Swarm, novo app do Foursquare, troca gamificação por mais encontros reais com seus amigos

No começo do mês o Foursquare prometeu algo ousado: dividir seu app em dois. O original seria destinado a recomendar locais e dar dicas de estabelecimentos, uma parte que bem depois do lançamento do app se tornou prioridade para os desenvolvedores. Outro, inédito, receberia o que tornou o Foursquare conhecido, os check-ins e encontros com amigos. Ontem o Swarm, nome desse novo app, foi lançado, e outra divisão pode ser observada — desta vez, na recepção do público.

O Swarm está disponível para Android e iPhone, e é um trabalho bem feito, como tudo que tem saído do Foursquare nos últimos anos. Rápido, bonito, bem resolvido, ele pega todo o sistema de interação em tempo real do antigo e faz uma espécie de otimização seguindo dois princípios: 1) diminuir a fricção no uso do app; e 2) propiciar mais encontros em carne e osso entre seus usuários.

O e-mail de boas vindas do Swarm resume bem o que o que dá para fazer com o app. São três ações:

  • Quer se encontrar com amigos? Abra o app e veja quem está por perto.
  • Quer compartilhar o que está fazendo? O check-in nunca foi tão rápido e divertido.
  • Teve uma ideia de algo legal para fazer? Mande uma mensagem rapidamente para todos os seus amigos próximos.

Basicamente, é isso. Vejamos agora, pois, os pormenores dessa experiência e, principalmente, do que ficou de fora dela.

Adeus, check-in

Seus amigos aparecem de acordo com a localização no Swarm.
Tela inicial.

A interface do Swarm se divide em quatro áreas. Na primeira, os amigos são listados de acordo com sua posição em relação ao smartphone. Há quatro raios, que vão de 150 metros até “a uma distância muito grande”, gente de outras cidades. De cara o Swarm dá uma visão geral de onde seus amigos estão, mesmo que eles não tenham feito check-in.

Nesse contexto, o check-in como conhecíamos no Foursquare se tornou secundário e, em certa medida, desnecessário. O app tem a tecnologia e os smartphones modernos, os recursos para que a localização dos usuários seja “adivinhada” com precisão. Na prática, não é preciso sequer tirar o smartphone do bolso para que seus amigos saibam onde você está; o app sabe e se atualiza, ininterruptamente, em tempo real. Ao The Verge, o CEO Dennis Crowley foi direto:

“Veja bem, a razão da empresa, essa coisa toda, nunca foi construir um botão de check-in incrível.”

O check-in é apenas mais um sinal entre os vários que formam e explicam a base de estabelecimentos (ou venues) do Foursquare. Na época, foi necessário ante a rudimentaridade dos smartphones e APIs dos sistemas móveis.

Nada impede que você toque no botão de check-in e faça-o manualmente no Swarm, como era no antigo Foursquare. Ele continua existindo e é uma boa para quando se deseja informar exatamente o local da festa.

Mas não precisa, de verdade.

Soa invasiva essa estratégia, mas calma. Um dos problemas do Foursquare é, paradoxalmente, uma das suas vantagens: há pouca gente usando o serviço. No Brasil, a estratégia da TIM com o TIM Beta deu uma força, ainda que a maior parte do povo que se cadastrou no Foursquare para ganhar pontos (ou seja lá o que se ganhava naquilo) não use o serviço regularmente e, pior, saia adicionando desconhecidos num ritmo alucinado e sem qualquer critério.

Como ativar e desativar o compartilhamento.
Este GIF ilustra bem.

De qualquer forma, essa restrição permite que se crie uma lista de amigos mais íntimos. Recusar um convite ou dar unfriend são atos menos solenes aqui, e nessa o perigo de ir a um bar e aquele cara que fazia bullying contigo na escola e te adicionou ano passado no Facebook aparecer do nada, diminui bastante. Lidar com essa multiplicidade de gente é um dos grandes desafios do Facebook que, aliás, recentemente liberou uma função parecida com o Swarm.

Além dessa vantagem (discutível, mas vá lá, ainda é uma vantagem), existe uma “chave geral” na barra do topo, o compartilhamento do bairro. Arrastando-a para a direita, ela fica laranja (ativada) ou cinza. É esse interruptor que denuncia sua posição. Se você estiver em um jantar a dois e não quiser ser importunado pelo seu amigo Stifler, basta desativar o Swarm e sua carinha sumirá do radar. Simples e eficiente.

Chamando os amigos para o rolê pelo Swarm

Das outras três áreas, duas são conhecidas: notificações e um listão em ordem cronológica inversa dos check-ins dos seus amigos. A terceira, chamada Planos pela vizinhança, é nova. E promissora.

Os planos do Swarm permitem organizar encontros rapidamente.
O plano de John.

Ainda bastante precária, ela permite chamar a galera para fazer alguma coisa. É como um evento no Facebook, só que descomplicado. Na verdade, descomplicado demais: a brincadeira consiste em deixar uma frase explicando o que e onde será o encontro. Isso dá margem para usos inusitados, do tipo “vou comprar sapato na loja ‘X’, alguém me ajuda?”, ou triviais, como “vamos no bar?”. Quem topar, clica em um botão confirmando o interesse e pode deixar um comentário. Tudo bem “aberto”, como se fosse uma obra de arte na visão do Umberto Eco.

O Swarm ainda é “8 ou 80” nessa questão das amizades. Não dá para criar um plano e segmentar os convidados, todo mundo fica sabendo de tudo. E… bem, a gente sabe que na vida não é assim, que temos diversos círculos de amizades e que sermos o laço que os une não significa que todo mundo se dará bem com todo mundo.

Modificar esse comportamento acrescentaria camadas extras de complexidade, e no momento isso parece ir contra os anseios do Foursquare, em especial contra o intuito de diminuir a fricção no uso do serviço. Talvez mude no futuro, mas só vislumbro essa movimentação se o Swarm cair no gosto do público mais mainstream. Será só assim, também, que a função de planos terá alguma utilidade. No papel, pelo menos, reforço: ela é bem promissora.

Cadê minhas medalhas? E minhas prefeituras?

Não é de hoje que o Foursquare busca se desvencilhar do check-in e, modo geral, do aspecto de gamificação. Aspecto que, para alguns, é a melhor parte da brincadeira. Medalhas, pontos, competição, prefeituras incentivam o uso do app nesse meio.

Tudo isso sumiu no Swarm*. A digestão dessa novidade depende de como você encara o Foursquare. Para mim, não faz muita falta; para Rafael Silva, 26 anos, colunista de tecnologia da Oi FM, sim:

“Eu não curti muito não [o fim da gamificação]. Queria mais badges e continuar no ranking de pontos e tal. Isso me motivava mais a dar check-in, ter uma disputa com meus amigos para ver quem ficava no topo. Agora não tem mais, perdeu parte da graça pra mim.”

* As prefeituras, na verdade, continuam existindo. A diferença é que agora elas não são centralizadas e cada círculo de amigos terá uma. Explicações mais detalhadas aqui.

Conversei com o Rafa, usuário bastante ativo do Foursquare há um bom tempo, sobre o novo app Swarm. Além da insatisfação com o fim dos badges e prefeituras, ele também citou o comportamento estranho do Foursquare, atualizado um dia antes para “receber” o Swarm. Ainda se faz check-in por lá, mas sua sua interface foi bastante simplificada. Pelas declarações dadas ao The Verge, é uma situação temporária enquanto o reformulado Foursquare, com foco em recomendações e dicas, não chega.

Ainda dá para fazer check-in e mencionar amigos no Swarm.
Check-in tradicional.

Meia década depois do seu laçamento, o conceito do check-in não vingou. Pior: passou de necessidade a um estorvo. Ele só é popular entre o pessoal da tecnologia e comunicação. Junto ao público menos aberto à premissa do app, parte majoritária, é uma dinâmica que soa quase anormal. “Por que você fica falando pra todo mundo onde está?”, e “Nem chegou e já vai fazer check-in!?” são comentários que ouço com frequência. Dá para entender a cara de interrogação que as pessoas fazem.

