[Review] Optimus G Pro, o phablet amigo da natureza da LG

“Nossa, que grande!” é o que mais se ouve de quem vê o Optimus G Pro pela primeira vez. Lançado no Brasil no final de agosto de 2013, o telão de 5,5 polegadas realmente se destaca, mas há outras qualidades (e estranhezas) neste phablet da LG.

O Optimus G Pro foi anunciado durante o World Mobile Congress, na Espanha, em fevereiro deste ano. Na época, chamou a atenção por ser o primeiro smartphone com o então novo Snapdragon 600, SoC poderoso da Qualcomm, e por trazer diversas características superiores às do Galaxy Note II, da Samsung, concorrente direto na briga de grandões no universo Android.

A demora em chegar ao Brasil desgastou o brilho do aparelho? O que a LG fez para diferenciá-lo dos outros phablets? Com LG G2 e Galaxy Note 3 já disponíveis por aqui, ele ainda é uma boa compra? Tentarei responder essas e outras dúvidas neste review.

Review em vídeo

Amor e ódio com o tamanho

Como é atender uma ligação com um phablet.
Foto: Vitória “Toia” Santos Cruz.

Para meu alívio, o  Optimus G Pro coube em todas as calças e shorts em que tentei colocá-lo. Faltar espaço ali para colocar o phablet era o maior temor antes de receber essa unidade de testes, e um justificável, afinal são 150,2 x 76,1 x 9,4 mm.

Apesar da relação harmoniosa com os bolsos, o tamanho avantajado cobra seu preço em diversas situações. O manuseio com uma mão é difícil, mesmo com os truques de jogar os teclados para um dos lados da tela e as pequenas decisões de design que melhoram a empunhadura — bordas traseiras arredondadas, botões laterais colocados no meio do corpo, em vez do topo, e largura e moldura da tela mais finas. Alcançar o botão home (físico) e os táteis que o ladeia também é um exercício de malabarismo dos mais chatos, com o risco iminente de tocar a base da tela e desencadear algum comando sem querer. Bônus indesejado: a LG substitui o botão de multitarefa do design padrão do Android pelo de menu, e isso afeta a Action Bar de todos os apps. Afinal, para que seguir um padrão se podemos mudar tudo?

Quanto mais cedo se admite que o Optimus G Pro, a exemplo de todo phablet, é aparelho para duas mãos, mais rápida é a adaptação a ele.

Decisões estranhas de design da LG.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Embora tenham nomes parecidos, a LG posiciona o Optimus G Pro em uma categoria diferente da do Optimus G. A desse último seria a linha premium, que privilegia acabamento e design; a segunda, na qual se insere o Optimus G Pro analisado aqui, é a linha desempenho, com foco, também, em ergonomia.

Essa ruptura com o Optimus G, apesar da nomenclatura e visual similares, fica bem evidente quando se pega os dois na mão. O perfil fino, leve e com acabamento envidraçado dele (e do Nexus 4) cede lugar, no Optimus G Pro, ao plástico e soluções ergonômicas, citadas acima, para tornar o uso de um phablet mais natural.

São esforços válidos, mas em termos de design parece um passo atrás. O Optimus G Pro não é selado, ou seja, é possível remover sua tampa traseira e trocar a bateria, algo raro em smartphones topo de linha hoje. O plástico não tem um aspecto barato, parece resistente e tem até uma textura visual de quadradinhos brilhantes similar à dos irmãos com vidro menores, mas o conjunto é, de fato, menos “premium” que nesses outros. Ele também é pesado, com 172 g, embora seja algo esperado para um aparelho tão grande.

Acabamento mais simples no Optimus G Pro.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Bem servido de portas e botões, o Optimus G Pro guarda algumas invencionices legais. O conjunto básico está lá: porta micro USB, microfones (um normal, para falar, e outro para cancelamento de ruídos), botões de volume e liga/desliga e saída de áudio. Ao lado dessa última, começam as surpresas: um sensor infravermelho.

Alguns modelos high-end recentes, como Galaxy S 4 e HTC One, vêm com ele. No phablet da LG, o app QuickRemote pré-instalado permite usá-lo para interagir com diversos aparelhos da casa. Testei com uma TV Samsung e funcionou muito bem. Como é mais fácil perder o controle remoto do que o celular, é um recurso bem-vindo.

