Pessoa de sexo não identificado, com cabelo roxo e pele azul, segurando uma xícara de café com vários ícones em alusão ao Manual do Usuário na fumaça e um celular na outra mão. Embaixo, o texto: “Apoie o Manual pelo preço de um cafezinho”.

É possível “piratear” NFTs com o botão direito do mouse?

“É possível ‘piratear’ NFTs com o botão direito do mouse?”, pergunta Bruno Ignácio no Tecnoblog. Ele mesmo responde depois que, não, não é possível, porque embora as obras sejam arquivos digitais reproduzíveis por qualquer pessoa (expliquei aqui), “esse arquivo não possui nenhum valor e tampouco configura um ativo digital, com autenticidade garantida por um registro em rede blockchain”.

A resposta parte da premissa de que a rede blockchain é uma garantia absoluta e inquestionável de autenticidade apenas por registrar, de modo público, imutável e insubstituível, um certificado de autenticidade — que, sabemos, é um emaranhado de códigos que não tem muito a ver com a obra em si e que está sujeito à manutenção do servidor/da blockchain onde foi registrado.

Em momento algum essa premissa extremamente frágil é questionada, ainda que sejam dadas algumas pistas ao(à) leitor(a) mais atento. Por exemplo, Bruno reconhece que NFTs não têm respaldo legal e que podem ser exploradas por qualquer um, ou seja, a falta de regras dos criptoativas permite que alguém se aproprie do trabalho alheio e o venda como NFT. Parece maluco, mas já aconteceu.

“Se um caso desses chegar a justiça, por mais confuso que seja, o autor terá mais chances de provar a posse e autoria do arquivo, algo que não muda por um simples segundo clique do mouse”, escreve ele, sem explicar a parte “confusa”. Há jurisprudência nesse sentido? De que modo, juridicamente falando, a posse de um NFT ajudaria num caso desses?

Aqui, na minha ignorância (porque custo a entender essa bobagem), a pergunta a ser feita não seria a do título do artigo, mas sim por que alguém iria querer piratear um NFT — NFT que, reforço, não tem nada a ver com a obra em si, mas se trata apenas de um emaranhado de código colocado numa blockchain e que, só por isso, atribui “propriedade” e tem “valor”, segundo as pessoas que acreditam em NFTs. Sigo sem resposta. Via Tecnoblog.

Deixe um comentário para Anônimo Cancelar resposta

Seu e-mail não será publicado. Dúvidas? Consulte a documentação dos comentários.

10 comentários

  1. O desconhecimento do que é NFT e blockchain é gritante.
    Mas, pelo bem ou pelo mal, todo mundo vai ter que aprender no futuro.
    É incrível como toda disrupção (pra usar o termo lacrador) causa uma repilsa inicialmente, né. É tipo o cara lá falando que ninguém precisaria de mais de 2 megabytes de memória ram.

  2. A única relação entre uma obra e seu NFT é a história que alguém querendo lucrar com isso conta.

  3. Também não entendo pq dar valor ao NFT… do mesmo jeito que não entendo pq idolatrar tanto a bolsa de valores(ainda que partes dessa faça sentido).

    Mas pensei se o alguém conseguir piratear isso, na verdade vai ter hakeado o sistema dito inquebrável e mesmo que ganhei dinheiro vendo de novo algo que poderia ser único; vai ter coisa muito mais interessante e perigosa para fazer.

    Acho que seria tão revolucionário quanto foi quando outros povos descobriram as técnicas medievais de construção; mudou paradigmas, poder e sociedade, tirou a dependência de um povo do outro. Para piratear o cara tem de saber como funciona a rede e mudar ela…

    Ou ele criar uma rede paralela e traveste ela de rede oficial, dando um nó na confiança das pessoas, assim como os saites de compras e de bancos que parecem oficiais mas não são.

  4. Uma coisa que ao que vejo não é muito discutida por aí é “como dar valor a algo”?

    É engraçado ver um código ganhando um valor porque alguém falou que aquilo “é único e exclusivo”. Se dá valor financeiro (que também é algo quase que abstrato) a algo mais abstrato que nem sabemos o porque de tão caro, enquanto pessoas por aí sofrem pela falta de recursos porque alguém resolveu redirecionar os recursos para ganhar algo que o faça se sentir “valorizado”.

    1. Cada vez mais eu penso que nft é só um grande comprovante de “otario”, se não tá comprando nada nem físico nem digital e sim uma “nota fiscal” e ela nem diz que vc é dono de algo só daquela “nota”. Eu não torço pra desgraça de ninguém, mas não vejo a hora dessa bolha estourar.

    2. “Uma coisa que ao que vejo não é muito discutida por aí é “como dar valor a algo”? ”

      A atribuição de valor ou “preço” a algo é bastante complexo, mas podemos simplificar em poucas palavras, sem nos distanciar tanto assim da realidade.

      A princípio o valor é individual e somente a própria pessoa pode dizer quais as motivações dela para atribuir aquele valor específico a alguma coisa. Pode ser porque ela vê a possibilidade de vender essa coisa por um valor maior do que ela pagou, mas também pode ser porque ela se sente bem em ter essa coisa. Então, quem “dá o valor” é quem compra. Afinal, se ela acha que aquilo não vale o preço cobrado ela não compra. Simples assim.

      O vendedor, por sua vez, atribui um preço que cubra os seus custos e sua remuneração, caso contrário ele nem coloca à venda o produto/serviço.

      Então tudo tem um preço mínimo, mas não tem um preço máximo. Cobre o preço que quiser, por mais absurdo que seja, e se alguém comprar é porque essa pessoa está atribuindo um valor maior ou igual ao preço que você cobrou.

      Link relacionado: https://fantasticfacts.net/pt/3092/

      1. O ponto principal é o seguinte.

        Quando falamos em “valor”, é o que enxergamos como algo que tem um “peso” de necessidade / disponibilidade.

        Precisamos nos alimentar. Se sabemos como nos alimentar com o que é disponível na natureza, teoricamente nem precisamos pagar por alimento – basta tirar da natureza.

        Só que criamos o conceito de “propriedade”, e aí as coisas mudam tudo de figura. É algo que cairia em uma espiral filosófica que caberia mais em um futuro Post Livre.

        Mas enfim. Entendo que a partir do momento que o conceito de valor e propriedade foram moldados para a situação que vivemos hoje, dificultou a vida de muitos.

  5. Todo esse lance em torno de criptomoeda é um problema gigante de ego. Se não fosse vendido como revolucionário ou, no caso do NFT, a forma de valorização da arte, etc, era só mais uma idiotice neoliberal da internet. Mas parece que tudo em torno disso precisa ser TÃO FODA e VAI MUDAR TUDO. Eu hein.

    1. Estranho, funciona de maneira muito parecida com um esquema antigo, ilegal, e que é tido por pessoas de bom senso como furada. Não consigo me lembrar do nome, mas sei que tem a ver com construções no antigo Egito…

Compre dos parceiros do Manual:

Manual do Usuário