Spotify no Brasil: demorou, mas ele chegou (mais ou menos). Tarde demais?

O Spotify, serviço de streaming de músicas mais popular do planeta, há meses ensaia sua estreia no Brasil. Dependendo do ponto de vista (e do veículo de comunicação que você acompanha), dá para dizer que ele já chegou. É hora de abandonar as ofertas estabelecidas no Brasil e correr para o Spotify? Calma, muita calma nessa hora.

O Spotify já chegou oficialmente ao Brasil?

Aviso no site brasileiro do Spotify.
Spotify está chegando ao Brasil.

Resposta simples: sim.

Mas é um “sim” cheio de “poréns”. Quem entra no site oficial do Spotify hoje dá de cara com uma mensagem em letras garrafais dizendo “Spotify está chegando ao Brasil”, com um formulário para deixar seu e-mail e, em algum ponto futuro e não especificado, receber um convite para usar o serviço antes do lançamento oficial1. Sim, uma tática para gerar hype muito popular no longínquo ano de 2004, quando Orkut e Gmail eram também um clube semi-fechado, mas que ainda encontra adeptos dez anos depois.

Tenho uma conta lá faz alguns anos criada para usar o Spotify via VPN, uma forma de acesso que “engana” servidores. No caso, o Spotify achava que eu estava em um país onde ele já atuava — primeiro Inglaterra, depois Estados Unidos. Quando soube que o serviço estava operando por aqui em caráter de testes, bastou mandar um e-mail para o suporte (em português mesmo) solicitando a migração da conta. Em poucos minutos o meu Spotify ficou verde e amarelo, tornou-se acessível sem VPN e passou a aceitar pagamentos com meu cartão emitido no Brasil ou PayPal.

Spotify, agora num pretinho básico.
Novo Spotify para Windows.

Daquela época para agora, o Spotify mudou um pouco. A maior diferença é o cliente desktop, meio que uma exigência dadas as limitações do web. A nova versão, que apareceu dia desses, trouxe um visual negro bem mais refinado e, enfim, a possibilidade de salvar álbuns para acessá-los rapidamente, de um local específico, em vez de ter sempre que recorrer à busca ou criar playlists.

Tivesse sido lançado há uns dois anos, o Spotify seria uma escolha quase natural. Hoje, com Rdio, Deezer e Xbox Music brigando feio pela preferência do cliente, o cenário é outro. Como o Spotify se sai frente a esses concorrentes, principalmente o Rdio, que uso no dia a dia?

Spotify ou Rdio? Uma questão de abordagem

Assino o Rdio há uns bons anos e gosto muito do serviço. O que não me impediu, claro, de pagar uns trocados no Spotify para ver como ele está atualmente.

Aliás, já no pagamento nota-se uma aparente vantagem para o recém-chegado: ele é mais barato. Mesmo cobrando em dólar, na ponta do lápis os US$ 5,99 pelo plano mais completo, que inclui o uso de apps móveis, sai mais em conta que os R$ 14,90 do Rdio — uma diferença, feita a conversão com o dólar a R$ 2,19 (cotação de ontem) e acrescido o IOF (6,38%), de pouco mais de R$ 1. Ok, é de fato mais barato, mas a diferença é tão ínfima que outros fatores podem torná-la irrelevante. E para quem assina duas contas, a ausência de um plano familiar no Spotify, que existe no Rdio, acaba invertendo a pequena economia observada nos planos individuais.

Focando no plano individual, são esses “outros fatores” que complicam um pouco a situação do Spotify, ao menos para o meu perfil de uso. Ele tem uma pegada diferente em dois aspectos-chave: organização e descoberta de músicas.

O Spotify é todo sobre playlists. Se você quiser baixar músicas para ouvi-las desconectado da Internet, precisa criar uma playlist ainda que seja composta apenas por músicas de um mesmo álbum. Há uma obsessão por playlists que ignora outras formas de ouvir música, e uma delas em especial, o álbum completo, faz muita falta.

O Rdio também oferece playlists, mas dá mais atenção à organização por álbuns na Coleção. Curtiu um álbum, quer ouvi-lo mais vezes e tê-lo sempre à mão? Acrescente-o à Coleção e, opcionalmente, torne-o acessível offline. São dois cliques para cada ação, que é desencadeada em todos os dispositivos conectados à sua conta. Rápido e fácil, sem enrolação.

Organização por álbuns é central no Rdio.
Minha coleção no Rdio.