Para ser popular e fazer dinheiro com isso, um app ou serviço precisa demonstrar valor e ter uma base generosa de usuários. Na estratégia do Foursquare, é mais fácil alcançar esse estágio com recomendações de locais e dicas do que com um joguinho simples e pouco estimulante. Qualquer um que já recorreu ao serviço para encontrar um restaurante maneiro em uma cidade estranha, ou até mesmo onde mora, sabe que essa parte funciona muito bem.

Sendo assim, por que não focar nela? Para conseguir esse foco era preciso tirar o botão de check-in do centro da experiência do Foursquare — ele intimida, respinga em toda a experiência de uso e acrescenta complexidade à toa. Rachar o app em dois foi, portanto, a saída eleita — e uma das mais espertas. Felipe Cepriano, 23 anos, analista de software na IBM, usa o Foursquare desde 2009, acumula mais de 2200 check-ins e também acha que a divisão em dois apps é uma boa:

“Por um lado eu acho meio chato, precisar de dois apps pra fazer algo
que antes ficava em um só. Mas não vejo muito como implementariam
recursos novos, como os Planos, sem poluir a interface do Foursquare.
Separando o lado social do lado “discovery”, fica mais fácil. E tem
muita gente que gosta de conhecer lugares mas fica intimidada pela
interface do Foursquare: Uma conta nova mostra só uma timeline vazia,
e pouco fala de lugares novos pra descobrir.”

O Swarm aproveita muito bem o poder dos smartphones modernos para brincar com ideias de context awareness: em vez de puxar o smartphone do bolso, ele chama a nossa atenção quando é conveniente ou necessário. É a premissa básica de sistemas super especializados, como relógios inteligentes, mas que se adequa bem em equipamentos mais mundanos, mais estabelecidos, como nossos smartphones.

Pena que, como quase tudo que é social na Internet, o bom proveito do Swarm dependa da adoção pelos nossos amigos. É nessas horas que a lamúria do Fabio, abaixo, se estende a todos que, pelo mesmo motivo ou outro, quase sempre vê bolas de feno rolando na tela de notificações do Foursquare/Swarm:

[Review] Lumia 1320, um Windows Phone enorme com crise de identidade

Qual o limite físico para um smartphone? A resposta a essa questão, hoje, pode estar ultrapassada na próxima geração de celulares espertos. Afinal, quem imaginaria alguns anos atrás que aparelhos com telas de 6 polegadas seriam não só aceitáveis, mas desejáveis? De olho nessa demanda, a Nokia anunciou não um, mas dois modelos grandalhões: o topo de linha Lumia 1520, e o intermediário Lumia 1320, que agora passa pela análise do Manual do Usuário.

Se a tela chama a atenção, em outros aspectos tão importantes quanto o Lumia 1320 não salta à vista. Ele é o ápice de uma tendência recente e disseminada, a de colocar configurações medianas atrás de telas enormes numa tentativa de levar o conforto e prazer visual de modelos caríssimos, como os da linha Galaxy Note, da Samsung, a bolsos menos privilegiados.

Recentemente vimos aqui, por exemplo, o Xperia C, smartphone da Sony com tela de 5 polegadas e configurações que não convencem. Mas e nesse caso do Lumia 1320, no que a mistura resulta? O Windows Phone pesa a favor ou contra no uso diário? Essas e outras perguntas, respondidas abaixo.

Cara de high end, tamanho de gente (muito) grande

O tamanho do Lumia 1320 intimida.
Foto: Rodrigo Ghedin.

A linha Lumia, da Nokia, vai de modelos simples e baratos até os super avançados, com tecnologias inovadoras, algumas inigualadas, e que cobram um preço alto por isso. Apesar da flexibilidade em preço e qualidade, uma coisa não muda: a identidade visual dos smartphones.

Seja um Lumia 520, seja um 1520, é fácil identificá-los como membros de uma mesma família. Apesar dessa uniformidade, existem algumas rupturas estéticas entre esses celulares irmãos. O Lumia 1320 combina mais com modelos que não foram grandes destaques da Nokia, casos do Lumia 820, ou Lumia 620. Os cantos arredondados e a câmera simples no corpo são os maiores indicativos de que não temos aqui um “garoto propaganda” da Nokia, muito menos um que brilhe em configurações.

A crítica acima não significa, em absoluto, que o Lumia 1320 é feio. Ele é um smartphone sem invencionices que deve agradar a um público maior do que outros mais arrojados, como o Lumia 1020 e seu calombo traseiro. São poucos botões, os tradicionais/obrigatórios do Windows Phone, dois conectores, um para os fones de ouvido em cima, outro para o cabo microUSB embaixo, e os três botões táteis frontais do sistema da Microsoft. As câmeras são discretas, bem como os microfones e saídas de áudio. É um aparelho que exala sobriedade, e talvez em excesso: ele chega a flertar com a falta de inspiração.

Bordas arredondadas do Lumia 1320.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Embora prefira os modelos mais ousados, é impossível reunir críticas consistentes ao design do Lumia 1320 com uma exceção inescapável: seu tamanho. E olha que a Nokia ainda tentou, com alguns artifícios ergonômicos, mitigar esse “problema”: vistos isoladamente, alguns atributos físicos parecem exagerados, mas colocados em contexto (afinal, estamos falando de 6 polegadas de tela), a espessura de 9,8mm e o peso de 220g não transforma o aparelho em um trambolho. Pelo contrário, ele parece mais fino e mais leve do que os números nos levam a pensar.

O problema é que não há mágica ou engenharia que consiga tornar as outras medidas espaciais, 164,2mm de altura e 85,9mm de largura, confortáveis. É impossível manejar o Lumia 1320 com apenas uma mão e colocá-lo no bolso é, para dizer o mínimo, desconfortável. Ações triviais, como sentar-se em uma cadeira, entrar no carro e até mesmo andar não podem ser feitas sem que aquele volume no bolso não se faça sentir. O Lumia 1320 te lembra sempre da sua presença, ininterruptamente, e essa atenção obsessiva não é exatamente um ponto positivo. É incômoda.

Tela grande, especificações nem tanto

As configurações do Lumia 1320 estão longe de serem ruins. No período de testes, ele não demonstrou lentidão, ou me fez esperar muito por qualquer comando – salvo o irritante “Retomando…” ao voltar em apps, mas aí é coisa do Windows Phone já que ainda está para nascer hardware capaz de evitar esses pequenos atrasos na multitarefa. Ele é, para todos os efeitos, tão rápido quanto outros modelos topo de linha que vieram antes, como os Lumias 920, 925 e 1020.

Lá dentro, temos um SoC Snapdragon S4 com processador dual core rodando a 1,7 GHz, combinado com 1 GB de RAM e apenas 8 GB de memória interna – com generosos 7,28 GB de espaço para o usuário, é verdade. Se o Lumia 1320 sobra em desempenho, em outros aspectos, começando pelo espaço para armazenar apps, jogos, fotos, músicas e outros arquivos do usuário, ele poderia ser melhor.

Nesse caso específico, existe um slot para cartão microSD (até 64 GB), acessível ao remover a tampa traseira. É suficiente para aliviar a falta de espaço, mas não é o ideal. (Embora a tampa seja removível, a bateria não é. Essa configuração, que vem aparecendo com frequência na indústria, permitem armazenar cartões, como o SD e o SIM card, sem comprometer a estética, além de permitir a troca de capas, um ponto de personalização que, aparentemente, as pessoas gostam bastante.)

Lumia 1320 suspenso.
Foto: Rodrigo Ghedin.

A tela do Lumia 1320 chama a atenção pelo tamanho – ainda são raros e, portanto, impressionantes smartphones enormes. Além de grande, a tela é bem boa: responde bem aos toques, os ângulos de visão são bem amplos, a fidelidade de cores, acertada. Ela também é brilhante e conta com algumas tecnologias de melhoramento da Nokia, como a ClearBlack, que dá um reforço nos pretos, algo importante por se tratar de um painel IPS e não AMOLED, que leva vantagem na reprodução dessa cor.

Tudo muito bonito, tudo muito bom, com uma exceção: a resolução. O Lumia 1320 tem resolução HD – 1280×720. É uma resolução alta. Já disse, em outras oportunidades, que ela pode ser suficiente, mas desde que outra medida, o tamanho físico da tela, não seja tão grande quanto 6 polegadas. Feitas as contas, ficamos com 245 pixels por polegada, uma densidade que, para uma tela desse porte, se faz notar de um jeito negativo.

