Os melhores apps para Android, iOS e Windows Phone (janeiro/2014)

Quando estava no Gizmodo eu era responsável pela seção Apps da Semana: todo sábado subia três posts com os melhores apps lançados para Android, iOS e Windows Phone. O Giovanni manteve a tradição depois da minha saída e imagino que ele deva lidar com as mesmas dificuldades que eu na minha época.

Sai muito app toda semana (à exceção do Windows Phone, por ora), mas quantos desses são bons o bastante para aparecer em uma lista cujo título inclui a palavra “melhores”? Não muitos. Então aqui, no Manual do Usuário, proponho um prazo mais dilatado. Em vez dos melhores da semana, os melhores do mês. Fica mais fácil para todo mundo, certo? E como são poucos, melhor centralizar tudo em um post só.

Todo fim de mês teremos uma lista do tipo para que você aproveite melhor o seu smartphone, seja ele Android, iPhone ou um Lumia — ainda existem outros Windows Phones sem ser Nokia?


Command-C

Command-C.

Para iPhone e iPad.
O que é? Uma área de transferência compartilhada entre dispositivos iOS e Macs.
Preço? US$ 3,99
DOWNLOAD

O Command-C permite transferir conteúdo entre dispositivos iOS e Macs usando a área de transferência — baixe o app gratuito para Mac aqui. Basta copiar um trecho de texto (plano ou formatado) ou uma imagem (JPEG, JPEG2000, TIFF ou PNG) e mandar para o outro dispositivo. É mais rápido do que usar o email, o Dropbox ou outro serviço similar, ou mesmo o AirDrop.

Em ambos os sistemas o conteúdo transferido aparece como uma notificação e vai para a área de transferência. Há teclas de atalho e bookmarks para agilizar o uso e para usuários avançados, snippets x-callback-url para automatizar as ações.

Command-C, para iOS.


Faded

Faded.

Para iPhone.
O que é? Editor de fotos cheio de filtros e recursos de edição.
Preço? US$ 0,99
DOWNLOAD

Há espaço para mais apps de fotos? O pessoal que desenvolveu o Faded acredita que sim. O app, com um jeitão todo descolado, tem 70 efeitos, sendo 34 gratuitos, dispostos em uma interface bem construída.

Recursos básicos de edição, como controles de contraste e saturação, estão disponíveis, e dá para sobrepôr camadas nas imagens, controlar a exposição em tempo real na hora de fazer a foto, acrescentar efeitos e, claro, compartilhar os resultados em várias redes sociais, incluindo Instagram, Facebook e Flickr.


Google Play Movies & TV

Google Play Movies & TV.

Para iPhone e iPad.
O que é? App que dá acesso via iOS aos filmes e seriados comprados no Google Play.
Preço? Gratuito
DOWNLOAD

Agora você, que comprou ou alugou algum vídeo no Google Play, pode assisti-lo usando um iPhone ou iPad.

Fique atento: o app não permite comprar conteúdo, já que isso implicaria ao Google ter que pagar a comissão que apps para iOS devem em qualquer tipo de transação à Apple. Para comprar, só pela web ou usando um smartphone ou tablet Android.

Você pode assistir aos vídeos no próprio dispositivo iOS ou usar um Chromecast para transmitir o conteúdo para uma TV.

Google Play Movies & TV.


Horizon

Horizon.

Para iPhone e iPad.
O que é? App que grava vídeos em formato paisagem mesmo com o celular na vertical.
Preço? US$ 0,99
DOWNLOAD

Mesmo com campanhas anti-vídeos em modo retrato, é difícil convencer algumas pessoas de que existe, sim, uma maneira correta de filmar com o smartphone.

O Horizon propõe outra abordagem para lidar com o problema. Em vez de forçar uma mudança de comportamento, com ele o usuário pode continuar filmando com o celular de pé que, mesmo assim, o vídeo sai em formato paisagem. Graças a um corte na imagem, a proporção mais natural para consumo em telas modernas (widescreen) é preservada e todo mundo sai ganhando. O único problema é a pessoa se lembrar de usar o Horizon em vez do app nativo da câmera.


Jelly

Jelly.

