Com Facebook, Wikipédia e serviços úteis disponíveis gratuitamente, app da Internet.org é lançado na Zâmbia

A iniciativa de Mark Zuckerberg para democratizar a Internet começa a ganhar contornos concretos com o lançamento do app da Internet.org. Disponível para Android e em versão web, ele garante acesso gratuito ao Facebook, Wikipédia, pesquisa do Google e outros serviços úteis.

Inicialmente, o app foi disponibilizado na Zâmbia em parceria com a operadora local Airtel. O funcionamento é similar ao do Facebook Zero, que desde 2010 oferece uma versão limitada da rede social sem qualquer ônus financeiro: o usuário pode acessar todos os serviços listados no app gratuitamente e, caso queira extrapolar esse cercado e ir em busca de conteúdo não contemplado pelo Internet.org, passa a pagar pelo tráfego de dados.

A seleção de serviços é bem bacana e não fica restrita ao Facebook e superficialidades do tipo. Além da Wikipédia, que é um adianto, e do Google, tem previsão do tempo, busca por vagas de emprego, informações sobre HIV, direitos das mulheres, legislação da Zâmbia e um canal do Unicef com dicas de higiene e saúde.

Existe uma queda de braço entre ativistas da Internet livre e o Facebook. Os primeiros acusam a iniciativa de ser uma forma do Facebook controlar ainda mais a Internet; Zuckerberg e seus parceiros ressaltam o aspecto beneficente da iniciativa. De qualquer forma, uma coisa é certa: o Facebook é tão grande que precisa trazer mais pessoas à Internet para continuar crescendo. É o tipo de problema que só um serviço com 1,32 bilhão de usuários tem.

Rumo à expansão internacional, Xiaomi precisa rebater críticas sobre privacidade e plágio

Apresentação do Mi 4 teve 'one more thing'.
Jobs se revira no túmulo. Foto: sascha_p/Twitter.

A Xiaomi vai bem na sua terra natal, mas quer mais — quer o mundo. A expansão internacional, capitaneada pelo ex-Google Hugo Barra, é de conhecimento geral e deverá passar pelo Brasil. Antes disso, porém, a fabricante chinesa precisará rever algumas práticas e ganhar a confiança do consumidor ocidental.

Ontem, Barra publicou em seu perfil no Google+ um FAQ sobre privacidade em resposta a denúncias de que o smartphone Redmi Note enviaria secretamente dados do usuário a servidores na China. Segundo o executivo, o que o MIUI (variação do Android usada pela Xiaomi) faz é sincronizar dados pessoais com a nuvem e outros dispositivos, nos mesmos moldes de ofertas concorrentes como Dropbox, Google+ e iCloud. O recurso pode ser desativado e o compromisso da Xiaomi, ainda de acordo com Barra, é com a transparência:

(…) Não enviamos informações e dados pessoais sem a permissão dos usuários. Em uma economia globalizada, fabricantes chinesas de dispositivos vendem bem no mercado internacional, e muitas marcas de fora são igualmente bem sucedidas na China — qualquer atividade ilegal seria bastante destrutiva para os esforços de expansão global da empresa.

Não é de hoje que a China é um pólo de tecnologia. A diferença é que agora as empresas do país estão avançando para outras partes do globo. As restrições que a Internet sofre por lá, somadas a suspeitas de colaboração das empresas de tecnologia com o Partido Comunista, são motivos de preocupação deste lado do mundo.

Por exemplo, a Huawei. Fornecedora de boa parte da infraestrutura que move a Internet no mundo, em 2012 ela foi acusada pelo governo dos EUA de infiltrar software espião nos equipamentos comercializados por no país — e, ironia das ironias, no fim era a Huawei quem estava sendo monitorada pela NSA.

Outra frente onde que a Xiaomi terá trabalho será para se livrar das críticas às “inspirações” que toma, notadamente da Apple. Há três, quatro anos, a sul coreana Samsung passou pela mesma situação e acabou tendo que resolver a briga em disputas judiciais nas cortes de vários países. Terá a Xiaomi o mesmo destino?

Mera coincidência?
Montagem: Cult of Mac.

Já encontraram o ícone do Aperture (!), software da Apple, no material de divulgação do Mi 3, outro smartphone da Xiaomi. Na mesma página de divulgação do produto, fotos protegidas por direitos autorais podem ser vistas nas screenshots da galeria — e aqui, além de se apropriar do trabalho alheio a empresa ainda engana os consumidores colocando como exemplos de fotos feitas com o smartphone imagens que, na real, foram capturadas por câmeras profissionais. No Cult of Android, Killian Bell encontrou um punhado de similaridades com produtos, práticas e materiais de marketing da Apple. Nem o “one more thing”, marca registrada do falecido CEO da Apple, Steve Jobs, escapou.

