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O que eu uso (2022)

O Manual do Usuário é reflexo da minha curiosidade e vivências. Por isso, os produtos e serviços de tecnologia que uso no dia a dia, para fazê-lo e para outros fins, têm um impacto considerável no site. Daí veio a ideia de fazer um raio-x anual do que estou usando, para dar mais contexto ao […]

Apple remove cópias de Wordle da App Store

A Apple passou o rodo nas cópias do Wordle que infestaram a App Store do iOS nos últimos dias — nenhuma delas do criador original do simpático joguinho. Embora, juridicamente, cópias de jogos sejam difíceis de se proteger, as diretrizes da App Store proíbem cópias descaradas na loja. Uma delas em especial, a de Zach Shakked, causou revolta por ele ficar se gabando do crescimento meteórico do jogo e da sua conta bancária — o clone cobrava uma assinatura anual de US$ 30. Via Ars Technica, Bloomberg (ambos em inglês).

Wordle, o original, não é aplicativo, é jogado no navegador. Acesse-o aqui.

Não é a primeira vez que um jogo sensação é seguido por um exército de cópias, mas é raro a Apple interferir de maneira tão rápida e ampla em casos do tipo. O mais infame talvez tenha sido o de Threes, de 2014, que apesar do pioneirismo, acabou desbancado em popularidade por incontáveis clones do tipo 2048 — a única diferença, uso de múltiplos de dois em vez de três.

O marketing macabro do Apple Watch

Quando a Apple revelou o oxímetro presente no Apple Watch Série 6, em setembro de 2020, o fez de maneira elegante (ou precavida), sem mencionar em momento algum a pandemia de Covid-19. Um dos sintomas mais graves da doença é o comprometimento dos pulmões. A evolução do quadro é feita com o auxílio do oxímetro, um pequeno dispositivo preso ao dedo do paciente capaz de detectar o nível de oxigenação no sangue.

Faltou elegância, tato e sensibilidade no último comercial do Apple Watch Série 7, publicado no último sábado (1º). Na peça de um minuto, ouvimos (em inglês) três ligações a serviços de emergência feitas pelo Apple Watch por três usuários do relógio que se viram em situações de vida ou morte: uma que capotou o carro e está prestes a se afogar; um que estava surfando e foi levado pelo vento oceano adentro; e um que caiu e fraturou a perna, sozinho em uma fazenda.

Nenhum ser humano aparece no comercial. Em vez disso, vemos apenas paisagens vastas, etéreas — uma estrada no entardecer, o oceano e um descampado —, que intensificam o isolamento e a sensação de desespero inerente aos diálogos.

Ao final, a Apple diz: “Com a ajuda dos seus Apple Watches, Jason, Jim e Amanda foram resgatados em minutos.”

A mensagem, explícita, é que você pode literalmente morrer sozinho se não tiver um Apple Watch no braço, um produto de luxo, vale lembrar, que no Brasil custa no mínimo R$ 2,6 mil (na versão mais defasada à venda, a Série 3; ou R$ 5,7 mil na Série 7, a mais atual).

É um tipo de marketing macabro, de extremo mau gosto e, o que é pior, enganoso: o recurso milagroso que salvou as três pessoas foi a boa e velha ligação telefônica, coisa que qualquer celular, até aqueles de R$ 100, fazem.

O Apple Watch encontrou sua vocação como dispositivo de saúde, com muitas histórias de consumidores que detectaram problemas cardíacos com a ajuda do relógio. Geração após geração, a Apple inclui mais sensores e cria novos recursos de saúde e bem-estar, e não faz muito tempo passou a posicionar o Apple Watch como monitor para estudos científicos e uso em hospitais.

Não surpreende que, mais uma vez, a indústria proponha a solução de um problema coletivo — a saúde pública, no caso — no campo individual, de modo excludente e lucrativo. Se você não tem dinheiro para um relógio da Apple ou não se interessa por ele, azar. Morra aí sozinho.

