Por que o SkyDrive mudará de nome, para OneDrive, e outros casos similares

OneDrive, novo nome/marca do SkyDrive.
Imagem: Microsoft/Reprodução.

Quem usa o SkyDrive para guardar, acessar e sincronizar arquivos na nuvem terá um trabalho extra em breve. O nome do serviço da Microsoft mudará para OneDrive. Não é o primeiro caso do tipo. Por que essas coisas acontecem?

O SkyDrive é antigo. Ele foi lançado em agosto de 2007 como parte da família de softwares e serviços web Windows Live e, no começo, era apenas um disco virtual: não havia sincronia, nem clientes desktop ou para dispositivos móveis. Você mandava um arquivo e podia baixá-lo ou compartilhar o link com outras pessoas.

A evolução do SkyDrive, aliás, é uma das muitas histórias de conflitos, redundâncias e confusões nas linhas de produtos da Microsoft. A certa altura, ele conviveu com outros dois aplicativos com funções similares e, em alguns casos, replicadas.

Tínhamos o Windows Live Sync (antes, FolderShare) para sincronizar arquivos entre PCs (sem hospedagem online, na nuvem), mais o Live Mesh, que prometia ser uma camada de comunicação e armazenamento de dados na nuvem para aplicativos Windows. Quase um avô do Dropbox e iCloud que fracassou e que, quase como efeito colateral, também servia para guardar e sincronizar arquivos via Internet.

Com o tempo baixou o bom senso em alguém na Microsoft e todos esses deixaram de existir, sobrando apenas o SkyDrive (que perdeu o “Windows Live” do nome) como a solução tudo-em-um para arquivos e dados do usuário na nuvem. Mas demorou, viu!

A Microsoft foi obrigada a alterar o nome do SkyDrive depois de perder a briga pela marca “Sky” na justiça inglesa para a British Sky Broadcasting Group, que a detém. Como não chegaram a um acordo, a única saída para evitar multas milionárias e outras consequências pesadas foi acionar o pessoal do marketing e bolar um novo nome.

OneDrive soa legal, então espero que ele não leve a Microsoft a outra disputa judicial similar. Afinal, como reparou Brian Barret, do Gizmodo, existe um punhado de empresas e instituições que usam “One” em suas identidades.

Reincidência

Lançar um produto global é uma tarefa árdua. É preciso se garantir, verificar em cada país se o nome a ser adotado já está registrado e prever traduções… indesejadas. Parece bobagem, mas imagine se tivéssemos por aqui um “Windows Frango”? Foi o que aconteceu com o Vista na Lituânia.

Os casos envolvendo disputas judiciais são menos engraçados. A Microsoft não tem feito muito bem o dever de casa; a situação tensa envolvendo o Sky/OneDrive é a segunda de grandes proporções nos últimos anos.

Quando despontou no Zune HD, a linguagem visual Metro caiu rapidamente nas graças do público. “Metro” virou um nome fácil na boca de quem acompanha notícias de tecnologia, uma palavrinha mágica que remetia a telas bem desenhadas, com tipografia elegante, muito espaço para respirar. Bom gosto de modo geral.

Se o público gosta, vamos dar mais disso a ele, certo? Pode ter certeza que esse era o desejo da Microsoft. Mas não rolou. “Metro” calhou de já ser uma marca registrada por uma rede de supermercados alemã, a Metro AG. A Microsoft não só parou de usar o nome em seu material de divulgação como orientou desenvolvedores a evitarem seu uso em apps para não terem (desenvolvedores e ela própria) dor de cabeça.

Outras empresas também já tiveram que trocar nomes de produtos

Para não soar injusto, esse tipo de descuido não é exclusividade da Microsoft. O Firefox surgiu com o nome Phoenix. Aí aconteceu que… sim, você adivinhou: ele já estava registrado pela Phoenix Technologies, uma empresa que fabrica(va?) BIOS para computadores.

A grande surpresa, pois, foi descobrir que o novo nome adotado então, Firebird, também não estava disponível — ele já era usado por um banco de dados open source. Felizmente a adoção do nome Firefox, que até onde se sabe nunca foi reclamado, veio antes do lançamento da versão 1.0. Pouca gente conhece essa história e a Mozilla deve agradecer até hoje o fato desses problemas terminológicos terem surgido tão cedo.

