5 dicas para editar áudio no Audacity

Existem duas formas de dominar uma software. A primeira é frequentando cursos formais, passando etapa por etapa, lição por lição, seguindo à risca um roteiro preparado por especialistas e ministrado por um deles. A segunda é metendo a cara, lidando com as dificuldades e dúvidas que surgem no caminho e tirando dúvidas no YouTube e em blogs como o Manual do Usuário.

Meu caso com o Audacity, um software de edição de áudio gratuito e aberto, se encaixa na segunda forma. Comecei a usá-lo ainda na época do WinAjuda (RIP), para editar o finado podcast de lá. A escolha se deu principalmente pela gratuidade e, apesar desse critério fraco, acabou não sendo uma de toda ruim. Pelo menos funciona e tem até uns truques bacanas.

Como você deve saber, uso o Audacity para editar o podcast do Manual do Usuário. É um trabalho relativamente simples, mais braçal do que intelectual, mas que só chegou a esse estado graças às dicas que colhi nesses anos, vindas do YouTube, de posts em fóruns e da documentação oficial. Se você nunca se aventurou com edição de áudio, tem vontade, mas não quer começar no zero, siga as dicas que descreverei abaixo.

1. A interface do Audacity

O Audacity se divide em três grandes áreas. Em cima, ficam os controles de áudio (que inclui os imprescindíveis botões “gravar” e “reproduzir”, e que podem ser substituídos pelas teclas R e Barra de espaço, respectivamente) e, um pouco ao lado, algumas ferramentas que você usará bastante. Na sequência, gráficos que mostram como o áudio está sendo gravado, útil para identificar e corrigir o clipping, aqueles estouros no áudio que machucam os ouvidos, e algumas ferramentas de edição substituíveis pelo mouse.

No meio ficam as faixas. O Audacity trabalha com quantas faixas você quiser. Ao acrescentar um arquivo de áudio externo (basta arrastá-lo para dentro da janela do programa), uma nova faixa é criada. Se quiser iniciar uma limpa, é só clicar no menu Faixas, depois em Adicionar Nova… e escolher a desejada.

O áudio aparece nas faixas como riscos azuis. Acho que todo mundo já viu, talvez em tonalidades e softwares diferentes, mas a representação é bastante padronizada. Com os olhos dá para saber se uma faixa está com o volume baixo, alto, se está clippando e até em que momento, no caso de um podcast descontraído, as pessoas dão risada.

Vale a pena gravar qualquer besteira e mexer nos controles da barra de ferramentas para se familiarizar com eles. Para começar a brincar, é importante entender esses ícones:

Esses botões serão muito usados.
Ferramentas do Audacity.

As duas primeiras são bem importantes. O primeiro ícone transforma o cursor em um seletor de texto — ou, no nosso contexto, de trechos das faixas. Dá para utilizar, inclusive, algumas convenções de editores de texto aqui, como clicar em um ponto da faixa, segurar a tecla Shift e depois clicar em outro para selecionar o intervalo. O bom e velho clique duplo, segundo o botão no último e arrastando o cursor, também funciona.

Outro bacana é o segundo, o risco azul com a bolinha no meio entre dois indicadores, chamada ferramenta de envelope. Ele permite diminuir o volume de uma faixa e, usado em pares, fazer aquele truque de diminuir a música de fundo quando alguém fala. (Note que, para fade in e fade out, existem ferramentas específicas e bem mais fáceis de usar no menu Efeitos.)

Por fim, a ferramenta de ajuste de tempo — é aquela seta que aponta para os dois lados, a segunda na linha de baixo. Com ela, o cursor passa a arrastar blocos de áudio. É indicada para o trabalho com duas ou mais faixas, e permite, entre outras coisas, alocar perfeitamente efeitos sonoros e músicas.

A lupa, como você deve imaginar, serve para dar zoom. Ela funciona bem, mas no meu workflow incorporei teclas de atalho (para mim, mais ágeis e precisas). Ctrl + 1 aproxima o zoom, Ctrl + 3 diminui e Ctrl + 2 volta ao 100%.

