Com quantos pixels se faz uma boa tela? Para a LG e seu G3, com muitos

Ontem a LG apresentou o G3 em Londres, a nova versão do seu smartphone topo de linha. Não é de agora que as fabricantes que usam Android promovem saltos em especificações a cada geração dos seus aparelhos, mas em um ano sem grandes novidades no principal concorrente, o Galaxy S5 da Samsung, a LG aproveitou a brecha para empurrar os limites da tecnologia móvel mais para cima. Nesse contexto e ante o que foi mostrado, talvez seja de bom tom perguntar: toda essa tecnologia é desejável ou mesmo vantajosa para o usuário?

Quantos pixels você tem, tela do G3!

G3, novo smartphone topo de linha da LG.
Foto: LG.

Pode soar “neoludista” ou mesmo desdenhoso, mas o questionamento recai, principalmente, na tela do novo G3. Ela tem 5,5 polegadas, tamanho que anula quaisquer distinções que ainda pudessem existir entre “smartphones convencionais” e phablets. Aliás, enterremos o nome “phablet”; ele não faz mais sentido.

Não é bem o tamanho físico que emana preocupações. Por maior que seja a tela, ela aproveita bem a área frontal do G3, ocupando 76,4% dela. O smartphone é grande, claro, mas parece que a mágica da Motorola com o Moto X, capaz de tornar um aparelho com tela de 4,7 polegadas bastante “segurável”, foi replicada pela LG. Quem esteve no evento e testou o G3 diz que ele é confortável e parece “menos ridículo” do que os números poderia fazer pensar, mais leve, menor e confortável do que se imaginaria apenas lendo as especificações. E vamos enfrentar os fatos: com smartphones de 6 polegadas, a LG ainda está dentro da margem segura de celulares gigantescos que as pessoas ainda compram.

Nas 5,5 polegadas da tela do G3 a LG espalhou 2560×1440 pixels, resolução QuadHD, chegando a uma densidade incomum de incríveis 538 PPI (pixels por polegada, no inglês). Durante a apresentação, Ramchan Woo, chefe de planejamento de smartphones da LG, retificou uma das falas mais citadas de Steve Jobs nos últimos anos, a da tela Retina. Segundo o falecido co-fundador da Apple, o olho humano é incapaz de perceber diferença em telas com mais 300 PPI. Para Woo, o El Dorado da resolução está em colocar 300 linhas de pixels por polegada, e para chegar a tanto é preciso dobrar a densidade.

As telas Full HD do ano passado em tamanhos menores, chegando a ~450 PPI, penderam mais para o posicionamento de Jobs. Mas será que indo além, mais pixels farão diferença?

Comparativo microscópico da tela QuadHD do G3 com outras.
A tela do G3, no microscópio. Foto: GigaOm.

É difícil dizer sem ver. Nos hands-on já publicados, os jornalistas foram cautelosos. Elogios de sobra à tela, uma área onde a LG tem mandado bem há anos, mas nada específico ou particularmente entusiasmado relacionado à resolução. Essas impressões iniciais meio que adiantam a resposta à pergunta acima: provavelmente não. E nem entraram no mérito, por falta de tempo mesmo, de eventuais impactos à autonomia que uma resolução quatro vezes maior que o HD pode causar.

De qualquer forma, reservo-me para tecer comentários mais incisivos sobre o tema quando colocar minhas mãos em um G3 — ou meus olhos, para ser mais exato.

Novo G3 traz Android mais limpo.
Foto: LG.

G3: software mais simples, câmera com laser

Em outra área a LG também dobrou a aposta em busca de satisfazer o potencial futuro comprador do G3: software. Ela consolida os motes que, segundo a empresa, guiaram o desenvolvimento do novo smartphone: “Simples é o novo esperto” e “Aprendendo com você”.

É crítica constante aqui o excesso de interferências que as fabricantes fazem no Android. Os aparelhos da LG disputam com os da Samsung a liderança no segmento destruição de interfaces, com modificações estéticas de gosto bem duvidoso, configurações esquisitas e outras que, apesar de bem pensadas, vêm inexplicavelmente desativadas por padrão.

