Os melhores apps para Android, iOS e Windows Phone (fevereiro/2014)

A tradição continua: todo fim de mês é publicada, no Manual do Usuário, uma lista com os melhores apps lançados no intervalo para Android, iPhone e Windows Phone.

Esse intervalo mensal foi escolhido para dar margem à escolha dos melhores de fato, afinal sai muito app toda semana, mas nem todos são bons, são os melhores. Em vez de posts semanais magrinhos ou com apps meia boca, sai só um por mês, com apps realmente bacanas, só a nata do desenvolvimento em plataformas móveis.

Reiterando as regrinhas apresentadas mês passado, a lista abaixo está em ordem alfabética, com os três sistemas misturados. Quando um app é multiplataforma, todos os links são exibidos. Aproveite e, caso note uma omissão, mande-a nos comentários.


AllCast

Ícone do AllCast.Para Android.
O que é? App que permite fazer streaming de conteúdo local para uma TV.
Preço? R$
DOWNLOAD

Agora com o Chromecast SDK, o AllCast, que chamou a atenção quando o Chromecast foi lançado para logo em seguida perder o suporte a ele, voltou a funcionar com o pequeno dongle HDMI do Google.

Na prática, o AllCast transmite para a TV conteúdo a partir de outros dispositivos, como Roku, Apple TV, Xbox 360/One e até diretamente para algumas Smart TVs. É uma comodidade extra, e funciona bem. A nova versão ganhou uma reformulação visual, melhorias no suporte a formatos menos mainstream, como MKV, e outras correções menores.

Screenshots do AllCast.


Automated Device

Ícone do Automated Device.Para Android.
O que é? Criação de regras para automatizar funções do smartphone.
Preço? Gratuito
DOWNLOAD

A interface não é só feia, é confusa. As telas não têm uma ordem muito específica, às vezes é preciso voltar para avançar (?). Telas de confirmação? Não existem. É meio complicado, mas depois que se pega o jeito a coisa flui e o Automated Device mostra o seu poder.

Com esse app é possível definir regras, gatilhos e ações para o seu smartphone. Digamos que você queira desativar a conexão de dados quando der 23h59 ou com o Wi-Fi ativado. É possível definir essa regra e o smartphone se comportará como o esperado. As possibilidades são infinitas.

O Automated Device lembra bastante o Tasker, porém é gratuito. O app é novo e está sendo ativamente desenvolvido — e quem se interessar mais por informações de bastidores pode dar um pulo neste tópico do XDA.

Screenshots do Automated Device.


Basecamp

Ícone do Basecamp.Para Android e iPhone.
O que é? App oficial do Basecamp, sistema de gerenciamento de projetos.
Preço? Gratuito
DOWNLOAD Android, iPhone

Usado e adorado por muita gente, o Basecamp, que já existia no iPhone, finalmente ganhou um app oficial no Android.

O que dá para fazer na versão web, é possível também no app móvel — que inclusive tem layout adaptável a tablets. Delegar tarefas, ver as novidades do projeto, criar e alterar listas de tarefas, conversar com os outros membros… está tudo lá, na palma da mão.

A 37Signals passou recentemente por uma grande mudança, que afetou até o nome da empresa, agora Basecamp. É um serviço antigo, tradicional e confiável.


Bing Receitas e Bebidas

Ícone do Bing Receitas e Bebidas.Para Windows Phone.
O que é? Receitas de comida, coquetéis e avaliações de vinhos.
Preço? Gratuito
DOWNLOAD

Mais um app que faz o caminho do Windows para o Windows Phone, o Bing Receita e Bebidas é um compêndio de… bem, de receitas e bebidas. Além de dar o passo-a-passo para fazer seus quitutes, ele também conta com uma seção de coquetéis e outra com avaliações de vinhos. Ainda dá para fazer a lista de compras no próprio app e salvar os itens que mais lhe interessam.

Como os demais apps Bing, esse também é bem feito e muito ágil. Para aspirantes a mestre-cuca, uma boa pedida!

Screenshots do Bing Receitas e Bebidas.


Bing Viagem

Ícone do Bing Viagem.Para Windows Phone.
O que é? Destinos para viagens, agendamento de viagens e estadias em hotéis.
Preço? Gratuito
DOWNLOAD

A receita (rá!) é a mesma do app de cima, mas adaptada ao contexto turístico. O Bing Viagem fornece informações abundantes, com fotos e destinos interessantes para quem quer viajar por esse mundão.

