Ilustração de um tweet sobre um mar de piranhas.

Guia Prático #85: Tu te tornas eternamente responsável pelas bobagens que escreve na Internet


26/6/16 às 10h30

No programa de hoje, eu (Rodrigo Ghedin), Paulo Higa e Samir Salim Jr. falamos sobre redes sociais, especificamente sobre os nossos históricos nelas com potencial para nos prejudicar futuramente. O caso do jogador Getterson, demitido três horas após ser contratado pelo time do São Paulo por conta de mensagens de 2011 desencavadas do seu perfil no Twitter, trouxe à tona diversas questões. Discutimos algumas delas, que são importantíssimas, aqui.

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Imagem do topo: Jim Cooke/Gawker.

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35 comentários

  1. O cara foi atrás de algo que disse em 2010 da Motorola. kkk
    Aconteceu comigo. O cara achou algo que eu disse bem da Motorola uns 3 anos atrás e me cobrou por eu ter falado bem do Lumia 950. Foi algo como: Espera, você está elogiando um Lumia, mas vivia elogiando o Moto G 2013.
    Eu disse: Mas, cara, quem é você e o que tem a ver isso? Cara, eu gosto de tecnologia, critico, elogio o tempo todo. Hoje eu critico uma aparelho, amanhã eu o tenho em mãos e já elogio. E daí, cara?

    E sempre esses caras são fanboy de uma marca e muito hater de uma qualquer.

  2. Hoje tenho um grupo de pessoas que trabalha comigo, familiares de minha esposa que me respeitam muito, novos amigos que querem sempre estarem comigo. Então, resolvo contar algo que fiz quando eu tinha 15 anos (coisas da juventude que achavam normal naquela época) e, agora, com 50 anos, essas mesmas pessoas que me amam, me respeitam passariam a ser minhas eternas inimigas.
    Chega ser estranho…
    Não deveria ser assim.
    O mais importante é o que a pessoa é atualmente.
    Olha que bom. Que legal uma pessoa mudar. Reconhecer que não é legal aquele jeito de ser que era normal em uma época passada.
    Então, quem precisa mudar é esse tipo de gente que deixa de respeitar alguém por algo que fez no passado, mesmo essa pessoa ter mudado e até passar pra frente que a mudança vale a pena.

    Hoje é rede social.
    Antes já vi caso assim:
    Um cara se afastou de um amigo por esse novo amigo ter sido amigo de um cara que não valia nada. Mas, esse amigo do cara que não valia nada, afastou-se do tal cara depois que descobriu o que ele era.
    Enfim, só porque um dia ele foi amigo de um cafajeste, ele será rejeitado por alguns para sempre?

    Sociedade é complicada.

  3. Gostei muito da conversa dos participantes e, de fato, estamos no limiar de uma mudança em q as pessoas muito provavelmente ficarão mais atentas ao q dizem daqui pra frente. Mas me preocupa muito, esse lance de não ter direito ao esquecimento. Se vc tenta apagar suas informações, há uma dificuldade enorme… Imagine pra alguém q ainda é muito jovem qdo avançar uns dez anos no tempo e quiser se ver livre do seu passado digital, na medida do possível, o q vai assegurar essa possibilidade se isso não for transformado num direito… Nossas leis parecem não confluir pra isso. Apesar de achar louvável aquele serviço q salva posts de políticos e impede q eles fiquem indisponíveis caso os ilustríssimos resolvam apagá-los. É um tanto contraditório, mas é assim.

    1. O político ou qualquer outra pessoa “pública” é um ser humano como qualquer um de nós. O direito que vale a eles deve valer a nós também. Não é assim “não poder ter esquecimento para políticos, mas pode ter para pessoas comuns”.

      O Ghedin ou qualquer outro jornalista me corrija se eu estiver errado, mas sei que dentro do jornalismo mesmo existem algumas “regras informais” de segurança para evitar que o direito de informar se torne o direito de acabar com a vida de alguém.

      1. Tem o código de ética dos jornalistas e alguns outros códigos de ética mais específicos e tal.

        Eu consigo entender a distinção a que se refere o Fabio. O político, pelo cargo que ocupa e por quem representa, deve ser fiscalizado no exercício da profissão e até onde vi não existe um que separe o uso do Twitter do exercício da política. Assim, que se dê o tratamento adequado. (Especialmente aqui, onde promessa de político é uma moeda tão fraca e desgastada que para boa parte da população é matéria-prima para piada.)