Comparativo entre Lumia 920 e Lumia 1320.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Vista sozinha, a tela do Lumia 1320 dá sinais de que faltaram pixels. Não que ela seja ilegível, ou ruim de modo geral, mas textos menores não são tão definidos quanto em telas mais densas, e ícones e textos pequenos mostram serrilhados com os quais não estamos acostumados há pelo menos dois anos em dispositivos de ponta. Se colocada ao lado de uma tela mais densa, como a do Lumia 920/925 (mesma resolução, mas com 4,5 polegadas), as deficiências de uma tela tão grande com uma resolução intermediária ficam mais evidentes.

Mais uma vez esse modelo revela que é, afinal, um intermediário – longe de ser ruim, mas cheio de características que não chegam ao que existe de melhor hoje no mercado. A resolução menor traz um efeito colateral positivo, a economia de energia. Ele meio que se anula ante a tela enorme (iluminá-la deve consumir muita bateria), mas é aí que o tamanho físico do Lumia 1320 traz o trunfo definitivo para uma longa autonomia: ele permite acomodar uma bateria enorme, com 3400 mAh. É uma carga altíssima, suficiente para ficar um dia e meio, até dois de uso intensivo longe da tomada. Raras são as baterias que chegam a esse patamar, nesse ritmo de uso. A do Lumia 1320 é uma dessas poucas e merece elogios portanto.

A câmera indiferente do Lumia 1320.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Fechando o rol de configurações, a câmera também não chama empolga. Tem 5 mega pixels e nada que lembre a qualidade dos Lumias com tecnologia PureView. Espere dela o mantra para câmeras em celulares que, nos últimos anos, apenas modelos topo de linha têm conseguido ultrapassar: quebra o galho com bastante luz, vai se tornando cada vez mais inútil na medida em que a escuridão aumenta.

Alguns exemplos:

Pudim ao ar livre: bom (nos dois sentidos).
Esta foto ficou tão boa quanto o pudim — cortesia do Sol.
Sem luz natural, a câmera do Lumia 1320 decepciona.
À noite, o ruído fica bem aparente e é mais difícil focar.
O Lumia 1320 não resiste ao teste da foto com luz artificial.
Crop em 100%. Repare como há bastante ruído e perda de definição.

Para ver essas e outras fotos em resolução máxima, visite esta página.

O Lumia 1320 é um smartphone a procura de público

Detalhe na tela do Lumia 1320.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Desde que liguei o Lumia 1320 pela primeira vez, venho tentando entender a quem ele se destina. Smartphones grandes costumam trazer configurações de ponta, o que não é o caso. Modelos intermediários têm telas mais mundanas, de apelo maior. Novamente, não é o caso. Talvez o público que coloca tela gigante como prioridade seja relevante o bastante para levar a Nokia a construir algo como o Lumia 1320, um smartphone que tem cara de high end, mas não passa perto de ser um.

Apesar dessa crise de identidade, o fator preço pode pesar favoravelmente e tornar o Lumia 1320 um sucesso comercial. Seu sugerido é de R$ 1.399, o que coloca em uma disputa ingrata com smartphones Android superiores, como Nexus 5, Moto X, G2 e Galaxy S4. Mas em promoção, o Lumia 1320 já rompeu a barreira dos R$ 1.000. Aí, nesse patamar, as coisas ficam mais interessantes: é um valor condizente com o que ele oferece e, de quebra, o consumidor interessado ainda leva uma telona para casa – para o bem e para o mal, ainda é um grande diferencial nessa faixa de peço.

Links para comprar o Lumia 1320.

Compre o Lumia 1320

Comprando pelos links acima o preço não muda e o Manual do Usuário ganha uma pequena comissão sobre a venda para continuar funcionando. Obrigado!

A melhor maneira de acompanhar o site é a newsletter gratuita (toda quinta-feira, cancele quando quiser):

Acompanhe também nas redes sociais:

  • Mastodon
  • Telegram
  • Twitter
  • Feed RSS

O Google quer transformar a URL em um botão — e isso não é ruim

Uma das bases da web é a URL, ou URI, aquele endereço precedido por um http://www. que identifica páginas e permite a mágica do hiperlink. Nesses 25 anos já declararam a morte da web, vimos alguns navegadores dominarem as estatísticas de uso ao redor do mundo e a interface deles mudar radicalmente, da prosaica do Mosaic à minimalista do Chrome, hoje ditadora de regras. Ainda em estágio de experimentação, a provável próxima mexida do Google na forma como navegamos tem inflamado alguns ânimos mais puristas: querem simplificar a URL.

A proposta surgiu no canal Canary do Chrome, uma versão anterior à Alpha, geralmente cheia de bugs e desaconselhada a qualquer um que não tenha interesse em caçar problemas e relatá-los ao Google. Nela, é possível ocultar a URL. Como? Digite chrome://flags/#origin-chip-in-omnibox na barra de endereços e habilite a opção “Ativar o chip de origem na omnibox”.

“Ocultar” talvez seja um termo errado; o que essa opção faz é transformar o domínio em um botão e sumir com o que vem depois do TLD.

O caminho até o fim da URL

Screenshot do Safari Mobile com um post do Manual do Usuário aberto.
Safari no iOS 7.

Entre o público técnico a novidade caiu como uma bomba. Um dos desenvolvedores do Google que trabalham nela, Paul Irish, escreveu em um tópico do Hacker News que é contra a mudança. “Minha opinião pessoal é de que essa é uma mudança muito ruim e que vai contra os ideais do Chrome”. Em blogs, fóruns e no Twitter, vimos reações similares.

Acabar com a URL é, de certa forma, acabar com a web. Seria loucura até mesmo propor algo assim, por isso é importante esclarecer que o novo comportamento experimental do Chrome não visa exatamente exterminar os endereços dos sites, mas sim ocultar o que sobra para além do domínio. Esse continua sendo exibido e, com um clique, revela a URL completa — vide a montagem que abre este post.

De certa forma, é mais uma etapa do processo de humanização da URL, processo esse que já vem ocorrendo há alguns anos. Primeiro, os principais navegadores ocultaram o protocolo: você não vê mais http://, salvo quando é uma página criptografada. Depois, o Opera passou a remover parâmetros; em vez de exibir manualdousuario.net/?s=celular em uma busca aqui, por exemplo, ele só vai até a barra. Entre idas e vindas, esse comportamento voltou agora como padrão no recém-lançado Opera 21. No iOS 7, o Safari Mobile passou a exibir apenas o domínio no campo de endereços após carregar a página. O próximo passo, pois, é levar esse comportamento para os desktops, eliminando parâmetros e reforçando o que importa ao usuário: o domínio.

Como meros mortais (não) lidam com a URL

Imagem clássica de menino surfando na Internet.
Imagem: DA INTERWEBZ.

Você deve ter entendido bem o início deste post, mas mostre-o a alguém menos ligado a tecnologia, que não acompanha o Manual do Usuário ou outro site do gênero. Pergunte se termos como URL, TLD, domínio e aquele endereço esquisito significam alguma coisa. É bem provável que não.

Desde que Chrome e Firefox mudaram as barras de endereço para que elas atuassem também como campo de busca, um comportamento que antes era motivo de risadas se estabeleceu: as pessoas usam o Google como intermediário para os sites que visitam regularmente.

Parece insanidade escrever “facebook” e clicar no primeiro resultado do Google. Racionalmente é difícil justificar, mas muita gente faz isso na prática. Quando não, digitam “face” e o autocompletar do navegador preenche o resto. É meio que consenso que pulamos de página em página e que cada uma tem um endereço único, mas mesmo quando são semânticos, como os do Manual do Usuário, é raro prestar atenção ao que elas dizem. Botões sociais e navegadores móveis diminuíram a necessidade de copiar e colar a URL na hora de compartilhá-la com os outros. De qualquer forma, para desenvolvedores, gente que produz conteúdo, todos aqueles a quem o acesso à URL é imprescindível, ela continua lá.

