[Review] Asha 501: smartphone barato? Sim, mas com dignidade

Um dos maiores mitos da tecnologia de consumo é o produto de entrada para os “não iniciados”. Um smartphone barato não é apenas um smartphone barato, é também um destinado a quem está vindo de um celular simples, que nunca teve contato com sistemas modernos e seus milhares de apps. É o que dizem, pelo menos, parte da imprensa e parte das fabricantes.

Para mim, isso é bobagem. Se duvida, faça um teste: dê um Galaxy S 4 e um Galaxy Y para alguém que se encaixa nesse perfil e veja com qual dos dois ele se sai melhor. Os entraves que um equipamento de baixo custo impõe ao usuário são contornáveis por quem tem familiaridade com o assunto. Para o leigo, não passam de empecilhos, camadas extras de dificuldade para se fazer o que tem que ser feito com o gadget. Para qualquer um, todos nós, limitações irritantes.

Androids baratos sofrem muito desse problema. A linha Asha, da Nokia, tem por objetivo ocupar essa faixa de preço apostando em características diferentes das dos modelos com Android de mesmo preço. Em vez da infinidade de apps combinada com hardware medíocre, ela mantém essa última parte da equação mas coloca um software adequado ao hardware em que será executado.

Dá certo? É cada vez mais raro justificar a compra de um featurephone. Smartphones low-end estão melhorando e já não é mais impossível achar modelos decentes na faixa dos R$ 500. Para quem não pode pagar isso e não quer um Nokia lanterninha, a única opção é se jogar nesse espaço nem sempre agradável que separa as duas categorias — e torcer para não se arrepender.

A última investida da Nokia na sua linha básica, o Asha 501, chegou ao Brasil no final de julho de 2013. Esse aparelho é, no geral, uma evolução notável do que vinha sendo feito até então — testei um Asha 311 no começo do ano e… não era de se jogar fora, mas mesmo com hardware teoricamente superior, ele fica atrás do novo modelo. Ainda assim, o Asha 501 é suficiente para agradar quem está curto de grana? Você confere a resposta no primeiro review (sério!) do Manual do Usuário.

Vídeo

Óun, que celular bonitinho esse Asha 501!

A repaginada no Asha 501 se nota logo de cara graças ao design emprestado dos modelos mais caros da Nokia, os da linha Lumia. A parte de trás, feita de plástico e com cinco opções de cores, dá um ar jovial e alinhado à identidade visual da empresa. Pena que, no Brasil, apenas as sóbrias opções preto e branco chegaram.

A qualidade de construção é surpreendentemente boa para um produto dessa categoria. A tampa de trás é firme e, ao mesmo tempo, suave ao toque. Ela fica presa com firmeza ao aparelho (muito, até; é um pouco difícil desencaixá-la) e meio que “abraça” o Asha 501. Na frente, bordas grossas ao redor da tela e a presença de apenas um botão físico, o de voltar.

Todas as entradas e saídas do Asha 501 ficam na borda superior.
Foto: Rodrigo Ghedin.

O Asha 501 é econômico em botões e entradas/saídas. Além do botão frontal, ele tem outros três na lateral esquerda — dois para volume, um para ligar/desligar. No topo ficam a saída de áudio, a porta micro USB e uma entrada de energia proprietária da Nokia — desnecessária, já que o aparelho recarrega a bateria pela interface USB também. Embaixo e à esquerda, nada.

Pesando apenas 98,2 g, o Asha 501 não incomoda na mão. Suas dimensões são bem pequenas, exceto na espessura 12,1 mm. Esse tamanho diminuto esbarra, pois, na grossura do aparelho — quase chega a ser mais incômodo no bolso da calça do que smartphones Android e Windows Phone com telas bem maiores.

Asha 501 é um celular dual SIM -- aceita dois chips de operadoras.
Foto: Rodrigo Ghedin.

O modelo analisado possui suporte a dois SIM cards simultâneos. A configuração deles, atrás, é a seguinte: o principal fica embaixo da bateria, logo é preciso removê-la para acoplar o SIM card ali. O outro, bem como o slot para cartão SD (um de 4 GB vem na caixa), fica na lateral do aparelho. Ainda exigem a remoção da tampa, mas não a da bateria — e o mais legal é que além do SD card, o segundo slot para SIM card funciona em modo hot swap, ou seja, não é preciso desligar o celular para que o sistema reconheça um novo inserido ali. Clientes de três operadoras que vivem alternando dois SIM cards devem aproveitar bastante essa facilidade.

Mas essa tela aí…

Quando se liga o Asha 501, a tela joga na cara do usuário o preço pago por ele. Com 3 polegadas e uma resolução baixíssima, de apenas 320×240, não é, nem de (muito) longe, uma tela Retina. Os pixels são bem visíveis e qualquer texto menor tem sua legibilidade comprometida. Que pese a favor, a Nokia foi generosa na interface usando ícones e tipografia grandes para compensar esse problema de resolução.

Brilho e cores (256 mil) são aceitáveis, não incomodam. Não espere fidelidade absoluta, mas perto de aparelhos bem superiores que abusam da saturação, é de se questionar até que ponto a naturalidade da paleta de cores é um ponto positivo ou negativo. Ah, e trata-se de uma tela capacitiva. A sensibilidade aos toques (multitouch de dois toques) não chega perto da de um smartphone high-end, mas perto das resistivas, usada em vários Ashas no passado, é um progresso e tanto.

Tela ruim do Asha 501.
Foto: Rodrigo Ghedin

Não sou do tipo que reclama de ângulos de visão estreitos em celulares, afinal é um tipo de gadget que, salvo raras exceções, se utiliza olhando de frente. A tela do Asha 501, porém, tem um estranho comportamento quando vista da direita: as cores praticamente se invertem, ao passo que em todas as demais direções ela segura a onda, mantendo-as inalteradas. Talvez seja um defeito da minha unidade de testes — na verdade, torço para que seja o caso.

Áudio bacana, câmera horrível, e nada de 3G

Se no vídeo o Asha 501 deixa muito a desejar, no áudio ele mostra um bom serviço. A saída de áudio é mono, fica atrelada ao botão que desengata (dada a dificuldade, parece o termo mais adequado) a tampa de trás do aparelho. O volume é alto, bem alto, e mesmo no máximo praticamente não se notam distorções. O alto-falante para ligações também é excelente.

A câmera simples do Asha 501 não impressiona.
Foto: Rodrigo Ghedin.

A satisfação volta a cair a níveis difíceis de engolir quando passamos à câmera. Com 3,15 mega pixels, não espere muita coisa dela. As fotos saem com um ruído forte, o equilíbrio de branco é pífio e o foco, fixo, inviabiliza a captura ideal de muitas situações. E é bom ficarmos longe do vídeo; a menos que seja um momento muito desgraçado que você queira registrar, a resolução (QVGA, os mesmos 320×240 da tela) e a velocidade (15 qps) são capazes de destruir qualquer registro feliz captado por essa lente.

Confira uma galeria:

A pedrada final é a ausência de 3G. Longe de um ponto de acesso Wi-Fi, o Asha 501 só se conecta à rede da operadora via EDGE, padrão que chega a, em média, 400 Kb/s. E leeeento, mas não chega a ser um gargalo para usuários dos planos pré-pagos nacionais — até dia desses a TIM limitava a velocidade desses clientes a 300 Kb/s –, e… bem, é difícil imaginar alguém capaz de bancar uma conta pós-paga comprando um Asha 501. De qualquer modo, apps de terceiros que usam dados, como Facebook e Twitter, ficam absurdamente lentos quando dependem da rede da operadora.

