Tablets: amor para a vida toda ou apenas um caso rápido?

Os rumores que antecederam o lançamento do iPad, em 2010, traziam de carona comentários bem céticos. Muitos chamavam o tablet, sem conhecê-lo, de “iPodão”, e questionavam por que alguém iria querer um iPod gigante ou mesmo como ele se encaixaria na vida de alguém que já tivesse um smartphone e um notebook.

O iPad surgiu e, dos detratores, poucos sobraram. Muita gente reviu suas conclusões prematuras e, mesmo sem conseguir chegar a motivos racionais, enxergou o valor intrínseco do tablet. É difícil mesmo explicar a utilidade de um tablet, mas ela existe e qualquer pessoa que já correu os dedos por uma tela com quase o dobro do tamanho da de um phablet sabe que aquilo ali é, no mínimo, diferente.

Passados quatro anos da apresentação do tablet moderno, o segmento dá os primeiros sinais de desaceleração. Entre entusiastas, onde o conceito já se firmou, muitos que aderiram ao equipamento começam questioná-lo. No mainstream, ainda falta informação; aquelas mesmas dúvidas pré-lançamento do iPad não foram totalmente sanadas, ou de forma clara, para todos.

Afinal, tablet é apenas uma paixonite temporária, ou é amor para a vida toda?

A falta de interesse pelo tablet

Dedo tocando a tela de um tablet.
Foto: ebayink/Flickr.

Uma pesquisa da Kantar Worldpanel ComTech conduzida com norte-americanos no último trimestre de 2013 constatou que 53% dos entrevistados não pretende adquirir um tablet nos próximos 12 meses e que 34% não tem certeza se o fará. Matemática básica, do total apenas 13% afirmam estar em seus planos a compra ou troca de um tablet em 2014.

Os números, obtidos no maior mercado de tecnologia de consumo do mundo, chamam a atenção. Os oficiais das empresas, embora não pintem um cenário ruim, também dão sinais de que o ritmo diminuiu. No último trimestre fiscal do ano passado a Apple vendeu 14,1 milhões de unidades do iPad, número ligeiramente superior ao mesmo período de 2012 mesmo com a linha revigorada com o iPad Air e iPad mini com tela Retina reforçando o time. A Samsung não revelou números exatos, mas disse, em seu relatório do mesmo trimestre (PDF), ter observado um aumento nas vendas das suas linhas Tab e Note em decorrência do Natal, e que pretende “(…) intensificar a competitividade dos preços” no primeiro trimestre de 2014. Preço, como veremos a seguir, é um fator-chave no momento.

Não são dados alarmantes, mas que se distanciam das altas expectativas, quase sempre alcançadas na prática, de anos anteriores. Traçando um paralelo com smartphones, essa possibilidade de estagnação despontou bem mais cedo nos tablets.

O que um tablet faz?

A mesma pesquisa mostrou também que é preciso explicar melhor ao consumidor sem perspectivas de aquisição para que serve um tablet. Embora apenas 4% dos consultados não tenham ideia do que é esse dispositivo, 67% entre os que não têm planos de adquirir um no próximo ano reconheceu saber pouco sobre ele — e isso inclui, claro, desconhecimento sobre o que ganhariam levando um para casa.

Os departamentos de marketing tentam explicar, com comerciais tanto práticos quanto lúdicos, esses casos de uso. Não é uma tarefa fácil, já que um tablet depende de vários fatores (apps, rotina do usuário, configuração familiar) e pode ser um punhado de coisas para cada um de nós. Até câmera, como vende a Apple em um comercial recente do iPad Air:

Outras, como a Samsung, apostam na pegada artística, em muito beneficiada pelo suporte a stylus da linha Galaxy Note:

Sem falar, claro, nas possibilidades mais mundanas, como jogos, leitura e vídeos, o tipo de uso que qualquer dono de tablet conhece e muito provavelmente faz, ou ainda como segunda tela enquanto assiste TV, hábito que divide com celulares e que vem ganhando força — nos EUA uma pesquisa da Nielsen constatou que cerca de 70% dos telespectadores têm à mão uma segunda tela quando estão na frente da TV.

Existem ainda os cenários específicos, sendo o mais comum o educacional. Entre profissionais da saúde, a adoção do tablet vem aumentando. Esses e outros locais e aplicações focalizadas são onde a flexibilidade do tablet brilha e dão a esperança de que há não um, mas vários mercados potenciais bem específicos pouco ou ainda não explorados. Locais para crescer. Tanto que Tim Cook aposta no meio corporativo para que a Apple continue lucrando com o iPad.

Consultei alguns leitores do Manual do Usuário para saber o que eles fazem com tablets. A maioria afirma usá-los com frequência, principalmente para atividades que envolvem leitura. André Catapan, 22 anos, pesquisador e mestrando em Engenharia de Produção, disse ler muito no seu iPad Air, tanto para suas pesquisas quanto por lazer. “[Leio sobre] artigos online, geralmente sobre política, filosofia e tecnologia, minhas principais áreas de interesse. Posso dizer que foi o principal motivo para comprar o iPad Air, nunca me dei bem lendo grandes textos na tela widescreen de um notebook.” Ele ainda acessa redes sociais, apps de vídeo (Netflix, YouTube) e eventualmente joga alguma coisa.