As pessoas salvas pelo relógio inteligente, em número reduzido a ponto de poderem ser catalogadas e festejadas em coberturas individualizadas pela imprensa, talvez pudessem descobrir esses mesmos problemas pela via tradicional, com exames regulares, fossem esses mais difundidos e, no caso dos Estados Unidos, mais acessíveis.

E nem entramos na paranoia que o Apple Watch gera. Em um estudo publicado em setembro de 2020, apenas 10% das pessoas que procuraram atendimento médico após serem alertadas pelo relógio da Apple de que havia algo errado com seus corações acabaram descobrindo que de fato tinham um problema cardíaco.

Um ano difícil para a big tech

O roteirista de 2021 caprichou: logo na largada, no dia 6 de janeiro, um bando de lunáticos, insuflados pelo próprio presidente dos Estados Unidos, invadiu o Capitólio numa tentativa explícita de golpe de estado. Não conseguiram, mas deixaram no caminho alguns mortos, centenas de feridos e o mundo atônito.

Relatório de privacidade dos apps no iOS 15.2

A coisa mais legal do iOS/iPad 15.2, lançado nesta segunda (13), é o relatório de privacidade dos apps. (Ele vem desativado por padrão. Entre em Ajustes, Privacidade, Relatório de Privacidade dos Apps e ative-o.) Por ele, é possível ver quais recursos (câmera, microfone, contatos) e quais domínios e endereços IP cada aplicativo usou/trocou informações. Uma mão na roda para detectar comportamentos estranhos e turbinar as listas de bloqueios de soluções como o Pi-Hole.

Outra novidade legal é a liberação do Ocultar Meu E-mail para assinantes do iCloud+, que permite a criação de e-mails aleatórios que direcionam as mensagens enviadas à sua caixa de entrada — parecido com o Firefox Relay e outros serviços dedicados.

Atualização (13h30): O Ocultar Meu E-mail já estava disponível. A novidade é que ele agora está disponível diretamente do app Mail. Valeu pelo aviso, Lacorte!

Aplicativo da Apple para Android alerta a presença de AirTags ocultos

Uma das medidas anti-perseguição (“stalking”) das AirTags, da Apple, é emitir um apito caso uma delas te acompanhe por muito tempo. Boa ideia, mas só funciona com iPhones. Para resolver o problema, a Apple lançou nesta segunda (13) um aplicativo para Android que leva o mesmo comportamento ao sistema do Google. Ideia não tão boa, como explica alguém no Twitter:

Ótimo, agora a Apple só precisa convencer todos os usuários de Android a instalar um aplicativo da Apple para se protegerem de usos maliciosos do hardware da Apple que eles não compraram. Fico imaginando quais os planos da Apple para pessoas que não tem têm celulares.

Via Cnet (em inglês), @imaguid/Twitter (em inglês).

Os melhores apps e jogos de 2021, segundo a Apple

Depois do Google/Android, hoje é a vez da Apple revelar os melhores apps das suas plataformas em 2021. O ganhador na categoria apps é Toca Life: World, uma espécie de ~metaverso infantil da desenvolvedora Toca Boca — que, lembra o TechCrunch, acabou de completar 10 anos de vida. O jogo do ano no celular da Apple foi League of Legends: Wild Rift. Na página da premiação estão os apps e jogos do ano para iPad, Apple Watch e macOS, e apps da “tendência do ano”: aqueles que nos unem. Via Apple, TechCrunch (em inglês).

Veja, também, as listas de apps mais populares (dois chineses no topo da de gratuitos) e a dos jogos (Free Fire segue líder).

Telegram remove emoji animado da berinjela a pedido da Apple

Até poucos dias atrás, havia um emoji animado da berinjela no Telegram. Agora, não mais. Segundo Pavel Durov, fundador e CEO do aplicativo de mensagens, a mudança foi a pedido da Apple, que achou a animação da berinjela um pouco… exagerada: a berinjela se move de maneira sugestiva e depois expele sementes e uma gosma branca na tela.