Outro caso popular é o do iPhone. Quando Steve Jobs anunciou o smartphone da Apple, a marca “iPhone” era de propriedade da Cisco. O livro Inside Apple conta essa história, que envolve telefonemas de Jobs a Charles Giancarlo, executivo da Cisco, em horários e datas inoportunas, além de interpretações bem abrangentes das leis de proteção de direitos autorais.

No fim das contas Apple e Cisco entraram em um acordo de cooperação mútua em áreas de interesse comum. Mal sabia Jobs que cinco anos depois uma certa empresa brasileira daria o mesmo tipo de trabalho para os advogados da Apple…

Cadê o OneDrive?

O OneDrive ainda não foi lançado. No grosso, ele será parecido com o SkyDrive, mas aproveitando a ocasião, a Microsoft deve fazer algumas mexidas para atrair novos usuários.

Dentre as já sabidas via vazamentos, estão a volta da co-propriedade em pastas compartilhadas e a oferta de espaço gratuito extra para quem convidar amigos e habilitar o backup automático de fotos com os apps móveis.

OneDrive, OneNote, Xbox One, One Microsoft… Uma simples coincidência ou em breve o Outlook.com (que, sim, tem esse “.com” no nome) virará OneMail? Dado o histórico, eu não duvidaria.

[Review] Lumia 1020, que bela câmera você tem

Quando o 808 Pureview foi lançado a Nokia já tinha em seu portfólio aparelhos rodando Windows Phone. Dizem nos bastidores que a primeira câmera de 41 mega pixels em um smartphone saiu com o Symbian, na ocasião já condenado pelo CEO Stephen Elop, porque o projeto era antigo, fora iniciado antes do acordo com a Microsoft e, portanto, otimizado para aquele combalido sistema.

Claro que era questão de tempo, dado o comprometimento da Nokia com a Microsoft, para que a mesma tecnologia migrasse para um Windows Phone. Tivemos um teaser com o Lumia 920, equipado com uma câmera também chamada Pureview, mas com “apenas” 8 mega pixels. O que todos esperavam, mesmo, era o Lumia 1020.

O número de mega pixels impressiona, são 41, mas ele se traduz em fotos realmente boas? Venha comigo e descubra. Continue lendo “[Review] Lumia 1020, que bela câmera você tem”

Para voltar a ter lucro, Sony vende divisão de PCs, remaneja a de TVs e anuncia demissões e cortes

Vaio Fit 11A, um dos últimos Vaio sob as asas da Sony.
Foto: Sony/Reprodução.

Admirada por Steve Jobs e sinônimo de computadores e notebooks de qualidade para muita gente, a linha Vaio1, da Sony, com quase 20 anos de tradição, foi vendida. O anúncio, que já era esperado, foi feito pelo CEO Kaz Hirai durante a apresentação dos resultados financeiros do último trimestre do ano fiscal de 2013.

A divisão de PCs da Sony foi vendida para o Japan Industrial Partners (JIP), um grupo de investimentos japonês. O comunicado à imprensa informa que a conclusão do negócio ocorrerá em março próximo, que a Sony terá 5% de participação na nova empresa e dá outros detalhes da transição.

Segundo o documento, com a transferência da Vaio para o JIP a Sony “deixará de planejar, projetar e desenvolver produtos PC. Fabricação e vendas também serão encerradas depois que a linha [de equipamentos] da primavera de 2014 [incluindo o Fit 11A, da imagem acima] for lançada globalmente”. As garantias dos equipamentos vendidos recentemente serão honradas.

De 250 a 300 funcionários da Sony serão movidos para a nova empresa que nascerá da venda para a JIP. Ela terá sua sede em Nagano, mesmo local onde fica, atualmente, o quartel-general da Vaio. Inicialmente, a nova companhia se dedicará ao mercado japonês, com a possibilidade de expansão, no futuro, para outros países.

Por que a Sony se desfez da linha Vaio?

A Sony resolveu vender a divisão de PCs por uma questão de foco e rentabilidade. No comunicado, a empresa diz que passará a concentrar seus esforços no desenvolvimento de produtos Pós-PC, nominalmente tablets e smartphones, que apresentaram “melhorias significativas na lucratividade”, além das elogiadas câmeras fotográficas e no PlayStation.