O Optimus G Pro vem com um sensor infravermelho.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Na lateral esquerda reside algo ainda mais único, um botão configurável. Por padrão ele ativa o QuickMemo, outro app da LG que, no caso, transforma a tela que está sendo exibida em um caderno de desenhos. Dá para fazer anotações, setas, desenhar, enfim, o que quiser e, depois, salvar o trabalho no Caderno, o app que gerencia essas anotações, ou compartilhá-lo — só faltou uma stylus para aproveitar melhor isso, né? (Outra forma de abrir o QuickMemo é clicando no primeiro slider da área de notificações.)

Nas opções do Android, a Tecla rápida, como a LG a chama, pode ganhar funções variadas, inclusive abrir e servir de disparador para a câmera, como é padrão nos Windows Phones.

Por fim, o LED de notificações é enorme. Na verdade, ele é a borda do botão home frontal, que é grande, logo… Chama a atenção, talvez até demais. Prefiro soluções mais sutis como a do Nexus 4.

Solta o som e desligue as luzes: que bela tela você tem!

Tela fantástica do Optimus G Pro.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Se você precisa de algum motivo para comprar este phablet (ou explicar aos amigos por que comprou um), aposte na tela. A LG talvez seja quem faça as melhores telas de celulares hoje e o Optimus G Pro é o ápice dessa arte: 5,5 polegadas, resolução de 1920×1080, densidade de 401 pixels por polegada, painel IPS. Traduzindo: uma tela estonteante.

Esperta que só, a fabricante ainda inclui alguns vídeos demonstrativos que fazem pulsar a telona. A qualidade dessa tela é assombrosa de tão boa. Graças ao SoC poderoso, lidar com vídeos na resolução nativa, Full HD, não é problema. O que talvez cause um gargalo aqui é o espaço de armazenamento, de apenas 16 GB na versão brasileira (lá fora é de 32 GB), pouco para vídeos de alta resolução. Essa escassez de espaço pode ser remediada com o uso de um cartão microSD de até 64 GB.

A sonzera sai de um alto-falante solitário ao lado da câmera. Não impressiona, no volume máximo se notam distorções bem aparentes, mas na falta de fones de ouvido, quebra o galho.

Por falar em fones, os que acompanham o produto são bem bacanas. Bom isolamento acústico, graves ok e atenção aos detalhes. São feios que doem, mas oferecem boa qualidade sonora.

Desempenho e bateria

O Optimus G Pro tem tampa removível.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Não há muito o que reclamar do hardware do Optimus G Pro. Com um Snapdragon 600 composto por um processador quad-core de 1,7 GHz e GPU Adreno 320, mais 2 GB de RAM, ele voa. Nem mesmo a skin esquisita da LG afeta o desempenho do phablet, que é notável. Ele é rapidíssimo, inclusive em jogos intensivos como Real Racing 3.

A bateria tem 3040 mAh e uma tecnologia que a LG chama de SiO+. Ela acrescenta partículas de silício na composição da bateria que, segundo o site oficial do Optimus G Pro, aumentam sua densidade. O resultado é uma recarga mais rápida e duração estendida de 5% a 25% em comparação a uma bateria similar sem essa tecnologia.

No mundo real, a autonomia do Optimus G Pro agrada. Diferentemente do que 3040 mAh nos leva a pensar, ela não se converte em dias de despreocupação com recarga, como no RAZR MAXX, da Motorola, ou no Honor, da Huawei. A tela provavelmente compromete a bateria, mas não a ponto de torná-la sequer mediana. Dá para passar um dia longe da tomada sem sustos.

O Optimus G Pro é enorme.
Foto: Rodrigo Ghedin.

O aparelho é compatível com bases de recarga da bateria por indução que sigam o padrão Qi — o mesmo que a Nokia usa bastante na linha Lumia.

Câmera

O Optimus G Pro vem com uma câmera traseira de 13 mega pixels, sensor de 1/3,06 polegada e lente com abertura f/2,4. Ela não traz nada espetacular como as câmeras PureView, mas gera resultados satisfatórios e o software se aproveita do poder de processamento do Snapdragon 600 para oferecer diversos truques, uns curiosos, outros úteis.

Anote aí: disparo por voz, captura prévia de imagens (tira fotos antes e depois do disparo para o usuário escolher as melhores), modo panorama VR (igual o PhotSphere do Android 4.2), câmera dupla para fotos e vídeos, modo automático inteligente, focagem manual ou automática (com um incomum slider no primeiro) e estabilização de imagem para filmagens.