O perfil de uso do André é muito semelhante ao meu. Dois anos depois de adquirir um iPad, sempre recorro a ele para ler o que salvei no Pocket e dar uma passada no Facebook e Twitter com mais conforto. A tela grande e o acesso imediato, característica essa ressaltada pelo João Paes Neto, 22 anos, auxiliar administrativo e dono de um iPad de 4ª geração, são convidativas a sessões curtas de uso. O tablet se insere, como Steve Jobs deixou claro na apresentação do primeiro iPad, entre a facilidade de uso do smartphone e o poder do computador.

Surface Pro na minha mesa de trabalho.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Outros leitores disseram ter substituído notebooks parcial ou completamente pelos tablets. O Windows 8, que aposta muito em conversíveis e híbridos, misturas entre notebooks e tablets, é a vedete dessa abordagem, é declaradamente “bipolar” e se vende como uma solução para entretenimento e trabalho. Nesse contexto o Surface, tablet da própria Microsoft, é o que melhor personifica a proposta. Mesmo com diversas falhas ele tem seu público, no qual está Igor Paes, outro leitor, 34 anos e analista de TIC:

“Substituí meu PC e meu notebook por ele [Surface Pro 2]. O uso mudou, pois antes o via como um desktop pra jogar e um notebook que utilizava pra navegar, escrever meu relatórios no trabalho e tal. Com o tempo, fui descobrindo a leitura através dele, tanto de livros como de notícias (Flipboard, por exemplo), joguinhos touch screen e fotografia (redes sociais e edição). Minha cabeça estava tão acostumada com o formato mouse e teclado que, ao deixar a type cover de lado, passei a usá-lo de outras formas, como descrevi um pouco acima.”

Gustavo Vieira, 36, consultor de gestão empresarial, escreve, edita e gerencia seu blog, o Espinafrando, integralmente através de um iPad mini com tela Retina. Ele também recorre ao tablet para ler gibis, acessar redes sociais e Internet Banking: “O futuro do tablet é ficar cada vez mais onipresente no dia-a-dia. Posso dizer que ele praticamente substituiu o uso de computador lá em casa, que vive sempre desligado”.

Esses dois casos ainda são raridades, e talvez nunca se tornem mais que isso. É bem verdade que artigos e apps mostrando o lado produtivo dos tablets são fáceis de encontrar, e coisas como o Office para iPad buscam reforçar esse posicionamento. O esforço em adaptação, porém, soa paradoxal à ideia de facilidade de uso que se tem dos tablets. Aprender a digitar rápido na tela, migrar fluxos de trabalho para os padrões simplificados do iOS/Android, encontrar os apps certos… É mais fácil continuar com o notebook, e melhor ainda se for um Ultrabook rápido e leve.

A linha tênue que separa tablets de phablets

Galaxy Note 3 e sua tela de 5,7 polegadas.
Foto: Kārlis Dambrāns/Flickr.

O nome phablet, que surgiu quase como uma piada interna, pegou, e por um bom motivo: ele engloba uma categoria à parte de smartphones, uma com telas enormes. Com os últimos lançamentos dos topos de linha, todos com telas de 5 polegadas ou mais, essa divisão faz cada vez menos sentido.

O grande apelo de um tablet é a tela maior, bem maior que a dos smartphones. Das 3,5 polegadas do iPhone até a versão 4S para as 9,7 do iPad, há uma distância considerável. Já entre as 5,1 polegadas do Galaxy S5 e as 7 do Galaxy Tab 3…

O caminho contrário ao comentado acima, da união entre tablets e notebooks, também existe e é mais ameaçador à existência do tablet. A distância entre ele e smartphones, que antes justificava a compra dos dois equipamentos, encolheu com o tempo e isso pode ter impactado a noção de necessidade de um tablet que, sejamos sinceros, nunca foi lá muito forte. Mesmo a Apple diminuiu o espaço que separa seus equipamentos: o iPhone cresceu (4 polegadas a partir do iPhone 5) e o iPad diminuiu com a versão mini, para 7,9 polegadas.

Como telas grandes são o novo chamariz dos smartphones a despeito de outras especificações, mesmo quem centra suas escolhas no preço tem opções. De modelos intermediários, como Galaxy Gran Duos e Xperia C, chegando até a uns bem baratos, com o Nokia XL, a tela grande deixou de ser luxo de quem pode gastar muito com telefonia móvel.

A Huawei, no último MWC, anunciou o MediaPad X1 com uma proposta ousada: ser um dispositivo híbrido, smartphone e tablet ao mesmo tempo. Com tela de 7 polegadas e uma moldura finíssima, não duvido de que o conceito pegue e, em um futuro bem próximo, seja replicado por outras fabricantes. O mercado parece sedento por telas enormes que fazem ligação. Qual o limite? Eu não me arrisco a chutar.

