Quais dados seus o WhatsApp compartilha com Facebook, Instagram e outros?

Atualizado (14 de janeiro): Publiquei uma análise aprofundada da nova política de privacidade do WhatsApp. Leia-a clicando aqui.

Como diria o Tino, o Facebook sentiu. Pelo Twitter, o perfil do WhatsApp publicou um infográfico para explicar quais dados não compartilha com o Facebook. Novamente, o Facebook se apega à criptografia de ponta a ponta como se fosse uma panaceia da privacidade, o que não é verdade. O infográfico só conta metade da história, omitindo os muitos dados que são compartilhados com Facebook, Instagram e outras propriedades do grupo.

Segundo esta página de perguntas e respostas do WhatsApp, são compartilhados com outras empresas do Facebook “informações de registro de sua conta (como seu número de telefone), dados de transações, informações relacionadas ao serviço, informações sobre como você interage com outras pessoas (incluindo empresas) ao usar nossos Serviços, informações do aparelho móvel, seu endereço de IP.”

Não só. Ela diz, ainda, que o “compartilhamento também pode incluir outras informações identificadas na seção ‘Informações que coletamos’ da nossa Política de Privacidade.” Aqui está a política de privacidade atualizada. O trecho “informações que coletamos” traz, entre outras coisas:

  • “Os recursos que você usa, como nossos recursos de grupos, Status, ligações ou mensagens (incluindo nome do grupo, imagem do grupo e descrição do grupo), recursos comerciais e de pagamentos; foto de perfil; recado; se você está online; quando usou nossos Serviços pela última vez (seu ‘visto por último’).”
  • “Modelo de hardware, informações do sistema operacional, nível da bateria, força do sinal, versão do aplicativo, informações do navegador, rede móvel, informações de conexão como número de telefone, operadora de celular ou provedor de serviços de internet, idioma e fuso horário, endereço IP, informações de operações do dispositivo e identificadores.”
  • Ao contrário do que diz o infográfico, dados de localização são compartilhados, mesmo que vocês não os use: “Mesmo se você não utiliza nossos recursos relacionados à localização, usamos endereços IP e outros dados como códigos de área de número de telefone para calcular sua localização geral (por exemplo, cidade e país).”

A maioria dos itens da lista acima não é nova. Desde 2016, quem não optou, naquela época, por não compartilhar dados do WhatsApp ou criou sua conta no WhatsApp depois, já os compartilha com outras propriedades do Facebook. A nova política de privacidade expande os dados compartilhados e suprime do texto o trecho em que na anterior citava a exceção ao compartilhamento.

Atualização (13/1, às 6h30): Inserção de um parágrafo, o último, com mais informações sobre o compartilhamento de dados do WhatsApp com outras propriedades do Facebook.

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12 comentários

  1. Eu não consigo entender oq foi que mudou no contrato, pois esses dados todos já eram compartilhados com a empresa antes, informações do aparelho, de uso do app, localização, contatos, status, recado, etc…
    Eles deixaram isso mais claro e o pessoal se assustou?!

    1. O compartilhamento dos dados coletados no WhatsApp com o Facebook era opcional. Digo, para contas antigas que, em 2016, negaram esse tipo de compartilhamento. Na política de privacidade que está sendo substituída, há este trecho (tópico “Atualizações importantes”):

      Se você já usa o WhatsApp poderá escolher não compartilhar os dados da sua conta do WhatsApp com o Facebook para melhorar suas experiências com anúncios e produtos no Facebook.

      Ele foi suprimido na nova redação que passa a valer em 8 de fevereiro.

      Editado: Segundo um comunicado do WhatsApp à PCMag, quem optou por não compartilhar os dados do WhatsApp com o Facebook em 2016 será respeitado. De qualquer forma, quem estiver nessa posição precisa: 1) confiar no Facebook; e 2) tolerar o compartilhamento de dados com empresas terceiras e o próprio Facebook ao conversarem com perfis comerciais (WhatsApp Business) na plataforma — essa é, pois, a principal mudança da nova política de privacidade.