Vender computadores, hoje, é uma tarefa quase ingrata. Não foi por capricho que a Dell voltou a ser uma empresa privada, ou que a HP flertou seriamente com a descontinuação da sua divisão de PCs. Além da estagnação na demanda, a lucratividade tem caído nos últimos anos. Estima-se, hoje, que cada notebook vendido gere algo entre 2% e 3% de lucro.

Para piorar, diferentemente de tablets e smartphones, computadores tradicionais caem no que Charles Arthur chama de “armadilha de valor”: é difícil fazer dinheiro com esses equipamentos depois que eles são saem das lojas. Ao longo dos anos as fabricantes têm tentado, sem sucesso, explorar essa via com a oferta de software pré-instalado e serviços — por isso a maioria dos computadores Windows vir atulhada de bloatware. Como qualquer um que já teve que lidar com esses computadores sabe, não é uma estratégia agradável e, do ponto de vista comercial, é uma de resultados pífios.

Demissões e mudanças também na divisão de TVs

Outra marca conhecida da Sony passará por profundas mudanças: a linha de TVs Bravia. Em julho, a operação será separada da empresa principal e transformada em uma subsidiária — totalmente controlada pela Sony. Ao longo do ano a Sony aumentará a proporção de TVs 4K em seu portifólio e, em mercados emergentes, lançará mais modelos adequados às condições locais — medo do que pode sobrar para nós.

O comunicado à imprensa revela ainda que, no ano fiscal de 2013 (que termina em março de 2014), a previsão é de que a Sony tenha prejuízo de US$ 1,1 bilhão. Há cerca de um mês as previsões eram bem mais otimistas: lucro de cerca de US$ 300 milhões.

Além da venda da linha Vaio e da separação da Bravia, outras medidas da Sony para voltar a lucrar incluem corte de custos fixos no valor aproximado de US$ 988 milhões e a demissão de 5000 funcionários — 1500 deles no Japão.

  1. Vaio era, originalmente, um acrônimo para Video Audio Integrated Operation. Em 2008 o significado mudou para Visual Audio Intelligent Organizer.

[Review Rápido] Galaxy S 4 Zoom, câmera e smartphone em um só aparelho

Na busca pela melhor câmera em um smartphone, diversas abordagens, técnicas e soluções criativas são colocadas em prática visando obter os melhores resultados possíveis no apertado espaço que os finíssimos aparelhos atuais trazem. Com o Galaxy S 4 Zoom, a Samsung teve uma sacada pouco usual: ela ignorou essa limitação física, chutou o pau da barraca e em vez de espremer uma câmera em um smartphone, colocou um smartphone no corpo de uma câmera.

Mais um exemplar da aparentemente infinita linha de smartphones Galaxy, o Galaxy S 4 Zoom, dependendo (literalmente) do ponto de vista, parece mais uma câmera do que um celular. Ele é grosso, tem 2,5 cm de espessura com a lente retraída, detalhe que o deixa estranho e desconfortável em inúmeras situações. A perda em ergonomia é compensada por fotos incríveis? É o que veremos neste review rápido. Continue lendo “[Review Rápido] Galaxy S 4 Zoom, câmera e smartphone em um só aparelho”

Quem é Satya Nadella, o novo CEO da Microsoft?

Satya Nadella, o novo CEO da Microsoft.
Foto: Microsoft/Reprodução.

Em agosto do ano passado a Microsoft abriu a temporada de caça a um novo CEO. Steve Ballmer, no posto havia quase 13 anos, sairia do cargo em algum ponto dos 12 meses seguintes. Hoje cedo, bem antes do que todos imaginavam, a Microsoft anunciou seu novo líder: Satya Nadella.

Nadella não é muito conhecido junto ao grande público. Até entre acionistas e outros círculos que acompanham e se preocupam com a Microsoft, seu nome não é (ou não era) facilmente associado à sua pessoa. Quem é, afinal, o novo CEO da Microsoft?

Quem é Satya Nadella?

Nascido na Índia em 1967, casado e pai de três filhos, Nadella é formado em engenharia elétrica e tem mestrado em ciência da computação — alguém da área da tecnologia, e não de vendas, volta a estar à frente da Microsoft.