Preços para baixo e mercados emergentes remediam a situação

O iPad mini tem tela de 7,9 polegadas.
Foto: Apple.

A pesquisa citada no início desta matéria trouxe outro ponto-chave na relação entre tablets e consumidores: o preço. 47% dos que estavam incertos sobre a compra de um tablet e 25% dos que não pretendem adquirir um acham tablets caros.

A explosão de modelos abaixo dos US$ 300 no final de 2012 e o sucesso que eles fazem, levando até a Apple a lançar uma versão encolhida e mais em conta do iPad, indicam que há, de fato, muita sensibilidade em relação a preços.

A alavancada nas vendas de tablets Android se deve em muito a esse fator. Ano passado, a plataforma ultrapassou o iPad em volume e faturamento, e essa inversão é creditada à inundação do mercado com modelos pequenos e baratos. E alguns muito baratos, a ponto de não serem recomendados por ninguém sério (você recebe pelo que paga) e, o mais curioso, posicionados como TVs/telas portáteis para vídeo.

No Brasil, tablets sérios disputam a atenção do consumidor com esses modelos super baratos de marcas desconhecidas ou, quando conhecidas, montados na China a partir de um projeto genérico e apenas marcados com o logo das empresas locais quando chegam aqui. Há uma disparidade enorme não só no valor pago, mas também e principalmente na qualidade e nas possibilidades que o dispositivo abre.

Uma pesquisa recente da Mobile Marketing Association/Nielsen Ibope revelou um aumento de 312% nas vendas de tablets no varejo brasileiro em 2013. Mas quais tablets?

Os resultados de outra pesquisa, essa realizada pelo IDC no segundo semestre do ano passado, ajudam a responder a pergunta acima. Eles apontaram aumento de 151% nas vendas desse tipo de equipamento em relação ao primeiro semestre, número em muito beneficiado pelos tablets “baratinhos”, como escreveu Claudia Tozetto no iG. De todos os modelos vendidos no período, 1,9 milhão, 55% custavam menos de R$ 500. Pedro Hagge, do IDC, explica o fenômeno brasileiro:

“O Brasil é um mercado em ascensão para os tablets, com grande parte dos usuários comprando seu primeiro dispositivo. Nosso mercado continua muito sensível a preços, e os tablets são acessíveis para o poder aquisitivo do consumidor brasileiro, representando uma opção viável de sistema para uso básico e acesso à Internet.”

Da mesma forma que demoraram para chegar aqui, o desaquecimento nas vendas de tablets também será sentido mais tarde no Brasil. E com a falta de alternativas (Chromebooks são inexplicavelmente caros, notebooks de entrada, além de não serem baratos, são ruins), não será espantoso se mercados emergentes acabarem sustentando por um tempo maior as margens desse tipo de equipamento.

O efeito colateral dessas peculiaridades locais é que quem vai às compras e acaba pegando um modelo baratinho, sem pesquisar antes, nem testá-lo, corre o risco de acabar com um aparelho lento e repleto de deficiências, que faz o desfavor de apresentar a plataforma a quem mais se beneficiaria dela da pior maneira possível.

Equilibrar preço e qualidade é uma equação ingrata, porém não impossível. Mesmo no mercado local há tablets que, vá lá, não são um iPad, mas quebram o galho por algumas centenas de Reais a menos. O problema, novamente, é identificá-los. Por fora, um Asus MeMO Pad HD7 não difere muito de um xing-ling ruim; já por dentro…

Uma moda que demorou a passar ou o futuro ainda inexplorado?

Homem usando um tablet.
Foto: ebayink/Flickr.

Talvez você esteja, agora, com uma visão apocalíptica do mercado de tablets na cabeça. Se for o caso, peço desculpas. Não era a intenção. Apesar de uma possível estagnação no horizonte, eles continuam sendo uma força no segmento móvel e seguem mais saudáveis que outras áreas, como a de notebooks. Sem falar no potencial de mercados emergentes, como o Brasil, ainda maravilhados pelo fator novidade e que seguem comprando muito.

Mas o sinal de alerta deve estar aceso, mesmo que no nível mais baixo, nas empresas que os fabricam. Quando até gente da indústria como Zal Bilimoria, ex-Netflix, hoje na Andreessen Horowitz, uma das empresas de capital de risco mais conceituadas dos EUA, sentencia que o amor pelos tablets acabou e traz dados da Netflix que sustentam seu ponto na prática, é sinal de que algo mudou.

Tablets são incríveis, eles só têm o problema de disputar a atenção com coisas ainda mais incríveis, os smartphones. Há espaço para eles nas nossas vidas? Sim, só que esse espaço talvez não seja tão grande quanto se imaginou a princípio.