Não é de hoje que o emoji da berinjela foi ressignificado e passou a representar um pênis. Ninguém havia levado o novo significado tão longe quanto o Telegram, porém.

Digo… veja por si mesmo(a). (Cuidado, pode soar ofensivo.)

Em seu canal russo, Durov disse que a Apple exigiu que o Telegram removesse a animação da berinjela do app, o que foi prontamente atendido. Mas ele não parece satisfeito. Na mesnsagem há uma enquete com duas opções em que ele pergunta qual a melhor saída da inusitada situação:

  • Remover a berinjela 🍆
  • Tirar por completo o Telegram das plataformas da Apple.

Não é o primeiro constrangimento do Telegram envolvendo emojis nem do emoji da berinjela. Em 2015, o Instagram removeu a busca pela hashtag #🍆 devido ao conteúdo impróprio que ela retornava. Em outro momento, o emoji do pêssego, que lembra um bumbum, ganhava um tapa na animação do Telegram. A exemplo da berinjela, ela não existe mais. Via @durov_russia/Telegram (em russo).

Apple anuncia programa para que os consumidores consertem seus próprios iPhones

A Apple, que ao longo dos anos criou todo tipo de empecilho ao reparo dos seus produtos e fez lobby dizendo que permitir que os próprios consumidores consertassem seus iPhones e MacBooks era “perigoso”, anunciou nesta quarta (17) um programa de reparo “self-service”, inicialmente para as linhas iPhone 12 e 13, com a promessa de expandi-lo aos Macs com chip M1 em 2022.

Inicialmente, a novidade focará nos reparos mais comuns nesses celulares, como trocas de telas e baterias, e estará restrito aos Estados Unidos — ao longo do ano que vem mais países serão contemplados.

A Apple oferecerá mais de 200 componentes genuínos em uma loja online, com manuais e ferramentas necessárias para o conserto. Além de comprar esses materiais, os clientes poderão trocar os componentes quebrados por créditos. A Apple diz, porém, que o novo programa “é destinado a indivíduos técnicos com conhecimento e experiência no reparo de dispositivos eletrônicos”, e que à maioria o melhor caminho continua sendo as assistências autorizadas.

O iFixit classificou a novidade como um marco e uma “concessão à nossa competência coletiva”. Apesar disso, a empresa, especializada no conserto de dispositivos eletrônicos e que advoga pelo direito ao reparo, apontou alguns problemas que permanecem, como as travas de software ao uso de partes de outro iPhone e de partes não-genuínas e os preços elevados dos componentes. Não ajuda, também, os projetos hostis da Apple, com seus parafusos proprietários e em excesso e o uso de cola para grudar alguns componentes.

De qualquer forma, é um passo na direção certa e um atestado de como a pressão regulatória funciona. A Apple não está abrindo isso porque é legal, mas sim antecipando-se a leis dos dois lados do Atlântico que deverão, em breve, obrigar as fabricantes a fazerem exatamente o que ela está fazendo agora: permitir que os consumidores possam, por conta própria, consertarem os produtos que compraram. Via Apple (em inglês), iFixit (em inglês).

Facebook desafia Apple com novo recurso para burlar a taxa de 30% da App Store

Isto talvez te surpreenda, mas o Facebook (a rede social) tem um programa de incentivo para criadores, uma espécie de Patreon/Catarse próprio. Nesta quarta (3), Mark Zuckerberg anunciou que os “criadores” participantes ganharão uma nova ferramenta para burlar a taxa de 30% que a Apple cobra de qualquer pagamento feito em apps no iOS (e, de quebra, os 15% do Google na Play Store também).

(A pira dele com metaverso está tão intensa que, de algum modo, conseguiu enfiar o assunto neste anúncio. Em seu perfil no Facebook, Zuckerberg disse que taxas como as que a Apple cobra dificultam desbloquear oportunidades para criadores “à medida que construímos para o metaverso”. Ok?)