2. Cortando e juntando áudio

Cortar um pedaço da faixa é edição mais básica — e uma das mais simples. Para separar uma faixa em duas, basta clicar no local desejado, ir em Editar, depois Cortar bordas e, por fim, Separar — ou aperte Ctrl + I, para ir mais rápido.

No meu uso, porém, o que eu faço mais é remover completamente trechos inteiros. Dessa forma, por exemplo, uma conversa anterior à gravação de fato se vai com alguns poucos cliques. E é uma ação tão simples quanto dividir uma faixa.

Com o mouse, marque o trecho desejado com a ferramenta de seleção. Caso erre na seleção por alguns poucos segundos, não se preocupe, não é preciso tentar acertar todo o processo do zero: ao aproximar o mouse das extremidades da seleção, o cursor vira uma “mãozinha”. Dê um clique duplo segurando o botão no segundo, e você poderá arrastar a seleção novamente para fazer um ajuste fino.

Quando um trecho está selecionado, ao clicar no botão de reprodução (dá para substitui-lo com um toque na barra de espaço), apenas ele é tocado; isso é bom para delimitar perfeitamente o que se deseja cortar ou remover. Estando tudo certo, dê um toque na tecla Delete e aquele trecho sumirá, unindo as duas pontas que sobraram.

Mas e se em vez de remover esse trecho, eu queira apenas silenciá-lo? O processo é o mesmo, o que muda é só o último toque. Em vez da tecla Delete, aperte Ctrl + L. Já se, em vez de silenciar, o objetivo for acrescentar trechos de silêncio, basta entrar no menu Gerar, clicar em Silêncio, definir a duração dele e dar Ok.

3. Normalizar várias faixas

Normalizar nivela os volumes no Audacity.
Normalizar o áudio.

É bem comum em podcasts com dois ou mais membros, mesmo quando são usados microfones idênticos (oi, Paulo!), os volumes saírem desnivelados. Felizmente, um dos vários efeitos do Audacity ameniza bastante esse problema que, de outra forma, seria bem chato de solucionar.

Se apenas as faixas de fala estiverem abertas, um Ctrl + A para selecionar tudo resolve. Caso contrário, será preciso fazer a seleção manualmente — e recomendo, para tanto, que você gaste algum tempo usando as teclas Shift, Home, End e as setas esquerda e direita; parece bobagem, mas usar o teclado em vez do mouse é, não raramente, mais rápido e essas teclas são universais, ou seja, também são úteis no navegador, no Word, em qualquer lugar que trabalhe com texto/seleção.

Enfim, quando todas as vozes estiverem selecionadas, entre no menu Efeitos, depois clique em Normalizar… Existem alguns parâmetros ali, mas comigo o padrão quase sempre funciona a contento. Às vezes surgem alguns clippings, mas nada que outro efeito, que veremos a seguir, não resolva.

Antes de normalizar os volumes, porém, considere fazer a dica a seguir, de eliminação de ruídos. A lógica é muito simples: você não quer normalizar barulhos indesejados, mas apenas as vozes, ou música, enfim, o que você gravou. Remover tudo que for desnecessário ou inesperado aumenta a eficácia da normalização.

4. Elimine ruídos

(Eu poderia ter facilitado e invertido as dicas, né?)

A menos que você tenha um equipamento profissional e faça gravações em uma sala com boa acústica, ruídos surgirão na sua fala. (E convenhamos: se você está gravando nessas condições, não precisa ler isso aqui.)

Remover ruídos.
Dá para remover ruídos no Audacity.

Um dos efeitos mais bacanas do Audacity é o de remoção de ruídos. Sua aplicação é parecida com a do efeito anteriormente visto, mas tem uma pegadinha: ela é feita em duas etapas.

Primeiro, é preciso ensinar ao app o padrão de ruído a ser eliminado. Para isso, encontre um ponto de silêncio na fala, algo comum em podcasts (e considerando que as vozes sejam gravadas em faixas exclusivas). Selecione o trecho silencioso, entre no menu Efeitos, depois em Remover ruído… e, na janela que aparece, clique no botão Obter perfil de ruído.