Software básico, mas competente

O Asha Software Platform 1.0 equipa o Asha 501.
Foto: Rodrigo Ghedin.

O Asha 501 serve de palco de estreia para o Nokia Asha Platform 1.0, primeira versão do sistema que, daqui em diante, será a base desses modelos básicos. Ele é uma evolução bem-vinda do datado S40 que equipava modelos antigos da linha, e apesar de bem diferente, por baixo do capô dá para verificar algumas convenções do passado que ainda resistem, como a ausência de multitarefa — compensada, é verdade, por notificações push para alguns apps principais.

É de se suspeitar que tenha havido algum trabalho de otimização por baixo dos panos. Entrando rapidamente no tecniquês, o Asha 501 tem só 64 MB de RAM e processador desconhecido — a Nokia não revela, mas é bem provável que seja algo bem mais lento, por exemplo, que o de 1 GHz que move o Asha 311. Ainda assim, a fluidez do sistema agrada bastante. As transições são suaves, os dois painéis principais se alternam sem engasgos e apps nativos, com uma ou outra exceção, abrem com velocidade satisfatória e funcionam a contento.

A reorganização da interface foi bem feliz. A Nokia exumou o cadáver do MeeGo e trouxe para o Asha 501 diversos gestos, bem explicados no primeiro uso do aparelho, para navegar pelo sistema, além de umas sacadas elegantes, como notificações na tela de bloqueio e o toque duplo na tela para desbloqueá-la (que nem sempre funciona).

Fastlane e Home, as telas principais do Asha.
Foto: Rodrigo Ghedin.

A interface principal divide-se em dois painéis, o Home, que consiste no grid de ícones/apps tradicionais a la Android e iOS, e o Fastlane, uma central de notificações bombada. Essa última contempla ligações, apps recém-abertos e instalados, mensagens recebidas, fotos tiradas, notas, aniversários e compromissos da agenda em uma linha do tempo em ordem cronológica inversa — os mais recentes, no topo. De muito bom gosto, e bastante funcional. Para alternar entre os painéis, basta deslizar o dedo sobre a tela lateralmente a partir de uma das bordas.

Curiosamente, ainda existe uma tela de notificações na cortina do topo. Ela traz menos notificações (coisas do Facebook, por exemplo), dá informações mais detalhadas dos SIM cards em uso e traz utilíssimos botões para Wi-Fi, Bluetooth, conexão de dados da operadora e modo silencioso. O gesto aqui é como nos outros sistemas (Android e iOS): arrastar o dedo de cima para baixo

O último gesto que sobra, de baixo para cima, funciona em alguns apps e serve para revelar opções estendidas ou o menu principal.

Notificações e botões rápidos na cortina.
Foto: Rodrigo Ghedin.

É fácil acostumar-se com essa dinâmica. São poucos comandos para memorizar e a interface como um todo emana simplicidade. No começo dá para se perder, mas a curva de aprendizado é bem curta. Com algumas horas de uso dá para dominar o manejo do Asha 501.

A oferta de apps é singela. O básico vem coberto de fábrica, com apps para calendário, agenda de contatos, alarmes, música, vídeo, email, navegador (Nokia Xpress), calculadora e gravador, e até uns mais elaborados, como Contadores (para monitorar o tráfego de dados na rede da operadora), uma central de contas em redes sociais, app de notas e um gerenciador de arquivos simples.

Simplicidade é o que norteia e, acho eu, garante o bom funcionamento de todos esses apps. Eles não fazem nada que faça o usuário suspirar e bater palmas emocionado com o progresso tecnológico da humanidade, mas essa auto-limitação tem como aspecto positivo uma experiência confiável. Uma grata surpresa dessa leva de apps nativos é o bom gosto: alguns, como os apps de música, alarmes e calendário, são muito bonitos.

O belo app de música do Asha 501.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Quando apps de terceiros entram na jogada, aí a coisa fica feia. O Asha 501 traz alguns pré-instalados, como Facebook, Twitter, The Weather Channel e joguinhos. Eles são lentos e não têm lá muita preocupação com visual — o do Facebook é o caso mais grave; parece a primeira versão do app lançada para iPhone, lá em 2008. A loja de apps é carente de qualquer coisa relevante hoje, com exceção de Foursquare, WeChat, HERE Maps (sem GPS, apenas com Wi-Fi e triangulação de torres) e, em breve, WhatsApp — uma ausência sentida, especialmente pelo histórico do app em featurephones da Nokia.

Por falar em apps de bate-papo, outra coisa que agrada em cheio é o teclado virtual. Mesmo no aperto das 3 polegadas, ele é confortável de se usar, traz correção automática e a vírgula está disponível de cara, sem precisar segurar uma tecla ou alternar o teclado para outro modo — deveria ser assim no Android, Google.

O grande trunfo: bateria

Mesmo com apenas 1200 mAh, a bateria do Asha 501 dura.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Nokia ainda é, na cabeça de muita gente, sinônimo de durabilidade e autonomia. Não fiz testes de resistência com o Asha 501, do tipo derrubá-lo no chão ou passar com um carro sobre ele (acontece…), mas no quesito bateria ele faz jus à fama da fabricante finlandesa: dura, e dura muito.

A Nokia promete 26 dias em stand by, e até 17 horas de conversação. Com Wi-Fi e rede de dados ligados e se alternando, tirando algumas fotos, usando redes sociais, poucas ligações, email, essa coisa toda que se faz em celulares atualmente, a bateria do Asha 501 chegou ao segundo dia de uso com mais da metade da carga. Não existe smartphone no mercado capaz de fazer frente. E veja que impressionante: tudo isso com uma bateria de apenas 1200 mAh — a média dos smartphones, hoje, gira em torno de 1800~2000 mAh.

Bateria é um dos pontos que levariam alguém a comprar um Asha 501. Para quem precisa passar longos períodos longe da tomada, é uma característica matadora.

Barato sim, mas com dignidade

O pequeno e belo Asha 501.
Foto: Rodrigo Ghedin.

O Asha 501 é simpático. Ele é pequeno, leve e bonito. E barato também: com preço sugerido de R$ 329, já é fácil encontrá-lo bem abaixo disso — na data de publicação deste review algumas lojas ofereciam o aparelho por até R$ 219.

Os pontos fortes desse aparelho são bem claros: autonomia assombrosa, visual moderno e um sistema que se comporta bem, ainda que seja severamente limitado. É um passo além dos celulares de lanterninha, mas uma experiência bem mais simples que a oferecida por um smartphone de verdade.

Eu gostei do Asha 501, mas não me vejo usando um a não ser por necessidade. Para quem é menos exigente, que só quer um celular competente, que passe muito tempo longe da tomada e vez ou outra gosta de dar uma conferida no email, Facebook e Twitter, ele é uma boa pedida — começando pela faixa em que se insere; é difícil encontrar nela concorrentes de marcas conhecidas equiparáveis em recursos e qualidade.

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Project Ara e Phonebloks: o futuro dos smartphones é modular?

O gadget que mais se vende e mais se usa, hoje, é o smartphone. Ele está quase sempre por perto, é rápido e fácil de manusear e nos últimos anos tomou para si o papel de protagonista da tecnologia de consumo. Redes sociais e apps em geral usa o smartphone como palco e nós, consumidores, o abraçamos sem muita cerimônia.

