Fundo azul, com uma chamada para um PlayStation 5 no centro. À esquerda, a frase “Ofertas de verdade, lojas seguras e os melhores preços da internet.” À direita, “Baixe o app do Promobit”.

As “redes temporárias” do governo federal para o período eleitoral

Perfis oficiais do governo brasileiro em redes sociais criaram “contas provisórias” a serem usadas durante o período eleitoral, que começa no próximo sábado, “devido a restrições impostas pela legislação eleitoral e pela jurisprudência da Justiça Eleitoral”. A mudança vale para Facebook, Instagram, Twitter e YouTube.

Nelas “serão publicados apenas conteúdos inequivocamente de acordo com a legislação eleitoral, eliminando qualquer possibilidade de interpretações prejudiciais ao Governo e ao Presidente da República”.

À parte o amadorismo e o cheiro forte de coisa errada, estou tendo dificuldade para entender esse movimento.

A interpretação mais óbvia é a de que o governo federal normalmente faz uso da máquina pública para promover a pessoa do presidente Jair Bolsonaro (PL) e que pretende dar uma segurada nas eleições. É uma violação constatável, pois explícita, mas que extrapola a lei eleitoral. É isso, uma admissão de culpa? Via @govbr/Twitter.

Agora a Meta resolveu copiar o Discord

A Meta, holding dona do Facebook, Instagram e WhatsApp, deu um tempo no seu grande esforço de “homenagear” o TikTok em seus próprios aplicativos para copiar os recursos e o visual de outro app, o Discord.

A empresa anunciou uma reformulação dos grupos do Facebook. Na nova versão apresentada, eles ficam muito, mas muito parecidos com os servidores do Discord.

(A Meta escolheu um grupo de games para exemplificar o novo formato dos grupos e o roxo como cor de realce, a mesma cor principal do Discord. Com certeza é mera coincidência.)

Uma porta-voz da Meta disse ao site norte-americano The Verge que o Discord, digo, a nova experiência de grupos do Facebook será liberada aos usuários “nos próximos meses”. Via Meta, The Verge (ambos em inglês).

“Faraó dos bitcoins” quer uma vaga na Câmara dos Deputados

Relatório da Receita Federal revelou que Glaidson Acácio dos Santos, o “faraó dos bitcoins”, preso em agosto de 2021 por uma série de golpes que movimentaram +R$ 16 bilhões (com “b” mesmo), lavou R$ 228 milhões atrás das grades usando sua advogada, Eliane Medeiros de Lima, como laranja.

A notícia, intrigante por si só, fica ainda mais complexa: em abril, Glaidson se filiou ao Democracia Cristã e anunciou no início de junho que é pré-candidato a deputado federal.

O Brasil não é para amadores. Via Folha de S.Paulo.

Anatel abre consulta pública para obrigar fabricantes a adotarem USB-C para recarga de celulares

A Anatel abriu uma consulta pública com a proposta de definir “requisitos técnicos para avaliação da conformidade de interface de carregamento por fio com padrão USB tipo C em telefones móveis celulares”.

Em outras palavras, a agência brasileira quer que todo celular vendido no Brasil use o padrão USB-C para recarga. No cenário atual, isso significa forçar a Apple a adotá-lo — é a única que usa outro formato, o Lightning.

A consulta pública 45/2022 ficará aberta até 26 de agosto. Ela chega após a União Europeia decidir a favor da mudança e dos Estados Unidos sinalizarem um movimento parecido. Na prática, talvez nem precisasse… Via Anatel.

Thunderbird 102 traz mudanças na interface e suporte ao Matrix

A reformulação do Thunderbird começa a ganhar corpo na versão 102, lançada nesta terça (28). O aplicativo ganhou novos ícones na barra lateral, uma agenda de contatos reformulada e uma nova barra lateral, para acesso rápido às partes do sistema — e-mail, calendário etc. Outra grande adição é o suporte ao Matrix, um protocolo aberto de mensagens. Via Thunderbird (em inglês).