Fã de poesia e apaixonado por cricket, dizem nos bastidores que ele é um profissional colaborativo, estável e que emana simpatia dos seus comandados, características importantes em ambientes tão competitivo e, consequentemente, estressante como devem ser os corredores da Microsoft, ótimas para reter talentos.

O novo CEO da Microsoft entrou na empresa em 1992 vindo de uma breve passagem pela Sun Microsystems. Nesses mais de 20 anos esteve envolvido em vários projetos lá dentro, a maioria com foco corporativo.

Até ontem Nadella era vice-presidente da divisão de nuvem e empresas da Microsoft. A transição para a nuvem, com produtos como o Windows Azure, ofertas corporativas e a infraestrutura de serviços enormes, como Xbox, Bing e Office, é atribuída a ele. A divisão que lidera não é de ganhar manchetes, mas tem sido uma das mais rentáveis da Microsoft nos últimos anos.

Satya Nadella assume o cargo de CEO da Microsoft em um momento delicado. O Windows tem perdido relevância, puxado pelo declínio nas vendas de computadores tradicionais e a ascensão (em vendas e preferência dos consumidores) de dispositivos móveis. Paralelamente, a empresa luta para ganhar espaço nesses mercados que minam seu produto carro-chefe, segmentos que há cinco anos ainda eram embrionários ou sequer existiam, como nos de smartphones e tablets.

Além de levantar a bola da face voltada ao mercado de consumo, outros desafios do novo CEO, talvez até mais imediatos, são dar continuidade ao grande plano de reestruturação da Microsoft, anunciado por Ballmer em meados do ano passado, e acomodar a Nokia, comprada por US$ 7,2 bilhões em setembro último, na estrutura da empresa.

Não são esperadas mudanças drásticas, pelo menos a princípio, na gestão de Nadella. No e-mail que enviou aos funcionários da Microsoft, ele disse que está ali pelo mesmo motivo que, ele acredita, levou a maioria dos funcionários a entrarem lá: “mudar o mundo através da tecnologia que dê poder às pessoas para que elas façam coisas incríveis”. O e-mail traz alguns insights bons sobre a visão que ele tem da tecnologia e quais caminhos a Microsoft deve seguir a longo prazo.

Gates retorna, Ballmer vai para o conselho

Os homens fortes da Microsoft.
John Thompson e os três CEOs que a Microsoft já teve. Foto: Microsoft/Reprodução.

A dança das cadeiras afetou outras pessoas do alto escalão da Microsoft. Como Nadella assume imediatamente a função, Ballmer cai fora — agora ele é membro do Conselho de Diretores.

Bill Gates, até então membro e chairman do Conselho, ganhou um novo título: Conselheiro de Tecnologia. Ele passará mais tempo na Microsoft, nas palavras do comunicado à imprensa, “ajudando Nadella a moldar a tecnologia e o direcionamento de produtos”. A cadeira de presidente do Conselho fica para John Thompson.

Para se aprofundar no assunto:

O Paper é como o Facebook deveria ser: bonito, direto e informativo

Na véspera de completar 10 anos1 o Facebook liberou um novo app para iPhone chamado Paper. Com uma apresentação de cair o queixo e apostando na mistura do conteúdo gerado pelos seus amigos ao de curadorias especializadas, ele talvez seja um pequeno vislumbre do que será a rede social amanhã.

O melhor jornal personalizado do mundo

Paper, o novo app do Facebook.

O app do Facebook para smartphones nunca foi um exemplo de design, nem a personificação de boas práticas de desenvolvimento. Na tentativa de replicar em telas pequenas tudo o que pode ser visto na web, criou-se um espaço caótico — e a presença de anúncios só piora essa sensação.

O Paper consolida o desejo de Mark Zuckerberg de transformar o Facebook no “melhor jornal personalizado do mundo.” O app, por ora exclusivo para iPhone, lembra muito agregadores de artigos como o Flipboard e o Pulse, e consegue, com animações suaves, gestos espertos e eliminando distrações, botar ordem naquele caos. Ele conserva, além do Feed de Notícias, algumas outras áreas da rede, como notificações e perfis, embora não dê tanta ênfase a elas. Eventos, jogos e algumas outras ficam de fora.

O Feed de Notícias, no Paper, é um dos “cadernos”, ou seções que você pode acrescentar à sua lista de interesses. A semelhança a um jornal não parece ser acidental: ao abrir o app pela primeira vez, depois de passar pela bela introdução guiada (uma voz feminina o ensina a usar o app), pode-se escolher entre vários cadernos, ou editorias, para receber conteúdo.