A janela se fechará e, aparentemente, nada terá mudado. Mas mudou sim: agora o Audacity sabe o que deve buscar e eliminar.

Dessa vez, selecione toda a faixa antes de voltar ao menu Efeitos, item Remover ruído… Lá, clique no botão Ok e espere a mágica acontecer — dependendo do seu hardware, pode demorar um pouco.

5. Como corrigir o clipping

Clip Fix, efeito do Audacity, corrige o clipping.
Corrigindo clipping no Audacity.

Como explicado, clipping é o “estouro” em uma faixa. Dá para ver quando isso acontece nas ondas: ele chega às extremidades da faixa e, ao ser executado, machuca os ouvidos.

O efeito Clip fix, dentro do menu Efeitos, ameniza e em muitos casos elimina o clipping. Para usá-lo, selecione o trecho clippado e clique na opção. Uma caixa de diálogo surgirá. Clique em Ok e veja, ou melhor, ouça a mágica acontecer.


Para quem ainda não teve tempo ou interesse em explorar o que o Audacity oferece, essas dicas são um belo começo. Se você já é experiente e tiver alguma outra para compartilhar, use os comentários. Outros entusiastas, eu e os ouvintes do podcast agradecemos!

7 dicas para iOS / iPhone que você talvez não conheça

Faz algumas semanas que passei a usar um iPhone 5 como celular principal e nesse meio tempo conheci alguns truques legais do iOS. Nada que mude o mundo, mas coisas que agilizam ou fazem os outros esboçarem um risinho quando veem.

Já conhecia o iOS de iPhones alheios e principalmente do iPad (tenho um). A experiência no smartphone é mais polida do que no tablet, sensação intensificada na última versão do sistema. Enfim, com esse histórico que agora você conhece, somado a algumas pesquisas recentes, separei sete dicas que você talvez não saiba. (Se já sabia, parabéns, você é uma pessoa aplicada e conhece bem seu aparelho!) Continue lendo “7 dicas para iOS / iPhone que você talvez não conheça”

Os equipamentos e apps que uso, 2014

Por mais simples que seja uma operação, ela demanda instrumentos, padrões e um workflow minimamente estruturado. É assim com o Manual do Usuário: um blog de um homem só, um homem preparado para ler, escrever, fotografar e filmar.

É bem comum usarmos momentos de ócio no fim do ano para reavaliarmos partes da vida, refletir onde erramos e onde acertamos e, nessa, fazer pequenos (ou grandes) ajustes. Resolvi usar parte desse tempo para contar a vocês o que uso (ou pretendo usar em 2014) no trabalho que desempenho aqui. Além de útil, quero também trocar figurinhas nos comentários, descobrir apps, equipamentos etc. É um post com segundas intenções :-)

Dividi o texto em três partes. Na primeira, dispositivos móveis. Quais estou usando, como, e que apps mais abro no dia a dia.

A segunda, computadores. Sim, essas coisas antiquadas mas ainda insuperáveis na hora de botar a mão na massa e mostrar resultados.

Por fim, equipamentos auxiliares — basicamente com o que e como faço fotos e gravações.

Detalharei alguns pontos ainda nebulosos, a minha ideia é um papo sincero contigo — incluindo aí dúvidas e ignorâncias. No geral, porém, meu workflow hoje é bem enxuto e direto, e deve ser essa a parte mais interessante a você.

Smartphones e tablet

Em 2014, irei de iPhone 5.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Passei por 2013 usando um Nexus 4 como smartphone principal e um iPad 2. Para o ano que começa, uma substituição: sai o smartphone Android, entra um iPhone 5.

Já tinha visto e mexido rapidamente em vários iPhones, mas nunca tive um como aparelho principal. Será um exercício legal e, como meu perfil de uso é bem eclético — confio mais em soluções multiplataformas do que nas soluções integradas e fechadas das fabricantes –, até agora a transição tem sido suave. A maioria dos apps está presente nas duas plataformas ou tem equivalentes.

Disclaimer: Além do iPhone 5 e do Nexus 4, também estou com um Lumia 920. Não virei traficante, nem quero ostentar. A ideia é acompanhar a evolução e novos apps das três principais plataformas móveis.