Além de ajudá-lo a escolher um lugar legal para passar as férias, o app ainda oferece comparação de preços de passagens aéreas e diárias de hotéis. Essas facilidades usam serviços de terceiros. No caso dos voos, até o status dele é exibido. Se rolar um atraso ou a aterrissagem for antecipada, você saberá.

Screenshots do Bing Viagem.


Catchr

Ícone do Catchr.Para iPhone.
O que é? Monitor de atividades no smartphone.
Preço? US$ 1,99
DOWNLOAD

Está desconfiado de que andam mexendo no seu iPhone quando você não está por perto? O Catchr tira a prova. Ao ser ativado, o app passa a monitorar todas as atividades desempenhadas no aparelho — quais apps foram abertos e fechados, com data e horário, e por onde ele andou, via GPS. Bom para quem tem um cônjuge ciumento e acredita que privacidade é um direito sagrado do qual não se pode abrir mão.

Há problemas com dois apps, Mail e o de telefone, devido a restrições da Apple sobre o que apps do iOS podem fazer. Tenha em mente, também, que quando ativo há um consumo acima da média da bateria, já que o GPS fica ativo o tempo todo.

Screenshots do Catchr.


Google Now Launcher

Ícone do Google Now Launcher.Para Android.
O que é? Launcher do Nexus 5.
Preço? Gratuito
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O launcher do Nexus 5 finalmente foi disponibilizado para outros dispositivos Android, mas apenas os da linha Nexus e Google Play Edition.

Gratuito, ele traz algumas mudanças estéticas, como ícones maiores, nova tela de configuração das home screens e novos planos de fundo. Outra novidade bem-vinda é o Google Now a um arrastar de dedo da esquerda para a direita, ou acessível via comando de voz — apenas com o smartphone desbloqueado e com o Google Now em inglês.

Screenshots do Google Now Launcher.


Hello SMS

Ícone do hello sms.Para Android.
O que é? App minimalista para envio de mensagens SMS.
Preço? Gratuito
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No Android 4.4, o Google deixou de lado o app dedicado para mensagens SMS e as integrou ao Hangouts. Se você quer um app exclusivo para lidar com mensagens de texto, ou está em uma versão antiga do Android e quer algo melhor que o padrão, o Hello SMS é uma boa pedida.

O app é bastante minimalista, mas conta com alguns truques interessantes. Ele puxa fotos da lista de contatos, o que facilita identificá-los em meio às conversas. Também permite mandar fotos, via MMS, direto do app. Nas configurações, dá para personalizar os sons e notificações do app. E é basicamente isso.

Screenshots do Hello SMS.


Magnify

Ícone do Magnify.Para Windows Phone.
O que é? Leitor de RSS com foco no visual.
Preço? Gratuito
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O Magnify, que até a última versão se chamava FlipMag, ainda está em beta, mas tem grandes ambições. Na sua descrição, se diz “o leitor de RSS mais bonito do Windows Phone”. Ele tem um visual que lembra os blocos dinâmicos do Windows Phone, apenas mais coloridos e chamativos. Há um bom uso de imagens extraídas dos posts e a tela de leitura é agradável.

A divisão do app é bonita e as transições, embora um pouco truncadas, têm potencial. Só é estranho o uso de paginação para a leitura dos artigos; em textos longos, pode ser cansativo.

Screenshots do Magnify.


Muzei Live Wallpaper

Ícone do Muzei Live Wallpaper.Para Android.
O que é? Planos de fundo artísticos trocados automaicamente.
Preço? Gratuito
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Cansado da mesmice visual no seu Android? O Muzei (russo para “museu”) traz pinturas célebres para o aparelho e as troca automaticamente. A fim de não prejudicar a legibilidade dos ícones e inscrições das telas iniciais, o app joga um “blur” nas pinturas — mas, caso queira apreciar a obra, basta dar dois toques em uma área vazia da tela inicial e o efeito vai embora.

Quem se achar o artistão e preferir ver suas próprias fotos trocadas periodicamente pelo app, tem essa opção também. O Muzei tem uma API aberta, o que significa que conjuntos de wallpapers podem ser criados e distribuídos por terceiros. É um app bonito e muito bem feito.