Um monitor e-ink rodando a 60 quadros por segundo

Muito interessante o monitor protótipo da Modos, uma startup norte-americana que almeja lançar notebooks e monitores com a tecnologia e-ink, a mesma usada na tela do Kindle.

Em um post, a equipe detalha as dificuldades para alcançar uma taxa de atualização decente com o e-ink. (Quem já usou um Kindle deve se lembrar da lentidão na transição de páginas.)

A Modos já consegue fazer o e-ink funcionar a 60 quadros por segundo, mas somente em preto e branco (veja o vídeo acima), o que não deixa de ser impressionante e promissor. Acrescentar uma escala de cinza é um desafio à parte. Via Modos (em inglês).

É hora de dar adeus ao Google Hangouts

Os usuários remanescentes do Google Hangouts (alguém?) terão que migrar para o Google Chat até novembro deste ano, avisa o Google.

Em seu blog corporativo, o Google publicou um cronograma para o encerramento do Google Hangouts:

  • Desde esta segunda (27), usuários do Hangouts no celular e da extensão para o Chrome são recebidos com uma mensagem pedindo para que usem o Google Chat no Gmail, o aplicativo/extensão dedicado ou, no caso do Chrome, a versão web.
  • A partir de julho, quem ainda usa o Hangouts no Gmail será migrado automaticamente para o Chat no Gmail.

Via Google (em inglês).

Ministério da Justiça quer saber por que motoristas da 99 e da Uber estão cancelando corridas

A Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), ligada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, notificou as empresas 99 e Uber para que prestes esclarecimentos a respeito do suposto alto volume de cancelamentos de corridas por parte dos motoristas.

A motivação da Senacon, segundo o G1, é a repercussão na imprensa. O problema existe, é fato, mas as empresas já têm políticas para isso — até meio draconianas, dependendo a quem se pergunte.

As empresas têm até quinta-feira (30) para responderem. Via G1.

Mercado Livre e Shopee são os principais e-commerces nas favelas brasileiras

As plataformas mais usadas na hora de fazer compras via internet nas favelas brasileiras Mercado Livre (49%) e Shopee (37%).

Esse dado é da Pesquisa Persona Favela, desenvolvida pelo Outdoor Social Inteligência. Do total de entrevistados, 38% disseram fazer compras via internet.

A pesquisa mapeou os hábitos de consumo via internet nas favelas brasileiras. Foram 462 moradores das 15 maiores comunidades dos municípios de Porto Alegre, Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Salvador, Recife, Fortaleza, São Luís e Belém. Via Mercado&Consumo.

Ministério da Justiça e polícias civis cumpriram primeiro mandado de apreensão no metaverso

A quarta fase da Operação 404, deflagrada nesta terça (21) pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública e as polícias civis de 11 estados, entrou para os anais da história: nela foi feita a primeira busca e apreensão no metaverso do Brasil.

Alessandro Barreto, coordenador do Laboratório de Operações Cibernéticas da Secretaria de Operações Integradas (Seopi), disse que mapas e eventos eram criados no metaverso como forma de promover as plataformas piratas e atrair usuários.

Infelizmente, as notícias da Agência Brasil e de outros veículos não detalham esse mandado. Em que metaverso ele foi cumprido? Algum avatar foi preso? E o dono do avatar? Qual a responsabilidade da plataforma onde o crime ocorreu?

O repórter Lucas Negrisoli, do jornal mineiro O Tempo, disse no Twitter que há dias tenta obter mais detalhes junto ao Ministério da Justiça e Segurança Pública. Só que está difícil: “Ninguém soube explicar, até agora, o que diabos é um mandado cumprido no metaverso. Assessoria da pasta chegou a me mandar — literalmente — a definição de metaverso da Wikipédia”, desabafou.