Até agora ocupo apenas duas telas iniciais no iOS — descontados os apps da Apple, todos devidamente largados em uma pasta.

Como smartphone e tablet usam o mesmo sistema, a lista abaixo vale para ambos, ainda que os usos deles sejam bem distintos. O iPad é minha tábua de leitura e consulta “sofazística” de redes sociais. Eventualmente vejo alguma coisa no Netflix e brinco com jogos, mas esses últimos têm sido cada vez mais raros. O iPhone é… bem, é um celular. É o gadget que mais uso, disparado, dentro e fora de casa.

Os apps que me acompanham são:

Chrome e Gmail

Mesmo com o desempenho em JavaScript afetado por limitações do iOS (ou da Apple), acabo usando o Chrome pela sincronia que ele proporciona — meus computadores rodam Windows. Não importa onde use o Chrome, a experiência é sempre bastante consistente, e isso é importante.

O Gmail uso pela patricidade e usabilidade superior à do app de email padrão do iOS. A exemplo do navegador, é outro caso onde suprimo a velocidade em prol de outras vantagens. Não reclamaria, porém, se o Google agilizasse a abertura do Gmail…

Newsify

Para ler feeds, é a minha opção. Três aspectos me agradam muito no Newsify: a tipografia acertada, a navegação por gestos e o modo tela cheia. São suficientes para ignorar a sensível lentidão apresentada no iPad 2 ante concorrentes como Mr. Reader e Feedly — ambos bem legais também.

Pocket

É bem melhor ler um longo artigo sentado ou deitado no sofá do que na minha mesa de trabalho, encarando o notebook. Para tanto, apps do tipo “leia depois” são indispensáveis. A minha escolha é o Pocket: ele é rápido, tem uma boa tipografia e alguns recursos sociais que encontram o difícil equilíbrio entre utilidade e ruído.

Recentemente dei uma chance ao Instapaper, é um belo app também. De lá, gostei muito do refinamento da interface e dos filtros por tempo — dá para, por exemplo, puxar artigos que podem ser lidos em menos de cinco minutos, algo bem útil para matar o tempo sem correr o risco de deixar um post lido pela metade.

Pocket e Newsify são, de longe, os apps que mais uso no iPad. Tenho ambos instalados no iPhone também. Vez ou outra abro-os no smartphone.

Simplenote

Rápido, com sincronia com a nuvem e cheio de apps para diversas plataformas (até web), o Simplenote é a minha escolha na hora de fazer anotações. Uso ele para tirar da cabeça ideias de posts, anotar referências e links para pautas em andamento e escrever mesmo os posts em Markdown — é bem mais confortável que usar uma barra de atalhos ou marcações em HTML.

Tweetbot 3

Não sou o que se consideraria um heavy user de Twitter, tanto que sempre me virei bem com o app oficial. Isso até a última atualização que colocou DMs em destaque e as menções em um ícone de notificações. Ela é desastrosa, para dizer o mínimo.

Em vez de chateá-lo apontando tudo o que há de errado com o app oficial do Twitter (é muita coisa), vamos falar algo bom, do Tweetbot. Apresentação linda, animações suaves, diversos gestos… Vale cada centavo.

No iPad continuo com o app oficial. Ele não mudou e, além disso, o Tweetbot para iPad ainda não foi atualizado para o iOS 7.

Dropbox

Nada de iCloud, SkyDrive ou Google Play. Mantenho os arquivos que preciso no Dropbox, que é acessível e amplamente adotado por desenvolvedores. O bom é que preciso pouco dele já que a maior parte do que faço é na web.

Bônus: desde que ativei o backup automático de fotos no app do Dropbox nunca mais conectei meu smartphone a um computador para passar essas imagens. Mão na roda, e funciona muito bem.

