Privacidade é a nova norma no Facebook

Na Slate, Will Oremus repara na guinada pela qual o Facebook passa. De defensor da abertura e do fim dos segredos, agora o site abraça e estimula a privacidade.

Em resposta a um investidor, quarta-feira passada, que questionou se o Facebook estaria passando por tal mudança, Mark Zuckerberg disse:

Uma das coisas em que mais focamos é criar espaços privados para as pessoas compartilharem coisas e terem interações que não poderiam ter em outros lugares.

Embora seja creditado como um dos fatores do seu sucesso, o histórico da rede social nunca foi abalizado pela privacidade — lembra do papo de que o público é a nova regra, de 2010? Só que estamos em 2014 e a julgar pelas últimas investidas do Facebook, parece que a abordagem lá dentro mudou. Recapitulando:

A declaração e essas ações demonstram, de fato, uma mudança de posicionamento. Além de estar na moda graças a apps como WhatsApp, Whisper e Snapchat (que, mais de uma vez, o Facebook tentou copiar), essa visão renovada sobre o que até pouco tempo era visto como vilão pode ser explicada por uma epifania que deve ter ocorrido lá: de repente Mark descobriu que não precisa de informações públicas para minerar dados, basta apenas que elas sejam geradas em suas plataformas. (Coisa que, aliás, o Google sabe desde 2004 com o Gmail.)

Computadores do Planalto foram usados para editar páginas da Wikipédia

Alexandre Aragão e Alexandre Orrico, na Folha:

Onze computadores do governo federal foram usados para alterar páginas da Wikipédia, enciclopédia on-line cujos textos podem ser editados livremente, como as do ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha (PT), do Movimento Passe Livre e do ex-governador José Serra (PSDB-SP).

Levantamento da Folha com os endereços de IP registrados em nome do Serpro (Serviço Federal de Processamento de Dados) e da Presidência da República mostra que artigos sofreram mudanças tanto para a inclusão de elogios e a retirada de críticas como para o inverso.

As edições, feitas entre 2008 e 2014, acabaram desfeitas por outros usuários, por infringirem regras de uso.

O fato de ser aberta a contribuições não é sinônimo de bagunça. Os editores e outros usuários corrigem os erros — embora nem sempre a definição de “erro” seja uma questão tão simples, binária.

Além do monitoramento de quem faz a Wikipédia, outros mecanismos podem ser usados. A tecnologia cria problemas, a tecnologia os resolve.

Nos Estados Unidos um script para Twitter causou alvoroço no início do mês. O @congressedits manda tweets automaticamente sempre que algum artigo da Wikipédia é editado por computadores do Congresso. Medida bem legal e que poderia (deveria) ser copiada aqui. Afinal, copiamos tanta coisa desnecessária (Hey? Sério?); custa nada copiar um negócio útil e que fará diferença no cenário político.

Oi é multada pelo Navegador, da Phorm. Antes tarde do que nunca?

A parceria da operadora Oi com a empresa Phorm, que tem sede em Londres, para utilização de uma ferramenta de identificação de preferência dos usuários na internet para fins publicitários está levantando dúvidas nos órgãos federais que avaliam ou monitoram o assunto. O tema está sob análise tanto do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) quanto do Ministério da Justiça […]

O parágrafo acima é de uma notícia de 2010, mas somente nesta semana a Oi foi multada em R$ 3,5 milhões por ferir os princípios da boa fé e transparência na oferta do Navegador, uma tecnologia da inglesa Phorm que monitora os hábitos de navegação do usuário de banda larga para construir perfis de consumo e vendê-los a empresas de publicidade.

A parceria entre Oi e Phorm terminou em março do ano passado. A Oi disse que recorrerá da multa.