A câmera é rápida, as fotos saem boas, considerando ser um smartphone, e enormes na configuração padrão, graças aos 13 mega pixels. Em certas circunstâncias as imagens saem um pouco lavadas e em condições extremas, como cenários naturais com muitas folhas ou outros elementos pequenos em grande quantidade, perde-se um pouco de definição. No geral, porém, as fotos são acima da média, com imagens bem definidas e bonitas. À noite, mesmo com pouca iluminação é possível obter resultados aceitáveis.

Crop de 100% de uma foto em ambiente interno, com iluminação natural:

Droidinho: bem definido pela câmera do Optimus G Pro.
Crop de 100% em uma foto.

O HDR também é legal (lado esquerdo normal, lado direito com HDR ativado):

Comparativo de HDR.
Foto: Rodrigo Ghedin.

E algumas amostras em condições variadas:

Optimus UI

Optimus UI, a skin para Android da LG.

As fabricantes sul coreanas têm certo fascínio pela natureza. A Samsung usa muito esse tema na promoção e inclusão de recursos da linha Galaxy S e a LG, com a nova Optimus UI, também recorre a campos verdejantes, gotas d’água e nuvens no tapa visual que dá no Android.

O Optimus G Pro vem com o Android 4.1.2 profundamente modificado. Dos elementos de interface às opções, tudo passou por um tratamento de beleza. Um tanto duvidoso, diga-se de passagem.

Embora a combinação de hardware potente com anos de trabalho tenha acabado com a fama de lentidão das skins de fabricantes, é difícil superar o trabalho de UI/UX e design do Google — é difícil superar o Android puro. Em alguns pontos a Optimus UI mais confunde do que ajuda e, em termos estéticos, é raro encontrar alguma parte dela que seja mais bonita do que a do visual base do sistema.

Um local emblemático é a área de notificações. Boa parte do espaço dela se perde para atalhos rápidos, os aplicativos QSlide (que flutuam sobre a tela e rodam em paralelo com outro app) e o slider de brilho. Tudo bem que a tela é enorme, mas as notificações também o são e, nessa alteração, quase metade da área destinada a elas é ocupada por elementos intrusos.

Área de notificações do Optimus G Pro.

Outra coisa que incomoda deveras é a preocupação exagerada com RAM, gerenciador de tarefas, administração de apps. Parece um viagem no tempo, de volta aos anos 1990 a bordo de um Windows 98. A LG destina um widget específico para mostrar quanto dos 2 GB de RAM está em uso, criou um app dedicado à administração de apps abertos e coloca, na tela de multitarefa, atalhos rápidos para forçar o fechamento de todos os apps que estão na memória.

De verdade: não precisa de nada disso.

2 GB de RAM sobra para o Android hoje. Fosse em um aparelho comprometido nesse aspecto, com… sei lá, 512 MB, seria compreensível — ainda que o adjetivo “vantajoso” permaneça questionável. No Optimus G Pro, isso tudo é bobagem. O Android gerencia a memória bem e o único efeito que saber quanto de RAM está em uso tem no usuário é o de paranoia ao ver muito dela está ocupada. Normal: memória existe para ser usada, não economizada.

A LG redesenhou profundamente o Android.

As intervenções visuais na Optimus UI são, na maioria das vezes, deselegantes. As nuvens no app drawer, os ícones redesenhados, os seletores dos menus, a animação ao alternar as telas iniciais, tudo é esquisito, parecem partes distintas que não conversam entre si e destoam drasticamente das diretrizes de design do Android que, nos apps (bem feitos), aumentam ainda mais essa sensação de estranheza e distanciamento visual.

Algumas intervenções felizes da LG.

Está tudo perdido? Não. Há coisas para se gostar na Optimus UI. A tela de desbloqueio possui atalhos rápidos bem úteis e os apps QSlide oferecem um workflow multitarefa bastante versátil. O recurso que mantém a tela ativa monitorando o olhar do usuário é bacana, bem como o que pausa um vídeo quando quem o assiste olha para outra direção — infelizmente, esse só funciona no player nativo.

As opções, aliás, merecem um pente fino: várias configurações interessantes ou mal definidas por padrão se escondem ali. Exemplo? O teclado, que por padrão vem com o método swipe de escrita e a correção automática desativados.