Foto do topo: Martin Voltri/Flickr. Agradecimentos a todos os leitores que bateram um papo sobre o uso que fazem de tablets: João Paes Neto, Pedro Maia, André Capatan, Flávio Ricardo, Rodrigo Sabino, Thiago Brito, Igor Paes, Rafael Duarte, Gustavo Vieira, Pedro Simões, Pedro Dal Bó, Nelson Souza, Paulo Higa, Gabriel Arruda e Joel Nascimento Jr. Valeu!

A reação descabida da American Airlines à ameaça de terrorismo de Sarah, uma adolescente de 14 anos, no Twitter

Avião da American Airlines em solo.
Foto: Daniel Foster/Flickr.

Sarah, uma adolescente de 14 anos que vive em Roterdã, Holanda, publicou uma mensagem bastante infeliz no Twitter ontem pela manhã. Era uma ameaça de atentado terrorista dirigida à American Airlines. Neste momento ela está detida para investigação. E amedrontada.

A menina, que escrevia no perfil @QueenDemetriax_ (ela apagou a conta), publicou a seguinte mensagem direcionada à American Airlines, uma companhia aérea dos EUA:

Mensagem original de Sarah.
Screenshot: Business Insider.

“@AmericanAir olá meu nome é Ibrahim e eu sou do Afeganistão. Sou parte da Al Qaida [sic] e no dia 1º de junho farei uma coisa bem grande tchau”

A resposta do social media da American Airlines veio seis minutos depois:

A resposta da American Airlines a Sarah.
Screenshot: Business Insider.

“@queendemetriax_ Sarah, nós encaramos essas ameaças com seriedade. Suas informações e endereços IP serão encaminhados à segurança e ao FBI.”

Sarah, claro, surtou. Nas mensagens seguintes, disse que ter sido uma piada, que se lamentava, estava com medo, jogou a culpa em uma amiga e afirmou que não era do Afeganistão.

As reações desesperadas de Sarah.
Screenshot: Business Insider.

Foi uma piada, ou melhor, uma “piada” ruim. Não é isso o que está em questão. A reação da American Airlines, isso sim, foi o que mais me surpreendeu. Pareceu-me descabida dadas todas as circunstâncias.

A perigosa terrorista de 14 anos fã da Demi Lovato

A resposta da companhia aérea foi tão descabida quanto a ameaça da adolescente. Alguns podem alegar que foi uma resposta na mesma moeda, mas pense comigo: uma menina de 14 anos escrevendo algo estúpido na Internet? Ok. Uma empresa biolionária cheia de profissionais tocando o terror em cima disso? Preocupante.

Nem verdadeira a resposta da American Airlines era (era, do verbo não é mais, já que ela foi apagada do perfil): a empresa não tem acesso aos IPs de quem interage com ela no Twitter. Configurou-se, pois, uma espécie de ataque reverso: de ameaçadora, Sarah acabou vítima de terrorismo psicológico.

E temos as circunstâncias. Uma menina de 14 anos por trás de um plano maligno para derrubar aviões avisa de antemão a companhia aérea alvo do seu intento, via Twitter usando sua conta de fangirl da Demi Lovato, que algo grande acontecerá. Soa bizarro falando assim, mas foi exatamente o que aconteceu.

Eu entendo, e concordo, que com certas coisas não se brinca. Terrorismo é uma delas, e das mais sérias. A piada, como já disse, foi bem infeliz e passível de investigação, como a polícia de Roterdã, sem o envolvimento do FBI ou da American Airlines, está fazendo nesse momento. Aliás, a postura da polícia local é um sopro de sanidade em meio a tanta loucura. Ao Business Insider, um porta-voz disse:

“Não estamos em posição de comunicar qualquer ponto das acusações nesse momento. Apenas achamos que seria necessário trazer isso à tona pelo fato de que ela [a ameaça de Sarah] gerou muito interesse na Internet.”

Armar um circo em torno disso a ponto de amedrontar Sarah, de direcionar a ela comentários raivosos de gente que fica à toa na Internet, isso é pura e simplesmente errado. Antes de excluir sua conta ela ganhou uma avalanche de xingamentos vinda de estranhos. De “imatura” a “racista”, apenas tente imaginar como deve estar a cabeça dessa menina. Faça um exercício de analogia: pense nos comentaristas de portais dirigindo todo aquele chorume para você, destilando a raiva em relação ao sistema, aos petralhas, ao Sakamoto, aos direitos humanos contra você.

E lembre-se: ela tem 14 anos.

Poderia ter sido diferente

Existe um tratamento diferenciado para crianças e adolescentes em todas as esferas, incluindo a criminal, porque até certa idade nós não temos o discernimento desenvolvido — e muitos, inclusive, morrem velhos sem tê-lo funcionando plenamente. Para Sarah, ou a (suposta) amiga dela que fez a brincadeira no Twitter, isso se aplica também. Na hora em que começamos a ignorar essas nuances da psicologia humana, a enquadrar todo mundo em um crivo fixo para adultos e crianças, deixamos a humanidade um pouco de lado e voltamos algumas casas no jogo da evolução enquanto sociedade. Aproximamo-nos da Lei de Talião, do “olho por olho, dente por dente”.

