Este é o Who is Happy, o app que está sendo chamado de Foursquare da maconha

O Facebook é um campo minado para opiniões polêmicas e tabus — todo mundo tem alguma história sobre saias justas com familiares ou colegas distantes que sem tato algum transformam, armados com nonsense e preconceito, atualizações de status despretensiosas em batalhas sangrentas de opiniões divergentes. Quando o primo de João Paulo Costa publicou em sua linha do tempo a notícia de um app apelidado de “Foursquare da maconha”, sua mãe não perdoou: “É um absurdo, o fim do mundo!”, bradou ela em um comentário. Onde João entra nessa história? Foi ele quem desenvolveu o Who is Happy, o app em questão.

Lançado há pouco tempo, o Who is Happy chamaria a atenção mesmo que não quisesse. A função do app é fazer check-in, como o Foursquare, mas em vez de indicar o local onde você se encontra, ele serve para dizer ao mundo que está fumando um baseado naquele momento. É uma rede social de maconheiros. 420 vidaloka, mano! Não, brincadeira. Na verdade, é isso também. Só que, além desse lado bem humorado que se faz notar já no nome do app, o Who is Happy é antes de tudo um empreendimento sério. Seus criadores, João e Henrique Torelli, trabalham para que o app exploda em popularidade pegando carona na legalização da maconha em alguns países, especialmente os Estados Unidos que só no ano passado estima-se que tenha movimentado mais de US$ 2 bilhões nesse segmento. Continue lendo “Este é o Who is Happy, o app que está sendo chamado de Foursquare da maconha”

Na China, as pessoas usam códigos QR e apps bem diferentes dos daqui

Senhor chinês mexendo no celular.
Foto: Michael Coghlan/Flickr.

Quando fiz meu cartão de visitas cometi o erro de incluir um código QR enorme nele. Na época, com um Nokia N82 no bolso, era um conceito do futuro: sempre via sobrancelhas subindo, surpresas, quando apontava a câmera do celular para aqueles quadradinhos e, em seguida, meu site abria no navegador. Hoje é difícil impressionar alguém com o mesmo truque — porque, convenhamos, é mais fácil digitar o endereço do site do que procurar e baixar um maldito app que leia códigos QR.

Mas ainda resta uma esperança de que o ocidente siga os passos da China, encontre uma utilidade para o código QR, ele deixe de ser motivo de chacota e passe a ser encarado com respeito — e, por tabela, salve o investimento que fiz naqueles mil cartões. Lá, desde 2011, quando o WeChat incorporou o reconhecimento dessa etiqueta virtual e popularizou o uso dela, código QR virou coisa séria.

Essa é apenas uma das peculiaridades de um país de dimensões continentais e mais de um bilhão de pessoas que, por uma série de fatores, desenvolveu sua tecnologia de consumo apartado do resto do mundo.

O Partido Comunista impede que gigantes norte-americanas, como Google e Facebook, finquem bandeiras na China. Embora controverso, esse protecionismo abriu espaço para que que soluções caseiras florescessem. E mesmo que alguns serviços online tenham tido inspirações bem diretas, como no caso do Weibo, o “Twitter da China”, o desenvolvimento deles em um ambiente livre da competição norte-americana levou esse e outros “clones” a fins diferentes de qualquer coisa vista hoje nos EUA ou aqui, no Brasil.

Agora, com as empresas chinesas de software abrindo capital nas Bolsas desse lado do mundo e fazendo IPO recordistas (o do Alibaba, de US$ 25 bilhões, é atualmente o maior do mundo), as atenções se voltam ao país. Mas como é usar um smartphones lá?

Androids diferentes, iPhone tardio

Os smartphones da Xiaomi.

É diferente, no mínimo. Para início de conversa, o Android que eles usam não tem muito a ver com o nosso. Como a presença do Google é mínima, as fabricantes locais pegam o sistema AOSP (leia-se: sem os serviços Google), dão um tapa no visual, incorporam suas próprias soluções e instalam essas ROMs em seus smartphones. A mais próxima do ocidente é a MIUI, da Xiaomi, que analisamos com mais atenção aqui. É um cenário tão bizarro a nós que a página oficial da empresa ensina os usuários a mexer com ROMs personalizadas.

A falta do Google implica, também, na ausência do Google Play. Sem a principal e maior loja, as locais se multiplicam. São, no mínimo, seis disputando a atenção do usuário. E não só: alguns apps fazem uma espécie de “propaganda cruzada”, exibindo links para downloads de outros grandes apps, facilitando a vida do usuário. A multiplicidade de ofertas e o proficiência dos chineses ao lidarem com várias lojas de apps abre espaço para malwares — é o preço que se paga, certo?

