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“Faraó dos bitcoins” movimentou R$ 16,7 bilhões em 12 meses

Ainda estou esperando alguém que me convença de que criptomoedas só servem para ilicitudes e especulação. Enquanto isso, os exemplos que reforçam essa opinião seguem se acumulando.

A história do ex-garçom Glaidson Acácio dos Santos, da GAS Consultoria Bitcoin, do Rio de Janeiro (RJ), é inacreditável. Em seis anos, ele movimentou R$ 38 bilhões em um esquema de pirâmide que prometia retornos surreais aos “investidores”. Metade desse valor, R$ 16,7 bilhões, foi movimentada em apenas 12 meses. Via O Globo.

Para colocar isso em perspectiva, se esse montante fosse classificado como receita (são coisas diferentes, eu sei), a GAS Consultoria Bitcoin estaria entre as 50 maiores empresas do Brasil em 2020, segundo o ranking Valor 1000.

Apesar do uso do bitcoin como fachada para enganar os “investidores”, Glaidson era, pessoa física, investidor da criptomoeda: ele chegou a colocar R$ 1,2 bilhão na Binance em troca de 4,6 mil bitcoins. Via O Globo.

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9 comentários

  1. Pra um cara que gosta de tecnologia (e tem um excelente blog disso!), soa estranho não conhecer bitcoin e achar que é só pra cometer crime. As maiores lavagens de dinheiro do mundo acontecem nos bancos tradicionais, com moeda estatal, não com bitcoin.
    Para saber um dos bons usos dele, basta googlar aí notícias sobre a Venezuela, onde a política esquerdista acabou fazendo a população passar fome (como toda política esquerdista finda, aliás). Tem gente na Venezuela que só teve o que comer porque tinha bitcoin.

    1. Se o único caso de uso do bitcoin é garantir subsistência num país destroçado por inúmeros outros problemas e erros anteriores, diria que não é um caso de uso muito convidativo ou empolgante. Seria o mesmo que dizer que ter uma arma na Síria ou em qualquer lugar em guerra salva vidas, o que não é mentira, mas não se aplica, em absoluto, a nenhum outro país com um mínimo de estabilidade.

      Conheço razoavelmente bem e acompanho esse mercado, o que me leva à conclusão que sustento aqui. Sigo aberto ao contraditório, porém.

  2. O que me deixa mais impressionado é esse cara chegar nesse nível de movimentação, sem redes sociais, sem site oficial (ou extraoficial) e sem propaganda em grandes mídias informativas. Como isso foi possível?

    1. Claudio, compartilho da sua perplexidade!
      A ganância humana é impressionante. Esse tipo de coisa corre à boca pequena, um amigo contando pro outro que está ganhando muito e o outro não quer ficar de fora.
      Uma pesquisa recente (não lembro onde li) estabeleceu que 70% do pessoal que cai nesses golpes tem ensino superior. Nem ignorância serve como atenuante.

  3. Bom dia, Rodrigo.
    Do jeito que você escreveu “Ainda estou esperando alguém que me convença de que criptomoedas só servem para ilicitudes e especulação.” a única interpretação que consigo (e me considero um bom leitor) é que você não quer ser convencido disso, nem com o melhor argumento. Pois mudar ou não de opinião é algo que compete apenas a você, concorda? Da mesma forma que defensores árduos de políticos de estimação nunca enxergam o óbvio mesmo que esteja diante dos olhos, fazer alguém mudar de opinião só depende dele mesmo.

    Obviamente, não estou comparando você a um defensor de político de estimação e nem dizendo que você é cabeça dura. Imagino que quando alguém trouxer um bom argumento (esse alguém não será eu) sobre as criptos você, inteligente que é, irá repensar sua opinião.

    Abraços!

    P.S. Eu discordo da sua opinião, mas não tenho um argumento matador para apresentar.

    1. Sendo mais claro, eu discordo do “só”.
      Que as criptos tem sido usadas para o mal, não há dúvida. E como apenas isso vira notícia na grande mídia, é natural essa percepção.

      1. Não é que não queira mudar, Eloi, é que sou bem cético com esses supostos usos positivos do bitcoin e criptomoedas em geral. Se eles existem e são relevantes, deveria ser mais fácil sustentá-los, e ainda assim não topo com nenhum.

        Eu tenho, sim, aversão a criptomoedas. Fora os usos questionáveis, é um negócio projetado para desperdiçar energia. (Uma boa matéria, mais uma, recém-publicada no New York Times.) São aspectos extremamente negativos, que só se justificam com uma compensação muito, mas muito boa, e é aqui que está o “x” da questão — não há justificativas, muito menos boas, para isso.

        1. É, esse gasto de energia absurdo da blockchain do bitcoin incomoda mesmo. Eu vejo o bitcoin como uma tecnologia “velha”, um pontapé inicial. Outras redes blockchain são mais inteligentes, rápidas e gastam muito menos energia. Acredito que essas sim possam vir a ser úteis no futuro, ou talvez até alguma evolução do que se tem hoje.
          Eu não sou um entusiasta da tecnologia, mas ainda não joguei a toalha. Acho que existe frutos a serem colhidos.

          1. Não duvido que os entraves e atrasos técnicos serão superados, Eloy, e não são eles que me preocupam. O grande problema das criptomoedas e, em alguma medida, do blockchain, é que são tecnologias “zero confiança”, ou seja, que veem acordos, negociações e consensos como problemas que devem ser expurgados. Em alguns cenários tal mentalidade é bem-vinda, até necessária, porém não em todos, e não na nossa moeda de troca.

            É preciso ter alguma margem de manobra para evitar que distorções gerem injustiças, ou que punam ainda mais os mais vulneráveis. Criptomoedas eliminam esses controles ou, no pior cenário, concentra-os nas mãos de quem tem mais — e, no caso do bitcoin, é público que algumas poucas “baleias” controlam a maior parte das reservas.

            Teremos a oportunidade de ver um experimento real, maluco, em El Salvador. Que, aliás, já começou todo errado — sem transparência, sem debate público e tocado por um protoditador —, mas que será interessante de qualquer forma. (Não tanto para os salvadorenhos, mas enfim.)

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