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5,05% dos brasileiros baixaram o app que avisa quem teve contato com infectados pelo coronavírus

No início da pandemia, Apple e Google se uniram para criar um sistema de rastreamento de contatos (depois, rebatizado para notificação de exposição) em celulares a fim de ajudar a identificar e isolar pessoas que tiveram contato com infectados pelo SARS-CoV-2, o novo coronavírus. Apesar do esforço, quase um ano depois a sensação geral, aqui e lá fora, é de que a solução “prometeu muito e não entregou” (em inglês).

Parte dessa promessa não cumprida tem a ver com a baixa adesão dos usuários. Estudos apontam que, para ser eficaz no controle da pandemia, pelo menos 60% dos habitantes de um país precisam baixar e usar o app oficial compatível com o sistema da Apple/Google, mas que mesmo adesões mais modestas, na casa dos 20%, ainda têm impacto positivo na luta contra a COVID-19. O problema é que nem mesmo essas porcentagens menores foram alcançadas na maior parte do mundo.

No final de dezembro, pedi ao Ministério da Saúde os números da notificação de exposição no Brasil. (Por aqui, cabe sempre lembrar, o recurso está embutido no app Coronavírus SUS.) Segundo a pasta, até 21 de dezembro o app teve 1,99 milhões de downloads no iOS e 8,7 milhões de downloads no Android, ou seja, 10,69 milhões de downloads (que não é o mesmo que usuários ativos), ou 5,05% da população brasileira.

Questionei, ainda, se havia números relacionados à notificação de exposição no país, como o de alertas emitidos. Em resposta, o Ministério da Saúde informou que “as notificações de exposição aos usuários são realizadas uma vez ao dia”, e que “para manter os usuários seguros, a apreciação do quantitativo de notificações ainda não estão sendo divulgadas.”

Esta é uma daquelas situações que explicitam as limitações da tecnologia ao lidar com problemas complexos de ordem social, neste caso potencializadas pela divulgação tímida do app, talvez fruto do descaso do governo federal no enfrentamento da pandemia. Para piorar, a notificação de exposição tem um impacto severo na autonomia dos celulares — no meu, um iPhone 8 com três anos de uso, ele devora ~17% da bateria.

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3 comentários

  1. Deveriam atualizar os aparelhos e, por padrão, ativar o rastreamento. Garanto que a grande maioria simplesmente não baixou ou ativou por não saber da existência do mesmo. Big tech sempre fazendo small effort quando não é pra lucrar.

    1. Essa solução, qualquer uma que seja opt-out ou obrigatória, é meio problemática porque fere o livre arbítrio e abre precedentes para ideias perigosas. Imagine se, depois disso, algum governo consegue forçar a Apple e/ou o Google a cederem dados de localização de todos os habitantes? O caminho da conscientização e publicidade (que faltaram muito, especialmente no Brasil) me parece melhor.

      1. Não vejo por esse lado, Rodrigo, pois acho que mudar o padrão só tira vantagem do comodismo e da inércia das pessoas, isso claro partindo do pressuposto que seria igualmente fácil optar por estar fora da coleta dos dados.
        Vejo um comportamento similar na doação de órgãos: países que têm leis que definem todo cidadão como doador “por padrão” possuem as mais altas taxas de doadores do mundo. As vezes as pessoas só não são doadoras por preguiça de se declarar oficialmente doadora e as vezes por pura inércia.
        Fonte: https://www.soudoador.org/2018/07/23/argentina-facilita-seu-processo-de-doacao-atraves-da-lei-justina-por-patricia-fonseca/

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