A proposta do Google meio que adapta a realidade ao navegador. Ela não altera o funcionamento da barra de endereços; ela continua igual à atual. O que muda é a apresentação. Afinal, o conceito de URLs, um dos mais antigos ainda vigentes na tecnologia de consumo, nunca foi muito amigável a despeito da sua importância vital, como colocou Allen Pike:

“Eu sei que as URLs são feias, difíceis de lembrar e um pesadelo para segurança.”

É óbvio que o Google quer, com isso, também incentivar ainda mais o uso do seu buscador, mas além de adequar seu software ao comportamento da maioria, há outros ganhos para os usuários na abordagem proposta. Ataques do tipo phishing que replicam páginas com URLs diferentes, por exemplo, sofreriam uma baixa considerável – menos gente inseriria dados em uma cópia do Itaú se, em vez de itau.com.br, aparecesse um endereço russo no botão de domínio do futuro Chrome.

Não se sabe ainda se essa mudança chegará ao canal estável do Chrome. Desde que foi lançado, o navegador do Google se destacou pelas mudanças drásticas e foi graças a elas que se estabeleceu, tirou a hegemonia do Internet Explorer e relegou o Firefox ao terceiro lugar na guerra dos navegadores.

Se acontecer de mudar, porém, não vejo motivos para desespero, protestos ou coisas do tipo. A tecnologia de consumo avança a passos largos e, normalmente, quem se apega muito a convenções fica para trás. Quem imaginaria, há dez anos, que a Microsoft seria coadjuvante no segmento de sistemas operacionais, que a Symantec desistiria dos antivírus e que o celular seria a plataforma número um de acesso à Internet entre os mais jovens? Tudo isso era passível de internação no manicômio. Mas aconteceu, e se tais guinadas nos ensinaram alguma coisa é de que dá para esperar qualquer coisa desse universo.

[Review] Xperia E1: um ano e recursos melhores fizeram bem ao smartphone básico da Sony

A matemática nos smartphones de entrada é ingrata. Conciliar bom desempenho com preços baixos é um trabalho difícil e que raramente alcança o resultado desejado – vimos isso na prática com o teste de smartphones abaixo de R$ 500. Um deles, o Xperia E, amargou uma das últimas posições. Se o mesmo comparativo for feito com a safra 2014 de modelos baratos, porém, é bem provável que seu sucessor, o Xperia E1, se saia melhor. A Sony aprendeu a lição, melhorou pontos-chave no seu modelo mais simples e conseguiu chegar a um smartphone barato e bem honesto.

Além do preço, o marketing da Sony aposta muito em música para destacar o Xperia E1. Ele tem um alto-falante de 100 decibéis, os tratamentos de áudio de modelos superiores, como xLOUD e Clear Phase, e um botão físico no topo que abre o player de música Walkman mesmo quando o sistema está bloqueado.

Vídeo

Não se esqueça de assinar o canal do Manual do Usuário no YouTube!

Do Xperia E para o Xperia E1, melhorias significativas

Cortina de notificações do Android no Xperia E1.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Era difícil encontrar pontos positivos no Xperia E, o antecessor do Xperia E1, lançado em 2013. A resolução da tela era baixíssima, o processador, fraco além do aceitável. Usá-lo, mesmo para as ações mais banais, era uma tarefa frequentemente irritante.

Nesse intervalo de um ano que separou as duas gerações do Android de entrada da Sony, a empresa tratou de sanar alguns dos pontos mais críticos. Eram muitos e, nessa, uma ou outra coisa evoluiu pouco ou permaneceu estagnada (casos da câmera e RAM, idênticas em ambos). As partes que mais fazem diferença no dia a dia, porém, receberam a atenção devida e o resultado disso é um smartphone que não chega a ser um deleite, mas que responde bem a maioria dos comandos do usuário.

Saiu o processador de um núcleo rodando a 1 GHz do Xperia E. Em seu lugar, temos um Snapdragon 200 com CPU dual core rodando a 1,2 GHz. Em conjunto com GPU, uma versão mais moderna da Adreno (302, contra a 200 do anterior), o processador principal dá conta de abrir apps, alternar entre eles e até rodar alguns jogos mais ou menos intensivos, como Subway Surfer, sem engasgos.

Se tivesse mais RAM, talvez o Xperia E1 entrasse naquela categoria de smartphones surpreendentes. Não é o caso, já que ele manteve os 512 MB da geração passada e, embora exista a promessa de atualização, saiu de fábrica com o Android 4.3 – a última versão, 4.4, alivia o uso de memória para permitir que smartphones com restrições nesse departamento rodem melhor. Não dá para prever como será seu comportamento após receber essa atualização, mas tomando por base o que ele já oferece, as expectativas são boas.

A falta de memória cobra seu preço, sem surpresa, onde ela é mais requisitada: navegação web e multitarefa. A câmera também sofre um pouco para abrir e se tornar usável; são alguns poucos segundos que podem ser demais para registrar um momento. Apesar desses problemas pontuais, no geral o desempenho do Xperia E1 é satisfatório para o que ele custa e em algumas situações, como ao digitar na tela sensível a toques, gera respostas melhores do que modelos superiores, como o Xperia C da própria Sony (esse, com um SoC MediaTek quad core de 1,2 GHz). Curiosamente, também em espaço interno o Xperia E1 fica na dianteira: ele traz os mesmos 4 GB de memória, mas disponibiliza 2 GB para o usuário, contra 1,2 GB no Xperia C.

O potente alto-falante do Xperia E1.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Outro ponto em que deixa o irmão mais velho citado acima para trás é a tela. É menor, sim, mas 4 polegadas é um tamanho legal. A resolução também é pouca coisa menor, 480×800; feitos os cálculos para determinar a densidade de pixels por polegada, o Xperia E1 se sai vitorioso com 233 contra 220 PPI. Nada que salte à vista, mas no fim a tela desse aqui é superior – por ser fisicamente menor, os pixels ficam mais unidos e menos distinguíveis.

É uma tela bacana. Não excepcional, mas longe de ser ruim. O que pode desapontar muita gente é aquele velho problema da linha Xperia com os ângulos de visão. O painel usado na construção da tela do Xperia E1 é de TFT, tecnologia que, nas mãos da Sony, gera ângulos bem limitados sob a pena da perda de contraste caso alguém decida encará-la de lado.

Por fim, a bateria. Ela cresceu um pouco, saindo dos 1530 para 1700 mAh. Na prática, dá para passar um dia de uso normal sem se preocupar com tomada, e sem recorrer ao modo Stamina, um comando nas configurações do sistema que desativa várias conexões e reduz a frequência do processador para economizar bateria. Em comparação ao parâmetro “um dia longe de casa” que uso nas análises subjetivas do Manual do Usuário, a bateria do Xperia E1 se mostrou um pouco acima da média.

Som na caixa!

Botão Walkman do Xperia E1.
Foto: Rodrigo Ghedin

A menos que você esteja em casa sozinho ou com amigos que estão na mesma vibe, ouvir música no alto-falante do smartphone é, no mínimo, deselegante com as outras pessoas no recinto. É sempre bom ter isso em mente, mas com um Xperia E1, vale reforçar a mensagem: o áudio que sai da parte de trás do aparelho é alto, chega a 100 decibéis.

Player de áudio padrão nos smartphones da Sony.
Walkman.

Esse volume não é suficiente para animar uma festa, mas é capaz de se fazer ouvir. Com o xLOUD, uma tecnologia da Sony que dá um impulso nos graves das músicas, a sensação é de que o som é ainda mais alto. Fazer barulho é um dos chamarizes do Xperia E1, e algo tão incentivado que a Sony até incluiu um botão físico dedicado para abrir o player Walkman no topo do aparelho.

Não dá para discutir que o Xperia E1 toca música em uma altura considerável – praticamente a mesma do iPhone 5, cujo alto-falante é mesmo alto. Infelizmente, a qualidade não acompanha o volume mesmo em canções não muito elaboradas. Distorções são facilmente percebidas, há estouros recorrentes e na maioria das músicas ouvi-las em volume máximo é uma experiência desagradável.

