Como você encontra (e é encontrado) pela informação na internet de hoje

No Guia Pr√°tico da semana, Rodrigo Ghedin e Jacqueline Lafloufa falam das novas formas de encontrar coisas na internet e da decad√™ncia do Google. Os mais jovens t√™m recorrido a aplicativos como Instagram e TikTok para encontrar informa√ß√Ķes que os mais velhos costumavam achar nos buscadores web. Estamos testemunhando uma mudan√ßa paradigm√°tica nos fluxos de informa√ß√£o no digital?

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Indica√ß√Ķes culturais

  • Jacque: O √°lbum Jagged Little Pill (1995), de Alanis Morissette.
  • Ghedin: O filme Acossado (1960), de Jean-Luc Godard.

Links citados na conversa

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14 coment√°rios

  1. Oi, Rodrigo @ghedin

    Sou revisora e – desculpe – n√£o consegui deixar passar:

    “Os jovens n√£o pensam automaticamente no Google quando precisaM achar alguma coisa.”

    No mais, adoro seu canal e já estou seguindo o Manual no Google Notícias:)

    1. Valeu, Julia! Isso foi num texto ou numa fala minha? √Äs vezes damos uns deslizes e, se √© em texto, d√° para consertar. (Se for em √°udio, a√≠ n√£o ūü•≤)

  2. Como n√£o tenho redes sociais exceto Youtube, √© l√° que busco informa√ß√Ķes al√©m do Google. Principalmente porque tem f√°cil acesso ao APP em SMARTTV/Projetor(uso com a Mi Box) e junto com o SMARTPHONE s√£o os locais onde consumo maior quantidade de conte√ļdo atualmente.

    Eu acho que uma utilidade imensa o que o Youtube se tornou, √© uma janela de conhecimento com tantos usu√°rios gerando conte√ļdo. Existem tutoriais/manuais de todas as coisas, conte√ļdo de hist√≥ria, geo-pol√≠tica, tecnologia, cultural, tem conte√ļdos rasos mas profundos tamb√©m. Imagino que seja pelo fato do v√≠deo associar Imagem/Texto/A√ß√£o em uma menor linha de tempo comparado com texto apenas. Voc√™ consegue mais informa√ß√Ķes em menos tempo ao processar o audio com o visual porque as imagens contam hist√≥rias tamb√©m.

    1. O YouTube realmente tem muita coisa boa, mas tem muuuuuuuita coisa ruim e, o que é pior, uma quantidade considerável de coisas ruins bem produzidas, ou feitas para fisgar a pessoa com algum tempo ali.

      Deixo o algoritmo de recomenda√ß√£o ligado, mas sinto que, com o passar do tempo, ele vai ficando cada vez menos assertivo. Acabo confiando mais nas minhas inscri√ß√Ķes e v√≠deos salvos no ‚ÄúAssistir mais tarde‚ÄĚ. E, claro, coisas pontuais, como os tutoriais ‚ÄĒ esse n√£o tem jeito, geral migrou do texto para o v√≠deo e √© isso a√≠.

      1. Sim exatamente, tem muita coisa disfarçada.

        No final do ano passado, eu me propus a gastar alguns bons minutos (30 por dia) no Youtube, filtrando conte√ļdo que aparecia para mim. Eu navegava na lista de recomenda√ß√Ķes ou resultados de busca e v√≠deo-a-v√≠deo marcava as op√ß√Ķes “N√£o recomenda mais esse canal” ou “Esse conte√ļdo n√£o me interessa” para o que n√£o queria mais receber. Detalhe que eu n√£o tenho nenhuma inscri√ß√£o (n√£o sigo ningu√©m).

        J√° nos primeiros 3 dias notei uma melhoria e mesmo assim continuei o processo, acho que fiz isso por uns 15 direto e at√© hoje fa√ßo quando aparece um canal novo ou conte√ļdo que n√£o me interessa que s√£o inseridos. Isso me colocou em uma “bolha”, mas pra mim deu certo, constru√≠ essa bolha com devido cuidado.

        S√£o poucas recomenda√ß√Ķes que recebo normalmente e raras as indesejadas, algumas aparecem e eu caio por curiosidade no v√≠deo, depois de um tempo eu julgo se clico no bot√£ozinho m√°gico ou n√£o :)

        Mesmo quando fa√ßo uma pesquisa, percebo que o algoritmo entendeu de alguma forma minha prefer√™ncia. Quando quero fugir da minha bolha ou entro em an√īnimo ou coloco nas pesquisas palavras que forcem comparativos, mas eu tomei cuidado para n√£o bloquear conte√ļdo de canais de not√≠cias, assim, as fontes de not√≠cias com credibilidade mesmo com opini√Ķes divergentes aparecem nas pesquisas.

        √Č poss√≠vel ensinar a ferramenta a entender seus crit√©rios, em alguns casos ela sabe mais do que voc√™ mesmo.