O iPhone também é vendido e relativamente popular, embora seja um produto recente à maioria dos chineses. A China Mobile, maior operadora do país com 700 milhões (!) de clientes, só começou a vender o smartphone da Apple no começo de 2014.

Relatos móveis do outro lado do mundo

Essas e (muitas) outras informações li num post escrito por Dan Grover. Alguns meses atrás ele largou tudo no Vale do Silício, na California, e mudou-se para Guangzhou, China. Hoje, Grover é gerente de produtos do WeChat e aproveitou um tempo livre para compartilhar conosco, ocidentais, os hábitos dos chineses no uso de smartphones.

Na China, código QR é levado a sério.

O artigo é fascinante e se o seu inglês estiver minimamente afiado, recomendo a leitura do original. Enquanto conhecia um pouco mais daquela realidade quase alternativa, foram vários os momentos em que fiquei bastante surpreso. Por exemplo, o lance dos códigos QR. Eles usam para muitas coisas, desde o básico acesso a uma URL (como o meu cartão) até operações avançadas, como autenticação em sessões únicas, dispensando assim a digitação de uma senha.

Questões que por aqui são tratadas com estardalhaço, como a utilização da localização do usuário, são triviais por lá. Se você já deu uma olhada no WeChat, por exemplo, deve ter reparado numa opção “Pessoas por perto” que permite encontrar desconhecidos que estão fisicamente perto de você para conversar. É o comportamento esperado em apps como o Tinder, mas imagine a tempestade (em copo d’água?) que rolaria se o Facebook incorporasse algo parecido? O uso da localização é difundido e serve para muitas finalidades, inclusive bombardear os chineses com anúncios, claro.

Os códigos QR, o encontro de desconhecidos e outras funções são replicadas em muitos apps. A China segue uma tendência diametralmente oposta à do ocidente: se por aqui a moda é desmontar apps em outros menores e mais específicos, por lá todo app agrega mais e mais funções. Chamar o WeChat de “app de bate-papo”, ou o Baidu Maps de “app de mapas” é um tanto reducionista. É comum que algumas funções não relacionadas entre si fiquem agregadas em uma aba “Descoberta”, como as dessas imagens:

Exemplos de funções agregadas em vários apps chineses.

O WeChat, como explica Grover, tem funções que vão muito além da conversa: conferência por vídeo, meio de pagamento, um negócio parecido com o Evernote para salvar anotações, identificação de músicas (como o Shazam) e, seguindo a Lei de Zawinski, que diz que todo software tenta se expandir até conseguir ler e-mails, um cliente de… e-mails.

Comprar, aliás, é outra função cujo desenvolvimento traçou caminhos bem diversos dos desse lado do mundo. Antes, era preciso preencher longos formulários em cada app, específicos para cada um dos mais de 30 bancos de lá. Na medida em que os apps cresceram, foram incorporando e facilitando esse processo. Ferramentas como Alipay e Tencent, os PayPal e PagSeguro chineses, são usadas e populares, mas, como escreveu Grover, por lá “todo app tem uma carteira”, ou seja, não é preciso baixar apps específicos de Alipay ou Tencent para usufruir dos serviços; eles vêm embutidos nos principais apps.

E o visual, claro, tem muitas curiosidades interessantes. Coisas como aplicação de temas, mascotes engraçadinhos e escudos de proteção para identificar processos “seguros” são onipresentes. Badges (as bolinhas que no iOS indicam mensagens/itens não vistos), porém sem identificação, são um elemento de interface largamente popular, raramente (nunca?) visto em apps ocidentais. Widgets esquisitos e telas de abertura (splash screens) também fazem sucesso.

Alguns mascotes de apps chineses.

Talvez a situação mais inesperada seja a forma com que os apps lidam com a relação entre pessoas físicas e empresas nas redes sociais. A interface preferida é a de mensagens por texto, mas há regras especiais para “contas oficiais”. No Moments, espécie de feed de notícias do WeChat, é notável o tratamento que contas de não-pessoas tem. O ambiente é livre desses posts de uma forma meio difícil de imaginar replicada no Facebook ou Twitter, ambos cada vez mais dependentes de conteúdo comercial para seguirem em alta. Seria bom copiarmos pelo menos isso dos apps chineses.

Reforçando o convite à leitura, o post completo está aqui.

