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Sobre expor-se mais na internet

Neste podcast eu falo que não me exponho muito nas redes, que quando o faço corro o risco de levar pedrada e questiono até que ponto isso — expor-se — é necessário. No final, indico um filme de animação japonês.

Ilustração com uma mãozinha depositando uma moeda em uma caixa com o logo do Manual do Usuário em uma das faces, segurada por dois pares de mãos. Ao redor, moedas com um cifrão no meio flutuando. Fundo alaranjado.

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9 comentários

  1. É contraditório manter um site de notícias e um podcast e ter receio da exposição. Vem com o pacote. Não é preciso expor sua vida ou sua rotina mas é preciso dar a cara a tapa e aguentar as pancadas.
    A internet tornou-se um ambiente agressivo e pouco hospitaleiro, existe uma sensação ambígua de proximidade e anonimidade, por um lado posso expressar-me informalmente e sem constrangimento e por outro estou distante para ser agressivo sem levar o troco.
    Não sei qual o objetivo do site e do podcast, se for qualidade, missão cumprida, se for quantidade é preciso sim a exposição mas entendo sua reserva e “má vontade”. Discutir com os trolls on-line é desgastante e inócuo mas tem que ser feito sob pena da omissão, as vezes algumas palavras a mais podem fazer diferença.
    Eu mesmo pensei muito antes de escrever este comentário, e minha exposição é ínfima comparada à sua.
    É isso aí!

    1. Existem vários pacotes na comunicação. Fosse o Manual um site de hard news, por exemplo, não me seria exigido tanta exposição e desgaste. Não é o caso — tem mais gente melhor financiada fazendo isso, concorrer com eles seria suicídio comercial. O modelo atual do site pede que eu me exponha, seja dando opiniões (o que é ok; encaro as pancadas de boa), seja mergulhando nas redes sociais (não tão ok, visto que não gosto delas).

      Depois de ler todos os comentários e pensar mais sobre o assunto, concluo por ora que faz parte, são os ossos do ofício, e que deverei continuar levando até o ponto em que aguentar.

      Valeu por se expor e mandar esse comentário, Juarez!

  2. Primeiro “Guia Prático” que escuto este ano. Na verdade não sou um consumidor de podcasts, a sensação é que tenho alguma implicância com o formato (eu era mais acostumado a escutar as rádios e o “hot news” que se passa – como moro na capital paulista, peguei o costume de escutar a “Rádio Trânsito”, dado o jeito que a rádio tem de falar com as pessoas e o fato de ela ser temática – apenas lida com o trânsito, algo mesmo indiretamente interfere com minha vida de usuário de transporte público).

    Modo frase de coach ligado
    Ghedin, se me permite uma dica: seja você mesmo e pronto, acabou. Acho que é isso que cravou parte do seu espaço até hoje e quanto mais tu encucar, menos tu vai crescer. Sei lá.

    Posso estar errado, o que digo agora é palpite puro, mas acho que o mal que lhe (e me) acomete é o fato de ficar(mos) temeroso(s) com a exposição.

    No mundo do capital, a pessoa tem valor. Se expor é um valor. A pessoa, seja o Rodrigo Ghedin, o Vagner Abreu aqui que vos digita, o Paulo Pilotti, etc… tudo tem valor (sim, estou sendo contraditório em relação ao papo que tive com vocês lá no Post Livre).

    Eu me renego em valor pois tenho meus traumas, dilemas e problemas que resolvo na terapia ou no papo com os (poucos) amigos que tenho offline, e também as vezes quando jogo estes problemas no online.

    Noto que estar online e querer ganhar algo no online É SE EXPOR. Mesmo que pouco, é colocar o “você” para fora de uma redoma que te protege. Não tem como.

    No caso da reação do twitt, e tentando refletir neste ponto do “se expor”, a arma de alguns – geralmente dos já expostos, é por o “outro” como negativo. Expor é ser posto em uma espécie de “leilão” – a pessoa é feia, bonita, inteligente, burra, sabe A-B-C mas não sabe D, é referência em F, etc…

    Sempre estamos em julgamento próprio ou alheio. Não tem como.

