A fotografia virou uma forma universal de conversação

Benedict Evans:

A fotografia virou uma forma universal de conversação, em vez da cristalização de um momento especial ou uma parte do conteúdo editorial profissional.

Antes de chegar a essa conclusão ele apresenta alguns números gigantescos sobre a fotografia digital — ele estima que em 2014 compartilharemos mais de um trilhão de fotos. Fotografamos mais do que podemos (e queremos); isso muda a função da fotografia. O registro visual vira palavra, como conclui Evans.

Esse novo paradigma não exclui o antigo, claro. A convivência entre os dois é perfeitamente possível, só que traz novos problemas a serem resolvidos. Sem dificuldade, dá para pensar em dois: a qualidade das imagens e a organização.

Sistemas que se propõem a colocar ordem de forma automatizada às toneladas de fotos que tiramos, como o Carousel, ThisLife ou Google+ devem ganhar mais atenção na medida em que as pessoas passarem a se dar conta da fragilidade desse material digital. Em paralelo, temos ainda as revelações, que resistem e têm aquela aura de materialidade que fascina mesmo quem nasceu digital.

Na hora de transformar bits em celulose, o outro problema surge: a qualidade. É situação recorrente, em eventos importantes e no dia a dia, vermos smartphones onde antes apareciam câmeras. A convergência e o preço explicam, mas não resolvem a qualidade média dessas imagens. Mesmo smartphones intermediários de qualidade ainda derrapam nesse setor e trazem câmeras que mesmo perto de modelos dedicados de entrada passam vergonha. Se a captação é ruim, não há milagre de pós-produção que melhore o resultado — e raramente existe qualquer tipo de pós-produção.

Qual o número ideal de seguidores no Twitter?

Taylor Lorenz, no The Daily Dot:

82% dos usuários do Twitter tem menos de 300 seguidores e 391 milhões de contas no Twitter têm zero. (…) De acordo com a empresa de estatísticas Beevolve, o usuário médio do Twitter tem cerca de 208 seguidores. Entretanto, quase metade (44%) de todos os usuários nunca enviaram um tuíte sequer.

Números interessantes que introduzem um assunto ainda mais: até que ponto a audiência no Twitter influencia o comportamento de quem é seguido? Na matéria, há dois “checkpoints”:

  • 500: segundo Samir Mezrahi, responsável pelas redes sociais do Buzzfeed, esse é o ponto de equilíbrio no Twitter, uma quantidade de seguidores que não lhe deixa falando sozinho e que por outro lado não intimida a publicação de coisas menos planejadas, pensamentos soltos e meio malucos que teríamos receio de escrever a públicos maiores.
  • 3000: também segundo Mezrahi, a partir daqui toda ação gera uma reação. Com três mil seguidores, é bem provável que todo tuíte, por mais bobo que seja, gere alguma resposta.

O limite? Não existe, claro. E infelizmente não adianta escrever alucinadamente no Twitter para conseguir seguidores; não há uma relação causal entre as duas coisas e outros fatores, como notoriedade (gente famosa), influenciam mais do que conteúdo.

Google Play Services 5.0

3/7/14 2 comentários

O Google anunciou que a liberação do Google Play Services 5.0 foi finalizada. Para quem não conhece, é uma espécie de app com super poderes que permite à empresa atualizar componentes críticos do Android independentemente de versão — e, portanto, passando os processos burocráticos, lentos e muitas vezes inexistentes de atualização das fabricantes e operadoras.

A versão 5.0 substitui a 4.4 (indício da versão do Android L?) e traz algumas APIs inéditas e novos recursos a outras já existentes. No vídeo acima o rapaz do Google explica cada uma delas de modo meio constrangedor, mas eficiente.

As que me chamaram mais a atenção:

  • Android Wear: permite a comunicação entre smartphones/tablets e dispositivos que rodam o Android Wear, como relógios inteligentes. A nova seção da Play Store, com apps compatíveis com Android Wear, deverá crescer.
  • API para jogos salvos (criação de “snapshots”). Na prática, significa que o usuário pode pausar um jogo no smartphone e continuar do mesmo ponto em outro dispositivo, como um tablet.
  • Indexação de apps. Com essa API, o histórico de qualquer app pode ser incorporado à pesquisa do Google.
  • Google Cast. Agora o Chromecast é capaz de lidar com legendas.
  • O Google Wallet consegue ler e armazenar cupons de desconto na nuvem. O sistema é esperto e usa a localização do usuário para lembrá-lo de usar seus cupons quando estiver no local correto.

Adaptador de trava de segurança do Mac Pro

Nos EUA, custa US$ 49. Aqui sai por R$ 229. Para quem paga R$ 14 mil em um computador, não é um valor que faça tanta diferença — e uma segurança extra para um equipamento tão caro.

Além de compatibilizar o Mac Pro com travas de segurança no padrão Kensington, o adaptador também protege a parte interna de bisbilhoteiros. Diz a Apple que a instalação é simples, não depende de ferramentas e não danifica o produto.

Xiaomi diz já ter vendido 26 milhões de smartphones no primeiro semestre de 2014

Números impressionantes da fabricante chinesa que, no final do ano passado, após uma pequena crise interna no Google, contratou o brasileiro Hugo Barra para liderar a expansão internacional. Na China, a Xiaomi vende mais que Apple e Samsung — e isso não é pouca coisa.