Para Android e iPhone.
O que é? Nova rede social de perguntas e respostas do Biz Stone.
Preço? Gratuito
DOWNLOAD Android, iPhone

De um dos co-fundadores do Twitter, Biz Stone, o Jelly é um novo app para uma velha atividade online: perguntar e responder questões sobre qualquer coisa.

O fato de ser um app para smartphones dá ao Jelly um aspecto bastante ágil. Perguntas podem ser feitas com o auxílio de fotos e as respostas vêm da sua rede de contatos.

O app tem um punhado de animações bonitas e boas práticas em usabilidade, mas com o Quora e o Yahoo Respostas servindo às perguntas importantes e fundamentais e àquelas sem noção (respectivamente), é de se questionar se a nova aposta de Stone tem futuro.


Loopr

Loopr.

Para Android.
O que é? Menu lateral de acesso rápido a apps em segundo plano.
Preço? Gratuito
DOWNLOAD

Launchers que usam as bordas da tela para chamarem menus e outros recursos do Android não são novidade. O Loopr chama a atenção por, em vez de acionar um painel enorme, exibir apenas discretas “bolinhas-ícones” dos apps.

É possível fixar os botões Home e Voltar, ter uma pré-visualização dos apps e personalizar os ícones — essas duas últimas opções apenas mediante pagamento in-app, que custa em torno de R$ 6,30. Nas configurações pode-se delimitar a área em que ele atua em ambas as laterais, a sensibilidade e o atraso do movimento, e personalização as animações.

A abordagem do Loopr é diferente da da multitarefa nativa do Android, aquela lista vertical de miniaturas. Acredito que em smartphones e tablets mais simples o fato de não precisar renderizar todas as telas deva contar pontos em desempenho.


Music Drop

Music Drop.

Para Windows Phone.
O que é? App que transfere músicas do PC para o smartphone sem usar cabos, via Wi-Fi.
Preço? Gratuito
DOWNLOAD

Órfãos do Zune HD lembram da praticidade que era a sincronia da biblioteca de músicas via Wi-Fi. Nada de cabos, era tudo sem fio. E era lindo.

O Music Drop traz essa comodidade para o Windows Phone, ainda que de forma um pouco mais complexa. Toda a ação se dá através do navegador, com uma URL criada especialmente no app do smartphone. Estabelecida a conexão, basta arrastar a música desejada para a janela do navegador e a transferência começa.

Um pouco limitado, o conceito pelo menos é bem interessante e para transferir uma ou algumas poucas músicas, definitivamente mais cômodo do que ir atrás de cabos.

Music Drop.


Nokia Storyteller

Nokia Storyteller.

Para Windows Phone (Nokia).
O que é? App que usa a geolocalização das fotos para dispô-las em um mapa e criar narrativas a partir disso.
Preço? Gratuito.
DOWNLOAD

Ainda em estágio beta, este app, mais um exclusivo para a linha Lumia da Nokia, coloca suas fotos no mapa, agrupa elas de acordo com alguns parâmetros e embeleza a forma de mostrá-las aos amigos.

Dá para criar álbuns (além dos automáticos), colocar legendas e com um gesto de pinça, ver num mapa onde cada uma foi tirada. A tela principal permite filtrar as fotos por local, data e definir lugares favoritos, para ter sempre à mão as fotos tiradas lá.

É como se fosse um álbum de fotos mais robusto, que usa os meta dados delas para organizá-las de diferentes formas.


Pasta de Aplicativos

Pasta de Aplicativos.

Para Windows Phone (Nokia).
O que é? App que permite empilhar diversos atalhos em um bloco dinâmico na tela inicial.
Preço? Gratuito
DOWNLOAD

O que Android e iOS já fazem há bastante tempo agora também é possível no Windows Phone — desde que o seu seja fabricado pela Nokia.

A Pasta de Aplicativos, por ser um app à parte, concentra a criação dos atalhos, ou seja, elas não são configuráveis direto da tela inicial do Windows Phone. O visual é bacana, ficam miniaturas dos blocos dentro de um grande, e o acesso é em lista. É uma solução meio gambiarra, mas que pode servir para quem tem muitos blocos na tela inicial ou quer apenas organizá-la melhor.

Pasta de Aplicativos.


Path

Path.