Um grande phablet

LG Optimus G Pro.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Como todo bom Android, três meses após ser lançado por aqui o Opimus G Pro, cujo preço sugerido é de R$ 2.099, já pode ser encontrado por menos de R$ 1.600 em lojas virtuais confiáveis. É um preço bem tentador para um aparelho que ainda é capaz de segurar o status de high-end, e que fica ainda mais interessante quando comparado ao seu concorrente direto, o Galaxy Note 3, cujo preço sugerido é de R$ 2.800. Ouch!

Existem poucos motivos para desgostar do Optimus G Pro, mas esses poucos podem ser insuportáveis. O tamanho é o primeiro e mais óbvio: nem todo mundo gosta de andar com um negócio tão grande e destacado no bolso. Colocá-lo no rosto para conversar (ah é, ele faz ligações também, e nada a reclamar nesse ponto) é quase cômico. Em contraponto aos vídeos de tirar o fôlego e joguinhos imersivos proporcionados pela sua bela e grande tela está o tamanho físico, que afugenta quem prefere tamanhos mais manuseáveis e dificulta o uso.

A outra baixa é a personalização do Android. É feia e esquisita, um choque para quem, como eu, está habituado ao sistema puro, como concebido pelo Google. Pelo menos não notei engasgadas ou travadas de qualquer espécie, algo que, no passado (e, dizem, com alguns modelos atuais de outras fabricantes) era um problema crônico derivado das skins de fabricantes. O Optimus G Pro é um foguete.

O Optimuns G Pro não caiu no lago durante a produção dessas fotos.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Apresentam-se como opções de phablets no mercado nacional o Optimus G Pro e o Galaxy Note 3. No custo-benefício, o modelo da LG é imbatível. Além do preço, em termos gerais ele é ótimo. Se phablets forem a sua praia, é um aparelho a se considerar bastante.

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[Review] Asha 501: smartphone barato? Sim, mas com dignidade

Um dos maiores mitos da tecnologia de consumo é o produto de entrada para os “não iniciados”. Um smartphone barato não é apenas um smartphone barato, é também um destinado a quem está vindo de um celular simples, que nunca teve contato com sistemas modernos e seus milhares de apps. É o que dizem, pelo menos, parte da imprensa e parte das fabricantes.

Para mim, isso é bobagem. Se duvida, faça um teste: dê um Galaxy S 4 e um Galaxy Y para alguém que se encaixa nesse perfil e veja com qual dos dois ele se sai melhor. Os entraves que um equipamento de baixo custo impõe ao usuário são contornáveis por quem tem familiaridade com o assunto. Para o leigo, não passam de empecilhos, camadas extras de dificuldade para se fazer o que tem que ser feito com o gadget. Para qualquer um, todos nós, limitações irritantes.

Androids baratos sofrem muito desse problema. A linha Asha, da Nokia, tem por objetivo ocupar essa faixa de preço apostando em características diferentes das dos modelos com Android de mesmo preço. Em vez da infinidade de apps combinada com hardware medíocre, ela mantém essa última parte da equação mas coloca um software adequado ao hardware em que será executado.

Dá certo? É cada vez mais raro justificar a compra de um featurephone. Smartphones low-end estão melhorando e já não é mais impossível achar modelos decentes na faixa dos R$ 500. Para quem não pode pagar isso e não quer um Nokia lanterninha, a única opção é se jogar nesse espaço nem sempre agradável que separa as duas categorias — e torcer para não se arrepender.

A última investida da Nokia na sua linha básica, o Asha 501, chegou ao Brasil no final de julho de 2013. Esse aparelho é, no geral, uma evolução notável do que vinha sendo feito até então — testei um Asha 311 no começo do ano e… não era de se jogar fora, mas mesmo com hardware teoricamente superior, ele fica atrás do novo modelo. Ainda assim, o Asha 501 é suficiente para agradar quem está curto de grana? Você confere a resposta no primeiro review (sério!) do Manual do Usuário.

Vídeo

Óun, que celular bonitinho esse Asha 501!

A repaginada no Asha 501 se nota logo de cara graças ao design emprestado dos modelos mais caros da Nokia, os da linha Lumia. A parte de trás, feita de plástico e com cinco opções de cores, dá um ar jovial e alinhado à identidade visual da empresa. Pena que, no Brasil, apenas as sóbrias opções preto e branco chegaram.