Com exceção do Feed de Notícias, as demais seções são mantidas por editores profissionais contratados pelo Facebook. Elas são bem variadas e não visam prender o usuário dentro do ecossistema do Facebook, uma abordagem meio estranha dado o histórico claustrofóbico da rede. Não que eu esteja reclamando, longe disso. Outro efeito colateral dessa intereferência humana é o aumento da serendipidade, aquelas descobertas gostosas de textos, fotos e outros conteúdos agradáveis em momentos inesperados.

O design brilhante do Paper aponta para um futuro repleto de apps

Ainda é cedo para dizer se a curadoria, somada ao trabalho dos seus amigos e dos algoritmos do Facebook serão suficientes para fazer o usuário médio recorrer ao Paper como nossos pais abriam o jornal impresso à mesa do café da manhã. Mas uma coisa é segura de dizer: temos aqui um exemplo de app bem feito.

Diferentemente dos outros apps do Facebook, o Paper foi concebido no Creative Labs, um novo grupo restrito criado dentro da empresa para dar flexibilidade e dinamismo a novos projetos. O do Paper foi encabeçado por Chris Cox, VP de Produtos do Facebook, e conduzido por Mike Matas, que coleciona trabalhos magníficos em design e teve sua empresa, a Push Pop Press, comprada pela rede social em 2011.

Existem algumas diferenças pontuais entre o Paper e o que se esperaria de algo com a marca Facebook, começando pela ausência daquela azul característico do site. A estética do Paper é mais refinada.

[insert]Paper: um belo app.[/insert]

O app usa fotos em tela cheia, tipografia acertada e animações suaves para apresentar o conteúdo. Fotos grandes são manuseadas inclinado o iPhone para as laterais. Há menos botões e mais gestos, todos bem intuitivos. A navegação é horizontal, a rolagem vertical é reservada para a exibição de conteúdo. Quando se abre uma página web, aliás, ela ocupa a tela inteira, sem molduras. A tela de edição de “histórias” também ganhou atenção especial, é bem mais atraente que a sua contraparte no app principal do Facebook.

No geral, o Paper se parece com o Facebook Home do Android, só que mais refinado e menos ambicioso — ele não tenta mudar o jeito que você usa o smartphone, apenas oferece um outlet extra mais bonito e com boas fontes para quem deseja se manter informado.

Há muito em gestação, o Paper chega no momento em que o Facebook anseia por diversificar sua presença no espaço móvel2. Na última conferência com investidores Zuckerberg disse que em 2014 veremos mais apps dedicados a funções isoladas do Facebook. O novo e redesenhado Messenger foi o primeiro dessa safra, o Paper, o segundo. Se os próximos apps seguirem esse padrão de qualidade e foco, será cada vez mais difícil se livrar das garras do Facebook.

O Paper é gratuito e está disponível para iPhone (no mínimo iOS 7) apenas na App Store dos EUA.

  1. Pois é, 10 anos! Para celebrar, o Facebook criou um vídeo personalizado de um minuto para cada usuário da rede, mostrando as fotos mais curtidas, as primeiras e algumas aleatórias dos últimos anos. Clique aqui para ver o seu. Eu gostei um bocado do meu!
  2. É na palma da mão que o dinheiro se encontra. No último relatório fiscal referente ao quarto trimestre de 2013, o Facebook anunciou que 53% do faturamento veio de dispositivos móveis. O Paper ainda não exibe anúncios, mas deve ser questão de tempo até eles aparecerem no app.

O que muda com a compra da Motorola pela Lenovo

K900, o smartphone topo de linha da Lenovo.
Foto: Lenovo/Reprodução.

Semana passada tivemos a Campus Party, vimos Rudy Huyn ser convocado pelo Tinder para criar o app oficial da rede para o Windows Phone, o início das vendas do Nexus 5 no Brasil (e que caro!), o novo nome do SkyDrive (OneDrive?), o anúncio do Paper (o do Facebook, não o da FiftyThree)… quanta coisa!

Nada disso superou o susto que foi a compra da Motorola Mobility pela Lenovo. Por US$ 2,91 bilhões os chineses levaram-na do Google e deixaram todos surpresos. Havia indícios de que algo do tipo aconteceria, mas justo a Motorola? Ninguém esperava.