No G3, a LG parece ter contornado alguns desses problemas. O visual está “flat” e, pelas fotos e vídeos, menos horrendo que nos smartphones da empresa de 2013. Quanto às configurações, o aparente temor em confundir o usuário foi deixado de lado. O novo app da câmera seja o que talvez melhor representa essa nova mentalidade: com uma interface absolutamente enxuta, ela traz apenas dois botões discretos e transforma todo o viewfinder em disparador. Confiança no taco, era isso o que faltava!

Novo app de câmera do G3 é bem simples.
Câmera simplificada. Foto: The Verge.

Embora eu prefira experiências mais limpas, alguns recursos trazidos pelas fabricantes são de fato úteis. No caso da LG, o KnockOn/Knock Code, que libera o smartphone com dois toques na tela, os apps flutuantes, o de controle remoto para TV e outros aparelhos domésticos… A lista cresce e com ela cresce também o apelo da experiência original junto a usuários mais experientes. Já vi gente que discute em fóruns e comentários de blog de tecnologia, esse espécime difícil de agradar, dizendo preferir a ROM da LG a fazer root e instalar o CyanogenMod, graças aos mimos exclusivos. O G3 traz alguns novos, como o Smart Notice, um assistente do aparelho que indica apps que não estão sendo usados e dá outras dicas, e um teclado com altura personalizável.

É nesse sentido, investindo pesadamente em diferenciais, que a LG e outras fabricantes podem ganhar o amor dos usuários e se distanciarem do estigma de bloatware que impregna o Android desde sempre. O veneno que consumia a reputação delas pode, em doses cavalares, acabar sendo o antídoto para curar a desconfiança do público. Como bônus, o G3 traz recursos meio abandonados nas safras recentes de smartphones de ponta, mas apreciados: slot para cartão microSD e bateria removível.

Disponível em cinco cores, o sucessor do bem recebido G2 deve, de qualquer forma, chamar a atenção positivamente quando for lançado. A recepção morna do Galaxy S5 deu espaço para a LG em 2014 e ela está sabendo aproveitar o momento: de pequenos vazamentos controlados a números enormes, ainda que não seja lá tudo aquilo na prática, só pelo barulho que está fazendo já dá para considerar o G3 uma pequena vitória na intrincada guerra dos smartphones.

Preço e disponibilidade

Na Coreia do Sul, lar da LG, o G3 começa a ser vendido hoje. Nos demais países chega em junho, ancorado por 170 operadoras. Ainda não há data especificada, nem preço, para o Brasil, mas em breve a subsidiária local da LG deve anunciar esses e outros detalhes.

ZapZap, o clone nacional do WhatsApp, é verde e amarelo até a alma

Se você torce o nariz quando ouve alguém dizer “note” para se referir a notebook, “feice” para o Facebook ou “whats” para o WhatsApp, não deve ser nada simpático ao inexplicável “zapzap” que também é usado por muita gente aqui no lugar desse último. Em breve, porém, o que até agora era uma mania boba pode se tornar a maneira certa de falar de um app. Não do WhatsApp, mas do nacional ZapZap.

Ele está no Google Play, tem versão web e o site oficial promete uma no iPhone para breve. O app, criado por Erick Costa, analista de sistemas e desenvolvedor SharePoint de 33 anos, usa o código do Telegram, um app parecido com o WhatsApp e cheio de boas intenções, para oferecer uma experiência com o tempero brasileiro.

Na vibe da Copa do Mundo, o ZapZap é ufanista: todo verde e amarelo, tem como imagem de fundo padrão o escudo da seleção canarinho penta campeã mundial, e traz como ícone dois balões de diálogo nas cores nacionais, com a bandeira do Brasil em um deles.

Tirando as mensagens do app em português e o (discutível) esquema de cores da interface, de resto ele é exatamente idêntico ao app oficial do Telegram:

Print do ZapZap ao lado do Telegram.
ZapZap e Telegram, lado a lado.

Erick Costa, a mente por trás do ZapZap

Conversei brevemente com o Erick via Facebook para tirar algumas dúvidas sobre o ZapZap. Ele diz que o app foi fruto de muito estudo para recompilar o Telegram, e se autointitula como o primeiro brasileiro a alcançar o feito. Ao se deparar com o app pronto, escolheu ZapZap porque precisava de um nome “bem brasileiro”.