        1. Só que quando se fala em fiscalização, hoje imagino que o que se aplica a um político, pode se aplicar a qualquer outra pessoa. Nisso fica o dilema de respeito as leis.

  4. Sobre comentaristas de portal / trolls: Um detalhe esquecido de vocês é que há casos mais extremos que hoje estão sendo punidos, como os comentários racistas contra a Maria Júlia (e outros profissionais de televisão negros), que resultou em prisões e investigações.

    Quando se fala em liberdade de expressão e ações em massa, se esquece que muitos destes agem não só por ser um comportamento em massa, mas também por ser um comportamento não combatido, não enfrentado.

    Acho que nestes últimos 6-8 anos, notei que a reações sociais online estão em um estado de mudança. Se antes “se animava com a liberdade de expressão”, uns 4 anos atrás “começou a se medir esta liberdade de expressão” e agora “controla-se a liberdade de expressão”.

    Vamos pensar um pouco em um contexto geral, não só online. Mesmo o que eu faço em público também é medido socialmente. Em palavras, gestos, atitudes. Se eu ficar nu, se eu fazer uma “saudação nazista”, um “blackface” (um branco se caracterizar como negro para atuar em uma peça de mídia), mostrar o dedo do meio, andar com uma plaquinha escrita “o fim está próximo”/”morte aos cristãos”/”morte aos ateus”/”morte aos fãs de espaguetes voadores”… enfim, qualquer atitude que eu ou qualquer outra pessoa fizer, pode em algum momento se voltar contra nós.

    Divagando e generalizando um pouco aqui, imagino que culturalmente, temos uma visão de que é difícil que uma pessoa mude seu jeito (isso é até discutido no podcast). Mas no entanto, pessoas podem mudar ou não, e não cabe a nós ficar julgando de forma a inteferir na vida dela. Só apenas a partir do momento que ela interfere em nossas vidas é que vale uma interferência nas atitudes de quem o julgamos. Seja em comportamento on ou off.

    O caso do jogador demitido por causa de um twitt é quase que absurdo. Não era mais fácil a equipe do time pedir para o jogador apagar o twitt? Ou relevar, e com o twitt fazer uma espécie de contra prova para talvez uma futura mudança do jogador?

    O caso citado da menina que fez o comentário contra os nordestinos, junto com um outro da menina que xingou o jogador durante uma partida mostra também os problemas que o Ghedin relata: a reação desmedida extrema. Lembramos que no caso da menina que xingou o jogador, a violência contra ela foi tanta que resultou em uma perseguição contra ela.

    Salvo engano, ambas as pessoas citadas hoje parecem que tiveram que mudar totalmente o estilo de vida e fazer as coisas de forma que não sejam reconhecidas pelas atitudes passadas.

    Uma coisa que costumo pensar com isso tudo é que no final isso é em partes o que muito das antigas distopias em romance, no caso Admirável Mundo Novo, 1984/Big Brother, e muitos outros que até hoje devo uma leitura, foram relatadas. É como sempre digo: Grande Irmão somos nós.

    Sempre, como seres humanos conscientes procuramos balizar socialmente nossas atitudes, no entanto, temos a questão do “bem” e do “mal” para acertar, pois é uma balança que hoje é mais difícil e complexa em relação há milênios atrás.

    Antigamente, “bem” e “mal” eram coisas baseadas em um conceito coletivo, e basicamente “bem” é o que não lhe fazia mal ou não lhe impede de algo, e “mal” é algo que lhe faz mal, lhe impede, lhe restringe.

    Porém hoje o conceito é individual, e é muito mais difícil categorizar desta maneira. Não é hoje possível mais ficar colocando “pecha de vilão” em tudo.

    Até porque, quando se vê um “vilão”, algo “mal”, as vezes até nos identificamos com ele. Vide os políticos brasileiros, espelhos de sua respectiva população :p (eu sei que a ironia nos tiraniza, mas juro que não resisti em colocar esta frase).