Para Android, iPhone e Windows Phone.
O que é? Rede social intimista, com limite restrito de amigos e diversas opções de compartilhamento.
Preço? Gratuito
DOWNLOAD Android, iPhone, Windows Phone

Velho conhecido de quem usa Android ou iPhone, o Path desembarcou para Windows Phone nesse mês — ainda em beta.

O visual característico do Path foi bem mesclado com a identidade visual do Windows Phone. Não se trata de um simples port; a versão para o sistema móvel da Microsoft conta com algumas exclusividades, como filtros para fotos baseados no SDK Imaging, da Nokia.

O mais difícil é encontrar amigos e parentes usando o Path. Como seu apelo é pelo compartilhamento de pedaços mais íntimos da sua vida, só com essa galera próxima na rede ela se justifica.

Path.


SkipLock

SkipLock.

Para Android.
O que é? App que desabilita a senha do Android em redes Wi-Fi e Bluetooth.
Preço? ~R$ 11,70
DOWNLOAD

Um dos favoritos da casa, o Unlock With Wi-Fi ganhou um nome melhor, SkipLock, e novos recursos.

Se você preza pela sua privacidade, certamente tem algum tipo de senha habilitada no smartphone — um código alfanumérico ou aquele padrão, bem popular no Android. O que o SkipLock faz é desabilitar essa defesa quando ele está em redes Wi-Fi pré-configuradas ou próximo de dispositivos Bluetooth. Na sua casa, por exemplo, não faz muito sentido deixar a senha. Com o SkipLock, ela é desativada quando está na sua rede sem fio e volta a funcionar, automaticamente, assim que você sai do raio de alcance dela.

Além do suporte a dispositivos Bluetooth, a nova versão do SkipLock permite remover o ícone da barra de notificações e, em dispositivos rooteados, usar um padrão em vez da senha alfanumérica.

O app funciona por quatro dias. Depois disso, só comprando. É um pouco caro, mas pelo tempo que economiza no acumulado do uso, vale a pena. Caso você experimente e resolva removê-lo, muita atenção: por necessitar de privilégios especiais para funcionar, a desinstalação é diferente, se dá através do menu, dentro do próprio app.


Storehouse

Storehouse.

Para iPad.
O que é? Uma forma interativa e linda de contar histórias através de fotos e vídeos.
Preço? Gratuito
DOWNLOAD

Criado por um punhado de ex-funcionários da Apple e sem um modelo de negócios pronto, se existisse um campeonato de apps mais bonitos para iPad o Storehouse seria um sério concorrente.

Com ele, o usuário pode criar histórias para suas fotos e vídeos. A apresentação é linda, o app é fluído e bem arquitetado, e tudo é de muito bom gosto. Terminando suas histórias, elas podem ser visualizadas na web — atingindo, assim, quem não tem um iPad disponível. De dentro dele, porém, aquele esquema digno de redes sociais, o seguir e ser seguido, está disponível.


Talon

Talon.

Para Android.
O que é? Cliente para Twitter moderno e adaptado ao Android 4.4.
Preço? ~R$ 4,70
DOWNLOAD

Não chega a ser um Tweetbot para Android (faz falta!), mas o Talon se junta a outras alternativas ao terrível cliente oficial do Twitter na plataforma do Google.

Ele é pago, mas promete um mundo de opções e o que há de mais moderno em experiência de uso no Android. O layout segue as diretrizes do sistema e até coisas bem recentes, como suporte às barras transparentes do Android 4.4, estão presentes.

A lista de recursos e funções do Talon, na descrição do app no Google Play, é extensa. Apesar do ícone horrível, é um trabalho fenomenal e com potencial para ficar ainda melhor. Agora que os tokens do Carbon acabaram, talvez seja a melhor saída para quem não suporta o último redesign do Twitter.


Mês que vem tem mais!

Conexões Globais: debates e oficinas no RS sobre cidadania digital

Começa hoje em Porto Alegre a terceira edição do Conexões Globais, evento de cultural digital promovido pelo Governo do Rio Grande do Sul que contempla debates (presenciais e via Skype), diversas oficinas e atrações culturais.

