[Podcast #33] Bitcoin: o que é, quanto vale e como ganhar

Não é de hoje que o Bitcoin aparece no noticiário de tecnologia e, às vezes, até no convencional. A cripto moeda é diferente de todas as outras que já existiram e só por isso já seria passível de atenção.

Mas há mais aspectos dela que merecem ser comentados. Da forma como ela funciona, auto regulada, descentralizada e sem vínculos com governos ou instituições bancárias, às recentes polêmicas envolvendo o Mt. Gox, maior casa de câmbio de Bitcoins do mundo, e a identidade de Satoshi Nakamoto, o criador da cripto moeda, chegou a hora de eu (Rodrigo Ghedin), Paulo Higa e Joel Nascimento Jr. abordarmos o tema aqui.

Dê o play aí e, depois de ouvir o programa, deixe seu comentário ali embaixo. Se preferir, baixe o arquivo em MP3.

Novidade: está oficializada a entrada do Manual do Usuário na rádio UEM FM, de Maringá. Ainda falta definir o dia e horário; quando esses detalhes forem acertados, avisaremos por aqui e nos canais sociais do blog.

Música: Primitive, do Real State. Foto do cabeçalho: Antana/Flickr.

O Manual do Usuário é um blog independente que confia na generosidade dos leitores que podem colaborar para manter-se no ar. Saiba mais →

Acompanhe

  • Telegram
  • Twitter
  • Newsletter
  • Feed RSS

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

12 comentários

  1. Qualquer coisa pode ser usada como dinheiro, mas não é uma escolha individual, mas da sociedade.

    Durante a história da humanidade várias coisas já foram usadas como dinheiro, sendo algumas bastante exóticas: ouro, prata, sal, vacas, trigo, etc. Para que algo possa ser usado como dinheiro, essa coisa tem que cumprir 3 funções:
    – ser reserva de valor
    – ser unidade de conta (ou de referência)
    – ser intermediária de trocas
    A última é a mais fácil de entender: serve para facilitar as trocas. Sem o dinheiro, se eu sou um alfaiate, por exemplo, e quero alimento, tenho que encontrar um produtor do alimento que eu quero e que esteja interessado em trocar seus alimentos pelas roupas que eu faço. Fica um pouco complicado… Usando o dinheiro como intermediário fica fácil porque todo mundo aceita o dinheiro em troca dos seus bens ou serviços.
    Para ser reserva de valor o dinheiro tem que manter o seu poder de compra através do tempo. Por aí fica fácil de entender como a inflação elevada destrói o dinheiro. No Brasil, na época da hiperinflação, os supermercados lotavam no dia de pagamento porque se esperássemos para comprar depois de alguns dias já compraríamos menos.
    Por último, o dinheiro serve como unidade de referência à medida em que reconhecemos o valor de alguma coisa expressa em unidades do dinheiro e não em outra unidade qualquer. Se me dizem que uma máquina xyz custa 3 toneladas de bauxita não processada, vou continuar sem a mínima noção de quanto vale a máquina xyz. Agora se me informam que a máquina xyz vale R$ 2.300, fica claro pra mim o quanto vale essa máquina.

    Recapitulando, qualquer coisa pode ser dinheiro se cumprir essas três funções e isso independe de governo. Um exemplo é as “moedas de vila” do Nordeste, citados pelo colega no comentário acima. Se elas cumprem essas 3 funções, elas são dinheiro, mesmo que o governo não as reconheça. Por outro lado, mesmo um dinheiro oficial do governo pode não ser reconhecido como tal pela sociedade. É o que ocorre em momentos de hiperinflação, que já ocorreu em vários momentos da história em vários lugares. No Brasil mesmo, mais ou menos a partir de 1985 até 1993, o país passou por um processo de inflação crescente que estava destruindo o dinheiro brasileiro, fazendo com que a nossa moeda (cruzeiro, cruzeiro novo, cruzado, etc) não fosse reconhecido como dinheiro pela nossa sociedade. Lembro de um mês (o que antecedeu a posse de Collor), em que a inflação bateu os 80%!! Ao mês!!! Por isso, as pessoas passaram a usar os preços em dólares, já que na moeda nacional os preços mudavam quase que diariamente e perdíamos a noção do valor das coisas. Ou seja, a moeda nacional já tinha perdido a função de referência. Para ser usada como reserva de valor então era impensável. Usávamos dólares, imóveis e até carros como reserva de valor, mas nem pensar em mantermos dinheiro vivo. Ou seja, a moeda nacional do Brasil, oficial do governo, regulamentada e tudo o mais, não era mais dinheiro.

    Tudo isso para afirmar que a Bitcoin pode ser dinheiro desde que cumpra essas três funções, mesmo que não tenha um governo regulando-a. O fato do Bitcoin ser usado para especulação não é nenhum demérito ou fator que prejudique a Bitcoin a adquirir o status de dinheiro. Pelo contrário, só mostra a força da Bitcoin. Todas as moedas são usadas para especulação e se não forem é porque não são reconhecidas como dinheiro por aquela sociedade. No Brasil há especulação com Real, Dólar, Euro, Libra, Lira italiana, Franco françes, Marco alemão, Iene, etc, justamente porque reconhecemos essas moedas como dinheiro, mas não há especulação usando o Dinar, por exemplo, porque não reconhecemos o Dinar como dinheiro por aqui.