A evolução do smartphone é notável. Processadores ficam mais rápidos, telas ganham maior resolução, os aparelhos afinam e emagrecem a cada geração. O único contra, aparentemente, é ter que trocar de aparelho vez ou outra. Pela dinâmica do mercado de telefonia móvel norte-americano, em média a cada dois anos; idealmente para as fabricantes, todo ano ou até antes.

Como combater esse ritmo assustador de atualização que alguns acusam de obsolescência programada, outros de obsolescência percebida, e que muitos são incapazes de ou não querer seguir? Ainda é difícil responder a essa pergunta, e talvez seja o caso de investir no barateamento dos aparelhos para viabilizar essa passada frenética — se não pode com eles, junte-se a eles. Mas os smartphones modulares querem ser, pelo menos, uma alternativa.

Phonebloks, Project Ara e Modu

Project Ara: smartphone modular.
Foto: Motorola Mobility/Reprodução.

A Motorola Mobility, desde 2011 uma empresa Google, revelou o Project Ara, iniciativa que visa possibilitar a existência de smartphones modulares, ou seja, que usam blocos, ou módulos, para ditar suas especificações. Assim, um smartphone do tipo poderia ter o processador atualizado substituindo um bloco, ou ganhar um teclado com a inclusão de um desses, ou ainda ter sua autonomia estendida com um módulo de bateria mais robusto. É como se fosse um Lego de smartphones. As possibilidades são, nas palavras da Motorola, infinitas.

No anúncio feito no blog institucional da empresa, a ideia é melhor explicada por Paul Eremenko:

“O Project Ara está desenvolvendo uma plataforma de hardware gratuita e aberta para criar smartphones altamente modulares. Queremos fazer para o hardware o que a plataforma Android fez para o software: criar um ecossistema vibrante para desenvolvedores terceiros, diminuir as barreiras para aderir, aumentar o ritmo da inovação e diminuir substancialmente os prazos de desenvolvimento.

Nosso objetivo é estabelecer uma relação mais aberta, expressiva e contemplativa entre usuários, desenvolvedores e seus celulares. Dar a você o poder de decidir o que seu smartphone faz, o visual que ele tem, onde e do que ele foi feito, quanto custa e o tempo que você o manterá.”

Para tanto, a Motorola se aproximou de Dave Hakkens, idealizador do projeto Phonebloks. Apresentado recentemente, ele parte da mesma premissa: um smartphone composto por blocos que se encaixam e podem ser trocados/atualizados.

O Phonebloks chamou muito a atenção quando apareceu, mesmo sendo apenas uma ideia. Hakkens pede, no site da iniciativa, que os interessados assinem uma espécie de projeto de crowdfunding que, em vez de dinheiro, espalha a palavra. Conseguiu até o momento quase um milhão de interessados, atenção da mídia e, o mais importante, da Motorola — desde o início a ideia era fazer barulho para conseguir se aproximar de alguma fabricante grande.

Essa opção pode ter mais significado do que parece. Sendo uma empresa Google, testar maluquices, de email com 1 GB de espaço quando o concorrente mais generoso oferecia apenas 25 MB, a projetos megalomaníacos como carros autônomos, Internet em balões e balsas misteriosas que surgem no meio de um rio, é uma prática da casa. Experimentar possibilidades, especialmente as menos plausíveis, é algo que demanda dinheiro, coisa que o Google tem de sobra. Mesmo que a ideia de smartphones modulares não cole… por que não?

Há outra peça nesse quebra-cabeça que vale mencionar. Em 2007 a Modu, uma empresa israelense, já comercializada celulares modulares em seu país. Inundada em dívidas, ela fechou as portas em 2011 e nessa o Google arrematou o portfólio de patentes por US$ 4,9 milhões. No post da Motorola, Eremenko diz que o a empresa vinha trabalhando com essa ideia há mais de um ano antes de torná-la pública. Tudo acaba convergindo para o Project Ara.

Qual a viabilidade do Project Ara?

O Modu provou, lá atrás, que celulares modulares são possíveis. Era outro contexto, uma era pré-histórica à dos smartphones modernos. Hoje, isso funcionaria?

Quando o Phonebloks foi anunciado, a empolgação com a ideia dividiu espaço com o ceticismo. Não é difícil, mesmo para leigos, enxergar as dificuldades de uma empreitada do gênero. Smartphones são peças minúsculas, com uma engenharia de alto nível e baixo índice de reparabilidade. Modular esse cenário é um desafio e tanto.

John Brownlee desconstruiu as promessas do Phoneblok ponto a ponto, inclusive a de um futuro mais verde para os smartphones. No Reddit, uma legião de interessados também escrutinou a iniciativa. Há desafios de várias ordens, alguns envolvendo a compreensão e a colaboração de muita gente (empresas) com objetivos diversos. O Google, por mais poderoso que seja, conseguiria materializar uma meta tão ambiciosa dozinho? Não sei, embora seja exatamente o que eles estejam fazendo com o Glass. No caso do Project Ara, a situação é mais delicada porque a ideia é que fabricantes terceiros ofereçam módulos especializados. Como convencê-los a fazer isso?

Este é o possível visual dos smartphones do Project Ara.
Foto: Motorola Mobility/Reprodução.

Calma que a coisa complica. O (teoricamente) maior problema de smartphones modulares é que eles nadam na direção contrária à da evolução desse tipo de aparelho. Ao longo dos últimos anos os smartphones encolheram, ficaram mais finos, mais leves, com projetos de engenharia bem particulares e mais difíceis de serem reparados. Não é apenas para trocarmos de aparelho todo ano que essas medidas foram adotadas pela indústria, mas também para viabilizar smartphones fantásticos que pesem menos de 130 g e tenham a espessura de um lápis. Tudo está intimamente ligado e cada espaço dentro da carcaça é bem pensado e usado da melhor forma possível. Um dos preços pagos por um eventual smartphone modular seria abrir mão desses avanços, pelo menos inicialmente.

E tem outro fator: o desperdício. O Phoneblok usa a bandeira verde, do e-waste, ou lixo eletrônico, a seu favor. Mas imagine o tanto de módulos que serão descartados caso essa ideia pegue? Seja pela mera atualização, seja por módulos falhos que acabem descartados, o volume de lixo derivado dos módulos não dá sinais, pensando de uma forma lógica, de que esse problema será amenizado. E esse tira-e-põe constante não deve ser positivo do ponto de vista da durabilidade — quanto mais partes móveis, mais suscetível um gadget é a quebras.

Brownlee, da matéria da Fast.Co citada acima, condensa seu pessimismo acerca do Phoneblok em um parágrafo:

“De maneira simples, os Phonebloks são o oposto do que aparentam ser. Os Phonebloks fazem um apelo ao nosso amor por organização e simplicidade, mas na verdade são notoriamente mais complexos. Os Phonebloks nos dizem que smartphones podem custar menos, mas fazem cada componente dentro deles custar mais. Os Phonebloks dizem que podemos atualizar nossos smartphones sem desperdícios, mas fazem ser significativamente mais provável ter que jogar nossos smartphones fora porque eles quebraram. E assim por diante.”

Um monte de módulos para montar seu próprio smartphone!
Imagem: Phonebloks/Reprodução.

