Watson: uma voz para a arte ou uma cara para a tecnologia?

Vale muito visitar a Pinacoteca do Estado de São Paulo. Vale, inclusive, se você mora em outra cidade que não São Paulo e pode reservar um tempo para vir até aqui. Mesmo quando a Pinacoteca não abriga uma grande exposição com obras que não lhe pertencem, a visita é oportuna. Com a presença do Watson, da IBM, então, torna-se quase imperdível.

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A impossibilidade de uma selfie perfeita

Não tiro selfies. Não gosto. Acho sem graça. Sinto uma baita vergonha e quando tiro é a contragosto. Não quero ser fotografado por outros e isso inclui a mim mesmo. É uma opção pessoal que vai contra o que faz a maioria. E de tudo que já pode ter sido dito sobre as selfies, não sou eu que vou demover você de fazê-las. Não é esse o propósito desse texto, inclusive.

Muito pelo contrário: escrevo para que você as faça cada vez mais e melhores! Na verdade, você faz o que quiser da sua vida — e isso inclui as selfies. Só que, às vezes, alguém pode se irritar tanto com elas a ponto de transformá-las em outra coisa, uma coisa bem diferente do que você pretendia quando as fez, diga-se. O ato de fazer um autorretrato com o smartphone deixa de ser algo corriqueiro e se transforma em algo totalmente condenável. Daí, talvez valha uma reflexão breve sobre como a fotografia amadora atual passou a ser tão importante para todos nós. Continue lendo “A impossibilidade de uma selfie perfeita”

O cérebro humano tem um bug

O estupor que causa a leitura de V.I.S.H.N.U., de Eric Acher, Ronaldo Bressane e Fabio Cobiaco, é algo impressionante, similar a um filme de ação visto no cinema. Talvez as falas não sejam o ponto forte, porque algumas perdem o ritmo em sua banalidade, mas a combinação de uma história frenética com desenhos imersos numa espécie de permanente penumbra de insólita imprecisão em preto e branco, te arrastam junto com os personagens que se agarram desesperadamente nas poucas chances que têm de sobreviverem em um mundo em constante conflito com as máquinas e, claro, com os próprios humanos. Continue lendo “O cérebro humano tem um bug”

Um guru atípico no Vale do Silício: debate do livro “Bem-vindo ao Futuro”, de Jaron Lanier

Tinha o livro de Jaron Lanier1 comigo há alguns anos. Talvez desde seu lançamento, não sei precisar. Comprei uma cópia em uma livraria grande de São Paulo porque estava ansioso demais pra esperar ele ser entregue pela Amazon (que na época ainda não estava no Brasil). Paguei mais caro por isso, obviamente.

No começo me senti, não sei bem o porquê, intimidado com o livro por vislumbrar algo difícil pela frente. Deixei-a de lado e parti para outros temas e leituras. Acabei que me livrei da edição numa arrumação de livros aqui em casa por achar que tinha perdido a oportunidade de lê-lo no momento certo. Às voltas com o Clube de Leitura me lembrei dele e lastimei sua ausência já que resolvi inclui-lo na seleção a despeito do que achava sobre não tê-lo lido na “hora certa”. Continue lendo “Um guru atípico no Vale do Silício: debate do livro “Bem-vindo ao Futuro”, de Jaron Lanier”

Debate do livro Neuromancer, de William Gibson

Não será nada espantoso o dia em que vislumbrarmos mais e mais pessoas conectadas aos seus aparelhos de realidade virtual. O que hoje nos parece exótico, coisa de nerds loucos, não o será mais. Mas o maior problema (ou não) será justamente a combinação de drogas com a RV: os aparelhos disponíveis hoje, aparentemente desconfortáveis e um tanto toscos, serão necessariamente diferentes e melhores (imperceptíveis), e as drogas, legais e ilegais, estarão à disposição para uso combinado, permitindo uma quase total imersão virtual. Se hoje não há dispositivos em nossos corpos que nos ligam diretamente às máquinas, essa combinação vai bastar por enquanto, já que é mais barata e acessível que implantes e procedimentos cirúrgicos. Daí, o vício inerente. Serão outros tempos e o que vamos fazer com essas outras realidades que superarão a Internet que conhecemos fazendo-a parecer primitiva, irá além do entretenimento e conhecimento: a busca por novas sensações ou sensações recriadas que passarão a nos interessar como nunca! Muita coisa pesada, evidentemente, será encontrada em algo parecido com o que temos hoje na Deep Web. O corpo, essa carcaça que nos serve de simples suporte para o Eu, é demasiadamente carente e repleto de anseios ainda não anunciados que vão nos fazer agarrar em distrações para deixar livre a mente em seus novíssimos descaminhos. Anestesiados em nossos cubículos, conectados à matriz, talvez nos comportemos como idiotas ou encontremos finalmente o sentido da existência. Todos os outros meios de se chegar em estágios menos sofisticados, possíveis com drogas como o LSD, serão inúteis sem essa combinação de RV+drogas. Disso, como não poderia deixar ser, surgirá uma nova religião e os primeiros adeptos serão os ateus. Vamos comungar, como num sonho-pesadelo, enfim, imaterializados no ciberespaço.

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“Digital e territorializado”: Debate do livro Smart: O que você não sabe sobre a Internet, de Frédéric Martel

Depois de sairmos da leitura d’O Círculo, a ficção de uma empresa aniquiladora da já frágil privacidade como a conhecemos hoje, partimos para a dura e cruel realidade em Smart: O que você não sabe sobre a Internet, do francês Frédéric Martel, que mostra, com estilo e narrativa agradáveis, as entranhas da Internet (não confunda com a deep web!), ou melhor, o que as pessoas fazem com ela e seus arranjos vistos de um outro modo — um praticamente invertido do que comumente achamos. Não deve ter sido mera coincidência, então, que algumas coisas que vimos no livro de Dave Eggers sejam notáveis também no de Martel, só que dessa vez para valer. Continue lendo ““Digital e territorializado”: Debate do livro Smart: O que você não sabe sobre a Internet, de Frédéric Martel”

“Tudo que acontece deve ser conhecido”: Debate do livro O Círculo, de Dave Eggers

Não será por O Círculo que, daqui a alguns anos, poderemos bater no peito e dizer que a nossa geração também teve o seu 1984 (de 1949) ou Admirável Mundo Novo (1932). Esses dois clássicos são referências fortes no livro de Dave Eggers, objeto do nosso debate de hoje, mas, na verdade, sinto dizer: em termos literários, estamos bem longe de termos algo parecido. Isso não significa, porém, que se trate de uma obra vazia. Por aquele texto relativamente fraco argumentos e indagações inquietantes se revelam. Continue lendo ““Tudo que acontece deve ser conhecido”: Debate do livro O Círculo, de Dave Eggers”

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