      1. Eu sei… mas continuo falando delas. E também falo da Alemanha Ocidental e da Alemanha Oriental. É coisa de velho…

  2. Olá, pessoal.

    Não vou comentar sobre bitcoin, mas sobre o Popcorn Time. O Joel estava desconfiado de que ele pudesse ter algum malware ou ser um data stealer.

    O Popcorn Time na verdade não é um app, mas um webapp, escrito em javascript, HTML e CSS. Como um site.

    Sim! Graças ao node.js, isso é possível. No caso, para ele distribuir desse jeito “appificado”, ele usou uma biblioteca do node.js chamada node-webkit, que na prática embute o Chromium (o Chrome open source) junto com o site, para que ele funcione como se fosse um software standalone.

    Quando você baixa o Popcorn Time, ele não é um software compilado. É uma pasta cheia de scripts. Então o Joel pode olhar o código, mexer nele, tirar coisas, colocar outras, tudo em tempo real. Como se estivesse dando manutenção num site.

    Além disso, o Popcorn Time é open source (nem poderia ser diferente) e foi colocado no Github. É só ir lá e olhar – ou fazer um fork :) https://github.com/popcorn-time/popcorn-app

    O Popcorn Time na verdade é um mashup. Os argentinos apenas criaram uma interface. A tecnologia de torrent streaming é de uma biblioteca node.js chamada peerflix. Os filmes vêm do Yify, que tem uma API que o Popcorn Time consulta. As legendas vêm do Opensubtitles, também via API. Os cartazes e informações dos filmes, vêm do TMDB (não IMDB), obviamente via API.

    Junta tudo, noves fora, eis o Popcorn Time. É a prova inconteste de que a genialidade está na execução.

    Abraços!

  3. Parabéns pela entrada na rádio :)
    Sucesso.

    Agora uma pergunta, tem como eu acessar o cast pelo iTunes?

    Valeu :)

  4. Tenho uma implicância gigantesca com esta falta de transparência em alguns aspectos do BitCoin que acabam deixando este meio esquisito demais.

    Que eu me lembre das reportagens, à repórter da Newsweek o mesmo dizia (pegando um trecho da reportagem do Tecnoblog):

    “Nakamoto basicamente disse que não está mais envolvido com Bitcoin e não comenta o assunto. “Ela foi repassada para as pessoas, elas estão no comando agora”, afirma.”

    Isso significa que de fato em algum momento ele trabalhou com os gestores do BitCoin ou algo similar. Ponto. Soma-se o fato do perfil do mesmo ser bem voltado a trabalhos matemáticos, e de um tempo depois o cara se prontificar a participar de uma entrevista e dizer ““Estou dizendo que não estou mais na engenharia. Isso é tudo. E mesmo se eu estivesse, quando somos contratados, você precisa assinar um contrato dizendo que não vai revelar nada durante e após o emprego. Então isso é o que eu insinuava”.” Com isso imagino que podemos dizer que a repórter da Newsweek foi feliz e acertou na mosca, a ponto de provocar até a revivência do tal Nakamoto nos fóruns do BitCoin, a qual imagino que possa ser alguém por trás dos gestores que assumiu o lugar, já que sistemas de fóruns permitem isso.

    Se as pessoas fazem algo pela sociedade, imagino que transparência se faz bem, sob o risco de criar problemas sérios com privacidade em algo feito para o público. Criadores não deveriam ficar na moita, e a questão do “se alguém acha uma carteira de bitcoin, é dela” acabam minando isso.

    No final, virou um “Mercado especulativo para nerds (com o perdão do uso em modo perjorativo/rotulante aqui)”, tentando fazer “coisa nenhuma” virar “algo do nada”.

    Acho que no começo me empolguei com isso, mas depois cai na real: dinheiro nada mais é que um valor que usamos para trocar algo que fazemos com outro. Antigamente, o mundo se fazia com trocas, mercadores trocando coisas com coisas. O dinheiro tentou equilibrar as coisas, e criou valor a coisas que antes não se dava valor, no caso, a mão de obra.

    A partir do momento que o dinheiro vira alvo de especulação, o que temos são problemas.

    1. Essa declaração dele é meio contraditória mesmo, mas foi dada em sua casa, na presença de dois policiais, chamados pelo Nakamoto porque uma mulher estava em frente à sua casa havia horas. Pode ter sido uma saída rápida (e apressada) para se livrar dela.

      Sobre a transparência, o sistema o é, e acho que isso basta. Imagine-se na situação de quem criou o Bitcoin: uma moeda virtual que vai contra um punhado de convenções do sistema monetário, que ignora governos e instituições bancárias. Acho que ninguém ficaria confortável nessa posição, logo não vejo com maus olhos a escolha pelo anonimato.

      “A partir do momento que o dinheiro vira alvo de especulação, o que temos são problemas.”

