O que explica a popularidade do MomentCam?

MomentCam: primeiro lugar na App Store brasileira.
Foto: Rodrigo Ghedin.

O MomentCam ocupa o primeiro lugar no ranking de apps gratuitos da App Store e está no Top 10 da mesma lista no Google Play. Desenvolvido pelos chineses da Hightalk Software, por onde passa ele se torna um fenômeno: primeiro na China, depois nos EUA (antes da versão em inglês surgir), sem falar em outros países menores no meio do caminho. Agora, mesmo sem falar o português ele explodiu em popularidade no Brasil.

Atualização: Na página do Manual do Usuário no Facebook, o Pablo indicou uma outra, a Sua foto em Caricatura. Com 24h desde a sua criação, ela já angariou 425 mil curtidas publicando algumas caricaturas e sempre pedindo, nas legendas, “Curta a foto e comente ‘EU'” para escolher um deles e transformá-lo em caricatura. Espero de verdade que esse meio milhão de pessoas descubra de alguma forma o MomentCam.

No Google Play a descrição do MomentCam traz trechos inspirados, como “Venha se divertir com o MomentCam, ele deixará a sua vida diferente” e “Nossa equipe é um grupo de jovens artistas e desenvolvedores com um sonho e corações enormes para trazer alegria e diversão a todas as pessoas do mundo”. Ok, então…

Deixando a filosofia barata de lado, o app é simples. Ele consiste em tirar uma foto, ajustar a posição dos olhos e da boca e escolher um template. O MomentCam traz um punhado de desenhos prontos e mescla a eles a foto recém-tirada, pegando da pessoa apenas o rosto.

É um selfie mais elaborado, uma fórmula que exerce estranho fascínio nas pessoas — é impressionante o tanto de gente compartilhando caricaturas criadas com o app. Talvez a vontade de compartilhar surja da preservação de traços marcantes que tornam reconhecível a caricatura em um template… atraente? Bonito? Divertido?

As teorias da conspiração por trás do sucesso do MomentCam

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MomentCam no Android.
Imagens: MomentCam/Reprodução.
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Alguns sites americanos, como o The Next Web, levantaram suspeitas sobre o sucesso meteórico do MomentCam. Ouriel Ohayon, co-fundador da Appsfire, disse à reportagem nunca ter visto algo assim:

“Ou existe alguma coisa que estou deixando passar ou eles estão usando táticas suspeitas para crescerem e obterem reviews positivos — os reviews na App Store norte-americana parecem todos estranhos. Consigo entender por que o app é bem sucedido na China ou na Ásia, mas seu posicionamento nos EUA não faz sentido.”

Não é só nos EUA, é no Brasil e em diversos outros países — o infográfico da Appsfire mostra o MomentCam bem posicionado em diversos lugares. Há umas coisas estranhas, como ele pedir permissão para se manter ativo em segundo plano e ter acesso às informações de ligações (?), mas daí a uma teoria da conspiração…

Instalei o MomentCam para ver como ele funciona. O app é bem feito: rápido, esperto e oferece mesmo uma infinidade de desenhos e opções de personalização. Tudo meio bobo, mas adequado à proposta. E com atualizações generosas que aumentam em muito o acervo de templates, talvez esse parágrafo resuma a fórmula do sucesso.

De qualquer forma, o MomentCam é intrigante. Seríamos nós criançonas que torcem o nariz para doll makers, mas que ficam malucas quando um deles coloca o nosso rosto no boneco? Não sei. Espero que explicações, ou tentativas, surjam aí nos comentários.

Enquanto isso, fique com um desenho meu feito no MomentCam:

Exemplo de caricatura feita no MomentCam.

Lumia 520, Optimus L4 II, Razr D1 ou Xperia E: qual o melhor smartphone abaixo de R$500?

O mercado brasileiro está recheado de smartphones para todos os gostos e bolsos. De modelos de ponta (e caríssimos) até os valentes celulares de entrada, que sofrem para rodar o pouco que oferecem, a variedade nunca foi tão grande por aqui.

Infelizmente não é todo mundo que pode se dar ao luxo de comprar um iPhone ou um Galaxy S. Na medida em que o preço cai, as especificações dos aparelhos definham também e chega um ponto onde as frustrações que eles geram no uso ultrapassam o tolerável. Qual é esse ponto? Difícil dizer, mas estimo que a faixa dos R$ 400 a R$ 500 seja uma boa aposta.

Com isso em mente, ou seja, pagar o mínimo possível por uma experiência aceitável, surgiu a ideia de realizar esse comparativo. O Natal se aproxima, logo, creio que será importante também para quem está em busca de um novo celular, próprio ou para dar de presente, que não comprometa o décimo terceiro. Espero que seja útil.

Cadê a Samsung? Desde o início a minha intenção era ter cinco celulares neste comparativo. Faltou um, da Samsung, que mesmo após insistentes pedidos meus não se dispôs a enviar um Galaxy Young Duos para testes. A resposta da assessoria foi de que eles não enviam aparelhos dessa faixa de preço para a imprensa. Uma pena.

Os competidores

Os quatro competidores, lado a lado.
Foto: Rodrigo Ghedin.

O comparativo envolve quatro aparelhos:

  • Lumia 520, da Nokia.
  • Optimus L4 II, da LG.
  • RAZR D1, da Motorola.
  • Xperia E, da Sony.

Todos foram usados por mim, usando um SIM card da Claro — à exceção do Lumia 520, testado na rede da TIM. São três Androids e um Windows Phone e tentei diminuir ao máximo os desvios que a mudança de plataforma poderia ocasionar. Como? Usando os mesmos apps (ou similares) em todos eles, definindo configurações idênticas (como brilho da tela) e outros pequenos ajustes visando a paridade.

Não é um teste científico, não rodei benchmarks, nem cronometrei ações nos aparelhos. Não é essa a pegada do Manual do Usuário porque não acho que tal abordagem tenha tanta importância no mundo real. Por exemplo: o Optimus L7 II, testado recentemente aqui, tem menos RAM que o RAZR D1, que integra esse testes, mas nem de longe é um aparelho inferior. Faria sentido dizer o contrário baseado em um mero número, ignorando completamente a experiência de uso? Eu acho que não.

Antes de colocar nossos competidores em choque, é válido dar uma passada por cada um deles — em ordem alfabética.

Lumia 520, da Nokia

Lumia 520,da Nokia.
Foto: Rodrigo Ghedin.

De todos, o Lumia 520 é o que tem mais cara de produto superior. O acabamento, a exemplo dos demais, é de plástico, mas aquele de toque mais suave característico de alguns aparelhos da Nokia.

Este smartphone se beneficia da rigidez que a Microsoft impõe a quem decide usar o Windows Phone. O SoC é um Snapdragon S4 Plus, com processador dual core de 1 GHz e GPU Adreno 305. Não é um foguete, mas segura bem as aplicações do sistema.

O que compromete um pouco é a memória disponível, apenas 512 MB, limitação que cobra seu preço na multitarefa: espere ver com alguma frequência a tela “Retomando…” ao voltar a algum app aberto recentemente. A sensação de lerdeza é amenizada pela interface fluída do Windows Phone; você sabe que demora, mas a espera parece menos dolorosa com as transições suaves e bonitas do sistema.

O Windows Phone dá uma força em outra área: a tela. Com 4 polegadas e resolução de 480×800, ela se distancia das demais testadas neste comparativo, mas ainda assim fica longe das melhores do mercado. O padrão visual fortemente angular e a tipografia grandona do sistema da Microsoft ajudam bastante a ocultar as deficiências da tela — que, em outros aspectos, como brilho, ângulos de visão e cores, é bem competente para essa faixa de preço.

Optimus L4 II, da LG

Optimus L4 II, da LG.
Foto: Rodrigo Ghedin.

De longe, o mais curioso. Não bastasse ter sinal de TV digital (como o RAZR D1, aliás), esse modelo intermediário da linha Optimus L, da LG, aceita três SIM cards simultaneamente. Não um, não dois; três!

O corpo gordinho não é muito mais grosso que os demais, mas passa a sensação de que sim. Ele também parece ser meio “achatado”, a ponto de deixar em dúvida a proporção da tela — seria esse um filhote do bizarro Vu, também da LG, o phablet com proporção de tela 4:3? Não é o caso. Aqui, temos uma tela de 3,8 polegadas e resolução de 320×480. O L4 II tem a tela com menor densidade de pixels de todos os modelos testados e isso afeta a percepção do usuário, mas mesmo em um equipamento tão barato e simples a LG colocou um bonito (e destoante) painel IPS.

No que diz respeito ao desempenho, temos um SoC single core de 1 GHz da Mediatek, combinado com 512 MB de RAM. As mesmas deficiências apresentadas pelo Xperia E, que compartilha uma configuração similar, são vistas aqui: os apps mais simples até abrem relativamente bem, mas gerenciar dois já sobrecarrega o sistema.

RAZR D1, da Motorola

RAZR D1, da Motorola.
Foto: Rodrigo Ghedin.

O simpático aparelho da Motorola é mais poderoso do que se poderia imaginar. Lançado junto ao D3 no primeiro semestre, chamou a atenção pelo custo-benefício e ainda hoje é uma compra muito boa no cenário abaixo dos R$ 500.

Embora não seja fator determinante, quando as outras características empatam com celulares nessa faixa de preço, a RAM dele se destaca. Dos modelos testados aqui, é o único com 1 GB disponível, característica impressionante para um smartphone de entrada.

A favor também está o Android (4.1.2 Jelly Bean) praticamente intacto que a Motorola usou aqui. Há pequenas alterações, a maioria útil, que não comprometem a saborosa experiência de usar o sistema como concebido pelo Google.