    Reencontrando com o texto, o ponto é que quando vemos algo que consideramos “ruim” para ler, ainda vamos em conceitos milenares, de ver aquilo como algo a ser um inimigo a ser atacado.

    Via de fato, a ideia de que “somos responsáveis pelo que fazemos” é válida, mas a partir do momento que as respostas ao que fizemos tem peso desmedido, cria-se uma injustiça, uma balança com peso apenas de um lado só.

    O que tem que se tomar cuidado é “como medir a resposta a algo escrito e taxado como ‘bobagem’?”.

    A partir do momento que esta bobagem é uma “violência”, ou seja, uma provocação, desmoralização, humilhação a um grupo ou pessoa, vale uma resposta policial nisso (vide novamente os comentários relacionados a Maria Júlia).

    Se a pessoa fala de gosto pessoal de forma preconceituosa, o ideal é ignorar. Quanto a paixões (times, equipes, esportes, gostos musicais, séries, filmes, etc…), idem: se não gosta da opinião alheia, melhor ignorar. Em primeiro porque “fanboyismo” está fora de moda totalmente. Segundo pois, como eu disse a outro comentarista, “se não gosta, porque externar isso?”. Externando: eu não gosto de futebol. No entanto não vou ficar externando isso todo momento para comentar em um lugar sobre e provocar reações. Para quê isso? Só para me sentir “com prazer” de ver as reações sobre isso? Não, obrigado. Há estudos sobre isso a propósito.

    O cara ser fã do Corinthians, externar isso e ir para o São Paulo não é problema. O problema é se o cara jogasse no São Paulo para prejudicar o time. Se foi isso que passou pela cabeça de quem mandou a demissão do jogador, isso é um preconceito, não? Ou seria “gato escaldado”? (O cara já teve problemas com jogadores que entraram no time, mas no fundo eles queriam estar em outro time).

    Um ps: Um vídeo que eu tinha tentado deixar no post livre, mas foi considerado spam e está em alta nas redes sociais.

    https://www.youtube.com/watch?v=IfxewiOu9_k

  5. Hahaha eu jurava que este guia prático fosse sobre o post do smartphone premium. Achei que o Manual tinha feito um “mea culpa” ou algo assim com aquela história de experiência acima de tudo, mesmo com preço lá em cima. (o que eu concordaria, desde que tal estratégia fosse implementada em todos os lugares, e não só nos emergentes, claro).

  6. Muito bom o novo convidado. Geralmente, gosto muito quando vocês fogem do tema e começam a aprofundar o debate. Ele parece ser especialista nisso. ?
    Só por curiosidade, por que o podcast tem tempo definido? Chato ouvir o Ghedin podando o debate para dizer que acabou o podcast.

    1. Cara, qdo passei a ouvir mais podcasts curtia muito q eles iam até umas quase quatro de duração… depois isso ficou completamente inviável, pq não tem um único bom podcast pra se ouvir. Haja tempo. Pra mim e por mim, até uma hora de papo estaria de bom tamanho, pq vc vê q na televisão, pelo menos, e no rádio tb, os bons debates são todos podados. Esses q o Gedhin promove terminam talvez um pouco antes, mas é melhor q atravessem aquela zona em q o desdobramento da conversa é até bom, mas já excedeu o tempo disponível q vc tinha pra ouvir o programa. Exceto, claro, q vc viva sozinho, não tenha muita atividade e possa se dar ao luxo de ficar por muitas horas ouvindo. E alguns podcasts q eu ouço, se fossem limados uma certa parte de besteiras-piadas, q é engraçado, seria melhor.

  7. “Só não quero que ela externe isso”(33:03) “Ele não se expressando na internet…”(33:40)…Frases de quem declarou guerra a liberdade de expressão.

    1. Eu discordei do Samir e do Paulo quando eles disseram isso, mas não vejo a declaração deles como “guerra à liberdade de expressão” porque eles se referiam especificamente a expressões deploráveis como racismo e homofobia. Isso não é liberdade de expressão, é babaquice e, em alguns casos, crime.