Pacemaker

Ícone do Pacemaker.Para iPad.
O que é? Mesa de DJ fácil de usar e integrada ao Spotify.
Preço? Gratuito.
DOWNLOAD

Sempre quis atacar de DJ, mas nunca levou jeito para a coisa? Os criadores do Pacemaker, exclusivo para iPad, garantem que qualquer um pode mandar bem na discotecagem com esse app. A proposta deles é que o Pacemaker seja para aspirantes a DJs o que o Paper, da FiftyThree é para desenhistas em formação: uma ferramenta agradável e acessível.

Além de facilitar o uso com uma interface pra lá de elegante, o Pacemaker resolve o problema do acervo de músicas integrando-se ao Spotify. O serviço, que ainda não estreou no Brasil, oferece mais de 20 milhões de músicas e tem um plano gratuito, suportado por anúncios.


Paper

Ícone do Paper.Para iPhone.
O que é? Nova forma de visualizar conteúdo do Facebook.
Preço? Gratuito.
DOWNLOAD

Criado por uma equipe reduzida do Facebook, o Paper (não confunda com o da FiftyThree!) é uma nova forma de acessar o conteúdo do Facebook, além de outros materiais selecionados por curadores humanos e algoritmos.

O app foi muito elogiado (inclusive por mim) devido à sua qualidade. As animações e transições de tela são suaves, a navegação por gestos é intuitiva e há pouco a reclamar dele.

O Paper só está disponível na App Store norte-americana, então se a sua conta for brasileira, o link não funcionará.

Bônus: na Loja do Windows Phone apareceu o Booklet, uma cópia fidedigna, porém sem a estabilidade e polidez do Paper.


Pin.it

Ícone do Pin.it.Para Windows Phone.
O que é? Cliente não-oficial do Pinterest.
Preço? Gratuito.
DOWNLOAD

Mais um app não-oficial, e mais um bom. O Pin.it conversa com o Pinterest, a rede social que permite criar boards e pendurar fotos de produtos, inspirações e tudo mais que você quiser. Ele usa a API oficial do Pinterest, o que deve garantir uma comunicação suave com o serviço. Seu criador garante: qualquer coisa feita no site pode ser feita no app também.

Embora capaz, o design não é tão inspirado. A visualização é em uma coluna, o que faz sentido na tela apertada do smartphone, e as configurações são bem robustas — pode-se trocar as cores da interface e acrescentar um bloco dinâmico personalizado na tela inicial do sistema. O app permite não só apreciar, mas também publicar conteúdo a partir de imagens e fotos salvas no aparelho.

Screenshots do Pin.it.


Poki

Ícone do Poki.Para Windows Phone.
O que é? Cliente não-oficial do Pocket.
Preço? R$ 3,99
DOWNLOAD

Na falta de um app oficial do Pocket, aquele serviço de “read later”, o jeito é apelar para alternativas. O Poki impressiona: é bonito, tem uma identidade visual toda própria e, ainda assim, condizente com o Windows Phone. É exemplar.

No Poki, é possível alterar bastante a tipografia, escolher até três padrões de cores e ouvir notícias — mas se restrinja a textos no idioma do aparelho; colocar a moça que fala português para ler textos em inglês é desastroso.

A versão de testes permite baixar até 50 entradas do Pocket.

Screenshots do Poki.


Stackables

Ícone do Stackables.Para iPhone.
O que é? Edição de fotos via aplicação de camadas.
Preço? US$ 0,99
DOWNLOAD

Do mesmo criador do ProCam, o Stackables é mais um app de edição de fotos com um punhado de filtros e recursos avançados. O diferencial dele é na forma com que esses filtros são aplicados. Em vez de selecionar um por um, individualmente, aqui o conceito de camadas se faz presente, quase como no Photoshop.

Não há limite de camadas, e dada a quantidade de recursos — 150 efeitos, 20 ferramentas de ajustes e 23 fórmulas pré-definidas –, dá para variar e inventar bastante coisa.

Bônus: só hoje (28 de fevereiro) o Stackables está saindo de graça na App Store!

Screenshots do Stackables.