Como proceder, então? A American Airlines poderia ter enviado a Sarah apenas metade da sua mensagem, a que diz que leva essas ameaças a sério, via mensagem privada. Seria suficiente para que ela percebesse que, hey, existem consequências para o que acontece na Internet, há limites para a zoeira. Em seguida, pedir à polícia de Roterdã para averiguar a ameaça, porque por mais tola que ela pareça, ainda assim é algo que merece ser investigado. Melhor não arriscar.

“Ah, mas agora serviu de exemplo”. Será? E se sim, a que custo? O trauma que ficará na menina extrapola qualquer lição que seu caso tenha deixado aos demais — e, pelas reações que vi até agora, ele tem servido mais para risadas, “hahaha se ferrou!”, do que para conscientizar alguém que seja. É a mesma lógica que muitos apregoam no trânsito: ao ver que outro motorista está fazendo alguma barbeiragem, esses iluminados da direção seguem avançando até o último segundo, assustando o “babaca que não sabe dirigir” para “ensinar como é que se dirige”. Apontam e reforçam o erro achando que estão conscientizando. Relatos dessa metodologia pra lá de questionável são recorrentes, sempre contados com um quê de orgulho. Até hoje não soube, porém, de um caso bem sucedido de educação no trânsito baseada na intolerância e na agressividade.

O mundo está maluco, as pessoas estão perdendo as estribeiras por pouco e, nesse contexto, é fácil pegar qualquer coisinha para “servir de exemplo”, até uma brincadeira boba na Internet feita por uma criança. Fácil, não correto. Vamos colocar a mão na consciência, pessoal. Sarah tem 14 anos e, daqui em diante, um trauma para a vida toda.

Spotify no Brasil: demorou, mas ele chegou (mais ou menos). Tarde demais?

O Spotify, serviço de streaming de músicas mais popular do planeta, há meses ensaia sua estreia no Brasil. Dependendo do ponto de vista (e do veículo de comunicação que você acompanha), dá para dizer que ele já chegou. É hora de abandonar as ofertas estabelecidas no Brasil e correr para o Spotify? Calma, muita calma nessa hora.

O Spotify já chegou oficialmente ao Brasil?

Aviso no site brasileiro do Spotify.
Spotify está chegando ao Brasil.

Resposta simples: sim.

Mas é um “sim” cheio de “poréns”. Quem entra no site oficial do Spotify hoje dá de cara com uma mensagem em letras garrafais dizendo “Spotify está chegando ao Brasil”, com um formulário para deixar seu e-mail e, em algum ponto futuro e não especificado, receber um convite para usar o serviço antes do lançamento oficial1. Sim, uma tática para gerar hype muito popular no longínquo ano de 2004, quando Orkut e Gmail eram também um clube semi-fechado, mas que ainda encontra adeptos dez anos depois.

Tenho uma conta lá faz alguns anos criada para usar o Spotify via VPN, uma forma de acesso que “engana” servidores. No caso, o Spotify achava que eu estava em um país onde ele já atuava — primeiro Inglaterra, depois Estados Unidos. Quando soube que o serviço estava operando por aqui em caráter de testes, bastou mandar um e-mail para o suporte (em português mesmo) solicitando a migração da conta. Em poucos minutos o meu Spotify ficou verde e amarelo, tornou-se acessível sem VPN e passou a aceitar pagamentos com meu cartão emitido no Brasil ou PayPal.

Spotify, agora num pretinho básico.
Novo Spotify para Windows.

Daquela época para agora, o Spotify mudou um pouco. A maior diferença é o cliente desktop, meio que uma exigência dadas as limitações do web. A nova versão, que apareceu dia desses, trouxe um visual negro bem mais refinado e, enfim, a possibilidade de salvar álbuns para acessá-los rapidamente, de um local específico, em vez de ter sempre que recorrer à busca ou criar playlists.

Tivesse sido lançado há uns dois anos, o Spotify seria uma escolha quase natural. Hoje, com Rdio, Deezer e Xbox Music brigando feio pela preferência do cliente, o cenário é outro. Como o Spotify se sai frente a esses concorrentes, principalmente o Rdio, que uso no dia a dia?

Spotify ou Rdio? Uma questão de abordagem

Assino o Rdio há uns bons anos e gosto muito do serviço. O que não me impediu, claro, de pagar uns trocados no Spotify para ver como ele está atualmente.

Aliás, já no pagamento nota-se uma aparente vantagem para o recém-chegado: ele é mais barato. Mesmo cobrando em dólar, na ponta do lápis os US$ 5,99 pelo plano mais completo, que inclui o uso de apps móveis, sai mais em conta que os R$ 14,90 do Rdio — uma diferença, feita a conversão com o dólar a R$ 2,19 (cotação de ontem) e acrescido o IOF (6,38%), de pouco mais de R$ 1. Ok, é de fato mais barato, mas a diferença é tão ínfima que outros fatores podem torná-la irrelevante. E para quem assina duas contas, a ausência de um plano familiar no Spotify, que existe no Rdio, acaba invertendo a pequena economia observada nos planos individuais.