Não se trata de uma tecnologia das mais avançadas. Segundo o CEO da Meta, o recurso é “um link promocional para criadores”. Esse link leva o usuário/assinante à web, onde ele pode fazer o pagamento usando o sistema do Facebook, livre de taxas extras (as do pagamento em si ainda são cobradas).

Embora a Justiça norte-americana tenha obrigado a Apple a permitir que aplicativos anunciem meios de pagamento alternativos no iOS, o prazo ainda está correndo — a Apple tem até 9 de dezembro para virar essa chave.

O Facebook também permitirá que os criadores baixem uma lista de e-mails dos seus seguidores e pagará um bônus, entre US$ 5 e US$ 20, para cada novo assinante pago. Via Mark Zuckerberg/Facebook (em inglês), Facebook for Creators (em inglês).

“Sideloading” é o melhor amigo dos criminosos digitais e exigir isso no iPhone seria uma corrida do ouro para a indústria do malware.

— Craig Federighi, vice-presidente sênior da Apple. A fala de Craig, na Web Summit, em Lisboa, Portugal, foi uma resposta à intenção da União Europeia de forçar a Apple a abrir o iOS ao “sideloading”, ou seja, à instalação de aplicativos por fora da App Store. A posição da Apple é, obviamente, influenciada pelo pedágio […]

Recurso do iOS prova que as pessoas se importam com privacidade

Os impactos da Transparência no Rastreamento em Apps (ATT, na sigla em inglês), recurso do iOS 14.5 que obriga aplicativos a obterem o consentimento expresso do usuário para rastrear suas atividades no celular, têm sido grande. Segundo a empresa de publicidade digital Lotame, o ATT custou US$ 9,85 bilhões a Facebook, Snap, Twitter e YouTube no terceiro e quarto trimestres, uma baixa de 12% no faturamento esperado. Via Financial Times (em inglês, com paywall).

Esse episódio joga duas verdades nas nossas caras:

  1. As pessoas se importam com privacidade. Diversas análises apontam que uma ampla maioria, ao ser apresentada ao pedido do ATT, nega que aplicativos rastreiem suas atividades. Pode não ser a maior preocupação de muitos, mas quando a opção é dada às claras, sem pegadinhas, a preferência quase unânime é por privacidade.
  2. Os “esforços” em privacidade que Google, Facebook e outras empresas de publicidade segmentada fazem são, se muito, maquiagens — ou, como argumentei nesta coluna, uma espécie de “greenwashing” da privacidade. Se fizessem diferença significativa, esta seria refletida nos relatórios financeiros trimestrais, coisa que jamais ocorreu.

Recurso de privacidade do iOS impacta faturamento do Snapchat, mas para o CEO, está tudo bem

A Snap, empresa dona do Snapchat, reportou faturamento de US$ 1,07 bilhão no terceiro trimestre nesta quinta (21.out), abaixo das expectativas dos analistas de Wall Street, de US$ 1,1 bilhão.

A culpa pelo desempenho aquém do esperado foi do recurso Transparência no Rastreamento em Apps (ATT, na sigla em inglês) do iOS, justificou o CEO Evan Spiegel.

O ATT, implementado no iOS 14 e tornado obrigatório pela Apple no iOS 14.5, exige que apps que rastreiam o usuário em outros apps e na web obtenham o consentimento expresso dele para continuarem fazendo isso. Sem surpresa, a maioria das pessoas rejeitou tais pedidos, o que tem causado impactos significativos em negócios baseados em publicidade segmentada, casos do Snapchat e do Facebook, por exemplo.

Spiegel disse que, por conta do ATT, “as ferramentas [de mensuração da publicidade] ficaram no escuro”, mas classificou a baixa como temporária, dizendo que “leva tempo” para se adaptar à nova realidade e que o impacto a longo prazo da do ATT ainda é desconhecido. Diferentemente do Facebook e de seu CEO, Mark Zuckberberg, que encamparam uma batalha de relações públicas contra o recurso de privacidade da Apple, Spiegel acha que se trata de uma boa ideia. Via TechCrunch (em inglês).

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