As esquisitices e virtudes do Mi4, smartphone da Xiaomi

Mi4, último smartphone da Xiaomi.
Foto: Ron Amadeo/Ars Technica.

A Xiaomi ainda não vende no Brasil, apesar de já ter escritório aqui e estar preparando sua entrada no país. Quando seus produtos chegarem, se mantiverem os preços praticados na China eles têm tudo para esgotar rapidamente: pelo que tenho lido por aí, são smartphones bonitos, rápidos, bem construídos e custam pouco.

É difícil termos uma visão ocidental do que a Xiaomi vem fazendo, por isso li com bastante interesse o review do Mi4 escrito por Ron Amadeo para o Ars Technica. (Disclaimer: gosto muito dos reviews de lá.) Alguns trechos me surpreenderam, como o que Amadeo coloca o Mi4 no topo da cadeia dos Androids, à frente do One M8 e Galaxy S5:

A grande força da Xiaomi é sua execução. Muitas das coisas que a empresa produz não são únicas, mas a Xiaomi faz um trabalho fantástico em qualquer coisa em que ela foque. Então, sim, o Mi4 é basicamente um iPhone grande, mas ele também é construído como um iPhone. Uma estrutura de aço com arestas chanfradas, bordas finas e construção impecável fazem deste o melhor hardware Android que vimos esse ano.

O software, uma versão pesadamente modificada do Android que a Xiaomi batizou de MIUI (lê-se “mí iú ai”), lembra bastante o iOS no visual e, em relação a seus pares ocidentais que adotam o sistema, tem a vantagem de ser rápido, muito rápido: Continue lendo “As esquisitices e virtudes do Mi4, smartphone da Xiaomi”

Novos relógios inteligentes: G Watch R e Gear S

Na dúvida sobre como deve ser o relógio inteligente ideal, LG e Samsung continuam despejando novos modelos no mercado, cada um com características bem específicas para se diferenciar dos demais. Se esse nicho crescerá a ponto de justificar toda essa atenção? Quem se importa?

De ontem para hoje, em aquecimento para a IFA que começa em Berlim no próximo dia 5, as duas empresas anunciaram novos relógios. Note que faz apenas dois meses que os últimos, G Watch e Gear Live, foram lançados.

G Watch R, primeiro relógio inteligente redondo.
Foto: LG.

Da LG vem o G Watch R, um relógio com tela circular e acabamento nobre, com o uso de metal na caixa e couro na pulseira. A LG chama a atenção ao fato do G Watch R ser totalmente redondo, lembrando que o Moto 360, ainda não lançado mas já responsável por suspiros entre entusiastas, tem uma pequena base preta onde ficam os componentes da tela. No novo relógio da LG, esses mesmos componentes foram alocados na borda, que também traz marcações de segundos gravadas fisicamente. Outra característica legal é o uso da tecnologia P-OLED, que promete tornar o relógio visível mesmo sob o Sol.

O Gear S usa Tizen e tem a tela curvada.
Foto: Samsung.

Já a Samsung volta a usar o Tizen no lugar do Android Wear com o Gear S. Esse tem tela AMOLED curvada, o que é bem legal, e vem com um antenas 3G e Wi-Fi, que o torna independente do smartphone. Resta saber o preço que toda essa conectividade cobrará da bateria, que tem apenas 300 mAh — o release fala em “dois dias de uso normal”, o que parece exagerado.

Características comuns a relógios inteligentes, como sensor de batimentos cardíacos e resistência à água e poeira, são itens marcados nas checklists de ambos os modelos. O G Watch R será lançado no quarto trimestre e o Gear S, em outubro. E eu, sigo na espera por algo que justifique o frisson em torno desses relógios (supostamente) inteligentes.

Microsoft fecha o cerco contra apps genéricos que se passam por oficiais

Todd Bix, em um blog oficial da Microsoft:

No começo do ano, ouvimos em alto e bom som que as pessoas estavam com dificuldades para encontrar os apps pelos quais procuravam; com frequência, tinham que se debruçar sobre listas de apps com títulos confusos ou enganosos. Recebemos esse feedback com seriedade e modificados os requisitos de certificação da Loja [de Apps do] Windows como um primeiro passo para garantir que os apps sejam nomeados e descritos de uma maneira que não deturpe seus propósitos.