  3. sobre guy debord, apenas um coment√°rio em cima do que j√° foi dito:

    o espet√°culo √© o √°pice do fetichismo da mercadoria descrito l√° no primeiro cap√≠tulo d‚ÄôO capital: se o fetichismo √© o processo pelo qual a gente se aliena dos processos sociais pelos quais as mercadorias s√£o produzidas e chegam at√© nossas m√£os (sintetizado na famosa m√°xima de que todos os dias n√≥s nos relacionamos socialmente com coisas e materialmente com pessoas, por mais estranho que isso seja), dotando-as de um car√°ter autonomizado, quase vivo (de ‚Äúfetiche‚ÄĚ), o espet√°culo envolve uma camada a mais de representa√ß√£o (uma acumula√ß√£o de camadas de representa√ß√£o sobre os processos produtivos), pelo qual a gente simplesmente ‚Äúolha‚ÄĚ para a realidade na nossa frente, que simplesmente ‚Äúpassa‚ÄĚ, completamente abstra√≠da.

    por um lado, isso parece muito expl√≠cito quando muita gente se sente surpreendida com aquela foto famosa da Boca Rosa programando suas inser√ß√Ķes di√°rias em stories/reels/etc. ‚ÄĒ afinal, fica a impress√£o de que as pessoas realmente n√£o sabiam de que n√£o se tratavam de inser√ß√Ķes ‚Äúaut√™nticas‚ÄĚ

    POR√ČM

    por outro lado

    fico pensando se a generaliza√ß√£o disso ‚ÄĒ quando TODO MUNDO precisa come√ßar a fazer dancinha no tik tok para trabalhar em suas √°reas (dentistas, m√©dicos, advogados, etc) e n√£o apenas os profissionais da comunica√ß√£o ‚ÄĒ n√£o contribui para romper com a l√≥gica do espet√°culo

    afinal: chega uma hora em que a satura√ß√£o disso tem limite, n√©? Quem ser√° influenciado pelos influenciadores se todo mundo virar influenciador? (ou, dizendo de outra forma: quem sobrar√° para consumir ‚Äúconte√ļdo‚ÄĚ quando todos virarem prolet√°rios-produtores-de-conte√ļdo trabalhando para essas plataformas?)

    o espet√°culo depende da naturaliza√ß√£o das engrenagens por tr√°s dele pr√≥prio ‚ÄĒ e se todo mundo come√ßa a operar essas engrenagens, n√£o h√° a√≠ um caminho para romp√™-las, sendo um pouco otimista?

    1. de todo modo, esse trecho da Sociedade do espet√°culo parece particularmente adequado para instagram/tik-tok:

      A totalidade do trabalho social vendido tornou-se a mercadoria total cuja circulação constante deve ser mantida a qualquer custo. A fim de que isto se consiga, esta mercadoria total deve retornar em forma fragmentada a indivíduos fragmentados que são completamente apartados da operação total das forças produtivas.

    2. √ďtima provoca√ß√£o, Gabriel.

      Eu desconfio um pouco dessa satura√ß√£o porque ela pressup√Ķe (ou sugere, e a√≠ pode ser uma interpreta√ß√£o minha) uma plataforma estanque, que encara seu decl√≠nio sem se mexer. O que, sabemos, n√£o √© o caso.

      N√£o √© √† toa que as mesmas redes sociais continuam hegem√īnica h√° ~15 anos, com o acr√©scimo de uma ou outra pelo caminho. Elas s√£o, hoje, muito diferentes do que eram no in√≠cio, e essas mudan√ßas creio eu se deram mais para manter a experi√™ncia viva, promissora, convidativa, do que por qualquer outro motivo.

      O algoritmo talvez seja a express√£o mais literal disso ‚ÄĒ s√£o as engrenagens que todos sabemos existir e operar, mas que ningu√©m v√™ nem sabe como funciona.

      Outra coisa: a saturação jamais é uniforme. Ainda deve ter gente empolgada e fazendo uma grana com páginas de Facebook. Cada vez menos, mas só porque a promessa de grande alcance e fama e dinheiro migrou para outros (poucos) locais (com os mesmos vícios e incentivos errados do Facebook).

      Tendo a ser bem pessimista nesse sentido.

    3. Interessante a provocação, Gabriel.
      Sobre o √ļltimo trecho – acredito que esse n√£o √© um gargalo (todos serem produtores) porque seremos ao mesmo tempo todos consumidores. Quer dizer, o m√©dico tiktoker produz pra si e consome dos outros, num ciclo de muitos pra muitos que, sei l√°, pode tender ao infinito.

      Difícil acreditar que estamos longe da saturação em termos de modelo sistêmico Рacredito que a saturação vai vir antes da nossa atenção, que estará um caco só no final desse percurso doido. Aposto no Byung-Chul Han pra teorizar o futuro distópico em que vamos viver (ele acredita que estaremos EXAUSTOS, vide a Sociedade do Cansaço)

  4. Jacqueline: ‚Äú‚ÄĒ Hoje eu vou surpreender todo mundo com uma recomenda√ß√£o ainda mais vintage que as do Ghedin.‚ÄĚ

    Ghedin: ‚Äú‚ÄĒ Please, hold my beer.‚ÄĚ

    1. Pois é, tenho que parar de tentar competir com o Ghedin nesse aspecto, o segmento vintage é todo dele :D

      1. Aproveitando a deixa, e em cima do comentário do Ghedin sobre o Acossado (assim como muitos filmes bons) não estar disponível em nenhum streaming, a plataforma do Sesc está com três filmes do Godard disponíveis (um até 16/10, os outros até 16/11) e, o melhor, de graça. Em tempos de streamings cada vez mais caros, o serviço do Sesc é uma ótima pedida pra quem curte um cinema mais autoral. Ou seja, nada de Marvel! (pra seguir no exemplo/piada do episódio).