Leituras da semana #1

19/10/13 3 comentários

Smartphone, tablet e ereader: todos prontos para a leitura.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Na seção Leituras da semana, a ideia é trazer até cinco posts de outros sites publicados no decorrer da semana que merecem ser lidos. São artigos primariamente sobre tecnologia, mas que, seguindo a linha editorial do Manual, podem também flertar com comunicação, psicologia e outras áreas desde que tenham uma abordagem relacionada a gadgets ou bits.

Na sequência, você tem os links e breves descrições de cada artigo. No final do post há um link para o Readlists.com. Por lá é possível baixar um ebook contendo os artigos listados na íntegra ou exportá-lo para seu Kindle, outro ereader ou tablet e ler na piscina, no sofá, onde quiser durante o fim de semana. Espero que gostem.

Sobre o mundo moderno

Franzen é um escritor norte-americano talentosíssimo e, pelos seus ensaios e entrevistas, desiludido com a tecnologia de consumo. Neste aqui, ele faz um ataque feroz ao Twitter, à Apple e às empresas que exploram essa fome por tecnologia e a nossa incrível capacidade de se alienar a partir delas, usando como parâmetro ensaios do austríaco Karl Kraus, “O Grande Odiador”.

The Guardian: Jonathan Franzen: o que há de errado com o mundo moderno

Sobre a Xiaomi

Bom perfil da Xiaomi, fabricante chinesa de smartphones que fisgou Hugo Barra, executivo do alto escalão do Google, mês passado e que pelo tanto de smartphone (com boas configurações a um custo menor) que vende na pátria mãe, já é avaliada em US$ 10 bilhões. Uma das missões de Barra lá é expandir a empresa para fora da China. Em sua primeira declaração pública como funcionário de lá, ele mostrou-se bastante impressionado com o ritmo das operações.

Time: Xiaomi: China’s Threat to Apple and Samsung

Sobre fotos de crianças na Internet

O título é autoexplicativo, a questão que levanta, bem mais complexa. Por mais seguro que seja a distribuição de fotos e fatos de crianças que sequer sabem falar na rede, ainda assim pode haver impactos negativos no futuro para essa geração que está nascendo. O legado que fica, as buscas no Google que retornam resultados antigos, podem se tornar fontes de ansiedade, insegurança e bullying no futuro.

Gizmodo: Por que eu apaguei fotos e vídeos dos meus filhos da internet

Sobre Windows e Mac

Por pouco (R$ 800, mais precisamente) eu poderia ter escrito este texto ano passado :-) Acabei optando por um Ultrabook e permaneci no universo Windows. O Paulo, que está sempre comentando notícias de tecnologia no nosso podcast, fez a transição e conta, neste artigo, quais as dificuldades, surpresas e alegrias que vem tendo com o OS X depois de dez anos a bordo do Windows.

Tecnoblog: Troquei meu Windows por um Mac


Todos os artigos acima estão listados no Readlists.com, onde você pode enviá-los para o Kindle, por email, para dispositivos iOS ou baixar um ebook.

Gravidade: sozinho no espaço, somente a superação pode salvá-lo

18/10/13 6 comentários

Sandra Bullock em um traje espacial, no filme Gravidade.
Foto: Warner Bros/Reprodução.

Com um plano sequência inicial de quase 20 minutos digno de figurar entre os mais sensacionais da história do cinema, Gravidade diz logo de cara que não é um filme convencional. Dirigido por Alfonso Cuarón, com Sandra Bullock e George Clooney no (enxuto) elenco, ele usa o vácuo do espaço para filosofar sobre assuntos bem mundanos, sobre superação e renascimento.

O filme conta a luta pela sobrevivência da Dra. Ryan Stone e do comandante Matt Kowalsky, que ficam à deriva no espaço após o ônibus espacial onde estavam ser atingido por uma tempestade de detritos vinda de um satélite russo destruído ali perto.

Na solidão do espaço, sem contato com a Terra e com recursos finitos, Gravidade insere angústia e tensão em cenários que, em outro contexto, em outra situação, seriam talvez alguns dos lugares mais contemplativos que o ser humano conheceu. Em uma das falas iniciais, a Dra. Stone diz que o que mais gosta do espaço é o silêncio. “Eu poderia me acostumar a isso”.

Mas quando tudo vai pelos ares, como mostra o trailer, e a inexperiente médica rodopia sem rumo, afastando-se da Terra, sem retorno na comunicação, com a respiração ofegante, Gravidade se revela. É um filme sobre o fascinante espaço, também, mas é muito mais uma história sobre o medo da morte, sobre enfrentamentos e, por fim, renascimento.