Não tenho muito saco para playlist e encaro muitos álbuns como trabalhos completos, fechados, que em certos casos merecem ser ouvidos de cabo a rabo. A nova interface do Spotify remedia esse defeito parcialmente: agora existe uma seção “Minhas músicas”, onde dá para acrescentar álbuns. Ainda falta, porém, a sincronia offline.

Mais importante que isso é a descoberta de novas músicas. O Spotify confia muito no Facebook (houve uma época em que ele só funcionava atrelado à rede social nos EUA) e mistura indicações de amigos com recomendações do algoritmo em uma aba “Descobrir” que é tudo, menos organizada.

No Rdio, a tela inicial apresenta álbuns em alta na sua rede de contatos. O esquema de amizades é independente e assíncrono, como no Twitter. Seguir pessoas com gostos similares aos seus é a garantia de receber boas indicações — comigo sempre funcionou.

Abaixo de cada álbum aparecem fotos dos contatos que ouviram-no, e esses rostos conhecidos são poderosos para me levar à descoberta de novas músicas. Para mim, é onde o Rdio ganha de lavada: além de uma mecânica em geral melhor, por estar oficialmente há mais tempo no Brasil ele tem mais usuários, entre os quais muitos amigos e conhecidos em quem presto atenção na hora de procurar coisas novas (e boas!) para ouvir.

O Rdio ainda tem alguns mimos bacanas, como o modo Controle Remoto (que uso um bocado, já que ouço bastante música na TV enquanto trabalho no computador) e interfaces bem bonitas tanto na web quanto nos apps móveis.

Qualidade e acervo

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Screenshots do Rdio e Spotify, tocando HAIM, no iPhone.
Rdio e Spotify no iPhone.
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Para ouvidos destreinados com fones simples, as diferenças na qualidade do áudio entre Spotify e Rdio são irrelevantes.

O Spotify parece mais acertado tecnicamente. O serviço usa um sistema peer-to-peer (P2P) bastante engenhoso e confia em arquivos OGG de bitrate altíssimo para entregar a melhor qualidade possível da forma mais rápida. E é rápido mesmo, em muitos casos mais que o Rdio.

Só que essa diferença é mínima, incapaz de distanciar muito os dois serviços, e a qualidade sonora dos dois beira a equivalência. Neste teste publicado no Medium, a constatação foi de que ambos têm qualidade aceitável. O Spotify apresentou uma pequena vantagem, mas uma que, repetindo, a ouvidos menos sensíveis com fones abaixo da faixa dos US$ 100 não fará diferença.

Em termos de acervo, vez ou outra me deparo com algum buraco no Spotify ou no Rdio2. O abismo entre os dois é pequeno, pelo menos dentro do que costumo ouvir, e tende a encolher ainda mais. Ponto para o Spotify por permitir mesclar arquivos MP3 do próprio usuário às músicas do catálogo.

A música em si, o fim desses e outros serviços de streaming, caminha para a comoditização. O que sobra para eles se diferenciarem uns dos outros são detalhes, recursos, os facilitadores e pequenos agrados para usuários mais exigentes.

Ah sim, e preço.

O trunfo do Spotify: ser gratuito

Não é preciso pagar para usar o Spotify. Ele oferece um plano gratuito cheio de anúncios, gráficos e sonoros, além de músicas com qualidade levemente reduzida.

É tentador, especialmente em mercados onde pagar por música não é algo tão natural, como o nosso. Parece uma troca justa num primeiro momento: toda a música que você quiser de graça, com banners e uns spots comerciais a cada poucas canções.

Tem quem conviva com isso, mas convenhamos: é profundamente irritante, no meio de uma sessão legal, entrar um “Un Dos Tres!” estridente do Ricky Martin daquele comercial da Fiat. Ou algo fora do tom em uma playlist para quem está curtindo uma fossa.

O Deezer, que melhorou bastante (mas bastante mesmo!) seus apps desde que estreou no Brasil, também oferece um plano gratuito suportado por anúncios.

De qualquer forma, se você tem o mínimo de apreço por música e não está no perrengue para pagar o próximo aluguel, faça um esforço e arque com a mensalidade de um desses. Qualquer um.

Qualquer um? Sim, porque embora eles tenham particularidades e sejam melhores em um aspecto ou outro, no que interessa, ouvir música, todos são bem competentes. Em qualidade e acervo, Rdio, Spotify, Deezer, Xbox Music estão muito próximos. E como eles, mesmo os apenas pagos, oferecem períodos de degustação gratuitos, vale a pena fazer o teste. Não custa nada, literalmente, e permite ter uma noção do que você ganha e perde optando por cada um.