      A minha discordância foi no sentido de que esse comportamento abre espaço para o debate e, no longo prazo, é melhor tentar conscientizar do que abafar preconceitos e extremismos. Corre-se o risco, de outra forma, de estarmos cultivando uma panela de pressão e quando ela explodir o estrago poderá ser grande…

      1. Todo mundo tem direito de ser O babaca, preconceitos pode-se dizer que é um dos ônus da liberdade individual. Não sou obrigado a gostar de Jiló, e estou aqui expressando isso…(Que ABSURDO, um jilofóbico), meu direito de ser babaca, viva!
        Que é muiiiitoooo diferente de dizer ( ou agir conforme) “vou destruir todos Jilós do mundo”,ou “morte aos comedores e simpatizantes do Jiló”.
        Acredito que entra ai coisas tipo educação e civilidade*, alem das leis pra manutenção social, mas não concordo que um Inquisidor 2.0 tenham o poder de proibir alguém de expressar sua própria babaquice, a forma que o Samir falou, já se manifesta em países que todos conhecemos: Irã, China… é isso que estou chamando atenção.

        *Civilidade, civilização.. é exatamente normas de convívios aceitos entre pessoas diferentes, não que todos gostamos, pensamos e agimos iguais, ai era melhor popular o planeta com clones do Marcos Gomes e ainda assim correríamos perigo de ter textão no facebook

        Ps. nada contra quem come jiló, tenho até amigos que comem ;)

        1. Não existe “o direito de ser o babaca“. O que existe é avaliações externas sociais que aquela pessoa é babaca. Isso para começar.

          Você, como ser humano, tem suas considerações para cada coisa, e isso de alguma forma gera preconceitos. Ponto.

          O problema é quando você externa seus preconceitos à outros, como se eles fossem obrigados a aceitarem seus preconceitos. Principalmente quando você já tem a intenção de provocar um grupo ou a opinião alheia.

          Você pode não gostar de jiló, de morango, de Super Nintendo, de gays, de cristãos, de ateus, de admiradores de ditaduras, de socialistas plenos. Não gostar é uma coisa.

          Outra coisa é não ser tolerante a ponto de ser violento contra o que não gosta.

          E quando se fala em violência, é em forma verbal, física, psicológica ou qualquer outra forma que incomode o alheio.

          Muitas vezes, o fato de falar que não gosta de algo, dependendo do tom e contexto, se subentende que você quer levantar um muro e impedir o contato / in-tolerar o outro. Esse é o ponto .

          Diferente de outros, penso no seguinte:

          – Se não gosta, nem fale sobre. Para quê externar o seu gosto afinal?

          – Se tem algo contra algo, antes de falar, pense bem em tudo o que pode servir de consequência futura, seja ao alvo da sua crítica contrária, seja a ti mesmo ( o ponto aqui é que você está atuando de forma anônima, o que já mostra que você provavelmente foge da responsabilidade de suas palavras).

          – A melhor censura e controle da liberdade é feito por si mesmo. No entanto, entendo que a partir do momento que você é livre para externar suas vontades, sem mediar suas consequências, ao mesmo tempo subentendo que você é livre para suportar as consequências de sua liberdade. Pois a partir do momento que você está externando algo e este algo violentar o outro, o resultado poderá ser uma violência contra você.

          pense sobre

          1. “Não posso concordar com que dizes….” essa síntese que a biografá do Voltaire fez, é outra forma de dizer que todo mundo tem direito a expressar sua opinião, sua babaquice, se quiser assim.
            Só vou te mostrar essa imagem que foi capturada na Univ da Cidade do Cabo: http://buzzsouthafrica.com/wp-content/uploads/Kill-All-Whites.jpg
            Vamos concorda que isso dai é um crime ou não? Mas cade o “escândalo” sobre isso, o barulho, a revolta? Nada né, pq talvez isso esteja sendo( ou querem que seja) o “normal” nesse momento na Cidade do Cabo e na Africa do Sul.

            Mas é exatamente isso, as pessoas tem que entender que são livres pra externar suas vontades e devem estar preparado pras consequências, mas oq temos ai é uma “socialização” das consequências, ninguém quer segurar a própria bomba, quer dividir a responsabilidade com todos, e claro, fazer oq quer, falar oq quer, e depois “correm pra baixo da saia de algo”.

            Ps: Não sei quem é Vagner Abreu, nem quero saber, não faz diferença alguma pra minha vida e nem vai mudar o que estou dizendo, o que interessa é a mensagem, não o mensageiro.