Hugo Barra rebate as críticas enfaticamente: “Se você tem dois designers com habilidades similares, faz sentido que eles cheguem às mesmas conclusões. Não importa se alguém mais chegou à mesma conclusão. Não estamos copiando os produtos da Apple. Ponto final.” Mas é difícil encerrar a discussão com fatos tão escandalosos, bem como acreditar que eles são frutos de mera coincidência.

A Xiaomi fabrica smartphones, tablets e alguns outros eletrônicos que, dizem, são de ótima qualidade e custam pouco. Na China, ela ultrapassou Samsung e Apple em vendas no primeiro semestre desse ano e quando chegar a outros mercados deverá fazer barulho. Resta saber se esse barulho será apenas das caixas registradoras e dos clientes satisfeitos, ou se o martelo dos juízes também se fará ouvir.

A redescoberta dos celulares com câmeras frontais — ou para “fazer selfies”

Foto do tweet mais popular da história.
Foto: TheEllenShow/Twitter.

Correm rumores de que a Microsoft está preparando um Lumia com “câmera para selfies”. Ele traria uma câmera frontal de 5 mega pixels, resolução bem maior do que a média de 2 mega pixels vista na maioria dos smartphones topo de linha.

No Brasil, fabricantes locais ou que lutam pelo consumidor menos endinheirado pegam carona na popularidade do termo “selfie” para levar a segunda câmera a modelos de entrada. O S440 (que nome!) da Positivo e o recém-anunciado Pop C3 da Alcatel Onetouch entregam o recurso por R$ 470 e R$ 349, respectivamente, sem revelar quaisquer especificações da câmera frontal.

Essa movimentação da indústria marca a redescoberta da câmera frontal, perdida por diversas fabricantes no caminho rumo a smartphones mais acessíveis ao bolso do consumidor. Afinal, uma câmera extra não é tão essencial e na hora de cortar custos ela acaba sendo uma das primeiras vítimas.

Só que desde que “selfie” foi eleita a palavra do ano por um dicionário, tornou-se o tweet mais popular da história, termo popular na mídia e lugar comum em qualquer ambiente onde duas ou mais pessoas se reúnem e pelo menos uma delas está com um celular no bolso, a demanda pela câmera para fazer selfies aumentou. É o que o povo quer, certo? É hora, então, de responder a esse anseio e levá-la a produtos mais em conta.

Antigamente câmeras frontais eram bons espelhos para ver se tinha sobrado aquela alface entre os dentes depois do almoço, ou se o nariz estava sujo. Hoje, apps como Instagram e Snapchat e serviços de vídeo chamada a la Skype são justificativas melhores ao custo de se colocar uma outra câmera em cima da tela. O que quero dizer é que apesar da sensação de frescor e de hoje os motivos para se ter uma serem melhores, câmeras selfies, ou frontais não são exatamente novidade. A primeira data de 2003.

A camada superior dos smartphones, com aparelhos que trazem o que há de melhor na indústria, já demonstra sinais de comoditização. São sintomas disso a presença de tantos recursos duvidosos e mimos externos na safra desse ano: contadores de batimentos cardíacos pouco confiáveis, mega resoluções de tela que não fazem tanta diferença aos olhos, acessórios muito legais que agora vêm na caixa, como parte do pacote. Eles já têm tudo o que se espera, hoje, de um smartphone — inclusive a câmera frontal, que nunca os abandonou e lá em 2007, com o saudoso N82, eu já usava para aquelas situações nojentas descritas ali em que um espelho era útil.

Nas camadas inferiores, porém, ainda há espaço para evoluções mais significativas. A primeira e mais óbvia é continuar empurrado os preços para baixo. Hoje não é difícil encontrar smartphones usáveis por cerca de R$ 350 e a tendência é que esses fiquem cada vez melhores. O segundo passo, já sentido em menor grau, é levar recursos de segmentos superiores a aparelhos mais simples. Exemplo recente: a tela de alta definição do Moto G. Ainda hoje a maioria dos smartphones intermediários vêm com telas WVGA ou qHD, mas não deve demorar para a HD se tornar padrão. A câmera frontal em smartphones básicos, de entrada, deve seguir o mesmo curso.

Windows Phone 8.1 Update é oficial: veja o que há de novo

Telas da próxima atualização do Windows Phone.

