige uma explicação cuidadosa, em vez de uma blablablá entediante que nos impede de focar. Essa dissonância gera dúvidas. Você pode dizer a si mesmo(a): “Ok, o que entendi […]

Com “quebras silenciosas”, NFTs desvalorizam 70% em um mês

Parece que o nascente mercado de NFTs, ou tokens não-fungíveis, já mergulhou em uma queda aguda. De acordo com a NonFungible.com, site que monitora diversos marketplaces de NFTs, o preço médio dos NFTs despencou 70% do pico de fevereiro. Devido à falta de liquidez dos NFTs, há quem esteja chamando essa queda generalizada de “quebra silenciosa”: em vez de correções diárias e graduais dos preços, NFTs são reajustados vez ou outra, da noite para o dia, em percentuais elevadíssimos. Ouça o nosso podcast sobre o tema. Via Bloomberg (em inglês), Cointelegraph (em inglês).

Detalhes questionáveis da venda do NFT do Beeple por “US$ 69 milhões”

Na última quinta-feira (11), uma arte digital na forma de uma NFT (token não-fungível) do artista Beeple foi vendida em um leilão organizado pela Christie’s por US$ 69,3 milhões, sendo US$ 60 milhões pagos da obra e US$ 9,3 milhões em taxas à casa de leilões. Muito se repercutiu sobre a venda, como se ela fosse um atestado da validade e viabilidade das NFTs, mas a história tem bases bastante questionáveis.

A jornalista independente Amy Castor descobriu a identidade do comprador e revelou as relações espúrias entre ele, Beeple e criptomoedas em geral. A compra, incluindo a comissão à Christie’s, foi paga na criptomoeda ETH. A Metapurse, uma empresa de investimentos em NFTs, é propriedade de Metakovan, pseudônimo que Amy acredita ser de Vignesh Sundaresan, que atualmente vive em Singapura. (A Bloomberg confirmou a ligação entre Metakovan e Metapurse.) A empresa oferece um fundo de NFTs de artes do Beeple, acessível mediante a compra da sua própria criptomoeda, a B20, da qual detém 59% do total. Beeple tem uma reserva de 2% da B20.

A B20 se valorizou quase 6.300% entre 23 de janeiro, quando foi lançada (US$ 0,36), até o pico (US$ 23). Eu não entendo muito de contabilidade e finanças, mas a impressão é de que fizeram todo esse circo para vender uma arte por US$ 69 milhões, porém pagos com dinheiro de Banco Imobiliário a fim de levantar alguns milhões em dólares. Sem entrar no mérito artístico (veja a obra, intitulada “The First 5000 Days”), todo esse esquema tem cara, cheiro e forma de picaretagem. Será que é? Via Amy Castor (em inglês), Bloomberg (em inglês).

Ouça a Wikipédia

Abra este site e aumente o volume. Ele toca um barulhinho toda vez que alguém edita a Wikipédia. O ritmo da versão portuguesa é lento; em uma mais ativa, como a inglesa, as edições formam uma melodia. Visualmente, bolhas coloridas indicam o tamanho da edição e outras características. O código-fonte está no GitHub.

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