A situação é análoga à recente onda de smartphones intermediários com tela gigante: não adianta nada trazer muitas polegadas se a resolução não acompanha. O que a princípio é uma vantagem acaba se tornando um estorvo, e as telas de Xperia E1 e Xperia C ilustram muito bem esse dilema. No áudio do Xperia E1, qual a vantagem de fazer barulho se não for com qualidade minimamente aceitável? Há quem goste, mas o apelo se perde totalmente entre aqueles que procuram um bom sistema de som móvel para curtir músicas, jogos e vídeos.

Acabamento – no hardware e no software

Botões físicos na lateral do Xperia E1.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Existe uma corrente que vê nas 4 polegadas o ponto perfeito de equilíbrio entre tamanho de tela e ergonomia do smartphone. Mesmo sendo mais grosso, mais largo e mais baixo que os últimos iPhones, o Xperia E1 meio que reforça essa corrente: é um aparelho confortável de segurar e carregar no bolso, sem comprometer a área real que os apps têm para exibir seus conteúdos.

As bordas são destacadas, mas menos que em modelos superiores da linha Xperia. Na verdade, está dentro do aceitável. Ele poderia, isso sim, ser um pouco mais fino, embora o acabamento arredondado das laterais ajude a melhorar a empunhadura. Todo de plástico, o da tampa traseira e beiradas tem uma textura áspera que ajuda a dar firmeza, ainda que isso sacrifique a estética – parece um negócio mais barato do que é de fato.

O Xperia E1 pesa 120g, o que é pouco. Na mão, parece muito pouco. A sensação é de que está faltando alguma coisa, talvez a bateria, o que explicaria a leveza além do confortável. Dá para removê-la sem maiores problemas, bem como espetar um cartão microSD de até 32 GB retirada a tampa, mas esse peso é com ele ligado e, obviamente, a bateria lá dentro.

O desenho desse smartphone é bastante conservador, a disposição das teclas segue o padrão recente da Sony e não existem surpresas. A grade do alto-falante traseiro é destacada, ainda que o local de onde sai o som mesmo seja uma área retangular menor.

A única coisa que foge do lugar comum é a presença de não um, mas dois LEDs. O de notificações fica no topo superior esquerdo, é pequenino e discreto. Outro, na borda inferior frontal, é acionado quando algum app em tela cheia da Sony, como o Walkman e o visualizador de fotos, é aberto. Ele é bem mais legal, e é estranho a Sony não tê-lo adotado como LED principal. Talvez para economizar bateria?

Este LED não é o de notificações.
Foto: Rodrigo Ghedin.

A abordagem pé no chão continua no software. A Xperia UI se faz presente mais uma vez e, como já disse em outras oportunidades aqui, apesar das falhas ela tem mais acertos do que erros.

Rolaram algumas adaptações para as limitações técnicas do Xperia E1, como a remoção dos apps flutuantes acessíveis a partir da tela de multitarefa, mas tudo o que se aplica levando em conta as restrições do hardware está disponível: os atalhos rápidos da cortina de notificações, os apps exclusivos para consumo/compra de conteúdo multimídia, temas, otimizações de áudio e (poucos) mini-apps da câmera.

A maturidade da Xperia UI chama a atenção. Ainda não usei um Android da Sony por períodos muito longos (leia-se qualquer tempo acima de dois meses); comparando essas mexidas com as de outras empresas nos prazos relativamente apertados que tenho para avaliar smartphones, as da Sony se sobressaem positivamente. Não supera o Android purista da linha Nexus e dos últimos aparelhos da Motorola, mas se for para modificar, que seja assim: com adições pouco intrusivas e realmente úteis no dia a dia.

Câmera

A câmera do Xperia E1 é a mesma do Xperia E.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Não preciso me alongar muito nesse ponto porque, como dito lá em cima, a câmera do Xperia E1 é a mesma do modelo anterior. Ela segue com foco fixo, resolução de 3,15 mega pixels e filmagem em WVGA (800×600). E, como é de se esperar em smartphones de entrada, cheia de ruídos e com definição baixíssimas. É o tipo de câmera que serve para flagrantes da vida, mas que lá na frente você se arrependerá de ter usado em momentos importantes.

Não dá para contar com o Xperia E1 na hora de fazer fotos, nem mesmo se forem apenas para redes sociais. A qualidade das imagens é baixa e nem uma pós-produção caprichada consegue amenizar as fraquezas dessa câmera. Como quase sempre imagens falam mais que palavras, e esse é um dos casos, alguns exemplos feitos com o Xperia E1 (no vídeo review, lá em cima, tem uma tomada em vídeo):

Falta definição.
A falta de definição é gritante nesta foto.
Exemplo de foto feita com o Xperia E1.
Cores um tanto lavadas.

Aqui tem uma galeria com essas e outras fotos em resolução natural.

Simples, honesto, direto

Xperia E1 no detalhe.
Foto: Rodrigo Ghedin.

O Xperia E1 começou a ser vendido no Brasil em abril. Ele está disponível em três cores (preto, branco e roxo), e em três versões: uma simples, com apenas um SIM card; outra, a testada aqui no Manual do Usuário, com suporte a dois SIM cards; e uma terceira, com dois SIM cards e receptor para TV digital. Preços? R$ 449, R$ 549 e R$ 599, respectivamente.

Pelo que cobra e pelo que entrega, é um aparelho bem bom. Geralmente, a faixa abaixo dos R$ 500 é tomada por modelos que, se não decepcionam como um todo, sempre trazem um ou outro aspecto que beira o inaceitável. Com o Xperia E1, isso não rola. Poderia ter mais RAM, e a câmera poderia ser melhor, mas de qualquer forma ele supera as expectativas. Para quem está em busca de um smartphone quebra-galho barato ou quer ter um Android que não dê nos nervos, é uma boa recomendação.

Compre o Xperia E1.

Compre o Xperia E1

Comprando pelos links acima o preço não muda e o Manual do Usuário ganha uma pequena comissão sobre a venda para continuar funcionando. Obrigado!

Os melhores apps para Android, iOS e Windows Phone (abril/2014)

Sai mês, entra mês, as listas de melhores apps para Android, iOS e Windows Phone do Manual do Usuário continuam aparecendo. A intenção, como sempre reforço, é priorizar apenas apps que realmente importam, seja pelo fator novidade, seja pela utilidade.

Os apps estão listados em ordem alfabética, com os três sistemas misturados e, quando multiplataforma, links para todas as versões.


Boxcryptor

Ícone do Boxcryptor.Para Windows Phone, Android, iPhone.
O que é? App que criptografa arquivos antes de enviá-los a serviços de armazenamento na nuvem.
Preço? Gratuito.
DOWNLOAD Windows Phone, Android, iPhone.

Box, Microsoft, Dropbox e Google garantem a privacidade dos arquivos salvos em suas nuvens, mas até que ponto dá para confiar nessas empresas? E quem garante que não haverá uma falha, uma brecha que acabe liberando dados dos usuários, inclusive os mais sensíveis? O Boxcryptor atua sobre essa incerteza: esse app criptografa seus arquivos antes de enviá-los para a nuvem.

Ele está disponível em várias plataformas e, em abril, chegou ao Windows Phone também. Existe um bug no download de arquivos com nomes especiais, cortesia da API do Box, mas no geral ele funciona a contento. Para quem quer segurança máxima da maneira mais prática, é uma boa pedida.

Screenshots do Boxcryptor.
Imagens do Boxcryptor.

Breeze

Ícone do Breeze.Para iPhone 5s.
O que é? App que conta os passos dados durante um dia.
Preço? Gratuito.
DOWNLOAD

Dos mesmos criadores do RunKeeper, o Breeze é exclusivo para o iPhone 5s por depender do M7, o chip dedicado a registrar os movimentos do usuário, presente nessa versão do smartphone da Apple.

O app faz a mesma coisa que aquelas pulseiras de exercícios (Fitbit, Jawbone Up, Nike Fuelband), mas sem precisar de nada extra — basta baixar o app, que é gratuito, e começar a andar. Ele incentiva bastante, talvez até demais já que vários reviews da App Store reclamam do excesso de notificações. Se você for do tipo que precisa de alguém enchendo o saco para se levantar e fazer exercícios, talvez isso seja um fator positivo.