O Windows Phone 8.1 já apareceu no seu smartphone? Então sente-se que lá vem mais novidades: a Microsoft oficializou o Windows Phone 8.1 Update, uma atualização menor mas, ainda assim, cheia de novidades.

A principal é a expansão da Cortana. Em beta, ela aprendeu a falar chinês e pegou o sotaque britânico, além de ganhar status alpha no Canadá, Índia e Austrália. Nos EUA, ganhará novos truques como uso de mais termos em linguagem natural, botão soneca para lembretes e modo hands-free quando o smartphone estiver pareado via Bluetooth com um carro.

A tela inicial ganhará suporte nativo a pastas, e parece um negócio bem melhor que a implementação via Pasta de Aplicativos, app exclusivo da Nokia para a mesma finalidade. O mais legal é que elas não anulam a dinamicidade dos blocos, ou seja, ainda dá para ver notificações nos blocos dinâmicos que estiverem guardados em uma pasta. Falando em blocos dinâmicos, o da Loja agora será um.

O Xbox Music, duramente criticado no WP 8.1, está recebendo tratamento especial e deve melhorar significativamente: terá bloco dinâmico, sincronia em segundo plano, novos gestos e melhorias gerais no desempenho. Antes mesmo dessa atualização, o app deverá ganhar alguns aperfeiçoamentos via atualização direta na Loja.

Para fabricantes, a Microsoft acrescentará suporte a capas físicas para permitir interfaces personalizadas, como as do One M8, da HTC, e G3, da LG. Novas resoluções também passam a ter suporte: qHD (960×540) e 1280×800 — essa última, somada à adição de suporte ao protocolo NTP, é um forte indício de que o Windows Phone logo surgirá em tablets pequenos, de 7 polegadas.

O sistema também passará a enviar notificações via Bluetooth, uma etapa necessária para conversar com gadgets vestíveis, e dará suporte a VPNs em conexões públicas. O padrão QuickCharge 2.0 da Qualcomm, que acelera a recarga da bateria, também será habilitado — alguns aparelhos como os Lumia 930 e 1520 suportam a tecnologia e se beneficiarão dela.

Existem outras alterações menores, várias direcionadas ao público corporativo, todas contempladas no blog oficial do sistema e nesta lista de Paul Thurrott. Para quem está naquele programa de desenvolvedores (saiba como entrar), o Windows Phone 8.1 Update chega semana que vem. Para os demais, a versão final estará disponível “nos próximos meses”.

Spam eleitoral via WhatsApp

Lauro Jardim, na Veja:

Nada como um ano eleitoral para aguçar a criatividade das pessoas. Se o eleitor já era importunado com mensagens eleitorais no celular, agora as empresas miram o WhatsApp para oferecer planos mirabolantes aos candidatos. A última oferta irrecusável foi enviada por e-mail aos gabinetes da Câmara dos Deputados.

A empresa que presta o (des?)serviço tem sede em Belém e cobra de sete a onze centavos por mensagem, dependendo do volume contratado — de 500 mil até 10 milhões. A oferta chegou por e-mail aos gabinetes da Câmara dos Deputados com a garantia de listas de números atualizados em todos os estados. O objetivo é servir de reforço para as campanhas eleitorais.

Dada a popularidade do WhatsApp não é de se espantar que ferramentas do tipo existam. Na verdade demorou para elas aparecerem. Elas provavelmente burlam os termos de uso do serviço; o WhatsApp até oferece um mecanismo de broadcasting, mas ele é limitado a 50 destinatários (no smartphone, pelo menos). Pela rápida pesquisa que fiz aqui, os spammers usam um software chamado WhatsApp Panel, WhatsApp Bot ou WPanel e confiam em proxies para atingir o objetivo.

Pensando pelo lado positivo, de repente esse spam via WhatsApp pode ser uma boa para escolher em quem não votar.

Atualização (20h30): É assim que o spam de um candidato ao governo do Rio de Janeiro chega ao WhatsApp dos eleitores:

https://twitter.com/vinnysacramento/status/494241313559433217

Como o Facebook, OkCupid também fez experimentos nos usuários — mas quase ninguém se importa

Christian Rudder no OkTrends, o blog de dados e estatísticas do OkCupid, após um hiato de mais de três anos:

Notamos recentemente que as pessoas não gostaram quando o Facebook “experimentou” com seu feed de notícias. Até o FTC [o CADE dos EUA] se envolveu. Mas adivinhe só, pessoal: se você usa a Internet, você está sujeito a centenas de experimentos a qualquer hora, em todos os sites. É assim que os sites funcionam.