De ponto fraco, a tela talvez seja o maior. Ela tem 3,5 polegadas e resolução de 320×480, o que dificulta a leitura de textos menores e deforma ícones mais delicados, como os da barra de notificações.

Xperia E, da Sony

Xperia E, da Sony.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Cada aparelho dos testados herda algumas características de modelos mais avançados de suas respectivas marcas. No caso do Xperia E, o que se destaca é o botão de liga/desliga e desbloqueio da tela reforçado. Seria legal se todo celular tivesse esse detalhe, já que sendo algo usado o dia todo, é um do tipo que faz diferença.

A tela do Xperia E é a mais esquisita, com reflexos além do aceitável, um aspecto meio lavado e pouco brilho mesmo com essa configuração no máximo. A personalização da Sony, que já é de se questionar nos Xperias maiores, é particularmente ruim para a tela de 3,5 polegadas desse modelo. O app drawer, por exemplo, exibe poucos ícones por página e as alterações estéticas, que visam dar um ar mais sofisticado ao Android, são meio cafonas em um aparelho de entrada nada sofisticado.

Comparando detalhes

Vídeo comparativo

Quer vê-los mais de perto do que só em fotos? Temos um vídeo também:

A batalha dos chips

O L4 II aceita três chips de operadoras simultaneamente.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Dar suporte a mais de um SIM card está virando padrão em smartphones low-end e mid-range. Nossos competidores não fazem feio e, com exceção do Lumia 520, todos conversam com mais de uma operadora ao mesmo tempo — o L4 II, com três! O Lumia 520, aliás, é o único dos quatro a trabalhar com micro SIM.

Câmeras

Aqui é briga de foice para ver quem se sai menos pior. Com aparelhos tão comprometidos em tantas áreas, era de se esperar que as câmeras não fizessem maravilhas na hora de registrar momentos.

Nas amostras que fiz, as câmeras do Xperia E e L4 II não demoraram a se revelarem ruins. As outras duas agradam, dentro das limitações da situação. A do D1 é bastante saturada, mas tem boa definição. Já a do Lumia 520, apesar de um ou outro estouro ocasional em áreas claras, é a mais fiel em cores e entrega, na média, resultados bem legais. Veja esse primeiro comparativo em ambiente externo com bastante luz natural:

Comparando as câmeras dos smartphones em análise.

Em ambiente interno com iluminação natural a discrepância foi menor. LG e Sony parecem aplicar um pós-processamento mais pesado, algo perceptível na parte sombreada do Droid, abaixo. A definição da câmera do L4 II ficou surpreendentemente boa nesse exemplo, mas não sem sacrificar a qualidade — há um ruído perceptível naquela área.

Foto interna com luz natural.

Neste último comparativo, vemos o detalhe de uma placa. Aqui, as câmeras da LG e Sony mostram, novamente, que são fracas e acabam recorrendo a correções incapazes de equiparar os resultados aos das câmeras da Nokia e Motorola. Este exemplo também evidencia a inclinação da Motorola por imagens mais quentes e saturadas.

Detalhe em uma placa.

O álbum abaixo traz todas as fotos acima em tamanho natural, ordenadas e identificadas:

No geral, fiquei bem dividido entre as câmeras do Lumia 520 e do RAZR D1. A do smartphone da Nokia tem um tiquinho a mais da minha preferência por ser mais fiel em cores, sem puxar tanto para as quentes, ou saturá-las, como as do D1 — que, a seu favor, leva vantagem em definição.

Note que, como dito no início, aqui o objetivo não é encontrar a melhor câmera, mas a menos ruim. É relativamente difícil conseguir boas fotos com qualquer uma das quatro.

Bateria

Todos os quatro têm baterias modestas, suficientes para passar um dia longe da tomada desde que não se exagere no uso dos recursos. A do Lumia 520 é a menor de todas, com capacidade de apenas 1300 mAh — os demais giram em torno de 1700. Na prática, o Windows Phone parece ser menos gastão e a autonomia não difere tanto quanto essa diferença numérica sugere.

É difícil encontrar smartphones com baterias que se destacam. Quando acontece, geralmente a própria fabricante ressalta isso — como no RAZR MAXX, da Motorola, ou o Honor, da Huawei. Ainda que bem próximos dos preços de dumbphones mais elaborados, no quesito bateria os smartphones de entrada são parecidos com modelos mais caros. O que, nesse caso, é uma pena.

Acabamento

Plástico, plástico para todo lado! Mas alguns bons, especialmente o do Lumia 520. Ele se sobressai e ganha, sem muita dificuldade, o título de celular mais bonito deste comparativo. A ergonomia também é bacana (é o maior dos quatro), com bordas arredondadas atrás e um acabamento suave na tampa traseira.

O Xperia E também aposta em um tipo de plástico diferente, com uma textura rugosa que dá firmeza no uso. Além da ergonomia, o design dele dá uma valorizada estética ao conjunto. Fica em segundo lugar nesse critério.

Detalhe interessante no design do Xperia E.
Foto: Rodrigo Ghedin.

L4 II e D1 usam um plástico mais simples, pouco inspirado. As tampas traseiras são levemente texturizadas, mas de forma ruim ou indiferente. O D1 imita o acabamento em Kevlar dos RAZR mais caros, mas é plástico mesmo e dos mais simples.

Desempenho

A exemplo da câmera, aqui também a briga é feia. Todos eles te fazem esperar para abrir apps, todos se enrolam na multitarefa, nenhum tem desempenho capaz de distanciá-lo dos demais. Adquirir um smartphone por menos de R$ 500 é, antes de qualquer coisa, um exercício constante de paciência.

O RAZR D1 leva vantagem pela RAM extra, mas é uma vantagem que se mostra mais em situações de uso atípicas. É notadamente mais rápido que os outros dois Androids, mas na maior parte do tempo ter mais RAM que os outros não impacta tanto assim — o Android capenga bastante com 512 MB, mas não faz muito melhor com o dobro disso e um SoC ruim.

O Lumia 520 tem a vantagem do Windows Phone: ele transita pela tela com mais harmonia, passando a sensação de ser mais ágil que os concorrentes com Android e é efetivamente mais rápido que os outros. Mas, no geral, é só sensação mesmo: em um teste direto, abrindo apps similares simultaneamente nos quatro logo após reiniciá-los, o tempo de carregamento foi muito parecido em todos, com o smartphone da Motorola levando uma ligeira vantagem na maioria das vezes e o Lumia 520 vindo logo atrás.

Nessa disputa, desempenho é um fator que não pesa tanto na hora da escolha — todos são, infelizmente, fracos. Considere outras coisas na hora de decidir pelo seu.

E o vencedor é…

De cara, pelo acabamento, desempenho e outros detalhes já citados, Optimus L4 II e Xperia E ficaram pelo caminho. O páreo foi duro, porém, entre o Lumia 520 e o RAZR D1. São dois aparelhos que não parecem custar o que custam dada a qualidade que oferecem. Verdadeiras pechinchas que servem muito bem o usuário sensível a preços.

No fim, feitos mais testes e gasto mais tempo refletindo, ganhou a minha preferência o aparelho da Nokia. Na faixa entre R$ 400 e R$ 500, o Lumia 520 é a indicação do Manual do Usuário.

Botões frontais do Lumia 520.
Foto: Rodrigo Ghedin.

O Lumia 520 levou pelo acabamento, muito mais premium que os demais, a tela, a maior fisicamente e com resolução mais alta de todos, e o Windows Phone, que em modelos de entrada está em melhor forma que o Android — cenário que pode mudar com a chegada do KitKat — e já não sofre tanto da escassez de apps, um problema crônico até ano passado. É disparado o Lumia que a Nokia mais vende, e dá para entender o porquê: é um smartphone e tanto.

RAZR D1 no detalhe.
Foto: Rodrigo Ghedin.

O RAZR D1 fica em segundo, mas por uma cabeça de distância. Mais especificamente, por uma tela ruim. Para quem prefere a multiplicidade de apps do Android ou o sistema em si (com a promessa de atualização para o começo de 2014), porém, é a melhor pedida. Trata-se de um smartphone bem competente para o que custa, com uma experiência próxima à do Android puro e extras técnicos interessantes em relação ao Lumia, como suporte a dois SIM cards e TV digital.

O D1 tem, agora, um grande concorrente doméstico, o Moto G. Apesar do preço sugerido de R$ 649, na Black Friday diversas lojas venderam a variante de entrada por R$ 550 e não será surpresa se já no Natal esse valor se repetir, ou cair ainda mais. Entre os dois, a disputa é covardia. Vá de Moto G sem pensar meia vez.

É bem provável que o varejo brasileiro empurre os preços desses modelos ainda mais para baixo nas festas de fim de ano. O bom é que, hoje, quem tem pouco para investir em celular não fica tão comprometido quanto alguém há dois anos com o equivalente a esse valor de hoje — comentamos isso em um podcast, aliás. O avanço das configurações e o uso de tecnologias antes de ponta em celulares de entrada gera esse benefício na ponta de baixo da tabela e, no fim, ganha todo mundo.

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Guia de compras: como escolher o melhor smartphone para você

Associamos o fim do ano a várias coisas. Natal, família reunida, férias, viagem e… compras. Seja para representar o Papai Noel, seja para aproveitar o décimo terceiro, dezembro é sinônimo de compras e o comércio entra na onda com ofertas mais generosas — misturadas a algumas armadilhas.