Como usar o WhatsApp no computador

Alguns padrões que emergem entre os usuários são difíceis de entender. Um deles, para mim, é o uso do WhatsApp como ferramenta de trabalho, principalmente em tarefas que exigem um PC como escrita ou produção de vídeos, ou para gerenciar grupos na faculdade. Quando me vejo na situação, ter que alternar entre o teclado físico do computador e o celular apenas para conversar com alguém da equipe acaba sendo algo extremamente contraproducente. O problema é que quase sempre sou voto vencido na sugestão de uma alternativa.

E não é que elas faltem. A abordagem como a do Telegram e do Slack, com aplicativos móveis e web/desktop, existe e é melhor nesse cenário. Afinal, tenho a comodidade do teclado físico do mesmo dispositivo onde desempenho o trabalho e, de quebra, a companhia do app móvel quando não estou na minha estação. Mas vai convencer o povo. É difícil :-) Continue lendo “Como usar o WhatsApp no computador”

Como acompanhar os melhores links que seus amigos postam no Twitter

O Twitter é incrível. Tudo o que está acontecendo está lá. Seus amigos, que usam o serviço, comentam diversas coisas e acabam mandando um punhado de links sobre os assuntos do momento. São muitos links de muitos amigos, o suficiente para se afogar neles. Como filtrar o que importa para ler depois? Com a ajuda de alguns apps — inclusive o do próprio Twitter! Continue lendo “Como acompanhar os melhores links que seus amigos postam no Twitter”

Como usar o melhor do Facebook em seu smartphone sem recorrer ao app principal

No final do ano passado o Facebook anunciou uma mudança na estratégia para dispositivos móveis. Em vez de concentrar todos as suas funções em um app, como vinha fazendo até então, a empresa passaria a desmembrar algumas mais importantes em apps independentes.

Isso realmente aconteceu e com o lançamento do Groups, hoje é possível usufruir dos bons serviços que o Facebook oferece sem depender do app principal. Além de jogar contra a sua produtividade com o Feed de notícias, esse app é bastante exigente no consumo de recursos e, não raro, a fonte de instabilidades e outras anomalias do smartphone — tanto que, recentemente, uma atualização prometendo diminuir em 50% a incidência de travamentos do app foi recebida com entusiasmo pelos usuários.

Os apps abaixo fazem mais do que dispensar o principal do Facebook. Eles são mais ágeis, livres de anúncios e, não raro, mais acessíveis. Tome por exemplo o Groups: em vez de navegar por três, até quatro níveis para encontrar um grupo específico no app principal do Facebook, aqui todos os grupos estão disponíveis de cara, a um toque de distância. Continue lendo “Como usar o melhor do Facebook em seu smartphone sem recorrer ao app principal”

6 vídeos para entender (e contemplar) o Material Design, a nova linguagem visual do Google

Se você usa algum aplicativo próprio do Google talvez já tenha percebido que ele está de cara nova. Ou algum app de terceiro. Há algo diferente no ar, ou melhor, na palma da sua mão… Isso, amigos, amigo, é o Material Design em ação.

A nova linguagem visual do Google foi apresentada na conferência Google I/O desse ano. O Material Design é uma evolução do design de cartões, típico do Google Now e que se espalhou a outras áreas, mas agora com foco em profundidade e movimento, e amparado por cores chapadas.

Falando em sistema, é bom se acostumar ao Material Design: sua influência dentro do Google é tão grande que tudo está sendo feito dessa forma. Android 5.0, Android Wear, web apps e até aplicativos para outras plataformas, como o iOS, têm formas, cores e movimentos padronizados. O ideal do Google é manter a familiaridade dos seus produtos independentemente de onde eles sejam usados.

Como imagens falam mais que palavras, selecionamos alguns vídeos para demonstrar o que é, na prática, o Material Design. Continue lendo “6 vídeos para entender (e contemplar) o Material Design, a nova linguagem visual do Google”

Rooms, o novo app do Facebook sem relação com a rede social, é todo sobre discussões no celular

O novo app do Facebook não tem nada a ver com o Facebook. Chamado Rooms e por ora exclusivo para iPhone, ele é uma releitura dos antigos fóruns nas telas pequenas dos smartphones. Isso funciona?

Primeiro, é preciso ter uma conta americana na App Store para baixar o app. A exemplo do Paper, outro app do Facebook saído do Creative Labs da empresa, o Rooms só está disponível lá e em alguns outros mercados cujo idioma nativo é o inglês. Se isso não for impeditivo a você, o download e o registro subsequentes são tranquilos. Continue lendo “Rooms, o novo app do Facebook sem relação com a rede social, é todo sobre discussões no celular”

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