Focando no plano individual, são esses “outros fatores” que complicam um pouco a situação do Spotify, ao menos para o meu perfil de uso. Ele tem uma pegada diferente em dois aspectos-chave: organização e descoberta de músicas.

O Spotify é todo sobre playlists. Se você quiser baixar músicas para ouvi-las desconectado da Internet, precisa criar uma playlist ainda que seja composta apenas por músicas de um mesmo álbum. Há uma obsessão por playlists que ignora outras formas de ouvir música, e uma delas em especial, o álbum completo, faz muita falta.

O Rdio também oferece playlists, mas dá mais atenção à organização por álbuns na Coleção. Curtiu um álbum, quer ouvi-lo mais vezes e tê-lo sempre à mão? Acrescente-o à Coleção e, opcionalmente, torne-o acessível offline. São dois cliques para cada ação, que é desencadeada em todos os dispositivos conectados à sua conta. Rápido e fácil, sem enrolação.

Organização por álbuns é central no Rdio.
Minha coleção no Rdio.

Não tenho muito saco para playlist e encaro muitos álbuns como trabalhos completos, fechados, que em certos casos merecem ser ouvidos de cabo a rabo. A nova interface do Spotify remedia esse defeito parcialmente: agora existe uma seção “Minhas músicas”, onde dá para acrescentar álbuns. Ainda falta, porém, a sincronia offline.

Mais importante que isso é a descoberta de novas músicas. O Spotify confia muito no Facebook (houve uma época em que ele só funcionava atrelado à rede social nos EUA) e mistura indicações de amigos com recomendações do algoritmo em uma aba “Descobrir” que é tudo, menos organizada.

No Rdio, a tela inicial apresenta álbuns em alta na sua rede de contatos. O esquema de amizades é independente e assíncrono, como no Twitter. Seguir pessoas com gostos similares aos seus é a garantia de receber boas indicações — comigo sempre funcionou.

Abaixo de cada álbum aparecem fotos dos contatos que ouviram-no, e esses rostos conhecidos são poderosos para me levar à descoberta de novas músicas. Para mim, é onde o Rdio ganha de lavada: além de uma mecânica em geral melhor, por estar oficialmente há mais tempo no Brasil ele tem mais usuários, entre os quais muitos amigos e conhecidos em quem presto atenção na hora de procurar coisas novas (e boas!) para ouvir.

O Rdio ainda tem alguns mimos bacanas, como o modo Controle Remoto (que uso um bocado, já que ouço bastante música na TV enquanto trabalho no computador) e interfaces bem bonitas tanto na web quanto nos apps móveis.

Qualidade e acervo

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Screenshots do Rdio e Spotify, tocando HAIM, no iPhone.
Rdio e Spotify no iPhone.
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Para ouvidos destreinados com fones simples, as diferenças na qualidade do áudio entre Spotify e Rdio são irrelevantes.

O Spotify parece mais acertado tecnicamente. O serviço usa um sistema peer-to-peer (P2P) bastante engenhoso e confia em arquivos OGG de bitrate altíssimo para entregar a melhor qualidade possível da forma mais rápida. E é rápido mesmo, em muitos casos mais que o Rdio.

Só que essa diferença é mínima, incapaz de distanciar muito os dois serviços, e a qualidade sonora dos dois beira a equivalência. Neste teste publicado no Medium, a constatação foi de que ambos têm qualidade aceitável. O Spotify apresentou uma pequena vantagem, mas uma que, repetindo, a ouvidos menos sensíveis com fones abaixo da faixa dos US$ 100 não fará diferença.

Em termos de acervo, vez ou outra me deparo com algum buraco no Spotify ou no Rdio2. O abismo entre os dois é pequeno, pelo menos dentro do que costumo ouvir, e tende a encolher ainda mais. Ponto para o Spotify por permitir mesclar arquivos MP3 do próprio usuário às músicas do catálogo.

A música em si, o fim desses e outros serviços de streaming, caminha para a comoditização. O que sobra para eles se diferenciarem uns dos outros são detalhes, recursos, os facilitadores e pequenos agrados para usuários mais exigentes.

Ah sim, e preço.

O trunfo do Spotify: ser gratuito

Não é preciso pagar para usar o Spotify. Ele oferece um plano gratuito cheio de anúncios, gráficos e sonoros, além de músicas com qualidade levemente reduzida.

É tentador, especialmente em mercados onde pagar por música não é algo tão natural, como o nosso. Parece uma troca justa num primeiro momento: toda a música que você quiser de graça, com banners e uns spots comerciais a cada poucas canções.

Tem quem conviva com isso, mas convenhamos: é profundamente irritante, no meio de uma sessão legal, entrar um “Un Dos Tres!” estridente do Ricky Martin daquele comercial da Fiat. Ou algo fora do tom em uma playlist para quem está curtindo uma fossa.