Não vou cravar aqui que o Project Ara ficará só na teoria. Pode ser que, mesmo contra todas as adversidades, e essas não são poucas, o projeto dê certo, ora. Mas uma mudança tão profunda demandaria mexer em bastante coisa já estabelecida nesse segmento, de contratos com operadoras à forma com as fabricantes lucram com hardware. E em um momento em que software está virando brinde, diminuir as margens de lucro do hardware parece arriscado — mas um passo que o Google, que lucra tão e somente com serviços e publicidade, pode se dar ao luxo de dar.

Falar em software, aliás, traz à tona outro problema: otimização e compatibilidade. O Android é “aberto”, qualquer um pode usá-lo, mas cada smartphone exige modificações no sistema para que ele o execute bem. É por isso que quando uma nova versão do Android sai, não dá para pegá-la e instalar imediatamente em qualquer smartphone. A fabricante (ou hobbistas) precisa adaptar o sistema para cada modelo específico. Imagine um que possa ter infinitas configurações. Quem dará suporte a essa multiplicidade de cenários?

Há espaço, ainda que pequeno

Mulher segurando smartphone Project Ara.
Foto: Motorola Mobility/Reprodução.

Mesmo que esses entraves permaneçam quando (e se) o Project Ara se materializar, ainda há espaço para um smartphone modular. Não o imagino nos bolsos de muita gente, muito menos vendendo o que um Galaxy S ou iPhone vendem hoje, mas para públicos bem específicos algo assim seria bem interessante.

Entusiastas que querem ter o SoC mais rápido, a melhor câmera e a bateria mais duradoura, por exemplo. Desenvolvedores que poderiam usar a modularidade para testarem seus apps em uma gama de configurações mais ampla a um custo menor. Nada capaz de estancar a sangria de dinheiro da Motorola, mas áreas válidas.

A Motorola promete um kit de desenvolvimento modular (MDK) para o fim do ano e garantiu descontos e smartphones modulares gratuitos para os colaboradores mais ativos do projeto — se você se interessou, pode fazer um pré-cadastro aqui. Os primeiros modelos, em alpha, são esperados para daqui a alguns meses. Meta ambiciosa, prazo ainda mais.

Nos EUA, o Moto X pode ser personalizado durante a compra. Antes de ser anunciado, muita gente sonhava com um sistema de configuração pleno, que permitisse escolher SoC, memória, câmera, características internas e vitais de um smartphone. Não foi o caso. O Moto Maker, sistema que permite a personalização do Moto X, fica restrito ao visual do aparelho, com várias cores e mimos que podem ser escolhidos; suas especificações técnicas são inalteráveis. O Project Ara parece o passo adiante, o que aquele pessoal mais progressista esperava já estar disponível com o Moto X.

Um smartphone modular seria uma ruptura com o padrão atual da indústria. Os smartphones tradicionais estão cada vez mais fechados; se antes dava para trocar a bateria e inserir um cartão SD para ter mais espaço, hoje esses itens são exceção no segmento high-end. Até mesmo outras categorias de gadgets tradicionalmente reparáveis, como notebooks, estão se fechando. Um Ultrabook que se preze tem a carcaça selada, impedindo a troca da bateria, do disco de armazenamento e da RAM.

O Project Ara foi anunciado nessa semana, ainda é cedo para dizer se estamos vendo o nascer do futuro ou apenas um devaneio do Google. No que você aposta?

O Facebook está pedindo seu RG? Como lidar com essa situação

Atualização (4/9/2014): Se você chegou aqui por causa do “desafio do RG” que está rolando no Facebook, um aviso: o post abaixo não trata disso. E um pedido: tudo bem mostrar a foto 3×4, mas não divulgue outros dados do seu documento, nem por brincadeira. Isso pode acabar em problemas.


Imagine estar usando o Facebook quando, de repente, o site trava a sua conta e, para liberá-la, exige um documento oficial. Complô com a NSA? Parceria com o IBGE para fazer o próximo Censo? Nada disso: é apenas a verificação de identidade em ação.

Não sei a dimensão dessa onda de verificações, mas pelo menos nos meus círculos de amizades, ela atingiu bastante gente. Horas depois, porém, o Facebook informou por meio de um porta-voz que um erro motivou a disparada de verificações desnecessárias para uma pequena parte da base de usuários. Nesses casos, bastava esperar que a conta era reativada sem que fosse preciso fazer nada.

Ainda assim, o pedido de documento oficial é real e pode acontecer uma hora ou outra. Quando esse obstáculo surge, ele se apresenta da seguinte forma:

Facebook, para que você quer meu RG?

O Facebook pede um documento de identificação que “deve incluir seu nome, data de nascimento e foto”, sugerindo em seguida alguns aceitos, como RG, passaporte e CNH.

Por que isso? Devo me render ao sistema ou resistir e ir para o Google+? Calma, a situação é menos alarmante do que parece à primeira vista.

Por que o Facebook quer saber meu RG?

A primeira reação é de indignação, e é compreensível. A exigência de um documento oficial é exagerada, especialmente para quem não faz negócios no Facebook e está ali só pelo aspecto de rede social do serviço, pelo entretenimento. É seguro mandar essa cópia de documento para lá? Não sei, mas não é bem isso que é pedido.

Como se sabe, o Facebook exige o uso de nomes reais. A política nesse sentido é bem rígida por motivos claros — a veracidade das informações, ali dentro, é um ponto de venda da rede para anunciantes e um fator importante para os seus objetivos. Há indicações de sobra ressaltando esse cuidado, os termos de uso dizem explicitamente que é preciso ser honesto pelo menos nessas três informações:

“Os usuários do Facebook fornecem seus nomes e informações reais, e precisamos da sua ajuda para que isso continue assim.”

Na página inicial/de cadastro, uma caixa suspensa explica por que a exigência se estende à data de nascimento:

Fornecer sua data de nascimento ajuda a assegurar que você receba a experiência certa para sua faixa etária. Você pode optar por ocultar essa informação de sua linha do tempo mais tarde se desejar.

Embora essa abordagem focada em nomes, data de nascimento e documentos oficiais não seja muito antiga (o mais longe que cheguei foi a este post de 2010), desde o principio existia a preocupação de lidar com gente real, de carne, osso e número de identificação. Antes, porém, o mecanismo usado para esse controle era o email universitário.

Como dizer ao Facebook que você é você mesmo

Existe uma página de ajuda no Facebook para elucidar exclusivamente essa dúvida. Ali, o site diz que a forma mais simples de ter sua conta verificada é atrelando-a a um número de celular. Isso explica, talvez, por que não recebi esse pedido de documentação.

A minha conta está atrelada ao meu número e, pela autenticação em duas etapas que isso permite, recomendo que você faça o mesmo — basta ir nas configurações de mobilidade e ativar o recurso. A verificação é um efeito colateral que o poupará dessa dor de cabeça envolvendo RG e outros documentos. E não se preocupe, ocultar o número de todos os estranhos e até mesmo seus contatos é fácil.

Mas ok, você não fez a tempo e agora estão te pedindo um documento. O que fazer? Envie-o, mas tome precauções antes. Mesmo com a promessa de que as fotos são destruídas após a verificação ser concluída, nunca se sabe. E é um mandamento básico não compartilhar seus dados pessoais com qualquer um, certo? Muito menos o Facebook.

A própria rede social pede para que toda informação que não as três exigidas (nome completo, data de nascimento e foto) seja ocultada. Use o Photoshop, o Paint, qualquer editor simples para ocultar informações mais sensíveis. Há até um modelo na já referida página de ajuda:

É assim que você deve mandar seu RG para o Facebook.
Imagem: Facebook/Reprodução.