Câmera do Google

Ícone da Câmera do Google.Para Android.
O que é? App de câmera nativo do Google.
Preço? Gratuito.
DOWNLOAD

Em mais passo no processo de desmembramento do Android, o Google reformulou o app de câmera nativo e o jogo no Google Play.

A interface ficou mais “flat” e mais acessível que na versão anterior. Agora, enfim, o viewfinder aparece na mesma proporção das fotos em si, permitindo enquadramentos precisos. De novidade mesmo, o Efeito foco, que embaça um dos planos da imagem depois que a foto é feita, via processamento de software. Os resultados, como demonstrei aqui, não são sempre fantásticos, mas quando dá certo, é bem incrível.

Screenshots da Câmera do Google.
Imagens da Câmera do Google.

Carousel

Ícone do Carousel.Para Android, iPhone.
O que é? Gerenciador de fotos armazenadas no Dropbox.
Preço? Gratuito.
DOWNLOAD Android, iPhone.

O novo app do Dropbox é todo sobre fotos: ele faz o upload automático de imagens, recurso já bastante conhecido do app original, e exibe as fotos salvas no serviço em uma linha do tempo bem ligeira.

A apresentação é bonita, o app é muito rápido e toda a interface é baseada em gestos. É meio confuso entender o processo de exclusão de fotos (primeiro, você esconde as imagens, depois, as apaga nas configurações), mas fora isso é um belo app para gerenciar fotos, e uma boa pedida para botar ordem nos anos de fotografia digital bagunçados no seu HD — o único problema é subir esse monte de arquivos para o Dropbox.


Chrome Remote Desktop

Ícone do Chrome Remote Desktop.Para Android.
O que é? Permite controlar o computador remotamente via smartphone ou tablet.
Preço? Gratuito.
DOWNLOAD

Instale uma extensão no Chrome do computador (Windows ou OS X), este app no seu smartphone ou tablet Android e, após inserir o PIN corretamente, você poderá usar o PC através dos dispositivos móveis. Este app é a versão móvel de um recurso que o Google lançou há algum tempo entre computadores. Agora, na palma da mão, ele se mostra ainda mais útil.

A solução do Google não tem muitos recursos avançados, como transferência de arquivos, nem tutoriais explicando coisas que, embora pareçam básicas, dependem de alguma prática, como clicar. Mas o desempenho é satisfatório e deve quebrar o galho de quem esqueceu alguma informação no PC ou precisa executar ações remotamente.

Screenshots do Chrome Remote Desktop.
Imagens do Chrome Remote Desktop.

Fenix for Twitter

Ícone do Fenix for Twitter.Para Android.
O que é? Cliente para Twitter que respeita as diretrizes de design do sistema.
Preço? ~R$ 6,15
DOWNLOAD

O Android ainda não tem um cliente definitivo para Twitter, como é o Tweetbot no iOS, mas concorrentes promissores têm aparecido na plataforma. O Fenix é o último desses: com um visual simples e limpo, ele respeita as diretrizes visuais do Google para o Android, conta com layout especial para tablets e é aberto a muita personalização.

Além dos recursos básicos do Twitter, alguns extras, como silenciar usuários, palavras-chaves ou hashtags, estão presentes. Dá, também, para alterar o tema do app — são três opções: claro, escuro e totalmente preto. Apesar de novo, sobram elogios ao Fenix; mesmo pago ele merece uma olhada mais atenta por aqueles que usam bastante o Twitter ou não suportam o cliente oficial.

Screenshots do Fenix for Twitter.
Imagens do Fenix for Twitter.

Frontback

Ícone do Frontback.Para Android, iPhone.
O que é? App que tira fotos simultaneamente com selfies, usando as duas câmeras.
Preço? Gratuito.
DOWNLOAD Android, iPhone

Selfies estão na moda, e o Frontback se aproveita disso para estender um pouco o conceito: com este app você tira duas fotos ao mesmo tempo, com as câmeras frontal e traseira, colando ambas em uma só. O Frontback saiu ano passado para iPhone e, agora, chega ao Android.

O app permite compartilhar as fotos feitas em outras redes sociais e foi bem adaptado ao Android — nada de reutilizar elementos do iOS. É um app com uma finalidade bem específica, mas que pode ser divertido dependendo do contexto.

Screenshots do Frontback.
Imagens do Frontback.

Google Docs e Google Sheets

Ícones do Google Docs e Google Sheets.Para Android, iPhone, iPad.
O que é? Apps para edição de textos e planilhas eletrônicas.
Preço? Gratuita.
DOWNLOAD Google Docs (Android, iPhone/iPad), Google Sheets (Android, iPhone/iPad)

Já era possível criar e editar documentos de texto e planilhas eletrônicas no Google Drive, sem falar no QuickOffice, que o Google comprou há alguns meses e liberou gratuitamente. Nada disso impediu a liberação de apps dedicados para essas funções, o Google Docs e Google Sheets (ou Documentos Google e Planilhas Google, como ficou a tradução no Brasil).

Os apps não trazem nada novo e, pelos últimos acontecimentos, parecem mais uma resposta à chegada do Office da Microsoft ao iPad. É uma questão puramente de percepção, já que, como dito, o Drive já fazia essas funções de forma praticamente idêntica à dos novos apps. Para quem usa e prefere só uma das aplicações, sem toda a estrutura do Drive, pode ser uma boa pedida.

Screenshots do Google Docs e Google Sheets.
Imagens do Google Docs e Google Sheets.

IFTTT

Ícone do IFTTT.Para Android e iPhone.
O que é? App de receitas para automatizar ações na Internet.
Preço? Gratuito.
DOWNLOAD Android, iPhone.

O IFTTT leva um dos conectores lógicos mais legais, o “se isto então isto”, para as massas. Com ele, dá para programar ações condicionais, executadas quando um evento pré-determinado (o primeiro “isto”) ocorre. Exemplo simples? Mande um e-mail de aviso se for chover amanhã.

O app para Android chega algum tempo depois da versão para iPhone, mas com mais coisas graças à natureza menos fechada do sistema do Google. Tanto que, por ocasião da estreia do app, o IFTTT estreou seis novos canais exclusivos para Android. Dá para, por exemplo, manter o wallpaper do seu smartphone ou tablet atualizado com a última foto publicada no Instagram. As possibilidades são incontáveis, e o app é muito bem feito.

Screenshots do IFTTT.
Imagens do IFTTT.

Lingua.ly

Ícone do Lingua.ly.Para Android.
O que é? App de auxílio para aprender palavras em outro idioma.
Preço? Gratuito.
DOWNLOAD

Apps e sites para aprender novos idiomas existem aos montes, mas sempre há espaço para novas abordagens. O Lingua.ly, exclusivo para Android, com versão para iPhone prometida, traz uma dessas.

Aqui, você não tem lições ou programas pré-estabelecidos. A premissa do app é fornecer ferramentas para que os usuários criem seus próprios vocabulários, colhendo palavras de outros locais e da web — existe uma versão para o navegador e extensões de navegadores para fazer a ponte com o app móvel. Ao coletar uma palavra, você pode ver seu significado, associar imagens a ela, escrever frases para lembrar o contexto e ler artigos reais que trazem a palavra em questão.


Mailbox

Ícone do Mailbox.Para Android, iPhone, iPad.
O que é? Cliente de e-mail com foco em produtividade.
Preço? Gratuito.
DOWNLOAD Android, iPhone e iPad

Outro ex-exclusivo do iOS, o Mailbox é um cliente de e-mail que ajuda os usuários a chegarem à mítica inbox zero. Como? Com um leque de ações para dar cabo das mensagens tão logo elas cheguem — se não respondendo/apagando/arquivando, adiando a mensagem para um momento posterior –, tudo por gestos simples e rápidos.

Apesar de alguns detalhes que lembram muito a versão para iOS, essa primeira versão é bem competente, e traz novidades, como um mecanismo que aprende seus padrões de uso para automatizar algumas coisas. Além de gratuito, ao instalá-lo você ganha 1 GB de espaço no Dropbox.

Screenshots do Mailbox.
Imagens do Mailbox.

