Guia Prático #168: Os apps chineses já estão no seu celular


24/1/19 às 9h39

Você talvez não saiba, mas é bem provável que seu celular tenha pelo menos um aplicativo de origem ou com investimento chinês instalado. Nos últimos anos, aumento o interesse e a grana da China em startups brasileiras. Da 99 (comprada pela Didi) ao TikTok (fenômeno global da Bytedance), temos visto diversos casos, com cifras cada vez maiores (ano passado a Tencent investiu US$ 180 milhões no Nubank). Essa maior presença implica em riscos? O pouco apreço da China à privacidade dos seus cidadãos deve ser levado em conta? E como fica a influência dos Estados Unidos, historicamente muito forte no Brasil? Eu (Rodrigo Ghedin), Naiady Piva e Fabio Montarroios tentamos responder essas perguntas.

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11 comentários

  1. Realmente segurança é uma preocupação. Não sei mesmo se os estadunidenses não estão certos em ter receio do domínio chinês em áreas tão sensíveis, como a de telecomunicações.
    Ah sim, vocês já viram isso? https://puri.sm
    A Purism promete total sigilo com o seu Librem 5, smartphone que roda Pure OS, distribuição Linux desenvolvida por eles mesmos, e que já roda em notebooks da marca. Software Livre e segurança, tudo a ver!

    1. Um mínimo de desconfiança é, digamos… salutar. O que acho estranho é outros países não questionarem a credibilidade norte-americana após as relevações do Snowden em 2013, algo tão ou até mais grave que as suspeitas que recaem na Huawei.

      Acompanho a Purism pela newsletter do Cesar Cardoso. É um projeto muito interessante, mas anda tão devagar que é melhor não esperar de pé.

      1. Sem pressa… Mas é bom saber que se quisermos, existem sim alternativas. Uso Linux no desktop há mais de dez anos. Me sinto muito bem atendido.

  2. Eu sou um feliz usuário de um Mi max 3 da Xiaomi (sim o celular gigante de 7 polegadas comprei por causa da bateria gigantesca, já passei mais de 48h com ele longe do carregador sem nem precisar de modo de economia de bateria), meu contato maior com apps chineses é através dos que vieram no meu celular, alguns apps pedem permissões de mais como app de tempo pedir permissão de fazer ou desfazer ligações, mas muitos apps tem varias funções embarcadas dentro deles nativamente, por exemplo o app de câmera já vem com uma função de leitor de qr code nativa algo que nos meus aparelhos anteriores eu teria que baixar um novo app só para isso. No começo desse ano eu fiz uma viagem de 9 dias para a Argentina, lá a Huawei tem uma representação local, vi vários aparelhos pelas minhas andanças por Buenos Aires, tanto pessoas usando quanto nas lojas de operadoras, até passei por uma loja da própria marca, vi alguns grupos de turistas chineses pela cidade portenha também e os que estavam com os celulares para fora em sua grande maioria também era da gigante chinesa, imagino que caso eles consigam ter uma maior penetração no nosso mercado a aceitação dos apps chines vira com o tempo, talvez alguns tenha versões mais palatáveis para o nosso gosto, ou talvez até nos adaptemos ao gosto chines caso isso nos traga maiores praticidades. Quanto aos pagamentos moveis creio que isso seria um tema interessante para o futuro, atualmente estou cursando o ultimo ano de historia na ufjf e estava olhando um mestrado em relações internacionais na china, então fui ver alguns videos do dia a dia no pais, essa praticidade dos pagamentos via qr code é muito vista nesses videos onde até barraquinhas de frutas na rua aceitam pagamentos através do wechat ou do taobao, na argentina também via em vários lugares qr codes da carteira do mercado livre (que é argentino) para você efetuar pagamentos e até ofereciam descontos de 10 ou 20 % nas compras

    1. Esses descontos são típicos de empresas que estão em fase ou tocando estratégias de expansão agressivas. É uma maneira de “comprar” usuários. Uber e 99, por exemplo, estão fazendo a mesma coisa aqui no Brasil — descontos surreais em corridas, deixando o player que não entrou nessa, a Cabify, com fama de careira.