    2. Bom, eu não tinha lido a Política de Privacidade antes de me cadastrar, apesar de ser um hábito que costumo ter (ler os Termos de Uso e a Política de Privacidade). Minha chefe estava cobrando que eu criasse uma conta pra entrar no grupo do pessoal do trabalho, e eu criei a contragosto só pra isso. Mas com o tempo, meus usos desse mensageiro foram se expandindo… Agora que o Manual do Usuário noticiou é que eu me interessei em imprimir e ler a Política de Privacidade e os Termos de Serviço. Comparei com os respectivos textos do Telegram e eles são bem melhores.

      O X da questão é que nenhum dos dois aplicativos é perfeito: “Não existe almoço grátis”. Eu pensei em deletar meu WhatsApp, mas até onde sei, as conversas individuais continuam tendo criptografia ponta-a-ponta, então não vejo porquê não usá-lo, apesar da captura dos metadados. Criei uma conta no Telegram pela segunda vez, já que ele permite a criação de “chats secretos” com criptografia ponta-a-ponta, embora não seja o padrão — o padrão é apenas criptografia em-trânsito. Acho que assim estou apoiando quem quiser migrar, mas não vejo benefício em eu mesmo migrar.

      Alguém gostaria de contra-argumentar?

  2. A questão principal, em termos do Brasil, é que nós temos um contrato (Sim, a política de privacidade faz parte do contrato que temos com o Facebbok) e este contrato foi alterado de forma unilateral (uma vez que é um contrato de adesão), e isto resultou em profundas mudanças na prestação do serviço e que coloca o consumidor em uma situação de vulnerabilidade.
    Agora olhamos para o Código de Defesa do Consumidor, e verificamos que, ao ler o art. 6° dos direitos do consumidor, temos ao menos dois incisos que estão sendo descumpridos, o relativo a informação clara do serviço (uma vez que não está claro os efeitos destas mudanças aos consumidores leigos) e a de cláusula abusiva.
    Eu acho inacreditável que uma mudança desta maneira de um contrato que influência uma quantidade considerável de pessoas, empresas e serviços (inclusive públicos), não tenha a atenção devida dos órgãos de defesa do consumidor, ministério público ou outros organismos de proteção aos direitos (mas não a OAB, não espero nada da OAB, só cartinha de repúdio).
    Eu sempre achei estranho como não há um estudo mais aprofundado quanto à abusividade e descumprimento da lei das alterações dos termos de uso e da política de privacidade de sites e programas.

    1. Deve ser porquê eles se submetem somente à jurisdição dos EUA, dado que os servidores deles ficam lá e consta no contrato que eles cumprem apenas as leis da Califórnia, e que você só pode processá-los em um tribunal específico daquele estado, localizado numa cidade específica.

  3. E será que isso vai gerar algum dano real pro WhatsApp, no fim das contas? Quero dizer, tá todo mundo falando mal, mas quantos usuários eles vão perder por conta disso? Me veio à mente aquele ditado, “fale mal, mas fale de mim”…

    1. Signal e Telegram dispararam nos rankings de download das lojas de aplicativos. Ainda que não substituam por completo, mais gente estará nessas plataformas alternativas, o que cria incentivos para que as usemos mais. Não acho que é o início do declínio do WhatsApp, mas é uma investida forte contra ele/o Facebook (ironicamente, gerada pelo próprio).

    2. A queda de um gigante não é feita de uma hora pra outra, é aos poucos. Até hoje fico pensando no tempo do orkut / msn as pessoas não sabiam que aquilo iria acabar.

    3. No canal de um dos criadores do Telegram (https://t.me/durov), ele mandou uma mensagem poucos minutos atrás dizendo que além de ultrapassar a marca de 500 milhões de usuários ativos mensais eles tiveram 25 milhões de novos usuários nas últimas 72 horas.

      É muita gente! Impressionante a escalabilidade que eles estão alcançando.
      Se esse povo todo permanecerá utilizando o aplicativo, só o tempo dirá.

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