Movie Moments

Ícone do Vídeo Moments.Para Windows Phone 8.1, Windows.
O que é? Editor de vídeos simples, com suporte a frases e música de fundo.
Preço? Gratuito.
DOWNLOAD Windows Phone 8.1, Windows.

Esse só funciona no Windows Phone 8.1, já que se aproveita das novas APIs de vídeo dessa versão do sistema. Desenvolvido pela Microsoft, e com versão para Windows 8/RT, é um editor simples de vídeos.

Existe uma limitação de tempo, os vídeos têm no máximo 60 segundos. Após fazer os recortes desejados no seu, é possível incluir legendas e textos estilizados e, depois, música — o app vem com alguns clipes de áudio, mas dá para importar sons da sua coletânea de músicas. Terminou? Mande para o OneDrive ou compartilhe no Facebook.

Screenshots do Video Moments.
Imagens do Video Moments.

Opera Coast

Ícone do Opera Coast.Para iPhone.
O que é? Navegador web com interface minimalista baseada em gestos.
Preço? Gratuito.
DOWNLOAD

Lançado ano passado para iPad, o Opera Coast, a versão do conhecido navegador reimaginada para dispositivos móveis chega agora para o iPhone.

O Opera Coast deixa para trás várias convenções de navegadores web, muitas delas migradas do desktop para dispositivos móveis. Não existe barra de endereços, a tela está sempre cheia e os controles de navegação são gestuais. Parece complicado, e existe mesmo uma pequena curva de aprendizado no começo, mas com a prática vem muita agilidade e mais área real para apreciar os sites que você gosta.


Reading List

Ícone do Reading List.Para Windows Phone 8.1.
O que é? Bookmarks para textos encontrados na web.
Preço? Gratuito.
DOWNLOAD

Outro só para Windows Phone 8.1, e que também faz dobradinha com um app homônimo no Windows 8/RT. O Reading Lists, ou Lista de Leitura, parece muito com o Pocket e Instapaper, mas ele não faz cache para leitura offline, nem salva o texto em uma formatação mais legível. É, na prática, apenas um sistema de bookmarks mais visual e, agora, sincronizado.

Screenshots do Reading List.
Imagens do Reading List.

Scanbot

Ícone do Scanbot.Para Android, iPhone.
O que é? App que tira fotos de documentos e recibos com qualidade superior.
Preço? ~R$ 2,50
DOWNLOAD Android, iPhone.

Sim, você pode abrir o app da câmera e tirar uma foto do boleto, recibo ou documento. O que o Scanbot promete, porém, é maior qualidade: além da alta resolução (200 dpi), ele tem recursos para diminuir borrados, delinear textos e melhorar a legibilidade das letrinhas em qualquer documento de texto.

Depois de tirada a foto, um processo que consiste em posicionar a câmera sobre a folha (não é preciso tocar em botão algum), o Scanbot ainda pode enviá-la para serviços de armazenamento na nuvem, como Google Drive, Dropbox e Evernote, automaticamente. Para quem trabalha com muito papel e está na luta pela digitalização, parece uma boa ponte entre os dois universos.

Screenshots Scanbot.
Imagens do Scanbot.

Tilesparency e Transparency Tiles

Ícones do Tilesparency e Transparency Tiles.Para Windows Phone 8.1.
O que é? Apps para criar blocos transparentes para a tela inicial.
Preço? Gratuito.
DOWNLOAD Tilesparency, Transparency Tiles.

O Windows Phone 8.1 permite incluir imagens de fundo na tela inicial, só que em vez delas ficarem no fundo, aparecem dentro dos blocos. Esses dois novos apps permitem brincar com o efeito e dar mais liberdade na hora de compôr o layout dessa tela. (Para funcionarem, obviamente, é preciso estar com o Windows Phone 8.1 e ter uma imagem de fundo definida.)

O Tilesparency permite criar blocos vazios, transparentes, para mostrar melhor a imagem. Não só: também dá para criar blocos com pequenas ações pré-definidas. O app é gratuito, mas permite compras in-app, para remover anúncios e garantir futuras atualizações. Já o Transparency Tiles traz atalhos para diversos apps populares, como Facebook, apps do Xbox, os do Rudy Huyn e outros vários — a lista é grande! Tenha em mente, porém, que os blocos criados por ele não são dinâmicos.

Screenshots do Tilesparency e Transparency Tiles.
Imagens do Tilesparency e Transparency Tiles.

Union

Ícone do Union.Para iPhone, iPad.
O que é? App de edição de fotos que mistura duas em uma só, com efeitos artísticos.
Preço? US$ 1,99
DOWNLOAD

Apps para editar fotos não faltam no iOS, mas o Union se destaca pela facilidade com que alcança montagens baseadas em sobreposições belíssimas, muito parecidas com as da abertura de True Detective. É tudo bem fácil e poderoso, já que bastam alguns toques para se chegar ao resultado desejado.

Após carregar a imagem de fundo e a frontal, as ferramentas permitem isolar o objeto em primeiro plano e realizar outros ajustes finos. Finalizado o trabalho, dá para exportá-lo em outros apps, preservando a resolução máxima.

Screenshots do Union.
Imagens do Union.

19 apps! Para mais, visite as listas de janeiro, fevereiro e março, e as dos melhores apps de 2013 para iPhone, Android e Windows Phone.

Foto do topo: Kārlis Dambrāns/Flickr.

Para mudar sua imagem, Foursquare eliminará check-ins e lançará um novo app, o Swarm

Desde que surgiu para o mundo na SXSW de 2009 em Austin, EUA, o Foursquare busca ser mais do que uma curiosidade usada por círculos restritos mais ligados à tecnologia. Até hoje, não conseguiu. A última novidade do serviço para decolar junto ao público mainstream é, até agora, a mais radical também: dividir o app em dois.

Por que eles queriam nossos check-ins?

Ícone do Foursquare.
Imagem: Foursquare.

Dennis Crowley, CEO do Foursquare, vem tentando sem sucesso mudar a imagem do serviço que comanda. Muita gente o vê como um “jogo” de check-ins e medalhas, uma reminiscência das primeiras versões que há algum tempo deixou de ser prioridade. O Foursquare dos últimos meses, quiçá anos, é um app para descobrir novos lugares legais, um concorrente do Yelp. Ou pelo menos é isso o que ele quer ser.

Em 2009 o check-in e seus incentivos eram necessários pela (falta de) tecnologia. Os smartphones de 2014 são mais robustos, sabem sempre onde nós estamos, têm baterias mais duradouras. Foi graças a essa evolução que o Foursquare, após colher mais de 5 bilhões de check-ins, deixou de precisar tão desesperadamente deles. Com o projeto Pilgrim, consegue saber onde seus usuários estão sem que eles sequer abram o app e recomendar lugares legais e onde seus amigos estão no momento.

“Todas as coisas que fizéramos no Foursquare até esse ponto, como check-ins e tips, todas essas coisas foram projetadas para nos levar a esse ponto onde nós temos a quantidade certa de sinais e nos sentimos confiantes para mandar a mensagem certa a você no momento exato.”

Essa evolução explicada por Crowley, que culminou com as notificações proativas, não foram suficientes para mudar o estigma do Foursquare. Para a maioria, ele ainda só serve para fazer check-in nos lugares. Em breve, ele sequer fará isso.

Foursquare e Swarm

Swarm, o novo app do Foursquare.
Imagem: Foursquare.

O novo Foursquare não terá a função de check-in. O app oferecerá apenas recomendações de lugares legais, um buscador local baseado em critérios mais objetivos e colaborativos em contraponto aos longos reviews individuais do Yelp, declarado maior concorrente, e outros do gênero. Ao The Verge, que publicou uma longa reportagem sobre a nova configuração do Foursquare, Noah Weiss, vice-presidente de gerenciamento de produtos do Foursquare, disse:

“Não queremos que você leia longas avaliações [de lugares]. Não queremos longas avaliações. O que temos são milhões de pessoas nos dizendo dezenas de milhões de vezes o que tem nesse lugar? Qual o clima desse ambiente? Como podemos mostrar isso a você de uma forma decidida de modo que você possa ver passando os olhos?”