A qualidade de construção é surpreendentemente boa para um produto dessa categoria. A tampa de trás é firme e, ao mesmo tempo, suave ao toque. Ela fica presa com firmeza ao aparelho (muito, até; é um pouco difícil desencaixá-la) e meio que “abraça” o Asha 501. Na frente, bordas grossas ao redor da tela e a presença de apenas um botão físico, o de voltar.

Todas as entradas e saídas do Asha 501 ficam na borda superior.
Foto: Rodrigo Ghedin.

O Asha 501 é econômico em botões e entradas/saídas. Além do botão frontal, ele tem outros três na lateral esquerda — dois para volume, um para ligar/desligar. No topo ficam a saída de áudio, a porta micro USB e uma entrada de energia proprietária da Nokia — desnecessária, já que o aparelho recarrega a bateria pela interface USB também. Embaixo e à esquerda, nada.

Pesando apenas 98,2 g, o Asha 501 não incomoda na mão. Suas dimensões são bem pequenas, exceto na espessura 12,1 mm. Esse tamanho diminuto esbarra, pois, na grossura do aparelho — quase chega a ser mais incômodo no bolso da calça do que smartphones Android e Windows Phone com telas bem maiores.

Asha 501 é um celular dual SIM -- aceita dois chips de operadoras.
Foto: Rodrigo Ghedin.

O modelo analisado possui suporte a dois SIM cards simultâneos. A configuração deles, atrás, é a seguinte: o principal fica embaixo da bateria, logo é preciso removê-la para acoplar o SIM card ali. O outro, bem como o slot para cartão SD (um de 4 GB vem na caixa), fica na lateral do aparelho. Ainda exigem a remoção da tampa, mas não a da bateria — e o mais legal é que além do SD card, o segundo slot para SIM card funciona em modo hot swap, ou seja, não é preciso desligar o celular para que o sistema reconheça um novo inserido ali. Clientes de três operadoras que vivem alternando dois SIM cards devem aproveitar bastante essa facilidade.

Mas essa tela aí…

Quando se liga o Asha 501, a tela joga na cara do usuário o preço pago por ele. Com 3 polegadas e uma resolução baixíssima, de apenas 320×240, não é, nem de (muito) longe, uma tela Retina. Os pixels são bem visíveis e qualquer texto menor tem sua legibilidade comprometida. Que pese a favor, a Nokia foi generosa na interface usando ícones e tipografia grandes para compensar esse problema de resolução.

Brilho e cores (256 mil) são aceitáveis, não incomodam. Não espere fidelidade absoluta, mas perto de aparelhos bem superiores que abusam da saturação, é de se questionar até que ponto a naturalidade da paleta de cores é um ponto positivo ou negativo. Ah, e trata-se de uma tela capacitiva. A sensibilidade aos toques (multitouch de dois toques) não chega perto da de um smartphone high-end, mas perto das resistivas, usada em vários Ashas no passado, é um progresso e tanto.

Tela ruim do Asha 501.
Foto: Rodrigo Ghedin

Não sou do tipo que reclama de ângulos de visão estreitos em celulares, afinal é um tipo de gadget que, salvo raras exceções, se utiliza olhando de frente. A tela do Asha 501, porém, tem um estranho comportamento quando vista da direita: as cores praticamente se invertem, ao passo que em todas as demais direções ela segura a onda, mantendo-as inalteradas. Talvez seja um defeito da minha unidade de testes — na verdade, torço para que seja o caso.

Áudio bacana, câmera horrível, e nada de 3G

Se no vídeo o Asha 501 deixa muito a desejar, no áudio ele mostra um bom serviço. A saída de áudio é mono, fica atrelada ao botão que desengata (dada a dificuldade, parece o termo mais adequado) a tampa de trás do aparelho. O volume é alto, bem alto, e mesmo no máximo praticamente não se notam distorções. O alto-falante para ligações também é excelente.

A câmera simples do Asha 501 não impressiona.
Foto: Rodrigo Ghedin.

A satisfação volta a cair a níveis difíceis de engolir quando passamos à câmera. Com 3,15 mega pixels, não espere muita coisa dela. As fotos saem com um ruído forte, o equilíbrio de branco é pífio e o foco, fixo, inviabiliza a captura ideal de muitas situações. E é bom ficarmos longe do vídeo; a menos que seja um momento muito desgraçado que você queira registrar, a resolução (QVGA, os mesmos 320×240 da tela) e a velocidade (15 qps) são capazes de destruir qualquer registro feliz captado por essa lente.