SwiftKey Note

Ícone do SwiftKey Note.Para iPhone e iPad.
O que é? App de notas com suporte ao SwiftKey.
Preço? Gratuito.
DOWNLOAD

Não, a Apple não mudou a política que restringe teclados de terceiros no iOS. Para contornar essa limitação, o pessoal do SwiftKey, muito popular no Android, criou um app de notas e integrou, logo acima do teclado padrão do sistema, a previsão de palavras que lhe é tão característica.

O app é tão simples quanto eficiente. Ele aprende com o que o usuário digita, oferecendo palavras mais usadas e tentando adivinhar as próximas — para que se digite mais com menos toques. O Note ainda se conecta ao Evernote, importante seus hábitos de digitação de lá e permitindo a sincronização das notas redigidas no iPhone ou iPad.


Type Machine

Ícone do Type Machine.Para Android.
O que é? Grava automaticamente tudo o que é digitado no smartphone/tablet.
Preço? ~R$ 4,80
DOWNLOAD

Uma das coisas mais frustrantes é perder o texto recém-digitado. Seja um comentário, um post ou alguma bobagem, reescrever é sempre chato. O Type Machine garante que isso não aconteça. Como? Copiando tudo o que você digita.

Parece meio assustador (e é), mas o app toma medidas para evitar o pior. Dá para estabelecer uma senha de acesso a ele, um prazo para que os textos copiados expirem e, importante, ele não tem permissão para acessar a Internet — a única permissão que ele tem é a de iniciar junto com o sistema.

Os textos são copiados em tempo real e organizar por app. Dá para vê-los em uma linha do tempo e, claro, copiar qualquer coisa dali.

Screenshots do Type Machine.


Waterlogue

Ícone do Waterlogue.Para iPhone e iPad.
O que é? Conversão de fotos em pinturas.
Preço? US$ 2,99
DOWNLOAD

Não é mais necessário lidar com pincéis e tintas, ou mesmo ter habilidade artística para fazer suas próprias aquarelas. Com o Waterlogue, basta tirar uma foto e fazer os ajustes para transformá-la em uma bela pintura.

Criação de dois desenvolvedores, o app oferece alguns modos de pintura e uma interface simples e direta.

Screenshots do Waterlogue.


Zippy

Ícone do Zippy.Para iPhone.
O que é? Lista de tarefas com estatísticas.
Preço? US$ 1,99
DOWNLOAD

Mais um app de listas de tarefas… mas com um diferencial interessante: insights. O Zippy monitora e traduz, em gráficos, as suas atividades. Esses gráficos podem ser úteis para mostrar onde falta ânimo e/ou eficiência, em quais áreas você termina as pendências mais rapidamente e outras constatações.

Além de útil, o Zippy tem um visual característico e agradável. Faltam recursos comuns em apps do tipo, como compartilhamento de listas, mas o lance das estatísticas por si só já vale a pena.

Bônus: até 4 de março, o Zippy está com 50% de desconto — sai por US$ 0,99.

Screenshots do Zippy.


Quer mais apps? Leia a seleção dos melhores apps de janeiro e as dos melhores apps de 2013 para iPhone, Android e Windows Phone.

[Review] Xperia Z1, o smartphone à prova d’água e com algumas peculiaridades

Com tantos smartphones topo de linha rodando Android, cada fabricante busca diferenciais para o seu. É assim desde os primórdios. No Xperia Z1 a mão da Sony se nota em duas áreas: acabamento do hardware e serviços extras.

Lançado em setembro de 2013, o Xperia Z1 é muito bonito. Ele converge algumas tecnologias e serviços de outros setores da Sony, um esforço conjunto que casa com a nova política de foco em mobilidade, fotografia e jogos divulgada recentemente pela empresa. Adianto que, na prática, esse smartphone me agradou mais do que eu, com meu preconceito com modificações no Android, esperava. Há deficiências, sim, mas há mais coisas para se gostar do que as que incomodam.

Com acabamento premium, serviços da Sony e uma câmera promissora de 20,7 mega pixels, o Xperia Z1 tem o suficiente para se destacar? É o que veremos em mais um review no Manual do Usuário. Continue lendo “[Review] Xperia Z1, o smartphone à prova d’água e com algumas peculiaridades”

O Nokia X não é para você, mas é importante para Nokia e Microsoft

Em 2010, antes da parceria entre Nokia e Microsoft ser anunciada, muita gente sonhava com um smartphone da empresa finlandesa rodando Android. Na época Anssi Vanjoki, então executivo da Nokia, declarou que recorrer ao Android equivalia a “fazer xixi nas calças para se esquentar no inverno”, ou seja, era uma solução paliativa, sem futuro.