Erick conta ainda que durante o desenvolvimento do ZapZap fez algumas melhorias em relação ao Telegram original, quase todas focadas em desempenho — uma das bandeiras do app é ser “o mais rápido do mercado, leve e preparado até para as piores redes de acesso”. Usando os dois apps em paralelo não consegui identificar as alardeadas vantagens salvo a tradução, mas fica aí o registro.

Ícone brasileiríssimo do ZapZap.
ZapZap.

Com 63 mil downloads em um mês no Google Play, o ZapZap já tem uma base se não considerável, digna de nota. Quando perguntado se esse sucesso não teria sido fruto de usuários distraídos que procuram pelo WhatsApp original usando seu apelido genuinamente nacional, Erick foi bem pragmático na resposta: “Acredito que não exista engano. WhatsApp é uma coisa, ZapZap é outra”. Medo de Zuckerberg? Que nada:

“Se [o Facebook] fizer [alguma coisa] acho legal, assim meu aplicativo só ficará mais famoso. Mas ele não tem como, nem a marca dele ainda foi registrada.”

Uma chance ao Telegram

O Telegram ganhou certa notoriedade quando o WhatsApp foi comprado pelo Facebook. A ideia de que a privacidade no app de mensagens pudesse ficar comprometida sob a nova gerência deu início a uma busca por alternativas.

Com um protocolo seguro, foco em segurança e APIs e código aberto, o Telegram é quase um projeto beneficente dos irmãos milionários Nikolai e Pavel Durov, co-fundadores da VK, maior rede social da Rússia. A história e a missão do Telegram, bem contada neste post do The Verge, é inspiradora. Mas é aquela coisa: ela é solenemente ignorada quando seus amigos o chamam pelo WhatsApp para combinar o bar de sexta ou mandar vídeos e fotos bobos naqueles grupos que vivem no mudo. Migrar uma base gigante e engajada para um app similar, ainda que melhor, é bem difícil.

Nesse sentido o ZapZap pode servir de atalho para o Telegram ganhar presença no país, por mínima que seja. No estágio atual, com 60 mil downloads (quantos continuam usando o app após baixá-lo, ninguém sabe), não faz nem cócegas no WhatsApp, que alega ter 38 milhões de usuários no Brasil. Mas antes 60 mil do que nenhum, certo?

Erick diz não ter planos muito ambiciosos para o ZapZap, apenas continuar atualizando o app para a base já instalada (“virou mania e todo mundo está usando”) e os novos usuários que virão. Com estratégias meio estranhas, como pedir aos usuários para clicarem nos anúncios a fim de fazê-los sumir (?) e sorteios de SIM cards do TIM Beta na página oficial do Facebook, o ZapZap mostra muita brasilidade e malemolência (e um pouco de ingenuidade) até em sua divulgação. Não deve desbancar o WhatsApp, mas é mais um símbolo que corrobora a criatividade do brasileiro, esse cara surreal e divertido.

 

Apresentando o Notation, o melhor app de notas para Windows

A coisa mais legal da Internet é que ela dá vazão a todo tipo de ideia, das mais simples às mais elaboradas, passando por outras ingênuas, megalomaníacas, simplesmente ruins… Há espaço para todas e, não raro, elas se espalham e chegam a outras pessoas com visões parecidas. Quando essa conexão rola e algo concreto sai dela, é hora de celebrar. Hoje é um desses dias.

Dois anos atrás publiquei, no meu blog pessoal, um extenso texto em que descrevi como seria o app de tomar notas ideal para o Windows. Foi um trabalho descompromissado, movido pela frustração de não saber programar e, consequentemente, não conseguir transformar aquela ideia em um app de verdade. Expliquei o app nos mínimos detalhes, do funcionamento às características, sem esquecer da aparência e aspectos circunstanciais, como sincronia com a nuvem e até o tipo de licença preferencial. Era assim que eu o imaginava:

Screenshot/mock-up do app de notas descrito em 2012.
Mock-up do meu app de notas, feito pelo Felipe.