Em março, Long Zheng exemplificou o problema com o Facebook. Um app genérico, com ícone e nome idênticos ao oficial, aparecia no topo da pesquisa por “facebook” na loja australiana.

As alterações no processo da Loja de Apps, tanto a do Windows, quanto a do Windows Phone, já estão valendo e resultaram, de cara, na eliminação de 1500 apps. Consumidores que compraram algum deles serão reembolsado.

O barateamento do Dropbox Pro não significa uma declaração de guerra pelo menor preço

O Dropbox consolidou seus planos pagos em apenas um e anunciou recursos exclusivos para ele. Agora, a versão Pro custa US$ 10 por mês e dá direito a 1 TB de espaço — até ontem, com o mesmo valor se alugava 100 GB no serviço. Com isso ele se equipara às ofertas de Microsoft e Google, que recentemente promoveram cortes agressivos na tabela de preços do OneDrive e Google Drive.

Nessa mesma época, aliás, Drew Houston, CEO do Dropbox, foi pressionado para acompanhar a corrida para baixo e diminuir p que cobrava. Ele rebateu a pressão dizendo que não entraria nessa guerra. Como justificativa, alegou que o foco do serviço não é preço, e que seus clientes valorizam a qualidade e os serviços agregados que outros não oferecem. Teria ele, agora, dado o braço a torcer?

Não parece ser o caso. A sacada do novo plano do Dropbox é ser único. Como nem todo cliente pagante consumirá o 1 TB a que tem direito, é de se esperar que a margem de lucro seja maior do que, digamos, a que o Google tem ao cobrar US$ 1,99 por 100 GB ou a Microsoft, US$ 3,99 por 200 GB. O plano básico, de 15 GB nesses dois e restrito a apenas 2 GB no Dropbox, também é um grande incentivo para que mais gente migre para a versão Pro.

Além da simplificação e barateamento do espaço na nuvem, o Dropbox anunciou recursos exclusivos para clientes pagantes, a saber:

  • Exclusão remota de arquivos em dispositivos roubados ou perdidos.
  • Compartilhamento apenas para visualização.
  • Prazo de validade e senha para arquivos compartilhados.

O ecossistema em torno do Dropbox, que no início do ano ganhou o (ótimo) Carrousel e a promessa do Project Harmony para levar colaboração em tempo real a aplicativos desktop, como os do Microsoft Office, enriquecem a experiência e funcionam como diferenciais. Agora que se abriu a possibilidade deles serem exclusivos a quem paga, a tendência é que a chegada dos futuros novos recursos seja limitada a tal público, fazendo os US$ 10 mensais gastos ali valerem mais.

O Dropbox se destaca pela velocidade e confiabilidade — nunca falha, é rápido e multiplataforma. Não me parece que esse anúncio seja uma declaração de guerra pelo menor preço, mas sim um contra-ataque disparado com precisão cirúrgica no que poderia ser uma ameaça à sua posição atual e uma tentação aos seus clientes menos fiéis.

[Review] L80 ou L90, qual dos dois intermediários da LG é o melhor?

Em maio a LG lançou no Brasil, de uma tacada só, nove smartphones por preços que iam de R$ 350 a R$ 950. A linha L, que abrange os modelos de entrada e intermediários, nunca foi tão populosa quanto nesta terceira geração e, com tantos membros, era inevitável que alguns se sobrepusessem em características e preços. O caso da dupla L80 e L90 talvez seja o que mais se destaque.

Coloquei os dois lado a lado para determinar qual é a melhor escolha. O L80 saiu aqui com preço sugerido de R$ 950, e o L90, por R$ 900. Hoje, três meses depois do lançamento, dependendo da loja e da promoção os preços variam, girando a casa dos R$ 650~800, mas o L80 continua custando mais ainda que por uma margem quase irrelevante. O preço tem um peso importante nos segmentos de entrada; quando ele perde peso no processo decisório e deixa às configurações essa responsabilidade, o que acontece se essas são similares? É o que você confere agora.