Ah, e bem-vindo ao Brasil, Spotify.

  1. Das coincidências da vida: algumas horas após fechar a edição deste post recebi o convite para usar o Spotify no e-mail que havia deixado na página brasileira do serviço há alguns meses.
  2. Nesse quase um mês usando os dois serviços alternadamente, só me deparei com uma lacuna: Sleigh Bells. O Spotify tem, o Rdio, não.

Windows 8.1 Update: outro passo para agradar quem usa teclado e mouse

O Windows 8.1 Update avança mais um pouco para fechar o círculo que começou com o Windows 8, avançou com o Windows 8.1 e caminha, com a volta do menu Iniciar e apps modernos em janelas flutuantes, para seu fechamento em breve — em outras palavras, para voltar ao local de onde saiu. Já disponível gratuitamente via download a todos os usuários do Windows 8 e 8.1, instalei a atualização aqui e mexi um pouco nela para contar o que, afinal, mudou.

Não fique decepcionado, mas se você sempre ignorou os apps modernos, não mudou nada. Mais detalhes a seguir. Continue lendo “Windows 8.1 Update: outro passo para agradar quem usa teclado e mouse”

Heartbleed: como o bug em um protocolo de segurança afeta você e seus dados

Falhas de segurança em sistemas computacionais são, infelizmente, comuns. Mesmo com todo o aparato técnico e organizacional de que dispomos para programar sistemas, o elo fraco (nós, humanos) ainda existe e por isso, como em tudo que tocamos, a programação também é suscetível a falhas.

Normalmente correções de bugs se limitam a ganhar uma linha no changelog de uma aplicação. São quase sempre ignoradas; se muito, xingadas por nos obrigar a instalar uma nova atualização — mais ainda quando é preciso reiniciar o sistema inteiro, né Windows? Só que, às vezes, uma falha é tão grave, tão impactante, que quebra algumas barreiras e chega até aos ouvidos de quem não se liga muito em tecnologia. Foi assim com o bug do milênio e parece que é o caso do Heartbleed, uma grave falha no OpenSSL divulgada essa semana por pesquisadores da Codenomicon e do Google.

O que é essa falha? Como ela te afeta? Por que está todo mundo tão preocupado com ela? Após ler um punhado de artigos sobre o assunto, este vai ao ar com a missão de responder essas perguntas da forma mais didática e completa possível.

O básico de criptografia, SSL e OpenSSL

Você já deve ter ouvido algum especialista em segurança dizendo para prestar atenção na barra de endereços do navegador quando estiver fazendo alguma transação via Internet. Nesses casos, ela deve apresentar um cadeado e ter um “https” no início do endereço, como nesta imagem:

Cadeado e https no acesso ao Gmail.
Este site é seguro!

Esses dois detalhes indicam sessões seguras, protegidas pelo protocolo SSL (Secure Socket Layer) ou TLS (Transport Layer Security). Esses dois criptografam a troca de dados entre cliente (você) e servidor (site, servidor de e-mail, bate-papo, VPN), o que impede que um terceiro leia o conteúdo que transita entre essas duas pontas. Ainda que ele consiga acesso aos dados, tudo o que esse cara terá nas mãos será um punhado de caracteres que não fazem sentido algum. Isso é, resumidamente, criptografia: sem as chaves que descriptografam o conteúdo, é impossível lê-lo.

SSL e TSL são usados desde a década de 1990 e padrões para aplicações sensíveis na Internet. Por “aplicações sensíveis”, leia-se qualquer informação que na posse de alguém mal intencionado consiga causar danos. Informações como senhas e números de cartão de crédito, por exemplo, e coisas mais triviais, como alguns sistemas de bate-papo baseados no protocolo XMPP e e-mails (protocolos SMTP, POP e IMAP).

Existem várias bibliotecas SSL/TLS usadas em servidores, todas com a mesma finalidade. O OpenSSL é uma das mais populares por ser aberto e gratuito — é aqui, aliás, nos bastidores da Internet que o software livre é largamente usado. Servidores populares, como Apache e nginx, que juntos respondem por 2/3 dos sites existentes, utilizam o OpenSSL. Qualquer problema nesse, pois, é automaticamente de grandes proporções. Serviços e sites pequenos e gigantes confiam no OpenSSL para blindar conexões seguras.

O que nos leva ao Heartbleed.

O que é o Heartbleed?