Esta página traz algumas diretrizes sobre formato, tamanho e outros detalhes da foto.

Isso demora?

Pode demorar. Há relatos de gente que teve que esperar até nove dias para ter a conta restabelecida. Ouvi, ainda, pessoas falando em três dias, mas também outras dizendo que tiveram que esperar algumas horas apenas. Imagino que hoje a espera não tome tanto tempo, mas mesmo que seja o caso, aguarde.

Não faça outro perfil/conta, isso não adiantará muito. Ela também exigirá verificação e, além de se deparar novamente com esse problema cedo ou tarde, haverá ainda a agravante da duplicidade — o item 4.2 dos termos de uso diz que “você não deve criar mais de uma conta pessoal”.

É chato esperar? Imagino que sim. Mas é o preço que se paga, além dos anúncios na cara o dia todo, para usar o Facebook.

[Review] Aspirador de pó portátil em formato de joaninha

Sites de compras como DealExtreme e FocalPrice abriram as portas do varejo chinês para o ocidente. Em vez de apelar para lojas de R$ 1,99 ou Ciudad del Este, através dessas lojas virtuais é possível comprar direto da fonte por preços (ainda mais) irrisórios e frete grátis para qualquer parte do mundo.

Quando descobri esses sites, passei a fazer compras regulares lá, quase sempre encomendando produtos engraçadinhos dos quais nem precisava. Ainda bem que essa fase passa, né? Hoje só recorro a eles quando preciso mesmo de algo. Alavancas para os joysticks (maldito FIFA!), cabos que perdi, peças de reposição em geral. Na última compra, porém, tive uma recaída e encomendei um aspirador de pó portátil em formato de joaninha.

Brinquei na entrevista com o Mobilon que esse aspirador de pó tinha sido a melhor compra que fiz em 2013. Não chega a tanto, mas é uma mão na roda, acredite.

Apartamento pequeno + pão = sujeira

Vivo em um apartamento pequeno e adoro pão. Depois de comer, inevitavelmente sobram farelos na toalha de mesa e, nessa, livrar-se deles nem sempre era um trabalho limpo e livre de falhas.

Bater a toalha em uma lixeira de pia exige destreza e uma mira muito boa. No meu caso, farelos caíam na pia e no chão e… vamos lá, eu admito: pode ser bobagem, mas achava isso uma chateação enorme. O aspirador de pó em questão era, portanto, a solução para os meus problemas.

Aspirador de pó joaninha faz pose para a foto.
Foto: Rodrigo Ghedin.

*Toca a vinheta das Organizações Tabajara!*

Visão geral do aspirador de pó portátil em formato joaninha

Este aspirador de pó parece um mouse avantajado. O formato, somado às dimensões (10,6 cm x 8,6 cm x 6,9 cm) e peso (163 g), reforçam a semelhança. Minhas mãos não são muito grandes, mas consigo manuseá-lo com conforto. Ele se encaixa bem e desliza sem trepidações pela toalha.

A construção é das mais simples e, considerando um produto que custa menos de US$ 7 no varejo, frágil. A parte central consiste em um motor movido a duas pilhas AA. Ele fica protegido pela tampa superior, feita de um plástico fino. Na lateral esquerda está o botão de liga/desliga.

Construção simples e frágil do aspirador de pó.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Embaixo fica o compartimento de armazenagem do pó/farelo. No meio, o ventilador que suga eles. Há pequenas hastes distribuídas na base que ajudam a direcionar os farelos para o ventilador central. Ele lida com farelos pequenos e até alguns pedaços maiores, e além de aspirar, o ventilador também atua como um pequeno triturador. Coma um pão francês, que costuma soltar cascas e farelos maiores, aspire e depois abra o compartimento e eles terão sido reduzidos a um pó.

A tampa inferior é mais firme que a de cima, mas não é difícil de abrir — existe uma espécie de presilha na parte de trás que, apertada, permite removê-la sem maiores esforços. A base é bastante curta, então tome cuidado se ficar muito tempo sem limpá-lo. Pode acontecer dos farelos se espalharem caso estejam transbordando.

A base do aspirador de pó portátil.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Nas laterais da peça principal existe uma fina camada de papel, provavelmente para impedir que os farelos saiam pelos vãos. Não é totalmente eficiente, já que é comum ver um pouco deles saindo pelas laterais, e dificultam um bocado a limpeza. É meio nojento deixar essas coisas à mostra, ainda mais que o aspirador de pó, com esse design de joaninha, é vendido também como objeto de decoração. De gosto (bem!) duvidoso, mas isso vai de cada um. A dica, portanto, é não deixar acumular muito farelo ali.

Joaninha em ação

O aspirador de pó portátil funciona bem. Na descrição da loja, é dito que ele se destina a ser usado em mesas para aspirar poeira, cinzas de cigarro, cabelo, borra etc. Coloque nesse “etc” farelo de pão: apesar de não ser citado explicitamente, venho usando-o exclusivamente para essa finalidade há mais de um mês com sucesso.

A operação é muito simples. Existe apenas um botão de liga/desliga, e basta passá-lo sobre os farelos, mais de uma vez, para que ele faça seu trabalho. É um gadget barulhento, como você pode conferir no vídeo abaixo, mas pelo menos aqui, com uma mesa pequena, esse problema é amenizado porque o trabalho sempre é muito rápido.

Custo-benefício: nota 10

Como a maioria das bugigangas que se compra na DealExtreme, não espero que esse aspirador dure muito. A engenharia dele é rudimentar, ao abrir a tampa superior dá para ver como o motor e as pilhas foram colocados de maneira meio desleixada, o plástico é frágil e aquelas cortinas de papel… bem, são de papel.

Mas por US$ 6,20 com frete grátis, por que não? Comparando com meu método antigo de bater a toalha na lixeira, o aspirador de pó portátil em formato de joaninha é mais rápido, mais eficiente e não faz bagunça. Por essa pechincha, é algo que me vejo comprando novamente quando esse quebrar.

Aspirador de pó portátil: ótimo custo-benefício.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Todos os links do aspirador neste post têm código de referência. Isso significa que se você comprá-lo ou qualquer outra coisa na DealExtreme a partir desses links, eu ganho uma pequena comissão. O preço não muda com ou sem código, mas com ele eu faço uns trocado — e você continua sem ver propaganda por aqui :-)

Leituras da semana #2

Smartphone, tablet e ereader: todos prontos para a leitura.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Na seção Leituras da semana, a ideia é trazer até cinco posts de outros sites publicados no decorrer da semana que merecem ser lidos. São artigos primariamente sobre tecnologia, mas que, seguindo a linha editorial do Manual, podem também flertar com comunicação, psicologia e outras áreas desde que tenham uma abordagem relacionada a gadgets ou bits.

Na sequência, você tem os links e breves descrições de cada artigo. No final do post há um link para o Readlists.com. Por lá é possível baixar um ebook contendo os artigos listados na íntegra ou exportá-lo para seu Kindle, outro ereader ou tablet e ler na piscina, no sofá, onde quiser durante o fim de semana. Espero que gostem.

Sobre o Android ser aberto

Qualquer um pode pegar o Android e usá-lo em um smartphone, tablet ou como sistema embarcado. Mas até que ponto o Android que conhecemos, recheado de serviços do Google, é aberto? Ron Amadeo explica os artifícios que o Google usa para controlar o sistema e impedir que forks, como o Android da Amazon, tenham relevância. É um jogo de xadrez maliciosamente bem pensado.

