Fachada de prédio da Huawei no Canadá.

Google suspende negócios com Huawei em meio à guerra comercial entre EUA e China — e outras notícias


20/5/19 às 18h08

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Google suspende negócios com Huawei

Na noite deste domingo (19), a agência Reuters informou que o Google suspendeu negócios com a chinesa Huawei devido à inclusão da empresa em uma “lista negra” do comércio pelo governo dos Estados Unidos, na quarta (15), sob a alegação de que ela representa um risco à segurança nacional. A informação foi confirmada posteriormente pelas duas empresas. O Google fornece o sistema operacional Android e uma suíte de aplicativos móveis — entre eles, Gmail e YouTube — para os celulares da Huawei vendidos fora da China. A Huawei é, atualmente, a segunda maior fabricante de celulares do mundo, atrás apenas da Samsung.

O que acontece agora com os celulares da Huawei? Ainda há alguma confusão sobre as implicações imediatas da suspensão nos celulares da Huawei. Um porta-voz do Google e a Huawei, em comunicado, disseram que celulares já à venda continuarão tendo acesso à Play Store e a atualizações dos aplicativos Google, mas eventuais atualizações do Android ainda são estão garantidas. No caso de futuros aparelhos, a suspensão impede a Huawei de usar o Android do Google, um grande revés capaz de minar a sua posição de vice-líder mundial do setor.

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Quais as alternativas da Huawei? A suspensão não alcança software de código aberto, caso da base do Android. Só que há tempo o chamado Android Open Source Project (AOSP) se descolou do Android do Google, que ganha muitas camadas de software proprietário antes de chegar às fabricantes. (Esta matéria do Ars Technica é a melhor explicação sobre a situação.) É esse Android, modificado e dependente do Google, que praticamente o mundo inteiro — com exceção da China — usa, incluindo os celulares da Huawei vendidos fora da sua terra-natal.

A Huawei disse, em nota, que colabora no desenvolvimento do AOSP e que não deixará seus clientes na mão. Sobre futuros aparelhos, porém, a empresa não forneceu detalhes. Em março, a Huawei avisou que estava desenvolvendo um sistema operacional próprio alternativo por precaução. Olha em retrospectiva, parece ter sido uma decisão acertada.

Enquanto isso, no Brasil… A Huawei voltou a vender seus celulares no Brasil nesta sexta-feira (17). Os aparelhos, P30 Pro e P30 Lite, são importados e, de acordo com o que se sabe até o momento, o único prejuízo que eles podem ter é ficarem sem atualizações futuras — apps e serviços dependentes do Google seguem funcionando normalmente. Há rumores de que aparelhos da Huawei podem ser produzidos no Brasil em breve, mas, caso esse plano realmente exista, a proximidade do governo Bolsonaro com os Estados Unidos pode criar novas complicações.

Mais um capítulo da guerra comercial. O rompimento forçado entre Google e Huawei é um dano colateral: o alvo do governo norte-americano são os equipamentos de infraestrutura do 5G da Huawei. O presidente dos EUA está em uma cruzada para boicotar e forçar aliados dos EUA a ignorarem a Huawei na construção de suas redes 5G. A Huawei é a líder do setor e tem tecnologia mais avançada que as principais rivais, Ericsson e Nokia. Ainda sem provas contundentes e motivada por um ideal de limpar sua infraestrutura fundamental de tecnologias estrangeiras, a Casa Branca acusa a Huawei de ser um braço de espionagem do governo chinês e, por isso, uma ameaça à segurança nacional. Foi essa acusação que sustentou a inclusão da Huawei na tal “lista negra” do comércio.

Apesar de colateral, o dano causado aumenta ainda mais a tensão entre os dois países e pode gerar retaliações vindas do Oriente. Muitas empresas de tecnologia terceirizam a fabricação de produtos a fábricas da China e embora a maioria delas tenham dificuldade em operar ou nem operem dentro do país, uma das maiores, a Apple, tem relativa dependência nos negócios feitos lá. iPhones e outros gadgets mais caros, gargalos nos estoques de produtos e baixas significativas no faturamento da Apple: estas são alguns desdobramentos caso o embate comercial entre China e EUA continue escalando.

