[Podcast #36] Uma breve conversa sobre o Marco Civil da Internet


30/3/14 às 19h27

A aprovação na Câmara do Marco Civil da Internet levou um tempão para se concretizar, mas parece que as discussões acerca do tema estão longe de acabar. Eu (Rodrigo Ghedin), Paulo Higa e Joel Nascimento Jr. nos sentamos para falar de alguns pontos importantes do projeto de lei, como a neutralidade da rede.

Se preferir baixar o arquivo MP3, clique aqui.

Música: Cooking Up Something Good, do Mac DeMarco.

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12 comentários

  1. A visão de muitos sobre o que é a internet, é como se fosse vários canos de água interligados, levando água dos servidores até a casa das pessoas. Tá, é na verdade uma mão dupla, mas acho que dá para pegar por aí como as pessoas entendem e o porque de tratar a neutralidade para todo e qualquer pacote TCP/IP ou outro. É uma “torrente” de informações, e controla-las, represa-las, é ruim.

    De fato, considera-se que certos pacotes já represam (como no caso citado de alguém usar um vídeo na rede, prejudicando a conexão restante), mas bem, sinceramente não consigo pensar em uma resposta com solução pronta para isso. Talvez os estudos de novas tecnologias de codificação, assim abaixando o peso do vídeo…

    Mas peraí, vocês falaram que o tráfego de torrent é apenas uns 3% do consumo de largura total… porque um sistema como o p2p dos torrents consegue essa façanha, sendo que muitos arquivos compartilhados são do tamanho dos arquivos de vídeo? Seria justamente pelo layout de transmissão de dados que o p2p tem e com isso consegue transmitir mais dados com menor impacto na rede como um todo?

    Fico pensando nas possibilidades futuras de conexões entre pessoas: redes “mesh”, backbones do governo (como prometido em um projeto onde ligaria redes de fibra ótica pelo país), enfim… formas de não ter preocupação com a falta de largura de banda disponível.

  2. Excelente podcast!
    Na minha visão o marco civil da internet acabou virando um discussão de ideologias e partidos, deixando de lado questões de infraestrutura de comunicação. Não sou favorável a regulamentação da internet, principalmente pelas autoridades daqui desse país, mas acho sim que esses pontos devem ser discutidos para melhor os serviços que temos.
    Anatel que deveria regulamentar os serviços de comunicação, não é lá muito eficientes se formos olhar a qualidade dos serviços que as empresas nos oferecem. Acho que isso é o que deixa as pessoas com mais receio sobre o Marco Civil.
    Acho que a iniciativa de melhorar os serviços tem que partir das empresas e principalmente dos consumidores, e não somente de leis.

    1. Fernando, o marco civil da internet foi feito justamente pelo povo essa era justamente a reclamação sobre as alterações que o congresso estava propondo. A Anatel faz a parte dela como meio entre a sociedade e as empresas prestadoras de serviço, acho que vc por exemplo não fez o cadastro no site http://www.brasilbandalarga.com.br/ para que eles possam cobrar a sua prestadora de serviço.

      1. A Anatel é um órgão regulador do governo que intermédia o próprio governo, os operadores e a população. Ou deveria intermediar…

      2. Alex ainda continuo achando que todas as questões devem ser bem mais discutidas, muitos pontos ainda apresentam muitos questionamentos, com diferentes visões de profissionais de T.I., e não por qualquer indivíduo sem conhecimento, ou, com visões ideológicas e políticas que infelizmente estamos vendo.
        Quanto a Anatel, ela é uma agência reguladora do governo. É ela quem regulamenta os serviços de telecomunicação e as empresas, sendo inclusive a responsável por muitas das coisas que impedem a concorrência juntamente com o governo, criando muita burocracia e autos custos para empresas de menor porte. Esses são os principais motivos de se ter pouca concorrência e assim, serviços de qualidade inferior.

        1. Só uma coisa para ficar bem clara: tudo isso que se faz, quando se fala no debate (que deveria ser mais um bom diálogo) do Marco Civíl é de fato política. Quando você (e eu) coloca seu comentário aqui, também se faz política. Também se bota um pouco de ideologia, de conceitos próprios.

          O que noto é que os profissionais em TI não se organizam realmente como se deve para poder falar “olha, tal coisa não vai dar certo”. Na verdade, há um “racha” dentro deste grupo, já que muitos profissionais veem que realmente a deixa da “neutralidade da rede” nas mãos das operadoras é similar a deixar que a Sabesp (ou insira sua empresa de águas aqui) controle o que vai colocar na água de qualquer jeito. Para muitos, as redes que formam a internet é como canos de água, e não deveriam ser mexidos já que interferir nos pacotes transmitidos é de certa forma interferir até em um pouco da privacidade.

          O que noto é que quem é contra a defesa da neutralidade da rede usa argumentos técnicos demais, difíceis para um leigo comum fazer um entendimento melhor. Mais fácil defender um argumento claro para um leigo do que um argumento técnico e ruim de entendimento a um leigo.