Ars Technica: A mão de ferro do Google sobre o Android: controlando o código aberto da maneira que for necessária

Sobre comentários em blogs

Na New Yorker, Maria Konnikova recorre a pesquisas científicas para entender o complexo e imprevisível comportamento das pessoas em espaços abertos a comentários na Internet. É um área cheia de resultados controversos. Bônus: Sakamoto propõe uma pesquisa com seus leitores para tentar desvendar o que se passa pela cabeça da galera que comenta no seu blog. Dada a natureza dele, que defende pontos de vista bastante humanistas em casos onde a selvageria e a Lei de Talião parecem tomar conta da opinião pública, vai ser interessante acompanhar.

New Yorker: A psicologia dos comentários online

Sobre Kindle

Nadiajda Ferreira, a nova repórter do Gizmodo, dá 15 dicas para usar melhor o Kindle. Algumas manjadas, mas várias muito boas e que passam batidas por muitos donos do e-reader da Amazon. Bônus: saiu um texto meu la´semana passada, sobre como é usar o Kindle básico com a Amazon nacional.

Gizmodo Brasil: 15 truques para você usar (de verdade) seu Kindle

Sobre baterias de notebooks com Windows

Jeff Atwood tenta entender por que notebooks e tablets com Windows têm autonomia tão baixa. O último MacBook Air chega a 12 horas fácil com os novos chips Haswell, da Intel; o Surface Pro 2, por sua vez, se gaba de alcançar 6,6 horas. Por quê?

Coding Horror: Por que o Windows tem uma autonomia tão horrível?


Todos os artigos acima estão listados no Readlists.com, onde você pode enviá-los para o Kindle, por email, para dispositivos iOS ou baixar um ebook.

O iPad 2 vive: por que esse modelo continua à venda?

iPad 2: highlander.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Na hora de mostrar a família de iPads com os novos membros recém-apresentados, na terça, a Apple manteve à venda o iPad 2, um senhor que todos achávamos estava prestes a se aposentar. Com especificações defasadas e sem alteração no preço, a pergunta que todos se fazem é: por quê?

Não é estranho à Apple manter versões antigas de seus dispositivos à venda em paralelo com as novas. Na realidade, é praxe. Normalmente a empresa mantém três iPhones e dois iPads à venda. Um lançamento, seguido de modelos dos anos anteriores com preços mais em conta.

As coisas mudaram em 2013. O iPhone 5c tomou o posto que, na antiga tradição, seria do iPhone 5, situação viabilizada com o lançamento simultâneo de dois iPhones, algo inédito até então. (O iPhone 4S continua à venda, de graça com contrato nos EUA, e por um preço mais camarada, mas ainda salgado, em outros mercados.)

No caso do tablet, até a manhã desta terça havia três modelos à venda: iPad “4”, iPad mini e iPad 2. Esse último, apesar de duas gerações atrasado, era compreensível porque a terceira e quarta gerações são muito próximas, tanto que o intervalo entre os anúncios de ambas foi de alguns poucos meses. Dois iPads grandes, um com tela Retina, outro não. Tudo ok.

O mais natural, então, era que o iPad 2 se aposentasse terça e o iPad “4” ocupasse seu lugar como opção de baixo-custo. Não foi o que rolou. O penúltimo modelo saiu de linha e o idoso iPad 2 segue firme e forte, e sem alteração no preço — continua custando cada vez mais caros US$ 399.

Novamente: por quê?

A família iPad em 2013.
Foto: Apple/Reprodução.

O espanto, e até indignação que a manutenção do iPad 2 causou, se explica olhando para os lados.

Pelos mesmos US$ 399, o consumidor em potencial interessado em um tablet da Apple leva o novíssimo iPad mini com tela Retina, SoC A7 e outras novidades compartilhadas com o iPad Air — a escolha entre os dois é uma questão meramente de gosto e de se ter US$ 100 sobrando na carteira.

Se o custo for o norte para a compra do equipamento, o iPad mini de primeira geração é imbatível por US$ 299. Embora a tela tenha a mesma resolução e o SoC seja o mesmo do iPad 2, um Apple A5, ele é mais avançado com conector Lightning, câmera melhor, suporte a 4G e Siri.

Tentaremos entender o que leva a Apple a continuar oferecendo o iPad 2, mas a menos que você precise especificamente desse modelo, é difícil argumentar favoravelmente à sua compra. As alternativas são melhores.

Tentando justificar o iPad 2 em 2013

Um dos exercícios mais populares desde terça é tentar justificar a manutenção do iPad 2 no varejo. São diversas teorias, nenhuma comprovada, já que a Apple não fala e os números que divulga tampouco ajudam a entender a situação — quando divulga a quantidade de iPads e iPhones vendidos, ela não quebra esses números por modelo, dá apenas valores agregados.

iPad 2 sendo desembalado.
Foto: Cesar Dominguez/Flickr.

Dito isso, parto da premissa mais simples: o iPad 2 continua à venda porque… vende. Com linhas de produtos tão enxutas, a Apple não teria por que manter um produto tão datado se ele não estivesse ajudando a elevar faturamento e lucro. Um antigo como o iPad 2, especialmente por US$ 399, hoje deve ter margens saborosas. Para quem domina a linha de montagem e relação de fornecedores tão bem quanto a Apple, atender essa demanda deve ser algo que é feito de muito bom grado. E estimativas recentes, como as da Consumer Intelligence Research Partners, apontam que o iPad 2 ainda respondia, pelo menos até setembro, a quase 30% das vendas de iPads. Não é pouca coisa.

Outro aspecto muito citado e que faz bastante sentido é a compatibilidade. O iPad 2 é o único modelo ainda à venda com o conector de 30 pinos e o que à primeira vista é desvantagem (e é mesmo, pelo tamanho e problemas que pode dar), acaba sendo interessante para quem investiu muito em homologação, infraestrutura e acessórios baseados nessa interface.

Nos textos lá de fora são comuns relatos de escolas e empresas como potenciais compradores de iPad 2. Adaptar ambientes com centenas, milhares de usuários a um dado equipamento não é uma coisa simples, ou barata, logo US$ 399 em cada tablet para substituir um ou outro problemático ou quebrado sai, no geral, mais barato do que trocar toda a infraestrutura e a base para o novo conector Lightning. Mesmo nas compras em lote esses US$ 100 de diferença para o Air pesam no final.

Cedo ou tarde a migração para uma versão mais atual acontecerá, mas com os orçamentos limitados das escolas e a mentalidade econômica de empresas de pequeno e médio porte, adquirir tecnologia conhecida, ainda que obsoleta, acaba sendo a melhor saída.

O comparativo entre iPads que a própria Apple oferece também dá algumas pistas de padrões observados. Os dois novos iPads têm telas Retina, os dois antigos mantidos, não. Os dois novos, SoC A7, os dois antigos, A5 — também usado no iPhone 4S e Apple TV (versão single core), ambos ainda vendidos.

Embora frágil, existe uma simetria entre os modelos de ponta e os antigos, e o tamanho físico do iPad 2 pode ter apelo junto a alguns consumidores, gente para quem Giga hertz e telas Retina não diz muito. Como explicou Patrick Moorhead, analista da Moor Insights & Strategy, ao The Verge:

“É o tamanho que importa. Um monte de gente entra em uma loja com suas mentes já decididas por um tablet de 10 polegadas ou um de 7 ou 8, e eles partem disso. Para muitos deles, aquela uma polegada extra de espaço diagonal é de uma importância tremenda.”