A frase de Vanjoki (que se demitiu logo depois de proferi-la) foi muito recitada ontem por ocasião do anúncio do Nokia X, nova família de smartphones que rodam Android. À primeira vista, parece que morderam a língua. Não é bem assim. O Nokia X usa mesmo Android, mas não disputa espaço com outros smartphones com o sistema do Google. Ele sequer tem a ver com o Google. Complicou? Calma que eu explico. Continue lendo “O Nokia X não é para você, mas é importante para Nokia e Microsoft”

O WhatsApp é do Facebook: por que, o que muda e para onde correr (se quiser) com essa venda

Entre morangos cobertos com chocolate no último Dia dos Namorados, a venda do WhatsApp para o Facebook foi consolidada. Jan Koum, co-fundador e CEO do WhatsApp, não poderia ter aparecido na casa de Mark Zuckerberg em hora mais inoportuna, mas para quem estava disposto a gastar uma bolada com a aquisição da startup, o que é um Dia dos Namorados, certo Zuckerberg? Priscila Chang não deve ter ficado chateada em dividir seus morangos com o novo colega de trabalho do marido.

Essa é apenas uma das histórias surreais que envolvem o WhatsApp, app de troca de mensagens comprado ontem pelo Facebook por astronômicos US$ 19 bilhões — US$ 4 bi em dinheiro, US$ 12 bi em ações e US$ 3 bi, ainda pendentes, em ações restritas a serem distribuídas aos 55 funcionários do WhatsApp nos próximos quatro anos. Isso é quase 10% do valor de mercado do Facebook.

O WhatsApp nunca teve muita divulgação formal e seus fundadores sempre foram discretos, recusando aparições na mídia. Nem uma assessoria de imprensa eles tinham. De acordo com Brian X. Chen, do New York Times, Koum e o outro co-fundador, Brian Acton, dois ex-executivos do Yahoo, encaravam sua startup como a antítese do Vale do Silício. E essa imagem ia muito além do trato com a imprensa.

Em um universo recheado de apps gratuitos, a maioria bancada por anúncios, o WhatsApp despontou como um caso raro de app pago e sustentável. A estrutura é enxuta, os funcionários, poucos e comprometidos. O modelo de negócios dele se baseia em assinaturas anuais de US$ 1, com o primeiro ano (e, em vários casos, até mais) grátis. Parece funcionar bem.

O WhatsApp não é apenas diferente, ele é agressivamente contrário ao modelo predominante baseado em anúncios. Uma das “aparições públicas” mais emblemáticas da empresa se deu neste post do blog oficial, de junho de 2012, em que Koum explica por que o app não veicula anúncios.

“Lembre-se: quando anúncios estão envolvidos você, o usuário é o produto.”

Sem anúncios, sem jogos, sem truques.
Foto: Sequoia Capital.

Em sua mesa, Koum mantém um post-it escrito por Acton (foto ao lado) onde se lê “Sem anúncios, sem jogos, sem truques”. Até agora, eles têm seguido religiosamente esses mandamentos.

A ideia é que, mesmo com o negócio fechado com o Facebook, esse discurso não mude. Veremos essas implicações com mais detalhes a seguir, mas antes, tem a pergunta que não quer calar.

Por que o Facebook pagou tanto pelo WhatsApp?

O WhatsApp era independente, livre de anúncios e super popular, especialmente nos mercados em desenvolvimento. No ano passado, Charles Golvin, da Forrester, disse ao BuzzFeed que “em locais como Brasil, México, Espanha… 25% do tempo que as pessoas gastam nos smartphones, são gastos no WhatsApp. O número varia em cada desses países, mas é dessa magnitude”. Isso é muita coisa.

De lá para cá o ritmo de crescimento do WhatsApp não diminuiu. Continua acelerando, ganhando um milhão de novos usuários por dia. Dependendo dos seus critérios, ele se configura como a rede social que cresceu mais rapidamente na história, superando com folga Twitter, Instagram e o próprio Facebook. Com 450 milhões de usuários, 70% deles ativos diariamente, a curva de crescimento comparada às de outras redes populares impressiona:

Gráfico compara o crescimento do WhatsApp ao de outras redes sociais.
Gráfico: Facebook.