Nos dias seguintes à publicação recebi alguns e-mails de programadores que leram aquele descritivo e se interessam pela ideia. Era a conexão surgindo. Uns até fizeram mock-ups ou começaram a trabalhar em cima dela, mas nenhum projeto foi para frente com uma exceção: o do Alison Robson. No dia 23 de janeiro de 2013 recebi este e-mail:

“Cara, há algum tempo li seu post ‘Como seria o aplicativo de notas ideal para Windows?’ e fiquei bem empolgado com a ideia. Na época eu estava sem tempo pra tocar esse projeto, então resolvi favoritar o seu post e me dedicar a ele assim que pudesse. Bom, essa semana arrumei tempo e coragem para dar início ao desenvolvimento do aplicativo. O resultado é que o aplicativo está quase pronto, inclusive a sincronização em tempo real com o Simplenote, precisando apenas de alguns ajustes.

Pra mim o único grande problema está em arrumar alguns beta testers a fim de ver como o app se comporta em outras máquinas/sistemas, por isso estou entrando em contato com você, talvez você pudesse me dar uma força recrutando gente para testar o SmplNote. De qualquer forma assim que estiver usável, te enviarei uma cópia pra você me falar o que achou!”

Era perfeito. Tinha alguns bugs e conflitos de interface, mas o grosso da coisa funcionava, e muito bem. O SmplNote, mais tarde rebatizado para Notation, se tornou nesse um ano e meio de testes, compilações e discussões, o melhor app para tomar notas no Windows.

Da ideia ao lançamento público

Foto do Alison Robson.
Alison.

O Alison é um analista de sistemas de 25 anos, pai do Dudu e da Dora, e extremamente dedicado. Tivemos um ótimo entrosamento nesse período de gestação do Notation, eu servindo de beta tester e palpiteiro, ele fazendo todo o trabalho de programar, corrigir bugs e otimizar o aplicativo. Nossos ideais andaram alinhados durante todo o projeto e isso facilitou bastante as coisas.

O Notation foi, segundo o Alison, todo feito em C#. Perguntei para ele qual o segredo da velocidade (ele abre instantaneamente e é muito econômico), e calhou que se trata apenas do bom, velho e subjugado esforço: “Para mantê-lo rodando sem consumir muitos recursos usei uma arquitetura bem simples e dei preferência a funcionalidades escritas a partir do zero ao invés de usar frameworks que visam facilitar o trabalho, mas que acabam cobrando o preço em desempenho”. Como começou aos 12 anos e munido de hardware limitado, com pouca memória e processadores lentos, ele aprendeu desde cedo a aproveitar ao máximo os recursos que tem à disposição.

Durante o desenvolvimento, o trabalho se dividia em blocos de três etapas: eu ou ele identificava um bug, alteração ou sugeria um novo recurso, o Alison programava e compilava uma build e, em seguida, avaliávamos o resultado na prática. O trabalho fluiu bem e mesmo quando tivemos algumas intempéries, como quando o Simplenote ficou maluco com as minhas +40 mil notas excluídas na lixeira, ou na ocasião em que o Alison migrou totalmente o back-end de sincronia com o Simplenote, conseguimos contornar as dificuldades.

Nesse meio tempo tivemos ajuda de outros beta testers: Jacque Lafloufa, Juan Lourenço, Felipe Ventura, Marcos Jhan e Vanderlei Ventura. A vocês, muito obrigado! Agradecimentos também ao Pedro Bojikian e ao Miguel Ferreira, ambos da Microsoft, por terem nos ajudado a livrar o Notation dos alertas de segurança da Microsoft — o app é limpinho e seguro, acredite!

Apresentando o Notation

Notation.
Meu Notation.

É bom gastar umas linhas para explicar o Notation, há um ano e meio uma janela que aparece todo dia no meu notebook.

O Notation é um app para tomar notas que sincroniza com o Simplenote, um serviço da Automattic que funciona de back-end para outros vários e possui apps próprios muito bacanas para Android e iOS.

Ok, apps de notas existem aos montes, começando pelos enormes Evernote e OneNote. Por que alguém trocaria um desses pelo Notation? Existem vários fatores, mas o campeão se chama velocidade.

O Notation abre com o Windows (opcionalmente) e pode ser chamado em qualquer lugar, a qualquer momento, apertando as teclas WinKey + N. Ele consome pouquíssima memória, é extremamente rápido e confiável, e está em sincronia constante com o Simplenote, sempre mandando o que é digitado para a nuvem.