Desdobramentos. Além do Google, a decisão de Trump da última sexta já reverberou em outras frentes. Na manhã desta segunda (20), as fabricantes de chips Qualcomm, Intel, Broadcom e Xilinx cortaram o fornecimento de componentes à Huawei, de acordo com reportagem da Bloomberg. Sobrou até para Game of Thrones: o último episódio da série, que foi ao ar na noite deste domingo (19), não passou na China. Segundo o Wall Street Journal, culpa da guerra comercial com os EUA.

Inteligência artificial pode piorar desemprego no Brasil em até 6,43%

A pedido da Microsoft, a FGV Projetos analisou os impactos da inteligência artificial na economia brasileira no intervalo de 15 anos. No nível mais intenso de aplicação da IA, a boa notícia é que a tecnologia poderá impulsionar o PIB em até 6,43%. A má é que, como quase sempre acontece, os menos qualificados pagarão o pato: nesse cenário, o desemprego deve aumentar em até 5,14% e embora os dois grupos, de menos e mais qualificados, tenham aumentos na remuneração, o dos mais qualificados é mais de duas vezes maior, 14,72% contra 7%. O Gizmodo Brasil traz mais detalhes da pesquisa.

Microsoft vem ao resgate. A publicação do estudo coincide com o lançamento no Brasil do AcademIA, plataforma de ensino da Microsoft para inteligência artificial. São 12 módulos gratuitos que vão do básico/introdutório da tecnologia até a linguagens de programação e aplicações. Alguns conteúdos ainda não estão traduzidos, mas a Microsoft diz que até 2020 o curso estará disponível inteiramente em português.

Está ruim, e pode piorar. Segundo o dado mais recente do IBGE referente ao trimestre encerrado em março (via G1), o Brasil tem 13,4 milhões de desempregados, o que representa 12,7% da força de trabalho do país. Já a taxa de subutilização, que compreende desempregados, subocupados, desalentados e aqueles que não trabalham por qualquer outro motivo, atingiu 25% no trimestre, maior índice desde o início da série histórica em 2012. São 28,3 milhões de pessoas que não trabalham tanto quanto gostariam.

O que mais?

Vazam dados de quase 50 milhões de influenciadores do Instagram

Um banco de dados com quase 50 milhões de registros de perfis de influenciadores do Instagram foi descoberto dando sopa em um servidor público. O TechCrunch, que recebeu a informação do pesquisador de segurança Anurag Sen, descobriu que ele pertence à empresa de publicidade Chtrbox, com sede em Mumbai. A empresa medeia a relação entre anunciantes e influenciadores. No banco, há dados públicos dos perfis, mas também e-mail e número de telefone associados às contas. O Facebook, dono do Instagram, disse que está analisando o caso para determinar se os dados privados vieram do Instagram ou de outra fonte e que pediu explicações sobre o banco à Chtrbox. [TechCrunch, em inglês]

Edge Chromium chega ao macOS

A nova versão do Edge, navegador da Microsoft, está disponível para o macOS. Ainda é um “alpha” (canal Canary), ou seja, deve estar cheio de problemas e não é recomendável instalá-lo em computadores de produção, mas para desenvolvedores e curiosos corajosos, basta seguir este link. A Microsoft diz estar criando algumas experiências de usuário exclusivas para os computadores da Apple. Uma que chama a atenção é o uso extensivo da Touch Bar dos MacBook Pro mais caros: controles de mídia e acesso rápido às abas abertas podem ser acessados por ali. [Microsoft, em inglês]

Dona do TikTok lança novo app

Você talvez não conheça o TikTok, mas sua filha ou sobrinha, sim. A rede social baseada em vídeos curtos é um fenômeno global. Conseguirá a ByteDance, empresa chinesa dona do TikTok, repetir a dose? Veremos. Um novo app dela, chamado Feiliao, foi lançado na China. É uma mistura de apps de mensagens com fóruns criados em torno de interesses comuns. [TechCrunch, em inglês]

Foto do topo: Raysonho/Wikimedia Commons.

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