A agenda do Conexões Globais em 2014 está bastante focada em temas relacionados à participação popular na rede. Nos diálogo globais, mesas redondas com a participação de pessoas reconhecidas em suas respectivas áreas, haverá interação com o público via redes sociais. Serão seis debates, três em cada dia de evento que começa hoje e continua amanhã.

Vê-se pela programação que há, de fato, muito ainda a ser discutido até chegarmos às melhores ideias e soluções para essas questões tão relevantes. Os diálogos globais são uma tentativa de dialogar a respeito de alguns desses. Na pauta, cultura de rede, soberania digital, as jornadas de junho do ano passado no Brasil (e outras pelo mundo) e o espaço público e da sociedade na rede.

As oficinas são variadas e têm duração de quatro horas — elas tomam quase todo o tempo do evento, então escolha bem de qual participar! Tem coisas bem legais ali, de edição de vídeos à arte do grafite, passando pela reciclagem de lixo eletrônico, edição gráfica e a Install Fest, tradição em eventos de software livre. Profissionais ficam a postos para ajudar quem está com o PC cambaleando. Leve-o lá e eles dão um trato na máquina, instalando e configurando uma distro Linux e fazendo-o voltar à boa forma.

E como ninguém é de ferro, shows e apresentações culturais também estão na programação. Apanhador Só, Dziw Jazz Trio e Wander Wildner são algumas das atrações.

Ainda haverá concursos, um encontrão hacker e o Hub de ideias, auto-intitulado o espaço mais democrático do Conexões Globais, onde quem comanda a programação é… você! Toda a programação, e mais detalhes do evento, podem ser encontrados no site oficial.

O Conexões Globais 2014 acontece hoje e amanhã, na Casa de Cultura Mario Quintana, em Porto Alegre. A entrada é gratuita e quem estiver longe da capital gaúcha pode acompanhar os debates via streaming ao vivo, no site oficial do evento.

* Este post é um publieditorial.

IrfanView, o melhor app para ver imagens no Windows

IrfanView.

Minha barra de tarefas no notebook tem três ícones fixos: Windows Explorer, navegador padrão e um que, reza a lenda, é um gato vermelho atropelado na estrada. Esse último é o indefectível ícone do IrfanView, um simpático visualizador de imagens para Windows.

Não lembro quando exatamente descobri o IrfanView, só me recordo vivamente de ter simpatizado com o app logo de cara. Sua função, pelo menos superficialmente, é simples e limitada: abrir imagens. Fosse só isso ele já seria sensacional: é difícil surgir um formato que o IrfanView seja incapaz de lidar e, mesmo nesses casos, geralmente um plugin resolve a incompatibilidade.

Só que ele faz muito mais que isso.

Fruto do trabalho de um homem só, o bósnio Irfan Skiljan, o IrfanView (daí o nome) expandiu sua área de atuação ao longo de quase duas décadas de desenvolvimento ativo. Hoje, em meio a interfaces animadas e softwares cada vez mais pesados, segue fiel às premissas iniciais. É um app rápido, confiável e que faz muito mais além de abrir imagens. Um exemplo que, com este post, homenageio e agradeço os anos de companhia e bons serviços prestados. E aproveito para apresentá-lo a quem, por acaso, ainda não o conheça.

Quem precisa de Photoshop quando se tem o IrfanView?

Um monte de ícones do IrfanView.

Ainda que não tenha a pretensão de ser um editor de imagens completo, o IrfanView oferece, através de menus e dezenas de teclas de atalho no teclado, recursos simples do tipo.

Para quem apenas arranha a superfície do Photoshop, talvez esses recursos limitados do IrfanView bastem. Para mim, em grande parte das situações, eles são suficientes.

Mesmo usando-o há anos, eu ainda não me aventurei por todos os cantos do IrfanView. Alguns comandos, porém, são sempre usados por aqui e já foram incorporados no meu dia a dia.

Os favoritos da casa:

  • Com um Shift + G abro uma caixa de diálogo para fazer ajustes no brilho, contraste, saturação e correção gama.
  • Uma foto levemente borrada pode ser salva com um Shift + S (sharpen).
  • Rotacionar imagens é bem simples, basta usar as teclas R (à direita) e L (à esquerda).
  • O mesmo vale para o redimensionamento, acessível via Ctrl + R.
  • Com o mouse, posso selecionar partes da imagem e fazer recortes simples.
  • As teclas “mais” e “menos” dão/tiram zoom e com um Shift + O volto ela à proporção 1:1.
  • A tecla S salva uma nova imagem; Ctrl + S salva a mesma imagem com o mesmo nome.