Outra linha, essa menos comum, diz que o iPad 2 é um agente infiltrado cujo único propósito é impulsionar as vendas dos demais modelos, estratégia baseada no Efeito Decoy, ou triangulação. Nesse caso, o iPad 2 se apresenta não para ser vendido, mas para tornar mais atraentes os preços do novo iPad mini e iPad Air. Um exemplo prático e mais palpável: o Xbox One brasileiro por R$ 2.200 é caro, mas quando a Sony anunciou que o PlayStation 4 custará R$ 4.000 por aqui, ele imediatamente pareceu um negócio melhor do que era antes. Viu?

(Duvido que a Apple manteria uma linha de produção inteira apenas para mexer com o psicológico dos compradores forçando-os a comprar modelos melhores, mas com tanta teoria maluca passeando por aí, fica o registro de mais essa.)

O mais engraçado nessa pequena polêmica foi a reação agressiva de parte da imprensa internacional. “É uma trapaça”. “Se você tiver qualquer impulso em comprar um iPad 2 de 16 GB por US$ 399, você provavelmente deveria ir a um hospital e fazer um exame da cabeça“. “Eu o tacharei de idiota se você comprar um iPad 2 por US$ 399″. É bom saber que existe tanta gente preocupada com o bolso e a sanidade alheia :-)

Como é o iPad 2 em 2013?

iPad 2 atualizado e com reflexo do Sol.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Mas digamos que por qualquer motivo você resolva que quer o iPad 2. Sei lá, a tela não-Retina é vintage, bacana, você tem aversão a velocidade ou quer uma tela de 9,7 polegadas em um tablet novo, lacrado, mas aqueles US$ 100 extras do iPad Air estão em falta. Enfim, não importa o motivo: você tem um iPad 2 novo em mãos. Como ele se sai?

Eu posso responder essa pergunta, mas porque comprei um iPad 2 lá atrás, quando ele ainda era o melhor que a Apple podia oferecer. Ainda hoje, aliás, do ponto de vista estético, ele impõe certo respeito: com exceção do iPad Air, é o modelo grande mais leve (601 g) e fino (8,8 mm) de todos. A título comparativo, o iPad 3/4 pesa 652 g e tem 9,4 mm de espessura. (Todos os valores para as versões com apenas Wi-Fi.)

Quarta-feira fiz a primeira restauração do meu iPad 2 nesses dois anos. Ele estava com o iOS 6-ponto-alguma-coisa e, entre joguinhos que minha afilhada curte e apps que instalei só de curiosidade, faltava espaço para viabilizar a atualização para o iOS 7. A trabalheira que daria apagar apps e espremer espaço livre não compensava; de quebra, com uma restauração pude ver como é o desempenho de um iPad 2 (teoricamente) novo hoje.

Não é dos piores, viu? Mas, sim, está longe de ser tão ágil quanto um tablet moderno. Veja bem: são dois anos e meio, três gerações que o separa do iPad Air. Até apps pouco intensivos, como os clientes oficias do Twitter e Facebook, pedem alguns segundos após abertos para ficarem funcionais. A multitarefa, agora com miniaturas das janelas, só consegue manter as imagens das três ou quatro primeiras. Há uns glitches mínimos em algumas animações, mas o belo efeito de paralaxe funciona em toda sua glória. É bonitão esse efeito, né?

A lentidão não é um empecilho grande, não chega a irritar. A restauração fez bem à saúde do iPad 2 e esses pequenos engasgos iniciais estão mais curtos agora. Vídeos e navegação web funcionam bem, sem qualquer dificuldade. Sou um usuário bem conservador, de poucos e bem definidos hábitos, e que não joga, então não exijo muito do equipamento. Talvez eu seja exceção, mas para mim o iPad 2 ainda está ok.

A tela é o ponto fraco do iPad 2.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Fora o desempenho, outra característica que entrega a idade do iPad 2 é a tela. Não é retina, e por não sê-lo, a tipografia mais delicada do iOS 7 fica estranha nos 1024×768 pixels do painel. Em alguns apps, como no oficial do Twitter, o serrilhado da (pequena) fonte fica bem aparente, a ponto de dificultar a leitura mais de perto. Aquela máxima de que dá para se virar bem sem telas de alta densidade desde que você nunca veja uma continua válido. Mais do que o desempenho, é a baixa resolução da tela a minha maior queixa.

Não, não compensa pagar US$ 399 em um iPad 2 hoje. Ele ainda segura as pontas, mas já mostra sinais claros de cansaço e… poxa, acho que é bem seguro dizer que de 2014 a aposentadoria não passa. Além disso, por valores menores (nos EUA) se consegue modelos usados de iPad 4, melhor em praticamente tudo.

Há situações bem peculiares em que a compra de um se justifica e se você quiser, também, quem sou eu para julgar? Muita gente ainda usa o primeiro iPad, seriamente limitado pelos seus 256 MB de RAM, e está contente. Talvez até mais do que os chatos linkados acima que reclamam com tanta raiva do que os outros compram.

Os novos iPad Air e iPad mini estão na mesma categoria, só que com telas de tamanhos diferentes

Quando as carcaças de iPhone vazadas por Sonny Dickson apareceram no palco do penúltimo evento da Apple, mês passado, elas meio que validaram as dos futuros novos iPads, também divulgadas antes da hora pelo jovem australiano, como verdadeiras. Não havia convite para evento, não havia anúncio oficial, nada vindo da Apple, mas quem duvidaria de uma fonte que acabara de se provar confiável?

Dickson, esse fenômeno da esteira de rumores, é o ápice de uma indústria paralela à da tecnologia de consumo que, ao mesmo tempo em que sacia a ânsia por informações antes da hora e em primeira mão e conjecturas baseadas no “ouvi dizer”, acaba com o fator surpresa que todos sempre cobram e, cada vez menos, recebem de eventos como o de ontem. O que não chega a ser exatamente ruim. Apesar das previsões apocalípticas dos comentaristas de blogs (não os do Manual! :-)  e da reação negativa dos investidores ao final de cada anúncio, dificilmente algum dispositivo recém-lançado da Apple empaca nas prateleiras.

Ontem foram apresentados a nova linha de tablets, composta pelo iPad Air e o novo iPad mini, MacBooks Pro com tela Retina atualizados, data e preço do Mac Pro e a versão final do Mavericks, nova versão do OS X. Abaixo, o que me chamou a atenção.

iPad Air ou iPad mini?

Foto de divulgação do iPad mini com tela Retina.
Foto: Apple/Reprodução.

O iPad mini que deveria ter sido lançado em 2012 foi apresentado ontem. Ele muda pouco, mas o que importa é que ele muda onde mais precisava: na tela. Sai a de baixa resolução do modelo de estreia (1024×768), entra uma Retina com resolução de 2048×1536.

A lacuna fechada pela Apple no seu tablet pequeno veio acompanhada de melhorias internas inesperadas. Poucos achavam que o SoC A7, que também equipa iPhone 5s e iPad Air, estaria nesse tablet — a versão anterior era equipada com o A5, de dois anos atrás. O módulo Wi-Fi com suporte a MIMO, o microfone extra para melhorar a qualidade do áudio e o co-processador M7 fecham o pacote de melhorias do novo iPad mini.