Minha filosofia, pessoal e para o Manual do Usuário, é sempre ressaltar o custo/benefício. Não vejo muita vantagem em ter o melhor quando a situação não o exige. Claro, claro: não é o caso de se comprometer com equipamentos que não darão conta da demanda. O ponto é que nem sempre (quase nunca, na real) o gadget mais caro será o mais divertido, ou o mais útil.

Pensando nisso e nas compras de fim de ano que daqui até o dia 24 ficarão mais e mais frenéticas, surgiu a ideia de montar este guia de compras de smartphones, o gadget mais desejado e debatido do momento.

A intenção não é indicar modelos específicos*. O objetivo é dar explicações e orientações básicas para que você saiba o que está comprando, evitando levar um pepino para casa e ter aquela ressaca moral no dia 26.

* Mesmo com essa ressalva, no final deste artigo deixo algumas indicações.

A quem este guia de compras se destina

Várias pessoas tirando fotos com celulares.
Foto: Dave Lawler/Flickr.

Dia desses, na minha odisseia por um nano-SIM com plano pré-pago (é um martírio, acredite), pude observar como seres humanos comuns vão às compras nas lojas das operadoras. A menos que você esteja disposto a bancar um plano pós-pago, o simples fato de entrar em uma loja de operadora já se revela um erro. Os smartphones baratos não estão lá.

Mas relevemos esse detalhe. Durante a observação sociológica, notei um desconhecimento generalizado que, somado a atendentes que precisam bater metas de vendas, são mal preparados ou atuam com má vontade e que não se importam muito com o pós-venda, resultam em uma profusão de recomendações questionáveis de smartphones notadamente ruins.

Imagino que não seja esse o caso do leitor regular do Manual, então faça o favor de indicar este texto àquele parente ou amigo menos chegado em tecnologia. Ele irá agradecê-lo! E leia você também; de repente alguma dica bacana aparece e, tenho certeza, os seus comentários agregarão bastante às palavras escritas aqui em cima.

Delimite para avançar

Só de modelos da linha Galaxy, da Samsung, deve haver algumas dezenas inundando nosso mercado. A estratégia da fabricante sul-coreana é preencher todas as faixas de preços possíveis. Por um lado isso a ajuda a vender mais — não será por R$ 50 a mais ou a menos que alguém deixará de levar um Samsung para casa — e para mim foi uma mão na roda na hora de encontrar exemplos na redação deste artigo :-)

Para você, porém, é confusão na certa. Até eu, que acompanho de perto esse mercado, vez ou outra sou surpreendido. Como na vez em que uma amiga veio me contar, contente, do Galaxy Win Duos que havia comprado. Prazer, Galaxy Win Duos. Quem é você?

Em menor grau, toda fabricante repete essa estratégia Gremlins. Nos próximos tópicos veremos como evitar as ciladas e garimpar os modelos realmente legais. Antes de nos aprofundarmos, porém, é preciso definir dois parâmetros básicos: preço e sistema.

Um punhado de smartphones na mesa.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Há smartphones que variam de R$ 200 a mais de R$ 3.000. A lógica vale aqui: você terá uma experiência melhor com os mais caros. Mas ela não é absoluta, ou seja, dá para encontrar bons modelos em camadas inferiores. (A minha recomendação absoluta hoje, por exemplo, fica em torno de R$ 1.000.) Não é preciso se endividar para ter um smartphone legal. E, hey, salvo algumas exceções, celular é um luxo, no máximo uma utilidade. Não vá se endividar para ficar vegetando no Candy Crush ou reclamando de falta de grana no Facebook!

Além do valor que você está disposto a gastar, o sistema operacional é outro fator de corte importante. Temos, hoje, alguns no mercado:

  • Asha/S40
  • Firefox OS
  • Android
  • Windows Phone
  • iOS
Firefox OS rodando em smartphone da Alcatel.
Foto: Mozilla in Europe/Flickr.

Os dois primeiros, Asha/S40 e Firefox OS, ficam restritos à ponta de baixo da tabela — são aparelhos baratos e humildes, bastante limitados em recursos. Na outra ponta está o iOS: é impossível encontrar um iPhone decente por menos de R$ 1.500. Quem fica cheio de dúvidas é aquele que quer um Android ou um Windows Phone. Se for o seu caso, não se assuste. Há uma luz no fim do túnel e eu mostro o caminho até ela.

Números não dizem tudo, mas falam um bocado

Sempre bato na tecla de que números e configurações têm mais importância do que deveria na hora de se escolher um bom smartphone. É a experiência que conta no fim. O discurso continua válido, sempre, mas há um piso para tudo isso de modo que alguns números mínimos devem ser observados.

A maioria dos brasileiros acha importante ter um bom processador no smartphone, mas pouquíssimos sabem qual está dentro do aparelho que carregam consigo. É uma situação meio bizarra, mas é bom que essa preocupação exista. Você não precisa saber o modelo exato, quantos giga hertz ou qual a GPU que equipa o seu smartphone. As próprias fabricantes, como Qualcomm e Samsung, facilitam a nossa vida com nomes comerciais — mais fáceis de gravar e que atestam a qualidade do conjunto.

Antes que alguém pergunte: não há um tópico para bateria. Com pequenos desvios, hoje todo smartphone dura, se muito, um dia longe da tomada. Essa característica é sempre um choque para quem vem de um celular mais simples, mas é a vida. Existem modelos que se destacam pela grande autonomia, como o RAZR MAXX, da Motorola, e o Honor, da Huawei. São modelos de meia idade e que, hoje, não valem a pena.

SoC: o processador — e mais algumas coisinhas

Já que estamos falando de SoCs, comecemos por eles. SoC é a sigla para System-on-a-Chip, ou seja, um chip que traz, embarcados, a maioria ou todos os componentes vitais para que um dispositivo móvel funcione. Processador, GPU, antenas e módulos como Bluetooth e GPS vêm, em geral, no SoC. São informações importantes, sim, mas que em sua quase totalidade acabam “traduzidas” no jargão marketeiro das fabricantes e operadoras.

A fabricante de SoCs ARM mais popular, hoje, é a Qualcomm. Ela produz a linha Snapdragon que equipa os smartphones mais poderosos dos universos Android e Windows Phone. A linha atual é composta pelos Snapdragon 200, 400, 600 e 800 e algumas variantes recentes, como as famílias 410 e 805; ainda existem alguns modelos respeitáveis com o S4 Pro, do ano passado. Considere a “nota de corte” o Snapdragon 400: dele para baixo, grandes são as chances de você se decepcionar com o desempenho.

Para situá-lo, veja o que alguns smartphones interessantes disponíveis hoje usam:

  • Snapdragon S4 Pro: Nexus 4, Moto X, Xperia SP, Lumia 925, Lumia 1020.
  • Snapdragon 400: Moto G, Lumia 625, Galaxy S 4 Mini.
  • Snapdragon 600: Galaxy S 4, Optimus G Pro.
  • Snapdragon 800: G2, Xperia Z1, Xperia Z Ultra, Galaxy Note 3.

Se o smartphone desejado não usar um chip da Qualcomm, ele provavelmente cairá em uma das seguintes marcas/empresas:

  • Exynos, da Samsung: algumas variantes dos Galaxy S III, S 4, Note II e Note 3 usam o SoC da casa.
  • MTxxxx, da MediaTek: esta fabricante taiwanesa tem se destacado pela fabricação de bons chips a um custo muito baixo. Não por acaso, aparelhos pensados para bolsos sensíveis costumam trazê-lo embaixo do capô, como os RAZR D1 e D3,
  • Tegra, da NVIDIA: a última iteração, o Tegra 4, ainda não apareceu em um smartphone, só em tablets. A linha ficou um pouco queimada por, em versões anteriores, prometer muito e entregar pouco.
  • AX, da Apple: esses você só encontra nos iPhones. A versão mais atual é o A7, presente no iPhone 5s.
  • Atom, da Intel: rainha absoluta nos computadores, a Intel vem se esforçando para fincar sua bandeira no segmento móvel. Há poucos aparelhos com um SoC dela no mercado, sendo o mais bem sucedido até o momento o RAZR i, da Motorola.

Como escolher um bom SoC? Com ressalvas, a hierarquia dos modelos é um bom caminho. Existem diferenças entre Snapdragon 600 e 800, mas no dia a dia não é algo que se nota com facilidade. Mesmo o Snapdragon S4 Pro move aparelhos bem bons, como o Moto X, da Motorola. Essa trinca, somada ao Exynos 4 e 5, são o que o consumidor de olho em smartphones que não engasgam deve procurar.

Para quem está com restrições orçamentárias, o Snapdragon 400 e os MediaTek dual core são boas pedidas. Eles equipam o Moto G e o RAZR D3, respectivamente, dois modelos da Motorola que brilham no custo/benefício.

Memória? Quanto mais, melhor

Existem dois tipos de memória em um smatphone que devem ser alvos de atenção. A RAM é a memória que os apps e o sistema usam temporariamente. A memória interna é o espaço que “guarda” indefinidamente o próprio sistema, apps e dados do usuário — fotos, músicas, arquivos de texto e tudo mais que for gerado pelos apps.

Esta simpática animação dos anos 1990 conta como funciona um computador por dentro — os dois minutos iniciais. Para nosso intento, ela serve: repare, logo no começo, a distinção que o processador faz entre RAM (“sobe janela”, “abre o Internet Explorer”) e o HD (no nosso caso, a memória interna; outra tecnologia, a mesma finalidade):

Em questão de RAM, o mínimo aceitável no Android é 1 GB. Com 768 MB você se vira com algum sufoco ocasional em sessões mais intensivas com a abertura de múltiplos apps ao mesmo tempo. 512 MB? É fria. Talvez o Android 4.4 mude esse cenário, mas como não existe ainda no mercado Android de 512 MB com a última versão do Android, a dica segue válida neste final de 2013.