          2. Não conheço a Cidade do Cabo, nem sei das circunstâncias de lá. Expandindo a situação para o mundo, uma camiseta com os dizeres invertidos, do tipo “mate todos os negros”, geraria revolta porque proporcionalmente mais negros são mortos do que brancos. É desse tipo de contexto, necessário para discutir a sociedade, que sinto falta no seu argumento.

            Liberdade deve existir — sou o primeiro a defendê-la. O que não consigo entender é a agressão ao outro (e agressão verbal é agressão) como pertencente à esfera da liberdade. Não se trata de socializar ou compartilhar as consequências, mas sim de considerá-las sobre quem é agredido. (Talvez “empatia” resuma bem o que quero dizer.)

            A gente sempre tem bons debates por aqui (como este!) exatamente porque prezamos pelo diálogo e embate de ideias, sem partir para agressões, sem levar para o lado pessoal. Isso vale, ou deveria valer, para a vida.

          3. O Ghedin falou de forma perfeita, mas vou tentar botar o meu ponto de vista, já que esta conversa é entre nós dois.

            Se auto-analise um pouco: você está anônimo com um “avatar” de “flammer”, que se bem conheço a internet, significa que é alguém que bota fogo em uma discussão e depois sai correndo esperando o resultado da chama imposta pela suas palavras. O fato de você estar anônimo também não é “correr para baixo de uma saia”, pois você sabe que o que você escreve tem responsabilidade legal contra você?

            Sim, sei que isso é um “ad-hominen”, mas se faz necessário para, usando a palavra chave que o Ghedin trouxe, colocar uma “empatia”, um entendimento do que “quem nos lê” quer.

            Pegando a imagem que você trouxe, salvo engano e indo com algumas informações que você trouxe, lembremos que a Africa do Sul teve problemas sérios de divisões raciais – o famoso “apartheid”. Não duvido que a pessoa que usa esta camisa ou é ou foi, ou tem um entendimento do apartheid de forma segregatória, e vamos ser francos, até compreensível. Este tipo de comportamento (segregação racial da parte de negros), posso estar errado quanto a isso, é visível nas gangues urbanas americanas e talvez em comunidades africanas ou onde exista um maior número de negros, e cuja história tenha tido em algum momento uma tentativa de colonização, escravidão, guerra ou ataque.

            É errado o uso da camisa com estes dizeres? Para mim, é uma violência moral, seja usando uma camiseta “morte aos negros”, seja uma escrita “morte aos brancos”. Por lá, tal como o Ghedin, não sei a fundo se isso é ou não válido, mas entendo o contexto dela.

            Agora paremos para pensar. A foto foi tirada e é possível em partes identificar seu usuário. Se tirasse uma foto de rosto do mesmo (o que não duvido que possa ter acontecido), isso automaticamente faria da pessoa que usa tal camisa um alvo.

            Esse é um dos pontos chaves que foram discutidos no podcast e o Ghedin defendeu: ao mesmo tempo que se pode defender uma liberdade de expressão, e também que é possível E NECESSÁRIA a punição de quem falhou nesta expressão, que a punição em relação a falha seja proporcional mas justa, e não desmedida. Novamente o caso da menina que xingou o jogador negro: soube que a menina teve a casa dos familiares vandalizada, a ponto de tentarem por fogo (ou algo assim).

            Saber medir as palavras se faz necessário, no entanto, “tascar pedras na cabeça dos outros” por palavras as vezes até escrito de forma tola, estúpida, é barbárie.

            Quando você faz um comentário “flame” em alguém que já considera “babaca”, é como tascar uma pedra na cabeça de alguém que já está perdido, está confundindo ainda mais a pessoa, ou incitando o ódio dela ao fundo. No que isso no final se dá de ganho aos outros, ao alvo e a si mesmo?

            A liberdade que você defende vem acompanhada de responsabilidade. A partir do momento que você usa algo para retirar sua responsabilidade (o anonimato), é algo hipócrita, pois você no final não está sendo livre, já que sabe que nas regras sociais, você precisa se abdicar de algo para ter o direito de expor certos pensamentos seus, certas atitudes suas. Não está sendo livre. Pense sobre ;)

        2. Cara, não é assim. Ninguém tem o direito de ser babaca. Inclusive, se você for muito babaca, se passar de determinado ponto, pode ser processado e pagar umas cestas básicas ou prestar serviço comunitário.