Existem outros comandos, outras funções que dependendo do seu estilo de trabalho podem ser úteis — inserção de marca d’água, espelhamento, correção de cores, filtros de imagem e até ferramentas de desenho (F12). Atalhos comuns a aplicativos Windows, como Ctrl + Z/Y para desfazer/refazer e Ctrl + X/C/V para recortar/copiar/colar também funcionam. Os menus são bem organizamos e quase toda ação que afeta a imagem tem uma combinação de teclas correspondente. Dominá-las significa trabalhar com mais agilidade.

Em paralelo ao app principal, o IrfanView vem com um editor de imagens em lote. Selecione a pasta ou as imagens, aperte B para abrir a tela de configurações, defina os parâmetros que quer alterar em massa (tamanho, formato, nome dos arquivos), selecione as imagens e deixe o computador trabalhando. Economiza muito tempo.

Apreço pela eficiência

Irfan Skiljan.
Foto: Arquivo pessoal.

O monte de coisas que o IrfanView faz, e não é pouco, consome poucos recursos do computador e mesmo em configurações modestas não toma tanto tempo. Irfan, o criador e mantenedor do IrfanView, é um aficionado por eficiência.

Em um papo que tivemos por email, perguntei a ele como o IrfanView consegue ser tão ágil e, ao mesmo tempo, ganhar novos recursos versão após versão. Sua resposta:

“Tenho a minha própria filosofia sobre como um software deve ser… Também gosto de programas pequenos e estáveis. A ideia é não adicionar todos os recursos possíveis. (…) E quando novos recursos são acrescentados, eles devem ser compactos e o código, otimizado. A maioria dos desenvolvedores e empresas não se preocupa mais com coisas do tipo, é triste.”

Irfan trabalha exclusivamente no IrfanView, eventualmente dividindo sua atenção com alguns projetos em outras empresas. Ele vive na Áustria desde 1992, para onde foi refugiado da Guerra da Bósnia, e estudou computação na Universidade de Tecnologia de Viena.

Foi durante a graduação, três anos depois de mudar de país, que a necessidade de um pequeno visualizador de imagens em JPG o levou a criar o embrião do IrfanView. Seus colegas gostaram e deles veio o incentivo para aperfeiçoá-lo. Dali em diante o app cresceu — apenas em fartura de recursos, já que até hoje ele continua enxuto, com um instalador de menos de 2 MB.

Janela de 'Sobre' do IrfanView.

Mesmo após todos esses anos, o IrfanView continua recebendo atualizações regulares. Durante a trajetória do seu app, Irfan teve que lidar com copiadores, um grande problema nos primeiros anos — segundo ele, o IrfanView e o ACDSee eram “inspirações” para muitos clones pagos que lucravam às custas do seu trabalho — e acompanhar a evolução do Windows. Era uma época diferente, em que o sistema da Microsoft era a coisa mais popular da tecnologia de consumo. Com o tempo os clones sumiram.

Nesse ponto perguntei a ele se um IrfanView moderno, para o Windows 8, estava nos planos:

“Um novo design? Talvez algum dia, nunca fui muito fã de hypes ou interfaces ‘descoladas’… Um programa precisa ser pequeno, rápido, confiável e fácil de usar, ‘visual legal’ não é importante para mim. O que conta mais é o que está dentro, da mesma forma que para pessoas.”

Ele prefere a usabilidade do Windows XP e não acha o “visual m(r)etro” (rá!) do Windows 8 muito moderno.

O IrfanView é gratuito e uma prova de que a negligenciada arte da otimização é capaz de produzir bons frutos — disputar as primeiras posições de listas de apps mais baixados da semana, como a da CNET, e figurar a de apps para Windows imprescindíveis em 2013 no The Verge são alguns reconhecimentos desse empenho.

Hoje vemos apps para celular, antes focados e otimizados por limitações das plataformas móveis, crescerem não no melhor sentido da palavra, virando bloatwares. Fazendo um contraponto a essa cultura quase cíclica, este pequeno visualizador de imagens, feio e com um ícone esquisito, segue pequeno e ágil. Acho que dá para tirar algumas boas lições disso.