A falha descoberta no OpenSSL ganhou esse nome porque é explorada a partir de uma extensão chamada “hearbeat” (batimento cardíaco, em inglês): quando está se comunicando com um servidor via conexão segura, o cliente manda “batidas” constantes apenas para se certificar que a comunicação está ativa, que ela não caiu, e continuar trocando informações.

Com algum conhecimento, uma pessoa mal intencionada de olho em um servidor comprometido pela falha pode utilizar-se dessa extensão para obter respostas do servidor. A cada “batida”, ele consegue 64 Kb de informações — ocorre, pois, um vazamento de memória, um “sangramento no coração”. Parece e é, de fato, pouca coisa, mas o processo pode ser repetido indefinidamente e, com isso, formar porções mais suculentas de informações. Essas, que em um cenário ideal seriam indecifráveis, pelo Heartbleed chegam de forma bastante legível a quem as requisitou.

Com isso dá para pescar entre um monte de caracteres inúteis coisas valiosas, como as já mencionadas senhas e números de cartão de crédito. Existe, porém, algo ainda mais cobiçado: os certificados de segurança dos servidores.

Usando outra analogia, os certificados funcionam como se fossem as chaves para decifrar o conteúdo enviado pelo cliente (você) que fica embaralhado durante o transporte graças ao SSL/TLS. Quem explora o Heartbleed tem grandes chances de localizar o certificado naqueles blocos de 64 Kb. Esses pequenos pedaços de dados vêm da RAM, a memória volátil que o servidor (qualquer computador, na realidade) usa para alocar dados temporariamente, aqueles estão sendo usados no momento. Como um servidor que lida com senhas e informações sensíveis sempre recorre ao SSL/TLS, os certificados recorrentemente aparecem na RAM.

O certificado permite ler qualquer conteúdo interceptado no passado e que porventura venha a ser obtido futuramente, desde que as chaves criptográficas não sejam alteradas no servidor (mais sobre isso abaixo). Não só: ele também pode ser muito útil para scams, ataques em que um site falso se passa pelo original para obter dados dos usuários.

Como me protejo disso?

Os pesquisadores que identificaram o Heartbleed comunicaram o pessoal do OpenSSL antes de divulgar o problema. Isso deu tempo para desenvolver patches (correções) para as principais distribuições Linux. Espera-se, agora, que os serviços de hospedagem e grandes sites apliquem essa correção, como muitas já fizeram — o Yahoo, que ganhou destaque por ter vários logins e senhas de e-mail vazados logo após a divulgação da Heartbleed, afirma já ter tapado o buraco nos seus principais sites e que o trabalho em suas propriedades menores está em andamento.

E eu e você, o que podemos fazer? A princípio, quase nada. Depois que um dado site tiver sanado a falha, trocar a senha é uma boa ideia. Mas pode não ser suficiente, se alguém tiver obtido com sucesso aquele certificado. Aqui entra o segundo passo que os responsáveis por esses serviços que usam o OpenSSL deveriam tomar: atualizar os certificados. O problema? É um processo lento e, em muitos casos, custoso. Alguns analistas estimam que as consequências do Heartbleed reverberarão daqui a um ano…

Não dá para saber quando a falha no OpenSSL é explorada, o ataque não deixa rastros e é transparente para usuário e servidor. Pior: ela existe desde dezembro de 2011 e ninguém garante que tenha passado despercebida nesse meio tempo. Pensar no cenário mais grave é o ideal na hora de remediar casos graves como esse, mas nem sempre o comedimento ganha a queda de braço com o financeiro. É de se esperar que Facebook, Google e Yahoo, bem como serviços que provêm infraestrutura para outros, como Amazon e Heroku, façam todo o possível para evitar o pior, mas e a hospedagem de US$ 5/mês? E aquele site novo, semi-desconhecido, que cumpre uma função no seu trabalho ou para você mesmo?

É difícil abordar o assunto sem soar alarmista, embora talvez seja o caso. Ao The Verge, Nicholas Weaver, pesquisador de segurança da ICSI, disse que o Heartbleed “é catastroficamente ruim, simplesmente um bug incrivelmente danoso”. No blog do Tor Project, a recomendação é de que “se você precisa muito de anonimato ou privacidade na Internet, talvez seja desejável ficar completamente fora dela pelos próximos dias, até que as coisas se ajeitem”. Eles oferecem um navegador que se gaba de não deixar rastros de navegação.

Esta ferramenta indica, de forma nem sempre confiável (há falsos-positivos), que sites ainda não corrigiram o OpenSSL. O LastPass, um gerenciador de senhas, colocou no ar outra semelhante. Na nossa ponta, na condição de usuários, o máximo que dá para fazer é esperar e ter cautela relação aos sites que visitamos e como os acessamos.