          Isso mostra um dos principais problemas com os profissionais de TI: tentarem repassar ao usuário comum as situações e condições, de forma clara e simples. Por isso inclusive que infelizmente gera conflitos entre profissionais e usuários… :\

          1. Concordo que nos de TI não sabemos nos comunicar e isso só vai mudar quando todos tiverem um ensino básico de informatica que informe e ensine do que a rede é feita e não somente como utilizar o Windows, mas bom se fosse se a gente só não soubesse falar sobre TI a gente não sabe nem falar de politica e muito raro interpretar um texto…
            Esse debate sobre o marco civil ficou online e em eventos abertos durante quase 5 anos e aí resolveu a falta de informação?
            Acho que nós brasileiros como um todo estamos mau acostumados e esperamos sempre a informação vir e ser confortável para o nosso entendimento(além de arrogantes de não assumir isso)
            a maior parte de nós evita de todas as formas tomar um partido/ideologia politica não por falta de conhecimento mas por falta de buscar a informação.
            A internet como meio de distribuição tem preceitos democráticos e qualquer distinção quanto ao acesso é muito perigosa, para isso eu faço um paralelo com a saúde no país, toda a empresa que se preze tem que dar aos seus funcionários um plano de saúde e quem tem esse plano passa na frente no atendimento hospitalar, pois a maior parte dos hospitais privados tem convenio com o SUS e a parcela da população que não tem esse plano de saúde fica a esquerda na preferencia e sofrendo, é isso que eu enxergo quando uma empresa como a Oi fala em internet 0800 e o governo fala em internet de graça, caso haja um limite para o que irá trafegar existirá uma fila de pessoas buscando informação que ficará esperando enquanto aqueles que chegaram depois e tem uma condição financeira melhor passam na sua frente.

      3. (em resposta ao outro comentário)

        Um ensino básico que fale sobre a rede não significa que vamos ter no futuro pessoas que entendem de informática por completo. É meio que “impossível” ensinar tudo a uma pessoa e esperar que a educação, neste molde, seja a solução dos problemas é deixar meio classista a discussão. Boa educação orienta as pessoas, não as molda.

        Mas de fato, algumas coisas que você disse não estão corretas: Existem estudos justamente para transformar a informação em algo mais plausível às pessoas comuns. Ou você entende tanto de corpo humano quanto um médico? Ou tanto de química quanto um químico? Pessoas vão atrás de informação que sejam absorvíveis por elas. Quem quer se especializar, se especialize.

        Esse é o grande mal do pessoal de TI: muitos esperam que o usuário seja tão conhecedor dos termos quanto ele. Não é assim. Médicos não esperam que a pessoa saiba o que é “Fator Rhesus” (nem eu sei). Profissionais de TI não deveriam esperar que a pessoa saíba o que é “protocolo TCP/IP”. Não é a toa que os melhores sistemas de computadores são aqueles “invisíveis” ao usuário. O cara só mexe no que quer. Não precisa mexer debaixo do capô.

        Mas ao mesmo tempo, em partes você está certo: existe um comodismo por todos em esperar os resultados das discussões. E muitas coisas acontecem em um último momento.

        1. Não acho que devemos saber o que é um protocolo TCP/IP nem o que é um bit e um byte, mas acho que assim como a gente tem na escola o que é o Fator Rhesus nas aulas de biologia, por mais que a gente não lembre, e o que é um coração e um rim e sabe como ele funciona deveriamos aprender o que é a internet,o sistema operacional, e a história disso para que isso seja a base e somente isso, fiz um ano de geografia descobri que geografia não era bem aquilo que eu aprendi na escola e isso me serve como base para achar que sim precisamos ter uma base de informatica e muito mais urgentemente de lógica dentro da matéria de matemática.

          1. A base da informática é a mesma base da eletrônica. Teria que ter um ensino voltado a isso então.

            Na verdade, existe uma discussão à parte que se pergunta o que realmente deveríamos colocar como educação para as pessoas, ou se deve ser imposto, como hoje.

            Como você disse, as pessoas aprendem certas coisas (como o Fator Rhesus) na escola, mas esquecem completamente. Ensine informática durante o período escolar e ficará a pergunta: quem vai se lembrar depois de como é o ensino, sendo INCLUSIVE que as tecnologias mudam com o tempo. TCP/IP é um padrão atual, mas nunca se sabe se amanhã tal padrão muda, lembrando que hoje já temos o padrão 6. Se hoje digitamos http://www., que vira os números, vai saber se amanhã apenas precisaríamos digitar o nome de algo que em seguida já apareceria na tela.

            Muito do que nos fora ensinado nas escolas hoje inclusive se questiona, inclusive em História, já que por exemplo dizem que não se fala tanto em ditadura nos livros; quanto em Geografia, e em outras matérias. Imaginem os professores de português “puxando cabelo” com as novas regras de escrita.

            Enfim. Penso que certas coisas devem ser é oferecidas, e a pessoa toma para si o direito de saber mais ou se omitir. Tenho raiva quando aparecem pessoas que dizem até que “Para mexer em computador deveria ter habilitação”, como se um papel e uma hierarquia fossem necessárias para comprovar que a pessoa sabem algo.

            Ensinar informática, sim. Obrigar o ensino e complicar as coisas, NÃO.