[Review] Moto G, o melhor smartphone barato que você pode comprar

Foi um longo hiato do anúncio da aquisição pelo Google até o primeiro fruto, o Moto X. A Motorola Mobility enquanto “uma empresa Google” ainda dá seus primeiros passos, mas passos confiantes e acertados. O Moto G, segundo smartphone dessa nova fase, foi anunciado no Brasil em novembro e, agora, passa pelo crivo do Manual do Usuário. Com a combinação de boas especificações e preços agressivos, o aparelho faz sucesso no varejo. Sucesso justificável? É o que descobriremos juntos.

Continue lendo “[Review] Moto G, o melhor smartphone barato que você pode comprar”

7 dicas para iOS / iPhone que você talvez não conheça

Faz algumas semanas que passei a usar um iPhone 5 como celular principal e nesse meio tempo conheci alguns truques legais do iOS. Nada que mude o mundo, mas coisas que agilizam ou fazem os outros esboçarem um risinho quando veem.

Já conhecia o iOS de iPhones alheios e principalmente do iPad (tenho um). A experiência no smartphone é mais polida do que no tablet, sensação intensificada na última versão do sistema. Enfim, com esse histórico que agora você conhece, somado a algumas pesquisas recentes, separei sete dicas que você talvez não saiba. (Se já sabia, parabéns, você é uma pessoa aplicada e conhece bem seu aparelho!) Continue lendo “7 dicas para iOS / iPhone que você talvez não conheça”

Um apelo: pare de filmar com o smartphone em modo retrato

Frame extraído de um vídeo feito em modo retrato.
Minha expressão quando vejo um vídeo em modo retrato :-/

Não é de hoje que todo smartphone é, também, uma câmera bem decente. A fotografia foi uma das primeiras áreas absorvidas pela convergência dos smartphones. Por estarem presentes neles há tanto tempo, já temos câmeras em celulares que rivalizam em qualidade com as compactas.

A conectividade e os incrementos qualitativos que as câmeras de smartphones apresentam não foram capazes, ainda, de barrar um desvio fotográfico-comportamental bem característico desse cenário: a gravação de vídeo em modo retrato. Não é muito difícil, em filmagens caseiras hospedadas no YouTube ou compartilhadas entre amigos, se deparar com uma feita com o celular “em pé”, da forma que o seguramos ao realizar outras atividades.

Uns podem dizer que isso é imposição pura e simples, que é ditar um modo de uso aos demais. Não acho que seja o caso porque… bem, o mundo é uma grande paisagem. TVs, monitores, cinema: tudo está em modo paisagem, com telas widescreen. E, diferentemente de celulares, que podem ser usados tanto em modo retrato quanto paisagem, girar uma TV a 90º é um pouco mais complicado. Uma tela de cinema? Acho que não dá.

Há casos em que o vídeo em modo retrato se justifica. O Snapchat incentiva isso — e é compreensível, visto que o consumo desse materal se restringe ao próprio celular. Para todos os casos, ou ainda, na dúvida, optar pelo modo paisagem é o mais sensato. Pena que não existe uma maneira de lembrar a todos disso. Ou será que existe?

Tem um app para isso

Os apps nativos de câmera das três principais plataformas móveis fazem pouco caso com a maneira com que o usuário segura o smartphone. No máximo, rotacionam os ícones e outros elementos da tela de acordo.

Terceiros mais preocupados com esse fenômeno têm surgido com a difícil missão de acabar com os vídeos em modo retrato.

O YouTube Capture só funciona em modo paisagem.
Foto: Rodrigo Ghedin.

O YouTube Capture, um app para iOS do Google para filmar, editar e subir vídeos no YouTube, simplesmente não funciona em modo retrato. Nesta posição ele pede, gentilmente, para que o usuário coloque o iPhone em modo paisagem e só aí libera o botão de gravação.

Mais recente, o Horizon1 tem uma abordagem diferente na luta para sanar o mesmo problema. Em vez de obrigar o usuário a usar o smartphone assim ou assado, ele adapta o vídeo para estar sempre em modo paisagem, mesmo quando filmado em retrato. Usando o giroscópio do aparelho, a área gravada é mantida na posição correta independentemente da posição do smartphone.