Para o Windows Phone, vale o mesmo. O sistema é mais fluído que o Android, o que significa que aparelhos com 512 MB de RAM, como o Lumia 520, não sofrem tanto quanto seus pares com o sistema do Google. Mas a limitação afeta a multitarefa e tem uma leve agravante: a restrição a determinados apps mais gastões na loja de apps. A Microsoft e os desenvolvedores se esforçam para otimizá-los, mas vez ou outra aparece um app que só roda em dispositivos com 1 GB de RAM.

Se você estiver de olho em um iPhone, Asha ou Firefox OS, RAM não deve ser motivo de preocupação porque… bem, porque não há escolha. Dos dois primeiros nem se sabe quanto trazem, mas suspeita-se que seja pouco pela (pretensa) leveza dos sistemas e por contenção de custos — memória custa caro. No iPhone, os modelos atualmente à venda vêm com 1 GB, com exceção do iPhone 4S, ainda comercializado, com 512 MB. Pela arquitetura e otimização que o iOS tem, são quantidades suficientes para se ter uma boa experiência, sem engasgos ou esperas intermitentes.

Em relação à memória interna, a variação é maior. Até o iPhone é oferecido em vários patamares, com preços bem salgados para apenas dobrar a memória disponível.

O mínimo que eu recomendaria, hoje, é 8 GB. No aperto, tendo que limpar fotos e música esporadicamente e se policiando quanto à instalação de apps e jogos. Com 16 GB já dá para viver com relativo conforto. Fartura mesmo é ter 32 GB ou mais, mas isso, só para bolsos abastados.

Uma saída para se ter memória sem ter que empenhar um rim no banco é apelar para cartões SD. A relação custo por mega byte é bem mais em conta. Problema? Nem todo aparelho oferece o slot correspondente. Atenha-se a esse detalhe se espaço for importante.

Tela: o que você vê (e o que não vê) é importante

Comparativo com tela comum e tela Retina dos iPhones.
À esquerda, tela do iPhone 3. À direita, tela Retina do iPhone 4. Fotos: Paul Hudson/Flickr.

Além de ser a interface entre você e o seu smartphone, a tela costuma determinar outra característica importante: o tamanho físico do gadget.

A variedade de tamanhos é generosa hoje, mas com uma ou outra exceção, telas menores significam configurações mais fracas. Quando a Samsung encolhe o Galaxy S 4 e acrescenta um “mini” ao seu nome, ela encolhe também a velocidade e a quantidade de memórias que vão nele. Telas muito pequenas, com cerca de 3 polegadas, significam smartphones ruins. Alguns Galaxy (Young Duos, Pocket), Xperia E, Optimus L3 II e L2 II… ultrapassam o tolerável. Não valem a pena, mesmo.

Existe algum pequeno poderoso? Sim, o iPhone, com tela de 4 polegadas e hardware capaz de fazer frente a qualquer outro smartphone disponível. Mas essa relação pouco usual cobra (bem!) seu preço. É um aparelho caro.

É de se notar, também, que o conceito de “grande” no universo móvel mudou um pouco nos últimos tempos. Hoje, graças a processos de construção mais precisos e bordas mais finas, smartphones com até 5 polegadas cabem sem sustos no bolso e podem ser manipulados com uma mão sem tanta dificuldade. Se tiver receio, vá a uma loja e mexa em um você mesmo, experimente-o no bolso (avise o atendente antes!), faça o teste. Acima disso temos os phablets e aí sim, com telas chegando a 6,8 polegadas, o risco de não caber em uma calça mais justa é real.

O tamanho da tela importa, mas a qualidade também. Veja a resolução, se for possível saber, descubra também a densidade de pixels da tela. Com qualquer coisa acima de 300 PPI você estará bem servido: nesse nível os pixels passam a ser indistinguíveis individualmente, o que se traduz em fontes mais suaves, menos fadiga ocular e mais beleza em fotos, vídeos e jogos. Aparelhos fisicamente grandes mas com resoluções baixas, como o Galaxy Grand Duos, da Samsung, são furadas.

Telas do Moto X e Nexus 4 lado a lado.
À esquerda, a tela super saturada do Moto X. À direita, a sóbria do Nexus 4. Prefiro a segunda. Foto: Rodrigo Ghedin.

Indo mais a fundo, entramos em uma área com a qual me importo bastante e que, não raro, é esquecida: a tecnologia empregada no painel. Vale a pena o trabalho que dá para entendê-la se você se importa com detalhes.

É comum a utilização de painéis AMOLED, uma técnica com vantagens, mas que dentre as desvantagens satura bastante a tela — o preto é mais profundo e economiza energia, e as cores ficam mais vivas, mas fogem da realidade e sofrem com distorções estranhas, geralmente pendendo para o verde. Samsung e, em menor escala, Motorola são as que mais recorrem a ela. Há quem prefira essas telas saturadas e em modelos topo de linha, como o Galaxy S 4, os efeitos colaterais são bastante amenizados. De minha parte, fico com as mais neutras, mais fiéis à realidade, como as que a LG produz.

Muitos mega pixels não são sinônimo de câmera boa — mas podem ajudar

A câmera PureView do Lumia 1020 vista em partes.
Foto: Digital Trends.

Por anos a indústria apostou no aumento dos mega pixels das câmeras para forçar os consumidores a atualizarem suas câmeras digitais. Demorou para cair a ficha de que a resolução é apenas parte da soma do que faz uma boa câmera. Sensor, conjunto de lentes, software de processamento e outros aspectos também contam.

Smartphones sofrem com uma limitação física: por serem pequenos e finos, não dá para colocar sensores muito grandes, ou lentes elaboradas ali. Há exceções, claro, e a primeira que vem à mente é o Lumia 1020, com um sensor enorme de 41 mega pixels. Fugindo à regra (e ajudado por aqueles outros aspectos que também contam), é a melhor câmera móvel do mercado, de longe.

Outras que merecem destaque são as dos Lumias 920 e 925, Xperia Z1, Galaxy S 4 e iPhone 5s. Todas muito boas, considerando serem de smartphones. Partindo dessas, a qualidade das câmeras em outros modelos cai junto com os preços.

Em aparelhos mid-range, vale a lógica dos melhores  smartphones de um ou dois anos atrás: passam em situações com bastante luz natural, mas é preciso cautela em ambientes fechados e à noite. Nos abaixo dos R$ 800, esqueça: encare a câmera como um quebra-galho e nada mais para não se frustrar.

3G? 4G? Você vai mesmo precisar disso?

O último item numerológico da análise deve ser o padrão de conectividade, se o smartphone conversa com redes 3G ou 4G. A primeira tecnologia é bastante difundida, de modo que você só não a encontrará em modelos realmente simples, como o Asha 501, da Nokia. Em todos acima disso, é praticamente certo o suporte a redes 3G.

O 4G ainda engatinha, embora seja funcional em grandes centros e até algumas cidades do interior — em Maringá, Paraná, onde moro, a Vivo já oferece em algumas regiões-chave. Se você quiser usufruir da velocidade maior do 4G, é preciso ter um aparelho compatível.

O smartphone mais barato que compatível com redes 4G é o Lumia 625, da Nokia. Depois disso temos Moto X e Xperia SP, da Motorola e Sony, respectivamente. O Lumia 920 e 820, da Nokia, estão com preços bem convidativos devido à idade (foram lançados no começo do ano) e também são compatíveis. Praticamente todo topo de linha lançado nos últimos meses é certificado para o 4G nacional, como os novos iPhones, Galaxy S 4 (uma das variantes), Xperia Z1 e Z Ultra, Lumia 925 e 1020, BlackBerry Z10 e G2, da LG.

O campo minado das versões do Android

Easter egg do Gingerbread.
Android 2.3 em 2013 não dá! Foto: Rodrigo Ghedin.

Se naquele critério inicial você optou pelo Android, é preciso estender a análise para a versão que vem instalada no smartphone em vista.

A mais atual é a 4.4. Nenhum celular vendido hoje no Brasil sai de fábrica com ela, e apenas dois já ganharam atualização — Nexus 4 e Moto X. Essa versão é mais um aperfeiçoamento da linha Jelly Bean (4.1 a 4.3) do que uma totalmente nova; vem com recursos diferentes e muito úteis, como o discador inteligente e a centralização de serviços de armazenamento de arquivos na nuvem, mas não é primordial.

A dica? Não pegue nada anterior ao Android 4.1. Nessa versão o Google introduziu o Google Now, assistente pessoal pra lá de esperto, e o Project Butter, uma série de modificações internas que suavizaram o sistema. E não espere atualizações: com exceção de aparelhos de ponta, elas são raras. O mais comum é um smartphone nascer e morrer com a mesma versão do Android.

Não é muito difícil encontrar smartphones rodando Android 4.0 e, com um pouco mais de dificuldade, até o 2.3 Gingerbread. Fuja desses. Além do sistema defasado, diversos apps exigem no mínimo a versão 4.0 para rodar.

Calma que tem mais. Não bastasse a versão, o Android ainda traz outro “problema” na hora de escolher um smartphone: as skins das fabricantes. A natureza semi-aberta do sistema permite que Samsung, LG, Sony e outras modifiquem-no por inteiro. Isso significa que o Android como concebido pelo Google dificilmente é visto por aí. As variações são mais populares: temos o Android com TouchWiz (camada da Samsung), Optimus UI (LG), Sense UI (HTC) e Xperia UI (Sony).