Tecnicamente, Gravidade é um feito e tanto. As cenas espaciais são de tirar o fôlego, a tensão nos momentos-chave em que a vida fica em risco, e eles não são poucos, prendem o espectador de um jeito único. Eventos naturais, como o nascer e o pôr do Sol, a aurora boreal, a imensidão do espaço, são retratações que, embora não possa classificar como perfeitas por motivos óbvios, conseguem entregar o que eu e acho todos nós imaginamos deva ser o espaço: um infinito absorto na quietude, uma beleza que fascina e amedronta.

Levou um bocado de tempo para que a tecnologia para filmar Gravidade madurasse o suficiente, e essa espera valeu a pena: ele leva o nível dos efeitos especiais no cinema a um novo patamar. Saber que as cenas “externas”, das caminhadas espaciais, são inteiramente digitais com exceção dos rostos dos atores, dá uma boa ideia do quão espetacular é esse trabalho. Os planos, que variam de uns bem abertos, pondo em perspectiva a insignificância de um ser humano lá em cima, até trechos em primeira pessoa, dentro do capacete da Dra. Stone, formam um balé suave na tela. A trilha sonora alterna o silêncio do espaço com músicas crescentes, tudo na hora certa, na medida exata. É um trabalho irretocável.

A imensidão do espaço em Gravidade.
Foto: Warner Bros/Reprodução.

Fosse apenas 90 minutos de lindas cenas do espaço polvilhadas com um pouco de ação aqui e ali, Gravidade já se justificaria. Mas há uma história por trás. Não uma profunda; ela é bem simples, na real. O roteiro, inclusive, se limita ao mínimo para se fazer entender (com uma exceção que peca pelo excesso de didática cinematográfica), e não faz uso de recursos como flashbacks para contextualizar o dilema central a quem assiste, uma saída que, nas circunstâncias em que a história se apresenta, seria fácil imaginar sendo posta em prática. Aqui, não. São 90 minutos ininterruptos no agora, coisa rara de se ver e uma delícia de se presenciar.

Cuarón diz que Gravidade é sobre “renascer ante as adversidades”, tanto que coloca no centro da história uma protagonista inexperiente, que não é daquele universo, que sai da sua zona de conforto e se vê obrigada a lidar com situações extremas em uma sucessão rápida. Essa metáfora, do renascimento, se faz presente em vários pontos ao longo do filme. É emblemática ao vermos a Dra. Stone, após quase morrer por falta de oxigênio em seu traje espacial, adentrar a Estação Espacial Internacional e, cheia de vida novamente, contorcer-se até ficar em posição fetal, com o Sol ao fundo, uma cena particularmente bela. Daria para discorrer mais aqui, não sem dar (mais) spoilers.

A 600 quilômetros da superfície da Terra, no espaço, a vida não pode existir. Mas pode renascer. Gravidade é um filme lindo. Assista.

Matt tenta acalmar a Dra. Stone.
Foto: Warner Bros/Reprodução.

Alguns links legais para se aprofundar no filmaço de Cuarón:

  • Bate-bola esperto entre Noel Murray e Tasha Robinson no The Dissolve. Ela, aliás, bate muito na tecla de que ver Gravidade em 3D é uma experiência melhor — Alexandre Inagaki também viu assim e reforça a recomendação. Eu vi em 2D e fiquei me perguntando se a dimensão extra é capaz de tornar o que já é espetacular ainda melhor.
  • Entrevista bacana com Sandra Bullock, no Omelete. Se você tem algum tipo de preconceito com ela, e não dá para negar que há motivos, esqueça-os em Gravidade: sua atuação é brilhante.
  • No io9, Alfonso Cuarón discute o final de Gravidade. É bem significativo. Só leia isso, claro, depois de ver o filme. Em outra entrevista no mesmo site, ele fala de várias coisas muito legais sobre o filme, incluindo a linguagem mais elaborada que não se esforça para dar tudo mastigado ao espectador e o difícil trabalho de conciliar ficção/entretenimento com fidelidade científica.
  • E falando em fidelidade científica, se você é do coro dos que reclamam que um filme (um filme, veja bem; não é um documentário) não é fiel à realidade, Neil DeGrasse Tyson e Marcos Pontes deram seus pitacos técnicos sobre Gravidade. Ambos, porém, disseram que curtiram muito o filme.