Confira uma galeria:

A pedrada final é a ausência de 3G. Longe de um ponto de acesso Wi-Fi, o Asha 501 só se conecta à rede da operadora via EDGE, padrão que chega a, em média, 400 Kb/s. E leeeento, mas não chega a ser um gargalo para usuários dos planos pré-pagos nacionais — até dia desses a TIM limitava a velocidade desses clientes a 300 Kb/s –, e… bem, é difícil imaginar alguém capaz de bancar uma conta pós-paga comprando um Asha 501. De qualquer modo, apps de terceiros que usam dados, como Facebook e Twitter, ficam absurdamente lentos quando dependem da rede da operadora.

Software básico, mas competente

O Asha Software Platform 1.0 equipa o Asha 501.
Foto: Rodrigo Ghedin.

O Asha 501 serve de palco de estreia para o Nokia Asha Platform 1.0, primeira versão do sistema que, daqui em diante, será a base desses modelos básicos. Ele é uma evolução bem-vinda do datado S40 que equipava modelos antigos da linha, e apesar de bem diferente, por baixo do capô dá para verificar algumas convenções do passado que ainda resistem, como a ausência de multitarefa — compensada, é verdade, por notificações push para alguns apps principais.

É de se suspeitar que tenha havido algum trabalho de otimização por baixo dos panos. Entrando rapidamente no tecniquês, o Asha 501 tem só 64 MB de RAM e processador desconhecido — a Nokia não revela, mas é bem provável que seja algo bem mais lento, por exemplo, que o de 1 GHz que move o Asha 311. Ainda assim, a fluidez do sistema agrada bastante. As transições são suaves, os dois painéis principais se alternam sem engasgos e apps nativos, com uma ou outra exceção, abrem com velocidade satisfatória e funcionam a contento.

A reorganização da interface foi bem feliz. A Nokia exumou o cadáver do MeeGo e trouxe para o Asha 501 diversos gestos, bem explicados no primeiro uso do aparelho, para navegar pelo sistema, além de umas sacadas elegantes, como notificações na tela de bloqueio e o toque duplo na tela para desbloqueá-la (que nem sempre funciona).

Fastlane e Home, as telas principais do Asha.
Foto: Rodrigo Ghedin.

A interface principal divide-se em dois painéis, o Home, que consiste no grid de ícones/apps tradicionais a la Android e iOS, e o Fastlane, uma central de notificações bombada. Essa última contempla ligações, apps recém-abertos e instalados, mensagens recebidas, fotos tiradas, notas, aniversários e compromissos da agenda em uma linha do tempo em ordem cronológica inversa — os mais recentes, no topo. De muito bom gosto, e bastante funcional. Para alternar entre os painéis, basta deslizar o dedo sobre a tela lateralmente a partir de uma das bordas.

Curiosamente, ainda existe uma tela de notificações na cortina do topo. Ela traz menos notificações (coisas do Facebook, por exemplo), dá informações mais detalhadas dos SIM cards em uso e traz utilíssimos botões para Wi-Fi, Bluetooth, conexão de dados da operadora e modo silencioso. O gesto aqui é como nos outros sistemas (Android e iOS): arrastar o dedo de cima para baixo

O último gesto que sobra, de baixo para cima, funciona em alguns apps e serve para revelar opções estendidas ou o menu principal.

Notificações e botões rápidos na cortina.
Foto: Rodrigo Ghedin.

É fácil acostumar-se com essa dinâmica. São poucos comandos para memorizar e a interface como um todo emana simplicidade. No começo dá para se perder, mas a curva de aprendizado é bem curta. Com algumas horas de uso dá para dominar o manejo do Asha 501.

A oferta de apps é singela. O básico vem coberto de fábrica, com apps para calendário, agenda de contatos, alarmes, música, vídeo, email, navegador (Nokia Xpress), calculadora e gravador, e até uns mais elaborados, como Contadores (para monitorar o tráfego de dados na rede da operadora), uma central de contas em redes sociais, app de notas e um gerenciador de arquivos simples.

Simplicidade é o que norteia e, acho eu, garante o bom funcionamento de todos esses apps. Eles não fazem nada que faça o usuário suspirar e bater palmas emocionado com o progresso tecnológico da humanidade, mas essa auto-limitação tem como aspecto positivo uma experiência confiável. Uma grata surpresa dessa leva de apps nativos é o bom gosto: alguns, como os apps de música, alarmes e calendário, são muito bonitos.