Weiss também revelou que em apenas 5% das sessões com o app do Foursquare as pessoas desempenham as duas funções do app – fazer check-in e consultar recomendações. Tudo isso culminou na divisão. Em breve, a função de check-in para saber onde seus amigos estão no momento será de um novo app, o Swarm.

O Swarm não é só um pedaço separado do Foursquare e empacotado em uma nova embalagem. O app cria um “mapa de calor” dos seus amigos de acordo com o raio de distância onde eles se encontram: primeiro os da vizinhança, depois os da mesma cidade e por fim o resto. Ele informa a sua localização em tempo real, mais ou menos como o recém-anunciado Friends Nearby, do Facebook, mas ainda permite o check-in, caso alguém queira ser mais preciso na hora de informar aos amigos onde está. Crowley acredita que a sua oferta se sobrepõe à do Facebook por ser um app dedicado e por não ter todos os seus “amigos” na rede de contatos, um problema que se torna cada vez mais crítico para o Facebook. E ainda tem a falta de confiança no Facebook — muita gente torce o nariz para o site e evita ao máximo ceder informações a ele, especialmente a localização contínua em tempo real.

Pelos vídeos, o Swarm parece ser um app bem feito e estende a função agora eliminada do app principal, o check-in para saber onde seus amigos estão no momento. O Foursquare, uma máquina de recomendar bons lugares. Seus algoritmos são bem espertos, o processamento dos sinais para atribuir notas e recomendações é muito bom e ele, quando usado para esse fim de exploração, funciona. No papel, a divisão em dois apps faz sentido. A maior dificuldade, porém, não é técnica, mas de comunicação. E se nem mesmo uma medida tão extrema quanto essa não funcionar, é difícil imaginar o que pode ser feito para mudar a imagem do Foursquare.

Os novos apps serão lançados em breve. Interessados no Swarm podem deixar um e-mail no site oficial para serem avisados quando ele estiver disponível.

Facebook f8: controle aos usuários, poder aos desenvolvedores

Conferência f8, do Facebook.
Foto: Facebook.

Após dois anos de hiato, a f8, conferência para desenvolvedores do Facebook, voltou a acontecer ontem, em San Francisco, EUA. No evento deste ano, os anúncios tiveram um objetivo: tornar a plataforma hegemônica em dispositivos móveis.

O Facebook dividiu as novidades em três áreas: estabilidade para desenvolvedores, prioridade para pessoas e serviços e ferramentas multiplataforma. Existem mudanças positivas para usuários finais, mas quem mais se beneficiará com o caminhão de anúncios serão aqueles que criam apps, serviços e soluções baseados no Facebook.

Olhando de fora, falando como não desenvolvedor, a sensação é de que a plataforma está madura. Só isso viabiliza a promessa, do Facebook, em garantir suporte mínimo de dois anos para produtos básicos a desenvolvedores através do versionamento da plataforma. São aspectos bem técnicos que, indiretamente, tornam a experiência dos usuários mais confiável – apps quebrarão menos e se comportarão como o esperado com mais frequência.

Poder e privacidade nas mãos do usuário

À audiência da f8, composta por cerca de 1500 desenvolvedores, Zuckerberg disse que “algumas pessoas têm medo de clicar no botão azul. Se estiver usando um app em que não confia totalmente ou teme que possa fazer spam para seus amigos, você não dará a ele um monte de permissões”. Para diminuir a rejeição do botão azul, nada mais que o botão de login do Facebook, ele foi repensado.

Agora, as permissões dos apps poderão ser ajustadas individualmente. No modelo ainda vigente, o acesso a um app é questão de “tudo ou nada”, o que gera situações desconfortáveis como a proliferação automática de perfis de homens no Lulu via permissões de amigas que usavam o app.

No novo sistema, dá para editar as permissões. Elas são granulares. Se já existisse na época do Lulu, seria possível entrar, ver e atribuir notas aos homens sem comprometer seus amigos; bastaria desativar o compartilhamento da lista de amigos na hora de fazer login, a saída que na época cogitei por aqui mas que se mostrava impossível. As únicas informações obrigatórias continuarão sendo as que já são atualmente – nome, faixa etária, sexo, foto de perfil e outros detalhes técnicos. Todas as demais ficam a critério do usuário compartilhar ou não com o app.

Dá para definir o que não compartilhar com os apps.
Imagem: Facebook.

Novos apps precisarão ser aprovados pelo Facebook em um processo que, segundo a documentação, levará de 7 a 14 dias úteis. Eles deverão, ainda, prever todos os cenários onde um tipo de permissão não é concedido pelo usuário. Essa postura, bastante legal, é similar à da Apple com o iOS.

Outro temor generalizado, o de apps que publicam na linha do tempo e mandam mensagens para contatos sem que o dono do perfil fique sabendo, também recebeu atenção. Agora, o login do Facebook traz uma tela à parte que destaca bastante esse comportamento, incluindo um seletor para que o usuário decida com quem permite que o app compartilhe conteúdo.

O Facebook incentiva bastante os desenvolvedores a exigirem o mínimo possível de permissões. O site diz que apps que pedem mais de quatro permissões veem uma queda abrupta no número de logins completados.

Login anônimo: teste apps sem revelar seus dados.
Imagem: Facebook.

Se parasse aí, já estaria de bom tamanho. Mas tem mais. Apps que usam o login do Facebook poderão oferecer, agora, um modo anônimo. É como se o usuário fizesse login no app normalmente, só que por essa via ele não compartilha nada com o app, podendo usá-lo como se tivesse fornecido as informações pedidas pela via tradicional sem o risco de que façam mal uso dos seus dados. Uma degustação sem compromisso. Depois, quando e se estiver confortável com a aplicação, ele pode conceder devidas permissões para ter uma experiência mais rica.

Embora existam ganhos reais em privacidade, é preciso ainda confiar no Facebook – ele sempre sabe quais apps você usa. Na prática isso garante o uso dos apps, em modo anônimo, em vários dispositivos sem que seja preciso refazer o login a cada sessão.

Não é só por benevolência e por acreditar na privacidade que o Facebook trouxe essas mudanças bem-vindas ao seu sistema de login – todas em testes com parceiros, com previsão de disponibilidade geral para os próximos meses. Por trás das boas intenções está o interesse em incentivar as pessoas a usarem mais apps de terceiros através do Facebook, deixá-los mais confortáveis e confiantes em logar com o Facebook em vez de fornecer e-email e senha ou, pior, usar a solução do Google. Dessa forma, o Facebook garante os dados das nossas vidas que são, no fim do dia, o alimento básico que faz a rede social crescer.

A cola que une a Internet móvel

E teve mais coisas. Algumas, isoladamente, são promissoras. Juntas, todas elas representam uma investida digna de nota.

A maior delas parece ser o App Links. Não ficou muito claro, pelo menos na página que apresenta o serviço, como ele funcionará na prática, mas a ideia geral é que essa solução unifique e viabilize a inclusão de links profundos entre apps, inclusive multiplataforma, da mesma forma que serviços se linkam facilmente na web.

Ainda vimos o botão Curtir nativo para iOS, um novo formato para conteúdos de apps compartilhados através do Facebook Messenger, o envio instantâneo de apps logados na web para um dispositivo móvel e a Audience Network, a rede de anúncios do Facebook para terceiros, apps e sites, um ataque direto ao Google e seu AdSense. No último relatório divulgado a investidores, o Facebook revelou que 59% de todo o faturamento com publicidade veio de dispositivos móveis. A expansão dos anúncios para terceiros deve elevar ainda mais essa porcentagem.

Em texto publicado na Quartz, Leo Mirani disse acreditar, com argumentos de sobra, que o Facebook está posicionado para ser na Internet móvel o que o Google é na web, ou seja, a cola que mantém tudo funcionando. Para a estratégia da empresa, não é imprescindível que todo mundo use o app (ou os apps) do Facebook se, ao usar outros, as pessoas continuem interagindo com o Facebook. Com login, curtir, compartilhamento, links profundos, anúncios e uma nuvem para desenvolvedores (que, por sinal, ficou mais barata e ganhou funções offline), esse cenário se desenha com contornos fortes.

Sua vez, Google.

Do NOT follow this link or you will be banned from the site!