      Mas dinheiro é, em boa parte, especulação. Esse é um dos fatores que determinam o valor de uma moeda. E fazer dinheiro do nada é algo que o sistema convencional domina, vide os lucros recordes dos bancos e a importância das bolsas de valores.

      1. Do comentário dele, imagino que se ele não tivesse nada a haver mesmo com o BitCoin, já responderia logo de cara (no momento da intervenção do policial) que nunca ouviu falar (mesmo) ou “o que seria isso”? Fora o fato de que a menina conseguiu um contato falando sobre trens e ferroramas (ei, eu gosto viu? Não é um hobby ruim, não tire sarro! Depois te convido para ver uns dioramas ferroviários :) ), mas quando falou sobre bitcoins, o senhor já rapidamente desconversou e cortou contato.

        A suspeita é gigante. Se ele não tivesse nenhum contato sobre isso, ignoraria a pergunta ou simplesmente responderia “sério, não sei de nada”. Ele deu declarações de que “o serviço é confidencial”. Já é uma pista gigantesca.

        Sobre a questão da especulação, penso assim: se pessoas apoiam especulação, depois não reclame da inflação e da questão da oscilação da moeda. Se criaram o bitcoin como uma espécie de moeda de troca fora do controle governamental, ela tem que ser TOTALMENTE transparente, não só o sistema baseado. Não se cria algo sem intenções.

        Eu não vejo com bons olhos fazer da vida um joguinho de ganhas e perdas deste jeito. Há milênios nossas mentes vem refletindo sobre estas coisas, e quanto mais vejo que as pessoas querem um equilíbrio de respeito e ações horizontais, vejo outras pessoas ainda gananciando e esperando meios de se impor verticalmente, sabendo que dinheiro = poder. Ninguém quer ser pobre. Todos querem ser ricos. Isso usando de generalização burra.

        A anarquia do BitCoin caiu no mesmo rodamoinho da especulação monetária. Como opinião pessoal, não acho isso certo. Não está no controle dos governos (diretamente), mas está na mão de especuladores. Isso acho bem pior.

        Tem uma frase que li tempos atrás que acho interessante: “A inflação é o termômetro que mede a diferença entre o desejo de consumir e a capacidade de produzir”

        Quando o desejo de consumir é maior do que a capacidade de produção, os preços sobem.”

        Prefiro voltar à época do “vamos trocar o que temos” se for assim. Um pouco menos de consumismo e ganância acho que faria um bem danado nestes tempos. E o BitCoin mostra que até os “nerds mais anárquicos” são bem gananciosos.

        Querem criar uma moeda sem apoio governamental? Ótimo! Qual seria o lastro? “1 centavo de Bitcoin = uma balinha”? Perfeito! Acho que qualquer moeda no mundo, o “lastro” deveria ser o preço de custo de produção de uma balinha de hortelã. :p Parece idiota do jeito que escrevo, mas como até exemplificado por vocês durante o podcast, em alguns lugares 1 real = 4 pães, e em outros 1 real dá até 2 pães (por aqui é um exemplo). Quando tem oscilação de preços altissima, há os problemas que vemos hoje no mundo: certos lugares concentram a produção principal, e os mercados locais acabam sofrendo com mão de obra parada ou mal acostumada, e falta de direção na produção e na economia.

        Enfim, perdão qualquer coisa mal escrita.

        1. Só para esclarecer: eu não coloco a mão no fogo por esse Nakamoto. Se ele está dizendo a verdade ou não, é de se investigar. A dúvida não anula a imprudência da matéria da Newsweek, porém.

          E sim, o dinheiro já se distanciou bastante da ideia (julgo eu) original de servir para trocas igualitárias, sem interesses escusos por trás. Analisando friamente, chega a ser cômico (e trágico) como fortunas se criam do nada, negociando coisas intangíveis ou que sequer existem. Mudar isso é dificílimo e parece que ideias disruptivas, como a do Bitcoin, têm dificuldades em escapar disso. Talvez seja um problema nosso mesmo, enquanto seres humanos.

          Bacanas os seus comentários sobre dinheiro, Vagner!

          1. Sobre a distância do dinheiro, nem tanto Ghedin. Lembremos que há muitos lugares, no Brasil e no mundo, que o dinheiro é o giro da economia local. Lembremos das “moedas de vila”, usada em alguns lugares do nordeste brasileiro, por exemplo. É algo que com o tempo venceu a desconfiança dos locais e o resultado foi uma região (não só, claro) que se prosperou com uma economia própria :)

            E indo mais ao passado, lembremos que sempre os seres humanos colocavam algum “valor” em algo que imaginavam ser raro/raríssimo (como o ouro e o diamante, que apesar da “raridade”, há uma grande quantidade), ou se colocavam como algo de valor (reis/mestres/líderes em geral). Então de fato, sempre há o negócio de “buscar enriquecer”. Bem, nessas horas é que me pergunto porque não estudo sociologia para entrar mais a fundo e um dia poder até conversar legal com vocês e muitos outros sobre estes assuntos. :)

            E grato pelas palavras.

Do NOT follow this link or you will be banned from the site!