Parece loucura, mas vendo esses números fica claro que o WhatsApp representava uma ameaça ao domínio do Facebook. E o Facebook, como o histórico recente mostra, não dá margem a ameaças. O Instagram, a rede social de fotos preferida de quem tem e fotografa com um smartphone, foi comprada em 2012 por US$ 1 bilhão. O Snapchat também foi alvo dos cofres de Zuckerberg, mas resistiu à oferta US$ 3 bilhões.

Mesmo tendo um app similar (e bom!), o Facebook Messenger, o WhatsApp parte de premissas diferentes das do Facebook e, mais importante, já caiu no gosto do povo. O Facebook Messenger também permite a troca de mensagens diretas a partir da lista de contatos do celular, mas é mais comumente usado para se comunicar com contatos do Facebook, a rede onde estão seus amigos. E seus parentes. E gente que você não vê há décadas e/ou adicionou por mera formalidade. No WhatsApp, na sua lista de contatos do celular, estão pessoas mais próximas, com quem se conversa de fato. Pesa a favor também a disponibilidade: ele funciona em um punhado de plataformas, até no Symbian.

A aquisição também reforça a ideia de apps distintos que o Facebook começou a colocar em prática nesse ano com o Paper. Facebook Messenger, Instagram, Paper e WhatsApp formam um quarteto e tanto. Fragmentar o uso do smartphone em diversos apps não parece ser problema para o Facebook, desde que esses apps sejam do Facebook.

E para quem achou US$ 19 bilhões muita coisa, é interessante contrapor esse valor ao que o SMS, aquele sistema arcaico de troca de mensagens das operadoras, fatura. Em 2013 o SMS teve faturamento recorde de US$ 120 bilhões no mundo inteiro. As previsões mais negativas, como a da Informa, dizem que até 2018 haverá uma queda nesse número, mas mesmo ela se concretizando, o faturamento será de US$ 96,7 bilhões. Em vários locais, para muita gente, o WhatsApp substituiu o SMS. Não é preciso refletir muito para ver o potencial que o WhatsApp tem.

Corram para as colinas? Muita calma

Conversa via WhatsApp.
Mais um.

Não demorou muito para surgirem artigos, tuítes e recomendações para que todos pulemos do barco e procuremos alternativas ao WhatsApp. Elas existem, aos montes — o segmento é um dos mais ativos atualmente, com vários players disputando a atenção dos usuários e seus amigos, ainda que nenhum deles supere o WhatsApp em números brutos.

Mas… calma. Não colocaria a minha mão no fogo pelo futuro do WhatsApp, não diria, agora ou em qualquer outro momento, que nada mudará. Ninguém sabe. Por ora, porém, o tom das declarações oficiais tanto do WhatsApp, quanto do Facebook, é ameno. Eles sabem que não existem muitos fãs que confiam cegamente no Facebook, que a maioria de nós temos um pé atrás com as políticas agressivas de (falta de) privacidade da rede.

No blog oficial do WhatsApp, Koum garantiu:

“Eis o que muda para vocês, nossos usuários: nada.

O WhatsApp continuará autônomo e operando independentemente. Você pode continuar a usufruir do serviço por uma pequena taxa. Você pode continuar usando o WhatsApp não importa em que lugar do mundo esteja, ou qual smartphone estiver usando. E você pode contar com absolutamente nenhum anúncio interrompendo suas conversas. Não haveria uma parceria entre nossas empresas se tivéssemos que comprometer os princípios basilares que sempre definiram a nossa empresa, nossa visão e nosso produto.”

No Facebook, Zuckerberg reforçou a mensagem:

“O WhatsApp continuará a operar independentemente dentro do Facebook. O roadmap do produto permanecerá inalterado e a equipe continuará em Mountain View. Ao longo dos próximos anos, trabalharemos duro para ajudar o WhatsApp a crescer e conectar o mundo inteiro.”

O que pode acontecer depois que a euforia passar e os (supostos) planos maquiavélicos de Zuckerberg forem postos em prática? Nada muito drástico, imagino. Diferentemente do Instagram, que passará a exibir anúncios, o WhatsApp já tem um modelo de negócios que funciona.