Tenho uma opinião bem radical nesse ponto: nenhuma dessas modificações é boa. O Android puro é, de longe, a melhor experiência no sistema. E isso pesa, demais… Usar um Nexus e depois partir para um Galaxy ou Optimus é quase como usar dois sistemas distintos. Além da linha Nexus, que tem a bênção do Google no projeto e, por isso, vem com o Android livre de modificações, apenas a Motorola aposta em um sistema mais enxuto, mais limpo — as versões que equipam Moto X, Moto G e os RAZR D1 e D3 são acertadas, com algumas pequenas intervenções, todas bem felizes.

Nos EUA e em alguns poucos países onde o Google Play comercializa hardware existe a opção de comprar “Google Editions” de smartphones populares, como HTC One e Galaxy S 4. Elas extirpam o Android modificado das fabricantes e colocam, no lugar, a versão pura do sistema. Por aqui, ficamos na vontade.

Edições Google do HTC One e Galaxy S 4.
Foto: Gizmodo.

No lado Microsoft, o Windows Phone se apresenta como o meio termo entre Android e iOS — o sistema da Apple atualiza uniformemente em todos os aparelhos a partir de uma mesma data. Com a Microsoft, as atualizações são garantidas, mas dependem do aval das operadoras em cada país. Esta página mostra o status da última, no caso, a Amber. Você espera um pouco mais, mas tem a certeza de que seu aparelho será atualizado, diferentemente do Android onde essa questão é sempre uma loteria.

Cuidado com cópias e marcas sem tradição

Ao longo do texto cito alguns aparelhos para exemplificar configurações e as dicas mostradas, todos de marcas conhecidas. Não que essas sejam as únicas confiáveis, mas elas têm a seu favor o uso por milhões de pessoas e anos de estrada. É mais provável que essas deem menos dor de cabeça do que uma marca obscura que compra equipamentos prontos da China e faz apenas o rebranding por aqui, certo?

Ainda não tive contato suficiente com as nacionais (Positivo, Gradiente e CCE, para ficar em algumas), nem com marcas menos tradicionais (ZTE, Alcatel one touch, Huawei) para indicar aparelhos delas com convicção. Dependendo do preço e das configurações, que a essa altura você já deve estar apto a interpretar, podem ser bom negócio.

Smartphone estilo iPhone é fria!
“Smartphone estilo iPhone 5s” com screenshot do Android 1.6.

O que é sempre um mau negócio são as marcas piratas. Viu um smartphone que parece iPhone, mas roda Android? Fuja sem olhar para trás. Ainda que no papel as configurações pareçam boas, grandes são as chances de componentes de baixa qualidade terem sido usados e, com isso, que durabilidade e qualidade sejam pífias. Se a marca não respeita propriedade intelectual das outras, por que respeitaria o consumidor?

Onde comprar?

Quem tem plano pós-pago junto à operadora pode, de repente, conseguir algum desconto que compense na troca ou compra de um smartphone novo. No Brasil, porém, os planos pré são mais populares, o que nos leva para longe das lojas de Claro, Oi, TIM e Vivo.

O varejo vez ou outra coloca bons aparelhos em promoção. Sempre compare preços, usando ferramentas como Buscapé e JáCotei — essa última tem um gráfico bem interessante de variação de preços nos últimos seis meses. Os dois sites oferecem ainda alertas de preço, que avisam o consumidor quando determinado produto atinge o valor pré-definido por ele.

Gráfico mostra a variação de preço do Moto X.
Variação de preço do Moto X, segundo o JáCotei.

Você pode arriscar no MercadoLivre e similares. O risco, nesses locais, é dar o azar de lidar com vendedores desonestos, ou encontrar dificuldades na hora de acionar a garantia ou resolver outros imprevistos. Nas lojas do varejo é tudo mais fácil e amparável juridicamente. Use o Buscapé e o JáCotei, somado ao Reclame Aqui, para encontrar as com boa reputação, que atendem com agilidade e resolvem as reclamações dos clientes.

Uma exceção a essa regra é a dos usados. Especialmente em se tratando de iPhone, cujo preço não costuma cair nas lojas, pode ser uma via interessante — o meu, um iPhone 5, é de segunda mão; bem conservado, com pouco tempo de uso e saiu bem mais barato do que um novo. Smartphones Android e Windows Phone desvalorizam rapidamente na loja, então pesquise com atenção caso opte por comprar um usado. Nem sempre a diferença de valor torna a compra de um usado melhor negócio que a de um novo.

Algumas indicações de smartphones

A essa altura você já deve estar pronto para escolher um bom smartphone. Se apesar do conhecimento adquirido você ainda não se sentir seguro na escolha, pesquise. Use os comentários abaixo, procure fóruns de discussão. Há alguns bons espalhados pela web e outros tantos escondidos nos grupos do Facebook e comunidades do Google+. Apenas tome cuidado com grupos focados; não adianta muito pedir indicação de um bom Windows Phone em uma comunidade de fãs do Android. Dar um grito no Twitter também pode ser eficaz.

Para dar aquele empurrãozinho, separei algumas indicações abaixo. Elas não são absolutas, nem compreendem todos os bons smartphones disponíveis no varejo nacional. Considere-as como ponta pés iniciais: depois de ler as minhas justificativas, vá atrás de uma segunda, terceira, quarta opinião. Sinta-se livre para debatê-las lá embaixo, nos comentários. Sempre, sempre busque conhecimento — o ET Bilu sabe o que fala!

O melhor: Moto X

Moto X.
Foto: Motorola/Reprodução.

O Moto X é a nova Motorola condensada em um dispositivo. É um smartphone bem acabado, recheado de recursos (4G, boa câmera, tela legal, boa autonomia, ergonomia nota dez) e supera as expectativas graças à profunda otimização e alguns truques exclusivos, como as notificações ativas e os núcleos auxiliares — de linguagem natural e computação contextual.

Ele vem com o Android quase puro (e, agora, atualizado) e as poucas intervenções da Motorola são grandes golaços, como o assistente de migração, o Assist e o software simplificado da câmera. É fácil encontrá-lo por R$ 1.000, um preço baratíssimo para tudo o que ele entrega. O custo-benefício é imbatível e, importante, não traz comprometimentos de carona.

Pelo conjunto da obra, o Moto X é a minha indicação para esse final de 2013.

Considere também:

  • Nexus 4: mesmo com mais de um ano nas costas ainda segura a onda bem e está em processo de desova no varejo há meses, o que significa preços inferiores a R$ 800.
  • Lumia 920: apesar do peso (é um chumbo) e do Windows Phone, tem aparecido em promoções muito boas, abaixo dos R$ 1.000, o que é uma pechincha e se explica pelo fim da produção do modelo no país.
  • iPhone 5s: se dinheiro não for problema, a última versão do smartphone da Apple é ligeira, tem uma câmera melhorada, sensor biométrico e o acervo infinito de apps que fazem a fama do iOS.

A melhor câmera: Lumia 1020

Lumia 1020.
Foto: Nokia/Reprodução.

São 41 mega pixels bem utilizados pela câmera PureView do Windows Phone topo de linha da Nokia no Brasil, o Lumia 1020. O Windows Phone 8 ainda está um passo atrás do Android e do iOS, mas já oferece uma boa variedade de apps e vem amadurecendo rapidamente. Os apps de câmera, aliás, são encontrados aos montes e ajudam o usuário a fazer melhor uso do latifúndio de mega pixels disponível.

Não é o smartphone mais barato, nem o mais caro — o preço sugerido da Nokia é R$ 2.400, mas ele já chegou a R$ 1.900 em algumas lojas do varejo –, mas estamos falando da melhor câmera grudada em um smartphone que se pode comprar hoje.

Considere também:

  • Xperia Z1: o smartphone da Sony tem uma câmera de 20,7 mega pixels que, a exemplo do Nexus 5 (ainda indisponível no Brasil), também melhora com atualizações de firmware. O preço está na mesma faixa do Lumia 1020, mas as similaridades param por aí. Vem com Android, tela Full HD e tudo o que se pode esperar de um Android topo de linha hoje.
  • iPhone 5s: versão após versão é notável a melhora que as câmeras do iPhone apresentam. Na última, ela ficou mais rápida, sensor e aberturam aumentaram, um LED extra apareceu e as otimizações de software a deixaram capaz de tirar fotos ainda mais belas.

O melhor econômico: Moto G

Moto G.
Foto: Motorola/Reprodução.

O Moto G é intrigante. Com um hardware bem bom e preço de smartphone inferior, ele tem colhões para subverter o mercado. Antes dele, era difícil comprar algo digno de elogios por R$ 650. Não mais. Configurações atuais, desenho sóbrio e recursos que se não são os melhores do mundo, deixam os de smartphones da mesma categoria no chinelo, são a fórmula para se fazer um smartphone barato vencedor.

Considere também:

  • Lumia 625: se 4G for essencial para você, este Nokia é a opção mais em conta. Ele não tem configurações estelares; na realidade, elas são relativamente fracas. Mas chegando abaixo de R$ 700 em promoções pontuais do varejo, é a forma mais econômica de usufruir do 4G no Brasil.

O melhor para quem está no aperto: Lumia 520

Lumia 520.
Foto: Nokia/Reprodução.

Considerando o teto de R$ 500, o Lumia 520 é a melhor escolha. O Windows Phone é suave e o hardware fraco dos smartphones nessa faixa de preço não sente tanto seu peso. O acabamento é muito bom, chama a atenção e dá a sensação de que se trata de um aparelho de categoria superior.