***

Os textos abaixo serviram de base para o que você leu acima e são úteis para aprofundar a leitura:

O fim do Windows XP: com o término do suporte estendido, Microsoft recomenda atualização

Fim do suporte ao Windows XP é hoje, 8 de abril.
Imagem: Microsoft.

Pouco mais de 12 anos depois de lançado, chega ao fim hoje, 8 de abril, o suporte ao Windows XP, sistema operacional da Microsoft que, segundo o StatCounter, está presente em mais de 18% de todos os computadores conectados à Internet. Por que demorou tanto para ele ser aposentado? Quais as saídas? Confira essas respostas.

O fim do suporte, que já foi adiado algumas vezes, significa o seguinte: daqui em diante, a Microsoft não oferecerá suporte de espécie alguma, nem disponibilizará atualizações de segurança para o Windows XP1. Na prática, quaisquer brechas ou falhas de segurança que forem encontradas serão exploradas sem que algo possa ser feito, dada a natureza fechada do sistema. Todas elas passam a ser potencialmente perigosas, potencialmente ataques do tipo dia zero.

Quem quiser continuar usando o sistema ou não puder migrar para uma versão mais recente não tem nada a temer num primeiro momento. Chegar ao fim do suporte não significa que o Windows XP magicamente deixará de funcionar; ele continuará rodando, só não terá mais atualizações. É um risco que se corre e que aumenta, gradualmente, com o passar do tempo.

O sucesso do Windows XP

Bliss, o wallpaper padrão do Windows XP.
Foto: Microsoft.

O Windows XP é largamente usado ainda hoje em muito pela sua versatilidade. Ele foi a primeira versão 32 bits do Windows destinada a usuários domésticos, o que na prática se traduz em um sistema mais robusto, menos suscetível a lentidões e à necessidade de reinicializações, coisas comuns até então, com os Windows 98 e Me. Antes, a arquitetura NT era reservada aos Windows para servidores.

O Windows XP também serviu de base para inúmeras variantes. Foi o primeiro da família a ganhar uma versão para processadores 64 bits, teve outra destinada a tablets, versões para sistemas embarcados (“embedded”), sem falar nas adaptações para mercados derivadas de determinações da justiça, como o Windows XP N e K para Europa e Coreia do Sul, respectivamente, que vinham sem o Windows Media Player.

Seu sucessor, o Windows Vista, foi mal recebido no início de 2006 devido à exigência de hardware muito avançado (e caro) para os padrões da época. Com a fama de “pesado”, o leve Windows XP continuou sendo vendido em paralelo e recebeu um gás extra alguns anos depois, devido a essa virtude, com a ascensão dos netbooks, notebooks menores com configurações bem tímidas. As vendas do Windows XP só cessaram em 22 de outubro de 2010, um ano após o lançamento do Windows 7.

O legado do Windows XP

Caixa automático com a tela de inicialização do Windows XP.
Foto: Nitzan Brumer/Flickr.

Estima-se que 95% dos caixas automáticos de bancos rodem o Windows XP. Na China, novamente de acordo com o StatCounter, 49% dos computadores rodam o Windows XP. No Brasil, ele ainda está instalado em 14% dos computadores. Não é difícil, andando por aí, encontrar vestígios do antigo sistema.

Nesse intervalo de 12 anos já foram lançadas três grandes atualizações pós-XP. A fama de sistema “pesado” ganha com o Vista se dissipou com o Windows 7, mas as mudanças drásticas de paradigmas trazidas pelo Windows 8 gerou receios similares a quem se mantém fiel ao Windows XP.

Embora, teoricamente, o fim do suporte não traga problemas em um primeiro momento, a atualização para alguma versão mais recente é altamente recomendada. Os novos Windows são mais rápidos, mais seguros e têm a garantia de atualizações da Microsoft — o suporte estendido ao Windows 7, por exemplo, vai até janeiro de 2020

Coincidentemente (ou não), no mesmo dia em que do Windows XP chega ao fim a Microsoft lança o Windows 8.1 Update, segunda atualização do Windows 8 com novidades que miram em agradar os usuários de teclado e mouse, em vez daqueles munidos de telas sensíveis a toques.

A versão anterior do sistema, o Windows 8.1, está à venda na loja da Microsoft a partir de R$ 410 e garante a atualização gratuita para a 8.1 Update. Outra saída, indicada pela empresa na página de apoio aos viúvos do XP, é trocar de computador.