O Deezer, que melhorou bastante (mas bastante mesmo!) seus apps desde que estreou no Brasil, também oferece um plano gratuito suportado por anúncios.

De qualquer forma, se você tem o mínimo de apreço por música e não está no perrengue para pagar o próximo aluguel, faça um esforço e arque com a mensalidade de um desses. Qualquer um.

Qualquer um? Sim, porque embora eles tenham particularidades e sejam melhores em um aspecto ou outro, no que interessa, ouvir música, todos são bem competentes. Em qualidade e acervo, Rdio, Spotify, Deezer, Xbox Music estão muito próximos. E como eles, mesmo os apenas pagos, oferecem períodos de degustação gratuitos, vale a pena fazer o teste. Não custa nada, literalmente, e permite ter uma noção do que você ganha e perde optando por cada um.

Ah, e bem-vindo ao Brasil, Spotify.

  1. Das coincidências da vida: algumas horas após fechar a edição deste post recebi o convite para usar o Spotify no e-mail que havia deixado na página brasileira do serviço há alguns meses.
  2. Nesse quase um mês usando os dois serviços alternadamente, só me deparei com uma lacuna: Sleigh Bells. O Spotify tem, o Rdio, não.

Windows 8.1 Update: outro passo para agradar quem usa teclado e mouse

O Windows 8.1 Update avança mais um pouco para fechar o círculo que começou com o Windows 8, avançou com o Windows 8.1 e caminha, com a volta do menu Iniciar e apps modernos em janelas flutuantes, para seu fechamento em breve — em outras palavras, para voltar ao local de onde saiu. Já disponível gratuitamente via download a todos os usuários do Windows 8 e 8.1, instalei a atualização aqui e mexi um pouco nela para contar o que, afinal, mudou.

Não fique decepcionado, mas se você sempre ignorou os apps modernos, não mudou nada. Mais detalhes a seguir. Continue lendo “Windows 8.1 Update: outro passo para agradar quem usa teclado e mouse”

Heartbleed: como o bug em um protocolo de segurança afeta você e seus dados

Falhas de segurança em sistemas computacionais são, infelizmente, comuns. Mesmo com todo o aparato técnico e organizacional de que dispomos para programar sistemas, o elo fraco (nós, humanos) ainda existe e por isso, como em tudo que tocamos, a programação também é suscetível a falhas.

Normalmente correções de bugs se limitam a ganhar uma linha no changelog de uma aplicação. São quase sempre ignoradas; se muito, xingadas por nos obrigar a instalar uma nova atualização — mais ainda quando é preciso reiniciar o sistema inteiro, né Windows? Só que, às vezes, uma falha é tão grave, tão impactante, que quebra algumas barreiras e chega até aos ouvidos de quem não se liga muito em tecnologia. Foi assim com o bug do milênio e parece que é o caso do Heartbleed, uma grave falha no OpenSSL divulgada essa semana por pesquisadores da Codenomicon e do Google.

O que é essa falha? Como ela te afeta? Por que está todo mundo tão preocupado com ela? Após ler um punhado de artigos sobre o assunto, este vai ao ar com a missão de responder essas perguntas da forma mais didática e completa possível.

O básico de criptografia, SSL e OpenSSL

Você já deve ter ouvido algum especialista em segurança dizendo para prestar atenção na barra de endereços do navegador quando estiver fazendo alguma transação via Internet. Nesses casos, ela deve apresentar um cadeado e ter um “https” no início do endereço, como nesta imagem:

Cadeado e https no acesso ao Gmail.
Este site é seguro!

Esses dois detalhes indicam sessões seguras, protegidas pelo protocolo SSL (Secure Socket Layer) ou TLS (Transport Layer Security). Esses dois criptografam a troca de dados entre cliente (você) e servidor (site, servidor de e-mail, bate-papo, VPN), o que impede que um terceiro leia o conteúdo que transita entre essas duas pontas. Ainda que ele consiga acesso aos dados, tudo o que esse cara terá nas mãos será um punhado de caracteres que não fazem sentido algum. Isso é, resumidamente, criptografia: sem as chaves que descriptografam o conteúdo, é impossível lê-lo.

SSL e TSL são usados desde a década de 1990 e padrões para aplicações sensíveis na Internet. Por “aplicações sensíveis”, leia-se qualquer informação que na posse de alguém mal intencionado consiga causar danos. Informações como senhas e números de cartão de crédito, por exemplo, e coisas mais triviais, como alguns sistemas de bate-papo baseados no protocolo XMPP e e-mails (protocolos SMTP, POP e IMAP).

Existem várias bibliotecas SSL/TLS usadas em servidores, todas com a mesma finalidade. O OpenSSL é uma das mais populares por ser aberto e gratuito — é aqui, aliás, nos bastidores da Internet que o software livre é largamente usado. Servidores populares, como Apache e nginx, que juntos respondem por 2/3 dos sites existentes, utilizam o OpenSSL. Qualquer problema nesse, pois, é automaticamente de grandes proporções. Serviços e sites pequenos e gigantes confiam no OpenSSL para blindar conexões seguras.