Considere também:

  • RAZR D1: o valente smartphone da Motorola conta com suporte a TV digital, aceita dois SIM cards e, o que é mais importante, consegue domar o Android 4.1 (promessa de 4.4 para janeiro) com seu SoC MediaTek e 1 GB de RAM. A tela e a câmera são sofríveis, mas não dá para esperar muito.
  • Asha 501: quem tem R$ 250 na mão e a vontade de ter qualquer coisa melhor que um dumbphone de lanterninha, tem neste modelo de entrada da Nokia uma boa saída. Não tente forçá-lo a fazer muita coisa, o ideal é se contentar com os apps que vêm pré-instalados. Nesse termos, ele se comporta bem e consegue até impressionar em alguns pontos, como na sua bateria highlander. (Na última grande atualização o Asha 501 ganhou WhatsApp.)

Comprar um smartphone é um grande evento. Para a maioria dos que enxergam e fazem uso das possibilidades que esses aparelhos oferecem, ele se torna o gadget mais usado, aquele que está sempre por perto e a quem recorremos inúmeras vezes ao dia. Vale a pena pesquisar, se informar e tirar dúvidas antes de gastar algumas centenas de Reais em um.

Se as dicas acima não forem suficientes, ou se você ficou com alguma dúvida, não hesite em utilizar o espaço de comentários para esclarecimentos. Tem alguma dica extra, algo que faltou citar no post? Use o mesmo espaço para ajudar os outros.

Boas compras e lembre-se de visitar o Manual do Usuário no seu novo smartphone — o blog se adapta e fica lindão em telas pequenas :-)

O que Google e WhatsApp podem fazer para evitar armadilhas como o Balloon Pop 2

Um jogo aparentemente inocente, chamado Balloon Pop 2, foi removido da Play Store pelo Google. Motivo? Ele copiava os históricos de conversas do WhatsApp para um site e permitia que qualquer um visualizasse esses arquivos mediante pagamento. De quem é a culpa?

Graham Cluley descobriu o problema e o divulgou em seu blog pessoal. Só que o “problema”, na visão dos criadores do joguinho, não existe. Tanto que a página do site para onde as conversas são copiadas, o WhatsappCopy, anuncia o Balloon Pop 2 explicitamente como o meio de copiar as conversas para lá.

O Balloon Pop 2 sumiu do Google Play, mas ainda é possível baixá-lo.

Entendo que encarar uma barra de progresso por alguns minutos seja tedioso. A Microsoft, nos primórdios do SkyDrive, oferecia uma bola de praia manipulável com o mouse para que aqueles minutos de upload fossem mais divertidos. Situações diferentes, óbvio, e a do Balloon Pop 2 é, para dizer o mínimo, insustentável.

O jogo não avisa que as conversas estão sendo copiadas. Não avisa sequer que tem alguma relação com o WhatsApp. Segundo Cluley, o Balloon Pop 2 não informa em momento algum, nem na página do Google Play, ter essa funcionalidade de “backup”. O WhatsappCopy diz que se trata disso, de uma ferramenta de backup; na prática, parece uma forma maldosa de conseguir históricos sem que os usuários saibam e, com a posse deles, extorqui-los.

Screenshots do Balloon Pop 2.
Imagem: Graham Cluley.

O Google faz o que pode para protegê-lo de apps como o Balloon pop 2

O Balloon Pop 2 já foi removido do Google Play. O Google tem um arsenal de tecnologias preemptivas com o objetivo de coibir apps maliciosos. Como esse caso exemplifica, ele nem sempre funciona.

Ainda assim, a incidência de código malicioso, considerando o mar de apps existente no Google Play, é pequena. Tanto que uma das boas práticas de segurança no sistema consiste em ficar na loja oficial na hora de baixar novos apps.

De todo modo, é sempre bom desconfiar de apps muito novos, ainda sem avaliações, de desenvolvedores desconhecidos. Embora exista, a triagem do Google Play fica atrás da que Apple, Microsoft e BlackBerry fazem em suas lojas. Há vantagens e desvantagens nessa abordagem mais aberta do Google — uma das desvantagens, você deve ter adivinhado, é a probabilidade maior de furos como esse ocorrerem, além daqueles apps quem parecem mas não são grandes sucessos, como os clones de Angry Birds e Instagram que fazem sabe-se lá o quê.

O Android 4.2 bloqueia apps maliciosos.Ainda que o Google Play fosse imune a apps com segundas intenções, o Android permite a instalação por fora, o “sideloading” de apps. O WhatsappCopy oferece link direto para o APK (instalador) do Balloon Pop 2. Uma indicação para a vítima, e o estrago está feito. Ou estaria, já que a verificação de apps perigosos, presente no Android 4.2 e mais recentes, felizmente já consegue impedir a instalação do jogo.

(A minha intenção era testar o Balloon Pop 2 em um smartphone que não tem, e nem terá antes de um wipe total, o WhatsApp. Parei na tela ao lado porque o app pede acesso a todas as contas cadastradas no Android, o que nesse aparelho em questão inclui Google, Facebook e Twitter. Melhor não arriscar, né?)

O WhatsApp também precisa melhorar

Nada disso aconteceria se o WhatsApp criptografasse direito as mensagens. Até 2011, as conversas eram salvas em texto puro! Ninguém sabe qual padrão de criptografia o serviço usa atualmente, mas há acusações de que sejam protocolos fracos e casos como o do Balloon Pop 2 atestam que, qualquer que seja a técnica usada, ela não é muito eficaz.

O WhatsApp sempre foi um app muito frágil no que diz respeito à segurança. Vineet Bhatia escreveu em maio uma compilação de tropeços do serviço na tentativa de reforçar a privacidade dos usuários. Não mudou muita coisa até hoje, ele continua facilmente hackeável, perigosamente inseguro.

Hemlis, o app de mensagens focado em privacidade.
Foto: Hemlis/Reprodução.

Da popularidade aliada à fragilidade do WhatsApp, alternativas têm surgido. A mais promissora é o Hemlis, “segredo” em sueco. Idealizado por Peter Sunde, co-fundador do The Pirate Bay, o Hemlis tem foco total em privacidade. O projeto foi financiado via Kickstarter e terá apps para Android e iPhone.

A menos que você negocie produtos ilícitos, seja um agente secreto ou leve a sua privacidade muito, mas muito a sério, não há motivo para pânico, nem para abandonar o WhatsApp. Apesar de frágil, é preciso algum conhecimento e muita dedicação para ter acesso a conversas de terceiros. Preocupe-se, e muito, com quem tem lábia boa. Não é de hoje que a engenharia social é a técnica mais bem sucedida no intento de obter informações privadas.

Um ano e três meses depois, o estado do ultrabook Série 9, da Samsung

Não dando o azar de receber uma unidade defeituosa de fábrica, é quase certo que produtos novos funcionarão muito bem. Com hardware de ponta e sem as marcas de uso e dos acidentes do cotidiano, seria estranho se um smartphone novinho, ou um notebook que acabou de sair da loja, funcionasse mal.

É assim que praticamente todos os reviews publicados em sites, pequenos ou grandes, conhecidos ou obscuros, são feitos. Eu também faço isso, é praxe e há bons motivos para focar em lançamentos, mas e depois? Passados alguns meses, como aquele ultrabook bonitão se comporta? Depois de mais de um ano de uso contínuo, ele ainda segue em forma? Um produto não conta a história toda, mas ainda assim achei válido relatar aqui como está o meu notebook do dia a dia, um Samsung Série 9, passado um ano e três meses desde que o adquiri.

Este é um review em três partes:

  • A primeira, escrita com dois dias de uso do Série 9;
  • A segunda, com três meses de uso; e
  • A última, um ano e três meses depois da aquisição.

Delas, apenas uma é realmente nova. As duas primeiras são reformulações (em estilo e adequação ao formato) de textos que publiquei no meu blog pessoal. A última é inédita.

Antes, porém, um pouco de contextualização.

Na época em que comprei o Série 9, em setembro de 2012, ele já era um modelo ultrapassado. Equipado com um processador Core i5 de segunda geração (“Sandy Bridge”), naquela altura a sua atualização, com processador “Ivy Bridge”, já existia. Não no Brasil, onde ela só foi lançada há alguns meses. O que é estranho, já que esse anúncio se deu alguns dias depois do da novíssima geração do agora chamado ATIV Book 9 Plus, com tela sensível a toques, tela com resolução monstruosa, bateria com grande autonomia e um novíssimo Intel Core i5 “Haswell” dentro. Esse ainda não desembarcou no Brasil.

Voltando ao meu modelo, embora ultrapassado trata-se de um ultrabook com tudo o que se poderia esperar de um equipamento dessa categoria. A configuração se completa com 4 GB de RAM, um SSD de 128 GB e, hoje, rodando o Windows 8.1 (ele veio de fábrica com o Windows 7 Home Premium que foi atualizado para o Windows 8 e, recentemente, para a última versão do sistema).

Aperte os cintos e segure-se na poltrona: vamos começar nossa viagem no tempo!

Primeiras impressões do Samsung Série 9

Trecho escrito em setembro de 2012.

Visão de cima do Série 9.
Foto: Rodrigo Ghedin.

O Samsung Série 9 é uma lâmina negra de duralumínio. Com bordas cromadas e um visual bem sóbrio, acho que dá para descrevê-lo como bonito. É bem bonito, na realidade. O esmero começa pela embalagem: uma caixa luxuosa contendo, além do próprio notebook, o carregador, um adaptador para a porta RJ-45 e uma caixinha com manuais e um CD (!?) de recuperação.

Sobre o notebook em si, chama muito a atenção a espessura mínima e a leveza — apenas 1,16 kg. O desenho das bordas, que concentra perto das dobradiças as portas e conexões e vai “afinando” até a frente, passa a impressão de que o equipamento é ainda mais fino (na prática são 12,9 mm). É um notebook amigo da coluna.