Na sexta (24), Lucas bateu um papo com um dos coordenadores de Operações Cibernéticas do Ministério da Justiça que deixou a coisa toda ainda mais confusa

O repórter segue “tentando entender”. Nós também, Lucas. Via Agência Brasil, G1, @lucasnegrisoli/Twitter (2).

A cidade inteligente é uma utopia eternamente não realizada

A cidade inteligente é uma utopia eternamente não realizada (em inglês), por Chris Salter na MIT Technology Review:

A visão contemporânea da cidade inteligente [“smart city”] já é bem conhecida. É, nas palavras da IBM, “uma visão de instrumentação, interconexão e inteligência”. “Instrumentação” refere-se a tecnologias de sensores, enquanto “interconectividade” descreve a integração de dados de sensores em plataformas computacionais “que permitam a comunicação de tais informações entre vários serviços da cidade”. Uma cidade inteligente é boa na medida da inteligência imaginada que produz ou extrai. O grande dilema, contudo, é qual o papel da inteligência humana na rede de “análises complexa, modelagem, otimização, serviços de visualização e, por último, mas certamente não menos importante, inteligência artificial” que a IBM anunciou. A empresa registou o termo “cidades mais inteligentes” [“smarter cities”] em novembro de 2011, sublinhando a realidade de que tais cidades deixariam de pertencer inteiramente àqueles que as habitavam.

O que é interessante tanto nas visões iniciais como nas contemporâneas das redes de sensores urbanos e do uso que poderia ser feito dos dados que produzem é a proximidade e, no entanto, a distância do conceito de Constant [Nieuwenhuys, pioneiro das “smart cities”] do que tais tecnologias produziriam. A imagem tecnológica da Nova Babilônia era a visão de uma cidade inteligente não marcada, como a da IBM, pela extração de dados em larga escala para aumentar os fluxos de receitas através de tudo, de estacionamento e compras à saúde e monitoramento dos serviços públicos. A Nova Babilônia era inequivocamente anticapitalista; era formada pela crença de que tecnologias difundidas e conscientes nos libertariam, de alguma forma, um dia, da estafa do trabalho.

Países europeus estão proibindo o Google Analytics; sistema viola lei de proteção de dados da UE

A Itália proibiu o uso do Google Analytics, popular serviço de aferição e análise de audiência para sites e aplicativos, na última quinta (23).

É o terceiro país da União Europeia a barrar o serviço, junto à Áustria e França, sob o mesmo argumento: de que o Analytics viola o GDPR, a lei de proteção de dados pessoais do bloco. Segundo o governo italiano, a violação se dá porque “[o Google Analytics] transfere dados dos usuários aos Estados Unidos, um país sem um nível adequado de proteção de dados”.

O site Is Google Analytics Illegal, criado pela PostHog, alternativa ao Google Analytics de código aberto, está monitorando as proibições do Google Analytics pelo mundo. Via Autoridade de Proteção de Dados Italiana (em italiano e inglês).

Anatel apreende 5,7 mil produtos irregulares em armazéns da Amazon

A Anatel apreendeu 5,7 mil produtos irregulares nos armazéns da Amazon em Betim (MG) e Cajamar (SP), numa operação de três dias (21–23). Os produtos — carregadores de celulares, baterias portáteis e fones de ouvido sem fio — não eram homologados pela Anatel. Somados, tinham um valor de mercado de R$ 500 mil.

Em nota à Folha de S.Paulo, a Amazon informou que “está apurando as informações em cooperação com as autoridades e, conforme necessário, tomará providências no interesse dos consumidores”.

O tom é muito diferente da nota que a Amazon enviou ao Manual do Usuário em março de 2019, quando denunciei o lucrativo negócio de youtubers que recomendam celulares chineses não homologados/do mercado cinza:

As vendas desses dispositivos na Amazon.com.br são feitas pelo sistema de marketplace. Para questões mais específicas, sugerimos contatar diretamente o(s) vendedor(es) do produto.

Via Folha de S.Paulo.

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