Alguns outros apps que tenho instalado, mas que ainda não explorei ou uso para lazer (em ordem alfabética):

  • Facebook, Instagram, Vine, Tinder, Tumblr: dispensam explicações, né? Tumblr e Facebook em ambos, os demais apenas no iPhone.
  • Facebook Messenger, WhatsApp: são os dois apps de mensagens que uso. Está bom, né? Só no iPhone.
  • Foursquare: assim como o Snapchat, o Foursquare também sofre com problemas de imagem — muita gente acha que é um facilitador para stalkers e ladrões. Não é. Há muito a apreciar ali e as coisas no Foursquare estão crescendo mais e mais. Apenas no iPhone.
  • IFTTT: com muito potencial, devo gastar uma tarde explorando e criando novas receitas — tenho poucas cadastradas, todas muito úteis e eficientes. Apenas no iPhone.
  • Netflix, YouTube: se a TV da sala for objeto de disputas recorrentes, o iPad é a melhor tela que você tem à mão. Netflix apenas no iPad, YouTube em ambos — embora dê para contar nos dedos as poucas vezes em que o utilizei no iPhone; reflexo da falta de integração entre apps do iOS, ponto onde o Android é melhor.
  • Rdio: nunca usei o app de música do iOS — e, no ano passado, do Android. Apenas no iPhone.
  • Snapchat: é divertido, intimista, muito mais que sexting — que, aliás, (in)felizmente nunca recebi. Só no iPhone.
  • Timehop: velho conhecido, deixei de usar quando a versão por email foi descontinuada. Com o iPhone posso, novamente, ler as barbeiragens que publiquei neste mesmo dia em anos anteriores. Sempre uma viagem. Só no iPhone
  • Yahoo Tempo: é um app muito bonito e com informações mais que suficientes para quem só quer saber se vai chover. Apenas no iPhone.

E, sim, tenho alguns joguinhos instalados. No iPad, um punhado de princesas e da Toca Boca para minha afilhada. No iPhone, no momento em que escrevo isso apenas três: Dots, Proust e Triple Town.

Notebook e desktop

Samsung Série 9, fechado.
Foto: Rodrigo Ghedin.

No começo de 2013 reduzi o papel do meu desktop, que é bem poderoso, ao lazer. Conectei ele à minha TV e desde então suas funções se resumiram a Steam e Netflix.

Minha principal ferramenta de trabalho, pois, passou a ser e ainda é o notebook. Tenho um Ultrabook Série 9, da Samsung, de segunda geração. Detalhei-o mês passado, mas resumidamente: é leve, rápido o bastante para quem navega e escreve, tem um bom teclado, um ótimo touchpad e uma tela incrível. É o suficiente para mim.

Ele roda o Windows 8.1 que, apesar de todas as notáveis melhoras em relação ao Windows 8, trouxe algumas chateações. As principais é a imprevisibilidade na reconexão após voltar da hibernação e as configurações do touchpad que se perdem quando o sistema reinicializa, coisas que a essa altura devem ter sido resolvidas por drivers atualizados. Devo tirar uma tarde para mexer nisso, mas é triste ver que o Windows ainda não conseguiu superar esse tipo tão bobo de problema.

Muito do que uso é web-based, então de apps mesmo, são poucos os que tenho instalado:

Chrome

Há quem reclame que o Chrome tenha ficado pesado, lento e instável, seguindo a infectível lei do Geek & Poke. Concordo que ele já foi mais rápido e estável, mas ainda não chegou a um estado tão alarmante que me faça procurar alternativas.

O grande atrativo do Chrome é a comodidade. A Omnibox se adapta muito bem a mim e os dados do meu uso vão para a nuvem e são replicados, sincronizados com outros dispositivos. O motor de renderização é muito bom, o que previne algumas dores de cabeça. Não é algo legal se pensarmos em padrões web e compatibilidade (não era na época do IE hegemônico, não é com o Chrome ou qualquer outro), mas é o que temos, infelizmente.

App de notas secreto

Ainda não posso falar muito deste porque ele não foi lançado. Boa parte do que escrevo passa primeiro por ele. É um app extremamente rápido e confiável de anotações que sicnroniza com o Simplenote — mais uma vez a sincronia com a nuvem e outros dispositivos conta pontos.

Espero poder falar mais desse app em breve. O mundo precisa conhecê-lo!