Falando em portas, é aqui que a portabilidade cobra seu preço. São apenas duas portas USB (uma delas 3.0), saída micro-HDMI, outra minúscula de rede, uma mini-VGA, o conector de energia e saída de áudio “mista” (para fones e microfone, como nos celulares). Escondido em uma portinhola do lado direito, fica um leitor de cartões 4-em-1. Nada extravagante e tudo muito dependente de adaptadores — que não acompanham o produto com exceção do da porta Ethernet.

A proximidade das portas gera uma situação inusitada: a menos que o seu plug USB seja bem fino ele não pode ser encaixado junto com o carregador. Como as duas entradas ficam bem próximas, uma toma espaço da outra. Ah, e o conector do carregador se comporta de forma diametralmente oposta à do MagSafe, da Apple: ele fica muito bem preso ao notebook. Um esbarrão no fio não o remove de jeito algum e, se duvidar, leva notebook e tudo mais para o chão. Muito cuidado com o fio.

Avancemos para dentro do Série 9, para o teclado e touchpad. Com tudo se acostuma, mas à primeira vista não gostei muito do teclado — o que me leva a imaginar o quão ruim deve ser o da versão mais atualizada/com processador Ivy Bridge, cujo teclado o Gizmodo US detonou em review.

O confortável teclado do Série 9 foi estranho no primeiro contato.
Foto: Rodrigo Ghedin.

O feedback tátil é ok, mas a altura das teclas é mais baixa do que o esperado e o espaçamento entre elas, um pouco grande; nessas primeiras horas de uso, por exemplo, tenho apertado muito o botão [ em tentativas de teclar Enter. De positivo, o teclado é bem limpo, com telas F1-12 como padrão, botões alternativos (Fn) diretos e um backlit sutil e automático de quatro níveis. Há indicadores de LED nas próprias teclas (Wi-Fi, trava do Fn, Caps Lock). De ruim, algumas invencionices da Samsung herdadas de outros modelos: / e ? acessíveis via Alt Gr e teclas Page Up/Down, Home e End nas setas direcionais, acessíveis via Fn — um saco para mim que uso muito elas; com esse layout, não consigo usá-las com uma mão.

Já sobre o touchpad, menos críticas. Uma coisa legal é que os gestos multitouch simplesmente funcionam. Correr páginas com os dois dedos, arrastar três para baixo para abrir a multitarefa, zoom com pinça… tudo isso é suave e responsivo, coisa que não se vê em notebooks mais simples. Ele inteiro é um botão (na parte inferior) e dependendo do lado onde se clica, aperta-se o botão esquerdo ou direito. Essa divisão é um pouco confusa e complica na hora de fazer alguma seleção com o botão apertado (ação para a qual, justiça seja feita, também há um gesto que facilita). Entre vantagens e desvantagens, achei ele bem agradável, a ponto de fazer com que aquela vontade de ter um mouse Bluetooth derivada de frustrações com o touchpad não se manifestasse.

Touchpad do Samsung Série 9.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Ainda nessa parte, reitero a sobriedade do layout. Em certo ponto, é sóbrio até demais — faltam LEDs indicadores de atividade do disco, por exemplo (embora o SSD não tenha me deixado esperando nada até agora). Mas mesmo com toda essa pegada premium e minimalista, senti falta de terem ido além e sumido com os adesivos chatos tão conhecidos de notebooks Windows. Em vez de fazer algo como a Dell com o XPS 13, que colocou essas coisas todas numa chapa na parte de baixo do notebook, a Samsung manteve os adesivos de processador e Windows. “Cinzas” e uniformes (ou seja, menos ruins, no padrão ultrabook), mas ainda assim…

E essa tela? Com 13,3″, resolução de 1600×900 e acabamento fosco, é um deleite. Mesmo não sendo uma tela Retina, é bem bacana. O brilho é muito bom e o ajuste automático, bastante funcional. Os ângulos de visão são incríveis. Se o Série 9 chama a atenção pela beleza externa, a tela mantém essa impressão quando a tampa é aberta.

No que diz respeito ao desempenho, ainda não fiz nada que exigisse muito dele. É um Core i5 2467M com 4 GB de RAM DDR3. Mas o que mais impacta o uso corriqueiro, nas atividades básicas (inicialização e abertura de aplicativos) é, sem dúvida, o SSD. É um de 128 GB (com muito espaço “desaparecido”, provavelmente para guardar arquivos de recuperação que não devem durar muito por aqui) e a velocidade encanta. Boot “frio” em menos de 20 segundos, aplicativos mais pesados abrindo instantaneamente. Isso é lindo. E olha que o SSD que equipa o Série 9 nem é dos mais rápidos.

O grande problema do Série 9 é o adaptador de rede sem fio. Não sei se é culpa do Centrino Advanced-N 6230 (que já sai de fábrica com driver atualizado) ou se a construção do notebook compromete a comunicação sem fios, mas essa chateação, somada a uma infeliz configuração padrão da Samsung nas configurações de economia de energia resultam em uma navegação web impossivelmente lenta, com quedas sucessivas do sinal Wi-Fi. Corrigir a configuração melhora muito as coisas (o Felipe Machado dá a dica), mas um teste básico de ping ainda releva desempenho aquém do esperado, principalmente em um notebook de ponta como o Série 9 se propõe a ser. Farei mais testes no decorrer da semana para ver se isso compromete o uso, mas até agora, com a alteração nas configurações de energia, ele tem se comportado bem.

O Samsung Série 9 (modelo NP900X3B-AD1BR) é um ultrabook extremamente leve, fino e, aparentemente, com desempenho adequado para tarefas básicas — navegação, digitação, aquele uso que boa parte das pessoas faz de computadores. Comprei o meu na FastShop por R$ 3.200.

Três meses depois, como vai o Samsung Série 9?

Trecho escrito em meados de dezembro de 2012.

Samsung Série 9 e alguns celulares espalhados na mesa.
Foto: Rodrigo Ghedin.

É fácil se afeiçoar ao Série 9, ultrabook topo de linha da Samsung. Mesmo com algumas falhas grotescas, eu adoro o meu.

Pouco mais de três meses depois, já trabalhei bastante com o Série 9, instalei o Windows 8, gravei e editei podcast, viajei, até joguei (se To The Moon for considerado jogo)… enfim, fiz praticamente tudo o que poderia fazer em um notebook. É hora de rever aquelas impressões iniciais.

Há três coisas irritantes no Série 9.

A primeira é o Wi-Fi. Com aquele hack citado no post anterior o problema é amenizado, mas o desempenho do sinal wireless é patético comparado a qualquer outro equipamento. Colocá-lo para baixar alguma coisa é um teste de paciência e uma sessão de dedos cruzados (na esperança de que a conexão não caia no meio do processo). É ruim, absurdamente ruim para um equipamento desse porte. Sempre tive notebooks baratos e todos, sem exceção, tinham módulos Wi-Fi melhores que o do Série 9. A única explicação plausível para a Samsung ter colocado no mercado um negócio tão podre é o Wi-Fi não ter passado por testes de (falta de) qualidade.

A segunda chateação é a bateria. Em média, consigo ficar cerca de quatro horas longe da tomada. Para um notebook de entrada seria fenomenal, para um ultrabook, é risível. Não sei se a limitação física (ele é muito leve e muito fino) impediu a Samsung de colocar mais energia ali dentro, mas essa autonomia pífia causa uma péssima segunda impressão.

Por fim, os sinais de uso. Sei que todo notebook fica com as teclas brilhantes após um tempo, mas poxa, dois meses? Até o touchpad já mostra marcas de batalha… As minhas mãos não suam tanto, não tenho problema com ácido úrico, nem uso o notebook enquanto como frango frito. Esperava maior durabilidade, ainda que seja apenas uma falha estética.

Marcas do tempo precoces no Samsung Série 9.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Bônus: o LED do carregador é muito brilhante, do tipo que ilumina o quarto à noite. É um detalhezinho de nada, mas me obriga a tirar o carregador da tomada para conseguir dormir.

Vou parecer mulher de malandro, mas mesmo com essas falhas, duas delas graves, ainda gosto do Série 9. A leveza e a espessura mínima são elegantes e deixam o manuseio super de boa. Não é raro eu segurá-lo aberto com apenas uma mão, pela borda frontal, sem fazer esforço. O material é rígido e emana firmeza, não se ouve nenhum tipo de rangido e ele não entorta.

O desempenho também segue ótimo, em muito impulsionado pelo SSD. A diferença desse sistema de armazenamento para um disco rígido com partes móveis é brutal. No uso cotidiano, aplicativos abrem instantaneamente, a manipulação de arquivos é rápida, a multitarefa, mesmo com 4 GB, é suave. Essa quantidade de RAM e o SSD, somados a um processador legal (Core i5), tornam a máquina um deleite. Leio, navego, assisto a vídeos, escrevo, até edito podcasts sem nenhum engasgo.

O teclado e o touchpad são bem bacanas. Quando comentei aqui as minhas primeiras impressões, reclamei do espaçamento das teclas. Era questão de costume mesmo. Hoje digito bem rapidamente e com poucos erros. Meus dedos deslizam no touchpad sem dificuldade e a superfície é bem responsiva, inclusive para os gestos multitouch. Se quando ele chegou eu descartei a compra de um mouse Bluetooth, hoje digo que nem se ganhasse ou tivesse um dando sopa aqui o usaria.

Outros pontos positivos? Tela estupenda, áudio bom para um portátil. Um pouco baixo, mas não dá para esperar muito. O Série 9 esquenta, mas não dissipa calor pelo teclado e a temperatura não chega a níveis “ficarei estéril se usar isso no colo por meia hora”.