O belo app de música do Asha 501.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Quando apps de terceiros entram na jogada, aí a coisa fica feia. O Asha 501 traz alguns pré-instalados, como Facebook, Twitter, The Weather Channel e joguinhos. Eles são lentos e não têm lá muita preocupação com visual — o do Facebook é o caso mais grave; parece a primeira versão do app lançada para iPhone, lá em 2008. A loja de apps é carente de qualquer coisa relevante hoje, com exceção de Foursquare, WeChat, HERE Maps (sem GPS, apenas com Wi-Fi e triangulação de torres) e, em breve, WhatsApp — uma ausência sentida, especialmente pelo histórico do app em featurephones da Nokia.

Por falar em apps de bate-papo, outra coisa que agrada em cheio é o teclado virtual. Mesmo no aperto das 3 polegadas, ele é confortável de se usar, traz correção automática e a vírgula está disponível de cara, sem precisar segurar uma tecla ou alternar o teclado para outro modo — deveria ser assim no Android, Google.

O grande trunfo: bateria

Mesmo com apenas 1200 mAh, a bateria do Asha 501 dura.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Nokia ainda é, na cabeça de muita gente, sinônimo de durabilidade e autonomia. Não fiz testes de resistência com o Asha 501, do tipo derrubá-lo no chão ou passar com um carro sobre ele (acontece…), mas no quesito bateria ele faz jus à fama da fabricante finlandesa: dura, e dura muito.

A Nokia promete 26 dias em stand by, e até 17 horas de conversação. Com Wi-Fi e rede de dados ligados e se alternando, tirando algumas fotos, usando redes sociais, poucas ligações, email, essa coisa toda que se faz em celulares atualmente, a bateria do Asha 501 chegou ao segundo dia de uso com mais da metade da carga. Não existe smartphone no mercado capaz de fazer frente. E veja que impressionante: tudo isso com uma bateria de apenas 1200 mAh — a média dos smartphones, hoje, gira em torno de 1800~2000 mAh.

Bateria é um dos pontos que levariam alguém a comprar um Asha 501. Para quem precisa passar longos períodos longe da tomada, é uma característica matadora.

Barato sim, mas com dignidade

O pequeno e belo Asha 501.
Foto: Rodrigo Ghedin.

O Asha 501 é simpático. Ele é pequeno, leve e bonito. E barato também: com preço sugerido de R$ 329, já é fácil encontrá-lo bem abaixo disso — na data de publicação deste review algumas lojas ofereciam o aparelho por até R$ 219.

Os pontos fortes desse aparelho são bem claros: autonomia assombrosa, visual moderno e um sistema que se comporta bem, ainda que seja severamente limitado. É um passo além dos celulares de lanterninha, mas uma experiência bem mais simples que a oferecida por um smartphone de verdade.

Eu gostei do Asha 501, mas não me vejo usando um a não ser por necessidade. Para quem é menos exigente, que só quer um celular competente, que passe muito tempo longe da tomada e vez ou outra gosta de dar uma conferida no email, Facebook e Twitter, ele é uma boa pedida — começando pela faixa em que se insere; é difícil encontrar nela concorrentes de marcas conhecidas equiparáveis em recursos e qualidade.

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[Review] Aspirador de pó portátil em formato de joaninha

Sites de compras como DealExtreme e FocalPrice abriram as portas do varejo chinês para o ocidente. Em vez de apelar para lojas de R$ 1,99 ou Ciudad del Este, através dessas lojas virtuais é possível comprar direto da fonte por preços (ainda mais) irrisórios e frete grátis para qualquer parte do mundo.

Quando descobri esses sites, passei a fazer compras regulares lá, quase sempre encomendando produtos engraçadinhos dos quais nem precisava. Ainda bem que essa fase passa, né? Hoje só recorro a eles quando preciso mesmo de algo. Alavancas para os joysticks (maldito FIFA!), cabos que perdi, peças de reposição em geral. Na última compra, porém, tive uma recaída e encomendei um aspirador de pó portátil em formato de joaninha.

Brinquei na entrevista com o Mobilon que esse aspirador de pó tinha sido a melhor compra que fiz em 2013. Não chega a tanto, mas é uma mão na roda, acredite.