IrfanView

Este não sincroniza com nada, mas mantém outra característica primordial e compartilhada com outros apps da lista: é rápido.

O IrfanView é um visualizador simples de imagens. Não, é mais que isso. Ele abre um leque enorme de formatos de arquivos e, de quebra, possui pequenos recursos de edição que agilizam muito o trabalho e dispensam ferramentas mais elaboradas, como o Photoshop. Girar, redimensionar, mexer em brilho/contraste/saturação? Para que gastar mais de mil Reais e recursos da máquina se um app gratuito de 1 MB chega aos mesmos resultados?

Audacity

Para editar podcasts, uso o Audacity. É um app gratuito e de código aberto que, embora não seja o mais prático do mundo, apenas… funciona.

É difícil domar algumas funções, a interface não é amigável. Com dedicação e paciência para ver alguns vídeos no YouTube, porém, dá para aprender o básico da edição e fazer coisas audíveis.

7-Zip

Mais um gratuito e de código aberto. O 7-Zip traz, no nome, o formato de arquivo com que trabalha por padrão, e vai além: ele abre um punhado de outros, incluindo ZIP e RAR, e compacta em ZIP. A interface, como é de praxe em apps de código aberto, é espartana, mas ele é (olha aí de novo) rápido e confiável.

Notepad++

Não que eu goste, mas cuidar de (todo) um site exige que eu, às vezes, mexa em código. Coisa simples — HTML, CSS, alterar algum valor em um JavaScript.

O Notepad++, outro gratuito e de código aberto, colore o código, permite abrir vários arquivos em abas, compará-los lado a lado e tem uma busca (com substituição de termos) poderosa.

Possível troca: tenho lido muita coisa boa sobre o Sublime Text. Devo dar uma chance a ele qualquer hora.

Dropbox

Pelos mesmos motivos que o uso no iPhone.

FileZilla

Tal qual o Notepad++, mais um que a manutenção do blog exige que eu tenha instalado. Também gratuito e também open source, é uma ferramenta funcional.

E… bem, é isso. De resto, tenho o VLC que, aqui, raramente uso, o Office 2010, outro que acumula poeira e o Java, desativado quase sempre, ativado apenas para emitir notas fiscais. De apps modernos, do Windows 8, os que uso são o Skype e o Netflix — esse último um raro caso de app não só bom, mas melhor que os de outras plataformas móveis.

Todo o resto

Sony NEX-5R.
Foto: Rodrigo Ghedin. (Esta foi feita com o Lumia 920.)

As fotos e vídeos do Manual do Usuário são feitos com uma NEX-5R, câmera mirrorless da Sony, usando a objetiva padrão, uma 16-50 mm/F3,5-5,6. A qualidade é soberba e o manuseio bem bom, graças aos dois discos que facilitam controles manuais. Sempre rola algum estresse para conseguir foco em fotos próximas (a lente não é adequada para isso), mas essas histórias quase sempre terminam com um final feliz — seja usando o foco manual, seja com o rápido foco automático.

O único acessório que utilizo com a câmera é um tripé. Desses baratinhos, sem marca e, claro, ruins. Ele range e embora seja leve, é também duro, o que dificulta tomadas de transição suaves ao fazer vídeos. Compenso deixando-o de lado e usando objetos incomuns, como potes de margarina, como apoio para conseguir o que quero.

Por fim, utilizo um headset da Microsoft, o LifeChat LX-3000, para gravações de áudio — podcast e as falas que, depois de gravadas e tratadas no Audacity, importo para o software de edição de vídeos. É o segundo que tenho em um intervalo de cinco anos e tirando o controle no fio, grande e desengonçado, de resto ele é bem bom.

Faço a edição dos vídeos no desktop, ligado à TV mesmo. O poder de processamento ultrapassa o incômodo de trabalhar no sofá — por mais confortável que essa frase soe, não é muito legal na prática. O software de edição é o Movie Studio Platinum 12, também da Sony. É uma variante mais simples (e mais barata) do Vegas Studio, com recursos suficientes para o nível de qualidade que almejo.

O tratamento das fotos faço com o IrfanView.


