Guia Prático #115: (algumas) polêmicas da Uber


2/4/17 às 22h47

Assunto vai, assunto vem, chegou a hora de finalmente falarmos sobre a Uber. Por isso, no programa gravado no sábado 1º de abril decidimos não falar das brincadeirinhas já praxe do setor de tecnologia, mas tentar entender um pouco as polêmicas que rondam a Uber, empresa/serviço/app que já foi amada pelos brasileiros e que hoje está com seu nome na berlinda. Dessa vez, além de mim (Emily) e do Joel Nascimento Jr., contamos com a participação especial do Guilherme Tagiaroli, ex-editor do Gizmodo, ex-Uol e atual colaborador do Motherboard que está bem por dentro do assunto. Escute-nos e depois nos dê a sua opinião.

Se preferir, baixe o MP3 e ouça depois. E se você ainda não assinou o programa no seu player de podcasts favorito, faça isso via iTunes ou pelo RSS.

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11 comentários

  1. Olá, como faço para consegui o LINK (feed) do Podcast? Fiz uma busca rápida no site mas não encontrei. Abraço!

  2. Sendo um usuário do Uber e do 99 (quando estou em São Paulo), dá pra notar bastante a diferença no atendimento, desde que a Uber começou a “aceitar qualquer um”, e a 99 receber o investimento dos chineses.

    Uma coisa que já virou hábito é ver motorista não saber qual faixa ele deve pegar. Como já conversei com alguns, o problema é ter entrado gente que não conhece a cidade bem, e não sabe usar GPS e ler mapas, a tentar algo com o Uber. É óbvio que dá problema.

    Mas o engraçado é que de todas as polêmicas, a da ex-engenheira da Uber é o menos conhecido. É sempre eu que comento sobre isso com o motorista. Eles ficam até surpresos.

    Ainda acho que se possível, Emily, seria bom fazer um post no Tecnoblog como prometido no último podcast. Os portais de notícias só começaram a noticiar mais sobre isso quando o Kalanick brigou com o motorista do Uber Black, que quase ninguém usa.

    1. Oi, Willian, tudo bem? Não entendi a parte do fazer um post no Tecnoblog, hehehe. Um post sobre a história do assédio aqui, você diz? Obrigada pela audiência. :)

      1. No último Guia Prático, você comentou para o Higa que tinha todo um artigo sobre as polêmicas de 2017 com a Uber.

        Estamos aí!

  3. Os táxis eram, de certo modo, uma forma de investimento baseado em renda e não propriamente em exploração do trabalho: o sujeito conseguia o alvará e o alugava. Grosseiramente, com o perdão do abuso do conceito, eles eram “pré-capitalistas”.

    Empresas como a Uber, porém, representam o que há de mais avançado em exploração do trabalho no capitalismo: convencem seus funcionários (os motoristas) de que eles são empreendedores parceiros, mas na prática extrai o máximo possível de seus trabalhos — algo que fica explícito na famosa conversa gravada do CEO com o motorista.

    Neste caso, acabamos passando no brasil diretamente de uma fase “pré-capitalista” para o capitalismo tardio, sem qualquer etapa intermediária, de forma tão acelerada que ainda não conseguimos digerir muito bem seus efeitos, benéficos ou (na maior parte dos casos) maléficos.

    E acho que a ausência dessa fase intermediária tem a ver também com a precariedade de nossa infraestrutura pública de transporte. Este texto do Pedro Burgos, de dois anos atrás, me parece ainda relevante: https://motherboard.vice.com/pt_br/article/o-uber-nao-e-o-futuro

    1. Mais ou menos, Gabriel.

      O ponto é que tanto os táxis quanto os ônibus no Brasil são concessões licenciadas. No caso dos táxis, algumas cidades cederam “concessões perpétuas”, ou seja, a pessoa tem o direito de ser taxista e repassar seu ponto aos herdeiros. Este é o maior problema que causou todo este reboliço sobre táxis.

      No começo desta década, algumas prefeituras começaram a se movimentar e mudaram a forma de permissão dos táxis. Hoje cidades como Juiz de Fora tem licença tipo “licitada”. O taxista faz as avaliações e entra na disputa por uma vaga. Fica 20 anos (em média), depois o ponto troca de responsável. Se alguém desistir, outra pessoa cede de volta à prefeitura, e a prefeitura põe o próximo da lista ou faz nova licitação.

      Em São Paulo, isso gerou uma briga gigante, pois já tínhamos mais de 30 mil táxis com ponto oficial (e acho que o dobro de táxistas com Condutaxi – a licença necessária para trabalhar como táxista). Esta contagem contando todos os tipos de licença – perpétua (a dos pontos comuns), de giro (que a pessoa pode só ter o carro e girar por aí) e frotas (cujo donos repassam para outros motoristas).

      Neste meio tempo o Uber que já estava vindo lá dos Estados Unidos (enquanto disputava com a Lyft) começou a provocar o mercado. E ainda tinha os apps de carona, como Triipda por exemplo (que faliu um ou dois anos depois).

      Houve três erros aí:

      – Muitos caíram no “canto da sereia do Uber” e foram mordidos.
      – Não houve uma discussão sobre a mudança da licença dos táxistas, apenas foi criada mais 3 mil licenças para tentar concorrer (táxi preto).
      – Ignorou-se completamente qualquer discussão sobre mobilidade urbana e onde encaixa-se táxi e fretamento por app nesta jogada.

  4. Sobre implementar soluções de outros países (tipo o botão do pânico) no app do Brasil, precisa entender como que funciona o desenvolvimento do aplicativo. Por incrível que pareça, tem plataformas internacionais que tem blocos de desenvolvimento local, e é possível que seja isso que acontece com o Uber: existe um aplicativo matriz, internacional, desenvolvido por uma equipe X, e as equipes locais de customização. Aí nem é questão de compartilhar o código, mas uma questão da equipe local sentir a necessidade de implementação, seja por bom senso ou pressão dos usuários.

    Eu tive recentemente um episódio em que escapei de ser assaltada dentro de um Uber Pool e desde então a minha confiança no serviço desapareceu. A forma como o Uber lidou com isso também foi frustrante: reportei o ocorrido e devolveram uma resposta automática, de que eles proibiam o porte de armas dentro do carro (porque né, obviamente um assaltante consulta a política interna antes de realizar a tentativa).

    E legal essa coisa da opção de taxi feminino do 99, eu não sabia (fui até conferir no app).