Para mais informações:

  1. Existe uma exceção, um programa da Microsoft chamado Custom Support. Destinado a grandes clientes e (bem!) pago, empresas e organizações participantes desse programa receberão atualizações para o Windows XP nos próximos meses ou até anos.

[Review] Xperia C, o smartphone grandalhão e dual SIM da Sony

Em um mundo ideal todo mundo compraria e usaria smartphones topos de linha. Eles são mais rápidos, bonitos, telas deslumbrantes e câmeras que rivalizam com as dedicadas mais simples. Esse mundo ideal não existe, então as fabricantes “deterioram” seus melhores projetos para diminuir os preços e levar a maravilha do smartphone moderno a mais pessoas.

No caso da Sony, quem não pode bancar um Xperia Z1 tem, entre outras opções, o Xperia C. Por menos da metade do que custa o irmão mais caro, esse grandalhão desajeitado e que aceita dois SIM cards é capaz de deixar seu dono plenamente satisfeito? É o que descobriremos neste review. Continue lendo “[Review] Xperia C, o smartphone grandalhão e dual SIM da Sony”

Quem é você, leitor?

Multidão para o Global Day of Prayer, em West Ham, Inglaterra.
Foto: H/Flickr.

Quase todo site realiza pesquisas periódicas para conhecer melhor o público, com o Manual do Usuário não seria diferente. É uma necessidade para o braço comercial, aquele que permite às coisas continuarem funcionando de maneira sustentável, e de quebra acaba respingando no editorial também, dando apontamentos importantes para quem escreve (eu, no caso).

A primeira pesquisa do tipo no Manual do Usuário é rápida e praticamente indolor. Sete perguntas, todas as obrigatórias de múltipla escolha, e você não precisa se identificar. Responda ai, é importante:

A pesquisa terminou em 10 de abril, às 8h. Obrigado a todos que responderam!

Se tiver alguma dúvida, os comentários estão abertos.

Na Build 2014, a Microsoft oficializa o Windows Phone 8.1 e o Windows 8.1 Update

Todo ano a Microsoft, geralmente em San Francisco, organiza a Build, uma conferência para desenvolvedores que distribui brindes tentadores (desta vez, Xbox One e um vale-compras de US$ 500) e, mais importante, apresenta as novidades das próximas versões dos principais programas da casa.

Neste ano, as atenções foram divididas entre Windows Phone 8.1 e Windows 8.1 Update. O primeiro, o sistema para smartphones; o segundo, para tablets e PCs convencionais. Na sequência, os principais anúncios feitos na Build 2014.

Windows Phone 8.1: Cortana e melhorias há muito esperadas

Desde seu lançamento, em outubro de 2012, o Windows Phone 8 recebeu três atualizações tímidas — a última, Update 3 (ou Black, para os Lumias da Nokia), detalhada aqui. Embora todas essas três tenham trazido mudanças e novidades relevantes, o Windows Phone 8.1 oficializado ontem se distancia em muito das anteriores. É uma grande atualização, afinal.

O maior destaque, e o que ocupou mais tempo da (longa, mais de 3h) apresentação, foi a Cortana, assistente pessoal vinda diretamente da franquia de jogos Halo. Ela parece unir as melhores características da Siri (personalidade) com as do Google Now (eficiência, personalização e proatividade).

Durante as demonstrações das suas habilidades, tivemos alguns problemas — ela não conseguiu converter Celsius para Kelvin, por exemplo. Tudo bem, a Cortana é um produto em beta. Além de juntar o que a concorrência oferece de melhor, algumas sacadas, como o “bloco de notas” onde ela mantém registros de informações-chave para orientar seu trabalho de assistente, são muito boas.

Cortana, nova assistente pessoal do Windows Phone.
Cortana. Imagens: Microsoft.

Outra coisa da Cortana que chamou a atenção positivamente foi a integração com apps de terceiros. No palco, foi possível adicionar programas de TV ou começar a assisti-los, via Hulu, apenas dando comandos à assistente. O Skype também já contará com essa integração logo de cara. Ela aceita tanto a voz quanto texto como entrada de dados, e responde de acordo — se você digita algo, ela presume que esteja em um lugar onde o áudio não é a melhor opção e, então, responde com texto também.