    A sua postura, ao meu ver, e já pedindo perdão pelo julgamento de antemão, é que você sempre é a pessoa que vai tentar ser a ponderada da história – pega os fatos, analisa e coloca na balança os erros e acertos. Soma-se agora com seus conhecimentos em direitos humanos, tecnologia e privacidade, então sua postura hoje para muitos soa esquisita, “mais à esquerda”, mas na verdade soa ponderado, pois sua base de equilíbrio é evitar o abuso ao excesso de exposição, de combate ao uso indevido do exposto alheio.

    E isso é legal, é uma postura na verdade bem fora do comum em relação a boa parte do jornalismo de tech, e quando não, do resto do jornalismo também. Soa “hippie” no sentido de “o cara descolado que quer sair fora do sistema”, mas sinto que você é o primeiro a ver que o barco está aos poucos se afundando nos próprios furos que seus capitães criaram – no caso todo o discurso de “privacidade” que as grandes empresas criaram, e que hoje é questionado. Seu senso de ética já lhe permite também julgar melhor, mas a sensação é que você busca aconselhar ao invés de apontar dedos.

    Muitas vezes nós (eu incluso) é que se sentimos incomodados pois quando aconselhado a mudar algo que está já acomodado e confortável, obviamente a reação acaba sendo prejudicial.

    Enfim, falei demais, fica uma sugestão para você estudar para os futuros Guia Prático.

    Sempre pensei em fazer um podcast baseado em uma conversa de Whats, ou melhor e aplicando no seu caso, no Telegram.

    O que acha de convidar alguém para conversar contigo, seja um leitor, preferencialmente um assinante ou colaborador, isso lá no Telegram e transformar isso em um Podcast?

    Bem só pus uma minhoca na cabeça agora.

    Sucesso sempre Ghedin. E perdão qualquer coisa aí.

    1. Disclaimer: não sei como funciona o cache de imagens do MdU, mas eu pensei que ia cair meu novo avatar do Gravatar. Tá o Yaguchi (da série High Score Girl) ainda no lugar do cãozão da série Spy X Family). Como tenho dois emails cadastrados, pode ser que este agora venha com o avatar correto

    2. Valeu, Ligeiro! Acho que “ser eu mesmo e acabou” é impraticável. Isso fecharia muitas portas, magoaria muita gente e, no final, não teria resultados positivos — ao menos, não que eu consiga antecipar. A gente vive cedendo, faz parte da vida e não acho ruim; meu problema é determinar o ponto em que algo que gosto de fazer (este site) passa a exigir muito outro algo de que não gosto (expor-me) para ser viável.

      Pretendo sim trazer convidados para o podcast!

      1. Quando falo “ser você mesmo”, sei que é difícil ser a pessoa agradável a todos. Nem eu sou – sou um chato pra caramba pessoalmente. É aquela coisa de “vestir máscaras”, que terapeutas e “coachs” vivem a falar. Mas enfim, sinto que tu é tu mesmo :3

        Dos convidados, dei a sugestão mais pela montagem, para ver se isso não compensaria para criar uma forma diferente de construir um podcast. Alguém pode por exemplo estar interessado em já atuar contigo para outros podcasts, aí ao invés da agenda de sentar e gravar como um podcast normal, tipo, ir gravando “em gotas” no sistema de mensagens e depois montar. Dá um pouco mais de trabalho, mas acho que ajudaria a criar um perfil diferente. Como falei, botando minhoca na cabeça :)

  3. Sobre filmes do estúdio Ghibli: recomendo Princesa Mononoke e Nausicaa do Vale do Vento (esse último foi meio que antes mesmo de virar um estúdio de fato, se não me engano), são mais maduros em termo de reflexão e uma pegada mais adulta, tanto os próprios personagens como os acontecimentos e provocações das histórias. Mas também gosto muito desses que você falou.