Uma das exigências das minhas diretrizes era que o app fosse totalmente controlável pelo teclado. O Notation consegue isso. Mesmo pontos delicados, como os dois tipos de busca, na nota em foco e em todas elas, foram resolvidos – nesse caso, Ctrl + F pesquisa na nota, Ctrl + Shift + F, em todas.

Ele aceita Markdown e exporta o texto em HTML. Dá para fazer backup rapidamente, e importa-lo de volta com a mesma facilidade. Com um toque na tecla Esc, ele é ocultado, mas continua ativo; para trazê-lo de volta, basta recorrer ao WinKey + N.

Experimente o Notation

Como trabalho com texto, talvez parte da minha empolgação pareça exagerada a quem não tem um perfil de uso similar. É meio difícil conter a animação, afinal é tipo um pequeno sonho realizado!

Além de usar o Notation para escrever rascunhos de posts, recorro a ele para criar listas (de mercado, de gastos, de filmes vistos etc), anotações de aulas na universidade, lembretes, listas de tarefas… para basicamente tudo que envolva reduzir ideias ou fatos a texto.

Por mais redondo que o Notation seja, e ele está, há planos de expansão. Perguntei ao Alison o que ele acha que dá para fazer futuramente e tive como resposta boas ideias: versionamento de notas e uma interface imersiva.

O Notation é gratuito, está em português do Brasil e inglês, funciona no Windows Vista SP1 e superiores, e pede no mínimo CPU de 1 GHz e 512 MB de RAM.

O que este Nokia X estava fazendo no Submarino?

Nokia X à venda antes da hora no Brasil.
Imagem: @GordoGeek.

Ontem de manhã um produto curioso apareceu na vitrine virtual do Submarino: o Nokia X, smartphone de baixo custo que roda uma versão especial do Android, por R$ 599 — ou R$ 519 no cartão da loja. Divulguei o link no Twitter questionando se estava diante de um vazamento, um erro operacional ou qualquer coisa do tipo, afinal o Nokia X ainda não foi anunciado oficialmente no Brasil.

A resposta, vi minutos depois, estava na própria página. Não era o Submarino que estava vendendo o Nokia X, mas uma outra loja, a Shopmaxx, através do programa Submarino Marketplace.

Esse programa é parecido com o que a Amazon faz nos EUA. Lojas menores vendem através de uma maior (Amazon ou Submarino, nesses casos) para se aproveitar da exposição e recursos de divulgação mais robustos. Elas expõem seus produtos e lidam com a entrega, mas o processamento dos pedidos é feito pelo Submarino. Para participar do programa, é preciso ser aprovado em uma avaliação da loja maior.

A Shopmaxx é uma dessas. Seus preços estão dentro da normalidade e seus produtos se alternam entre smartphones, equipamentos fotográficos e acessórios. Como o Nokia X foi parar lá, então?

Falsificação ou importação

Existem duas possibilidades. A primeira, que se trata de um aparelho falsificado, como as inúmeras réplicas de iPhone que inundam o mercado cinza. A outra, mais provável, é de que se trata de um produto importado.

Essa prática é relativamente comum em lojas menores, que acabam servindo de atalho para quem quer comprar por aqui, pagando com cartão nacional e podendo parcelar, aparelhos recém-lançados lá fora ou que sequer chegarão ao país.

A própria Shopmaxx, em seu domínio, comercializa vários smartphones da HTC, fabricante que há dois anos abandonou o BrasilOutras também vendem aparelhos da fabricante taiwanesa.

Ah sim, e o Nokia X, que continua disponível na loja da Shopmaxx e por um precinho mais camarada: R$ 397 à vista.

Mesmo sem ter chegado oficialmente ao Brasil, Nokia X já é vendido.
Nokia X à venda no Shopmaxx.

O que dizem Nokia e B2W

Entrei em contato com a assessoria da Nokia para entender se houve equívoco de alguma parte. Eles foram categóricos: “Por enquanto, a Microsoft Devices do Brasil ainda não anunciou preços e disponibilidade dos produto para o mercado.”

Também apontaram que, no anúncio (já removido a pedido da Nokia), a descrição do produto indica que o Nokia X roda Windows Phone, o que não é verdade.

