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Sleeping Giants é formado por casal de 22 anos do interior do Paraná

O perfil brasileiro Sleeping Giants revelou sua identidade. É um casal de Ponta Grossa (PR), Leonardo de Carvalho Leal e Mayara Stelle, ele ex-motorista de Uber, ela vendedora de maquiagem — ambos com 22 anos, afetados pela pandemia e recebendo o auxílio emergencial. Já sabíamos que eram estudantes de direito, mas não que eram um casal.

Teorias mil se seguiram à revelação, feita com exclusividade pela Mônica Bergamo. Perfis bolsonaristas alegam que o casal é um “laranja”, como se fosse necessário uma mega-operação para ficar no Twitter citando perfis de marcas que aparecem em anúncios. Um disse que a revelação seria falsa porque “não existe motorista de Uber de esquerda.” Sintomático que perfis afeitos a notícias falsas tenham dificuldade em aceitar verdades singelas — ou no mínimo, para manter algum ceticismo, informações verossímeis.

De volta ao mundo são, ainda não entendo as razões para terem decidido revelar a identidade. Leonardo disse, na entrevista, que “a gente acredita que é o momento de mostrar o rosto para nossos seguidores, antes que um site de fake news descubra quem a gente é.” Eles se mudaram para São Paulo para proteger os familiares; essa confiança no distanciamento geográfico não resolve muita coisa com a internet. Pode parecer paradoxal, mas o anonimato fortalecia o projeto, e não o contrário. Nos Estados Unidos, Matt Rivitz, o criador do Sleeping Giants original, teve a sua identidade revelada por um site de extrema direita.

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15 comentários

  1. Eu li a matéria da Folha e a única coisa que me ocorreu é que talvez o casal “laranja” tenham a intenção de encontrar financiadores para o projeto, ou monetizar de alguma forma…

  2. A justificativa deles para se revelarem agora também não me pareceu natural. De modo que eu só consigo pensar em uma explicação: reconhecimento. Seja para validar um trabalho acadêmico, seja para conseguirem “renome” pra colocarem em um currículo, ou somente pela “fama” mesmo, essa me parece a razão mais lógica (e mais arriscada também). O anonimato impediria esse reconhecimento.

    1. Penso que como só eram os dois, com algum mínimo respaldo de ativistas, eles de alguma forma também podem ter se sentido inseguros ao continuar anônimo, ou talvez até mesmo em partes “desistido” dado que mesmo com o trabalho deles, ainda há muito desvio e investimento nas notícias falsas. Ou como parte para continuar o trabalho, resolveram se expor já sentindo a possibilidade de estarem mais seguros.

      Diferente do relatado, acho que neste momento o anonimato já estava começando a incomodar e ser prejudicial aos mesmos. Ainda mais nas condições citadas – sem grana e sem trabalho, só pelo auxílio.

  3. “De volta ao mundo são, ainda não entendo as razões para terem decidido revelar a identidade…”
    .. Os que acreditam que esse casal é laranja devem pensar o mesmo….

      1. “O céu é azul” não é ideológico.
        Enfim, só quis avisar pra talvez fazer vc refletir por aí se vale a pena continuar com esse tipo de escrita.

        1. Será? Dependendo do contexto, até 2+2=4 pode ser político. O que você chama ideologia é, em essência, aquilo de que discorda, ou que destoa daquilo que, do seu ponto de vista, configura o normal.

          De qualquer modo, agradeço o aviso. Estou sempre refletindo e, no momento, essa é a linha editorial do Manual do Usuário. Eu e o site nos posicionamos politicamente, e sem receio de fazê-lo. É importante, é necessário. Não agrada a todos, mas paciência — o que mais tem é site de tecnologia “sem ideologia”, ou que assim pensam ser.

        2. Pois é, André. Acontece que o céu não é azul. Essa é a interpretação de nosso nervo ótico e cérebro para a onda de luz emitida pelo sol e que se difunde pela atmosfera.

          Sempre dá pra ser mais factual e menos interpretativo. Você poderia dizer que “o céu emite luz cujo comprimento de onda está entre 440 e 500 nm e frequência entre 600 e 680 THz”

          Inclusive as cores podem ser utilizadas para excluir pessoas com daltonismo de certas atividades.

  4. Eu acho que anonimato é bom. Ser inimigos das “fábricas de fake news” não é um bom negócio.
    Talvez eles não sejam assassinados, pq não é jornalismo investigativo, mas já conseguiram a atenção que queriam, agora é “segurar a peteca”.

    Posso parecer alarmista ou exagerado em dizer que eles podem morrer, mas estamos longe de viver uma sociedade pacífica, e sabemos que com ou sem robôs, a violência é fomentada nas redes sociais e sempre ouvimos casos onde ela sai da internet e vai pro mundo real.

    1. Li essa hipótese, mas eles mesmos a refutaram na entrevista — a Mônica Bergamo perguntou especificamente isso para eles. Transcrevo de lá:

      O Jornal da Cidade Online entrou com ação, que foi atendida, pedindo que o Twitter revele seus dados. É por isso que vocês resolveram sair do anonimato?

      Leal: Não iam entregar nossos dados agora, eles iriam ficar em sigilo de Justiça. Mas a gente acredita que é o momento de mostrar o rosto para nossos seguidores, antes que um site de fake news descubra quem a gente é. Esperamos que se identifiquem com a gente, tanto as empresas que responderam quanto os seguidores que apoiaram.

      Stelle: Vir a público está sendo uma questão. Ainda não é um consenso entre nós e nossas famílias. Muita gente tem essa curiosidade de saber quem está por trás do perfil, porque acham que são pessoas superpreparadas, que temos um grande mecanismo por trás. E somos nós dois, duas pessoas comuns. Temos alguns colaboradores, alguns seguidores que se oferecem para fazer design ou imagens para nossas postagens.

      1. Há uma nota da coluna posterior a entrevista com o seguinte trecho: ““O Jornal da Cidade Online [primeiro site desmonetizado] já recebeu os dados do Twitter e pode comprovar que as postagens foram feitas a partir da casa dos dois.”. Talvez tenham decidido se identificar pois, caso acontecesse com eles, ficaria mais fácil relacionar o ocorrido com as ameaças que estão sofrendo.

        1. De que maneira ficaria mais fácil? Ainda que tenham antecipado o inevitável, qual a vantagem nessa antecipação (além de ter dado tempo do fotógrafo da Folha fazer umas fotos maneiras)?

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