L80 ou L90, qual compensa mais?

Não é preciso ser um gênio da matemática para saber que 90 é maior que 80. A superioridade estampada no nome perde muito do seu efeito quando se tem ambos os smartphones, L80 e L90, nas mãos. Com muitos recursos idênticos e exclusividades equilibradas, hierarquizá-los é bem mais difícil do que apontar o número maior. Continue lendo “[Review] L80 ou L90, qual dos dois intermediários da LG é o melhor?”

A renderização de caracteres no Chrome do Windows está mais bonita

A API DirectWrite existe desde o Windows Vista, de 2007. O Chrome, lançado quase dois anos depois, desde sempre usava uma outra, a GDI, para renderizar fontes. Na prática isso se traduzia em caracteres serrilhados — e indigestos para quem tem contato com outras plataformas, como as da Apple e Google.

Com a chegada do Chrome 37, o navegador do Google finalmente renderiza caracteres no Windows usando a DirectWrite. Atualize o seu aí se ainda não o fez e veja a diferença: os textos estão mais suaves e, felizmente, o anti-aliasing não é tão agressivo quanto o do Internet Explorer.

Além disso, o novo Chrome também suporta nativamente telas HiDPI, o que significa que em resoluções altíssimas a interface não fica borrada. No OS X essa melhoria já existia fazia dois anos. O gerenciador de senhas também mudou, alguns recursos para desenvolvedores mudaram e as (supostas) melhorias em estabilidade e segurança estão lá.

O Chrome 37 também marca a estreia da versão 64 bits no canal estável. Ainda é opcional e apenas na versão em inglês (baixe-a aqui), mas é mais um passo rumo à padronização.

O Hyperlapse do Instagram é incrível e já pode ser baixado

O Instagram lançou hoje o Hyperlapse, seu segundo app — o primeiro, Bolt, (mais) um clone do Snapchat, ainda está restrito a uma espécie de estágio beta em alguns poucos países. O Hyperlapse é um app minimalista de gravação de vídeos que tem como única função acelerá-los e suavizá-los, criando assim timelapses magníficos.

A Wired publicou com exclusividade um perfil do app. Nele, explica a trajetória dos pais do projeto, os engenheiros Thomas Dimson e Alex Karpenko, da ideia à engenhosa implementação utilizando-se do giroscópio e, depois, como o recurso acabou se tornando um app independente em vez de ser incorporado ao Instagram. O ponto mais importante, porém, é este:

O que antes só era possível com uma Steadicam ou equipamentos de US$ 15 mil agora está disponível no seu iPhone, de graça.

A qualidade dos vídeos é de cair o queixo. Duvida? Veja alguns:

O Hyperlapse é exclusivo do iPhone e essa história ilustra bem dois pontos fracos da Microsoft (Windows Phone) e Google (Android).

Há 15 dias a Microsoft publicou um projeto homônimo com resultados igualmente fascinantes, só que fora do alcance dos usuários. No material de divulgação, os criadores do Hyperlapse da Microsoft disseram estar trabalhando em um app para Windows. “Fiquem ligados”, pediram. Estou aqui ligado desde então e, até agora, nada. Não que eu esperasse um app pronto a partir de uma demonstração pública num intervalo de apenas duas semanas, mas a arte de insinuar coisas muito legais e demorar horrores para entregá-las lapidadas aos consumidores finais é típica da Microsoft.

Ao Google, a fragmentação do Android se revelou a vilã mais uma vez. O Hyperlapse para a plataforma não está nem em desenvolvimento porque são necessárias mudanças nas APIs do giroscópio e da câmera. E quando elas ocorrerem, toda a base se beneficiará? Será algo dependente do Google Play Services ou de uma nova versão?

O Hyperlapse é gratuito e está disponível na App Store.

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