Ao Submarino, mandei um e-mail perguntando quem, nesse caso, arcaria com eventuais reclamações ou problemas com o produto. A página de apresentação do programa diz que a loja parceira determina as condições de venda, os produtos disponibilizados e a entrega, mas não prevê o que acontece em caso de reclamação; no máximo, diz que consumidores em dúvida sobre produtos de parceiros podem recorrer ao SAC para esclarecimentos. A resposta ainda não veio e o post será atualizado quando a receber.

Salvo uma ou outra exceção, o Brasil está bem servido de smartphones e, quando eles chegam, a imprensa cobre com bastante barulho. Embora eu não esteja colocando em xeque a idoneidade da Shopmaxx, comprar um smartphone que não foi lançado oficialmente aqui, nem homologado pela Anatel, implica por si só em alguns riscos — no mínimo a Nokia pode não se sentir obrigada a prestar garantia a um produto não lançado e, nessa, o consumidor ficaria na dependência exclusiva da loja, situação que nunca é uma boa.

Matei o Feed de notícias do Facebook

Nota do editor: há cerca de duas semanas notei um comportamento padrão: sempre que abria o Facebook para fazer alguma coisa pontual, como publicar um link na página do Manual do Usuário, perdia um tempão dando uma olhada no Feed de notícias. Resolvi, então, experimentar a extensão Kill News Feed, que elimina essa parte da rede social sem comprometer as demais. Estava planejando um texto sobre o assunto quando fui surpreendido por este, escrito pelo Fabio Bracht no Medium, que praticamente bate em tudo o que pretendia falar, das motivações aos resultados alcançados na prática.


Fiz um negócio esquisito: instalei uma extensão do Chrome para desativar o Feed de notícias do Facebook.

Continue lendo “Matei o Feed de notícias do Facebook”

[Review] G Flex: tela flexível, poderes de regeneração e alguns comprometimentos

Um smartphone grande chama a atenção, mas existe algo ainda mais chamativo: um smartphone grande e torto. Em todo lugar onde tirava (com um pouco de esforço) o G Flex, da LG, do bolso, as pessoas olhavam curiosas, perguntavam se estava tudo bem com ele e faziam cara de interrogação ao olhar para o aparelho curvado. Eu também fiquei assim quando o vi pela primeira vez. Passada a surpresa inicial, o que sobra? É o que responderei nos próximos parágrafos.

Um smartphone original por fora, mais do mesmo por dentro

O G Flex é um smartphone fora da curva. Custa caro, tem especificações boas e tecnologias pioneiras — além da tela flexível, o acabamento nas costas se regenera sozinho.

G Flex: lindo por fora, convencional por dentro.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Isso, a regeneração do plástico atrás, eu não testei, mas a demonstração dessa capacidade mutante é bem impressionante. Como contra, só a maior incidência de fiapos grudados e marcas de engordurar, maiores que a média. O toque nessa área é meio estranho também, parece que o plástico é “fofo”, mas na hora em que se aperta, ele não afunda. Na verdade tudo é meio esquisito ali atrás, para o bem e para o mal.

Os botões, todos concentrados na parte de trás, ainda preservam o frescor de novidade. Antes dele, somente o G2, onde essa intervenção fez sua estreia, e o G2 Mini trouxeram tal configuração. É… diferente, e ganha pontos positivos por liberar as laterais de botões. Na prática, entretanto, acabei não usando tanto esses botões em prol do knock on, uma opção que permite liberar e bloquear o aparelho dando dois toques na tela. Sempre uso isso quando disponível e é mais rápido e prático.

Os botões do G Flex ficam atrás.
Foto: Rodrigo Ghedin.

São poucas características que distinguem o G Flex do mar de smartphones high-end, mas em um segmento tão mais do mesmo, uma que seja já é suficiente para destacar algum modelo. Fora as três citadas acima, por dentro o G Flex é bem convencional: traz um Snapdragon 800, 2 GB de RAM e 32 GB de memória interna, especificações padrões dos aparelhos topo de linha do final de 2013, começo de 2014.