      O exemplo do QR code ainda fica dentro do que se espera de um app de câmera. O iOS 12 e o Android, via Google Lens, também fazem isso sem depender de app de terceiros. O que me preocupa são situações como a que você descreveu do app de previsão do tempo. Não há justificativa para ele ter permissão para fazer ligações. Até que ponto as pessoas estão ligadas nisso? E o mais importante: por que a empresa do app quer essa informação?

  3. Tenho dois pontos que talvez sejam interessantes:

    1 – Ao meu ver a China tem como objetivo a dominação econômica sem as responsabilidades advindas da dominação cultural. Não acho que seja o objetivo dela impor-se como cultura dominante, no estilo dos EUA da década de 60 em diante, e consequentemente isso implicaria em um processo de ocidentalização e não o contrário.

    2 – O Japão e a Coréia do Sul passaram por processos de internacionalização semelhante ao que ocorre hoje com a China, onde tanto a Sony quanto Samsung, por exemplo, tornaram-se mais ocidentais. Embora o maior mercado seja o interno, a China, ao que parece, passará por processo parecido.

    São pontos que acho que valem a reflexão.

    Abraços e continuem com o ótimo trabalho!

    1. São bons pontos e exemplos, Carlos! Essas marcas que você citou (e acrescentaria também a LG) se adaptaram muito bem ao Ocidente e esse pode, sim, ser um caminho para as chinesas. A Huawei parece a mais avançada nesse sentido, em especial pela sua forte presença na Europa. Outras, como a Lenovo, também conseguiram esse feito, embora nesse caso tenha sido por aquisições (divisão de PCs da IBM e Motorola).

    2. Como disse Jean Baudrillard: “O ocidente só existe por há pessoas desejando se parecer com o que há nele”. Pode ser q daqui um tempo a China encabece um processo de aculturação em outros países (quais eu não sei dizer, talvez outros países asiáticos). Ver Youtubers falando chinês com certa desenvoltura me pareceu bem curioso. Japão e Coréia do Sul não tiveram tanta força qto a China e foram tb fortemente influenciadas desde o pós-guerra. Vai ser um movimento curioso. Uso alguns aparelhos chineses e o q mais poderia me influenciar agora é o relógio e seu app, mas até agora, não parece ter surtido efeito, se é q há algum tentativa nesse sentido.

  4. Obrigado por responder minha dúvida! Estou comentando neste momento após ouvir o GP#168 num app de podcasts!
    E sobre apps chineses, são bem vindos sim, há que facilitam a vida digital.
    Os que tenho comigo?
    Gearbest, Mi Fit e 99.
    Gostaria de ver (ouvir) algum sobre aplicativos russos. Se tem ou passam perto de ter a relevância que os chineses tem atualmente.
    Descobri recentemente um app russo de streaming de música totalmente gratuito e que não pede login. Chama-se Caprice Radio. Todo dividido em gêneros e sub-gêneros musicais. É estável e não de rádios online. Não há comerciais, vinhetas, locutores. Apenas música.
    Gosto bastante

    1. Olha, acho que a Rússia ainda é um mercado muito fechado e não há muito interesse das empresas de lá e do governo em se tornar uma potência em software. Aparentemente, o Kremlin está mais preocupado em fazer guerrilha virtual no Facebook para interferir em eleições de outros países…

  5. Só tenho duas correções a fazer: na verdade tenho mais um app chinês no meu celular, além do 99: o Mi Fit, por conta do relógio inteligente (tb conhecido como smartwatch) Amazfit Bip q uso fora de casa. Usava o Aliexpress, mas desinstalei por ele ser ‘complicado’ de administrar: as permissões que ele pede internamente para anúncios são muitas e se você clicar em algo bizarro à venda (por curiosidade, tá?), as sugestões constrangedoras que ele passa a te dar ter perseguem pra sempre!

    O outro ponto é que a citação da Shoshana Zuboff que fiz não foi tirada do livro dela (recém lançado e recém adquirido por mim) e sim de um vídeo disponível no youtube: “Forum Privatheit 2018: Shoshana Zuboff keynote speech on surveillance capitalism”.