          Mas, antes (muito antes) disso, pare e reflita o absurdo da sua fala: “direito de ser babaca”. Jiló não tem sentimento, mas quando você denigre outro ser humano por uma característica ou qualquer outro motivo, o buraco é mais embaixo. Você pode discordar dos outros sem partir para a agressão (e inclui-se aí a verbal); é o que estamos fazendo aqui, aliás, discordando civilizadamente.

          Civilidade é respeitar o outro, ou, para ficar no nosso termo, não ser babaca com os demais.

          1. Ghedin, não por mal, mas babaca cabe em agressão verbal, não? (por isso que no outro comentário que eu fiz, uso o o fato que “chamar o outro de babaca é uma coisa externa social. Estúpido é quase, mas não é tanto uma agressão verbal, apesar de alguns considerarem como tal.

          2. Só usei babaca pela referencia, pode ser imbecil, estupido, qualquer adjetivo que cabe, mas não quero ficar preso nisso.

            Novamente, quero alerta, que dentro dessa de “respeitar sentimentos”, surgiu esse lance de “Safe-Place” nas universidades americanas, e espalhou pro mundo (Não sei como não chegou aqui..ainda) que chegamos a esse ponto: http://www.telegraph.co.uk/news/2016/04/03/student-accused-of-violating-university-safe-space-by-raising-he/
            Levantar a mão pra pedir a palavra se torna uma agressão pra quem estar com a palavra…Ai fica a pergunta, qual é o limite que teremos que nos auto-censura pra “respeitar o sentimentos” alheio?
            Eu tb concordo que aproveitam o anonimato da internet pra tirar conteúdo da mensagem e encher de xingamentos, mas não acho que ninguém tem que respeitar meus sentimentos, nem espero esse respeito, mas nem por isso deixo minha educação de lado, nem tb de ter minha própria opinião

          3. Pelo que li lá (por cima), há um contexto que você ignora.

            Ao que se diz, parece que consideraram o “levantar as mãos” como um “sinal inadequado”, por isso essa confusão toda.

    2. Querer q outra pessoa não faça algo não é tirar a liberdade dela, afinal, ele não disse q vai proibi-la ou q vai impedi-la de falar o q quiser. O q me pareceu é q foi explicitado o desejo de q a pessoa não fale algo racista ou homofóbico, de q ela tenha autocontrole e não propague algo q é nitidamente ou potencialmente um crime. Em outras palavras, guarde pra si o q tem a dizer. Certamente isso é um tanto inócuo, pq detratores, abusadores, racistas, homofóbicos e todo tipo de gente q visa pilhar e destruir o tecido social tá se lixando pro desejo de comedimento e autocontrole alheio. Sem falar q tem gente desequilibrada e que precisaria de tratamento psicológico dado os sinais q dá qdo escreve algo nitidamente ofensivo e destrutivo. Agora, alguém q faz insultos criminosos ou apologia ao crime… ah, esses não usam o direito de liberdade de expressão, esses solapam esse direito.

  8. Internet hoje em dia: criticou cotas (racista), criticou o terrorista do último ataque (islamofóbico), criticou uma mulher (machista), defendeu regulação (comunista), criticou religião (neoateu), criticou qualquer coisa que eu acredito (discurso de ódio), […]

    1. Vc está generalizando e, por tabela, anulando as críticas válidas ao q verdadeiramente se enquadraria como racismo, xenofobia, machismo e intolerância. Muitas esses comportamentos execráveis são dissimulados ou fazer crer q são atos despretensiosos, coisas de troll ou molecagem etc. Não há como saber se quem escreve é realmente um guri q ainda não tem capacidade de avaliar o q diz e pelo q é dito, mesmo se fosse um simples copiar e colar há margem para responsabilização pela propagação de determinados conteúdos. O q vc me parece estar se queixando é com o fato de haver um posicionamento extremado em relação a certos atos e falas q são considerados como os itens q vc expôs. Isso pode, sim, interditar o diálogo, mas deixar o a coisa correr solta me parece temerário.

  9. A contradição começa quando os sites de tecnologia e os editores declaram a morte do Windows Phone/10 Mobile.