Apesar do tamanho, o G Flex é mais confortável de segurar do que outros de mesma estatura — no meu caso, uso o Lumia 1320 como parâmetro, o único outro de smartphone de 6 polegadas que já passou por aqui. Em relação ao modelo da Nokia, o G Flex é mais compacto; não sei dizer até que ponto a curvatura do corpo auxilia na ergonomia, pelo menos não em uso (na mão ou ao ouvido). No bolso ele se adapta melhor à coxa e embora ainda seja desconfortável na maior parte do tempo, vez ou outra dá para esquecer que o G Flex está ali.

A tela curva do G Flex

Para demonstrar a tela curva, um iPhone em cima do G Flex.
Foto: Rodrigo Ghedin.

As peculiaridades da tela vão além do seu formato côncavo. Ela nem precisaria ser assim. A sensação é que tanto LG, quanto Samsung com o Galaxy Round, “dobraram” suas telas para mostrar visualmente que elas têm essa propriedade. A grande vantagem da tecnologia, chamada P-OLED, é que por ser flexível ela não estilhaça quando se choca contra coisas duras, tipo o chão. Outro teste que não fiz por motivos óbvios, mas fica aí a esperança de que acidentes como este se tornem, no futuro, histórias para contarmos aos nossos netos.

Não duvido que lá na frente o P-OLED se prolifere e vire padrão na indústria. Antes disso, as fabricantes terão que contornar alguns inconvenientes vistos na tela do G Flex. Toda nova tecnologia tem, afinal, comprometimentos.

Não são problemas graves, só uns detalhes que em modelos AMOLED ou LCD atuais não são mais vistos. Começando pela resolução. Em um smartphone intermediário como o Lumia 1320 é compreensível a utilização de um painel HD (1280×720), afinal é preciso economizar em algum lugar para reduzir o preço final. O G Flex custa quase o dobro do Lumia 1320, é caríssimo sob qualquer ponto de vista, de modo que não há desculpa financeira para não trazer uma tela Full HD. A tecnologia simplesmente não está madura o bastante para alcançar esse nível.

Essa resolução não costuma ser ruim em telas menores — vide as do Moto X e Nexus 4, ambas com 4,7 polegadas e nenhuma reclamação em termos de definição ou qualidade. Espalhar a mesma quantidade de pixels em uma área maior, de 6 polegadas, é complicado. A densidade chega a 245 PPI, valor insuficiente para olhos mais críticos.

O P-OLED do G Flex funciona meio que como uma viagem no tempo para quem usou smartphones AMOLED há dois, três anos. Dependendo do ângulo, ela ganha uma tonalidade verde e algumas cores, como o azul claro (tipo os botões de responder nos comentários do Manual do Usuário) deixam um rastro ao rolar a página. Além do preço de etiqueta, existem outros que early adopters costumam pagar. No caso do G Flex, uma tela aquém do que se espera de um smartphone topo de linha em 2014.

Desempenho, personalização e autonomia

G Flex de costas.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Não há muito do que queixar em relação ao uso do G Flex, salvo o malabarismo que é preciso fazer nas tentativas de manuseá-lo com uma mão — a maioria, frustrada. Nesse sentido, aliás, o Android da LG traz alguns truques para aproveitar a grande área útil disponível, sacadas legais como a fileira extra de números do teclado, a capacidade de jogá-lo para um dos lados a fim de facilitar a digitação com uma mão, e a divisão de dois apps na tela.

Além desses mimos úteis, esse Android (versão 4.2.2) ainda recebeu um tratamento estético parcial bem-vindo. O esqueumorfismo visto em smartphones anteriores da LG deu lugar a um padrão de ícones flat bem bonitos. Pena que as alterações estéticas se restringiram a eles; menus e outros elementos continuam com um visual de gosto duvidoso, e a salada nas configurações típica da empresa ainda se faz presente.

São tantas opções que, agora, a área de ajustes foi dividida em quatro partes. E piora: as melhores vêm desativadas por padrão, coisas como o método “swipe” do teclado, a firula que mantém a tela acesa quando a câmera frontal detecta um par de olhos a encarando, e aquela outra de silenciar uma chamada virando o aparelho de costas na mesa. Eu me pergunto o porquê dessas decisões, coisas que só não me intrigam mais do que o ringtone padrão para tudo fora ligações, o “life is goooood”. Não se ofenda, LG, eu sei que é seu slogan e até acho ele simpático, mas como ringtone, e com essa entonação, é um negócio bem irritante.