O Windows Phone 8.1 trará papéis de parede para a tela inicial. Só que em vez de mudar o fundo, que continua preto, são os blocos dinâmicos que ficam transparentes. Tenho algumas ressalvas quanto a isso. Em fotos e vídeos, a legibilidade parece prejudicada e a imagem parada atrás quando se rola a página passa uma sensação de bagunça. Talvez ao vivo, com a imagem certa de fundo, fique melhor. A conferir, juntamente com a nova tela de bloqueio, com elementos dispostos em ângulos diferentes. Essa última parece legal já pelas demonstrações.

Screenshots com algumas novidades do Windows Phone 8.1.
Papel de parede, Central de Ações e teclado Word Flow. Imagens: Microsoft.

Mais uma novidade que não é exatamente novidade, mas que há muito era esperada é a Central de Ações — o nome vem de um recurso similar, porém bem menos prático, que estreou no Windows 7. Dali será possível (des)ativar funções do aparelho, como modo avião e Wi-Fi, sem precisar recorrer às configurações. As últimas notificações também aparecerão listadas logo abaixo.

E ainda tivemos o teclado Word Flow (não sei como ou se o nome será traduzido), agora com suporte a escrita deslizando os dedos, método “swipe”. Ele ganhou o título de teclado mais rápido do mundo do Guinness, anteriormente do Swype em um Galaxy S4, mas não parece nada diferente dos tantos teclados para Android que já contam com o método. O teclado do Windows Phone, que já era bacana sem isso, fica ainda melhor.

De resto, Wi-Fi Sense, que lembra suas senhas e permite compartilhar a conexão com outras pessoas sem revelá-las, sincronia na nuvem de um punhado de configurações do sistema, como já rola com o Windows, e inclusive entre Windows Phone e Windows quando for aplicável, suporte a telas externas via Miracast ou cabo USB, e apps melhorados/alterados.

O primeiro gostinho de Windows Phone 8.1 que teremos será com os Lumia 630 e Lumia 635, com lançamento previsto para maio. O primeiro terá uma variante dual SIM, algo inédito até então para o Windows Phone; o segundo, suporte a 4G LTE. Os preços variam de US$ 159/169 (Lumia 630) a US$ 189 (Lumia 635). Ambos usam botões virtuais, outra novidade no sistema móvel da Microsoft, e contam com a tecnologia SensorCore, um sensor de movimentos de baixa potência que, pela descrição da Nokia, lembra bastante o chip M7 do iPhone 5s.

Depois, em junho, é a vez do Lumia 930, novo topo de linha da Nokia. É meio que a versão internacional do Lumia Icon, belo smartphone lançado exclusivamente pela Verizon nos EUA. A única diferença, além das redes suportadas, está nas cores. Sai o preto e branco do Icon, entram novas opções coloridas no Lumia 930.

Os atuais aparelhos, todos eles, receberão o Windows Phone 8.1 no “inverno”, a partir do final de junho.

Windows 8.1: de volta às raízes

O Windows 8 foi um passo maior que a perna dado pela Microsoft. Precoce ou errado desde o começo, ele não conseguiu encantar o consumidor. Aos fiéis, acostumados a usar o sistema com teclado e mouse, sobraram frustrações com a interface direcionada a telas sensíveis. A quem se dispôs a comprar um tablet, por que apostar em uma plataforma nova, “verde”, quando outras mais maduras e estabelecidas estão disponíveis, por preços similares, quando não mais baratas?

O trem começou a voltar aos trilhos com o Windows 8.1, mas ainda faltavam mais mudanças, faltava mais amor a quem ainda não se arriscou a aposentar o mouse, ou nem pretende fazê-lo. O Windows 8.1 Update, estranho nome da próxima atualização, chega ainda mais rapidamente que a versão 8.1: em vez de esperarmos um ano, desta vez foram só quatro meses. Pouco tempo, mas o suficiente para a Microsoft fazer bastante coisa.

Desligar e pesquisar facilitados no Windows 8.1 Update.
Imagem: Microsoft.

A tela Inicial continua lá, só está mais amigável ao mouse. Agora, botões para desligar e pesquisar aparecem proeminentes na tela, no canto superior direito, ao lado da foto do usuário. O bloco de configurações é padrão e fica mais à vista do que escondido nas configurações da Charm Bar.

Menus de contexto na tela Inicial do Windows 8.1 Update.
Imagem: Microsoft.

A mudança mais drástica na tela Inicial aparece ao se clicar com o botão direito do mouse em um bloco: menus de contexto! Parece mais prático, sem dúvida, mas isso gera uma inconsistência enorme com os apps modernos, que não oferecem esse mecanismo de controle — neles, um clique com o botão direito abre a barra inferior ou superior. Meio estranho esse comportamento, e apenas reforça a dificuldade que é manter dois paradigmas de uso embaixo do mesmo teto.