O que nos leva ao Heartbleed.

O que é o Heartbleed?

A falha descoberta no OpenSSL ganhou esse nome porque é explorada a partir de uma extensão chamada “hearbeat” (batimento cardíaco, em inglês): quando está se comunicando com um servidor via conexão segura, o cliente manda “batidas” constantes apenas para se certificar que a comunicação está ativa, que ela não caiu, e continuar trocando informações.

Com algum conhecimento, uma pessoa mal intencionada de olho em um servidor comprometido pela falha pode utilizar-se dessa extensão para obter respostas do servidor. A cada “batida”, ele consegue 64 Kb de informações — ocorre, pois, um vazamento de memória, um “sangramento no coração”. Parece e é, de fato, pouca coisa, mas o processo pode ser repetido indefinidamente e, com isso, formar porções mais suculentas de informações. Essas, que em um cenário ideal seriam indecifráveis, pelo Heartbleed chegam de forma bastante legível a quem as requisitou.

Com isso dá para pescar entre um monte de caracteres inúteis coisas valiosas, como as já mencionadas senhas e números de cartão de crédito. Existe, porém, algo ainda mais cobiçado: os certificados de segurança dos servidores.

Usando outra analogia, os certificados funcionam como se fossem as chaves para decifrar o conteúdo enviado pelo cliente (você) que fica embaralhado durante o transporte graças ao SSL/TLS. Quem explora o Heartbleed tem grandes chances de localizar o certificado naqueles blocos de 64 Kb. Esses pequenos pedaços de dados vêm da RAM, a memória volátil que o servidor (qualquer computador, na realidade) usa para alocar dados temporariamente, aqueles estão sendo usados no momento. Como um servidor que lida com senhas e informações sensíveis sempre recorre ao SSL/TLS, os certificados recorrentemente aparecem na RAM.

O certificado permite ler qualquer conteúdo interceptado no passado e que porventura venha a ser obtido futuramente, desde que as chaves criptográficas não sejam alteradas no servidor (mais sobre isso abaixo). Não só: ele também pode ser muito útil para scams, ataques em que um site falso se passa pelo original para obter dados dos usuários.

Como me protejo disso?

Os pesquisadores que identificaram o Heartbleed comunicaram o pessoal do OpenSSL antes de divulgar o problema. Isso deu tempo para desenvolver patches (correções) para as principais distribuições Linux. Espera-se, agora, que os serviços de hospedagem e grandes sites apliquem essa correção, como muitas já fizeram — o Yahoo, que ganhou destaque por ter vários logins e senhas de e-mail vazados logo após a divulgação da Heartbleed, afirma já ter tapado o buraco nos seus principais sites e que o trabalho em suas propriedades menores está em andamento.

E eu e você, o que podemos fazer? A princípio, quase nada. Depois que um dado site tiver sanado a falha, trocar a senha é uma boa ideia. Mas pode não ser suficiente, se alguém tiver obtido com sucesso aquele certificado. Aqui entra o segundo passo que os responsáveis por esses serviços que usam o OpenSSL deveriam tomar: atualizar os certificados. O problema? É um processo lento e, em muitos casos, custoso. Alguns analistas estimam que as consequências do Heartbleed reverberarão daqui a um ano…

Não dá para saber quando a falha no OpenSSL é explorada, o ataque não deixa rastros e é transparente para usuário e servidor. Pior: ela existe desde dezembro de 2011 e ninguém garante que tenha passado despercebida nesse meio tempo. Pensar no cenário mais grave é o ideal na hora de remediar casos graves como esse, mas nem sempre o comedimento ganha a queda de braço com o financeiro. É de se esperar que Facebook, Google e Yahoo, bem como serviços que provêm infraestrutura para outros, como Amazon e Heroku, façam todo o possível para evitar o pior, mas e a hospedagem de US$ 5/mês? E aquele site novo, semi-desconhecido, que cumpre uma função no seu trabalho ou para você mesmo?

É difícil abordar o assunto sem soar alarmista, embora talvez seja o caso. Ao The Verge, Nicholas Weaver, pesquisador de segurança da ICSI, disse que o Heartbleed “é catastroficamente ruim, simplesmente um bug incrivelmente danoso”. No blog do Tor Project, a recomendação é de que “se você precisa muito de anonimato ou privacidade na Internet, talvez seja desejável ficar completamente fora dela pelos próximos dias, até que as coisas se ajeitem”. Eles oferecem um navegador que se gaba de não deixar rastros de navegação.

Esta ferramenta indica, de forma nem sempre confiável (há falsos-positivos), que sites ainda não corrigiram o OpenSSL. O LastPass, um gerenciador de senhas, colocou no ar outra semelhante. Na nossa ponta, na condição de usuários, o máximo que dá para fazer é esperar e ter cautela relação aos sites que visitamos e como os acessamos.

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Os textos abaixo serviram de base para o que você leu acima e são úteis para aprofundar a leitura:

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