Enquanto escrevia este post me veio à cabeça o longo e doloroso processo pós-reinstalação do Windows a que me submetia alguns anos atrás. É engraçado porque naquela época, com menos responsabilidades e coisas para fazer no computador, instalava bem mais aplicativos — a maioria pouco usada, mas me sentia na obrigação de tê-los à mão. Hoje? Quanto menos, melhor, e esse foco em resultados se reflete até na cara do sistema, que raramente vê um tema ou wallpaper diferente do padrão.

Essa lista não é imutável, estou sempre de olho em novos apps e gadgets que possam, de alguma forma, melhorar o meu fluxo de trabalho. Na minha mira, por exemplo, está um tripé melhor. Existe muita coisa no mercado e a toda hora surgem novidades; é preciso pesquisar e considerar bem novas aquisições. Além do custo, integrar algo diferente à minha rotina precisa ser mais que um mero capricho.

Fico por aqui e reforço o convite para que você, leitor, dê seu pitaco nos comentários.

Imagem do topo: OZinOH/Flickr.

Importação como pessoa física: proibições, impostos e outros cuidados para evitar surpresas

Caixa dos Correios feita em casa.
Foto: Crystian Cruz/Flickr.

Um pouco tarde para as compras deste Natal, os Correios em parceria com a Senacom divulgaram um boletim de proteção ao consumidor com orientações importantes sobre a importação de produtos por pessoas físicas. A falha no timing é perdoável porque, apesar de mais frequente no fim do ano, comprar de sites estrangeiros se tornou uma prática comum para muita gente aqui — nos últimos dois anos, houve um aumento de 389% em encomendas do tipo.

DealExtreme, AliExpress, Tmart, Etsy, eBay… Muitos sites enviam produtos para o Brasil, uns até sem cobrar frete. Como lá algumas categorias de produtos saem bem mais em conta que aqui, por que não importá-los?

Existe regras na compra de produtos de fora. Tal ato é, como o boletim enfatiza, um de importação. O documento de sete páginas condensa o que importa em uma linguagem acessível, prevê casos excepcionais e vem com um punhado de links para entender melhor a burocracia da importação.

Importante: as regras descritas abaixo, como bem lembrou o leitor Leandro, valem para quando a encomenda é recebida pelos Correios. Nas palavras dele: “se vier por courier como DHL, FedEx ou UPS, é um pouco diferente, já que os Correios não participam do processo e todo o desembaraço é feito pela transportadora”. Um caso alternativo famoso que o Leandro cita é o da Amazon, que faz algum tempo passou a enviar mais coisas além de livros e periódicos cobrando os impostos na hora da compra.

Abaixo, alguns dos pontos mais importantes. Recomendo, porém, a leitura do documento original.

Proibições

Dá para importar um punhado de coisas sem problemas, ainda que alguns itens mais sensíveis dependam da anuência do órgão responsável.

Alguns produtos, porém, são proibidos. A lista é grande e pode ser vista neste PDF dos Correios.

Há uma limitação física também: encomendas muito grandes ou muito pesadas são devolvidas à origem. Os limites são os seguintes:

  • A maior dimensão deve ter até 1,05m.
  • A soma das dimensões (altura + largura + comprimento): não pode ser maior que 2m.
  • Peso máximo pode ser de até 30 kg (trinta quilos) sendo que vai variar o limite de acordo com a modalidade postal contratada pelo remetente.

A lista é concomitante, ou seja, a sua encomenda precisa respeitar esses três itens. Extrapolou um, diga adeus a ela.

Produtos isentos de imposto

Encomenda disfarçada de presente.
Foto: Arlindo Pereira/Flickr.

Livros, jornais e periódicos são isentos de imposto, bem como presentes dados de pessoa física para pessoa física desde que o valor aduaneiro, ou seja, a soma do valor, frete e seguro (se houver), não ultrapasse US$ 50.

Algumas lojas oferecem o “serviço” de remover rótulos e outros indicadores de que se trata de uma compra, para que o produto pareça um presente. Como é prática antiga (e fajuta), imagino que o pessoal da Receita esteja atento a esse jeitinho. Não cola mais.