Isso tudo vale só para computadores com teclado e mouse. O Windows (com uma ajudinha das fabricantes) é esperto e sabe o tipo de equipamento em uso. Para quem tem um tablet, essas e outras mudanças, como a barra de título nos apps modernos, com menu geral e botões de minimizar e fechar, não serão sentidas.

Outra novidade exclusiva para os usuários de teclado e mouse é a inicialização direta na Área de trabalho clássica. Isso, somado à nova barra de tarefas (no rodapé da tela) persistente mesmo em apps modernos, pode ser um prego no caixão da tela Inicial. Se para quem usa e depende de apps clássicos as visitas àquela tela cheia de blocos dinâmicos e coloridos já eram raras, as mudanças no Windows 8.1 Update devem acabar com elas. A barra de tarefas fica oculta, mas pode ser chamada em qualquer ponto do sistema. Exibe apps modernos abertos, inclusive com suporte a miniaturas e comandos nelas, bem como apps afixados pelo usuário — o da Loja do Windows, aliás, vem ali por padrão.

Barra de tarefas everywhere.
Imagem: Gizmodo.

A pesquisa do sistema, potencializada pelo Bing, agora exibe apps da Loja que não estão instalados mas que têm algo a ver com o termo pesquisado. Após a instalação de um app novo, a visualização de todos os apps destaca os recém-chegados. No Windows 8.1 era difícil separar o novo do antigo e com essa simples mudança fica mais fácil fazer a distinção.

Uma novidade importante, mas que não será sentida por quem já tem seus equipamentos, é a dieta na qual a Microsoft submeteu o Windows. Paul Thurrott diz que esse esforço, conhecido internamente como 116 (de 1 GB de RAM, 16 GB de espaço) inclui mais de 200 otimizações para permitir que o Windows rode em configurações fracas — e consequentemente, baratas. O objetivo, aqui, é conter o avanço de tablets Android e notebooks com Chrome OS. E isso, somado à gratuidade do Windows para dispositivos com telas menores que 9 polegadas, outro anúncio feito nesta Build, pode ser uma combinação decisiva para fabricantes e consumidores em potencial. Além do Windows nessa configuração, o Windows Phone também tornou-se gratuito — já tínhamos visto indícios disso na Índia.

O Windows 8.1 Update será lançado no dia 8 de abril através da Loja do Windows. Será, como ocorreu com a atualização anterior, gratuito.

Um vislumbre do futuro

Não contente em falar tudo o que pretende lançar nos próximos meses, a Microsoft ainda deixou promessas, aparentemente encaminhadas, do que virá a seguir.

novo Menu Iniciar e apps modernos rodando em janelas.
Foto: The Register.

O menu Iniciar voltará, com uma abordagem híbrida: de um lado, os apps mais usados, como era até o Windows 7; do outro, os blocos dinâmicos do Windows 8. A empresa não disse quando ou em que versão esse menu fará sua estreia, mas o prometeu para breve. Na mesma tela, outra novidade surpreendente: apps modernos rodando em janelas. E assim se completará a viagem em círculo do Windows 7 até essa futura versão que deixará tudo como era antes.

O Office, que recentemente ganhou uma boa versão para iPad, será refeito. O mesmo app rodará em computadores, tablets e smartphones, cortesia dos apps universais para Windows. Demorou, mas enfim desenvolvedores poderão criar um app apenas para Windows e Windows Phone, podendo inclusive cobrar uma única vez do usuário. As interfaces serão adaptáveis e cada plataforma poderá ter código e convenções visuais próprias. Desenvolvimento é uma área nebulosa para mim, mas as reações da plateia e de analistas foram positivas, sinal de que a Microsoft fez o dever de casa corretamente.

Você lerá por aqui análises de ambas as atualizações. O objetivo deste post, agora, era mais apresentar o que vem por aí. Parecem coisas boas, embora tenha sentido falta de novidades, no sentido estrito da palavra. O Windows Phone ainda corre para se equiparar aos concorrentes, o Windows, para resolver os erros das versões anteriores. Gasta-se muita energia para adequar os sistemas ao que o usuário quer ou espera, logo é natural que faltem braços, tempo e energia para inovar. De tudo o que foi anunciado nessa Build, a Cortana parece a coisa mais legal (e com potencial!). Enfim, melhor esperar esses produtos chegarem ao mercado para falar melhor deles.

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