É mais conveniente, sem dúvida. Na prática, porém, os vídeos sofrem um pouco com essa liberdade dada ao usuário. O sensor da câmera não é quadrado, ele é projetado para ser usado em modo paisagem. No caso do Horizon, parece que acontece um crop (recorte) no vídeo em tempo real; apesar de um dos desenvolvedores ter me garantido que não há perdas, na prática é fácil notar que a qualidade final fica levemente prejudicada e o fator de corte aumenta — parece que a câmera dá um zoom, mas é apenas a limitação física do sensor que se mostra ao ser usado de forma “inadequada”.

Horizon em ação: filmagem em modo paisagem mesmo com o celular na vertical.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Tanto o Horizon quanto o YouTube Capture são duas tentativas de contornar um problema não técnico, um de natureza comportamental. Por isso, talvez o maior desafio deles não seja contornar o modo de operação do usuário, mas sim serem lembrados. Em outras palavras, é difícil concorrer com o app nativo da câmera. Na hora de filmar, a pessoa que grava vídeos em modo retrato se lembrará de abrir o Horizon em vez do app a que está acostumada?

Pós-produção?

Algumas pessoas pediram à Evil Window Dog, desenvolvedora do Horizon, uma forma de converter vídeos já filmados em modo retrato para o modo paisagem. Seria uma solução conveniente ao problema, considerando o hábito das pessoas de sempre recorrerem ao app nativo da câmera.

Com um software de edição adequado é fácil fazer essa alteração. Os resultados nem sempre ficam perfeitos, há perda em qualidade, mas antes isso do que uma faixa estreita no meio da tela ladeada pelo breu.

Ainda falta um passo, que é facilitar o processo. Numa pesquisa rápida não encontrei apps que fazem o serviço com alguns cliques, sem complicações — e se você conhecer algum, por favor diga aí nos comentários. Facilidade conta pontos em sistemas móveis, além de impulsionar o alcance da prática. Por mais simples que seja a operação em um Movie Maker da vida (e é), a coisa precisa ocorrer no próprio smartphone para ser considerada. Saiu dele? Esqueça.

Algum dia ficaremos livres dos vídeos em modo retrato? Dificimente. Mas a esperança, ah a esperança… é a última que morre, né? Wired, The Verge e este esquilo engraçado já imploraram para que as pessoas parem com isso. Agora, o Manual do Usuário engrossa o coro. Faça a sua parte, compartilhe este post com aquele amigo ou parente que insiste nessa prática errada. Um a um, devagar e sempre, conseguiremos conscientizar mais pessoas sobre as desvantagens do vídeo em modo retrato e assim faremos do mundo um lugar melhor!

  1. Entra aí no site, é bem maneiro. Tem um iPhone no meio da tela que fica rodando de acordo com o mouse e dois viewfinders à esquerda mostrando como fica o vídeo com e sem a tecnologia deles.

[Review] Novo Kindle Paperwhite, ou como melhorar o melhor e-reader

Não foi a Amazon quem começou essa história de e-readers com tela de e-ink, mas foi graças a ela que este nicho ganhou a popularidade que tem hoje. Os dispositivos Kindle são referência no segmento e versão após versão redefinem o que se deve esperar de um bom e-reader.

Tablets e smartphones, embora continuem funcionando após anos de serviços prestados se bem cuidados, parecem sofrer de obsolescência percebida, ou seja, mesmo funcionando bem a mera existência de modelos mais avançados atiça o nosso espírito consumista. Não precisamos de um celular novo, mas queremos um.

Com e-readers essa sensação raramente se manifesta. O Kindle evoluiu um bocado desde a sua introdução no mercado, em 2007. Ficou menor, mais leve, mais rápido e a tela ganhou mais contraste. Atualizações interessantes, mas nada que pudesse levar consumidores a fazer fila — caso a Amazon tivesse lojas físicas — para substituir modelos ultrapassados .

Cinco anos depois, o Kindle Paperwhite mudou essa história. Continue lendo “[Review] Novo Kindle Paperwhite, ou como melhorar o melhor e-reader”

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