Medicamentos acompanhados de receita médica também não pagam imposto, mas precisam passar pela fiscalização da ANVISA.

Tributação de encomendas

A tributação de encomendas feitas por pessoa física cai no Regime de Tributação Simplificada, ou RTS, que dispensa a contratação de despachante para o despacho/desembaraço. O teto em valores para essa categoria é de US$ 3.000; acima disso é preciso a contratação de um despachante e aí o processo fica caro e complexo.

Para produtos de até US$ 500, o desembaraço depende do pagamento de uma Nota de Tributação Simplificada, que consiste em 60% do valor aduaneiro. Os Correios mandam a nota para o endereço do destinatário e esse precisa ir à agência fazer o pagamento, aceito apenas em espécie.

Entre US$ 500,01 e US$ 3.000, as despesas aumentam. Além da alíquota de 60%, incide também ICMS (varia de estado para estado) e uma taxa de despacho aduaneiro no valor de US$ 150. A contratação de um despachante é opcional.

Fiscalização da Receita Federal

[insert]

Galpão da Amazon no Reino Unido.
Galpão da Amazon UK. Foto: Chris Watt/Flickr.

[/insert]

Todas as encomendas que chegam ao Brasil estão sujeitas à fiscalização da Receita Federal. Ela tem por objetivo confirmar as informações anexadas à encomenda, inclusive os valores declarados, e verificar se o produto se enquadra em um dos casos especiais que dependem de anuência de outro órgão para entrar no país — o boletim dos Correios lista essas situações na terceira página.

O site da Receita esclarece como essa verificação é feita. Entre outras coisas, informa que a verificação pode ser realizada por amostragem de volumes e embalagens, o que explica porque aquele seu primo que importa o mundo nunca foi pego. Ele apenas deu sorte de nunca ter caído nessa amostragem.

Cuidados na compra

O boletim é um amigão e dá dicas de boas práticas sobre como se precaver para o caso de problemas na compra. Por melhor que seja a reputação da loja em questão, imprevistos acontecem.

Logo de cara, ele esclarece que os Correios não têm acordos comerciais com site algum lá de fora. Eles apenas fazem a ponte entre fornecedor e consumidor desde que no país de origem a postagem no país de origem tenha sido feita através da administração postal oficial por uma modalidade que seja distribuída no Brasil pelos Correios. Dessa forma, ao entrar no país a encomenda ganha aquele código de rastreamento para acompanhar o trânsito dela pelo site dos Correios.

É preciso ficar atento ao site também. Da mesma forma que existe muita loja charlatã no Brasil, no exterior não é diferente. Em conglomerados como eBay e Etsy, que funcionam de modo parecido com o MercadoLivre, ou seja, são vitrines para pequenos vendedores, atenção redobrada. Vale pesquisar a reputação do vendedor, se ele teve muitas reclamações, coisas que os próprios sites fornecem aos interessados.

Guarde todos os comprovantes e tire screenshots da oferta, do anúncio, do que puder. Mesmo internacional, ainda assim se trata de uma relação de consumo, logo ela está protegida pelo Código de Defesa do Consumidor e pode-se recorrer ao PROCON para reclamar de irregularidades na relação. Antes de apelar para a justiça, tente conversar com a loja. Já recorri ao suporte da DealExtreme e em algumas negociações no eBay; nesses casos os vendedores foram muito atenciosos e resolvemos tudo por email mesmo.

A legislação aduaneira exige a guarda de documentos relacionados à importação por cinco anos. Eles podem ser pedidos pela Receita Federal ou pelo Banco Central.

O prazo máximo para a entrega de uma encomenda importada é de 180 dias. Caso um produto venha com avaria e precise ser devolvido para reparos ou troca, deve-se recorrer à Exportação Temporária. Este PDF explica o trâmite.


Comprar nos exterior sem sair do Brasil é uma boa pedida para pagar menos e ter acesso a produtos que não estão à venda ou são difíceis de encontrar em algumas cidades brasileiras. Use as dicas acima com sabedoria e boas compras!

Do NOT follow this link or you will be banned from the site!