    Sobre a questão da exposição, também é algo que tem sido um dilema pra mim nos últimos semestres. Uma vez li no Medium um artigo do Yancey Strickler, acho que era algo como The Dark Forests of the Internet, e nele era debatida a tendência das pessoas estarem se reunindo novamente em comunidades menores e mais seguras dentro da Internet, como os próprios grupos de Facebook que deram uma certa intensificada. Coincidentemente, descobri o Manual do Usuário hoje por conta de um tweet que você fez respondendo ao de um jornalista que anunciou a saída de lá e a migração dele pro Mastodon, você divulgou um conteúdo postado sobre essa plataforma e achei interessante o suficiente pra consumir mais artigos aqui. Bom, meu ponto é questionar o quão necessária é a exposição nesse sentido de estar vulnerável à toxicidade das redes sociais, porque também não podemos nos esquecer do conceito de comunidade. Como profissional da área de comunicação social e marketing, tive experiências e leituras suficientes pra entender como fato que, tanto quanto conquistar, reter e fidelizar seu público é importante. Na minha opinião, é a essência de projetos saudáveis, uma vez que as pessoas dessa comunidade indicam por espontaneidade para outras que possam se interessar. Só aí você tem uma divulgação gratuita, com o reforço da credibilidade e experiência de quem indica e atinge pessoas dentro desse filtro que é o perfil de quem acompanha o Manual. É o que acontece no escritório que trabalho: a presença digital é mais focada em estar presente, existir na rede, expor o trabalho sem doar tanta energia em números grandes de conversão, pois o maior fluxo de prospeção vem de indicações de clientes ativos ou antigos. Dentro das minhas primeiras impressões, aqui me lembra o The Creative Independent, um site gringo com a mesma pegada: conteúdos mais extensos que sejam úteis, reflexivos e inspiradores. Desde que acessei pela primeira vez, virou um hábito meu consumir o que tem lá com uma boa frequência semanal, bem como acompanhar os artigos que saem pelo Insta deles. Ainda sobre o artigo do Yancey, acho que nele fala sobre aprendermos a filtrar e frequentar lugares saudáveis na Internet. Essa metáfora me abriu um pouco o olho sobre se sentir bem para ter uma vida online e se expor na rede, para rever hábitos digitais e reavaliar minhas intenções em cada uma delas, tal como evitamos ou propomos mudança em locais e situações que sabemos que podem ser nocivos no mundo físico. Enfim, não tenho um posicionamento super concreto ainda, mas quis levantar essa questão da comunidade, da indicação e de que talvez existam vários outros caminhos melhores e menos desgastantes para existir e interagir no lado virtual :)

    1. Seja bem-vindo e obrigado pelo comentário, Eduardo!

      Li esse artigo da floresta escura quando foi publicado e o achei inspirador. O Manual do Usuário é uma tentativa de criar uma comunidade saudável; cada vez mais acho que esse objetivo está diretamente ligado à atenção que se dispensa ao ambiente e à quantidade de membros. Por isso, estou ciente e tranquilo de que este site jamais será um campeão de audiência. Se um dia virar, terá se transformado em outra coisa.

      Por mim, eu só publicaria no Manual e daria uma banana às redes sociais. Gosto de acompanhar amigos e pessoas que acho admiráveis nelas, mas é preciso fazer tanto malabarismo para fugir das toxinas que nos atinge simplesmente por estar nessas redes que sempre me questiono se vale a pena. Essa é parte do problema. A outra, que comentei no podcast, é que sou reservado, do tipo que não gosta de se expor. Fiz uma breve viagem no Carnaval, por exemplo, e acho que só minha família soube detalhes do tipo aonde fui, com quem e fazer o quê. (Quem me segue no Mastodon ganhou uma pista que não responde a nenhuma dessas perguntas, hehe.)

      Às vezes acho que eu “funcionaria” melhor em um cargo de bastidores, que não me exigisse tanta exposição direta, sabe?

      Enfim. Apesar dos desgastes, gosto e acho importante o que estou fazendo aqui no Manual. Acho que a modulação ainda não é a ideal, mas aos poucos vou encontrando a frequência certa do expor e reservar-me.

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