Apartamento pequeno + pão = sujeira

Vivo em um apartamento pequeno e adoro pão. Depois de comer, inevitavelmente sobram farelos na toalha de mesa e, nessa, livrar-se deles nem sempre era um trabalho limpo e livre de falhas.

Bater a toalha em uma lixeira de pia exige destreza e uma mira muito boa. No meu caso, farelos caíam na pia e no chão e… vamos lá, eu admito: pode ser bobagem, mas achava isso uma chateação enorme. O aspirador de pó em questão era, portanto, a solução para os meus problemas.

Aspirador de pó joaninha faz pose para a foto.
Foto: Rodrigo Ghedin.

*Toca a vinheta das Organizações Tabajara!*

Visão geral do aspirador de pó portátil em formato joaninha

Este aspirador de pó parece um mouse avantajado. O formato, somado às dimensões (10,6 cm x 8,6 cm x 6,9 cm) e peso (163 g), reforçam a semelhança. Minhas mãos não são muito grandes, mas consigo manuseá-lo com conforto. Ele se encaixa bem e desliza sem trepidações pela toalha.

A construção é das mais simples e, considerando um produto que custa menos de US$ 7 no varejo, frágil. A parte central consiste em um motor movido a duas pilhas AA. Ele fica protegido pela tampa superior, feita de um plástico fino. Na lateral esquerda está o botão de liga/desliga.

Construção simples e frágil do aspirador de pó.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Embaixo fica o compartimento de armazenagem do pó/farelo. No meio, o ventilador que suga eles. Há pequenas hastes distribuídas na base que ajudam a direcionar os farelos para o ventilador central. Ele lida com farelos pequenos e até alguns pedaços maiores, e além de aspirar, o ventilador também atua como um pequeno triturador. Coma um pão francês, que costuma soltar cascas e farelos maiores, aspire e depois abra o compartimento e eles terão sido reduzidos a um pó.

A tampa inferior é mais firme que a de cima, mas não é difícil de abrir — existe uma espécie de presilha na parte de trás que, apertada, permite removê-la sem maiores esforços. A base é bastante curta, então tome cuidado se ficar muito tempo sem limpá-lo. Pode acontecer dos farelos se espalharem caso estejam transbordando.

A base do aspirador de pó portátil.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Nas laterais da peça principal existe uma fina camada de papel, provavelmente para impedir que os farelos saiam pelos vãos. Não é totalmente eficiente, já que é comum ver um pouco deles saindo pelas laterais, e dificultam um bocado a limpeza. É meio nojento deixar essas coisas à mostra, ainda mais que o aspirador de pó, com esse design de joaninha, é vendido também como objeto de decoração. De gosto (bem!) duvidoso, mas isso vai de cada um. A dica, portanto, é não deixar acumular muito farelo ali.

Joaninha em ação

O aspirador de pó portátil funciona bem. Na descrição da loja, é dito que ele se destina a ser usado em mesas para aspirar poeira, cinzas de cigarro, cabelo, borra etc. Coloque nesse “etc” farelo de pão: apesar de não ser citado explicitamente, venho usando-o exclusivamente para essa finalidade há mais de um mês com sucesso.

A operação é muito simples. Existe apenas um botão de liga/desliga, e basta passá-lo sobre os farelos, mais de uma vez, para que ele faça seu trabalho. É um gadget barulhento, como você pode conferir no vídeo abaixo, mas pelo menos aqui, com uma mesa pequena, esse problema é amenizado porque o trabalho sempre é muito rápido.

Custo-benefício: nota 10

Como a maioria das bugigangas que se compra na DealExtreme, não espero que esse aspirador dure muito. A engenharia dele é rudimentar, ao abrir a tampa superior dá para ver como o motor e as pilhas foram colocados de maneira meio desleixada, o plástico é frágil e aquelas cortinas de papel… bem, são de papel.

Mas por US$ 6,20 com frete grátis, por que não? Comparando com meu método antigo de bater a toalha na lixeira, o aspirador de pó portátil em formato de joaninha é mais rápido, mais eficiente e não faz bagunça. Por essa pechincha, é algo que me vejo comprando novamente quando esse quebrar.

Aspirador de pó portátil: ótimo custo-benefício.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Todos os links do aspirador neste post têm código de referência. Isso significa que se você comprá-lo ou qualquer outra coisa na DealExtreme a partir desses links, eu ganho uma pequena comissão. O preço não muda com ou sem código, mas com ele eu faço uns trocado — e você continua sem ver propaganda por aqui :-)

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