Algo ruim? Duas coisas que aumentaram: preço e peso. O iPad mini ficou 23 g mais pesado (29 g na versão com suporte a 3G/4G), chegando a 331 g e 341 g, respectivamente, e seu preço inicial, para o modelo de 16 GB com apenas Wi-Fi, subiu US$ 70 — começa, agora, em US$ 399. O iPad mini original segue à venda e teve um corte, passando a custar US$ 299.

Esse valor do novo mini se aproxima bastante dos US$ 499 que, desde a primeira geração, a Apple cobra pelo modelo inicial do iPad grande, com tela de 9,7 polegadas. Ontem ele chegou à quinta iteração e ganhou novo nome para combinar com sua leveza: chame-o iPad Air.

iPad Air: apenas 450 g.
Foto: Apple/Reprodução.

A dieta pela qual ele passou impressiona. De 652 g, o peso do tablet caiu para 469 g (no modelo com apenas Wi-Fi). O iPad Air também encolheu, tem apenas 7,5 cm de espessura, contra 9,4 mm do modelo anterior. As bordas verticais ficaram mais estreitas, o desenho agora segue o padrão do iPad mini. É a mudança mais radical no iPad desde a segunda versão — que continua à venda, por sinal, ao custo de US$ 399, e deve ser um modelo ainda bastante procurado; só isso justifica a sua manutenção — e um assombro da engenharia de Cupertino. Mesmo menor e mais leve, ele é mais rápido que a geração anterior e mantém a mesma duração estimada de bateria.

Não que seja um detalhe muito relevante, mas esse “Air” no nome soa meio estranho. É um artifício de marketing válido, reforça as boas características físicas (é o tablet de ~10 polegadas mais leve do mundo e o segundo mais fino; nesse quesito fica atrás do Tablet Z, da Sony) e dá um frescor que deverá fazer bem às vendas. Mas ele não inaugura uma nova categoria, como fez o MacBook Air em 2008; embora muito melhor, ele continua sendo o mesmo produto de três anos atrás. O “Air” também rompe com uma convenção recente, a de abdicar de indicadores que denunciam a “idade” do iPad, prática que durou apenas duas gerações (os dois iPads lançados em 2012). Enfim, detalhes.

De resto, o iPad Air vem com as mesmas melhorias vistas e listadas acima do mini. A tela tem a mesma resolução, inclusive, o que lhe confere uma densidade de pixels menor — 264 DPI contra 326 do modelo com tela de 7,9 polegadas. Porém, pesa a seu favor a área real de tela para uso, e por mais que a portabilidade do iPad mini seja tentadora, a 1,8 polegada extra do Air tem seu apelo.

Com uma diferença tão curta, de apenas US$ 100, e configurações tão próximas, inclusive o peso, escolher entre iPad Air e iPad mini é uma questão mais de gosto do que de fatores técnicos, mais coração do que razão. Ainda restam dúvidas sobre a quantidade de RAM de cada um (não faria muito sentido diferenciá-los nisso), ou se a frequência do processador será mais alta no Air (provável), mas fora isso, quem está em busca de um novo tablet se vê num dilema dos bons.

Acredito que o padrão de uso deva ser o fator decisivo no caso. A maioria que comprou e gosta do iPad mini original destaca a portabilidade dele: menor e mais leve, dá para carregá-lo para todo canto numa boa. O abismo que o separa do Air em peso diminuiu, mas o tamanho permanece inalterado, de modo que o parâmetro que, pessoalmente, tomo aqui é o seguinte: se você usa tablet em casa, deitadão no sofá, o Air é mais negócio. Se ele te acompanha nas aventuras urbanas longe do aconchego do lar, aí o mini parece mais adequado.

Ambos parecem, no papel e pelos hands-on publicados ontem, tablets espetaculares. Não quero desmerecer o trabalho de engenharia dispendido na dupla, mas deve ser mais fácil surpreender dessa maneira quando se parte de um produto tão bom quanto o iPad sempre foi. De qualquer maneira, kudos para a Apple.

Mavericks, iLife e iWork gratuitos

Craig Federighi anunciando o preço do Mavericks.
Foto: Christina Bonnington/WIRED.

A versão final do Mavericks, ou OS X 10.9 se você prefere números, foi lançada ontem mesmo. E, o mais importante, de graça.

O preço das atualizações do OS X vinha caindo sistematicamente, de US$ 129 para US$ 29 e, agora, para zero. A oferta alcança versões anteriores à penúltima (Mountain Lion), é compatível com basicamente todo Mac lançado a partir de 2007. É diferente do que rola no Windows 8.1, da Microsoft, gratuito apenas para quem estiver rodando o Windows 8.

John Paczkowski nos lembra que essa estratégia de software gratuito é, na realidade, um retorno às origens. Até o System 7, a Apple não cobrava pelo software. Na Wired, publicação acostumada a sentenciar a morte de coisas, Ryan Tate disse que a era dos sistemas operacionais pagos chegou ao fim. E é bem provável que seja isso mesmo.

Qual a mágica? John Siracusa, que já publicou seu detalhado review do Mavericks, explica à Wired:

“O preço de US$ 0 está ligado à tendência de integração vertical. Uma empresa que faz tanto o hardware quanto o software de um dispositivo pode escolher onde colocar suas margens de lucro. Dado o poder mágico que [a palavra] ‘grátis’ tem nas mentes dos consumidores, é melhor colocar todo o lucro em uma só cesta. Hardware gratuito é difícil de conceber, então a missão fica com o software: compre nosso hardware, obtenha nosso software de graça.”

Mavericks distribuído gratuitamente.
Foto: Apple/Reprodução.

E não bastasse o Mavericks gratuito para todo mundo, as suítes iLife e iWork também passaram a não custar nada, mas só para quem comprar novos dispositivos (vale para iOS e OS X) desde 1º de setembro deste ano. Serenity Caldwel explica os detalhes das ofertas na Macworld.

O alvo, ou grande prejudicado com esse desprendimento pelo software, aliás, parece ser a Microsoft. Na Época, Guilherme Felitti explica como essa inversão de valores entre hardware e software pode machucar a empresa de Steve Ballmer. E é de se pensar, mesmo, o que a Microsoft fará agora sendo a única das três grandes a cobrar pelos seus sistemas — Android e Chrome OS, do Google, também não custam nada a fabricantes e usuários.

Alguns analistas já sinalizavam que tornar Windows e Windows Phone gratuitos pudesse ser uma saída. A Apple pode ter dado um empurrãozinho, ou aumentado a pressão, para que esse cenário se concretize.

Tudo novo e melhor, e poucos estão satisfeitos

Desta vez acompanhei o evento com certo distanciamento, um pouco longe do calor do momento — e definitivamente longe dos comentários de blogs e portais. Até recorri às contas em redes sociais do Manual para tentar, com uma amostragem obviamente viciada e muito restrita, entender se aquela insatisfação generalizada comum a todo evento da Apple pós-apresentação do iPad original se repetiu. Pelo menos entre os que interagiram por lá, parece que a recepção foi menos hostil. Parece, não posso dizer com certeza.

O iPad Air é um feito de engenharia, o iPad mini foi além do que se esperava, os MacBooks Pro à venda, agora, são apenas modelos com tela Retina e ficaram mais poderosos, com chips Haswell, e mais finos, o poderoso Mac Pro cilíndrico chega em dezembro. Mavericks, iWork e iLife de graça. São novidades bem legais.

Dizem que em time que está ganhando não se mexe, mas quase sempre há, sim, espaço para aperfeiçoamentos. Bom para quem vê a beleza disso tudo — sem deslumbramentos, mas tampouco com desdém.

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