O valor é bem menor que os US$ 12,5 bilhões que o Google, ex-dono da Motorola, pagou há menos de três anos. A diferença se deve ao fato de que apenas uma parte foi vendida, a de dispositivos móveis. Antes disso o Google já havia se desfeito da unidade de set-top boxes por US$ 2 bilhões e na negociação com a Lenovo ficou de fora boa parte do valioso portifólio de patentes da Motorola.

O negócio, aliás, espanta quaisquer dúvidas que porventura existissem sobre os motivos da compra da Motorola pelo Google. Eram as patentes mesmo, uma arma de defesa e ataque contra Apple e Microsoft que, no fim das contas, embora ainda hoje importante, acabou subutilizada pela diminuição da tensão na guerra fria das patentes.

Os bons frutos de uma relação estranha

A Motorola enquanto uma empresa Google conseguiu se reinventar e provar um ponto importante. Moto X e Moto G foram aclamados por público e crítica e mostraram à concorrência como se fazem smartphones bons, bonitos e baratos. Ideias simples, como usar uma variante limpa do Android e apostar em otimização em vez de processamento bruto, são pequenos detalhes que mostraram, na prática, que os anseios dos usuários mais entendidos tinham algum fundamento. E, importante, sem perder em cada venda, como acontece com a linha Nexus — ainda que não tenha lucrado ou vendido o bastante para impedir sucessivos trimestres no vermelho.

Por melhores que sejam, porém, os novos smartphones da Motorola-Google se posicionam de maneira estranha no mercado. Com a aquisição da Motorola, o Google passou a concorrer com seus parceiros. Samsung, LG, Sony, HTC, todos que confiam no Android em seus equipamentos viram com desconfiança esse affair, uma estratégia que não combina com o modelo de negócios do Android e colocava o Google em uma disputa acirrada (e arriscada) num segmento onde as margens de lucro caem cada vez mais e pouca gente faz dinheiro de verdade. Como disse o CEO Larry Page no anúncio oficial, “(…) para prosperar [no mercado de smartphones], ajuda dedicar-se totalmente à fabricação de dispositivos móveis”.

A Lenovo leva, com a aquisição, a marca Motorola e derivadas (Moto X, Moto G, Droid), o CEO Dennis Woodside e todo o pessoal da empresa, 2000 ativos intangíveis e um acordo de licenciamento das patentes, que continuam sob o domínio do Google para defender o sistema de ataques da concorrência. A promessa do Presidente da Lenovo na América do Norte é manter o que quer que esteja em desenvolvimento na Motorola.

Como será a Motorola da Lenovo

Vi muita gente preocupada e até transtornada com a venda. Calma! Acho que não é para tanto. O histórico da Lenovo, pelo menos, é animador: em 2005 comprou a divisão de PCs domésticos da IBM por US$ 1,25 bilhão e, hoje, é a maior fabricante de computadores domésticos do mundo. Há duas semanas adquiriu, também da IBM, sua divisão de servidores de entrada por US$ 2,3 bilhões. E ano passado, levou a brasileira CCE por US$ 300 milhões.

Eles não são conhecidos por aqui, mas os smartphones da Lenovo existem e são populares na China, terra natal da companhia e o maior mercado em potencial do mundo. Lá, eles só ficam atrás dos da Samsung em distribuição.

Dependendo da consultoria a Lenovo já figura, sozinha, em terceiro lugar no ranking de smartphones. Agregar os números da Motorola não ajuda muito a se aproximar de Apple e Samsung (~17% e ~30%, respectivamente, contra ~6% da Lenovo-Motorola), mas permite fincar um pé nos EUA e em regiões menos maduras e mais sensíveis a preços, como América Latina e leste europeu, onde aparelhos como o Moto G se saem muito bem.

No fim, todos ganham. A Lenovo reforça a sua oferta de produtos “PC Plus” e ganha presença nos mercados mais fortes do planeta, e o Google volta a fazer as pazes com as fabricantes-parceiras do Android, a focar no desenvolvimento do sistema e apostar em segmentos inexplorados e futuristas, como termostatos inteligentes, robôs corredores e carros que andam sem condutor.

Para se aprofundar no assunto:

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