Aqui estão alguns dos experimentos mais interessantes que o OkCupid já conduziu.

Neste post, Rudder revela três mudanças na interface que o OkCupid fez para entender como as conversas e relacionamentos se formam. Em um, removeu as fotos dos usuários; sem esse feedback visual o site notou que as conversas entre estranhos aumentaram. Em outro, diminuiu de dois (um para beleza outro para personalidade) o sistema de notas para os usuários; somos, afinal, seres bem visuais e quase ninguém lê aquele perfil enorme (e se lê, dá pouca importância comparado à foto de perfil).

O último foi uma tentativa de ver até que ponto o sistema de compatibilidade, que atribui uma porcentagem de simpatia aos outros usuários, funciona. O OkCupid mentiu aos usuários dizendo que usuários com 30% de compatibilidade tinham 90%. A pesquisa notou, porém, que o maior índice de engajamento se deu entre pares que tinham de fato e foram informados terem 90% de compatibilidade — ou seja, de alguma forma o algoritmo funciona.

A reação da Internet à revelação do OkCupid foi mais amena do que a daquele experimento do Facebook. Não que tenha sido unânime; alguns sites, como o Gigaom, criticaram duramente a postura de Rudder. Só que no geral pouca gente se manifestou indignada, e na tentativa de entender o porquê algumas teorias surgiram.

O tom da revelação foi mais ameno. Em vez de um paper acadêmico, um post bem humorado em um blog. (Referir-se aos resultados como “contágio de humor” também não ajudou o Facebook.) O OkTrends historicamente usa (ou usava) dados gerados pelos usuários do OkCupid para tirar conclusões. Foi para isso que ele nasceu e o motivo pelo qual é adorado.

A motivação para os testes também pesa. O OkCupid fez vários testes A/B, ou seja, mudanças sutis na interface para ver como os usuários reagiriam. Rudder diz, no post, que queria averiguar algumas suspeitas que seu pessoal tinha do serviço, em especial (no terceiro e mais polêmico teste) se o algoritmo de compatibilidade faz diferença por si só ou se as pessoas conversam com outras compatíveis apenas porque o site diz isso.

O experimento do Facebook foi mais agressivo. O site deliberadamente alterou o feed de notícias para deixar o usuário triste. Uns até classificam isso como teste A/B, mas ele extrapolou a funcionalidade do site e correu o risco de gerar consequências perigosas na vida dos usuários. A intenção era danosa não como possibilidade ou desvio, mas como etapa para observar os resultados.

Outro aspecto relevante é o papel que OkCupid e Facebook têm na sociedade. Enquanto a rede social é praticamente obrigatória em vários círculos, o OkCupid é marginal.

A repercussão desse e de outros testes tornados públicos recentemente tem servido também para observar a recepção deles pelo público em geral. Ontem, depois que publiquei o post sobre o Fingerprint Canvas, algumas reações no Twitter me surpreenderam.

https://twitter.com/magaiverpr/status/493839614390829056

Parece que estamos ficando mais condescendentes com esse tipo de experimentação, em sermos objetos de pesquisas sem anuência prévia, independentemente do quão nefastas essas sejam.

Privacidade é a nova norma no Facebook

Na Slate, Will Oremus repara na guinada pela qual o Facebook passa. De defensor da abertura e do fim dos segredos, agora o site abraça e estimula a privacidade.

Em resposta a um investidor, quarta-feira passada, que questionou se o Facebook estaria passando por tal mudança, Mark Zuckerberg disse:

Uma das coisas em que mais focamos é criar espaços privados para as pessoas compartilharem coisas e terem interações que não poderiam ter em outros lugares.

Embora seja creditado como um dos fatores do seu sucesso, o histórico da rede social nunca foi abalizado pela privacidade — lembra do papo de que o público é a nova regra, de 2010? Só que estamos em 2014 e a julgar pelas últimas investidas do Facebook, parece que a abordagem lá dentro mudou. Recapitulando:

A declaração e essas ações demonstram, de fato, uma mudança de posicionamento. Além de estar na moda graças a apps como WhatsApp, Whisper e Snapchat (que, mais de uma vez, o Facebook tentou copiar), essa visão renovada sobre o que até pouco tempo era visto como vilão pode ser explicada por uma epifania que deve ter ocorrido lá: de repente Mark descobriu que não precisa de informações públicas para minerar dados, basta apenas que elas sejam geradas em suas plataformas. (Coisa que, aliás, o Google sabe desde 2004 com o Gmail.)

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