São problemas de usabilidade e complicações desnecessárias feitas em uma área ganha — bastaria usar o Android padrão do Google e acrescer os mimos positivos que estão enterrados ali nos ajustes. Ainda assim, não são impedimentos absolutos, nem algo muito grave na experiência de uso. Apesar de tentar, a LG ainda não conseguiu inviabilizar o uso do seu ótimo hardware. Dá para ser feliz com o G Flex, e boa parte disso decorre do ótimo desempenho que ele apresenta.

A bateria tem 3500 mAh e apenas compensa o tamanho do aparelho e da tela, que deve consumir mais energia do que modelos menores. Consegui sair de casa e voltar com energia em níveis pouco acima do que testemunho diariamente com um iPhone 5. Não salta aos olhos, mas dificilmente te deixará na mão.

Câmera

A câmera do G Flex tem 13 mega pixels e é apenas mediana. Ela apresenta algumas tendências meio chatas, especialmente a lentidão: nos testes, é comum ela recorrer a velocidades que variam de 1/20 a 1/30, o que pode ser tempo demais para fotos mais rápidas. Resultado: borrões nas suas fotos. A presença de um sistema de estabilização de imagens poderia amenizar esse problema, mas ele não existe.

Achei também o pós-processamento um pouco agressivo às vezes, o que prejudica o detalhamento e deixa alguns elementos, como rostos humanos, artificiais.

É uma câmera que poderia estar em qualquer modelo intermediário ou topo de linha, só não em um dos mais caros do mercado. Várias outras, de smartphones mais baratos, apresentam resultados melhores. No fim, ela não o deixa na mão, mas que exige mais do fotógrafo — cuidados com a iluminação, firmeza na hora do disparo, atenção aos modos disponíveis, como o HDR e por aí vai.

Alguns exemplos:

Exemplo de foto com o G Flex.
Velocidade de 1/30 com luz do sol resultou nisso. Foto: Rodrigo Ghedin.
Exemplo de foto HDR do G Flex.
HDR, velocidade 1/150. Foto: Rodrigo Ghedin.
Crop em 100% de uma foto feita com o G Flex.
Crop 100%, velocidade 1/2272. Faltou detalhamento na bomba de combustível. Foto: Rodrigo Ghedin.

Veja essas e outras imagens, em resolução natural, nesta galeria.

Boas ideias que precisam amadurecer

Com 6 polegadas, o G Flex é grande.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Há muito a se gostar no G Flex. Sua tela é charmosa (e legal para ver vídeos, faltou dizer!), a durabilidade é maior que a média graças ao painel P-OLED e à carcaça que se regenera, e apesar de persistir em alguns erros típicos dos seus Android, a LG mostrou que tem algum senso estético em software com o novo pacote de ícones.

Para quase tudo o que tem de bom, porém, sempre vem um “mas” na sequência. Ora é pela limitação da tecnologia, como os inconvenientes da tela; ora por decisões controversas nos rumos tomados no projeto, como as intervenções no Android. Na média o G Flex é um smartphone bacana, mas funciona melhor como curiosidade tecnológica do que como companheiro para o dia a dia.

E o preço agrava essa declaração: ele custa muito caro. R$ 2.699, para ser exato, ou, procurando bem, por até cerca de R$ 2.300 em lojas do varejo confiáveis.

O G Flex é quase uma prova de conceito. Como tal, ele cobra duas vezes, primeiro na fatura do cartão, depois nos poréns do uso cotidiano. Em outras palavras, com esse valor é possível pegar um smartphone que que faz mais e melhor, só que com a tela reta e dura. Não só possível, como recomendável.

Apesar das ressalvas, no geral gostei e vejo com bons olhos experimentações do tipo no segmento. Alguém tem que começar com essas novidades e de qualquer maneira acredito que a LG não colocou o G Flex no mercado esperando vender horrores. Seja lá quais foram seus motivos, méritos a ela por dar a cara a tapa e tomar a iniciativa.

Compre o G Flex,

Compre o G Flex

Comprando pelos links acima o preço não muda e o Manual do Usuário ganha uma pequena comissão sobre a venda para continuar funcionando. Obrigado!

Do NOT follow this link or you will be banned from the site!