Fundo azul, com uma chamada para um PlayStation 5 no centro. À esquerda, a frase “Ofertas de verdade, lojas seguras e os melhores preços da internet.” À direita, “Baixe o app do Promobit”.

Instagram suspende app pra crianças em busca de motivos para lançá-lo

O Facebook acredita que o Instagram Kids, versão da rede social para menores de 13 anos que estava desenvolvendo, é uma boa ideia, mas decidiu suspendê-la para trabalhar com pais, especialistas e legisladores a fim de demonstrar o valor e a necessidade do produto. Segundo Adam Mosseri, head do Instagram, as crianças já estão conectadas, então é melhor construir experiências adequadas à idade em vez de deixá-las usar as versões “para adultos”. Via Instagram (em inglês).

Estranha essa lógica da inevitabilidade. Crianças adoram açúcar e, se deixássemos por conta delas, comeriam açúcar o dia inteiro. Não significa, porém, que liberar açúcar seja a saída, muito menos que deixar a distribuição de açúcar às Nestlé da vida seja uma boa ideia. Mosseri escreve que o YouTube e o TikTok têm versões para menores de 13 anos como se isso validasse seu argumento. É como se em vez da Nestlé, a dieta das crianças ficasse sob os cuidados de Nestlé, Mondelez e Ferrero.

E, convenhamos: de todas as empresas do mundo, por que alguém confiaria justamente no Facebook para isso? A mesma empresa que, sabendo que 1/3 das meninas adolescentes que usam o Instagram desenvolvem problemas com a própria imagem, fez o que pode para ocultar esse resultado dos seus próprios funcionários e do mundo externo?

Sobre essa pesquisa, a propósito, saiu outro post oficial, esse assinado por Pratiti Raychoudhury, VP e head de pesquisa do Facebook, rebatendo a reportagem do Wall Street Journal que revelou os estragos causados pelo Instagram ao público menor de idade. Ele traz algumas correções pontuais — algumas parecem coerentes, outras, forçadas. A pesquisa e os slides que a reportagem do WSJ viu não foram divulgados, o que deixa uma nuvem espessa de incertezas sobre as alegações do Facebook. Se para qualquer empresa a divulgação da íntegra desse material seria o mínimo, imagine para o Facebook? Via Facebook (em inglês).

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7 comentários

  1. Não sei se entendi muito bem a analogia. A Nestlé e tantas outras indústrias alimentícias também possuem produtos direcionados às crianças (e não raramente, cheios de açúcares também). E provavelmente, se dependesse dessas empresas, a dieta dessas crianças seria só desses produtos. Isso significa que nem essas empresas e nem o Facebook deveriam fazê-lo?

    1. A criação do açúcar gerou uma geração que depende muito dela. A única coisa “boa” do açúcar refinado é apenas ganho calórico, mas com propensão a diabetes. Nosso paladar perdeu referência de sabores mais diferentes.

      Produtos com mais açúcar geralmente são os mais baratos (bolachas, docinhos, etc… que não nutrem como devem). Produtos “saudáveis” (com menos açúcar ou com adoçante natural) são mais caros.

      Em tempos – a própria Nestlé reconhece os problemas que ela tem – https://brasil.elpais.com/internacional/2021-05-31/nestle-reconhece-em-documento-interno-que-mais-de-60-de-seus-produtos-nao-sao-saudaveis.html

    1. O líder do setor de pesquisas (científicas, no caso) do Facebook. “Head”, nesse contexto, é um termo meio chatinho de traduzir — eu acho, pelo menos. “Líder” seria a melhor tradução, mas sei lá, não parece certo.

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