Sobreviventes do Orkut migram para a rede russa VK

“O número de inscrições do Brasil nos últimos dois dias aumentou em 2.000% e continua a crescer rapidamente” escreveu George Lobushkin, relações públicas da VK, em postagem no serviço russo.

A VK já tem quase 200 mil brasileiros e cerca de 20 comunidades em português –a maioria sobre futebol ou que fazem menção à condenada rede do Google, como a “Sobreviventes do Orkut”.

Correndo o risco de ser espionado pelos asseclas de Putin, fiz um perfil na VK. Visualmente, lembra mais o Orkut que o Facebook mesmo, ou esse último nos tempos pré-Linha do Tempo.

A VK é a maior rede social da Europa, com mais de 100 milhões de usuários. Um detalhe interessante é o player de música: dá para ouvir qualquer (ok, muita) coisa gratuitamente; basta usar a pesquisa e dar play.

Não seria a hora de olharmos a Mirtesnet com mais atenção? Não? Ok.

Fim da linha para TVs de plasma da Samsung

A Samsung anunciou que encerrará a produção de painéis de plasma em 30 de novembro desse ano.

A maioria dos comparativos de qualidade entre TVs, como do Wirecutter e Cnet, colocava modelos de plasma no topo da lista. O Wirecutter vai além: não recomenda um modelo específico de LCD por não ver nenhum que se destaque a ponto de merecer a honraria. Na página, os problemas dessa outra tecnologia em relação ao plasma são destacados: contraste menor, “borrões” em cenas de movimento e manutenção da qualidade quando não se está exatamente de frente à TV.

O fim da linha para as TVs de plasma da Samsung é o último prego no caixão da tecnologia. Ano passado ela já havia sofrido uma grande baixa com a saída desse mercado da Panasonic, até então referência. Entre as grandes, sobrou a LG, mas suas telas do tipo nunca foram tão bem cotadas.

Tanto Samsung, quanto Panasonic, alegam que a decisão foi tomada devido a “mudanças nas demandas do mercado” e, no caso da primeira, que passará a focar esforços em telas UltraHD e com tela curvada. Na prática, analistas dizem que é por outro motivo: painéis LCD são mais baratos e entregam margens de lucro maior. Há notícias, essas meio desencontradas, de que existem dificuldades técnicas de adaptação do plasma à resolução UltraHD (4K).

O mais curioso é que entre o público em geral é difícil encontrar fãs ardorosos do plasma. Uma boa parte dele, inclusive, evita telas do tipo devido ao estigma do “burn-in”, um problema das primeiras TVs do gênero que deixava marcados na tela elementos que ficassem estáticos por muito tempo — pense no logo das emissoras que fica no canto inferior direito, ou no placar dos jogos de futebol.

A série F8500, da Samsung, última de plasma da empresa, passou a valer bem mais do dia para a noite. Pena que por um motivo bem ruim.

RSA alerta sobre o Bolware — e o mundo descobre o boleto bancário

Mapa de incidência do Bolware.
Imagem: RSA Data Security.

A RSA Data Security emitiu alerta sobre um malware chamado Bolware.

Segundo a investigação, que é conduzida pela Polícia Federal do Brasil e o FBI, o Bolware pode ter comprometido quase meio milhão de boletos e gerado prejuízo na casa dos R$ 8,57 bilhões. Além de fraudar esses documentos, o malware ainda captura credenciais usadas para acessar sites. A RSA diz ter detectado quase 200 mil instâncias do Bolware em diferentes IPs, todos rodando Windows.

Tanto lá, quanto no post de Brian Krebs, por onde fiquei sabendo dessa notícia, chega a ser engraçado a tentativa deles de explicar o boleto. Do blog do Krebs:

Em pauta está o “boleto” (oficialmente “Boleto Bancario”), um método de pagamento popular no Brasil que é usado por consumidores e a maioria dos pagamentos B2B. Os brasileiros podem usar boletos para completar compras online através do site do seu banco, mas diferentemente de pagamentos com cartão de crédito — que podem ser contestados e revertidos –, os feitos via boletos não estão sujeitos a cobranças e só podem ser reembolsados via transferência bancária.

Enquanto os culpados não são identificados e o esquema, derrubado, a RSA recomenda a utilização de apps móveis para realizar o pagamento através da leitura do código de barras. O método usado pelo Bolware para comprometer boletos consiste em trocar o código numérico na hora do pagamento, mas ele é incapaz de modificar o código de barras.

Outra saída, essa indicada pela FEBABRAN, é recorrer ao DDA, ou débito direto autorizado. Nunca tinha ouvido falar disso. Parece uma boa, mas este site horrendo que explica o sistema com uma animação tosca feita em Flash não é o tipo de coisa que transmite segurança.

Status do Android 4.4 para a linha Razr, da Motorola

Paulo Higa:

Ao Tecnoblog, a Motorola afirma que RAZR D1, RAZR D3, RAZR i e RAZR HD eram smartphones “baseados na arquitetura anterior, que não seguiam o conceito do Android puro”, diferente dos atuais Moto E, Moto G e Moto X. Portanto, o processo levou mais tempo porque a Motorola ainda está trabalhando em “adaptações necessárias na interface do usuário” desses modelos.

As referidas modificações são um widget, uma tela de configurações rápidas e alguns ícones diferentes. É uma justificativa, mas… né? Talvez outros entraves internos da “arquitetura anterior” menos óbvios tenham contribuído para o atraso. O que importa é que, afinal, os donos dessa ótima geração de Android da Motorola (testei o RAZR D1 e gostei bastante) ganharão mais uma atualização.