Talvez, e lembre-se que estamos no terreno das suposições, aconteça alguma integração discreta e indireta entre as plataformas, como a que ocorreu com o Instagram. O WhatsApp tem um “asset” importante: 450 milhões de números de celular. O Facebook, e não é de hoje, sempre pede esse número aos seus usuários, para facilitar o resgate da conta caso ela seja comprometida e também para somar esses dado ao extenso banco que tem de cada um de nós, usuários.

Não acredito em uma intervenção mais drástica. O público é sensível a mudanças, ainda que muito dessa sensibilidade se reduza a gritaria nas redes sociais — lembra da revolta do Instagram? Não se culpe se não lembrar, ela se foi com a mesma rapidez com que veio e contabilizou poucas baixas. Ainda assim, é melhor não arriscar. E ainda tem Koum, co-fundador e CEO do WhatsApp, que agora é parte conselho do Facebook. Ele seria uma voz forte contrária a mudanças que forem contra a filosofia do app que criou.

Não interessa, não quero saber mais de WhatsApp

Ok, então. E, novamente, não tem culpo: para além do Facebook, o WhatsApp nunca foi um modelo de segurança e privacidade. Protocolos de segurança fracos (ou até inexistentes) são comuns em sua história, ainda que não haja registros de grandes vazamentos.

Existem vários serviços similares por aí, e você deve conhecer alguns mais famosos, como WeChat, Viber, Line e ChatOn. Tem os das antigas também, como BBM e Skype, e o negócio entre Facebook e WhatsApp apenas reforça o quanto BlackBerry e Microsoft se acomodaram nesses últimos anos. Mas, falando de futuro, que tal dar um passo adiante? Já que é para mudar, que mudemos para algo superior.

Existem dois apps que focam em privacidade e têm, nesse apelo, seu diferencial.

Hemlis, o app de mensagens focado em privacidade.
Foto: Hemlis/Reprodução.

O primeiro é o  Hemlis, que significa “segredo” em sueco. Ele tem entre seus co-fundadores Peter Sunde, um dos caras por trás do The Pirate Bay, maior site de compartilhamento de arquivos piratas do mundo.

O Hemlis apareceu durante as revelações do escândalo de espionagem da NSA como uma resposta à falta de privacidade na Internet. Bancado por uma campanha de crowdfunding, a promessa é de um app, com versões para iPhone e Android, que permita a comunicação nos moldes do WhatsApp, mas criptografada. Até agora, mais de sete meses desde o seu anúncio, ele segue como uma promessa.

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Telegram, app de mensagens russo.
Imagens: Telegram/Reprodução.
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O outro, a que fui apresentado ontem (valeu, Rafa!), é o Telegram. O app foi lançado em agosto de 2013 pela Digital Fortress, empresa de Pavel Durov, chamado pela Reuters de “Zuckerberg russo”. Explico: é dele a rede social Vkontakte, a maior da Rússia.

O Telegram, também disponível para iPhone e Android, tem algumas premissas interessantes e faz da privacidade a sua bandeira. A comunicação é criptografada e Durov confia tanto no seu taco que, no começo do mês, ofereceu US$ 200 mil em Bitcoins para quem quebrasse a segurança do serviço.

Mais que isso, o Telegram possui API e protocolo abertos. Os clientes oficiais são de código aberto e, em 2014, Durov prometeu abrir o código que roda no servidor também. Não dá para classificar o Telegram como software livre porque algumas partes do código que permite ao serviço funcionar na nuvem são proprietárias. Aliás, além da comunicação com o intermédio da nuvem, que possibilita acompanhar as conversas em múltiplos dispositivos, o Telegram também possui um modo secreto, em que a comunicação é de ponta a ponta, sem intermediários.

O Telegram parece (não o testei a fundo ainda) uma oferta muito polida e bem desenhada para a troca de mensagens de texto. Pode substituir o WhatsApp? Poderia, mas como migrar essa base de um serviço para o outro? Um app de mensagens, assim como uma rede social não é nada sem pessoas e, no momento, sou o único da minha lista de contatos com o Telegram instalado.

No mundo dos negócios, um tanto de sorte, uma pitada de timing e pequenas doses de outras características que não podem ser compradas ou achadas por aí pesam bastante. O WhatsApp e os US$ 19 bilhões que conseguiu na maior venda de uma startup já registrada estão aí para provar isso.

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