Resistindo ao tempo

Trecho escrito ontem.

O Samsung Série 9 é como o vinho.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Desde janeiro de 2013 tenho usado o Série 9 com mais frequência. Depois que me mudei, transformei meu desktop, até então também usado para trabalhar, em uma estação multimídia ligada à TV. O notebook passou a ser o titular para minhas atividades profissionais.

O desempenho continua ótimo, pelo menos nas partes em que o SSD é exigido. Em outras atividades mais pesadas, porém, a diferença de poder para o desktop se faz notar e é, sim, sentida.

Nada muito extravagante ou que me faça desejar muito voltar ao computador de mesa, mas mesmo em coisas mais simples, como uma página web pesada (oi, Google+!), a fraqueza do conjunto móvel é sentida. Editar vídeo aqui? Não tente isso para não se frustrar. Para essa finalidade peço licença aos jogos e Netflix no desktop e subo o editor de vídeos lá mesmo, direto na TV.

Mas se estou até hoje trabalhando no Série 9, é porque ele, ao contrário do que o parágrafo acima pode dar a entender, está longe de ser ruim. Para navegação web, escrita e outras atividades menos intensivas, ele é um senhor equipamento. E é esse desempenho econômico, mas eficiente, somado às suas características físicas (leveza, beleza, ergonomia) que me fazem gostar tanto dele. É isso aí: o Série 9 é um notebook adorável.

Surpreendentemente, acho que o Série 9 melhorou com o tempo. O módulo Wi-Fi, que tanto irritava nos primeiros meses, melhorou da água para o vinho com o Windows 8 e novos drivers lançados pela Intel. Aquelas quedas intermitentes sumiram por completo e hoje tenho confiança o bastante para deixá-lo ligado à noite baixando alguma coisa ou fazendo uma atividade qualquer.

Do teclado, que causou estranheza a princípio, já fiquei íntimo. Digito com muita velocidade e pouquíssimos erros, da mesma forma ou até melhor do que fazia no teclado ergonômico da Microsoft que usava no desktop. O touchpad continua maravilhoso e reitero que prefiro ele a qualquer mouse. Aquela ideia de que touchpad em máquinas Windows não prestam, mais do que justificada pela presença maciça de modelos simplesmente ruins em máquinas mais baratas ou até da mesma categoria, tem lá suas exceções. O do Série 9 é, sem dúvida, uma delas.

Esse tempão com o Série 9 também serviu para extirpar velhos hábitos. Nas primeiras impressões reclamei da falta de indicadores de atividades, aqueles LEDs que apontam a atividade do disco, da rede, etc. A estabilidade do sistema e a velocidade derivada do SSD tornam essas coisas dispensáveis. Não é um tablet, mas a filosofia deles, de apenas funcionar da forma como se é esperada e sem engasgos, aplica-se aqui. E quem precisa de um LED de atividade do hardware em um tablet?

O desgaste precoce do teclado e touchpad, com apenas dois meses de uso, limitou-se àquilo. Não houve pioras nesse sentido. E chega a ser digno de nota, dado o tanto que já digitei nessas teclas, todas elas ainda estarem com a tinta dos caracteres fortes, sem sinais de que irão se apagar em breve.

Como uso-o majoritariamente em casa e, portanto, ligado à tomada, nunca exijo muito da bateria. Em viagens a trabalho acabei tendo que recorrer a ela e seus números, infelizmente, não melhoraram em nada — não que eu tivesse esperança de que milagrosamente a bateria passasse a dura algumas horas a mais, mas enfim. Consigo ficar de quatro a cinco horas mesmo longe da tomada. No que faço quando estou fora, ou seja, redigir algum texto, tomar notas em apresentações, cobrir feiras, dá para o gasto. Poderia sem melhor? Não, deveria ser melhor. Mas já estava ciente dessa limitação quando o comprei, logo seria injusto reclamar dela agora.

Valeu a pena?

Poucas conexões, mas o suficiente.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Sempre relutei bastante em recomendar o Série 9 com processador Sandy Bridge, mesmo custando bem menos do de um MacBook Air equivalente — o paradigma extra oficial para ultrabooks.

Hoje é difícil encontrá-lo no varejo, já que uma versão mais atualizada está disponível no Brasil. Algumas lojas ainda têm estoque; em uma rápida pesquisa no Buscapé, uma ainda o vende por R$ 2.500, valor que mesmo hoje é interessante para um notebook desse porte. O ATIV Book 9, com processador Core i5 “Ivy Bridge”, é encontrado na mesma loja por R$ 3.600. Vale a diferença? Difícil dizer. Embora goste muito desse ultrabook, recomendaria ao comprador em potencial erguer a cabeça e olhar a concorrência — Lenovo e Asus estão com modelos bacanas com valores equivalentes.

Quando decidi comprar um notebook a minha primeira opção era o MacBook Air. Acabei optando pelo Série 9 porque a diferença de preço entre eles era grande, de R$ 800. E como já estava acostumado com Windows, não teria curva de aprendizado e, de quebra, continuaria com meu workflow intacto. Meio comodismo, vá lá, mas é um ponto importante — imagino que ter a mesma desenvoltura que tenho no Windows, onde acumulo anos de experiência, no OS X não seria algo trivial.

Apesar dos problemas iniciais e de projeto, no longo prazo classifico essa como uma boa compra e estou satisfeito com o que o equipamento proporciona. Talvez o Samsung Série 9 seja exceção e de qualquer forma, ainda que longo para um review, um ano e poucos meses é um período mediano na vida de um gadget. Mas ele vem envelhecendo bem, até melhorando alguns aspectos com o tempo (e atualizações de software), e sem dar problemas de hardware. Continue assim por mais um ou dois anos e poderei dizer, enfim, que esta foi uma ótima compra.

Leituras da semana #7

Smartphone, tablet e ereader: todos prontos para a leitura.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Na seção Leituras da semana, a ideia é trazer até cinco posts de outros sites publicados no decorrer da semana que merecem ser lidos. São artigos primariamente sobre tecnologia, mas que, seguindo a linha editorial do Manual, podem também flertar com comunicação, psicologia e outras áreas desde que tenham uma abordagem relacionada a gadgets ou bits.

Na sequência, você tem os links e breves descrições de cada artigo. No final do post há um link para o Readlists.com. Por lá é possível baixar um ebook contendo os artigos listados na íntegra ou exportá-lo para seu Kindle, outro ereader ou tablet e ler na piscina, no sofá, onde quiser durante o fim de semana. Espero que gostem.

Sobre a nuvem

Andrew Sullivan filosofa sobre nossas representações digitais que construímos, dia após dia, com links, comentários, fotos e compartilhamentos, na Internet. E viaja para o futuro ao prever que, com isso, nos tornaremos imortais, pessoas eternas (a quem interessar). O que no passado instigava as mentes mais brilhantes e inquietas no sentido de se eternizarem hoje está ao alcance de qualquer um. A relação entre imortalidade, memória e nuvem, no final, é linda.

The Dish: Nossas memórias (e nós mesmos) pertencerão à nuvem

Sobre viver sem Internet

Na Vice, Wallis Azadian relata sua experiência de viver uma semana em 2013 como se estivesse em 1996 — ou seja, sem Internet. O mais interessante é como a ausência de conexão impacta suas relações pessoais. É difícil combinar uma saída com os amigos, contornar imprevistos do dia a dia e até passar o tempo. Vale para pensar: a Internet é mesmo essa vilã das relações interpessoais?

Vice: Vivi como se fosse 1996 por uma semana

Sobre celulares caros

Estamos em 2013, mas ainda existe uma fabricante trabalhando com o letárgico S40, sistema da Nokia que equipava alguns aparelhos intermediários alguns anos atrás. Pior: são smartphones caríssimos. O Verge entrou na Vertu, a marca de grife que não se inibe em cobrar milhares de dinheiros em seus aparelhos, cada um deles feito por uma pessoa em um processo quase artesanal de pura excelência. É para poucos — quem tem muita grana e liga mais para moda do que a utilidade de um smartphone.

The Verge: É assim que você produz o celular mais caro do mundo

Sobre DSLRs e câmeras mirrorless

No Gizmodo, Michael Hession crava a morte das DSLRs — pelo menos entre entusiastas e gente que se importa com qualidade, mas prefere carregar menos peso e chamar menos a atenção. O buraco que separa as grandes DSLRs e as pequenas mirrorless está diminuindo a passos largos com coisas como as full-frames da Sony, e a tendência é que mais gente opte pelas pequenas. Eu tenho uma mirrorless e adoro.

Gizmodo: Os últimos dias das DSLR


Todos os artigos acima estão listados no Readlists.com, onde você pode enviá-los para o Kindle, por email, para dispositivos iOS ou baixar um ebook.

Os novos comandos do Google Now em português

Google Now esperando um comando no Moto X.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Bater um papo com o celular ainda é visto como algo excêntrico e, em muitas situações, mais demorado e suscetível a erros do que usar os dedos para digitar ou acessar alguma coisa na tela. Isso mudará no futuro? O Google acha que sim e, na busca por tornar a sua tecnologia de voz mais confiável e popular, liberou diversos novos comandos para o Google Now em português.

Há algumas semanas pairava o rumor de que o Google Now brasileiro ganharia novos comandos, juntando-se aos quatro que o Moto X apresenta na sua ajuda. Recebi uma mensagem do leitor Rodrigo Bittencourt dizendo que o serviço tinha aprendido novos comandos em português do Brasil e… olha só, aprendeu mesmo! Continue lendo “Os novos comandos do Google Now em português”

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